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Euribor cede mas prestação da casa volta a subir em novembro


As taxas Euribor cederam ligeiramente em outubro. Ainda assim, não será o suficiente para fazer a prestação da casa cair. Os encargos com o crédito à habitação vão voltar a subir no próximo mês. Os aumentos devem chegar aos 90 euros para um empréstimo de 150 mil euros a 30 anos.

As famílias estão a ser pressionadas com o aumento do custo de vida praticamente desde o início do ano. A taxa de inflação avançou para os 3,6% em setembro, com os preços a serem fortemente impulsionados pela energia e pela guerra sem fim à vista no Irão. Mas, além da subida dos preços dos bens que consumimos no dia-a-dia, outro fator tem condicionado cada vez mais o orçamento familiar: a casa.

Outubro trouxe uma relativa estabilização das Euribor, depois da forte subida registada em setembro. A média mensal destas taxas interbancárias desceu mesmo a três e 12 meses – no prazo mais curto marcou-se inclusivamente primeira descida desde janeiro, antes do conflito no Médio Oriente.

Boas notícias para quem tem crédito da casa? Sim. Mas os contratos cujas condições forem revistas em novembro ainda vão sofrer agravamentos nas prestações por conta da evolução das Euribor nos últimos meses e, essas sim, acumulam subidas face à última vez que os contratos foram atualizados.

Vamos às contas. Para um crédito de 150 mil euros a 30 anos e com um spread de 1%:

  • Euribor a três meses: a prestação a pagar nos próximos três meses subirá 17,39 euros (2,6%) para mais de 684,7 euros;
  • Euribor a seis meses: a prestação que vai pagar nos próximos seis meses deverá superar os 713,9 euros, uma subida de 44,17 euros em relação à prestação que pagava desde maio;
  • Euribor a 12 meses: a prestação que vai pagar nos próximos 12 meses ascenderá a 736,6 euros, mais 89 euros face à prestação que pagou no último ano.

Para o ajudar a calcular a prestação do seu crédito à habitação, o ECO preparou um simulador. Faça as contas para o seu caso.

Tenho um crédito à habitação no valor de euros, contratualizado por um prazo de anos, indexado à Euribor a 12 meses (que há um ano estava nos % ), com um spread de %. A prestação da casa que pago atualmente é de 308 euros, mas caso a Euribor a 12 meses passe para %, a prestação passa para 432 euros. (Mude os campos sublinhados para descobrir os números mais próximos da sua previsão.)

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para ver o simulador.

As Euribor acompanham as expectativas dos mercados relativamente às taxas oficiais do Banco Central Europeu (BCE) que, esta quinta-feira decidiu, sem surpresas, fez uma pausa. Os investidores estão a antecipar que o final do ano traga mais uma subida, com a taxa de depósito a chegar a 31 de dezembro nos 2,75%.

E já há apostas para a evolução da política monetária do BCE no arranque do próximo ano: a reunião de março, que já não contará com Christine Lagarde no comando do “navio”, deverá voltar a agravar os juros em 25 pontos base.

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Ativo do dia. Dona da Google perde 500 mil milhões em bolsa


O ativo

Alphabet. As ações da dona da Google, o mais popular motor de pesquisas online do mundo, estão sob forte pressão vendedora esta quinta-feira, na sequência dos resultados apresentados na quarta à noite.

Com a forte aposta na IA, a Alphabet registou um fluxo de caixa negativo no terceiro trimestre, o que aconteceu pela segunda vez desde que foi para a bolsa há mais de duas décadas. Mas não é o único sinal de preocupação. Também revelou que as pesquisas em “modo IA” estão a canabalizar as receitas do seu principal negócio de publicidade.

O marco

As ações da Alphabet estiveram a deslizar quase 13% no arranque da sessão em Wall Street. Cerca das 15h30 recuavam ‘apenas’ 11,6% para 284,72 dólares.

