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Análise: Derrota de Trump nas midterms deixaria Flávio exposto nos EUA

30 October 2026 at 20:36

Na próxima terça (3), os Estados Unidos vão às urnas nas midterms, as eleições de meio de mandato, onde ficam em jogo a Câmara dos Deputados, um terço do Senado e 36 governos estaduais.

A avaliação da Arko Advice, parceira de conteúdo do WW, é que o Partido Republicano do presidente Donald Trump chega nessa reta final na defensiva.

Na Câmara, a tendência é de uma retomada do controle por parte da oposição. Nos bastidores, a base de Trump não discute mais se vai perder o comando da casa, mas sim por quantas cadeiras perderão.

Deputados republicanos de distritos considerados seguros estão em “modo de emergência”, realizando arrecadação de última hora e investindo pesado em propaganda.

O motivo disso é o bolso da população americana, que sofre com o custo de vida, o aumento do preço dos combustíveis e a guerra contra o Irã. Tudo isso afasta parte do eleitor que deu vitória a Trump em 2024, principalmente os jovens trabalhadores. Por isso, projetamos uma maioria democrata na Câmara a partir dessas midterms.

Com uma maioria na Câmara, os democratas ganham poder de convocação de autoridades e poder de investigação. E é aqui que entra o Brasil.

Depois da nossa eleição presidencial vimos a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) aos EUA e o governo americano chegou a confirmar essa passagem pela imigração na Flórida e liberação do senador brasileiro.

A novidade é que agora 25 deputados democratas cobram publicamente do Secretário de Estado Marco Rubio explicações sobre três pontos:

  1. Como o visto foi concedido;
  2. Se o governo americano sabia das investigações em andamento por lavagem de dinheiro;
  3. Se o Departamento de Estado teve algum papel na saída do Brasil do senador.

O caso de Flávio se torna um possível ponto de atrito entre Brasília e Washington, mas não é só isso. Caso a oposição vença na Câmara, a fuga de Flávio e a carta de teor golpista que foi divulgada podem virar questões públicas, podendo ser objeto de audiências.

E as políticas de Trump para o Brasil, como o apoio à família Bolsonaro, as tarifas e os potenciais acordos, passam a ter um custo diferenciado no congresso americano.

Um presidente enfraquecido em casa tende a ter menos espaço para confrontar outros governos no âmbito internacional. E as dificuldades de Trump também vão além da Câmara.

Enquanto isso, no Senado, a situação é um pouco mais equilibrada. Mas a disputa chegou a estados que eram considerados muito republicanos e seguros. Ohio é um exemplo, com uma disputa na casa alta tecnicamente empatada.

Estados como Kansas, Louisiana, Carolina do Sul e Nebraska também têm um pleito muito acirrado e que surpreenderam pela situação nas pesquisas eleitorais.

A Arko aponta para uma leve vantagem democrata, mas que deve ser vista como um alerta. O resultado das midterms pode levar semanas para sair. Isso porque diversos estados fazem a contagem de formas diferentes.

Alaska e Maine, por exemplo, contam votos ranqueados; Kansas aceita cédulas pelo correio até três dias depois das eleições; e a situação no Texas também pode levar a uma eventual recontagem.

Uma derrota ampla para o Partido Republicano transforma a presidência do Trump em uma presidência de fim de mandato. Os próprios parlamentares republicanos já admitem que a influência deles sobre a sigla pode diminuir.

Com isso, devemos ver também logo nos primeiros meses alguns testes, como uma possível votação sobre o impeachment do Secretário de Defesa, Pete Hegseth, e uma disputa pela liderança republicana nas casas.

* Michael Lopez Stewart é sócio-diretor da Arko Advice. Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW.

Fuga de Flávio abre caminho para bolsonarismo abraçar políticos para além do sobrenome

30 October 2026 at 20:00

A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais e sua fuga para os Estados Unidos abriram uma disputa pela liderança da extrema direita brasileira que pode resultar em um bolsonarismo cada vez menos dependente dos membros da família do ex-presidente.

Para três pesquisadores que estudam a extrema direita, ouvidos pela Agência Pública, o episódio pode representar o início de uma mudança mais profunda: a separação entre o capital político acumulado pelo bolsonarismo na última década e a família que deu nome ao movimento. A crise dos herdeiros de Jair Bolsonaro, entretanto, não significa necessariamente uma perda de influência da extrema direita, que poderá manter sua agenda política, sua capacidade de mobilização e sua atuação nas instituições mesmo sob novas lideranças.

Michelle Bolsonaro, o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) estão entre os nomes citados pelos acadêmicos que podem ganhar espaço na reorganização do movimento, que perdeu a disputa pelo Palácio do Planalto, mas ampliou sua presença no Congresso Nacional.

“Acho que todo mundo, de uma certa forma, respira aliviado com a fuga do Flávio. Porque isso significa que há espaço dentro do bolsonarismo para além da família Bolsonaro”, afirma a antropóloga Isabela Kalil, pesquisadora especializada na extrema direita brasileira. Segundo ela, o senador não dispõe de capital político próprio suficiente para exercer, a partir do exterior, a liderança que seu pai construiu no país.

Pesquisadora da extrema direita no Brasil, Isabela Kalil enxergar espaço no bolsonarismo sem os Bolsonaros

A avaliação é compartilhada pelo filósofo Rodrigo Nunes, professor da PUC-Rio e professor visitante da University of Essex, no Reino Unido. Para ele, a disputa pela sucessão já alcança o interior da própria família. “Parece que a briga pela sucessão está se abrindo dentro da própria família Bolsonaro, porque todo mundo percebe que o grande nome dentro da família agora é claramente a Michelle.”

A historiadora e cientista política Tatiana Vargas-Maia, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), aponta uma transformação ainda mais ampla. “Talvez a gente veja a morte do bolsonarismo como identidade, mas uma manutenção dele como estratégia”, afirma. Na avaliação da pesquisadora, o movimento pode abandonar gradualmente a dependência da figura de Jair Bolsonaro sem abrir mão das práticas políticas, eleitorais e de mobilização desenvolvidas nos últimos dez anos.

A reorganização foi necessária após a vitória do presidente Lula no segundo turno, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. O senador recebeu quase 60 milhões de votos, mas deixou o país dois dias depois, apesar de uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, para que entregasse seus passaportes à Polícia Federal.

Flávio chegou a Miami na quarta-feira (28), acompanhado da mulher e das duas filhas, após passar pela Argentina onde pegou um vôo particular com escala no Equador. Já nos Estados Unidos, divulgou uma carta em que se apresentou inicialmente como o verdadeiro presidente do Brasil, apesar da derrota nas urnas. Posteriormente, alterou o documento para se autodeclarar líder do país, mantendo acusações de fraude eleitoral sem apresentar provas.

Entre aliados, as decisões de Flávio provocaram reações que evidenciaram o seu isolamento. desde Tarcísio de Freitas defendeu o reconhecimento do resultado das urnas, enquanto Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial do PL, afirmou que não havia elementos para sustentar as acusações de fraude. O distanciamento reforça as dificuldades de Flávio para se apresentar como líder da oposição a partir do exterior.

Michelle e Tarcísio despontam na disputa pela sucessão

Como senadora, Michelle Bolsonaro pode consolidar a sua liderança no bolsonarismo

Lideranças do campo conversador não demoraram a enxergar o espaço construído pela fuga de Flávio Bolsonaro. Para os pesquisadores, Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas são os nomes com maior destaque nessa reorganização até o momento, embora a disputa também envolva políticos mais jovens e movimentos que não se identificam integralmente com o bolsonarismo.

Rodrigo Nunes considera improvável que os filhos 01 e 03 de Jair Bolsonaro, dos Estados Unidos, consigam manter Flávio como sucessor político do pai. O filósofo observa que o enfraquecimento de ambos pode atingir também o poder de influência de Jair Bolsonaro, caso o ex-presidente deixe de exercer um papel decisivo na escolha de quem comandará o movimento. “Cada vez mais me pergunto se o Jair ainda é um personagem relevante nessa história”, afirma Nunes.

Na avaliação do professor, Michelle e Tarcísio surgem como os dois principais nomes da sucessão. A ex-primeira-dama, eleita senadora pelo Distrito Federal, mantém vínculos com a base conservadora e religiosa que apoiou o marido, mas também construiu uma trajetória política própria, inclusive em meio a divergências com os enteados.

Tatiana Vargas-Maia chama atenção para a atuação de Michelle à frente do PL Mulher e para sua capacidade de interlocução com setores evangélicos, como a Pública já mostrou. A pesquisadora considera que a ex-primeira-dama já vinha demonstrando independência em relação a Flávio e pode utilizar essa posição para ampliar sua influência no partido.

Tarcísio, por sua vez, chega à disputa fortalecido pela reeleição ao governo de São Paulo. Embora tenha mantido alinhamento com o bolsonarismo durante a campanha, o governador se distanciou da contestação eleitoral promovida por Flávio. Para Tatiana, essa diferença é politicamente relevante: Freitas pode reivindicar parte do eleitorado bolsonarista sem carregar o sobrenome da família.

Nikolas Ferreira, que mantém forte presença nas redes sociais e mobiliza um público mais jovem, é apontado pelos especialistas como uma liderança com potencial de crescimento. Tatiana acrescenta Renan Santos, ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL) e ao partido Missão, como representante de uma corrente da extrema direita que busca construir identidade própria, sem depender diretamente dos Bolsonaro.

