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Ministro reconhece “enorme atraso” nos salários dos portugueses

O ministro da Economia reconheceu hoje, em Lisboa, que existe um “enorme atraso” no rendimento dos portugueses, defendendo que não existe razão para que o país se contente com menos do que a média europeia.

“O PIB [Produto Interno Bruto] ‘per capita’ é um dos piores indicadores no confronto com a Europa. Estamos aproximadamente em 80% do PIB ‘per capita’. Tanto quanto Portugal tinha há 30 anos. Estivemos a marcar passo”, admitiu o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, numa audição parlamentar no âmbito da discussão do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).

O governante vincou que existe “um enorme atraso” no rendimento dos portugueses, apesar de ressalvar que este já foi pior, e acrescentou não ver razão para que o país se contente com menos do que a média da União Europeia.

A forma de Portugal recuperar este atraso, segundo o ministro, é o país crescer, a cada ano, mais do que a média europeia.

Neste sentido, apontou que se o país crescer tanto como no primeiro semestre deste ano, é possível atingir 100% da média europeia em 2043.

“Em 10 anos conseguimos recuperar 12 pontos percentuais. Está ao alcance dos portugueses, assim haja ambição e organização do trabalho”, referiu.

Para Castro Almeida, tal acontecerá se a “maior fatia do rendimento” ficar nas mãos das famílias e no bolso das empresas.

“O Estado deve ficar com o indispensável para garantir o Estado social e a autoridade”, notou.

O ministro destacou ainda que o Governo fez “seis baixas do IRS”, que representam menos 4.000 milhões de euros arrecadados em impostos.

Em resposta aos deputados, o ministro da Economia disse ainda que os salários dos portugueses estão, sistematicamente, a crescer acima da inflação, referindo-se ao que classificou como “números inequívocos do INE” (Instituto Nacional de Estatística).

Contudo, admitiu que gostava que esta diferença fosse maior, o que explicou não ser possível devido à guerra do Golfo e ao aumento dos custos com os combustíveis.

“Apesar disso, [os salários] estão a crescer em Portugal. Não estou a dizer que estão bem ou a crescer demais”, insistiu.

A votação final global do OE2027 está marcada para 24 de novembro, após o processo de debate na especialidade.

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Primeiro-ministro diz que habitação não se constrói num estalar de dedos

O primeiro-ministro alertou hoje que a habitação não se constrói de um dia para o outro, num estalar de dedos, e é preciso tempo para construir, apelando à compreensão das pessoas, mesmo respeitando as manifestações.

“Não é uma questão de sentir pressão, é uma questão de compreender, ouvir, mas também de dizer às pessoas que nós estamos a resolver o problema. É que estamos mesmo. E acredito, com o tempo que é necessário” que se consegue, disse o primeiro-ministro aos jornalistas, para de seguida referi que, durante 10 anos, não foram construídas casas em Portugal.

“Alguém a falar verdade e com seriedade, alguém consegue dizer que as casas estão prontas amanhã? Sinceramente!”, reagiu aos jornalistas.

O primeiro-ministro disse o governo como promotor já construiu “32 mil casas, num programa que só tinha 22 mil”, desde que tomou posse há dois anos e meio e “só tinha financiamento para 16 mil”.

“Já estamos no dobro daquilo que era suposto estarmos naquilo que depende diretamente de nós”, realçou.

E para o que não depende do governo, enumerou as alterações administrativas para “agilizar a construção”.

Ou seja, acrescentou: “Temos a expectativa que as casas venham a ser construídas, mas não consigo construir as casas assim [estalou os dedos], não consigo. E muito menos consigo recuperar 10 anos de desinvestimento em 10 meses”, vincou, sem adiantar qualquer previsão, justificando que “isso depende do mercado”.

“No ano passado tivemos muito mais licenciamento do que nos anos anteriores, agora são as pessoas que decidem”, acrescentou.

Montenegro reforçou que o Governo está “a dar resposta”, reconhecendo que “as pessoas têm direito a manifestar-se e a dar a sua opinião”.

“E eu sei ver e sei ouvir e também sei distinguir os manifestantes que não são todos iguais”, disse.

O primeiro-ministro falava à margem da inauguração da requalificação da Escola Secundária Frei Rosa de Viterbo, requalificada em 3,5 milhões de euros (ME), que comporta um Centro Tecnológico ali instalado para o curso profissional de logística, um investimento de 1,2 ME.

Também inaugurou o Bairro Comercial Digital By Sátão e a praça Paulo VI, em frente à Câmara Municipal de Sátão, no centro da vila, requalificado no seu piso em cerca de 500 mil euros. Três inaugurações que representam mais de cinco milhões de euros.

A praça que o primeiro-ministro destacou como sendo, “muitas vezes o local de encontro, de partilha, de conversas, de circulação livremente” e que, na cerimónia, contava com cartazes aleatórios no espaço.

“Praças para passear sim. Casas para morar não”; “serás para sempre lembrado como o opressor do povo” e “acampada não estão sozinhos, a ruralidade resiliente apoia-vos” podia ler-se em três cartazes exibidos na praça Paulo VI.

Isto, numa vila em que o primeiro-ministro contou com a presença de cerca de 30 professores à porta da escola secundária, com gritos de ordem como: “queremos pão e o direito à habitação”.

No seu discurso, Luís Montenegro destacou os investimentos, a propósito do Orçamento de Estado (OE) previstos para o próximo ano, assim como os “aumentos dos salários” e a “diminuição dos impostos como as taxas do IRS”.

E destacou os “10 mil ME para o plano nacional de habitação” que permitirá “construir 133 mil casas até 2030, na área pública”, enquanto lembrou que “nem toda a gente tem de ser proprietária”, embora Portugal tenha ”uma tradição enorme nesse domínio”.

“Se calhar muita gente não sabe, mas 74% tem casa própria. Isto disto noutro país, se calhar, assustava um bocadinho. É bom que tenhamos consciência da nossa realidade. Não estou com isso a diminuir o problema, estou apenas a partilhar”, disse.