Em poucos momentos, a tecnológica perdeu 500 mil milhões de euros em capitalização de mercado. Só a Nvidia havia perdido mais numa só sessão, em janeiro de 2025.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

A causa

Pela segunda vez desde que foi para a bolsa, em 2004, a Alphabet registou um fluxo de caixa negativo. Atingiu os -9,1 mil milhões de dólares no terceiro trimestre, período durante o qual elevou os gastos com IA para mais de 50 mil milhões, uma altura em que os investidores estão cada vez mais cautelosos em relação ao retorno dos pesados investimentos em IA.

O investimento de capital (Capex) cresceu para 51,3 mil milhões de dólares no trimestre, face aos 44,9 mil milhões do trimestre anterior. O Capex poderá atingir os 205 mil milhões este ano.

As contas revelaram ainda fragilidades no principal negócio de publicidade no motor de busca. A receita da maior divisão da Alphabet subiu 12% para 62,4 mil milhões de dólares, abaixo das estimativas de 64,9 mil milhões e marcado um forte abrandamento em relação à taxa de crescimento anual de quase 20% registada no início do ano.

O diretor de negócio da Google justificou o desempenho com as pesquisas em “modo IA” — que fornecem respostas em texto conversacional em vez de uma lista de links — e que estão a ter impacto nas pesquisas tradicionais a e levar a uma menor monetização através dos anúncios.

“Os pessimistas argumentarão que este é o primeiro trimestre em que a IA está a começar a prejudicar seriamente os seus negócios de pesquisa“, disse Jeffrey Wlodarczak, CEO da Pivotal Research.

O resultado líquido caiu 25% para 26,2 mil mihões de dólares, contra os 37,3 mil milhões de previsão dos analistas.

O que esperar a seguir

A queda vertiginosa das ações da Alphabet está a contagiar o setor tecnológico. O índice Nasdaq perde mais de 1%.

A Microsoft recua 1,5% depois de ter reportado lucros acima do esperado e receitas de 92,3 mil milhões de dólares.

Esta quinta-feira é a vez de Amazon e Apple darem continuidade à temporada de resultados do setor.

Em relação à Amazon, as ações estão a ceder mais de 2%. Os analistas estarão de olho no crescimento da AWS. O mercado antecipa um lucro por ação de 1,97 dólares em receitas de 202,25 mil milhões. A AWS deverá ter faturado 45,68 mil milhões, mais 38% face ao terceiro trimestre de 2025.

A frase

A Alphabet e a Microsoft foram a noite e o dia. O trimestre da Microsoft apresentou um crescimento muito disciplinado, enquanto a Google está com queima de dinheiro e o seu negócio principal ficou aquém das expectativas.

Melissa Otto

Diretora de research da S&P Global Visible Alpha

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Banco de Portugal prevê investir 225 milhões de euros na nova sede


O Banco de Portugal assinou esta semana com a Fidelidade o aditamento ao contrato de compra e venda do edifício que será a nova sede e em relação à qual estima um investimento global de 225 milhões de euros, cerca de menos 35 milhões em relação ao projeto inicial do tempo de Mário Centeno. A mudança só deverá acontecer em 2030.

Tal como anunciado em julho pelo governador Álvaro Santos Pereira no Parlamento, a nova sede vai passar a ocupar apenas um edifício (A1) em vez de dois (A2 e A3) no mega-projeto imobiliário que está a ser desenvolvido pela seguradora nos antigos terrenos da Feira Popular, em Entrecampos.

O edifício vai custar 160,09 milhões de euros no projeto core & shell, que deverá estar pronto até junho de 2028. São menos 32 milhões em relação ao que iam custar os dois edifícios que estavam projetados no contrato assinado em maio de 2024.

Além disso, o banco liderado por Álvaro Santos Pereira prevê ainda gastar aproximadamente 65 milhões de euros na fase do fit out, de capacitação técnica do edifício, e que deverá demorar outros dois anos. Valor baixa em relação aos 72 milhões previstos inicialmente.