A multiplicação de lideranças, entretanto, não garante unidade política. Kalil considera provável que o campo se fragmente em diferentes grupos da direita radical e da extrema direita, sem que uma única figura consiga reproduzir o papel exercido por Jair Bolsonaro.

Sobrenome Bolsonaro já não garante liderança

A antropóloga Isabela Kalil diferencia a capacidade de herdar votos da construção de uma liderança reconhecida pelos próprios apoiadores, no caso do senador derrotado nas eleições. “O capital que o Flávio conseguiu, e mesmo a votação bastante expressiva, foi por herdar o capital político do pai, e não por ter um capital político próprio”, afirma.

Kalil recupera pesquisas de campo realizadas no início do governo Jair Bolsonaro, quando o então presidente tentou indicar Eduardo Bolsonaro para a embaixada brasileira nos Estados Unidos. Na ocasião, a pesquisadora identificou desconfiança em relação aos filhos mesmo entre apoiadores fiéis do ex-presidente.

Segundo ela, havia eleitores que consideravam Jair Bolsonaro honesto e comprometido com uma agenda conservadora, mas não atribuíam as mesmas qualidades a Eduardo e Carlos Bolsonaro. Alguns questionavam a preparação dos filhos para o exercício de funções públicas.

Tatiana Vargas-Maia, da UFRGS, ressalta que o “patrimônio eleitoral” de Flávio estava muito ligado ao legado do pai e ao sobrenome

Para a antropóloga, essa diferença ajuda a explicar a dificuldade de Flávio em sustentar uma liderança autônoma. Jair Bolsonaro construiu uma relação carismática com sua base, enquanto o filho foi alçado à condição de candidato presidencial principalmente pela indicação do pai.

A pesquisadora avalia que o destino político de Flávio pode se aproximar do de Eduardo, que vive nos Estados Unidos e mantém interlocução com grupos conservadores e com a extrema direita norte-americana, mas tem dificuldades para exercer uma liderança significativa no Brasil.

As críticas aos filhos de Bolsonaro seguem vindo de apoiadores de primeira hora do pai. Em comentário a aliados obtido pelo jornal O Globo, o pastor Silas Malafaia, um dos principais líderes evangélicos do país, ao comentar o episódio da carta golpista, se refere a eles como “jumentos”. Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos. Só se aconselham com gente errada! Faz carta, fala bobagem, depois corrige“, afirmou, completando: “um bando de amadores babacas”.

Para a pesquisadora Tatiana Vargas-Maia, existe uma diferença fundamental entre reivindicar a condição de herdeiro de um patrimônio eleitoral e conseguir exercer liderança efetiva sobre o campo político que produziu esses votos. A saída do país, segundo a historiadora, acelerou a erosão de uma autoridade que Flávio havia conseguido construir ao longo da campanha.

Extrema direita mantém força no Congresso e pode mudar de estratégia

Apesar da derrota presidencial, a extrema direita chega ao próximo governo Lula com representação expressiva no Legislativo. O PL elegeu 121 deputados federais, tornando-se a maior bancada da Câmara a partir de 2027, além de ampliar sua presença no Senado. O resultado cria condições para que o movimento continue exercendo influência sobre a agenda nacional, independentemente de quem ocupe a Presidência da República.

Concentrar a análise apenas na derrota de Flávio é subestimar a presença da extrema direita nas instituições na avaliação de Tatiana Vargas-Maia. Ela ressalta que o movimento também possui representantes em governos estaduais, assembleias legislativas e administrações municipais. “A nossa extrema direita contemporânea, no Brasil principalmente, não precisa conquistar o Executivo Federal para exercer influência política e para avançar o seu projeto”, afirma.

Isabela Kalil considera possível que o bolsonarismo presente no Congresso se fortaleça em torno de uma agenda própria, menos subordinada às decisões da família Bolsonaro. Já Tatiana identifica um possível movimento de moderação na apresentação pública de determinadas lideranças, especialmente entre aquelas que reconheceram o resultado eleitoral e passaram a defender uma atuação institucional da oposição. “Uma reorganização da extrema-direita, que vai se tornar menos bolsonarista, talvez desenvolva uma maior capacidade de atuação e interlocução institucional, mas que não significa necessariamente que ela vai se tornar menos radical”, afirma.

A historiadora considera possível que lideranças nacionais adotem uma postura pública mais moderada, enquanto grupos políticos nos estados e municípios mantenham ou aprofundem pautas ideológicas mais radicalizadas.Nesse cenário, o bolsonarismo poderia deixar de funcionar como uma identidade política unificadora, mas conservar estratégias de ocupação institucional, articulação partidária, comunicação digital e mobilização eleitoral.

Rodrigo Nunes acrescenta outro elemento à reorganização da direita: o papel do Centrão. Segundo o filósofo, o avanço da extrema direita nas eleições legislativas reduziu o espaço ocupado por partidos tradicionais, mas a capacidade de mobilização demonstrada pelo PT no segundo turno pode alterar essa relação.

Na avaliação do professor, o Centrão pode voltar a ocupar uma posição de equilíbrio entre o governo Lula e a extrema direita, em vez de continuar perdendo protagonismo para os setores mais radicalizados. “Se o PT mantém essa capacidade de mobilização, isso tem condições de mudar o jogo”, afirma Nunes.

Rodrigo Nunes, autor do livro “Do Transe à Vertigem: Ensaios sobre Bolsonarismo e um Mundo em Transição”, destaca a importância das mobilizações sociais para equilibrar o jogo no Congresso Nacional

O fator Trump

A tentativa de Flávio Bolsonaro de estabelecer uma liderança política a partir dos Estados Unidos também depende das relações da família com Donald Trump e com organizações da direita internacional.

Para Isabela Kalil, Eduardo e Flávio apostam na proteção do presidente norte-americano, especialmente por meio de articulações com grupos conservadores ligados à Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC). Essas conexões integram uma rede internacional que também aproxima lideranças, como o presidente de El Salvador, Nayib Bukele.

A antropóloga, entretanto, considera que Trump não teria dificuldades para retirar o apoio à família Bolsonaro caso essa aliança deixasse de atender aos seus interesses políticos ou diplomáticos.“O Trump não precisa da família Bolsonaro e a família Bolsonaro não acrescenta nada para o próprio projeto trumpista”, afirma.

Segundo ela, a relação dependerá também das negociações entre os governos brasileiro e norte-americano, especialmente diante dos interesses econômicos e diplomáticos envolvidos.

Rodrigo Nunes apresenta avaliação semelhante. Para o filósofo, um eventual afastamento de Trump, combinado à ausência de uma manifestação decisiva de Jair Bolsonaro em favor dos filhos, pode acelerar a perda de relevância política de Flávio e Eduardo. A situação abriria ainda mais espaço para a disputa entre Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e outras lideranças da direita.

Derrota nas urnas não encerra os riscos para a democracia

A reorganização da extrema direita também coloca em discussão os riscos de novas mobilizações contra as instituições democráticas, especialmente depois de Flávio Bolsonaro contestar o resultado eleitoral.

Isabela Kalil não descarta a possibilidade de ações extremistas isoladas, mas considera improvável, neste momento, uma mobilização semelhante à que culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023.

A antropóloga destaca que a mobilização anterior contou com tolerância e apoio de setores militares e que, desde então, as Forças Armadas têm procurado se afastar publicamente do bolsonarismo. Ela também avalia que os órgãos de segurança e inteligência brasileiros ampliaram sua capacidade de monitoramento de ameaças extremistas.

Tatiana Vargas-Maia, por outro lado, chama atenção para um risco político de longo prazo: a normalização de pautas autoritárias no debate público e nas instituições, mesmo sem uma ruptura democrática aberta.

A pesquisadora considera que a mobilização que levou à vitória de Lula no segundo turno demonstra a capacidade de reação democrática de setores da sociedade brasileira. Mas ressalta que a extrema direita permanece organizada, com representação eleitoral e capacidade de influenciar decisões políticas.

Para ela, o desafio não se encerra com a derrota de Flávio nem com o enfraquecimento dos herdeiros de Jair Bolsonaro. O movimento pode assumir outras identidades, construir novas lideranças e conservar parte de seu projeto político.

É o que Tatiana define como um possível processo de “despersonalização do bolsonarismo”: o afastamento progressivo da figura de Jair Bolsonaro e de sua família, sem o desaparecimento do capital político e ideológico construído em torno deles.

Assim, a disputa aberta pela fuga de Flávio pode determinar não apenas quem herdará os votos da família, mas de que maneira a extrema direita brasileira buscará exercer poder nos próximos anos.

‘Primavera Brasileira’: como ato de estudantes virou onda global contra extrema direita

30 October 2026 at 17:16

Na noite de 4 de outubro, quando Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 1.º turno das eleições, a seguinte mensagem chegou num grupo de WhatsApp de alunos da Universidade Federal Fluminense (UFF): “O momento pede ação”. Na noite seguinte, 5 de outubro, o Brasil assistiu ao primeiro ato dos jovens.

“Nós vimos a vitória do Flávio de uma forma muito acachapante. Ninguém estava esperando. Aquilo gerou um sentimento de descrença muito forte no campo progressista. Mas na Faculdade de Direito da UFF, pela nossa história, enxergamos de forma contrária: com esperança e com vontade de ir à luta”, diz Kayky Moraes, aluno do curso de direito da UFF que participou do primeiro levante.