E acrescentou outro dado, que desses proprietários em Portugal, “só cerca de 30% é que ainda não tem a casa paga, estão a pagá-la nos mais variados estádios de maturação e amortização dos respetivos empréstimos”.

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Antiga fábrica da Tupperware em Portugal vendida por 4 milhões

A antiga fábrica da Tupperware, em Montalvo, foi vendida por quatro milhões de euros, anunciou hoje o presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira, manifestando a esperança de que o complexo industrial volte a criar emprego.

“Por um lado, ficamos satisfeitos por efetivamente a antiga fábrica da Tupperware ser vendida e termos a esperança de que ali nasça outra empresa que crie postos de trabalho”, afirmou o autarca socialista à Lusa, à margem da reunião do executivo onde anunciou a venda.

A fábrica, situada no concelho de Constância, distrito de Santarém, foi colocada em leilão em 14 de outubro, com um preço-base de 10 milhões de euros, mas a melhor proposta, de 3,8 milhões, foi recusada pela comissão de credores.

O valor agora anunciado resulta de uma negociação posterior, que permitiu subir a oferta em 200 mil euros, com o acordo dos trabalhadores.

Sérgio Oliveira lamentou que o montante tenha ficado abaixo das expectativas, estimando que os antigos funcionários recebam, em média, entre 40% e 45% dos créditos a que têm direito.

“É um ciclo, em primeiro lugar, doloroso para os trabalhadores que foram despedidos”, afirmou, lembrando que muitos tinham 20 ou 30 anos de serviço na empresa.

Segundo o presidente da Câmara, o comprador é uma empresa do setor da cutelaria, com atividade industrial no distrito de Leiria, embora os planos para a antiga fábrica sejam desconhecidos.

O autarca espera que a unidade seja reativada e crie emprego, adiantando que o município pretende contactar o comprador nas próximas semanas, caso este não tome a iniciativa.

“Para nós é importante perceber qual é a ideia, o que ali querem fazer, a perspetiva que têm para aquele espaço”, declarou.

Contactado pela Lusa, o administrador de insolvência, Jorge Calvete, confirmou a venda da fábrica por quatro milhões de euros e indicou que o montante permitirá pagar cerca de 50% dos créditos dos trabalhadores.

Rui Caseiro, antigo funcionário que acompanhou o processo de insolvência e esteve presente no leilão, explicou à Lusa que a proposta inicial de 3,8 milhões de euros foi negociada após consulta aos trabalhadores.

“Reunimos outra vez com os trabalhadores, reunimos toda a gente”, afirmou, acrescentando que foi pedido ao comprador um aumento de 200 mil euros, até aos quatro milhões, valor que acabou por ser aceite.

Segundo Rui Caseiro, que trabalhou 30 anos na Tupperware, a decisão resultou do receio de que o prolongamento do processo pudesse desvalorizar ainda mais os ativos e dificultar a recuperação dos créditos.

“Mais vale recebermos este valor e termos alguma coisa do que estarmos à espera mais tempo e não recebermos nada”, afirmou, justificando a aceitação da proposta.

O antigo trabalhador estimou que cerca de 192 funcionários tenham créditos por receber, manifestando a esperança de que o novo proprietário retome a atividade industrial e aproveite a mão de obra especializada da região.

Rui Caseiro, que acompanhou durante um ano e três meses o processo de insolvência, recordou o desgaste psicológico de assistir à degradação da fábrica onde trabalhou durante três décadas.

Também Fernando Guedes, vereador do Chega e antigo trabalhador da Tupperware durante 30 anos, considerou insuficiente o valor da venda, embora satisfeito por os funcionários poderem recuperar parte dos créditos.

O vereador da CDU João Céu lamentou que os trabalhadores não recebam a totalidade dos montantes reclamados e alertou que o pagamento poderá ainda demorar.

A fábrica de Montalvo, que chegou a empregar cerca de 260 pessoas, cessou a produção em janeiro de 2025. A Tupperware – Indústria Lusitana de Artigos Domésticos foi declarada insolvente no mês seguinte, após a retirada das licenças de produção e comercialização da marca em Portugal.

O complexo integra três edifícios, terrenos e equipamentos de transformação de plásticos, tendo o leilão de outubro terminado sem adjudicação imediata, após as propostas ficarem abaixo dos valores-base.

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CGTP convoca manifestação nacional para 21 de novembro

A CGTP-IN vai convocar uma “grande manifestação nacional” em Lisboa para dia 21 de novembro, anunciou hoje o secretário-geral, prometendo intensificar as ações e apelando aos trabalhadores que novembro seja “um grande mês de luta”.

“A luta tem que continuar em crescendo”, disse o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, em conferência de imprensa após a central sindical ter reunido o seu Conselho Nacional, apelando aos trabalhadores que façam “do mês de novembro um grande mês de ação e de luta”.

Entre as ações hoje anunciadas está “uma grande manifestação nacional” a realizar em Lisboa no dia 21 de novembro, bem como uma concentração em frente à Assembleia da República no dia 24 de novembro, que coincide com o dia da votação final global da proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).

“Façamos no dia 21 de novembro uma grande jornada à luta e um grande momento de afirmação contra todas as injustiças que sentimos no nosso dia-a-dia”, apelou Tiago Oliveira.

O secretário-geral criticou o Governo por não dar resposta aos “problemas concretos da vida de quem trabalha”, desde o aumento do custo de vida, ao investimento no Serviço Nacional de Saúde, na educação ou na habitação.

“Todos nós temos direito a um teto. Todos nós temos direito a uma casa. Todos nós temos direito a uma vida digna e, portanto, aquilo que nós dizemos é que temos um Governo que é fraco com os fortes e forte com aqueles que menos têm e que mais precisam”, referiu.

Pedindo “um novo rumo para o país”, Tiago Oliveira lembrou que o Orçamento do Estado é uma “das maiores ferramentas que o Governo tem para a implementação da opção política” e insistiu que o documento é “profundamente negativo para os trabalhadores”.