Apesar da redução de 5 mil metros quadrados (m2) do projeto inicial para o novo projeto, o banco assegura que o novo edifício, com 27 mil metros quadrados, terá lugar atribuído para os 1.400 trabalhadores que estão neste momento dispersos por quatro localizações – embora o banco tenha avançado com uma política de mobilidade regional que permite aos funcionários trabalharem em agência regionais. Num primeiro momento, 35 trabalhadores já se candidataram ao programa, mas está previsto mais períodos de candidatura no futuro.

O Banco de Portugal estima que a mudança para um único edifício traga poupanças na ordem dos 10 milhões de euros por ano em termos de custos correntes. Sobretudo por conta de rendas que paga atualmente nos edifícios localizados na Rua do Castilho e na Avenida da República, mas também outros aspetos relacionados com segurança e limpeza, entre outros.

A nova versão do contrato prevê ainda a aquisição dos espaços comerciais do edifício A3, que fica ao lado da nova sede, e onde será construído o auditório (que também estava previsto na solução inicial).

Em comunicado, o Banco de Portugal adianta que “parte significativa” do investimento na nova sede “será financiada com o resultado da alienação de património imobiliário”, nomeadamente o edifício da Almirante Reis (que deverá ser colocado no mercado nos próximos meses) e outros imóveis, com o terreno da Bensaúde, nas Laranjeiras.

Em relação à sede histórica, localizada na Baixa lisboeta, manterá o Museu do Dinheiro e os serviços de tesouraria e atendimento ao público, com o banco a salientar que pretende reforçar a aproximação daquelas instalações à comunidade.

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Estes depósitos batem os certificados e um deles supera a inflação


Os Certificados de Aforro continuam a captar uma boa parte das poupanças das famílias portuguesas. Uma das razões da popularidade destes títulos de dívida da República é a remuneração, bem acima da que um depositante consegue obter junto dos bancos. Mas há três dezenas de depósitos a oferecerem mais do que o produto concorrente do Estado. E um deles supera mesmo a inflação.

Desde o início do ano, os Certificados de Aforro já atraíram 5,2 mil milhões de euros (em termos líquidos de resgates). A procura tem vindo a intensificar-se sobretudo nos meses mais recentes,…

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BCP “está pronto para ajudar” na crise da habitação e aponta a projetos com custo acessível


O BCP “está pronto para ajudar” e “fortemente empenhado” na resolução da crise da habitação e já tem um alvo perfeitamente identificado: projetos de promoção imobiliária a custos acessíveis, adiantou esta quarta-feira o CEO, Miguel Maya.

Em declarações aos jornalistas, na apresentação de resultados relativos aos primeiros nove meses do ano, o líder do BCP considerou que se trata de um “tema complexo”. “Mas o que não podemos fazer é não fazer nada”, salientou.

Nas últimas semanas, os manifestantes têm saído às ruas sobretudo em Lisboa e no Porto em protesto contra a falta de soluções para resolver a falta de casas e a escalada dos preços das habitações e rendas. Em alguns casos os protestos têm resultado em confronto e violência da polícia por causa das chamadas acampadas.

Esta quarta-feira, Miguel Maya revelou que o banco quer fazer a sua parte e adiantou que fez ajustamentos à unidade de promoção imobiliária porque identificou as áreas onde acredita que haverá uma maior procura no futuro: “O nosso foco e a nossa capacidade está muito colocada no apoio a projetos para a classe média e média baixa, projetos de habitação com custos controlados”.

“Estamos a reorganizar essa parte porque é a nossa leitura do que vai ser a procura por estas tipologias”, afirmou.

Miguel Maya assumiu que quer ser “protagonista na transformação da procura” e adiantou que já está a analisar propostas para apoiar cooperativas e também para entrar em operações que têm câmaras municipais por trás em parceria com privados.

Relativamente à linha de garantia pública para os jovens, voltou a destacar que a medida não vai resolver o problema da falta de habitação, mas tem sido importante para ajudar uma boa parte dos clientes a comprar casa. O peso da garantia pública na nova produção de crédito ronda os 44%.

