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BCP reorienta financiamento imobiliário para construção a custos moderados e está aberto a soluções com municípios

28 October 2026 at 18:58

O BCP está a reorientar a sua capacidade comercial e de análise de operações para apoiar projetos de promoção imobiliária destinados à classe média, com custos mais controlados, e está a estudar modelos de financiamento que envolvem cooperativas e parcerias entre municípios e promotores privados, anunciou o presidente executivo do banco, Miguel Maya.

Na conferência de imprensa de apresentação dos resultados dos primeiros nove meses do ano, o CEO do BCP explicou que o banco reorganizou as suas equipas para acelerar a análise e o financiamento de projetos que respondam às necessidades do mercado habitacional.

“O nosso foco está muito centrado naquilo que é o apoio a projetos que estão dentro da classe média e média, mas são mais custos controlados”, afirmou Miguel Maya, acrescentando que o banco pretende contribuir para aumentar a oferta de habitação.

O  banqueiro sublinhou que o BCP tem uma quota de mercado significativa no financiamento da promoção imobiliária, dispondo de uma unidade de negócio com profissionais especializados nesta área.

O CEO do BCP explicou que o banco está a reforçar a capacidade de analisar projetos imobiliários, incluindo operações que, na sua configuração inicial, não reúnem condições para obter financiamento.

“Conjuntamente com os promotores que nos apresentam um projeto, muitas vezes apresentam-no numa configuração que pode não ser possível de apoiar pelo BCP, e o BCP redesenha, ajuda a redesenhar uma operação, de forma a que essa operação seja melhor”, explicou.

A reorganização pretende permitir uma resposta mais rápida à procura e aumentar a capacidade de adaptação das soluções financeiras às características dos projetos.

O CEO não adiantou operações concretas nem revelou a evolução do volume de crédito destinado à promoção imobiliária, mas reiterou que o banco está a concentrar recursos em projetos dirigidos à classe média e a segmentos com custos de construção e venda mais acessíveis.

Cooperativas e parcerias com municípios

Além do financiamento tradicional aos promotores imobiliários, o BCP está a analisar soluções alternativas, nomeadamente através de cooperativas e de parcerias entre autarquias e empresas privadas.

Miguel Maya revelou que o banco já tem operações com cooperativas em análise e que algumas decisões de financiamento foram tomadas.

O BCP está também a trabalhar em modelos nos quais os municípios desenvolvem projetos em parceria com privados, com financiamento partilhado entre as diferentes entidades. Nestes casos, os promotores asseguram a exploração dos empreendimentos, enquanto as autarquias podem arrendar as habitações a preços inferiores aos praticados no mercado.

“Já temos operações aprovadas nesta metodologia”, afirmou, ressalvando que ainda não existe nenhuma operação concretizada neste modelo.

O responsável defendeu que a banca deve procurar acompanhar a transformação da procura habitacional e participar ativamente na resposta à crise, reconhecendo, contudo, que se trata de um problema complexo, sem soluções simples. “O que não podemos fazer é não fazer”, disse o banqueiro.

Garantia pública facilita acesso à habitação

Miguel Maya voltou também a defender a garantia pública no crédito à habitação, considerando que a medida permite a jovens e casais com rendimentos suficientes comprar casa, apesar de não disporem de poupanças para suportar a entrada inicial.

“Há muitos casais que têm capacidade e têm rendimento. O que não têm é entrada inicial”, afirmou, considerando que a medida é relevante para a sociedade portuguesa.

O CEO reconheceu que a garantia pública não resolve o problema da habitação, mas reiterou que permite alargar o acesso à compra de casa a um conjunto de pessoas que, de outra forma, ficaria excluído do mercado.

O BCP já usou 88% da sua quota de garantia do Estado de apoio aos jovens, o que inclui crédito contratado e em contratação.

Sobre a evolução do crédito, Miguel Maya rejeitou que o aumento seja, por si só, motivo de preocupação, defendendo que o financiamento deve acompanhar as necessidades da economia. Com o fim do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), acrescentou, uma parte significativa do investimento terá de continuar a ser suportada pelo financiamento bancário.

Já quando questionado sobre a rede comercial e os recursos humanos, Miguel Maya afirmou que o BCP está a contratar profissionais para reforçar competências nas áreas digital, da inteligência artificial, do controlo interno e das equipas comerciais.

O responsável indicou que o banco tem atualmente mais trabalhadores na área comercial do que em 10 de dezembro do ano passado.

Quanto à rede de balcões, afastou a existência de um plano de redução significativa em Portugal, afirmando que o banco pretende manter a dimensão global atual, embora possa fechar algumas agências e abrir outras, em função da evolução da população e da atividade económica.