“Este Orçamento de Estado só será aprovado se o Governo tiver a mão de alguém. Quer isto dizer que no dia 24 [de novembro] não é só o Governo que está em questão, são todos aqueles que apoiarão com a sua posição um Orçamento de Estado que é profundamente penalizador para o país e para os trabalhadores”, alertou.

O secretário-geral da CGTP apelou aos trabalhadores que se juntem às ações convocadas pela central sindical e lembrou o papel que tiveram na rejeição da proposta de lei de alterações à legislação laboral.

“Continuamos a acreditar que é com os trabalhadores que vamos derrotar este rumo de política que está a ser seguida por este Governo”, rematou.

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Governo nunca defenderá reparações históricas às antigas colónias portuguesas

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, reiterou hoje que o Governo da AD nunca defenderá reparações históricas às antigas colónias portuguesas e frisou que aposta antes em reconciliações.

“Nós nunca, em caso algum, e basta conhecer o Governo da AD [constituído pelo Partido Social-Democrata e pelo Centro Democrático Social-Partido Popular] e conhecer o próprio ministro dos [Negócios] Estrangeiros para saber que isso nunca aconteceria”, declarou Paulo Rangel, durante a sua audição regimental no âmbito da discussão do Orçamento de Estado de 2027.

“Outra coisa é a reconciliação com países com os quais nós temos laços”, acrescentou.

O chefe da diplomacia portuguesa referiu, contudo, que, não obstante essa posição, condenam o esclavagismo histórico.

No âmbito daquilo que classifica de reconciliação com países com laços históricos, recordou ações de antigos governos portugueses, como por exemplo a reabilitação da Rampa dos Escravos em Moçambique e a reabilitação do campo do Tarrafal, em Cabo Verde.

“Isto sim, nós temos que promover esta reconciliação”, reiterou no seu discurso, frisando que isso não inclui indemnizações.

“Nós também não temos nenhum problema em olhar para a memória histórica e em perceber que até houve erros na nossa História”, indicou, acrescentando que isso não retira orgulho nenhum na mesma.

O debate em Portugal sobre as reparações históricas às antigas colónias portuguesas, particularmente as africanas, eclodiu quando o ex-presidente Marcelo Rebelo de Sousa, no âmbito dos 50 anos das independências, reconheceu a responsabilidade de Portugal por crimes cometidos durante a era colonial, sugerindo o pagamento de reparações pelos erros do passado.

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Tribunal valida despedimento de trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo

O Tribunal da Relação de Guimarães rejeitou o recurso de apelação de sete antigos trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), no qual contestavam o despedimento coletivo efetuado em 2013, sustentando que se tratou de transmissão do estabelecimento a outra empresa, o que lhes daria direito a indemnizações superiores às que lhes foram arbitradas.

Os ex-funcionários defendiam, também, o direito a serem reintegrados como trabalhadores da firma concessionária, do grupo Martifer.

No acórdão, de 01 de outubro, os juízes-desembargadores concluíram “não se verifica transmissão de “unidade económica” quando se comprova que os Estaleiros praticamente já tinham cessado a sua atividade produtiva por tempo relevante, quer à data de subconcessão do espaço/infraestruturas do porto de Viana do Castelo, quer à data em que a nova subconcessionária, o grupo privado toma posse do espaço”.

A decisão, que confirma a do Tribunal de Trabalho local, anota, ainda, que, “quando apenas se comprova que no âmbito de intenção de desativação da empresa por motivos económicos e financeiros, os Estaleiros cederam à Martifer um direito de utilização de uma parcela de terreno e suas infraestruturas do porto de Viana, desacompanhada de outros elementos, como clientela, contratos de empreitadas, outros ativos e bens, ‘know-how’, organização e métodos produtivos”.

Já não tinha recursos humanos

Sublinha, ainda, que na esfera dos Estaleiros já não existiam recursos humanos por esta ter dispensado 595 dentro do universo de 607 dos seus trabalhadores mediante acordos de revogação dos vínculos laborais. O que custou ao Estado 30,1 milhões de euros.

Na ação, os ex-trabalhadores pediam, em alternativa, que o Estado – que se substituiu aos Estaleiros – lhes pagasse indemnizações com valores entre os 77 e os 14 mil euros, mais dez mil por despedimento ilícito.

Os ENVC foram formalmente extintos em março de 2018, mas encontravam-se em processo de extinção desde 10 de janeiro de 2014, data da assinatura – entre governo e o grupo privado Martifer – do contrato de subconcessão dos estaleiros navais até 2031, por uma renda anual de 415 mil euros.

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Ministra diz que aumento do salário mínimo previsto “não é pouco num país como Portugal”

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social considerou hoje que os aumentos do salário mínimo previstos para esta legislatura, que incluem o aumento de 50 euros em 2027, não são pouco para um país como Portugal.

Em Felgueiras, no distrito do Porto, onde participou na inauguração da nova unidade fabril da fábrica dinamarquesa Coloplast, questionada sobre as contestações recentes sobre o aumento do custo de vida e da habitação poderiam vir a impulsionar uma subida mais rápida do salário mínimo, a ministra falou do acordo já fechado em Concertação Social.

“O reajuste para já está previsto e são 50 euros, o que é bastante relevante. Se pensarem bem até o final da legislatura este acordo permite que haja um aumento do nível de rendimentos dos trabalhadores, ao nível do salário mínimo, de 34%. Portanto, isto não é pouco num país como Portugal”, disse Rosário Palma Ramalho.

Antes, a ministra lembrou que em cima da mesa neste momento está um acordo feito com todos os parceiros sociais, à exceção da CGTP, que prevê um aumento de 50 euros para 2027.

“Portanto, o Governo o que está a fazer neste momento é dar cumprimento a esse acordo. Aliás, foi esse aumento o valor que inscreveu na proposta de lei do Orçamento do Estado. Não há nenhum acordo completamente fechado nunca. Agora, para se mudar, tem que ser outra vez por acordo das partes”, disse, recordando que já foram apresentadas várias propostas do lado sindical.

