16h. Cargas policiais: MAI assume responsabilidade política



O excedente orçamental do Estado reduziu-se para 5.064,4 milhões de euros até setembro, o que se traduz numa diminuição de 1.238,5 milhões de euros face ao mesmo período do ano anterior, de acordo com os dados divulgados esta sexta-feira pela Entidade Orçamental. Uma evolução que resulta de um aumento da despesa (12%), influenciada pelos efeitos dos pagamentos do SNS, superior ao da receita (9,8%).
Até setembro, a despesa consolidada das Administrações Públicas registou um incremento de 12% face ao período homólogo. Entre as principais rubricas, assinala-se um aumento de 59,8% da despesa de investimento, excluindo os encargos com as Parcerias Público-Privadas (PPP), associado à execução do PRR.
A pressionar a despesa esteve ainda um crescimento de 5,6% das despesas com pessoal, impulsionado, principalmente, pelas medidas de valorização remuneratória, e uma subida de 8,4% das transferências, resultado sobretudo de maiores transferências no âmbito dos financiamentos do PRR destinados à Inovação Empresarial.

Paralelamente, a despesa com a aquisição de bens e serviços aumentou 22,1%, refletindo em larga medida o efeito da regularização de pagamentos de dívidas do SNS, bem como pelo efeito dos pagamentos de encargos relativos a anos anteriores aos beneficiários da ADSE. Ademais, a despesa com subsídios cresceu 12,7%, associada particularmente aos apoios das tempestades do início do ano.
Por outro lado, destaca-se que o crescimento de 9,8% da receita consolidada das Administrações Públicas, refletindo o “desempenho de todas as componentes da receita, com destaque para a receita não fiscal e não contributiva e para a receita fiscal”.
A receita fiscal do Estado subiu 6,5% até setembro, face ao período homólogo, atingindo 51.161,9 milhões de euros. Um montante que significa que já entraram nos cofres públicos 76,3% da receita fiscal prevista pelo Governo para a globalidade do ano.
Este crescimento foi impulsionado sobretudo pelo IRS e pelo IVA, com contributos positivos de 4,0 e 3,7 pontos percentuais, respetivamente, parcialmente compensados pela evolução negativa do IRC (-1,0 pontos percentuais) e do ISP (-0,3 pontos percentuais).
Nos impostos diretos, a receita arrecada com o IRS aumentou 13,5%, apesar da subida dos reembolsos e restituições pagos. “Para esta evolução contribuiu o crescimento das retenções na fonte que foi influenciado por um efeito de base decorrente da aplicação das tabelas de retenção na fonte em 2025, com impacto na receita de setembro desse ano, que não se repetiu no período homólogo de 2026”, detalha a Entidade Orçamental.
Em sentido contrário, o Estado arrecadou menos 6,2% em receita de IRC face ao período homólogo, refletindo, nomeadamente, a redução dos pagamentos por autoliquidação (-9,8%) e o aumento dos reembolsos e restituições pagos (8,5%).
Nos impostos indiretos, a receita em sede de IVA cresceu 9,4%, enquanto, em sentido contrário, a receita líquida de ISP registou
uma diminuição de 5,6%.
Paralelamente, a contribuir para o crescimento da receita estive o aumento de 6,7% das contribuições para sistemas de proteção social, essencialmente por efeito da evolução das contribuições para a Segurança Social (7,3%), enquanto a receita não fiscal e não contributiva apresentou um acréscimo de 26,4%.
Os dados divulgados esta sexta-feira pela Entidade Orçamental são na ótica de caixa (contabilidade pública), diferente da ótica de compromissos (contabilidade nacional) apurada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e utilizada nas comparações internacionais.
(Notícia em atualização)