O BCP anunciou esta terça-feira uma subida de quase 13% dos lucros para 873,7 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano.

(notícia atualizada às 18h39)

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Polónia e margem impulsionam lucro do BCP para 873,7 milhões até setembro


O BCP registou lucros de 873,7 milhões de euros até setembro, mais 12,6% em relação ao mesmo período do ano passado, com o resultado a ser impulsionado pela atividade internacional e pelo crescimento da margem financeira (à boleia do crédito). Um desempenho que levou o banco a ser mais ambicioso em relação ao plano estratégico.

“Foram nove meses bastante difíceis”, declarou o CEO Miguel Maya no início da conferência de imprensa de apresentação dos resultados. “Às vezes até parece que são normais, mas vivemos tempos excecionais“, acrescentou.

Em Portugal, o banco lucrou 727,9 milhões, mais 11,2% em termos homólogos. Mas foi o negócio fora de portas onde o resultado mais subiu: cresceu 21,8% para 281 milhões de euros, um desempenho para o qual foi decisivo do Bank Millennium na Polónia, detido em cerca de 50,1% pelo banco português e cujo lucro disparou quase 30% para 259,7 milhões, perante a redução dos problemas com o tema dos créditos em francos suíços.

O BCP tem como maiores acionistas da Fosun e a Sonangol, com cerca de 20% cada, sendo que os restantes 60% estão dispersos na bolsa. Nos últimos meses cresceram os rumores de uma potencial saída do grupo chinês, que poderia ser colmatada com a entrada o Estado português, da seguradora Ageas e até por um reforço da petrolífera estatal angolana.

Sobre este tema, Miguel Maya sublinhou que ambos acionistas estão satisfeitos com a evolução do banco e que está mais preocupado em garantir que “o BCP é um bom investimento para pequenos acionistas e grandes acionistas”.

Crédito acelera 8% à boleia da garantia pública

Em termos de negócio, a margem financeira, que corresponde à diferença entre os juros cobrados nos empréstimos e os juros pagos nos depósitos, cresceu 5,8% para 2,3 mil milhões de euros.

Miguel Maya salientou que a evolução da margem assentou em grande medida no incremento da base de recursos e de crédito. A carteira de empréstimos acelerou 7,8% para 66,2 mil milhões de euros, adianta o banco, dos quais 45,9 mil milhões correspondem à atividade nacional.

Em Portugal, o crédito à habitação subiu mais de 10% para 23,2 mil milhões, “devido a uma crescente procura, impulsionada sobretudo pelos incentivos estatais dirigidos aos jovens, e também ao aumento do montante médio de empréstimos, acompanhando a subida dos preços no mercado imobiliário.”

No que toca aos recursos de clientes, cresceram 7,1% para 116,3 mil milhões a nível de todo o grupo, sendo que 77,2 mil milhões corresponde ao negócio doméstico.

As comissões em Portugal subiram 4,1% para 484,5 milhões de euros entre janeiro e setembro, impulsionadas pelas operações de mercados (títulos e fundos de investimento).

Os custos subiram quase 6% para 2,3 mil milhões de euros a nível do grupo — em Portugal aceleraram quase 14% para 1,13 mil milhões.

Estimativas do plano revistas com ROE a subir para 17,5%

O BCP chegou a setembro com uma rentabilidade dos capitais próprios (ROE) de perto de 15%, acima da meta definida no plano estratégico até 2028. Mas Miguel Maya anunciou uma nova ambição para o retorno aos acionistas: aponta agora para um ROE igual ou superior a 17,5% neste prazo.

A subida da rentabilidade deve-se ao crescimento do volume de negócios, com o banco a apontar agora para 200 mil milhões de euros, mais 10 mil milhões em relação ao plano inicial.

Em relação à distribuição de resultados, Miguel Maya reafirmou o rácio de payout de 90% através de dividendos e recompras de ações, meta que já havia sido revista.