“Mas essas propostas também têm que ter contrapropostas do outro lado, o que ainda não aconteceu. Portanto, para já o que está em marcha é um acordo que está em vigor e que o Governo vai honrar, como é natural”, referiu.

O Governo prevê aumentar o salário mínimo nacional para 970 euros em 2027, tal como previsto no acordo assinado em Concertação Social.

O salário mínimo nacional, que se fixa atualmente nos 920 euros, é definido por portaria do Governo, após auscultação dos parceiros sociais.

As centrais sindicais têm vindo a defender um aumento do salário mínimo nacional acima da meta estabelecida no acordo de valorização salarial e crescimento económico, argumentando, nomeadamente, que a inflação está acima do esperado.

As confederações empresariais afirmaram que não veem razões “plausíveis” para avançar com um reforço do acordo de valorização salarial e crescimento económico em vigor, nomeadamente ao nível da meta para o salário mínimo nacional, argumentando que há medidas que ainda não foram cumpridas.

Convidada a fazer um ponto de situação sobre a resolução do erro no cálculo das pensões conhecida no início de outubro que terá afetado cerca de 3.000 pensionistas, Rosário Palma Ramalho, disse que o problema está a ser resolvido.

“Neste momento estamos a tentar resolver o problema. As pessoas foram notificadas nos termos da lei. Algumas já procederam ao pagamento, outras aproveitaram as outras formas de pagamento que a lei prevê, como compensação na própria pensão nos meses seguintes, pagamento em prestações. Portanto, o problema está a ser resolvido. O erro informático é assim mesmo, deteta-se numa altura qualquer e resolve-se”, disse a ministra do Trabalho.

Já sobre a reforma laboral, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social voltou a insistir que esta é “inevitável” porque “a lei está profundamente desadequada àquilo que são os desafios do trabalho hoje, nomeadamente tendo em conta a inteligência artificial e outros aspetos”.

“Portanto, ela vai ter que seguir. O formato é aquele que, naturalmente, os partidos permitirem na Assembleia. O Governo fez a sua proposta e ela foi chumbada (…). Portanto, o futuro dirá como é que ela vai lá”, referiu.

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Treinador do Torreense deixa equipa após temporada histórica

O treinador Luís Tralhão, que guiou o Torreense à inédita conquista da Taça de Portugal de futebol e ímpar presença na Liga Europa, deixou o comando técnico da equipa, anunciou hoje o clube da II Liga portuguesa.

“O Torreense informa que Luis Tralhão deixa, por mútuo acordo, de ser treinador da sua equipa principal de futebol. Luis Tralhão destacou-se pela forma como interpretou o processo Torreense, ganhando por mérito próprio um lugar único na história centenária deste clube”, lê-se na nota emitida nos canais de comunicação da formação do Oeste.

Agradecendo “o profissionalismo, a dedicação e a paixão com que abraçou este projeto”, os ‘azuis grená’ deixam ainda desejos de sucessos pessoais e profissionais ao técnico de 48 anos.

Luís Tralhão chegou a Torres Vedras em 2024/25 para orientar a equipa de sub-23 e conquistou na época de estreia a Liga Revelação, para assumiu em janeiro deste ano a liderança da equipa principal, sucedendo a Vítor Martins.

Ao comando do emblema do distrito de Lisboa, guiou o clube à inédita conquista da Taça de Portugal, em 2025/26, ao vencer na final o Sporting por 2-1, após prolongamento.

O Torreense tornou-se a primeira equipa do segundo escalão a conquistar a Taça de Portugal e tal feito qualificou o clube pela primeira vez para as taças europeias, entrando diretamente na fase de liga da Liga Europa.

Falhou, ainda assim, a promoção ao escalão principal depois de perder com o Casa Pia no play-off e, na presente temporada, viveu um arranque atribulado.

Apesar da estreia gloriosa no panorama europeu, com uma vitória no reduto dos noruegueses do Lillestrom (2-1), o Torreense perdeu os dois jogos seguintes na Liga Europa, registo a que juntou ainda um início de campeonato abaixo das expectativas.

Apesar do triunfo sobre o Amarante (1-0), na segunda-feira, que permitiu regressar às vitórias na II Liga, o Torreense ocupa a 13.ª posição, com apenas nove pontos, em oito jornadas.

Em 12 jogos disputados em 2026/27, somou três vitórias, três empates e seis derrotas.

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U2 regressam a Portugal no próximo ano

A banda irlandesa U2 vai regressar a Lisboa, em maio do próximo ano, para um concerto no Estádio da Luz, anunciou hoje a promotora do espetáculo.

O concerto, que acontece no âmbito da digressão mundial “The Greatest Show on Earth”, está marcado para 27 de maio, segundo a Live Nation Portugal, num comunicado hoje divulgado.

A primeira parte do espetáculo estará a cargo dos britânicos Wolf Alice.

Os bilhetes, cujos preços não foram divulgados, estarão à venda a partir das 10:00 de 06 de novembro, no ‘site’ da promotora, em www.livenation.pt.

Um dia antes, 05 de novembro, haverá um período de pré-venda, entre as 10:00 e as 22:00, também no ‘site’ da promotora. “Para estar inscrito nessa pré-venda terá de se inscrever no nosso ‘website’ até terça-feira dia 03 de novembro, às 13:00”, lê-se no comunicado hoje divulgado.

A nova digressão mundial dos U2 arranca no México, em fevereiro, com uma série de concertos já esgotados, seguindo depois para São Paulo, no Brasil, onde as atuações em março também já não têm bilhetes disponíveis.

A etapa europeia da digressão tem início na Suécia, em 26 de abril, em Estocolmo, passando depois por países como Países Baixos, Alemanha, Itália e França, além de Portugal.

A banda realizará um período de pré-venda de bilhetes para os espetáculos na Europa, mas o concerto de Lisboa não está abrangido.

A banda de Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. edita em novembro o primeiro álbum de originais em nove anos, intitulado “Carnaval de Luz”, do qual já foram divulgados dois temas, o mais recente dos quais de nome “Silencio”, descrito como uma “homenagem à insolência dos inícios do ‘surf punk’”.