Portugal voltou a captar investimento direto estrangeiro no primeiro semestre de 2026, após ter registado uma saída líquida de capitais um ano antes. Mas a recuperação não chegou para acompanhar o peso que o país tinha no investimento recebido pela União Europeia.
Segundo o relatório “FDI in Figures”, publicado esta sexta-feira pela OCDE, as entradas líquidas de investimento estrangeiro na economia portuguesa atingiram 7.718 milhões de dólares entre janeiro e junho, contra um saldo negativo de 300 milhões no mesmo período de 2025.
Esta subida coloca Portugal entre as economias que recuperaram a captação de capital externo em 2026, embora o montante tenha ficado 44,3% abaixo dos 13.862 milhões recebidos no segundo semestre do ano passado – os valores são preliminares e excluem as entidades com finalidade especial, veículos usados pelos grupos empresariais para canalizar operações financeiras.
Por cada 100 dólares recebidos pelos Estados-membros no primeiro semestre de 2026, 2,6 dólares tiveram como destino a economia portuguesa, contra 11,2 dólares nos seis meses anteriores.
A dinâmica de Portugal em captar capital estrangeiro também fica aquém da média dos países da OCDE e da União Europeia. Segundo os dados do relatório, o investimento estrangeiro recebido pelos países da OCDE passou de 278,9 mil milhões para 684,4 mil milhões de dólares, um aumento de 145,4%, enquanto na União Europeia avançou de 59,7 mil milhões para 296,8 mil milhões, quase cinco vezes mais.
Estes dois movimentos contribuíram para que Portugal perdesse peso na captação de investimento direto estrangeiro na União Europeia: por cada 100 dólares recebidos pelos Estados-membros no primeiro semestre de 2026, 2,60 dólares tiveram como destino a economia portuguesa, contra 11,20 dólares nos seis meses anteriores. A quota nacional caiu, assim, 8,6 pontos percentuais, para menos de um quarto da registada no segundo semestre de 2025.
Apesar desta perda de peso no contexto europeu, Portugal recuperou num período em que algumas das maiores economias europeias receberam menos investimento do que um ano antes. É o caso de Espanha, que captou 9.505 milhões de dólares, menos 28,4% em termos homólogos; da Alemanha, que recebeu 31.956 milhões, menos 20,5%; e de França, que atraiu 17.920 milhões, menos 39,8% em termos homólogos.
O montante português ficou próximo dos 7.985 milhões recebidos pela Grécia e dos 8.511 milhões da Suécia, mas abaixo dos 15.915 milhões da Polónia.
A comparação exige, contudo, cautela, dado que a OCDE explica que algumas economias europeias apresentam “grandes flutuações do investimento direto estrangeiro”, associadas a operações de capital e empréstimos entre empresas de grupos multinacionais. Nos Países Baixos, por exemplo, o saldo passou de uma saída de 51.758 milhões no primeiro semestre de 2025 para entradas de 48.033 milhões em 2026, contribuindo para a recuperação europeia.
Os dados da OCDE revelam também um recuou de 86,9% do investimento das empresas portuguesas no estrangeiro em termos homólogos, com esse investimento a passar de 2.820 milhões de dólares no primeiro semestre de 2025 para 369 milhões no mesmo período de 2026.