(notícia atualizada pela última vez às 18h54 com mais informação)

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Ativo do dia. Bolsa coreana dispara 7% com entusiasmo renovado na IA


O ativo

Kospi. O principal índice acionista da Coreia do Sul registou a melhor sessão em três meses com o entusiasmo de regresso ao setor da inteligência artificial (IA).

A fabricante de chips SK Hynix apresentou resultados acima do esperado e as ações aceleraram 11%, animando os investidores sul-coreanos e não só. Wall Street também abriu em alta, num dia em que Alphabet e Microsoft — “dois importantes barómetros de sustentabilidade do ecossistema de IA”, consideram os analistas da sala de mercados do BCP — também vão reportar contas.

O marco

O índice Kospi fechou em alta de 6,63%, para 6.012,44 pontos, nesta quarta-feira.

Foi a melhor sessão desde 31 de julho, quando registou o melhor desempenho da sua história ao escalar 18%.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

A causa

Na base desta subida estão os ganhos registados entre as tecnológicas a à boleia da IA depois do acumular das dúvidas nas últimas semanas em torno da sustentabilidade dos pesados investimentos no setor.

A fabricante de semicondutores SK Hynix viu os lucros multiplicarem por sete no trimestre terminado em setembro, atingindo os 83,3 biliões de won (55,7 mil milhões de euros), superando as estimativas dos analistas.

Adicionalmente, a empresa apresentou um plano de retorno aos acionistas de 100 biliões de won (68 mil milhões de euros) este ano, entre dividendos e recompras de ações.

O que esperar a seguir

Os bons resultados da SK Hynix acabaram por contagiar outras tecnológicas do setor da IA que nas últimas semanas estavam a ser pressionadas. A Samsung disparou 9%.

Do outro lado do Atlântico, o índice tecnológico americano Nasdaq também sobe. A fabricante de chips de memória Micron Technology acelera mais de 5%. A Sandisk avança 5,2%. Nvidia, AMD e Marvel avançam entre 0,5% e 3%.

Além da Reserva Federal, que deverá manter as taxas de juro, o foco dos investidores vai estar virado para a Alphabet e Microsoft, que apresentam contas após o fecho da bolsa americana. Espera-se que ambas as empresas apresentem um crescimento acelerado nos seus serviços de cloud.

A Alphabet acelera 1,3% depois da notícia de que a OpenAI está a planear comprar chips de IA à Google.

Os investidores irão estar sobretudo atentos aos planos de investimento à procura de sinais de retorno, numa altura em que aumentam os receios quanto à sustentabilidade do endividamento por causa da subida das taxas de juro.

A frase

A procura continua forte, mas com o investimento em infraestruturas ainda a acelerar, o mercado está cada vez mais focado no que toda esta despesa irá produzir em última análise. Quanto mais cético o mercado se torna em relação aos retornos da IA, mais difícil se torna justificar o atual ritmo de gastos.

Jake Behan

Analista da Direxion

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Sindicatos da banca cancelam greve após acordo para aumentos salariais de 3%


Os sindicatos do setor da banca desmarcaram a greve marcada para 30 de novembro, depois de terem chegado a um acordo para a atualização dos salários e pensões em 3% para este ano, com retroatividade a 1 de janeiro, segundo anunciaram esta quarta-feira.

“O processo negocial com a Associação Portuguesa de Bancos (APB) e as Caixas de Crédito Agrícola Mútuo (CCAM) para a atualização salarial para 2026 chegou ao fim, após semanas de negociações exigentes e de posições difíceis de aproximar. Foi alcançado um acordo de atualização de 3% das tabelas salariais, das pensões de reforma e das restantes cláusulas de expressão pecuniária abrangidas pelo acordo“, adiantam num comunicado conjunto.

“A firmeza sindical e a união dos bancários deram resultados, por isso, ficam sem efeito as manifestações e a greve nacional previstas para 30 de novembro de 2026”, acrescentam Mais Sindicato, Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB), Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Banca, Seguros e Tecnologias (SBC) e Sindicato dos Trabalhadores do Setor Financeiro de Portugal (SBN).