No ano em que a banda assinala 50 anos de existência, o disco vai incluir novas colaborações com Brian Eno, Martin Garrix e Daniel Lanois, além do tema “Torn”, gravado com Dolly Parton, no que foi a última gravação da cantora norte-americana, segundo informação disponível no ‘site’ do grupo de Dublin.

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Número de mortos no acidente ferroviário em Espanha sobe para 69

O número de mortos no acidente ferroviário de Urda, em Espanha, subiu para 69 e permanecem internadas pelo menos 50 pessoas em diversos hospitais, disse hoje o presidente do governo regional de Castela-La Mancha.

Durante a noite e madrugada foi encontrado mais um corpo nos escombros dos dois comboios que colidiram na quarta-feira em Urda, Toledo, a cerca de 150 quilómetros a sul de Madrid, pelo que o número de mortos confirmados até agora subiu para 69, revelou Emiliano Garcia-Page, em declarações aos jornalistas.

Por outro lado, das 110 pessoas que foram atendidas em hospitais da região, 60 já tiveram alta e 50 permanecem internadas com “diferentes níveis de preocupação”, acrescentou.

Entre os feridos internados há pelo menos 15 em estado considerado grave, segundo o presidente de Castela-La Mancha, que falava no posto de comando de resposta ao acidente, instalado em Toledo.

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Características da gordura da barriga podem revelar risco cardíaco

Uma investigação da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu que as características da gordura da barriga, e não apenas a sua quantidade e localização, podem explicar doenças das artérias do coração, foi hoje divulgado.

Liderado pela investigadora Jennifer Mancio, o estudo, publicado em agosto na revista científica International Journal of Obesity, revela que a “qualidade” da gordura da barriga revela risco cardíaco que o Índice de Massa Corporal (IMC) não deteta.

“O IMC e o perímetro da cintura medem quanta gordura temos, mas não como ela é. Duas pessoas com a mesma quantidade de gordura podem ter riscos completamente diferentes”, explica Jennifer Mancio, citada num comunicado da FMUP enviado à Lusa.

O trabalho recorreu à radiómica (um campo da radiologia que transforma exames de imagem médica em grandes quantidades de dados) por tomografia computorizada (TAC), técnica que funciona como uma biópsia virtual, em que algoritmos de inteligência artificial extraem da imagem centenas de características do tecido, como a densidade e a textura, que não são visíveis a olho nu.

A equipa analisou exames de 1.736 adultos sem doença coronária conhecida para estudar a gordura subcutânea, ou seja, a que fica logo abaixo da pele e que se consegue beliscar, bem como a gordura visceral, que envolve os órgãos dentro do abdómen, e a gordura abdominal total.

Através dessa técnica, os cientistas chegaram a características que revelam diferenças ocultas entre indivíduos, bem como entre homens e mulheres.

De acordo com a FMUP, os investigadores identificaram uma gordura com textura mais heterogénea, associada à presença de calcificação nas artérias coronárias.

A calcificação é um marcador de aterosclerose, a acumulação de placas de gordura e cálcio nas artérias do coração, e de maior risco de enfarte.

Os dados revelaram também diferenças pronunciadas na estrutura da gordura abdominal entre homens e mulheres.

“Quando a gordura abdominal se torna muito heterogénea na sua textura, isso funciona como um sinal de alerta para a presença de calcificação nas coronárias. A gordura não é toda igual. O que a torna perigosa não é tanto o sítio onde está, mas as características que apresenta. Nos homens, até a gordura subcutânea, que tendemos a considerar protetora, já tem características de gordura de risco. Isto pode ajudar a perceber por que razão, em média, os homens têm enfartes cerca de 10 anos mais cedo do que as mulheres”, explica Jennifer Mancio.

Com base nestes resultados, a investigação concluiu que a radiómica poderá ser aplicada em larga escala para conhecer a qualidade da gordura, seja qual for a sua localização.

Segundo a investigadora, “ao aproveitar TAC já pedidas pelos médicos por outros motivos, esta análise não implica custos nem radiação adicionais para os doentes”.

“No futuro, a integração desta tecnologia nos programas de imagem poderá ajudar a identificar mais cedo quem tem características da gordura com maior risco de calcificação coronária e a personalizar a prevenção e o tratamento de pessoas com obesidade”, concluiu.

O estudo foi realizado no âmbito do projeto SAFE-CT e financiado pela Bolsa CUF D. Manuel de Mello, da Fundação Amélia de Mello.

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Conselho fiscal do Vitória dá parecer favorável à venda de 17% da SAD à V Sports

O conselho fiscal do Vitória SC emitiu um parecer favorável, publicado hoje no site oficial do emblema da I Liga portuguesa de futebol, à venda de 17% do capital social da SAD à empresa V Sports.

“O conselho fiscal emite parecer favorável à alienação à V Sports de ações representativas de 17% do capital social da Vitória Sport Clube – Futebol, SAD (…), desde que sejam integralmente asseguradas as salvaguardas identificadas no presente parecer, designadamente a proteção do património do clube e a manutenção da sua participação maioritária no capital social da SAD”, lê-se.

A votação da transmissão de 17% do capital da SAD, tendo em vista o restabelecimento da participação de 46% da empresa que detém o Aston Villa, da Premier League inglesa, previamente aprovada pelos sócios vitorianos em 03 de março de 2023, está marcada para sexta-feira, na assembleia geral extraordinária que vai decorrer no Pavilhão Desportivo Unidade Vimaranense, a partir das 20:00.

O órgão presidido por Rui Castro Dias salienta que a operação recupera um modelo já aprovado pelos sócios em 2023, quando 966 entre os cerca de 1.400 presentes na AG extraordinária votaram favoravelmente à venda de 46% das ações, antes de a participação da V Sports ser reduzida para 29% no final de junho de 2023, por imposição da UEFA, para se cumprir as regras de multipropriedade de clubes.