O Governo alerta que o Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) tem uma margem inferior a 300 milhões de euros para acomodar eventuais desvios e pede “responsabilidade” aos partidos na apresentação de propostas de alteração na especialidade. O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, apelou ainda à “maturidade” do PS, instando os socialistas a manterem a palavra dada ao Executivo para viabilizar o documento. De recordar que o Orçamento do Estado passou na generalidade graças à abstenção do partido de José Luís Carneiro. Falta agora a votação final global, que está marcada para 24 de novembro. E também aqui será decisivo o sentido de voto dos socialistas, já que o Chega deverá manter o voto contra.
“É preciso responsabilidade”, afirmou António Leitão Amaro, esta quinta-feira, durante o briefing do Conselho de Ministros, sublinhando que, apesar de ser natural que os partidos apresentem propostas diferentes das inscritas no orçamento, estas têm de respeitar os limites impostos pelo equilíbrio das contas públicas.
“Há uma margem, uma folga, para se entrar agora em terreno negativo, de menos de 300 milhões de euros”, alertou, considerando que essa disponibilidade é “marginal” face às necessidades que podem surgir ao longo do próximo ano.
Para ilustrar a reduzida folga orçamental, o governante recordou as tempestades que atingiram o país no início deste ano, cujos custos foram “muito superiores a 300 milhões de euros”. Por isso, defendeu que esta margem deve ser preservada, sobretudo para responder a acontecimentos imprevistos.
“Todas as propostas que forem apresentadas têm que ser propostas para respeitar a tal margem estreita”, vincou o ministro, estabelecendo uma condição para as alterações que aumentem a despesa: os partidos terão de identificar que despesa pretendem cortar para financiar a medida.
O mesmo princípio deve aplicar-se às propostas que reduzam a receita fiscal. Nesses casos, os partidos devem explicar como compensam a perda de receita, seja através de outros impostos, seja através de cortes na despesa pública.
O objetivo, sustentou, é impedir que decisões tomadas no presente comprometam a sustentabilidade das contas públicas e obriguem o país a enfrentar novos sacrifícios no futuro. “Não vamos querer criar agora, e não vamos contribuir nem aceitar a austeridade do futuro”, avisou.
Questionado sobre o papel dos socialistas na fase de especialidade, o ministro da Presidência apelou à “maturidade” do PS e à manutenção dos compromissos assumidos com o Governo para permitir a aprovação do OE2027. “Tinha quatro compromissos, que eram os compromissos que queria ver cumpridos para que pudesse viabilizar o orçamento. Mantenha a sua palavra”, afirmou, dirigindo-se ao partido liderado por José Luís Carneiro.
O PS absteve-se na votação na generalidade, garantindo a aprovação da proposta do Governo, depois de o primeiro-ministro, Luís Montenegro, ter dado garantias relativamente às quatro condições colocadas pelos socialistas. Na fase de especialidade, o partido pretende apresentar alterações ao documento, designadamente para responder à crise da habitação e ao aumento do custo de vida.
Leitão Amaro reconheceu que o Parlamento tem margem para introduzir mudanças, mas defendeu que essa possibilidade não pode servir de pretexto para comprometer o equilíbrio orçamental. “Há uma margem do Parlamento. Eu quero acreditar” que os partidos saberão atuar com responsabilidade, afirmou.
O governante deixou também um aviso sobre as consequências de eventuais propostas que agravem o saldo orçamental. Se os partidos aprovarem medidas que criem défices ou coloquem em causa o equilíbrio das contas públicas, advertiu, os custos acabarão por recair sobre os contribuintes. “A irresponsabilidade pode-se pagar de várias maneiras. Desde logo, com sacrifícios no futuro, com mais impostos no futuro, com mais dívida a pagar no futuro”, afirmou, acrescentando que o endividamento se torna cada vez mais caro. “Quem pagará mesmo no seu bolso são os portugueses. E é isso que nós não queremos”, salientou.
O apelo do ministro surge numa altura em que o OE2027 entra na fase de apreciação na especialidade, durante a qual os partidos poderão apresentar propostas de alteração ao documento. O prazo para a entrega dessas propostas termina a 6 de novembro, estando a votação final global prevista para 24 de novembro.
Para o Governo, o desafio passa por permitir alterações ao orçamento sem comprometer a trajetória das contas públicas. “Esperamos que, dentro da normalidade que é discutir alterações, fazer alterações, e dentro da responsabilidade da margem estreita, se mantenha o tal compromisso de não criar ao país problemas”, concluiu.


