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Banco do Japão mantém taxa de juro em 1,25%

O Banco do Japão (BoJ) decidiu hoje manter a taxa de juro de referência de curto prazo em 1,25%, o nível mais elevado em quase 31 anos no país asiático.

 

Na reunião de dois dias dedicada à política monetária, o BoJ optou por não alterar a taxa, depois de a ter aumentado de 1% para 1,25% em setembro, num contexto de insistência dos Estados Unidos para que o Japão demonstre aos mercados o seu compromisso com a sustentabilidade orçamental e com a subida das taxas de juro.

Por uma maioria de oito votos contra um, o banco central nipónico manteve as taxas inalteradas, considerando que a inflação subjacente se encontra, de forma geral, num nível compatível com o objetivo de estabilidade de preços de 2%.

Perante este cenário, o banco central reiterou que manterá a orientação de aumento gradual das taxas de juro e ajustará a política monetária em função da evolução da atividade económica, dos preços e das condições financeiras.

No entanto, no relatório de perspetivas económicas divulgado hoje, o BoJ alertou para o risco da inflação subjacente ultrapassar a meta de 2%, devido à crescente disponibilidade das empresas para aumentarem salários e preços, bem como a outros fatores suscetíveis de impulsionar a inflação.

Segundo dados divulgados na semana passada pelo Governo japonês, a inflação homóloga, excluindo os produtos alimentares frescos, aumentou para 2,1% em setembro, face aos 1,7% registados em agosto, situando-se ligeiramente acima do objetivo de 2% definido pelo banco central.

O BoJ considerou que a economia japonesa continuará a crescer moderadamente, embora a um ritmo mais lento, apoiada pelas medidas governamentais para responder ao aumento dos custos da energia provocado pelo conflito no Médio Oriente e pelo crescimento da procura mundial associada à inteligência artificial (IA).

Além disso, o banco central do país anunciou que irá acelerar a partir de janeiro de 2027 o ritmo de venda dos fundos negociados em bolsa, acumulados durante os programas de estímulo monetário como parte dos esforços para reduzir gradualmente a carteira destes ativos. A medida foi aprovada por unanimidade pelos membros da comissão de política monetária.

A decisão do BoJ surge depois de na quarta-feira a Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos ter optado igualmente por manter as taxas de juro inalteradas, no intervalo entre 3,75% e 4%. O Banco Central Europeu (BCE) também manteve esta quinta-feira as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de depósito, às operações principais de refinanciamento e à facilidade permanente de cedência de liquidez em, respetivamente, 2,5%, 2,65% e 2,9%.

Leia Também: Produção industrial do Japão sobe 2,2% em setembro

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PCP acusa Governo de agravar crise da saúde e da habitação com OE2027

O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, acusou hoje, no Porto, o Governo de agravar os problemas da saúde e da habitação com o Orçamento do Estado para 2027, que considerou "aprofundar" o desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

 

Numa ação nacional de defesa do SNS, em frente ao Hospital de São João, no Porto, Paulo Raimundo considerou que a proposta orçamental, já aprovada na generalidade, acentua "a política de desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde, a política de encerramento de urgências, a política de destruição de serviços e de transferência para os grupos privados".

O dirigente comunista disse que "a situação já é gravíssima" e apontou a falta de médicos, enfermeiros e técnicos, bem como "a insuficiência de respostas às necessidades da população, com rácios completamente fora da realidade".

Em declarações aos jornalistas, Paulo Raimundo disse que "o orçamento prevê um corte de 7% no investimento na saúde" e que "metade dos recursos disponíveis para o SNS se destina a transferências para o setor privado".

"Quem quiser optar pelo privado que opte, o privado pode ter e deve ter espaço (...) mas isso não pode ser às custas nem do Serviço Nacional de Saúde, nem dos médicos do Serviço Nacional de Saúde, nem dos enfermeiros", afirmou.

Sobre a habitação, o secretário-geral do PCP criticou a redução da verba destinada à habitação pública, considerando-a "uma coisa surreal, incompreensível, neste momento em que vivemos".

Paulo Raimundo afirmou que o seu partido vai insistir na proposta de afetação de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) à habitação pública, uma das medidas que pretende ver refletidas no Orçamento do Estado.

"É difícil reservar 1% do PIB para a habitação e, ao mesmo tempo, o orçamento continuar a consagrar dois mil milhões de euros para entregar àqueles estrangeiros endinheirados, os chamados residentes não habituais, que vêm cá comprar as ruas para fazer especulação imobiliária", afirmou.

O dirigente comunista criticou igualmente a proposta de alteração à lei do arrendamento, por considerar que não resolve os problemas do setor e beneficia quem lucra com a especulação imobiliária.

Em seu entender, "a contestação nas ruas tem contribuído para aumentar a pressão política sobre o Governo e denunciar os efeitos das medidas propostas, que "não vão resolver nenhum problema da habitação".

"A crise da habitação resulta, em particular, da insuficiência dos salários face à subida dos preços e das rendas e da especulação imobiliária", defendeu.

A proposta de lei das rendas "vem aumentar, vem dar mais condições àqueles que têm ganho com a especulação. E, portanto, isso não é para resolver o problema, é para acentuar o problema", afirmou, defendendo que existem condições para retirar a proposta da nova legislação.

Questionado sobre a atuação policial nos protestos pelo direito à habitação, Paulo Raimundo classificou a carga policial como "inqualificável" e reiterou que os problemas do setor não se resolvem com medidas favoráveis à especulação, nem com violência.

"Não permitiremos que se procurem pretextos para alterar aquilo que são direitos e liberdades e garantias do nosso povo, nomeadamente o direito à manifestação", afirmou.

O secretário-geral do PCP atribuiu ao Governo a responsabilidade pela tensão social, acusando-o de manter uma postura "arrogante e provocatória".

"Parece que o Governo está desejoso de procurar todos os pretextos para ter uma atitude ainda mais arrogante e mais provocatória. Essa postura pode servir para desviar as atenções da falta de respostas aos problemas do país", referiu.

Paulo Raimundo disse que o PCP votou contra a proposta de Orçamento do Estado na generalidade, porque o documento constitui "um instrumento de continuidade da política do Governo".

O dirigente comunista criticou também a posição do PS, que se absteve, considerando que essa decisão torna os socialistas "corresponsáveis pelas consequências do orçamento".

"O Orçamento do Estado é um instrumento de política. A estabilidade desta política significa a instabilidade permanente na vida de milhares e milhares de pessoas", afirmou.

Paulo Raimundo apontou, entre outros problemas, os baixos salários, a precariedade laboral e as dificuldades de acesso à saúde e à habitação, defendendo que "a manutenção da atual política não responde às necessidades da maioria da população".

"Se o orçamento é mau, se o orçamento não responde, se terá consequências negativas na vida das pessoas, só há uma coisa a fazer é votar contra ele", sustentou.