O conselho fiscal argumenta também que os 3,8 milhões de euros (ME) que a empresa pretende aplicar na operação – devolução de dois milhões prometidos em 2023 e 1,8 ME adicionais – enquadram-se num “referencial proporcional próximo do previsto no acordo inicial de 2023”, que contemplou o pagamento de 5,5 ME e o donativo de dois ME para infraestruturas.

Para o órgão, a manutenção desse “referencial de preço”, numa altura em que a situação financeira e patrimonial da SAD é pior do que a de há três anos, face aos 85 ME de passivo e aos capitais próprios negativos de quase 37 ME exibidos no relatório e contas de 2025/26, é “um elemento favorável à apreciação económica da proposta na perspetiva do clube”.

A manutenção da participação maioritária do clube na SAD, que irá diminuir de 67,84% para 50,84% caso os sócios aprovem a venda na sexta-feira, e “o compromisso de um plano de reestruturação da dívida” são outros elementos favoráveis à aprovação do acordo, acrescenta o conselho fiscal.

Na perspetiva desse órgão, a concretização da operação com a empresa detida pelo bilionário egípcio Nassef Sawiris (34%), pelo bilionário norte-americano Wes Edens (34%) e pelo fundo de investimento norte-americano Atairos (32%) pode garantir uma “maior previsibilidade de tesouraria” e permitir à SAD “negociar com menor pressão” no próximo mercado de transferências, em janeiro de 2027.

Os sócios do Vitória SC vão ainda votar a autorização para se introduzirem alterações no pacto social da SAD.

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Ex-vereador de Penafiel acusado de favorecer empresa a troco de bilhetes para futebol

O Tribunal de Instrução Criminal de Penafiel decidiu levar a julgamento um ex-vereador da câmara local por alegado favorecimento, entre 2014 e 2020, a uma sociedade comercial, recebendo em troca, nomeadamente, 18 bilhetes para jogos de futebol.

Segundo nota hoje publicada na página da Procuradora-Geral Regional do Porto, o arguido consideraria que aquela sociedade e o seu representante legal “poderiam vir a ser úteis para organizar a publicidade da campanha da sua candidatura às eleições autárquicas que teriam lugar a 26 de setembro de 2021”.

A nota não revela o nome do arguido, que foi pronunciado pela prática dos crimes de prevaricação e de recebimento indevido de vantagem, mantendo-se a factualidade e respetiva qualificação jurídica que lhe eram imputadas na acusação proferida pelo Ministério Público.

O juiz de instrução considerou suficientemente indiciado que, entre 2014 e 2020, o arguido, “em violação do regime legal de licenciamento de publicidade, sem audição prévia dos serviços técnicos municipais e entidades externas ao município cujo parecer era obrigatório, deferiu diversos pedidos de licenciamento de publicidade a favor de uma sociedade comercial, com intenção de favorecer aquela sociedade e o seu representante legal”.

“O arguido desenvolveria aquela atividade pois sabia que aquela sociedade e o seu representante legal poderiam vir a ser úteis para organizar a publicidade da campanha da sua candidatura às eleições autárquicas que teriam lugar a 26 de setembro de 2021”, acrescenta a nota.

Além disso, foi também considerado indiciado que o arguido, entre 2018 e 2020, recebeu, por parte do representante legal daquela sociedade, 18 bilhetes para assistir a jogos de futebol e frequentar o camarote que aquela possuía no estádio de um clube de futebol, “bem sabendo que aqueles bilhetes apenas lhe eram entregues por ser o decisor daqueles pedidos de licenciamento”.

O Ministério Público requereu a declaração de perda a favor do Estado da quantia de 4.788 euros, correspondente ao valor daqueles bilhetes, “devendo o arguido ser condenado no seu pagamento, por corresponder à vantagem obtida com a sua atividade criminosa”.

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Orçamento de Estado para 2027 aprovado com abstenção do PS

A proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2027 foi hoje aprovada na generalidade na Assembleia da República, com votos a favor de PSD e CDS-PP e abstenções de PS, PAN e JPP.

Chega, IL, Livre, PCP e BE votaram contra a proposta do Governo PSD/CDS-PP.

Este é o terceiro Orçamento do Estado apresentado pelos governos de coligação PSD/CDS-PP chefiados por Luís Montenegro.

Como nos dois anos anteriores, a viabilização da proposta do Governo foi assegurada com a abstenção do PS.

Ainda antes de ser conhecida a proposta do Governo, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, anunciou, no fim de setembro, que iria propor a abstenção aos órgãos nacionais do seu partido, posição que se confirmou, para já, para a votação na generalidade.

A opção do Chega, segunda maior bancada parlamentar, pelo voto contra na generalidade foi anunciada hoje aos jornalistas pelo presidente do partido, André Ventura.

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Governante diz ser “inadmissível” polícia obrigatória no desporto de formação

O secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, disse hoje que “é inadmissível” a obrigatoriedade de forças de segurança para competições de formação e alertou para o “problema de educação” existente que se reflete nas infraestruturas desportivas.

“É inadmissível que tenhamos de ter forças de segurança em eventos desportivos de crianças e formandos até 15, 16 anos, sob pena de não se realizarem. Não podemos conceber isto”, afirmou o secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias.

O governante falava no último painel da quarta edição do S4 – Congresso Internacional Safety, Security, Service at Sports Events (proteção, segurança, e acolhimento em eventos desportivos, tradução livre), que terminou hoje em Viseu, organizado pela Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto (APCVD).

“Se um conjunto da sociedade não se consegue comportar em instalações, não devem ser, no meu ponto de vista, as forças de segurança a resolver isso”, sublinhou.

No seu entender, “é um problema muito sério” e a solução tem de passar por todos.

“Temos um problema sério de educação que tem reflexos nas infraestruturas desportivas e temos de ser todos juntos, em comunidade, com o governo, as autarquias, os clubes, os promotores de eventos, as associações, escolas”, reforçou.

Pedro Dias defendeu ainda que a sociedade “não pode continuar a aceitar” que isso aconteça, nomeadamente na formação, em que os pais e familiares “não se podem esquecer que são o exemplo que as crianças e jovens vão refletir no recinto” desportivo.