De fora do acordo estão BCP e Banco Montepio, em relação aos quais a greve se mantém. Ainda assim, há uma forte expectativa de que seja possível chegar um acordo no mesmo sentido nos próximos e a greve seja cancelada.

Os salários de outubro já foram processados na sua grande maioria, pelo que só com o processamento do salário de novembro é que os trabalhadores receberão a atualização de 3% com efeitos retroativos a 1 de janeiro de 2026.

“Este resultado encerra um processo negocial particularmente exigente, no qual a defesa dos interesses dos bancários esteve sempre no centro da nossa atuação”, salientam os sindicatos.

“A conclusão deste processo não altera o nosso compromisso de continuar a lutar pela melhoria das condições salariais e de vida dos bancários, no ativo e reformados. A defesa de pensões dignas continua a ser uma prioridade, tal como a valorização do trabalho e dos salários”, reivindicam.

(Notícia atualizada às 10h40)

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Ativo do dia. Real recupera terreno face ao dólar após cair 11%


O ativo

O real esteve sob forte pressão na segunda-feira, depois da vitória de Lula da Silva nas presidenciais brasileiras. A moeda brasileira caiu mais de 11% em relação ao dólar perante os receios dos investidores com a situação das contas públicas do país. Esta terça-feira dá sinais de alguma recuperação.

O marco

O real está a apreciar cerca de 1% para os 5,36 por dólar esta terça-feira, depois de ter recuado para 5,4 por dólar na segunda-feira.

Também a bolsa brasileira dá sinais de estabilização. A reeleição de Lula da Silva levou o Bovespa a quebrar quase 14% na segunda, mas os investidores já superaram o ‘choque, e as ações sobem 1% nesta sessão.

A causa

O ministro das Finanças, Dario Durigan, atribuiu a queda do mercado ao reposicionamento dos investidores, depois de terem acumulado apostas na vitória de Flávio Bolsonaro na segunda volta das eleições, e não a uma deterioração dos fundamentais da economia brasileira.

“A reação de ontem teve muito mais a ver com as posições que o mercado adotou nos últimos dias“, declarou Durigan aos jornalistas em Brasília. “Não foi uma reação aos fundamentos”, disse ainda, citado pela Reuters, considerando que a ligeira recuperação do real demonstra já o regresso de alguma racionalidade no mercado.

Durigan tentou ainda tranquilizar os investidores, assegurando que o governo se mantém comprometido com a “responsabilidade e estabilidade” orçamental.

O que esperar a seguir

Os analistas do JPMorgan consideram que os mercados ainda não desenvolveram uma narrativa clara para o que poderá ser o quarto mandato de Lula da Silva e que os investidores irão reavaliar as suas perspetivas à medida que a equipa económica e os planos do novo governo se forem consolidando.

“E ousamos dizer que, por mais que o mercado esteja adverso agora, vai construir uma narrativa que vai impulsionar os mercados bolsistas para a frente”, escreveram numa nota aos clientes.

Durigan disse que ainda não tinha conversado com Lula da Silva sobre os nomes para a futura equipa económica. E revelou ainda que o governo já tem propostas prontas para levar ao Congresso Nacional para recompor as verbas do Orçamento para atingir o chamado “centro da meta fiscal”, em vez de trabalhar com o limite inferior da faixa de tolerância prevista nas regras atuais.

Rafael Fonteles, governador do Piauí, tem sido apontado ao cargo de ministro das Finanças (ministro da Fazenda no Brasil).

A frase

O mercado estava apostando em uma vitória eleitoral de um determinado candidato. O presidente Lula, em uma vitória histórica, desbancou a expectativa do mercado. E agora o mercado troca de posição.

Dario Durigan

Ministro das Finanças do Brasil

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Bancos preveem ligeira redução da procura por crédito da casa até final do ano


Os bancos estão a prever uma “ligeira redução” da procura das famílias por crédito à habitação e também para o consumo na reta final do ano, de acordo com os resultados do inquérito ao setor sobre o mercado de crédito divulgados esta terça-feira.