O secretário-geral do PCP rejeitou ainda que as sondagens ou os cálculos eleitorais condicionem a posição do partido, defendendo que a avaliação do documento deve centrar-se nas consequências das opções orçamentais para a população.

PCP diz que coesão

PCP diz que coesão "não é possível" e Seguro devia ter falado "mais cedo"

O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, afirmou hoje que a coesão social "não é possível" no cenário político atual e criticou a falta de resposta do Governo na área da habitação.

Lusa | 12:15 - 29/10/2026

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“Não acho que estas funções deem direito divino a ir para um lugar internacional”, diz Miranda Sarmento

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By: ECO

O ministro Adjunto e das Finanças afirma que o único futuro que assume “como certo”, depois de sair do Governo, é regressar ao ISEG como professor, até porque não considera que as funções que tem deem passagem direta para um cargo internacional.

“Aquilo que assumo como certo é que no dia em que isto terminar regresso ao meu lugar no ISEG. Também não acho que estas funções deem qualquer direito divino a ir para um lugar internacional ou para um alto cargo”, disse Joaquim Miranda Sarmento, em entrevista ao jornal Expresso (acesso pago), na qual garantiu que não é uma crítica aos antecessores.

Joaquim Miranda Sarmento refere que, pessoalmente, não tem “nenhum tema” com Mário Centeno. Questionado sobre se fica irritado com as críticas de Mário Centeno, foi perentório: “Tento não ficar. (…) Só com o Benfica”.

Desafiado a dizer qual o momento mais difícil no cargo de ministro das Finanças, nos últimos três anos, Joaquim Miranda Sarmento admitiu que foi a incerteza sobre a aprovação do Orçamento do Estado para 2025. Até ao final da legislatura, caso vá mesmo até 2029, o que considera “desejável”, o ministro reconhece que existem dois grandes desafios: manter as contas públicas equilibradas e “continuar a transformar Portugal e a desenvolver as reformas estruturais de que precisamos para aumentar a produtividade e a competitividade”.

O governante com a pasta das Finanças voltou a enaltecer o sentido de “responsabilidade” do PS ao abster-se e permitir a aprovação do Orçamento do Estado para 2027, mas recusou-se a comentar se mais valia ter um Bloco Central do que uma aliança com o Chega, porque diz que não é político, comentador nem analista. Sobre as recentes declarações do ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, referiu apenas que “este é um Governo reformista.”

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“Todos os dias é notória a força que a Administração Interna tem e que eu tenho”, diz Luís Neves


“Todos os dias é absolutamente notória a força que a Administração Interna tem e que eu tenho”. Foi desta forma que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, respondeu às críticas do Chega, na audição parlamentar do MAI na Comissão de Orçamento, FInanças e Administração Público sobre o Orçamento do Estado, em que garantiu estar a preparar uma nova equipa para a Secretaria-Geral do ministério, a escolher um novo diretor nacional da PSP e a conduzir uma “negociação muito séria e firme” com as forças de segurança.

A resposta surgiu depois do deputado do Chega, Pedro Pinto, ter acusado o governante de estar “a prazo” e de ter afastado o secretário-geral e o secretário-geral adjunto da Administração Interna. O deputado do Chega ironizou que Luís Neves poderia ser “o ministro da limpeza” e recordou declarações do antigo secretário-geral, segundo o qual atuava “no limite da legalidade”. “O que é que sabe para PS e PSD terem tanto medo de si?”, questionou.

Questionado sobre a alegada pressão do antigo secretário-geral do MAI para fazer obras em esquadras sem concurso público, Luís Neves respondeu sem rodeios: “isso é absolutamente falso”. Neves defendeu ainda que PS e PSD não têm “medo” do MAI: “conhecem o meu percurso de vida, a carreira e dedicação ao serviço público”.

O ministro da Administração Interna assumiu a responsabilidade política pelas operações policiais realizadas nas acampadas de Lisboa e do Porto, sublinhando, contudo, que cabe à PSP decidir autonomamente a forma de atuação no terreno.

No Parlamento, Luís Neves explicou que a Direção Nacional da PSP tem “total autonomia técnica, tática e operacional” para determinar os procedimentos a adotar, embora tenha mantido contacto permanente com a polícia durante as intervenções. “A responsabilidade política do Governo é absolutamente minha nesta temática e fui eu, com a minha equipa, que acompanhámos o trabalho da Polícia”, afirmou.

Neves reforçou ainda o investimento na PSP e na GNR, assegurando que o Governo vai cumprir, em 2027, o acordo alcançado com os sindicatos das forças de segurança. O ministro considerou que a valorização dos profissionais é indispensável para manter as polícias motivadas, proativas e capazes de antecipar riscos e prevenir a criminalidade. Anunciou igualmente a valorização das carreiras dos bombeiros.

Sobre o investimento nas forças de segurança, o governante disse ter ficado surpreendido com a situação que encontrou quando chegou ao Ministério. Apesar de ter sido anunciado, em 2022, um plano de investimento em infraestruturas e equipamentos, considerou que a execução só foi verdadeiramente acelerada em 2024, com a entrada em funções do Governo da AD. Para 2027, anunciou o início de “um novo ciclo de investimentos”.

Luís Neves destacou ainda os resultados do controlo de fronteiras nos aeroportos, numa altura em que o movimento no aeroporto de Lisboa cresceu 19%. Na área dos incêndios rurais, salientou a redução de 72% da área ardida, apesar das condições meteorológicas desfavoráveis e do aumento do número de ignições.

O ministro da Administração Interna garantiu igualmente que o acordo assinado em 2024 com os sindicatos da PSP e associações da GNR está a ser cumprido, afirmando que as negociações estão a decorrer e vão chegar “a bom porto”.

“Não há um incumprimento de nenhum acordo. No acordo de 2024, o que ficou plasmado é que iriam ser retomadas as negociações. Por isso, tudo o que tinha ficado fechado em 2024 foi cumprido. Repito, foi o maior aumento que alguma vez as forças de segurança tiveram”, disse Luís Neves .

Mais de mil polícias da PSP e guardas da GNR manifestaram-se na quinta-feira em Lisboa para exigirem melhores salários e revisão das carreiras e suplementos, criticando as estruturas sindicais e associativas a falta de apresentação de proposta por parte do Governo nas negociações e lamentam que o acordo não esteja a ser cumprido.

Gonçalo Matias, Miguel Pinto Luz, Luís Neves e Ana Paula Martins

A verba prevista para renovar instalações, viaturas, armamento e outros equipamentos da PSP e da GNR vai passar de 103 milhões de euros, em 2026, para 132,8 milhões no próximo ano. O aumento de 29% consta da proposta do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), entregue pelo Governo na Assembleia da República.

O Ministério da Administração Interna (MAI) prepara também um novo programa de investimento para o período entre 2027 e 2031. Segundo a proposta orçamental, o objetivo passa por melhorar a capacidade operacional da PSP e da GNR, modernizar as infraestruturas e proporcionar melhores condições de trabalho aos profissionais.