“Essas mensagens transmitem-se naturalmente, os controlos, os comportamentos de quem assiste, de quem participa. Muitas das vezes dos familiares que, naturalmente, depois são reflexo para quem está a praticar. Se o exemplo é aquele, não podemos esperar comportamentos muito diferentes dentro de campo”, reforçou.

Pedro Dias realçou que Portugal tem dado “um salto qualitativo muito grande e tem sido referência a vários níveis e em termos internacionais” no que diz respeito a “boas práticas, e depois, as crianças, em formação, estão com comportamentos diferentes”.

“Não podemos aceitar isto”, vincou.

O painel de encerramento do congresso “Dos grandes palcos aos recintos locais: uma responsabilidade partilhada”, contou também com a presença do presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Pedro Pimpão, também presidente da Câmara de Pombal.

Pedro Pimpão corroborou as palavras do governante e acrescentou que “é uma questão nacional, transversal e todas as cidades do país” e que a sociedade “tem que crescer” e ter “cultura e literacia também na área da prevenção e segurança, que também começa em casa”.

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Pouca castanha, seca e com “bichado” marca campanha em Bragança

A campanha da castanha está a ser um “desastre” para vários agricultores do concelho de Bragança, que apontaram hoje à Lusa quebras significativas, fruto pequeno, seco e “bichado”, devido às temperaturas e à falta de água.

Na aldeia de Salsas, Pedro Zoio não está contente com o que vê. “Estamos a começar, mas está um desastre. Não existem castanhas nos castanheiros, os ouriços ficaram pequenos, as castanhas, as poucas que há, não cresceram”, descreveu.

A campanha já começou, mas o agricultor apanhou até hoje apenas “30 quilos” do fruto, porque embora os castanheiros tenham “muitos ouriços”, estão “sem castanhas”.

“Estão agora a começar a cair as poucas que há. (…) Eu dou a volta aos castanheiros e não vejo castanhas nem em cima, nem em baixo”, afirmou.

A chuva que caiu no mês de agosto e em setembro fazia prever, segundo disse, um bom ano de castanha, mas não se veio a confirmar, prevendo uma quebra de “60 a 70%”.

“Não prevejo um bom ano de castanha, nem de longe, nem de perto. O ano passado já foi mau, este ano ainda vai ser pior, ou seja, de ano para ano, cada vez é pior”, vincou.

Para João Condado, produtor de castanha na aldeia de Vilarinho, a campanha deste ano “pior seria impensável”, estimando que possa ter uma quebra de produção de 40%.

O fruto, afirmou, está “bastante seco”, devido às temperaturas elevadas e à falta de chuva, e há castanha, nomeadamente das variedades precoces, que está “bichada” ou com “fungo”.

“Há pouca e o calibre é pequeno, devido às condições atmosféricas. No verão pouco choveu e então as temperaturas foram elevadas e fez com que a castanha não desenvolvesse”, lamentou.

A situação também não é melhor para Marcelino Rodrigues. O agricultor de Meixedo ainda não começou a apanha da castanha, mas salientou que a campanha está “muito mal”.

“Ainda não apanhei nada, mas diz que são pequenas, estão furadas, que têm tudo, há poucas, segundo ouço”, disse.

Segundo explicou à Lusa Abel Pereira, presidente da Arborea – Associação Agro-florestal e Ambiental da Terra Fria Transmontana, o calor está a tardar a queda dos ouriços e um “período quente prolongado” foi favorável ao aparecimento de “bichado”.

A juntar à falta de qualidade, apontada pelos produtores, também o preço está “aquém de anos anteriores”, estando entre 1,2 e 1,5 euros o quilo, podendo, nalguns casos, chegar a 1,8 euros.

Segundo o engenheiro Abel Pereira, num ano bom, o preço da castanha de maior calibre já deveria custar mais de dois euros.

Bragança e Vinhais, no distrito de Bragança, são os maiores produtores de castanha do país.

Numa boa campanha, no concelho de Bragança são produzidas 20 mil toneladas e no concelho de Vinhais entre 15 a 20 mil toneladas.

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“Só não venho à boleia para o Parlamento porque não posso”, diz ministra do Ambiente

A ministra do Ambiente afirmou hoje que gostaria de ter ido à boleia para o Parlamento, simultaneamente uma forma de vida saudável e de poupança energética, mas alegou que as suas funções governativas a impedem.

Maria da Graça Carvalho fez este comentário durante o segundo dia de debate na generalidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2027, em resposta a uma intervenção da deputada do Chega Patrícia Carvalho.

Patrícia Carvalho criticou a ministra do Ambiente e da Energia por sugerir a boleia como solução para a generalidade dos portugueses enfrentar o aumento dos custos dos combustíveis. Disse então que, ao contrário de Maria da Graça Carvalho, os portugueses “não têm o Estado para lhes pagar o custo dos combustíveis”.

Na resposta à deputada do Chega, a ministra do Ambiente e da Energia declarou: “Só não venho à boleia porque não posso vir à boleia, e das coisas que mais me custam enquanto membro do Governo é ter de andar com motorista”.

“Eu gosto de andar a pé”, acrescentou, sendo depois muito aplaudida pelos deputados do PSD.

No debate, pela parte da Iniciativa Liberal, Jorge Miguel Teixeira levantou a questão da compra da REN, na ordem dos 500 milhões de euros, decidida pelo atual Governo, tendo requerido à ministra que explicasse em que medida a entrada do Estado nessa empresa contribuirá para a descida dos preços da eletricidade.

Maria da Graça Carvalho observou que a REN é uma empresa de um ramo estratégico em termos de soberania nacional e que Portugal era o único país da União Europeia que estava ausente. Defendeu, ainda, que a entrada do Estado nessa empresa de transporte de energia será relevante para cumprir o objetivo de assegurar a “competitividade” da economia.

Pela parte do PCP, a líder parlamentar, Paula Santos, insurgiu-se contra a “especulação em torno dos preços dos combustíveis” e contra “os lucros obscenos das petrolíferas”. Manifestou ainda preocupação pelo eventual fim das tarifas reguladas da eletricidade em 2027.