Os dados do Banco de Portugal revelam que o agravamento das taxas de juro contribuiu já para uma diminuição da procura ao longo do terceiro trimestre, “mas sem impacto no agregado”.

O Banco Central Europeu (BCE) já subiu as taxas de juro por duas ocasiões este ano para travar a escalada da inflação por causa da guerra no Irão. Na reunião desta semana deverá ser mantido o nível de juros na Zona Euro, mas os mercados antecipam novo agravamento das taxas no encontro de dezembro.

Os resultados do inquérito mostram ainda que os bancos não esperam alterações nas condições dos empréstimos no quarto trimestre.

Em relação ao trimestre passado, o setor salienta que o aperto do Banco de Portugal em relação à chamada Recomendação Macroprudencial no início de agosto contribuiu “ligeiramente para termos e condições mais restritivos” nos empréstimos à habitação. O supervisor tornou mais exigente a taxa de esforço ao baixá-la para 45%.

Quanto ao segmento das empresas, os bancos também esperam uma ligeira diminuição na procura por parte das PME e nos empréstimos de longo prazo, mantendo-se a tendência do trimestre anterior.

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Crédito à habitação sobe pelo 32.º mês seguido e supera 120 mil milhões de euros em setembro


O crédito à habitação segue imparável. O stock de empréstimos para a compra de casa subiu em setembro pelo 32.º mês consecutivo e superou pela primeira vez a fasquia dos 120 mil milhões de euros.

A carteira dos bancos ‘engordou’ 1,12 mil milhões de euros no mês passado, o maior acréscimo desde julho, mostram os dados divulgados esta terça-feira pelo Banco de Portugal.

Esta evolução reflete a crescente procura das famílias por crédito bancário para financiar a compra de casa, sobretudo dos mais jovens, à boleia da garantia pública, isto apesar do aperto das regras do Banco de Portugal que entraram em vigor no início de agosto.

Por outro lado, o aumento dos empréstimos à habitação traduz ainda o crescimento do preço das casas no país nos últimos anos. No segundo trimestre do ano foi de 18,4% em termos homólogos, segundo o INE.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

A carteira de crédito à habitação dos bancos está a crescer de forma ininterrupta desde janeiro de 2024. Neste período de quase três anos já aumentou cerca de 22,4 mil milhões de euros.

Além da casa, os portugueses também estão a pedir mais crédito aos bancos com a finalidade do consumo. O montante de empréstimos ao consumo e outros fins aumentou 225 milhões de euros em setembro, atingindo os 36,1 mil milhões.

No que toca ao crédito às empresas, o stock subiu 454 milhões de euros em setembro, atingindo os 77,8 mil milhões. Em termos homólogos, observou-se um crescimento de 5,8%, igual ao registado no mês anterior.

(Notícia atualizada às 11h57 com mais informação)

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Depósitos a prazo recuperam após maior queda em 16 meses


O stock de depósitos a prazo voltou a subir em setembro, aumentando cerca de 284,4 milhões de euros, recuperando assim da maior queda em quase em ano e meio registada no mês anterior, de acordo com os dados divulgados esta terça-feira pelo Banco de Portugal.

No final do mês passado, os bancos guardavam um total de 116,4 mil milhões de euros em depósitos de particulares (incluindo aplicações a prazo acordado e com pré-aviso). Em agosto, mês que costuma a registar um recuo das poupanças das famílias por causa das férias, o stock havia recuado quase 350 milhões, a contração mais acentuada desde abril de 2025. No mês anterior, em julho, também havia cedido 21,5 milhões.

Os juros dos depósitos a prazo têm vindo a subir por causa do aperto financeiro do banco central para controlar a inflação provocada pela guerra. Em agosto, a taxa média das novas aplicações aumentou pelo sétimo mês seguido para 1,63%.

Ainda assim, continua muito aquém do que outros produtos concorrentes estão a oferecer, incluindo os Certificados de Aforro, cuja remuneração, indexada à Euribor a 3 meses, atingiu o teto máximo nos 2,5% há vários meses. Julho trouxe ainda o relançamento de uma nova série dos Certificados do Tesouro, com condições mais atrativas.