Realizada em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, a marcha dos estudantes saiu do prédio da Faculdade de Direito rumo à reitoria da universidade. As imagens tomaram as redes e iniciaram um efeito dominó que impulsionou mobilizações estudantis nos cinco cantos do país. “Ali a gente sentiu que dava para brigar.”

Neste momento manifestação contra Bolsonaro pelos estudantes nas ruas Niterói pic.twitter.com/7sqGGEq7TV

— Fã do Rei Pelé e da Rainha Marta 🇧🇷 🇵🇸 ✊🏾🚩 (@silvaS1963) October 5, 2026

O resultado desse “efeito borboleta” veio no dia 25 de outubro, três semanas depois. Um feito histórico: Lula virou o jogo e venceu as eleições por uma vantagem de 4,4 milhões de votos, algo que nenhum candidato a presidente que terminou como segundo colocado no 1º turno havia conseguido fazer antes. Os eleitores de Lula e os estrategistas de campanha do PT tiveram apenas três semanas para mudar a rota. “Essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989”, chegou a dizer o presidente Lula em uma reunião com parlamentares em Brasília.

“Os jovens tomaram as ruas de forma orgânica e organizada para defender um projeto de país, mas também um projeto de ser humano. Quando Lula disse aquela frase para a gente ser ele amanhã, porque ele já foi a gente ontem e para a juventude botar a cara a tapa, acho que é isso mesmo”, diz Kayky, em referência a um trecho da entrevista de Lula para o podcast Flow. “Estamos fadados a viver o futuro e a gente tem que construir o futuro que a gente quer.”

A “primavera brasileira”, como começou a ser apelidada a vitória eleitoral frente à extrema direita, também pode ser vista por como uma posição do Brasil como símbolo de resistência aos interesses dos Estados Unidos, defende Mayra Goulart, doutora em ciência política pela UERJ.

“O Brasil será um pólo da resistência à relação imperial que os Estados Unidos tentam restabelecer. Na última assembleia geral da ONU, Lula disse que o Brasil não iria ser o quintal de ninguém. O presidente Lula recupera a tradição de não alinhamento automático da diplomacia brasileira a potências estrangeiras e a adoção de um caminho próprio e soberanista. Isso é entendido muitas vezes como um caminho que vem a liderar outros países periféricos”, diz.

A “Primavera Brasileira” vista do exterior

No México e na Espanha, a virada eleitoral brasileira foi recebida não apenas com alívio geopolítico, mas como um estudo de caso sobre como conter a ascensão da extrema direita.

Para Homero Galán, cientista político e professor da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), a manutenção do governo progressista no Brasil evita o isolamento regional no continente. “Brasil e México representam 55% da população da América Latina e 60% da economia da região. O resultado no Brasil foi vital para o governo mexicano, pois evita o isolamento diante da onda de vitórias da direita na região nos últimos meses”, analisa Campa, destacando que a comunicação entre a presidenta mexicana Claudia Sheinbaum e Lula é direta e estratégica.

O impacto também ressoa na Europa. “Se o Brasil conseguiu, a Espanha também consegue”, disse o primeiro-ministro da Espanha Pedro Sánchez, em um comício em Gijón, na região de Astúrias, realizado na segunda-feira, 26 de outubro. “Vamos fazer o mesmo que Lula fez no Brasil. O mundo está olhando para nós”, completou.

Com eleições gerais agendadas para o próximo mês na Espanha, onde as pesquisas têm indicado a predileção do eleitorado à direita, o desfecho brasileiro renovou o ânimo das forças de esquerda. “Certamente, no México e na Espanha, percebe-se um enorme interesse no modelo de mobilização social promovido por meio das redes sociais, coordenado pelo deputado André Janones. Entende-se que a estratégia de comunicação digital foi um fator fundamental no resultado”, diz o professor da UNAM.

A Agência Pública identificou que ao menos três grupos de WhatsApp internacionais reproduzem as táticas de engajamento de Janones para mobilizar apoiadores. É do caso do “Frenteamplistas” (37 mil seguidores), da Espanha, “L’équipe de Mélenchon” (152 mil seguidores), da França, e do “Ejército del Peronismo” (61 mil seguidores), da Argentina.

Canais de Whatsapp internacionais reproduzem estratégia digital de André Janones

“A mobilização nas redes sociais é uma tendência global. O Brasil adere a isso de uma maneira muito acelerada e acredito que essa tendência seja muito similar em outros países. Ao mesmo tempo, isso não desconsidera a importância dos atores tradicionais, como o movimento estudantil e sindicatos, que foram acionados a partir das redes, mas permitiram um engajamento muito grande no mundo real. Se é que podemos dizer em uma fórmula, ela deve ser buscada na sinergia entre o mundo físico e as redes sociais”, pontua Goulart.

Ainda nesta semana, viralizou um vídeo compartilhado por Ada Colau, ex-prefeita de Barcelona e candidata à presidência da Espanha pela Frente Ampla, no qual ela pede para que os apoiadores ergam as mãos em “L” — um aceno ao presidente brasileiro. “Vamos todos levantar o braço com o ‘L’ de Lula”, disse ela, durante ato no município de Móstoles na quarta-feira (28).

“Eu me lembro desse momento. O gesto de Acolau foi bastante simbólico e foi num dia próximo ao da notícia da vitória de Lula. Acho que foi uma surpresa para todo mundo. Acho que a maioria das pessoas dava como certo que a probabilidade do filho do [Jair] Bolsonaro ganhar era muito alta. O gesto reafirma a vitória de Lula e diz que nós, por aqui, também temos plena capacidade de fazer o mesmo”, conta Euge, 22, morador da cidade de Madrid que esteve no comício organizado pela Frente Ampla.

“Acredito que Lula tem sido um vislumbre de esperança para as pessoas de esquerda e para os trabalhadores da Espanha e do mundo todo. Estamos vivendo um momento em que temos governos de extrema direita como nunca antes. Lula conseguiu vencer com a maioria das pesquisas dizendo o contrário. A mensagem que chegou aqui na Espanha foi de que, ainda que pareça que tudo está contra, é possível vencer. Se conseguirmos mobilizar todas as pessoas progressistas, nós venceremos”, continua ele.

Também fizeram o “L” de Lula, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, o senador do México Gerardo Fernández e parlamentares do Congresso Nacional do Chile. Já utilizado como chacota, especialmente entre bolsonaristas, o “L” agora ganha espaço no cenário político mundial como símbolo da mobilização contra o avanço da direita.

“O Brasil desponta como liderança da resistência à extrema direita em termos globais. A extrema direita é globalizada, sistêmica e se reúne em fóruns, como a CPAC [Conservative Political Action Conference]. A esquerda começa a se articular e essa articulação pode ter como centro a liderança do presidente Lula”, diz Goulart.

Nascido na cidade de Getafe, ao sul da região de Madri, Euge se interessou por política ainda na adolescência. Em 2019, aos 15 anos, decidiu participar do Más Madrid, um partido de esquerda com atuação a nível municipal em Madri. Para Euge, a participação de jovens na política é importante, mas não se distingue do papel das outras faixas etárias. “Sempre falam aos jovens: ‘vocês são o futuro!’ Bom, não é que a gente seja o futuro, somos o presente de um país. Temos que estar em igualdade tanto de reconhecimento quanto de possibilidade de participar da vida pública e da vida política. As decisões que os governos tomam nos afetam da mesma forma, e muitas delas ainda mais do que ao resto das pessoas.”

Sobre o recado que deseja que as próximas eleições da Espanha passem ao mundo, Euge diz esperar que seja o mesmo que o do Brasil: “Uma mensagem de que não baixamos os braços, que demos de tudo e conseguimos mobilizar a população com temas essenciais para sua vida, como moradia, pensão e serviços públicos.”

A mobilização da juventude

Além do protesto organizado pelos estudantes da UFF logo após o resultado do primeiro turno, outra engrenagem importante passou a se movimentar: os fandoms (comunidade de fãs) brasileiros. Longe de se restringirem ao entretenimento, esses grupos já vinham consolidando uma ponte direta com a política institucional.

No final de agosto deste ano, o Palácio do Planalto recebeu representantes desses grupos em uma cerimônia oficial, na qual o presidente Lula assinou um decreto com novas regras para a venda de ingressos de shows e eventos culturais no país. A medida, voltada ao combate do cambismo digital e à falta de transparência nas plataformas, foi fruto das demandas levadas pelos próprios fãs ao governo federal.

E esse pode ter sido um grande efeito borboleta da campanha: a mesma capacidade de mobilização que esses jovens utilizam para apoiar seus ídolos foi redirecionada no momento mais decisivo da disputa eleitoral, sendo uma das principais apostas da chapa Lula-Alckmin para furar bolhas e alcançar a virada. Para o leitor que ainda busca entender como esse movimento funciona, os fandoms são comunidades hiperconectadas e altamente disciplinadas, capazes de organizar mutirões de votação e subir hashtags mundiais.

Assim, as páginas passaram a publicar conteúdos de conscientização política, convocando mutirões de engajamento, dialogando com seguidores indecisos e pedindo o posicionamento de artistas sobre a defesa da democracia no Brasil.

A relevância do movimento foi tamanha que o candidato à reeleição abriu sua fala reconhecendo a força dessa articulação num dos discursos proferidos na Avenida Paulista após o 1º turno.

“Eu não sei se eu começo a minha fala dizendo ‘companheiros e companheiras’ ou se eu começo dizendo: fandoms do Brasil, obrigado pela iniciativa de vocês!”