O Tribunal de Contas identificou falta de informação detalhada sobre a finalidade de “526 milhões de euros em subsídios” atribuídos pelo Estado a entidades fora da Administração Pública em 2025. A insuficiência foi detetada na análise de uma amostra de entidades concedentes e evidencia limitações no reporte sobre a utilização destes apoios públicos.
“Não são questões de legalidade. Como disse, não fomos auditar a concessão destes benefícios. É simplesmente a necessidade de esta informação estar completa nos sistemas centrais do Ministério das Finanças”, esclareceu a juíza conselheira do Tribunal de Contas, Ana Furtado, durante uma audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP), no âmbito da apreciação na especialidade do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).
Em 2025, o Estado concedeu cerca de 5.401 milhões de euros em subsídios a entidades exteriores à Administração Pública. No parecer sobre a Conta Geral do Estado, o Tribunal de Contas decidiu aprofundar a análise desta despesa, uma vez que a informação disponibilizada pelo Ministério das Finanças não discrimina de forma completa as finalidades dos apoios.
Segundo Ana Furtado, o reporte centralizado do Ministério das Finanças não apresentava informação detalhada sobre as finalidades de cerca de 20% dos subsídios atribuídos, num total de 956 milhões de euros.
Para perceber se essa informação existia nas próprias entidades concedentes, o Tribunal de Contas analisou uma amostra que abrangia cerca de 90% do valor total dos benefícios concedidos. Nesse exercício, encontrou informação explícita sobre as finalidades de 430 milhões de euros, mas não conseguiu identificar o mesmo detalhe para outros 526 milhões.
A juíza conselheira sublinhou que a falta de informação se verificava também nas próprias entidades analisadas, não sendo, por isso, uma insuficiência limitada ao reporte central do Ministério das Finanças.
Dentro dos 526 milhões de euros cuja finalidade não foi explicitamente identificada, 148 milhões estavam classificados numa rubrica genérica de ‘outras finalidades’, sem uma discriminação mais precisa dos objetivos dos subsídios.
Os restantes 378 milhões de euros não foram abrangidos pela amostra de entidades analisadas e ficaram, por isso, sem especificação na análise do Tribunal de Contas. No sistema central do Ministério das Finanças, estes montantes também integravam o universo de 956 milhões de euros sem detalhe sobre as finalidades dos apoios.
Ana Furtado considerou que esta área merece um escrutínio reforçado, reconhecendo, contudo, as limitações da capacidade de auditoria da instituição. “Tomara nós termos capacidade para auditar com maior rigor e com as abordagens corretas esta área”, afirmou.
O Tribunal de Contas pretende, assim, chamar a atenção para a necessidade de melhorar a informação sobre os subsídios concedidos pelo Estado, permitindo conhecer de forma mais completa as finalidades dos apoios e reforçar a transparência na gestão dos recursos públicos.
A responsável ressalvou que o trabalho apresentado não incidiu sobre a legalidade da atribuição dos subsídios. O problema identificado prende-se com a falta de informação detalhada nos sistemas de reporte, que, na perspetiva do Tribunal, deverá ser corrigida pelo Ministério das Finanças.

A presidente do Tribunal de Contas considera que a redução da fiscalização prévia da despesa pública não se traduziu numa resposta mais rápida às necessidades urgentes da população. “Parece-me que não é, de facto, a fiscalização prévia que atrasa essa satisfação”, afirmou Filipa Urbano Calvão, durante uma audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP), no âmbito da apreciação na especialidade do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).
A responsável reconheceu que, em situações excecionais, como as catástrofes, é compreensível que sejam adotadas medidas para agilizar a resposta do Estado. Contudo, ressalvou que, tendo em conta o que aconteceu nos meses mais recentes e no último ano, não parece haver evidência de que a eliminação do controlo prévio tenha permitido responder mais depressa às necessidades das populações.“Parece que o facto de ter eliminado a fiscalização prévia não trouxe significativas vantagens na satisfação das necessidades urgentes da população”, sublinhou.
A 21 de outubro, a Assembleia da República aprovou, em votação final global, a nova Lei de Organização e Processo do Tribunal de Contas (LOPTC), que altera o modelo de fiscalização da despesa pública, elevando para 7,5 milhões de euros o limiar a partir do qual os contratos públicos ficam sujeitos a visto prévio.
Filipa Urbano Calvão alertou para as consequências da redução progressiva deste mecanismo de fiscalização, que tradicionalmente desempenha um papel importante na prevenção de ilegalidades. “Com menos contratos sujeitos a controlo prévio, será necessário reforçar os mecanismos de controlo interno das entidades públicas” e o acompanhamento realizado pelo próprio Tribunal de Contas, afirmou.
A responsável defendeu, por isso, que a redução desta fiscalização terá de ser compensada através de outras formas de controlo, que permitam não só prevenir ilegalidades, mas também identificar ineficiências na gestão dos recursos públicos.
Neste contexto, destacou a necessidade de reforçar os meios humanos do Tribunal de Contas, tendo em conta o aumento das exigências associadas à fiscalização concomitante, que permite acompanhar a execução da despesa pública. A responsável considerou que a diminuição significativa do controlo prévio, que descreveu como estando “quase acabando”, implicará mais recursos para assegurar este acompanhamento.
Quanto à dotação orçamental da instituição para 2027, Filipa Urbano Calvão reconheceu que houve um reforço no Orçamento do Estado para 2025, que permitiu cobrir, no essencial, a maior parte das despesas associadas aos atuais recursos humanos. Ainda assim, considera necessário aumentar a capacidade da instituição.
A presidente identificou necessidades adicionais ao nível do recrutamento e da formação dos trabalhadores, em particular no domínio das novas tecnologias, uma área em que o Tribunal de Contas está a reforçar a sua aposta.
Apesar de reconhecer que a proposta de OE2027 prevê um ligeiro aumento do orçamento da instituição, admitiu que poderá não ser suficiente para dar resposta às necessidades identificadas. “Temos aqui um problema de necessidade de reforço da nossa equipa, dos nossos recursos, quer do ponto de vista de recursos humanos, propriamente dito, quer da sua capacitação, sobretudo no que diz respeito à utilização de novas tecnologias”, afirmou.
Filipa Urbano Calvão acrescentou que a necessidade de mais meios resulta também da maior intervenção exigida ao Tribunal de Contas num modelo em que a fiscalização concomitante assume um papel reforçado. “Relembro que o facto de se reduzir significativamente, quase acabando com a fiscalização prévia, vai implicar uma necessidade de mais recursos humanos para a fiscalização concomitante”, concluiu.