No conjunto, a despesa prevista para a segurança interna deverá crescer 9,3% em 2027, atingindo 3.164 milhões de euros. A maior parcela do orçamento continuará a destinar-se às despesas com pessoal das forças policiais.

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Sarmento: "Preocupa-me como vão reagir os mercados ao que se passa nos EUA e França"

Ministro das Finanças garante que Portugal está hoje "mais protegido" de choques externos, mas insiste que deve reduzir a dívida pública "de forma mais significativa". Pede "responsabilidade orçamental" aos partidos e na discussão do OE garante que não tem, "do ponto de vista pessoal, nenhum tema" com Centeno.

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Timor continua a gastar "muito mais" do que as suas receitas

As necessidades de financiamento do Orçamento Geral do Estado de Timor-Leste para 2027, no valor de 2.569 milhões de dólares (2,18 mil milhões de euros), são superiores a 60% do PIB não petrolífero, segundo o Governo.

 

"Timor-Leste continua a gastar muito mais do que as suas receitas fiscais e não fiscais, o que reflete grandes necessidades de desenvolvimento e uma base de receitas reduzida", explica o Executivo no relatório da proposta de lei do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2027.

Ou seja, o total das despesas vai estar acima das receitas domésticas e do Rendimento Sustentável Estimado, que é o dinheiro que pode ser retirado do Fundo Petrolífero todos os anos.

Segundo o Governo, o OGE para 2027, sob o lema "Reforçar a Resiliência através da Transformação: Diversificar a Economia para um Futuro Sustentável", será financiado com receitas domésticas, que em 2027, devem aumentar para 298,6 milhões de dólares (267,3 milhões de euros), e pelo rendimento sustentado do Fundo Petrolífero.

O rendimento sustentado estimável do Fundo Petrolífero será de 540,5 milhões de dólares (483,8 milhões de euros).

"A necessidade de financiamento remanescente de 1.666,6 milhões de dólares [1,49 mil milhões de euros], equivalente a aproximadamente 61% do Produto Interno Bruto não petrolífero" será financiada pelo Fundo Petrolífero, pelos saldos de caixa do Tesouro, empréstimos e apoio orçamental dos parceiros internacionais.

Ao Fundo Petrolífero, segundo os dados disponíveis no documento do OGE para 2027, o Governo pretende ir buscar 1.350,4 milhões de dólares (1,21 mil milhões de euros), um levantamento três vezes superior ao Rendimento Sustentável Estimado.

O Fundo Petrolífero de Timor-Leste tinha em junho 18,43 mil milhões de dólares (cerca de 16,50 mil milhões de euros), mas, segundo as perspetivas de sustentabilidade orçamental, pode esgotar-se em 12 anos, até 2039.

No OGE 2027, o Governo defende uma maior mobilização de receitas domésticas, uma gestão disciplinada das despesas, um investimento público com melhor qualidade e um crescimento sustentado do setor privado para diminuir a dependência do Fundo Petrolífero.

"Se o Fundo Petrolífero se esgotar antes de serem descobertas e extraídas novas receitas petrolíferas, poderá haver consequências significativas para a economia em geral", salienta o documento. Ou seja, o Governo deixa de ter capacidade para pagar salários, prestações da segurança social aos idosos, pagamentos aos veteranos e reembolsar empréstimos.

O Governo timorense submeteu em 01 de outubro ao parlamento a proposta do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2027, num montante global consolidado de 2.568 milhões de dólares (cerca de 2,18 mil milhões de euros).

O OGE para 2027 pretende dar continuidade às prioridades definidas no programa do Governo.

A proposta combina a continuidade dos serviços públicos essenciais com investimentos e reformas destinados a reforçar a capacidade produtiva, criar emprego, melhorar as condições de vida da população e reduzir a vulnerabilidade da economia a choques externos.

O debate do OGE na generalidade vai decorrer entre 09 de novembro e 11 de novembro e na especialidade entre 24 de novembro e 04 e dezembro.

Leia Também: Austrália lança parceria para desenvolvimento do setor privado em Timor

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Banco do Japão decide manter taxa de juro em 1,25%

Japão

O Banco do Japão (BoJ) decidiu hoje manter a taxa de juro de referência de curto prazo em 1,25%, o nível mais elevado em quase 31 anos no país asiático.

Na reunião de dois dias dedicada à política monetária, o BoJ optou por não alterar a taxa, depois de a ter aumentado de 1% para 1,25% em setembro, num contexto de insistência dos Estados Unidos para que o Japão demonstre aos mercados o seu compromisso com a sustentabilidade orçamental e com a subida das taxas de juro.

Por uma maioria de oito votos contra um, o banco central nipónico manteve as taxas inalteradas, considerando que a inflação subjacente se encontra, de forma geral, num nível compatível com o objetivo de estabilidade de preços de 2%.

Perante este cenário, o banco central reiterou que manterá a orientação de aumento gradual das taxas de juro e ajustará a política monetária em função da evolução da atividade económica, dos preços e das condições financeiras.

No entanto, no relatório de perspetivas económicas divulgado hoje, o BoJ alertou para o risco da inflação subjacente ultrapassar a meta de 2%, devido à crescente disponibilidade das empresas para aumentarem salários e preços, bem como a outros fatores suscetíveis de impulsionar a inflação.

Segundo dados divulgados na semana passada pelo Governo japonês, a inflação homóloga, excluindo os produtos alimentares frescos, aumentou para 2,1% em setembro, face aos 1,7% registados em agosto, situando-se ligeiramente acima do objetivo de 2% definido pelo banco central.

O BoJ considerou que a economia japonesa continuará a crescer moderadamente, embora a um ritmo mais lento, apoiada pelas medidas governamentais para responder ao aumento dos custos da energia provocado pelo conflito no Médio Oriente e pelo crescimento da procura mundial associada à inteligência artificial (IA).

Além disso, o banco central do país anunciou que irá acelerar a partir de janeiro de 2027 o ritmo de venda dos fundos negociados em bolsa, acumulados durante os programas de estímulo monetário como parte dos esforços para reduzir gradualmente a carteira destes ativos. A medida foi aprovada por unanimidade pelos membros da comissão de política monetária.

A decisão do BoJ surge depois de na quarta-feira a Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos ter optado igualmente por manter as taxas de juro inalteradas, no intervalo entre 3,75% e 4%. O Banco Central Europeu (BCE) também manteve esta quinta-feira as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de depósito, às operações principais de refinanciamento e à facilidade permanente de cedência de liquidez em, respetivamente, 2,5%, 2,65% e 2,9%.

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PS e Chega insistem em menos IVA nos combustíveis e alimentos

A redução dos impostos sobre os combustíveis e o regresso do IVA zero para bens alimentares essenciais prometem ser dois dos principais cavalos de batalha da oposição na especialidade. Tanto Chega como PS querem forçar estas alterações no Orçamento do Estado para 2027.