O presidente Lula agradecendo à juventude organizada em fandoms por puxar o ato de hoje na Paulista 💗#FandomsComLula pic.twitter.com/dWPL8ISHS6

— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) October 11, 2026

Janonismo cultural e a urgência de regulamentação das Big Techs

Ao longo desta primeira semana pós 2º turno, o livro Janonismo Cultural: O uso das redes sociais e a batalha pela democracia no Brasil, de André Janones, figurou entre os 10 títulos mais vendidos da Amazon no nicho de Política e Ciências Sociais. Exitoso ao encabeçar a estratégia digital de Lula, Janones foi destacado no primeiro discurso do presidente reeleito.

Apesar do otimismo com a capacidade da sociedade brasileira de reverter os algoritmos, Campa faz um alerta sobre a vulnerabilidade desse modelo: “a falta de regulamentação das grandes empresas de tecnologia constitui um perigo para a vida pública no mundo inteiro. O que ocorreu no Brasil foi muito positivo: uma reação social massiva e bem organizada para reverter o algoritmo. No entanto, receio que essas empresas estejam tomando nota do que aconteceu no Brasil para introduzir controles maiores e evitar que se repita”, pontua Homero Galán.

A Pública mostrou em reportagens como a moderação da Meta atingiu de forma desproporcional as candidaturas, beneficiando em vários casos a de Flávio em detrimento da de Lula.

Nesse cenário, a regulamentação das plataformas surge como uma demanda democrática, observa Goulart. “No discurso de vitória, Lula disse que um dos objetivos do governo seria regulamentar as plataformas para que elas aumentem a isonomia das entregas entre diferentes grupos. É importantíssimo que isso seja feito. Caso contrário, a valorização desproporcional dos conteúdos da extrema direita quando comparados com outros conteúdos irá continuar, principalmente com o sistema de recomendação e hierarquização do feed.”

Para o analista mexicano, a esquerda global precisará acelerar sua adaptação aos novos modelos de comunicação, ao mesmo tempo em que pressiona por regras claras contra a interferência de grandes corporações de tecnologia nas democracias. “A mensagem que fica do Brasil é de otimismo e confiança na sociedade diante dos grandes grupos tecnológicos e da ultradireita. O Brasil demonstrou uma liderança inegável para todo o Sul Global” conclui.

Na visão de Kayky, da UFF, a mobilização não se encerra com o resultado das urnas. “Acho que daqui nasce a esperança de um futuro melhor. O recado de um levante que começou aqui em Niterói está se espalhando pelo mundo. Dá para ver o jardim da primavera florescendo pelo mundo todo. Mas é sempre importante manter a vigilância e continuar nas ruas para defender essa visão de mundo.”

Embajada de EE.UU. en Brasil reconoce triunfo definitivo de Lula da Silva

30 October 2026 at 18:47
Respecto a los cuestionamientos sobre la ampliación del horario de votación, señalaron que el impacto fue mínimo. 34.000 sufragios, equivalentes al 0,03 % del total, se emitieron con posterioridad a las 17H00 horas.

Pavanato reage a pedido de apreensão de passaporte e provoca petista; veja vídeo

30 October 2026 at 17:00

O deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP) reagiu às críticas do deputado estadual eleito Leonardo Grandini (PT-SP), que pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) a apreensão de seu passaporte. O petista alegou risco de fuga do país e mencionou supostas investigações contra o parlamentar.

Em vídeo, Pavanato afirmou que não responde a investigação criminal. Ele declarou que foi alvo de uma denúncia recebida pelo Ministério Público em uma ação de natureza civil, e não criminal. O deputado também acusou setores da esquerda de perseguirem políticos conservadores.

Ao comentar a possibilidade de ter o passaporte apreendido, Pavanato afirmou que pode deixar o país quando quiser. No fim da gravação, provocou Grandini com a frase: “Não usem drogas”.

Vídeo: @lucaspavanato

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Democratas cobram Rubio sobre ajuda dos EUA na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil

30 October 2026 at 16:57

Um grupo de 25 deputados democratas dos Estados Unidos cobrou explicações do secretário de Estado, Marco Rubio, sobre a possível participação do governo de Donald Trump na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil e na entrada dele em território americano. A carta foi encaminhada na quinta-feira (29) e questiona se autoridades dos Estados Unidos ajudaram a viabilizar a viagem, mesmo diante de uma decisão judicial brasileira que restringia os deslocamentos internacionais do parlamentar.

O documento reúne 15 questionamentos sobre a atuação do Departamento de Estado, da Embaixada americana no Brasil e de outros órgãos federais. Os congressistas querem saber se houve participação institucional na emissão dos vistos, na organização do transporte e nos procedimentos para permitir a entrada de Flávio e de familiares nos Estados Unidos.

“A questão central é simples: o Departamento de Estado, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil ou qualquer outra agência do governo americano ajudou o senador Bolsonaro a viajar para os Estados Unidos ou a entrar no país, apesar da restrição judicial brasileira à sua saída?”, questionam os parlamentares.

Os democratas estabeleceram 13 de novembro como prazo para o envio das respostas por escrito. Também solicitaram uma reunião com representantes do Departamento de Estado para obter esclarecimentos sobre o episódio.

Vistos e ordem do STF

A carta foi apresentada pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove, da Califórnia, copresidente da bancada dedicada às relações com o Brasil, e Dina Titus, de Nevada. Entre os demais signatários estão Pramila Jayapal, Joaquin Castro, Greg Casar, Rashida Tlaib e Delia Ramirez.

Um dos principais pontos da cobrança envolve a concessão de vistos ao senador e a seus familiares. Os deputados querem identificar quem autorizou os documentos, quando foram emitidos e se as autoridades americanas tinham conhecimento da determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) antes de permitir a entrada do brasileiro.

A decisão judicial determinava que Flávio entregasse seus passaportes e restringia sua saída do país. Os parlamentares questionam se o governo americano verificou a existência de autorização judicial para a viagem e se chegou a reconsiderar os vistos depois de tomar conhecimento das medidas impostas pela Justiça brasileira.

Viagem também envolve Argentina e Equador

Outro trecho do documento aborda a possível participação de funcionários americanos na organização do itinerário utilizado pelo senador. Os democratas querem saber se representantes do governo dos Estados Unidos na Argentina ou no Equador participaram de alguma articulação relacionada aos deslocamentos.

A carta também pergunta se houve contatos entre integrantes da Casa Branca, do Departamento de Estado e outras agências americanas com Flávio, familiares, advogados, assessores políticos ou intermediários.

Os congressistas cobram informações sobre eventual ajuda na contratação ou organização de voos, emissão de documentos, transporte, acesso a aeroportos e planejamento da entrada em território americano.

A articulação ganhou repercussão após reportagens sobre a participação de Jason Miller, assessor próximo à família Bolsonaro e ligado à Casa Branca, na organização do jato utilizado pelo senador e seus familiares. A informação foi divulgada pelo jornal americano The New York Times.

Os parlamentares também querem saber se houve comunicação entre o Departamento de Estado e órgãos responsáveis pela imigração e pelo controle de fronteiras, como o Departamento de Segurança Interna (DHS) e a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP).

Democratas questionam possível impacto diplomático

A iniciativa também aborda as consequências que uma eventual assistência americana poderia provocar nas relações entre Washington e Brasília. Os deputados perguntam se o governo Trump avaliou o risco de que a participação na viagem fosse interpretada como interferência em processos judiciais brasileiros ou nos assuntos internos do país.

O documento solicita ainda esclarecimentos sobre possíveis pedidos de informações feitos por autoridades brasileiras a respeito da localização de Flávio e de sua entrada nos Estados Unidos. Caso tenham ocorrido, os parlamentares querem conhecer as respostas fornecidas pelo governo americano.

“O povo americano e o Congresso têm um interesse legítimo de fiscalização em compreender se recursos diplomáticos e migratórios dos Estados Unidos foram utilizados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias”, afirma a carta.

Os deputados acrescentam que a transparência é necessária diante da sensibilidade das relações bilaterais e da existência de um processo judicial no Brasil.

Até o momento da divulgação da cobrança, o Departamento de Estado não havia apresentado respostas públicas aos questionamentos. A carta representa uma iniciativa de fiscalização parlamentar e não comprova, por si só, que órgãos do governo americano tenham participado diretamente da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.

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‘Amateur morons’: Flávio Bolsonaro’s short-lived ‘president-elect’ claim met with mockery

Brazilian media ridicule defeated candidate over ‘shameful’ absconsion to US and bizarre letter with wrong coat of arms

Flávio Bolsonaro had hoped that by Sunday night people would be calling him the next president of Brazil.

Instead, the far-right politician’s decision to flee to the US after losing the election and – for 58 minutes – to declare himself “Brazil’s true president-elect”, has made him a laughing stock, with Brazilian newspapers and commentators raining a barrage of scornful adjectives down on the conquered candidate.

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© Photograph: Adriano Machado/Reuters

© Photograph: Adriano Machado/Reuters

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El gobernador de São Paulo emerge como figura de la derecha brasileña tras la fuga de Flávio Bolsonaro

30 October 2026 at 09:30

La fuga hacia Estados Unidos del ultraderechista brasileño Flávio Bolsonaro ha dejado a la extrema derecha brasileña perpleja y descabezada. En la búsqueda a toda prisa de un nuevo líder opositor al gobierno de Luiz Inácio Lula da Silva sobresale un nombre: el del recién reelecto gobernador del estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de 51 años. Era el favorito de la élite económica y de la derecha menos radical para ser el aspirante a la presidencia en estas elecciones, pero el expresidente Jair Bolsonaro, preso por golpismo, truncó esas expectativas hace casi un año, cuando, desde la cárcel, decidió que su sucesor sería su primogénito.