De acordo com a ministra, em matéria de tarifas reguladas da eletricidade, o Governo “terá ainda este ano para decidir como proceder em relação a isso”.

Já o deputado do PS Pedro Vaz fez uma intervenção genérica do ponto de vista político e acusou o Governo PSD/CDS de “ser passado, não tendo ideias novas”, limitando-se “a gerir a herança” deixada no setor.

“Este Governo e este primeiro-ministro já não são presente”, declarou Pedro Vaz, numa interpelação que se seguiu à do co-porta-voz do Livre, Jorge Pinto, que levantou a questão dos protestos das populações do concelho de Boticas devido ao projeto de exploração de lítio em Cova do Barroso.

“Esse projeto foi declarado de interesse nacional, com licença ambiental em 2023. Segundo toda a gente, não houve diálogo com a população. Neste momento, cumprimos a lei e deixamos executar este projeto”, esclareceu Maria da Graça Carvalho.

Em resposta à deputada do PAN Inês de Sousa Real, que atacou os “lobbies” da agricultura, a ministra do Ambiente defendeu que o Governo “tudo tem feito para proteger o lobo ibérico, ao contrário da tendência registada em outros países europeus”.

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Jorge Braz diz que dirigentes têm obrigação na educação de comportamentos

O selecionador português de futsal defendeu hoje que os dirigentes desportivos têm a responsabilidade e obrigação na educação de comportamentos menos positivos nas competições, mesmo reconhecendo a dificuldade.

“Nós, dirigentes desportivos, temos obrigação e responsabilidade nos comportamentos. Temos um papel fundamental. Se é fácil? Não, mas temos de ser nós a promover essa educação”, defendeu Jorge Braz.

A título de exemplo, o selecionador nacional de Futsal indicou as “discussões à volta de um momento” de jogo como se é ou não um pontapé de linha lateral ou se o que se ouviu é ou não um insulto.

“Se eu estiver com foco total no jogo não vou desperdiçar tempo, não vou discutir e criar conflito”, argumentou.

Jorge Braz falava em entrevista na quarta edição do S4 – Congresso Internacional Safety, Security, Service at Sports Events (proteção, segurança, e acolhimento em eventos desportivos, tradução livre), que termina hoje em Viseu, organizado pela Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto (APCVD).

O selecionador vincou ainda que “os lances de maior agressividade no jogo nunca são pessoais, nunca são contra as pessoas, são jogadas que se fazem para tentar ganhar a bola e vencer”.

“Em mais de 90% desses lances perigosos, o atleta no final vai cumprimentar o adversário e, vê-se muitas vezes a ajudar a levantar logo a seguir ao lance, porque não é contra a pessoa, é um momento de jogo entre dois adversários”, reforçou.

Jorge Braz disse ainda que não se deixa influenciar pelo público, apesar do “enorme respeito” que tem pela opinião dos adeptos, pois “isso não conta para o ‘totobola’”.

“Como é que focamos no essencial, o jogo, se estamos a ouvir os adeptos, as críticas ou os insultos? Estamos focados, não ouvimos, não nos influenciam, nem reagimos”, disse.

Questionado sobre os comportamentos mais agressivos no público de jogos de camadas mais jovens, e a influência dos pais nas bancadas até, em diversas vezes, a promover a agressividade, Jorge Braz foi perentório: “Terminaria o jogo de imediato”.

“Há uns anos, quando era mais novo, e professor, não teria coragem para isso, mas, hoje, sei e afirmo convictamente, teria coragem de o fazer e terminaria o jogo de imediato e chamaria o pai para conversar”, admitiu.

Jorge Braz realçou ainda que, após uma derrota, e com os atletas a recusarem tirar a fotografia, ele exigiu que a mesma fosse tirada, “e com um sorriso”, ainda que “não tão grande”, até porque “tem impacto” nos atletas, para saírem “do foco da derrota”.

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Chega anuncia voto contra Orçamento

 O Chega vai votar contra o Orçamento do Estado do próximo ano na generalidade, anunciou hoje o líder do partido, argumentando que o Governo “não consegue reconhecer o momento de dificuldade” e não apresenta medidas para ajudar os portugueses.

O anúncio foi feito por André Ventura em declarações aos jornalistas na Assembleia da República.

O líder do Chega considerou que o “Governo não consegue reconhecer o momento de dificuldade em que as pessoas se encontram neste momento” e não apresenta medidas para ajudar as pessoas.

André Ventura acusou também o executivo de ter uma “voragem e obsessão de cobrar impostos”.

“Mantemos esperança que a especialidade traga outra atitude do Governo”, indicou.

O Orçamento do Estado para 2027, que será votado esta tarde, tem aprovação garantida, uma vez que o PS anunciou que se vai abster.

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Livre vai votar contra Orçamento na generalidade

O Livre vai votar contra a proposta de Orçamento do Estado para 2027 na generalidade, documento que já tem aprovação garantida com a abstenção do PS, anunciou hoje o porta-voz Jorge Pinto.

“Um Orçamento que é contra o país tem apenas um voto possível que é o voto contra”, anunciou Jorge Pinto, em declarações aos jornalistas no parlamento, depois de a Assembleia do Livre – órgão máximo entre congressos – ter reunido na terça-feira à noite e aprovado a decisão por unanimidade. O Livre tem criticado a proposta desde que foi apresentada pelo executivo, considerando que não responde ao aumento do custo de vida e privilegia os grandes grupos económicos através de medidas como a descida do IRC.

O partido já avançou com algumas das propostas que tenciona apresentar no período de especialidade, como a descida do IVA de 23% para 21%, a criação de um passe de mobilidade nacional, o reforço do abono de família ou uma rede pública de lares.

Além destas propostas, o Livre insistirá no reforço do programa de combate à pobreza energética “3 C – Casa, Conforto e Clima” e a criação de uma “herança social”, um “pé-de-meia” de cerca de 5.000 euros que o partido quer atribuir a todos os bebés nascidos no país, acessível aos 18 anos.

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