Haver vontades semelhantes não significa, porém, que haja sempre coligações negativas, apesar de no passado ter havido convergência pontual (para eliminar portagens nas antigas SCUT ou congelar propinas). As duas propostas do Chega para o IVA dos combustíveis e do cabaz alimentar foram, aliás, chumbadas no Parlamento a 24 de setembro, antes da entrega do OE2027, com votos contra do PS.

No caso dos combustíveis, Ventura desafiou José Luís Carneiro durante o debate na generalidade, esta quarta-feira, para que cheguem a um entendimento: “O PS dizia que não o podia fazer porque havia a norma-travão, que impedia o aumento das despesas orçamentais [no ano abrangido pelo Orçamento em curso]. Durante a especialidade não há norma-travão, portanto, podemos agora fazer a redução do IVA dos combustíveis”, afirmou.

Está em causa a redução do IVA de 23% para 13%, aplicado à gasolina, ao gasóleo e a outros combustíveis líquidos destinados ao uso rodoviário. O projeto de lei, que previa que a medida vigorasse durante 12 meses, com possibilidade de renovação, tinha um custo de 1.200 milhões, segundo o Governo. O diploma do cabaz alimentar, estimou ainda o Executivo, implicaria outros 800 milhões.

Ventura vai agora insistir com as duas propostas, confirmou fonte do grupo parlamentar do Chega ao Jornal Económico.
Da mesma forma, fonte do grupo parlamentar do PS disse aoJE que o partido vai “insistir com as medidas” que tinham sido chumbadas, mas sempre “assegurando o equilíbrio orçamental” — uma nuance introduzida pelo partido na semana passada (ver caixa). Acrescentou ainda que o PS vai querer “suspender as comissões bancárias por reembolso antecipado do crédito à habitação”.

Apesar de José Luís Carneiro ter garantido no plenário que vai resgatar as propostas chumbadas ao longo do ano “sobre os combustíveis, os bens alimentares e os setores mais expostos a esta crise”, não é ainda claro se as propostas ficarão intactas ou se haverá ajustamentos para evitar novos chumbos e poder cumprir a garantia que deu ao Governo de que não vai pôr em causa o excedente orçamental.

O PS defendeu em setembro um alívio fiscal nos combustíveis equivalente à redução em 10 pontos percentuais na taxa de IVA, mas concretizado através do ISP(Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos). A medida, que teria apenas um horizonte trimestral e avaliação mensal, estava incluída num pacote mais abrangente, estimado em 132 milhões de euros por mês. Também o regresso do IVA zero seria feito durante três meses renováveis, com monitorização de preços e margens.
As propostas do PS e do Chega fizeram parte de um conjunto mais alargado de projetos de lei e de resolução (14 no total) que vários partidos da oposição apresentaram para mitigar o aumento do custo de vida, mas ficaram todos pelo caminho.

A promessa de Ventura
Outra potencial coligação negativa ficou à vista no encerramento do debate na generalidade. José Luís Carneiro acusou o Governo de fazer aumentos de impostos “à calada”, porque “foram mudadas cinco vezes as portarias que aumentaram a carga dos impostos sobre os combustíveis dos portugueses”. Deixou, por isso, a garantia de que o PS avançará na especialidade com “uma norma que levará a um princípio político fundamental: não haverá aumento de receita fiscal à custa dos sacrifícios dos portugueses”, afirmou.

Ventura reagiu, dizendo esperar que Carneiro “tenha uma norma mesmo inteligente”, porque o Governo espera arrecadar “mais 4 mil milhões de euros no próximo ano” em impostos.E, se esse for o caso, garantiu que vai viabilizar a proposta.

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Governo fala em ano "extremamente exigente" na execução de fundos

O secretário de Estado do Planeamento e do Desenvolvimento Regional afirmou hoje, no parlamento que este é um ano "extremamente exigente" no que se refere à execução de fundos europeus, acrescentando que Portugal demonstra capacidade de resposta.

 

"Nós vivemos um ano extremamente exigente na execução dos fundos. O nosso país demonstrou capacidade de resposta a tudo o que é financiamento de obra, tendo em conta que parece haver falta de mão-de-obra e até de empresas de construção civil", afirmou o secretário de Estado do Planeamento e do Desenvolvimento Regional, Hélder Reis, em resposta aos deputados, na Assembleia da República.

O governante, que falava numa audição parlamentar no âmbito da apreciação do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), precisou que estão a ser registadas dificuldades no cumprimento da regra n+3, sobretudo nas regiões Centro e Algarve.

A regra n+3, também conhecida como guilhotina, determina que os montantes programados num determinado ano devem ser justificados a Bruxelas nos três anos seguintes. Caso tal não aconteça, poderá estar em causa a perda de fundos europeus.

Questionado sobre a ausência de medidas, em sede do OE2027, para acelerar a execução de fundos europeus, Hélder Reis assegurou que estas já foram tomadas e traduzidas em diplomas legais, não tendo, por isso, que estar presentes no orçamento.

Nesta audição, o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, já tinha admitido que o cumprimento da norma n+3 está a ser mais exigente no programa Portugal 2030, uma vez que este começou com mais de um ano de atraso face aos programas anteriores.

Nesta questão pesou também a execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), "que ocupou muito do tempo, recursos, investimento e capacidade de realização".

Castro Almeida disse ainda que está a ser feito um "esforço enorme" para resolver os atrasos na apreciação de candidaturas, exemplificado que na área dos sistemas de incentivos já estão a ser cumpridos os prazos.

Contudo, no que se refere aos pagamentos, sujeitos a um prazo de liquidação de 30 dias, o mesmo não se verifica, reconheceu.

A audição do ministro da Economia e da Coesão Territorial começou na quinta-feira e irá terminar já na madrugada de hoje.

"Não estamos em estado de calamidade. É apenas o normal funcionamento da Assembleia da República em período orçamental", avisou Castro Almeida logo no início da sessão.

A votação final global do OE2027 está marcada para 24 de novembro, após o processo de debate na especialidade.

Leia Também: OE2027: Decisão da Galp "é soberana" e Governo cumpriu o seu papel

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Habitação? Governo admite "espaço" para mais medidas e anuncia novidade

O ministro da Economia afirmou na quinta-feira que o Governo ainda tem espaço para tomar medidas adicionais na habitação, anunciando a criação de uma linha de crédito para que os municípios possam urbanizar solos para construção de casas.

 

"O problema da habitação é um problema seríssimo. É evidente que demora muito tempo a resolver. Ele acumulou-se durante anos e precisa de anos para poder ser resolvido", afirmou Manuel Castro Almeida, numa audição no âmbito da discussão na especialidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).

"O Governo tomou já variadas medidas de diversas naturezas e eu acho que há ainda um espaço para poder tomar medidas adicionais para acelerar a oferta de casas, que é a única forma de fazer baixar os preços, quer para a aquisição, quer do arrendamento", acrescentou.

Segundo Castro Almeida, os municípios "podem contar com o apoio do Estado" para construírem habitações, sendo o apoio "tanto maior quanto mais rapidamente avançarem".