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© Diego Vara (REUTERS)

Tarcisio de Freitas habla en un evento de campaña, junto a Flávio Bolsonaro, en Porto Alegre, el 14 de octubre.

Lula tenta evitar que caso Bolsonaro vire crise diplomática com Trump

30 October 2026 at 08:52

O presidente Lula (PT) decidiu não se envolver no enredo político da fuga de Flávio Bolsonaro (PL), senador e candidato derrotado ao Planalto, para os Estados Unidos.

A avaliação no Planalto é de que uma intervenção do petista seria despropositada, porque Flávio está a desgastar-se com a história e, por isso, não haveria sentido em arriscar uma crise diplomática com o presidente americano, Donald Trump, por causa do adversário político.

A determinação foi mantida mesmo depois de os jornais americanos The Wall Street Journal e The New York Times afirmarem que Trump ajudou Flávio a fugir para os EUA.

O jato particular em que Flávio viajou foi providenciado, segundo as duas publicações, por Jason Miller, funcionário de comunicação da Casa Branca —informação também sustentada por um aliado de Flávio à Folha.

Miller estreitou laços com a família Bolsonaro quando esteve no comando da Gettr, rede social conservadora. Em setembro de 2021, chegou a ser interrogado pela Polícia Federal no aeroporto de Brasília, em investigação sobre atos golpistas conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, após participar de conferência organizada por Eduardo Bolsonaro, na qual também se encontrou com Jair Bolsonaro, então presidente da República.

Flávio partiu rumo aos Estados Unidos após ser intimado pela Polícia Federal na segunda-feira (26) a entregar seus passaportes —ele é alvo de inquérito que apura seu envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro com bets. O senador passou pela Argentina e Equador antes de chegar ao território norte-americano.

Auxiliares de Lula têm repetido que eventuais providências relacionadas à fuga de Flávio cabem ao poder judicial, não à Presidência da República. O chefe do governo tem demonstrado, em conversas internas, que prefere dedicar o seu tempo a outros assuntos –ele acaba de ser reeleito e precisa apurar a sua nova gestão. Também tenta evitar que as negociações sobre o tarifaço fiquem ainda mais difíceis.

Um integrante do alto escalão diz que a fuga foi tão absurda que não deveria ser elemento com potencial de desencadear qualquer crise para Lula.

O governo brasileiro pretende preservar a relação comercial com os Estados Unidos e manter as negociações em curso, mesmo com as notícias que ligam o governo americano à fuga de Flávio. A avaliação interna é de que não convém colocar o episódio no centro da relação entre os dois governos.

Como mostrou a Folha, aliados do petista avaliam que Flávio Bolsonaro tenta atrair Lula para uma armadilha para sabotar a relação entre o petista e Trump, descrita como boa por ambos. Por esse raciocínio, o candidato derrotado busca provocar o presidente brasileiro para que ele tome uma atitude ou dê uma declaração que estresse sua relação com o presidente americano.

Na quarta-feira (28), o senador do PL divulgou uma carta em que se proclamava “verdadeiro presidente do Brasil”. Depois, atualizou o documento e referiu-se a si mesmo como “líder do Brasil”. Ele afirma, sem apresentar prova nenhuma, que a eleição brasileira foi fraudada. Na segunda (26), Flávio havia dito que desistiria de anular a eleição na Justiça e declarou que não fugiria do país.

Trump até o momento não reconheceu explicitamente a vitória de Lula e disse que a eleição brasileira foi uma vergonha. Apesar disso, ele afirma que conversará com o brasileiro. De acordo com Trump, o próprio Lula pediu que ele não tomasse lado na disputa.

A orientação dada aos auxiliares de Lula é não alimentar uma polêmica em torno da fuga de Flávio e manter uma postura pragmática. Integrantes do governo avaliam que Lula saiu fortalecido da reeleição e não precisa cobrar de Trump o reconhecimento da vitória, ainda não expressado pelo presidente americano.

Na avaliação de um auxiliar do Planalto, cobrar publicamente o reconhecimento poderia transmitir uma imagem de fragilidade que o Brasil não precisa assumir. Um diplomata do Itamaraty afirma que, neste momento, as providências relacionadas à saída de Flávio do país cabem ao Judiciário, e não ao presidente da República.

O governo também considera relevante o fato de partidos de diferentes espectros políticos, inclusive o PL, terem reconhecido a vitória de Lula. Outro reconhecimento considerado importante pelo governo foi o do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro.

O grupo político do chefe do governo brasileiro diz acreditar que a ida do adversário para o exterior tende a dispersar seu eleitorado. No domingo (25), Flávio Bolsonaro teve 59,8 milhões de votos para presidente da República e perdeu para Lula por 3,6 pontos percentuais.

Diversos aliados de Lula relataram à Folha a avaliação de que a fuga de Flávio Bolsonaro é benéfica para o presidente reeleito. Em seu aniversário de 81 anos, o petista citou o episódio como um dos mais vergonhosos da história do Brasil.

A análise é de que o senador abandonou um património eleitoral imenso e desorganizou a oposição, que agora precisará construir uma nova opção de poder –ou seja, um nome forte e incontestável no seu campo político para disputar a próxima eleição presidencial contra o grupo de Lula.

‘Rats run away’: Facing criminal probe, Flávio Bolsonaro flees Brazil to U.S. after loss to Lula

By: A A
30 October 2026 at 08:39

By Brett WILKINS

“This reveals the DNA of Bolsonarism,” said one critic. “Bolsonarism is made of cowardice.”

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Just one day after vowing he would remain in Brazil to disprove allegations of money laundering, corruption, and other crimes, far-right Brazilian Sen. Flávio Bolsonaro followed in his disgraced father’s footsteps by fleeing to the United States after losing a presidential election.

Bolsonaro, his wife Fernanda Bolsonaro, and their two daughters, ages 14 and 12, left Brazil for an unknown location in the United States, according to initial reporting by Isadora Teixeira at the Brasília-based news site Metrópoles, which was subsequently confirmed by other Brazilian and international media.

The Argentinian site Infobae reported that Bolsonaro and his family may have crossed into Argentina—which is run by his ally, far-right President Javier Milei—and then traveled to the US in a private jet. It is not known where the family went in the US.

Bolsonaro’s brother, Eduardo Bolsonaro, lives in Texas while facing criminal punishment in Brazil after trying to use the Trump administration to pressure Brazilian authorities over the prosecution of his father, former President Jair Bolsonaro, who last year was convicted of conspiring to violently remain in power following leftist President Luiz Inácio Lula da Silva’s 2022 election win.

Flávio Bolsonaro, a 45-year-old senator representing Rio de Janeiro, was defeated by Lula in Sunday’s second-round election, but refused to accept the results and groundlessly demanded an annulment. The following day, Supreme Court Justice Alexandre de Moraes ordered the seizure of Bolsonaro’s passport. He was supposed to have turned in the document Tuesday, but he didn’t.

US President Donald Trump also cast doubt on the election’s outcome, saying the contest appeared to be “rigged.”

Jair Bolsonaro also fled to the United States while refusing to acknowledge his own 2022 defeat, which occurred during the administration of former President Joe Biden.

Like Trump, Bolsonaro incited a violent insurrection in his nation’s capital following his loss.

Unlike Trump, Bolsonaro was held accountable for his crimes, and, in addition to a 27-year prison sentence—now being served under house arrest—is banned from running for any political office for the rest of the decade.

Now, with Trump back in the White House and Secretary of State Marco Rubio in charge at Foggy Bottom, Bolsonaro and his relatives are set to be issued US visas, a senior State Department official told The Associated Press.

The younger Bolsonaro’s flight—which may have been aided by his obtaining an Italian passport in 2023—contradicts his pledge on Monday, when he said, “I have never thought about leaving the country” and “I will hand over my passports and defend myself against this travesty.”

He was referring to de Morães’ order to surrender his passport amid accusations of corruption, money laundering, tax evasion, and foreign currency violations.

Bolsonaro is also the subject of an inquiry pertaining to the millions of dollars he raised from a disgraced banker implicated in a massive corrupt plot to finance a biopic of Jair Bolsonaro.

The senator has not been charged and denies any wrongdoing.

Bolsonaro’s flight stands in stark contrast to Lula, who spent 580 days in prison after being convicted in corruption cases stemming from the sprawling Operation Car Wash investigation.

In 2021, Brazil’s Supreme Federal Court annulled Lula’s convictions on procedural grounds, ruling that the court in Curitiba lacked jurisdiction over the cases and separately finding that former judge Sergio Moro had acted with bias in one of them. The decisions restored Lula’s political rights and eligibility to run for office, paving the way for his 2022 presidential victory over Bolsonaro.

Lula responded to the senator’s departure by saying, “Unfortunately, the Bolsonaro family is like that.”

“Brazil is his second homeland,” the president continued, accusing Bolsonaro of “bootlicking in the United States.”

Secretary-General of the Brazilian Presidency Guilherme Castro Boulos ripped Bolsonaro, saying: “Leaders face things head-on! Rats run away!”