Sobre as negociações salariais com os sindicatos, Miguel Maya recusou antecipar uma decisão sobre aumentos para este ano, sublinhando que as conversações decorrem diretamente com as estruturas sindicais e que qualquer entendimento será anunciado quando estiver concluído. “O BCP toma as decisões nos tempos que são corretos”, afirmou.

O CEO manifestou confiança na evolução do negócio, apesar do contexto de incerteza económica e geopolítica, destacando a execução das linhas estratégicas do banco e o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos.

BCP reforça aposta no crédito à construção para classe média

28 October 2026 at 18:21
Miguel Maya, presidente do Millennium BCP, revela que o banco está a tentar conceder mais créditos para construção residencial a custos controlados, incluindo financiamento de cooperativas.

© FILIPE AMORIM/LUSA

Miguel Maya, presidente da comissão executiva do BCP.

BCP atualiza metas do plano estratégico 2025-2028 e aponta a mais de 200 mil milhões em volume de negócios

28 October 2026 at 17:43

O Millennium BCP reviu em alta as metas do seu plano estratégico para 2025-2028, refletindo uma execução mais forte do previsto e o atual contexto macroeconómico. O banco passa a prever, para 2028, uma rentabilidade sobre capitais próprios (ROE) no consolidado e 17,5% em Portugal, acima dos objetivos iniciais de mais de 13,5%.

Na atividade, o BCP elevou o objetivo de volume de negócios consolidado para mais de 200 mil milhões de euros, face aos mais de 190 mil milhões previstos anteriormente. Em Portugal, a meta passa a ser superior a 130 mil milhões de euros, acima dos anteriores mais de 120 mil milhões.

As novas projeções para o ciclo estratégico 2025-2028 refletem as atuais expectativas macroeconómicas e estabelecem também objetivos mais ambiciosos para a operação em Portugal, onde o banco pretende ultrapassar os 130 mil milhões de euros em volume de negócios, acima dos mais de 120 mil milhões previstos anteriormente.

O banco mantém o objetivo de superar os oito milhões de clientes até 2028, dos quais mais de três milhões em Portugal. Na área digital, pretende que mais de 80% dos clientes utilizem canais móveis, uma meta que já constava do plano inicial.

Ao nível da eficiência operacional, o BCP prevê agora alcançar um rácio de custos sobre receitas (cost-to-income) igual ou inferior a 37%, face ao objetivo anterior de menos de 40%. Para Portugal, a meta passa a ser de 34% ou menos, em comparação com menos de 37% anteriormente.

O banco reviu igualmente em baixa os objetivos para o custo do risco, que deverá ficar em 43 pontos base ou menos no grupo, contra a meta anterior de menos de 50 pontos base. Em Portugal, pretende limitar este indicador a 35 pontos base, face aos menos de 45 pontos base previstos inicialmente.

Em termos de rendibilidade, o Millennium BCP aponta para um retorno sobre os capitais próprios (ROE) de pelo menos 17,5% em 2028, acima do objetivo anterior de mais de 13,5%. No capital, pretende manter um rácio CET1 igual ou superior a 14,25%, face à meta anterior de mais de 13,5%.

O banco mantém ainda o compromisso de permanecer no quartil superior do índice de sustentabilidade S&P Global CSA.

Quanto à remuneração dos acionistas, o plano prevê a distribuição de até 90% dos resultados, sujeita à aprovação do supervisor e às condições de capital e de negócio. Para o período entre 2025 e 2028, o BCP tinha estabelecido como referência um resultado líquido acumulado entre quatro mil milhões e 4,5 mil milhões de euros, associado à concretização dos objetivos definidos para Portugal e para a atividade internacional e ao cumprimento da meta de capital CET1.

No final de setembro de 2026, o banco apresentava um volume de negócios de 182 mil milhões de euros, 7,5 milhões de clientes, dos quais três milhões em Portugal, e um rácio CET1 de 15,2%. O ROE situava-se nos 14,9%, enquanto o rácio cost-to-income era de 36% e o custo do risco de 34 pontos base.

As projeções para 2028 estão sujeitas a riscos e incertezas, nomeadamente relacionados com a evolução do contexto regulamentar, político e macroeconómico, sublinha o banco.

 

Bancos estão a encerrar contas sem justificação. Saiba o que fazer em caso de debanking

By: ZAP
28 October 2026 at 12:30
Bancos dão dois meses para retirar fundos e transferir depósitos e créditos. Maioria das queixas envolve o Santander e o Millennium bcp. Há bancos a encerrar contas de clientes sem revelar os motivos e sem possibilidade de reverter tal decisão. Enviam cartas aos seus clientes na qual dão dois meses para transferir depósitos e créditos, sem outra hipótese. A situação é denunciada pela Sábado esta quarta-feira, que explica que o fenómeno até já ganhiou um nome: debanking. O fenómeno já provocou queixas em Portugal e pode até aumentar as prestações do crédito à habitação, denunciam à revista clientes nesta situação.

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