Ministro reconhece

Ministro reconhece "enorme atraso" no rendimento dos portugueses

O ministro da Economia reconheceu hoje, em Lisboa, que existe um "enorme atraso" no rendimento dos portugueses, defendendo que não existe razão para que o país se contente com menos do que a média europeia.

Lusa | 22:06 - 29/10/2026

"Estamos a negociar com o Banco Europeu de Investimento uma linha de crédito para permitir que os municípios possam, eles próprios, promover obras de urbanização para colocar terrenos disponíveis para que eles - municípios ou promotores privados - possam ir construir rapidamente mais casas", disse.

O ministro considerou que um dos problemas na habitação "é a falta de solos e solos urbanizados".

"Ora, os municípios são convidados a urbanizarem os solos e para isso vão ter uma linha de crédito para poderem fazer. É dinheiro emprestado. Depois, quando venderem os terrenos, vão receber o dinheiro e pagar o empréstimo, que, apesar de tudo, terá condições mais vantajosas através do BEI [Banco Europeu de Investimento]", disse.

Castro Almeida destacou que o Governo reforçou o financiamento das 26 mil casas que tinham sido assumidas no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) pelo Governo socialista, mas cuja "dotação orçamental só dava para fazer 16 mil casas".

Para as metas do PRR contaram 32 mil casas, acrescentou, destacando que o Governo espera ainda ter concluídas, até ao final deste ano, 40 mil casas.

O Governo comprometeu-se a apoiar a construção, até 2030, de cerca de 133 mil casas que foram incluídas pelos municípios como necessidades nas suas estratégias locais de habitação.

"O Governo definiu um conjunto de medidas para garantir o financiamento de todo ou parte destas 133 mil casas, que são o total, é o somatório das necessidades identificadas pelos municípios. Eu acho que é um patamar de ambição bem razoável o Governo assumir que todas as necessidades identificadas pelos municípios vão ter financiamento através do Estado para que as casas possam vir a ser feitas", afirmou.

Após o fim do PRR, a proposta orçamental para 2027 prevê um investimento total de 2.003 milhões de euros no aumento da oferta de habitação acessível e no reforço do parque habitacional público.

"O Governo prossegue com o reforço do parque público, a dinamização do arrendamento acessível e a modernização dos processos de licenciamento urbanístico, apostando numa resposta de escala que combine investimento público, mobilização de património devoluto e simplificação administrativa", lê-se na proposta.

A proposta de OE2027, aprovada na generalidade na quarta-feira, prevê um crescimento da economia de 2,3% este ano e de 2,1% em 2027 e contas equilibradas este ano e um excedente de 0,1% em 2027.

A votação final global está marcada para 24 de novembro, após o processo de debate na especialidade.

Leia Também: "Erro grave avançar com lei das rendas. Espero que não vá para a frente"

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Oito vírgula três por cento

Portugal entrou num ciclo de investimento em defesa sem paralelo nas últimas décadas. Cinco mil e quinhentos milhões de euros de programação militar até 2034 e cinco mil e oitocentos milhões em empréstimos europeus do SAFE, a executar até 2030. São instrumentos diferentes, com horizontes diferentes. Para um jornal de economia, a pergunta interessante não é quanto se gasta. É quanto volta.

Já há uma primeira resposta, e convém olhar para ela sem drama. No programa de aquisição das três fragatas, com um custo global de 3.914 milhões de euros, a incorporação anunciada da indústria nacional é de 325 milhões. Oito vírgula três por cento. Não é um escândalo. É a distância entre comprar uma capacidade e participar na sua produção, e é um ponto de partida.

O que se decide agora é o número seguinte, o das capacidades em que Portugal ainda pode ser produtor e não só comprador: sistemas não tripulados, sensores, software de comando e controlo. E esse número não sobe por decreto nem por discurso. Sobe onde a tecnologia é validada, porque é aí que uma empresa deixa de apresentar um protótipo e passa a poder demonstrar uma capacidade, perante um utilizador exigente e com uma referência que vale no estrangeiro.

No próximo domingo, 1 de Novembro, a Europa reforça essa aposta. Constitui-se na Agência Europeia de Defesa, por decisão dos ministros de 28 de Setembro, o Centro Europeu de Inovação em Defesa, com um papel ampliado e um portefólio estruturado de actividades. A experimentação operacional será uma das suas actividades centrais: ligar empresas às forças armadas e às instalações militares de ensaio, para ajudar os Estados a identificar, testar e adoptar tecnologias.

O que está em causa num centro destes não é só financiamento. É calendário, selecção e acesso: onde se fazem as campanhas, que desafios se lançam e que empresas encontram uma oportunidade para demonstrar o que sabem fazer. Não há rubrica orçamental que mostre estas escolhas, e são elas que pesam na localização da engenharia europeia de defesa na próxima década. É política industrial pela via da geografia.

Portugal tem o que esse centro procura. Tem a experiência da Marinha, que fez do REPMUS uma das referências da NATO para sistemas não tripulados, e acaba de receber em Santa Margarida uma campanha europeia com mais de 70 entidades de 22 nacionalidades. E a presença industrial portuguesa já se vê: a UAVision foi um dos cinco produtores no desafio europeu de munições de permanência no ar e a Beyond Vision regressou depois de seleccionada em Itália.

Duas vozes apontaram nessa direcção este mês. O Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, afirmou no encerramento desses ensaios que o investimento, por si só, significa pouco. E o Chefe do Estado-Maior do Exército, o general Eduardo Mendes Ferrão, propôs no mesmo dia, diante do Presidente da República, afirmar Portugal como centro experimental tecnológico europeu. É uma proposta de quem tem o terreno, feita semanas antes de entrar em funcionamento o novo centro europeu.

Falta uma coisa que não exige construir nada: um endereço único. Quem, de fora, quiser ensaiar tecnologia militar em Portugal tem de descobrir qual dos três ramos tem o terreno que serve e bater a várias portas. É preciso uma porta de entrada que articule as capacidades dos três ramos, coordene autorizações, agende instalações e assegure condições de confidencialidade industrial. Não é trivial, porque mexe com cadeias de comando distintas e com reguladores diferentes, e é por isso que convém começar agora. O calendário europeu não espera: a campanha seguinte já está marcada para 16 a 20 de Novembro na Suíça, que nem sequer é Estado-membro. Quem vem de fora não compara apenas terrenos, compara prazos de autorização.

Daqui a uma década ninguém se lembrará de quantos convidados estiveram no encerramento. Lembrar-se-á de quanto dos milhares de milhões que vamos gastar ficou cá em forma de engenharia, de patentes e de emprego qualificado. Acolher é um serviço que se presta; sediar é uma posição que se ocupa. Os oito vírgula três por cento não têm de ser o tecto da nossa ambição.