“It is a shameful thing, which should make Brazilian society as a whole reflect, especially those who supported and voted for Flávio Bolsonaro,” Boulos asserted. “He slapped his supporters in the face and left them on the side of the road.”

“Almost 60 million Brazilians trusted him as political leadership to run the country, and 24 hours later, he flees,” he continued. “And it’s no use coming up with this talk of persecution, of dictatorship. He ran away because he must.”

“This reveals the DNA of Bolsonarism,” Boulos added. “Bolsonarism is made of cowardice.”

Erika Hilton, a member of the Chamber of Deputies—the lower house of Brazil’s Legislature—representing São Paulo for the Socialism and Liberty Party, weighed in on social media, calling Bolsonaro “a traitor to the homeland.”

In the United States, Congressman Joaquin Castro (D-Texas) said on X that “losing an election is not grounds for asylum.”

“Yet the Trump administration is giving Flávio Bolsonaro safe haven in the United States,” he continued. “The Trump administration owes Congress answers on its role helping Bolsonaro flee Brazil in contravention of Brazilian law.”

Mark Weisbrot, co-director of the Center for Economic Policy and Research (CEPR), told Common Dreams:

Trump is now the most corrupt president in US history, raking in billions from his presidency. It’s no surprise when the most powerful corrupt authoritarian government in the hemisphere uses international law designed to protect the persecuted to shield another corrupt authoritarian government from criminal prosecution. Perhaps this is what is meant by the Trump-led ‘Shield of the Americas.’

Francesca Emanuele, senior international policy associate at CEPR, noted that “the United States has long served as a destination for numerous right-wing Latin American political figures who fled their home countries while facing corruption allegations, criminal investigations, or accusations of grave human rights violations, including crimes against humanity.”

“The list is extensive,” she added, “ranging from former presidents such as Panama’s Ricardo Martinelli and Bolivia’s Gonzalo Sánchez de Lozada to dictators such as Nicaragua’s Anastasio Somoza.”

Emanuele also contrasted the actions of the Bolsonaros and Lula, arguing that the latter’s decision to remain in Brazil “reflected a commitment to the Brazilian people and a determination to defend his rights through the country’s own institutions, even when those institutions failed to uphold them.”

“Rather than leaving Brazil,” she told Common Dreams, “Lula stayed, fought to clear his name, and continued his political struggle alongside the people he sought to represent.”

Original article:  www.commondreams.org

Bolsonaro jr, il giallo del viaggio da 150.000 dollari pagato “da un conto degli Stati Uniti”. La “manina” sospetta del consigliere di Trump

30 October 2026 at 05:39

Il jet privato con cui Flávio Bolsonaro ha lasciato il Brasile per raggiungere gli Stati Uniti è stato prenotato e pagato da un intermediario del settore aeronautico attraverso un conto bancario americano. Lo ha riferito all’Afp Luis Grande, proprietario della compagnia argentina Baires Fly, che ha effettuato il volo. Il figlio dell’ex presidente Jair Bolsonaro, sconfitto domenica alle elezioni presidenziali da Lula, ha raggiunto la Florida dopo essere fuggito in Argentina, mentre in Brasile è indagato per presunto riciclaggio di denaro. “Mi ha contattato un intermediario che conosco da dieci anni e che vive negli Stati Uniti”, ha spiegato Grande, precisando di aver ricevuto un pagamento di 150.000 dollari da un conto americano.

Il New York Times e il Wall Street Journal hanno riferito che il volo sarebbe stato organizzato da un consigliere del presidente Donald Trump. La Casa Bianca non ha commentato. Bolsonaro, che non ha riconosciuto la sconfitta elettorale, è partito nella notte tra martedì e mercoledì dall’aeroporto argentino di Puerto Iguazú, dopo aver attraversato via terra il confine brasiliano insieme alla moglie e alle due figlie.

Secondo quanto riportato dal New York Times, Trump avrebbe agevolato la fuga di Flávio Bolsonaro dal Brasile agli Stati Uniti. Il giornale, citando funzionari statunitensi a conoscenza del piano, scrive che Trump ha ordinato che Bolsonaro fosse accolto in Florida con un permesso di soggiorno temporaneo, che probabilmente sarebbe stato esteso alla residenza permanente. Un funzionario della Casa Bianca avrebbe anche organizzato il jet privato che ha trasportato Bolsonaro e la sua famiglia a Miami, secondo quanto riportato dal Times.

L'articolo Bolsonaro jr, il giallo del viaggio da 150.000 dollari pagato “da un conto degli Stati Uniti”. La “manina” sospetta del consigliere di Trump proviene da Affaritaliani.it.

Could 2026 be the year that democracy fought back? | David Van Reybrouck

30 October 2026 at 05:00

Elections are never enough by themselves, but the stunning results from Serbia, Brazil and Hungary have given us hope in dark times

It is undoubtedly too early to declare victory, but the recent electoral defeats of Viktor Orbán, Aleksandar Vučić and Flávio Bolsonaro make me wonder: is 2026 turning out to be the year democracy slowly, but surely, fought back?

Even in Israel, prime minister Benjamin Netanyahu’s reigning bloc lost its parliamentary majority and saw the spectacular rise of Arab parties. Though the opposition may not be able to form a government yet, it does have the larger parliamentary bloc.

David Van Reybrouck is a Belgian author and philosopher laureate for the Low Countries. He is the author of Against Elections: The Case for Democracy, and the initiator of Democracy27

Do you have an opinion on the issues raised in this article? If you would like to submit a response of up to 300 words by email to be considered for publication in our letters section, please click here.

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© Photograph: Andre Coelho/EPA

© Photograph: Andre Coelho/EPA

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Brasil, ‘tem que lutar’

30 October 2026 at 04:30

Ganó Luiz Inácio Lula da Silva en la segunda vuelta de las elecciones de Brasil cuando nadie lo esperaba, y la remontada tuvo tintes épicos. Consiguió lo más difícil, movilizar a los más perezosos y convencer a los indecisos para que le dieran su voto. En esa batalla tuvo una gran importancia la campaña por redes sociales, destinada a llegar a los más jóvenes y que estuvo en manos de un también joven “general”, tal como lo llamó Lula el domingo al valorar su victoria: André Janones, diputado y antiguo cobrador de autobús. Se dedicó a dirigir un ejército de colaboradores para inundar la esfera digital con un torrente de mensajes a favor de Lula hasta el punto de romper la burbuja de la izquierda y llegar a otra gente. También, y un poco a la vieja manera, colaboraron para que Lula ganara unos cuantos músicos. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque y Geraldo Azevedo grabaron una canción que defendía las políticas sociales y ambientales del legendario político y que contenía el eslogan Bora, Lula. Con ese vamos, Lula, dale, Lula, respondían haciendo un juego de palabras al Fora Lula que abanderó su adversario, Flávio Bolsonaro. Y, por lo que se ve, fueron más convincentes.

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© Amanda Perobelli (REUTERS)

El presidente de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (a la derecha), celebra con el diputado André Janones su victoria, este domingo.

Trump y asesores ayudaron en huida de Flávio Bolsonaro hacia EE.UU.

30 October 2026 at 00:05
Trump apoyó en 2022 a Jair Bolsonaro cuando no aceptó su derrota electoral ante Lula, poco antes de promover un intento de golpe de Estado. También dio residencia permanente a Eduardo, con dos condenas pendientes en Brasil. Ayudó a Flávio a huir cuando tenía prohibido dejar el país por orden judicial.

Malafaia chama filhos de Bolsonaro de “jumentos” e “amadores babacas”

29 October 2026 at 23:55

Em uma conversa reservada com aliados, o pastor Silas Malafaia chamou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de “jumentos”. A mensagem, revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo UOL, foi enviada pelo líder evangélico após a divulgação de uma carta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na qual ele se colocou como “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e acusou o sistema eleitoral de fraude sem apresentar provas. “Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos. Só se aconselham com gente errada! Faz carta, fala bobagem, depois corrige”, escreveu o pastor.

Na mesma mensagem, Malafaia afirmou que Donald Trump já retirou o apoio à família Bolsonaro. “Trump já tirou o apoio. ‘Deixei ele vir para América, mas não me meto nessa questão’. Um bando de amadores babacas”, declarou o pastor, reproduzindo uma suposta fala do presidente dos Estados Unidos. A referência é à chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos na última terça-feira (27/10), após deixar o Brasil.

A carta de Flávio foi divulgada horas após ele chegar a Miami, na Flórida. Minutos depois da primeira versão, o senador publicou uma versão editada do texto em seu próprio perfil nas redes sociais, na qual se denominou “líder do Brasil”. As acusações de fraude na eleição presidencial foram mantidas. O candidato derrotado citou a decisão do STF que prorrogou o prazo de votação por duas horas e afirmou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não apresentou respostas críveis.

Não é a primeira vez que Malafaia critica publicamente os filhos de Bolsonaro. Em agosto de 2025, um dia após o anúncio do aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o pastor chamou o deputado Eduardo Bolsonaro de “babaca” em uma mensagem de áudio enviada ao ex-presidente. Na ocasião, ele afirmou que poderia gravar um vídeo para criticar o deputado, mas que ainda não havia feito isso por consideração a Jair Bolsonaro.

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Lula wins, Bolsonaro flees: What’s next for Brazil?

