Da falida Mt. Gox até à Binance. Os maiores ciberataques de sempre nas criptomoedas

A bolsa de criptomoedas Binance sofreu esta quinta-feira um ciberataque que está a ser descrito como o maior de sempre nas moedas virtuais, que resultou num prejuízo estimado em 6,3 mil milhões de dólares (cerca de 5,6 mil milhões de euros) e levou ao congelamento de mais de 2,5 mil milhões de dólares (cerca de 2,25 mil milhões de euros) de forma a evitar a retirada de fundos pelos hackers.
A maior plataforma digital de criptomoedas do mundo vai-se chegar à frente para cobrir “todas as perdas decorrentes do ataque”, que teve uma magnitude quatro vezes superior ao da Bybit, em fevereiro de 2025. Nos últimos 15 anos, este setor sofreu uma série de furtos, continuando a levantar questões sobre a segurança do dinheiro dos clientes.
Segundo a agência Reuters, os ciberataques evidenciam as vulnerabilidades da blockchain e das finanças descentralizadas, na qual os utilizadores emprestam, pedem e depositam tokens digitais e contornam os intermediários tradicionais do sistema financeiro, como bancos e empresas de trading.
O especialista em cibersegurança Georgy Kucherin, investigador sénior na Kaspersky, diz que ainda não se pode excluir a hipótese de terem sido exploradas vulnerabilidades. “Estes incidentes mostram que as plataformas de negociação de criptomoedas não estão imunes a ciberataques. Podem ser comprometidas através de diversos vetores, e tanto os sistemas internos como as dependências externas podem servir de superfícies de ataque”, afirma o analista, lembrando que ainda na quarta-feira os utilizadores da Polymarket foram afetados por um ataque.
O portátil de um engenheiro informático terá sido o ponto de entrada dos cibercriminosos na Binance. A maioria dos fundos foi transferida em cerca de 20 minutos.
O investigador da Kaspersky explica que o portátil comprometido de um engenheiro de desenvolvimento e operações (DevOps) da Binance poderá ter permitido a um atacante aceder a um sistema de serviço e submeter transações de levantamento não autorizadas.
Para a empresa de cibersegurança Check Point Software, o “incidente evidencia a necessidade de proteger toda a cadeia de autorização de operações”, desde os equipamentos dos trabalhadores com acessos privilegiados até aos serviços que validam e executam as suas instruções. “O ataque à Binance terá permitido desviar entre 6,3 e 6,36 mil milhões de dólares em criptoativos através de dez redes blockchain. Segundo a TRM Labs, a maioria dos fundos foi transferida em cerca de 20 minutos”, revela a tecnológica norte-americana.
Quais os maiores ciberataques a plataformas de criptomoedas?
- Fevereiro de 2025 – A bolsa de criptomoedas Bybit, corretora de criptomoedas, registou 1,5 mil milhões de dólares (cerca de 1,3 mil milhões de euros à cotação atual) em tokens digitais furtados. As criptomoedas foram retiradas de uma “carteira fria” (wallet geralmente armazenada offline e, portanto, supostamente mais segura) que era utilizada para tokens Ether.
- Março de 2022 – A rede Ronin Network, que permite a transferência de criptomoedas entre diferentes blockchains, sofreu um furto de aproximadamente 540 milhões de dólares (na ordem dos 482 milhões de euros) de um projeto blockchain ligado ao jogo online Axie Infinity. Os hackers roubaram cerca de 173.600 tokens Ether e 25,5 milhões de tokens USD Coin (USDC).
- Fevereiro de 2022 – A Wormhole, uma plataforma de finanças descentralizadas que movimenta ativos, dados e aplicações através de mais de 45 blockchains, teve um assalto de 320 milhões de dólares (286 milhões de euros) em que os hackers roubaram 120 mil tokens digitais ligados à segunda maior criptomoeda do mundo, a Ether. A norte-americana Jump Trading, que no ano anterior havia comprado a empresa por detrás da Wormhole, depois repôs os fundos.
- Agosto de 2021 – A rede Poly Network, que agiliza transações de tokens, sofreu um ataque a 610 milhões de dólares (545 milhões de euros), embora os cibercriminosos depois tivessem devolvido quase todos os fundos.
- Janeiro de 2018 – A corretora Coincheck, com sede em Tóquio, sofreu um assalto a uma das “carteiras quentes” (carteira armazenada online) com o objetivo de drenar os fundos, culminando em 530 milhões de dólares (473 milhões de euros) impactados. À data, a Coreia do Sul culpou um grupo de hackers norte-coreanos.
- 2011-2014 – Também de Tóquio, a bolsa de criptomoedas Mt. Gox foi alvo de um dos primeiros e mais mediáticos ataques informáticos neste mundo das moedas digitais. Ao longo de três anos, foram furtadas bitcoins no valor de quase 500 milhões de dólares (447 milhões de euros). A Mt. Gox, que chegou a processar cerca de 80% das transações globais de bitcoin, declarou insolvência no início de 2014, após o ciberataque no qual aproximadamente 24 mil clientes perderam acesso ao seu dinheiro.