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Taxa sobre resíduos eletrónicos não recolhidos como recurso próprio da UE suscita “reticências” a Portugal”


Para Portugal, “é problemático” aplicar uma taxa uniforme ao peso dos resíduos eletrónicos não recolhidos. Uma das sugestões em cima da mesa para criar um novo recurso próprio da União Europeia. O ministro dos Negócios Estrangeiros disse ainda que aplicar um imposto especial sobre o consumo de tabaco, baseado na taxa mínima do imposto especial de consumo aplicada por cada Estado-Membro aos produtos do tabaco, Portugal apenas concorda com esta esta solução se for houver acordo sobre a diretiva do tabaco.

Paulo Rangel, numa audição conjunta com as comissões parlamentares de Orçamento, Finanças e Administração Pública, dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e dos Assuntos Europeus, no âmbito da apreciação na especialidade da proposta do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), explicou que “Portugal não está fechado a nenhum recurso próprio, por posição de princípio, o que não significa que ao fim não esteja fechado relativamente a algum recurso, mas caso haja acordo para discutir um pacote global Portugal está disponível para analisar o impacto de cada um dos recursos propostos”.

Apesar desta posição de abertura, o recurso com base numa taxa sobre os resíduos eletrónicos não recolhidos, como computadores, telemóveis inteligentes, tabletes, televisores, impressoras, suscita “maiores reticências a Portugal”.

Quanto ao “imposto sobre o tabaco, que tem a ver com o tabaco não tradicional”, a posição de Portugal é “favorável desde que haja um acordo sobre a diretiva do tabaco”, explicou o MNE. “A versão atual da revisão da diretiva tem o nosso apoio. Se for esta a versão que fica estaremos disponíveis para aceitar este recursos próprio, se não for esta temos de rever esta posição”, explicou.

O ministro disse que Portugal é favorável ao imposto sobre as plataformas digitais, mas quanto à proposta de impostos sobre os jogos online tem de ser vista por Portugal “com grande cuidado, porque pode ter impacto no caso português”. Uma proposta que conta desde logo com a oposição de Malta onde o jogo tem um peso importante na economia.

Já no caso da proposta de taxar os criptoativos, como sugere o Parlamento Europeu, Paulo Rangel disse que ainda não está claro qual será o desenho e Portugal aguardará até que seja elaborada.

Portugal veria com bons olhos que ao nível das receitas tradicionais houvesse uma diminuição de 25% para 10% da taxa que os Estados-membros retém dos direitos aduaneiros cobrados, “aumentando assim os recursos aduaneiros da União”. Uma posição que certamente terá a oposição dos Países Baixos onde os portos têm um enorme peso na sua economia e que desta forma se veriam privados de uma importante receita orçamental.

Outra das formas de garantir mais recursos ao orçamento comunitário seria fazer um roll over da dívida emitida para pagar o Next GenerationEU, mas também emitir nova dívida comum consignada à defesa, opções às quais Portugal é favorável, sublinhou Paulo Rangel.

Esta opção não só geraria mais recursos como permitiria fixar em solo europeu as poupanças europeias que agora acabam por ser canalizadas para os mercados financeiros de outros países. “Dívida comum pode ajudar a fixar recursos e capitais europeus”, concluiu.

Boas notícias para a Agricultura

O ministro dos Negócios Estrangeiros disse que Portugal já conseguiu duas vitórias em Bruxelas nas negociações do próximo quadro financeiro 2028/2034. Garantir que existe uma verba “garantida” para a Agricultura e que portanto não poderá ser disputada pela Coesão, apesar de as duas políticas estarem concentradas no mesmo fundo. E que Portugal vai conseguir mais do que os atuais 9,3 mil milhões de euros para a Política Agrícola Comum.

Paulo Rangel recusou-se a dar números, porque as negociações ainda estão a decorrer, mas deixou a garantia: “Estamos acima em termos de PAC do envelope que recebemos no quadro anterior.

O ministro da Agricultura, a semana passada, no Parlamento, reiterou que Portugal já tem garantidos 7,4 mil milhões de euros para apoiar o rendimento dos agricultores e mais 2,5 mil milhões para o desenvolvimento rural. Mas José Manuel Fernandes admitiu a tentação no Governo de colocar projetos de abastecimento público de água nesta gaveta de 2,5 mil milhões. Algo a que se irá opor porque esse é um projeto de coesão.

A estes montantes poderão acrescer ainda os 1,6 mil milhões de euros que a proposta cipriota ‘angariou’ para Portugal, mas esse é um valor que ainda não está “certo”, como explicou o ministro da Agricultura. Fechada está também a possibilidade de cada Estado-membro antecipar 45 mil milhões de euros destinados à agricultura, o que para Portugal significa poder usar 2,41 mil milhões logo de início.

De acordo com o último trabalho feito pela presidência irlandesa, Portugal tem no primeiro pilar (agricultura e coesão) uma dotação que ronda os 35,2 mil milhões de euros, e que se “traduz um ganho nominal de 7,6% e uma perda de 5,7% quando comparado em termos reais”. Em termos de dotação geral há uma evolução nominal de 3,6% e uma quebra real de 9,2%. Esta quebra real é agora inferior à inicialmente prevista, porque em virtude das negociações a presidência do Chipre alocou uma parcela que ao nosso país deu mais de 1.500 milhões de euros para os países da coesão.

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Polícias? "Não há jovens a querer preencher sequer o número de vagas"

O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), Paulo Santos, quer pressionar o Governo a responder às principais reivindicações dos elementos da PSP e GNR, como aumentos salariais, revisão das carreiras e dos suplementos, além das melhorias nas condições de trabalho.

 

Em declarações à comunicação social numa altura em que polícias da PSP e militares da GNR manifestam-se em Lisboa por melhores salários, Paulo Santos recordou que quando Luís Neves tomou posse como ministro da Administração Interna reconheceu que os salários das forças de segurança não eram atrativos nem correspondiam à exigência dessas missões.

"Temos perguntado isso ao Governo: qual é a disponibilidade orçamental? Qual é a disponibilidade política de perceber aquilo que está em causa?", questionou.

"As nossas propostas passam por uma valorização salarial dos polícias que nos permita aumentar a atratividade. Estamos a falar de números muito redutores para que um jovem queira concorrer à Polícia de Segurança Pública [...], não há jovens a querer preencher sequer o número de vagas que são abertas", afirma, sugerindo que isso acontece por culpas das condições salariais, condições de vida e os poucos recursos oferecidos para o exercício da profissão.

"Nós estamos disponíveis para negociar, não podemos é fazer de conta que estamos a negociar porque qualquer trabalhador português, qualquer cidadão comum percebe que se estamos à espera há dois anos e quatro meses por uma proposta e cabal, não é correto, não é saudável", reclamou.

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) e a Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) realizam hoje em Lisboa uma manifestação para exigirem aumentos salariais, revisão das carreiras e melhorias nas condições de trabalho.