29 October 2026 at 23:06

Lula’s comeback to victory in Brazil’s 2026 presidential election was no accident. After trailing far-right Flávio, son of imprisoned former president Jair Bolsonaro, by 2 million votes in the first round, President Luiz Inácio Lula da Silva won the runoff by more than twice that, powered by a movement that deployed mass street mobilizations and a “Lula’s Army” WhatsApp channel to turn the race around in just three weeks.

Now Flávio Bolsonaro has fled to Miami, defying a court order and claiming the vote was stolen. But lawyer and Movimento Brasil Popular organizer Ana Júlia Guedes credits a disciplined campaign that exposed the far right’s criminal ties. And she tells Zoe Alexandra and Rania Khalek the honeymoon will be short: Lula still faces a deeply conservative Congress, rising political violence against Indigenous and Afro-Brazilian communities, and right-wing governors already moving to block his pro-worker agenda.

Guedes explains what’s at stake in Lula’s final term, from social media regulation to a push for mineral sovereignty over Brazil’s lithium and rare earths – and why Brazilians celebrating Bolsonaro’s defeat are already preparing for a tough fight ahead.

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#breakthroughnews
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Rough transcript follows:
[Speaker 1:] Part of his escape has to do with the fact that, because he was part of the Congress, part of the Senate, he still is until the end of the year. But because he will lose that, he will lose the privilege of being judged only at the superior and the Supreme Court. When he loses that privilege, he will be judged by a regular court, regular justices. So that will definitely increase the possibilities of him paying for the crimes.

On October 25th, Brazil’s three-time and current president, Luiz Inácio Lula da Silva, surprised the entire world by overcoming an electoral setback in the first round, in which he was defeated by far-right candidate Flávio Bolsonaro, and secured victory in the second round. The legendary union leader during the dictatorship secured 51.79%, equivalent to over 64 million votes, while Flávio Bolsonaro, the son of detained former president Jair Bolsonaro, received 48.21% of the votes, about 59 million.

What’s truly surprising about Bolsonaro’s defeat, because many pollsters had predicted that he would sweep through with this victory having won the first round, is the enormous number of votes that Lula managed to gain during the three weeks between the first and second rounds of voting. Flávio Bolsonaro had won this first round with 48.2% of the votes, more than 56 million votes, and Lula had come in second with 45% of the votes, just 54 million. So there was a significant increase in what he was able to win in the second round.

The key to Lula’s success seemed to lie in his, the PT’s, and the progressive camp’s ability to mobilize millions of people on the streets and on social media in response to Meta’s censorship. Lula supporters hit back with the famous “Lula’s Army,” a WhatsApp channel with over 10 million members, which was in constant mobilization to share, like, and comment on all of the posts for Lula’s campaign. The comeback was of historic proportions, but the struggle is not over yet.

This week, Flávio Bolsonaro left Brazil for Miami of all places and alleges that he is being persecuted and that he rightfully won the elections, though he retracted a declaration that he was the legitimate president of Brazil. If we remember anything from the 2022 Brazilian elections, it’s that the fraud allegations don’t stop with mere statements.

With us to discuss this historic victory, how it happened, and what comes next, we are once again joined by Ana Júlia Gess, lawyer and member of Momento Brasil Popular. Ana Júlia, welcome back to BT Live.

[Speaker 2:] Hi everyone. Hi girls. I’m really, really happy to be here today. This is absolutely, I think in our wildest dreams we couldn’t imagine having such an important victory at this point.

[Speaker 1:] Well, you do seem a lot more calm than last time.

[Speaker 2:] Oh yeah. Oh girl, we were ready to do whatever we needed to do, but oh my god. Yeah, we were ready to do whatever we needed to do, but we knew we had to do a lot. And I think it paid off. Definitely paid off.

[Speaker 1:] And I’m sure there was very little sleep and a lot of being on the streets, being on your phone. First off, we want to talk about this exciting news but just kind of start with the results. So, with what happened on Sunday, what do the results, the voting, which states voted, how many people voted, the abstention rates, what does this tell us about who came out to vote, who perhaps changed their vote, and whose vote was decisive in Lula’s second round victory?

[Speaker 2:] Yeah. So, I mean, just to give quick numbers, we came out of a 2 million votes less. We were behind two million votes to almost five million votes up front. We saw 10 million more people voting for Lula and a very big reduction not only in the number of absences, so we had more people voting, and those who went to vote, we also see them, less people not voting for anyone because in Brazil you can annul your vote at the ballot. So, we saw an increase in participation and that is a result of combining the forces.

We were experiencing exactly what we’ve heard throughout our lives as militants, as activists, that is a combination of the ways of struggle. We were on social media, we were on the streets, we were making discussions about politics like big politics, sovereignty, Brazil’s economy, but also talking about how the access to medication, the access to health, the access to scholarships, how that was also part of what we were deciding.

We saw the two extremes of ages participating. We saw an increase of young folks going to vote and being involved and engaged in all sorts of struggles on social media and on the streets. But we also saw our elderly who have seen dictatorship. We’re talking about people who are even older than Lula, who are 85, 90 years old, those who are 70, 75, who saw and lived through dictatorship coming out of their homes with difficulties. Some of them with disabilities, with mobility difficulties. They all went to vote and they went to vote with a little Lula sticker. Everyone was excited to demonstrate that they had a side.

It’s more than just this electoral victory. What we’re witnessing as people in Brazil right now is something that if you mobilize, if you organize, you can achieve something. And I think that will definitely change the course, the pathways of politics from now on because we’re going to have huge challenges. We’re already seeing the types of violence that we have overcome. We’re definitely changing the ways here and we’re all really glad. Those who have some contact with international media, international news, we’re also really glad to have become some sort of symbol of hope because this is what we talked about when we were on the streets. We talked to people. We said, “No, we’re not only just voting for now. We want to know. We want hope. We don’t want to repeat the same formulas from the past because we’ve seen these white-collar lawyers becoming presidents of Brazil.” And the story was always the same.

We were talking about people like, “Do you recognize this Lula? This Lula, this man is kind of your grandpa.” Many aspects of his life became highlighted, especially becoming a person with a disability due to a work accident. That caught everyone’s attention, this mass of voters’ attention, that we were not just talking about a candidate, we were talking about a country’s project, a sovereignty project. Coincidentally, Flávio escaped to Brazil, he ran away from Brazil on Lula’s birthday, so it became a double meme because here everyone started to make videos saying, “Oh, I proclaim myself the best podcaster, the best mother, the best actress.” It became a meme because this man fled the country with the support of allegedly the Argentinian government of Milei, of course with Trump’s support as well, and it is being investigated at this point that the jet that he flew on is part of a company that is part of a much bigger drug dealing scheme in South America that is once again repeating the trend of these far-rights to be involved with all sorts of organized crime.

He withdrew his declaration of being Brazil’s president, but at that point, people had already checked whether that was written in Brazil or not. He even mistook the Brazilian symbol, like the Brazil symbol for a shield of arms, and they had discovered that he had made that letter on ChatGPT. It’s a done joke, I mean, this guy, but we still have massive challenges at this point. We’ve seen an increase of political violence against local communities, the maroon communities, the indigenous communities, not just being threatened, but being shot, being run over. We saw police officers that ran over motorcycles that were making with Lula’s flag. We’re starting to see companies saying they will lay off all their employees that had supported Lula. We have a regulation that prevents all that. We’re seeing an increase in the reports of this kind of political discrimination. It’s just the beginning of a huge challenge. But somehow the sensation, the feeling that we’re having, the vibes of Brazil that we’re having is that we’re having a people that is much more connected, much with their eyes wide open to understand that it’s not just a victory. This is not just the beginning. This is just the beginning of everything, you know.

[Speaker 1:] Yeah. I mean, indeed it is. So, I want to ask you, all that aside, all the excitement and positivity aside, even though Lula won, he faces an extremely conservative Congress, right? What do you think is going to be the biggest challenge of Lula’s upcoming term? What is it that he’s seeking to accomplish in his final term as president? And then I would add to that, what obstacles do you think he’ll face? What role will the movements in Brazil play in this battle between a conservative Congress and Lula’s presidency?

[Speaker 2:] Well, he has been saying throughout this campaign that these four years were years to rebuild the country, rebuild the Brazilian state, Brazilian government because in reality Bolsonaro had really destroyed the health ministry, all the departments, education, everything was absolutely destroyed, dismantled. Even, for instance, our Brazilian ministry for foreign relations or current foreign affairs ministry. He had been, he’s a man with over 30 years of diplomacy, he had been allocated to the library of the building of foreign affairs. So, people like public servants that had dedicated their entire lives, all that was dismantled and now we would then start to rebuild it.

The Congress is absolutely conservative. The oldest wave of social media and participation and left-wing positioning, everyone like artists, everyone entrepreneurs started to say, “No, I am a left-wing person.” All that started between the first and the second round, but all the congresspeople, governors, state assemblies, all that had already been elected for the first round. So, this is a very conservative spectrum of what conservative can mean. We have women against women’s vote that had been elected as a representative. We have workers against labor rights.

To overcome that, of course, we’ll have to maintain ourselves engaged. I think with what we’re seeing right now, especially with the attacks against indigenous communities, somehow on social media, we’re still very active. So, this is a good rhythm. We’re trying to create muscle to these efforts, but we’ll have to keep on doing the experiencing and doing what we have seen that works. That is this grassroots engagement. This is something that we want to fight against this conservative Congress and we’re seeing more people wanting to be part of movements, wanting to be part of left-wing parties. This will be absolutely important and what we want is to build a really sovereign state project.