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Segundo um inquérito da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) à população portuguesa sobre a poupança para a reforma, divulgado esta semana, 34% dos titulares de PPR não…
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O crescimento da economia portuguesa deverá ter desacelerado no terceiro trimestre de acordo com as estimativas do Banco de Portugal (BdP), BPI, BCP, CIP/ISEG e Conselho das Finanças Públicas, que antecipam que entre julho e setembro a economia nacional tenha crescido em cadeia entre 0,1% e 0,3%. O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulga esta sexta-feira a estimativa rápida do PIB do terceiro trimestre, com a estimativa do Governo de que a economia vai crescer 2,3% este ano.
Na primeira metade do ano, a economia portuguesa cresceu mais do que o esperado, com uma forte recuperação no segundo trimestre do ano -- o PIB cresceu 0,8% em cadeia no segundo…
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Depois de um primeiro dia de debate que acabou por ficar marcado pelo tema da crise na habitação e do custo de vida, inclusive com uma manifestação em frente à Assembleia da República, os deputados continuam esta manhã a debater a proposta de Orçamento do Estado para 2027.
A discussão parlamentar, dividida por dois dias e com uma duração total prevista de mais de dez horas, termina esta quarta-feira com a votação do documento na generalidade, já com a aprovação garantida pela abstenção do PS.

No ano passado, os contratos adicionais de obras públicas representaram um agravamento de custos de 204,4 milhões de euros, o valor mais elevado registado pelo Tribunal de Contas (TdC) desde 2006. Segundo um relatório do tribunal, entre 2023 e 2025 as alterações comunicadas em empreitadas resultaram num total de 561,6 milhões de euro. O aumento equivale a 9,79% do preço inicial dos contratos modificados.
“No triénio ora em apreço, apesar de o número de atos e contratos [adicionais] diminuir em cada um dos anos (cerca de 100 por ano), o montante financeiro global no ano de 2025 foi o maior registado desde 2006, apesar de o valor dos trabalhos suprimidos apresentar uma tendência crescente”, indica o TdC no relatório de fiscalização concomitante (acompanhamento paralelo à execução) entregue à Assembleia da República, citado pelo Público.
O tribunal analisou 3.015 contratos de empreitadas de obras públicas, no valor de 9,7 mil milhões de euros, celebrados por 412 entidades. Destes contratos, 1.197 foram objeto de alterações (com trabalhos adicionais ou suprimidos), que deram origem a 3.530 atos e contratos adicionais. Os trabalhos adicionais representam um valor de 675,8 milhões de euros e os suprimidos traduzem-se numa redução da despesa de 114,3 milhões de euros. Feitas as contas, a diferença entre estes dois valores é o desvio de 561,6 milhões de euros, conclui o tribunal.

© JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

© ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

O Conselho das Finanças Públicas (CFP) estima que Portugal incumpra as regras orçamentais de médio prazo, contradizendo o previsto pelo Governo na proposta do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027). Nas contas da instituição liderada por Nazaré da Costa Cabral, o desvio acumulado do crescimento da despesa líquida irá atingir 1,1% do PIB este ano e 2% no próximo, acima do máximo de 0,6% permitido.
“Considerando a margem de flexibilidade associada à cláusula de derrogação nacional aplicável ao aumento da despesa com defesa, o desvio acumulado na despesa líquida excede o limite máximo de 0,6% do PIB estabelecido no novo quadro de governação orçamental da União Europeia“, pode ler-se na análise da proposta do Orçamento do Estado para 2027 divulgada esta segunda-feira pelo CFP.
A análise conhecida na véspera do arranque do debate da proposta na generalidade, no Parlamento, prevê que a despesa líquida suba 7,6% em 2026 e 3,5% em 2027, uma evolução que se situa acima da trajetória acordada com a Comissão Europeia, refletindo desvios anuais de 0,9% do PIB em 2026 e 2027, excedendo o desvio anual máximo de 0,3% do PIB permitido na conta de controlo. Porém, esta projeção é antes da aplicação da flexibilidade orçamental com defesa.
Após a inclusão da despesa com defesa — um acréscimo equivalente a 0,1% do PIB em 2026 e nulo em 2027 –, com a aplicação da dita flexibilidade, o desvio acumulado na conta de controlo totaliza 1,1% do PIB em 2026 e 2% do PIB em 2027, acima do limiar máximo previsto.
As previsões do CFP são mais pessimistas do que as previstas pelo Governo no OE2027, que aponta para um desvio, após flexibilidade, de 0,5% do PIB, inferior ao máximo de 0,6% do PIB. “Este resultado beneficia da referida flexibilidade relacionada com um aumento cumulativo de despesa com defesa (na ótica das contas nacionais) de 0,4 p.p. do PIB face a 2021”, recorda o Conselho.
Contudo, o CFP alerta que a conclusão das projeções das Finanças em 2027 fica dependente da confirmação do aumento previsto da despesa com defesa, bem como de opções metodológicas do Ministério das Finanças “que aparentam divergir da metodologia” de Bruxelas.
As previsões do CFP são mais pessimistas do que o previsto pelo Governo no OE2027, que aponta para um desvio, após flexibilidade, de 0,5% do PIB, inferior ao máximo de 0,6% do PIB.
Para o CFP, o desvio cumulativo da despesa líquida aí apresentado só se situa abaixo do limiar, recorrendo a essas opções e a uma incoerência temporal na classificação de uma medida, apontando a “dependência do aumento da despesa com defesa”, um “montante invulgarmente elevado de cofinanciamento nacional de programas financiados pela UE em 2027”, o não ajustamento da quebra de série estatística, o combate à fraude no IVA no setor dos combustíveis e a “não consideração da atualização do limite do mínimo de existência no IRS”.
Com as alterações introduzidas há dois anos ao quadro europeu de governação económica, a ‘saúde’ das finanças públicas de um Estado começou a ser medida no médio prazo e com foco no comportamento da despesa líquida, ou seja, a despesa pública total deduzida de juros, medidas discricionárias na receita, despesas financiadas por fundos da União Europeia, despesas de cofinanciamento nacional, elementos cíclicos do desemprego e medidas temporárias. Deste modo, Bruxelas exclui fatores conjunturais da análise.
Deste modo, Portugal e a Comissão Europeia acordaram quais os limites para o crescimento da despesa líquida do país, assim como qual o valor de desvio permitido, com as regras a estabelecerem que não pode ultrapassar os 0,3% do PIB em termos anuais ou 0,6% em termos acumulados.
As discrepâncias do crescimento entre as diferentes instituições tem resultado sobretudo de diferentes formas de contabilização ou mesmo exclusão de medidas discricionários da receita, uma vez que normalmente o seu impacto orçamental não é diretamente observável em informação estatística, resultando de estimativas.
Ainda assim, as regras europeias estipulam duas salvaguardas, que poderão servir de atenuantes para Portugal. A primeira diz respeito à salvaguarda da dívida pública e, neste domínio, o país tem consolidado a sua redução do rácio, e a segundo relativamente à resiliência do saldo, que não pode ultrapassar os 3% do PIB. As contas públicas equilibradas dão neste domínio uma ‘ajuda’ à imagem de Portugal, com o défice do país a poder resvalar até cerca de 0,5% do PIB.


© MANUEL DE ALMEIDA/LUSA