Leia Também: Habitação: Cidadão faz denúncia à PGR na sequência da atuação da PSP

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Défice orçamental do Brasil sobe para 9,5% em setembro sem contar com medidas de campanha

O défice orçamental do Brasil subiu 1,35 pontos, para 9,51% do PIB em setembro face ao período homólogo, anunciou, esta quinta-feira, o banco central, mas pode agravar-se se as promessas eleitorais forem implementadas.

A diferença negativa entre as receitas e as despesas do setor público brasileiro atingiu 1,2 biliões de reais (210 mil milhões de euros) nestes doze meses até setembro, com o saldo primário (sem contar com os juros da dívida) a quase duplicar, de 0,27% em setembro de 2025 para 0,52% do PIB no mesmo mês deste ano.

Este resultado, escreve a agência espanhola de notícias, a Efe, põe em causa a possibilidade de o Governo cumprir a meta que se impôs para 2026 de encerrar o ano com um défice primário equivalente a 0,25% do PIB, já que estes dados não incluem as despesas extraordinárias anunciadas pelo Governo de Luiz Inácio Lula da Silva nas semanas que antecederam as eleições presidenciais de domingo, nas quais foi reeleito para o seu quarto mandato não consecutivo.

Essas medidas, como o apoio aos mais pobres, os subsídios aos combustíveis e o perdão da dívida das microempresas, podem ter um impacto de até 47 mil milhões de reais (cerca de 7,7 mil milhões de euros) por ano, de acordo com cálculos do próprio Governo.

Segundo os analistas, o défice orçamental e o aumento das despesas públicas obrigarão o Governo a adotar um ajustamento rigoroso em 2027 para cumprir o seu objetivo de terminar o ano sem défice primário nas contas públicas.

A economia brasileira, depois de crescer 2,3% no ano passado, deverá abrandar para 1,9% este ano, de acordo com as últimas projeções não oficiais.

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Eisenkot anuncia investigação sobre 7 de outubro assim que Knesset tomar posse

O líder da oposição israelita, Gadi Eisenkot, anunciou hoje que proporá a criação de uma comissão de inquérito estatal sobre as falhas que permitiram o massacre de 07 de outubro de 2023, após a posse do novo parlamento.

 

"Várias equipas estão já a trabalhar para ultimar os preparativos de diversas iniciativas: uma lei sobre o recrutamento [universal no Exército israelita], a criação de uma comissão estatal de investigação sobre o massacre de 07 de outubro e uma reforma do mecanismo orçamental para dar prioridade àqueles que prestam serviço ao país", afirmou Eisenkot numa mensagem vídeo.

"Os planos estão prontos e, em coordenação com os meus parceiros, vamos submetê-los a votação assim que começar o período de sessões do Knesset (parlamento israelita)", com data prevista para 10 de novembro, acrescentou o líder do bloco da oposição israelita e dirigente do Yashar! (Repto!).

O anúncio surge num contexto de polémica sobre denúncias de fraude eleitoral nas legislativas de 27 de outubro em Israel e de ingerência estrangeira, que abriram uma nova frente de tensão política no país.

O Likud, partido do primeiro-ministro em exercício, Benjamin Netanyahu, denunciou alegadas irregularidades que atribuiu a partidos árabes — incluindo a alegada distribuição de dinheiro para compra de votos e de boletins de voto do partido árabe muçulmano Ra'am, que conquistou oito lugares na contagem provisória.

A polícia israelita rejeitou as acusações de que os partidos árabes terão tentado "sabotar as eleições" e afirmou que não existem provas que as sustentem.

Por sua vez, o presidente da Comissão Eleitoral Central, Noam Sohlberg, solicitou ao responsável do Shin Bet (serviços secretos internos) que investigasse as denúncias sobre uma possível ingerência estrangeira no ato eleitoral, embora reconhecendo não poder confirmar se estas têm fundamento.

A comunicação social israelita apontou para suspeitas de um eventual financiamento do Qatar para aumentar a participação árabe, acusação que Doha negou.

Em comunicado, Eisenkot acusou o Likud e Netanyahu de promoverem uma campanha coordenada para deslegitimar os resultados eleitorais, e alertou que não permitirá desvios no calendário previsto para a tomada de posse do Knesset, marcada para 10 de novembro.

Na mesma linha, o líder do partido Os Democratas, Yair Golan, acusou Netanyahu de tentar manter-se no poder e confirmou que a oposição procurará substituir o presidente do parlamento, revogar as leis da reforma judicial e criar uma comissão de inquérito estatal, segundo uma mensagem publicada nos seus canais.

A disputa decorre num cenário de incerteza parlamentar: segundo os dados mais recentes, o bloco de Netanyahu soma 53 deputados, contra 48 da oposição — ambos abaixo dos 61 mandatos necessários para alcançar a maioria parlamentar.

Os partidos árabes contam com 19 representantes — o melhor resultado da sua história — e poderão desempenhar um papel decisivo na formação de um Governo alternativo, embora continuem excluídos de ambos os blocos.

Leia Também: Médio Oriente: Drone israelita mata dois palestinianos na Faixa de Gaza

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Défice orçamental do Brasil sobe para 9,5% em setembro

O défice orçamental do Brasil subiu 1,35 pontos, para 9,51% do PIB em setembro face ao período homólogo, anunciou hoje o banco central, mas pode agravar-se se as promessas eleitorais forem implementadas.

 

A diferença negativa entre as receitas e as despesas do setor público brasileiro atingiu 1,2 biliões de reais (210 mil milhões de euros) nestes doze meses até setembro, com o saldo primário (sem contar com os juros da dívida) a quase duplicar, de 0,27% em setembro de 2025 para 0,52% do PIB no mesmo mês deste ano.

Este resultado, escreve a agência espanhola de notícias, a Efe, põe em causa a possibilidade de o Governo cumprir a meta que se impôs para 2026 de encerrar o ano com um défice primário equivalente a 0,25% do PIB, já que estes dados não incluem as despesas extraordinárias anunciadas pelo Governo de Luiz Inácio Lula da Silva nas semanas que antecederam as eleições presidenciais de domingo, nas quais foi reeleito para o seu quarto mandato não consecutivo.

Essas medidas, como o apoio aos mais pobres, os subsídios aos combustíveis e o perdão da dívida das microempresas, podem ter um impacto de até 47 mil milhões de reais (cerca de 7,7 mil milhões de euros) por ano, de acordo com cálculos do próprio Governo.

Segundo os analistas, o défice orçamental e o aumento das despesas públicas obrigarão o Governo a adotar um ajustamento rigoroso em 2027 para cumprir o seu objetivo de terminar o ano sem défice primário nas contas públicas.

A economia brasileira, depois de crescer 2,3% no ano passado, deverá abrandar para 1,9% este ano, de acordo com as últimas projeções não oficiais.

Leia Também: Governo prevê excedente, mas Conselho das Finanças antecipa défice

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Nova sede do Banco de Portugal é solução "pior e opaca", acusa PS

O PS pediu hoje explicações ao governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, sobre as alterações ao contrato da nova sede, considerando que está solução "é pior, opaca, sem informação e não rigorosa".