We’re talking about social media regulation already. That is an absolute priority for now. We’re talking about transforming many of these public policies into state policies so they can’t be varied throughout each government. We’re talking about the protection of these local and indigenous communities. We’re talking about mineral sovereignty because we just started talking about having a state-owned company that would organize the exploitation and marketing of our minerals, especially rare earths, lithium, and niobium. We have big reserves and we want to use that to make sure that our country will be developed for the people.

We’re already seeing governors, for instance, increasing taxes because here the taxation for fuel is state-defined. We’re already seeing conservative right-wing governors increasing the taxes of fuel to create obstacles for the reduction of food prices that would start. It’s a legal battle, but definitely a mobilization battle. At the same time, we’re seeing governors and mayors that had reduced the bus circulation during Sunday, the voting day, and they are now already suffering some sort of opposition or impeachment processes in the city halls and on the city councils.

It is to combine the presence of those who have got to the congresses and state assemblies and city councils to combine their action with social media presence but also talking to people. It is, I mean, it seems we’re experimenting a methodology that had been told to us by Russian revolutionaries, but here we are well 110 years later saying, well, who would have known if it worked on imperialist Russia, it can work in your country in 2026. But we’re just to give another really horrible fact that we’re seeing. We’ve seen congresspeople, state and federal congresspeople who were elected saying that, oh, we should start painting the stores and any places, the entrepreneurships painted with a red star so they can be identified as left-wing. And they said that, like even the Jewish community went and said, “Well, this is literally fascism.” So, it’s talking about history, talking and we’re seeing even these influencers like makeup, fashion influencers saying, “Hey, you should read Carol P to talk about feminism. You should read Helena that is a Japanese Brazilian feminist.” So, it’s the start of something new but it’s a much broader horizon than what we would have experienced if we had lost these elections.

[Speaker 1:] No, and I think that’s extremely important. I wanted to dig into this point which you’ve brought up a couple of times now, I think, with regards to this agitation and propaganda, this tool that had been very refined in this electoral victory. We’ve seen many reports now coming out over the past several days. Even the New York Times is very interested in this concept of Lula’s army and the WhatsApp channels. So, let’s talk about how this victory happened, how it was achieved. Again, when you were on this program before this second round, you spoke about these massive street mobilizations, the mobilization of people on social media. Let’s first talk about how people were activated and mobilized, what role that played, and what does it tell us about the possibility of defeating the right-wing in Latin America and across the world.

[Speaker 2:] Yeah. So, that was an initiative that one congressman called Jean Wyllys started. He’s been on social media, has been talking about that for quite a while now, but it kind of caught up. Everyone said, “Well, let’s do what we can do.” I think what that created, and I think that’s one of the biggest lessons learned, is that it created a possibility for you that cannot leave your house to go to a demonstration. Or you that is a bit more low profile on social media, everyone could do something to take the campaign a bit further. So, it is to invite one person. You don’t have to make a video, but if you can, you should. But if you can’t make a video, you can upload one of the videos that he would send there.

This was a big lesson learned that it is to create tools in which each person can individually contribute according to their possibilities because not everyone can or feels comfortable to go to a demonstration or even think that a demonstration is important. When the victory happened, I live in São Paulo, we went to Paulista, which is this huge avenue that usually appears on international reports, and the subways were already taken by people. On Saturday, we had a massive demonstration, and we had people from all over the place. I think that also kind of shifted. I think that when everyone saw that they could contribute by sending one text message, by uploading their WhatsApp status or putting on stories or sharing reels, that kind of brought people closer to this whole big purpose.

I think that was a very important element and it’s still happening, of course, not in the rhythm that we were, but we had daily tasks, literally daily tasks. We’re seeing already there is a militancy for the French elections that is coming up. It is a daily task thing, one thing you do, you can share this, you must comment that, you share that on your story, whatever. That created this idea that you were part of something. I think that’s another element that we talk about for a really long time on the left wing. It is how to promote collectivity, how to make people feel part of something. That stimulated and made the demonstrations become bigger and bigger. During that last week, we saw demonstrations here in São Paulo, a huge city, but we also saw in small cities, like cities with 4,000 inhabitants, they would have a demonstration there with 150, 200 people. So, this kind of simulation, this kind of thing already helps, but overall, I think this collectivity idea gave a pathway but also to talk about the future, to talk about hope, to talk about winning. It’s not only just, oh, we’ll overcome him, but we’ll also win.

Another element that was absolutely important, especially considering that we reversed the first round results in very important states, especially Minas Gerais, it is a very defining state. I know in the US you have those states that if you win in these states, you’ll win the elections. Here, it’s the same. We have it with Minas. What we saw is to spread out the information about these right-wing guys. So, Flávio Bolsonaro is just one of them that is involved in all sorts of crime. We started to say here that he saw the criminal code and thought it was a to-do list. I mean, he keeps on committing crimes. We started to talk about that and to talk about that he’s a person that is involved with what’s the worst for our society, that is what is happening in every country at this point. All of these right-wing people, they are involved with some sort of criminal network or drug trafficking or sex trafficking, people trafficking, gun, all that. They are always involved because this is who they are. To talk about that was also very important. We had tasks to talk about Lula, but also to report, to denounce, to say who these people really are.

I think that was, it’s so important that some of these congresspeople and governors and mayors who were involved somehow in trying to prevent people from getting to the ballot locations, they are already escaping as well. They are already fleeing the country. They left the cities. So, this combination of denouncing their crimes, they always have a vast list of crimes, denouncing that we are even joking here. We’re the ones who are the patriots. We’re the ones defending families. We’re the ones defending everything that our country has. This is a very important element too, that it is to give this national content to what we’re saying, the protection of the population. These combination of these messages were also very defining to get the results that we got and to open this horizon from now on because we’re the ones talking about family defense, about defending the country. As you know, this is the commitment we said that we would accomplish. So, here we are accomplishing those. This has been a very important experience in this wave.

[Speaker 1:] Well, lastly, we wanted to ask you about somebody who’s still making some headlines for his outrageous behavior, and that’s Flávio Bolsonaro, who’s now in Miami. He said to media that he is being persecuted, that his father is a political prisoner, and that he plans to return to Brazil, though notably he’s walked back the claim that he’s the legitimate president of Brazil, which he had initially said in a statement. But instead now he’s saying that he’s the leader. What do you think comes next? Is there fear of a struggle over the legitimacy of the elections? Will we see an attempted coup-like situation like in 2022 when these angry Bolsonaro voters attempted to overturn the results? How are social movements preparing for this right-wing response?

[Speaker 2:] This is another lesson that we had learned with our neighboring countries, but once again they’re right. It is for those who attend against the sovereignty of your country. Those must be judged and if needed imprisoned. Those who took part during those that took could attend in 2022. They have responded to criminal lawsuits and they are now either imprisoned or accomplishing their felons just like Jair Bolsonaro. It’s not very new that when the right wing loses an election, they say that it was fraud. They started doing that in 2014 when Dilma was elected in a very tight election as well, but she was elected once again. But again, it’s something that they do because they can’t accept any sort of democracy. Flávio keeps coming up and down. The thing is he is being investigated as being a key member of a very large financial scandal, financial crime against Brazilian and a lot of retirement funds in Brazil, and also being part of other more common illegal networks.

Part of his escape has to do with the fact that because he was part of the Congress, part of the Senate, he still is until the end of the year. But because he will lose that, he will lose the privilege of being judged only at the superior and the Supreme Court. When he loses that privilege, he will be judged by a regular court, regular justices. So that will definitely increase the possibilities of him paying for the crimes because that financial scandal that he was part of also included Marquez even allegedly. We do see the possibility of him literally running away just like his brother that still lives in the US that is being prosecuted here in Brazil for the coup attempts as well.

For the next four years, we do expect some attempts in trying to delegitimize this government, but we’re preparing ourselves. At this point right now, we’re living those known glory days, but we know that we have a very rough path ahead of us. By organizing, by creating all these possibilities to organize, to create all the possibilities for people to give their contribution in the smallest portions that they can. This is a lesson that we learned and that we’ll take on because we know that they will try to attempt against everything that we are, even because this is what they’ve been doing. His party, Flávio’s party, had recognized Lula’s victory, like all the right-wing parties recognized, the electoral court recognized. So here in Brazil, this claim of fraud is pacified. We do not have this claim being sustained here in any legal or even political substance.

But how will they use this narrative to, in the next few years, create a very hostile environment to Lula’s government? This is something that we know will happen. We still don’t know how, but we are going to prepare ourselves. We’ve seen hard days. This is not the first time we’ll see Congress trying to attempt a president, and we will learn from our difficulties. We’ll learn our lessons, but we’ll learn especially because somehow we want to make sure that this democracy is the frontier of democracy and to keep on sending out to the entire world that you can, no matter how big or how small your country is, you must dream and fight for democracy. This is an absolute, this is what we want to be, and this is the message that we want. We want to create a new era for all of those people’s strugglers and people’s fighters around the world because it will be worth it. Oh, the victory is wonderful.

[Speaker 1:] Well, we can feel the great vibes from here. Ana Júlia, thank you so much again for joining us today, explaining exactly how in three weeks this election was turned around. We’ll be sure to check back with you soon. Of course, Lula is inaugurated on January 1st and thus will begin a period of intense struggle on the streets, in Congress, and in all the other realms of society. So, we’ll be sure to bring you back then.

[Speaker 2:] Thank you so much for inviting me.

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