 

O Banco de Portugal (BdP) informou hoje que alterou o contrato-promessa da compra da nova sede em Entrecampos, Lisboa, para ficar apenas com um edifício, em vez de dois, apontando uma redução do investimento em 35 milhões de euros, para 225 milhões.

"Passámos da transparência [de Mário Centeno] para a opacidade. O que o governador do Banco de Portugal apresentou hoje é um comunicado em que nós não conhecemos os projetos, as negociações, se houve auditoria àqueles projetos, para perceber se os projetos estavam todos adequados e salvaguardavam o interesse do Banco de Portugal, o interesse público", criticou, em declarações aos jornalistas, o deputado do PS, Carlos Pereira.

Na perspetiva do socialista, esta solução "é pior" e, "mais grave do que isso, é opaca, não tem informação, não é transparente, não é rigorosa sequer".

"E isso preocupa-nos significativamente. E quero também dizer que é muito importante perceber o que pensa o Conselho de Administração sobre esta matéria", disse ainda.

Carlos Pereira referiu que o Conselho de Administração é o mesmo e, quando o antigo governador Mário Centeno apresentou a sua solução, "havia um consenso" entre os administradores.

"Ora, estamos a falar de uma solução completamente diferente, que custa mais por metro quadrado, que não reúne todos os serviços do mesmo espaço e é preciso perceber o que pensa, de facto, o Conselho de Administração", defendeu.

Considerando que Álvaro Santos Pereira "terá que explicar tudo isto nos próximos tempos", o deputado do PS disse que o partido admite vir a pedir uma audição parlamentar caso estas explicações não surjam até ao final do processo orçamental, período durante o qual outros trabalhos no Parlamento estão suspensos.

"O Governador do Banco de Portugal foi muito célebre a fazer acusações ao anterior Governador e está há 3 meses para responder à Assembleia da República a um pedido que foi feito pelo Grupo Parlamentar do PS a 11 de julho", criticou, exigindo que toda essa documentação seja enviada.

Para Carlos Pereira, o comunicado de hoje "é quase uma manhosice" porque "conclui que aquela obra fica 35 milhões de euros mais barata", o que diz ser "outra mentira".

"Tínhamos uma sede com 27 mil metros quadrados e agora uma sede com menos cinco mil metros quadrados. Estamos a comprar por metro quadrado um valor bastante superior. Se fizermos uma comparação ao preço que Mário Centeno queria comprar a sede anterior com a dimensão que Álvaro Santos Pereira quer comprar esta, estamos a falar de mais cinco milhões de euros", comparou.

O deputado do PS começou a conferência de imprensa com uma provocação, remetendo para um episódio do tempo em que Álvaro Santos Pereira era ministro da Economia: "O Banco de Portugal não é propriamente uma loja de pastéis de nata".

Segundo o comunicado, a alteração ao contrato foi assinada esta semana entre o BdP e a Fidelidade, promotora da construção das futuras instalações, através de um aditamento ao contrato-promessa de compra e venda celebrado em 2025.

Com a mudança, o valor da compra do edifício baixa de 191,99 milhões de euros para 165,09 milhões e o montante global do investimento estimado, que inclui o mobiliário e capacitação técnica para o espaço entrar em funcionamento, será de 225 milhões de euros, menos 35 milhões do que o projetado na versão inicial (260 milhões de euros).

O contrato promessa inicial previa a compra de dois edifícios separados, unidos por um túnel (os chamados edifícios A3 e A2).

A alteração ao contrato prevê uma troca de edifícios, para uma única torre do mesmo empreendimento (o edifício A1), estando previsto um auditório localizado separadamente, no edifício A3.

BdP passa a ter um edifício em Entrecampos em vez de dois

BdP passa a ter um edifício em Entrecampos em vez de dois

O Banco de Portugal alterou o contrato-promessa da compra da nova sede em Entrecampos, Lisboa, para ficar apenas com um edifício, em vez de dois, reduzindo o investimento em 35 milhões de euros, para 225 milhões.

Lusa | 12:37 - 29/10/2026

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Portugal pode ser prejudicado pela crise em França. "Não esqueceram"

O economista Paul Krugman disse hoje, em entrevista à Lusa, que há risco de que Portugal saia prejudicado com a situação em França, tendo em conta que é um país pequeno e que os investidores têm memória da crise de 2012.

 

O economista norte-americano e prémio Nobel da Economia em 2008 admitiu que a situação da França o deixa "muito nervoso", fazendo lembrar, a uma velocidade mais lenta, "uma versão do que aconteceu na Europa em 2010, depois de a Grécia entrar em 'default' [incumprimento da sua dívida soberana]".

Apesar de não ser tão severa como a situação da economia grega na altura, pelo menos até agora, a França é uma economia tão grande que há a preocupação de que todo o eurosistema se fragmente devido a esta crise, alertou.

Krugman não considerou que seja o resultado mais provável, até porque as autoridades iriam fazer tudo ao seu alcance para tentar impedir isso de acontecer, mas disse que é "definitivamente assustador".

Em termos de efeitos de contágio para Portugal, o economista notou que as bases da economia não estão más mas, ainda assim, admitiu que é um pequeno país, na periferia, prejudicado também pela memória das crises.

"Os investidores não se esqueceram de 2012", alertou o economista, numa referência à crise da dívida soberana, apontando que a possibilidade de que Portugal possa ser prejudicado é muito real.

França atravessa uma situação financeira delicada, com uma dívida pública sob pressão dos mercados, o que se traduziu, nos últimos meses, num forte aumento dos juros e do prémio de risco, que se encontra nos níveis mais elevados desde 2012, um dos momentos críticos da crise financeira.

O país enfrenta também, há semanas, vários protestos contra o aumento do custo de vida e as condições nas escolas.

A subida dos preços da energia, que dispararam no seguimento do conflito no Médio Oriente, também tem levantado questões sobre se os Governos deveriam avançar com apoios ou ter em atenção a disciplina orçamental, notou.

Se fosse uma situação normal, com um choque temporário difícil, então o Governo deveria tentar proteger as pessoas, porque é temporário, como aconteceu na pandemia de covid-19, em que foi possível ultrapassar a crise com "sofrimento económico" mínimo.

No entanto, atualmente as grandes economias avançadas têm um nível de dívida pública "mais alto do que Portugal em 2011", notou, e as taxas de juro estão em níveis que não se viam há décadas, pelo que é necessário os governos serem muito mais contidos.

"Sempre fui um optimista em termos de dizer que é aceitável ir aos mercados para responder a emergências, mas neste ponto, isto é uma emergência suficiente?", questionou o economista norte-americano, apontando o nível de preocupação com a situação da dívida.

Não é necessário pensar na hipótese de que pode haver problemas, ironizou, porque se pode ver o que está a acontecer na França agora, concluiu.

Leia Também: Habitação volta a tomar conta do debate (e OE passa). O 2.º dia em fotos

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