Apesar do aumento das aplicações a prazo, a base de depósitos dos bancos caiu 978 milhões em relação a agosto, ascendendo a 203,2 mil milhões de euros. Foi o terceiro mês em quebra.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

A descida registada em setembro deveu-se à diminuição de 1,26 mil milhões de euros do dinheiro guardado em contas à ordem.

Em relação aos depósitos das empresas, o stock atingiu os 80,5 mil milhões de euros no final do mês passado, menos 858 milhões em relação ao mês anterior, segundo os dados do supervisor bancário.

(Notícia atualizada às 11h14 com mais informação)

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Ativo do dia. Galp ‘emagrece’ 1,7 mil milhões na bolsa após divórcio espanhol


O ativo

Galp. A petrolífera nacional apresentou esta segunda-feira resultados “sólidos”, segundo os analistas do RBC Capital Markets, com os lucros a subirem 68% para 682 milhões de euros no terceiro trimestre, à boleia da subida do preço do petróleo e da margem de refinação, acima do esperado pelos analistas.

Ainda assim, o dia ficou marcado por outra notícia que levou as ações da petrolífera portuguesa a afundarem na bolsa de Lisboa: o fim das negociações com a espanhola Moeve para a fusão dos negócios de refinação e distribuição.

O marco

As ações da Galp tombaram 10,84% e registaram a pior sessão em quase um ano, fechando o dia a cotar nos 20,47 euros.

É preciso recuar a 9 de dezembro de 2025 para observarmos uma queda mais acentuada, quando os investidores reagiram de forma negativa ao anúncio de uma parceira com a francesa TotalEnergies para exploração de petróleo na Namíbia.

Com base neste preço, a petrolífera perdeu esta segunda-feira praticamente 1,68 mil milhões de euros em termos de capitalização bolsista, passando a registar um valor de mercado acima dos 13,8 mil milhões – e mantendo-se, ainda assim, como uma das cotadas mais valiosas da bolsa nacional.

A sessão também ficou marcada pelas fortes desvalorizações de empresas com forte exposição ao Brasil, casos da Telefónica e Santander, que cederam 6,6% e 3,2%, respetivamente, após a vitória de Lula da Silva nas eleições para Presidente do Brasil. Parte relevante do negócio de upstream da Galp está precisamente no Brasil, no pré-sal.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

A causa

O ECO já tinha noticiado no domingo e a confirmação veio nas primeiras horas da manhã: a Galp e os acionistas da Moeve encerraram as negociações com vista a fundirem as atividades de refinação e distribuição sem chegarem a um acordo.

No âmbito desta operação, anunciadas a 8 de janeiro, seria criada uma joint-venture juntando a refinaria de Sines e as duas refinarias da Moeve em Espanha, com a Galp a ficar com 20% da nova empresa. Além disso, também seriam fundidas as redes de postos de abastecimento na Península Ibérica, numa parceria detida em cerca de 50% pelas duas partes.

Como avançou o ECO, a proposta financeira apresentada este mês de outubro pela Mubadala Investment Company e especialmente o The Carlyle Group, os dois acionistas da Moeve, acabou criar uma divergência inultrapassável entre as duas partes e o negócio ruiu.

Uma fonte citada pela Reuters revelou ainda que a volatilidade nos mercados de energia provocada pela guerra no Irão dificultou o processo de avaliação dos ativos, nomeadamente as refinarias, acrescentando que não há intenção de retomar as conversações no médio prazo.

“Apesar de todos os esforços desenvolvidos, não foi possível alcançar um acordo que permitisse concretizar uma oportunidade de elevado potencial para a criação de um grande operador europeu de downstream”, salientou a presidente da Galp, Paula Amorim, no comunicado em que oficializava o fim da operação.

“Embora o racional estratégico subjacente à operação proposta continue a fazer sentido, as partes não conseguiram alcançar o alinhamento comercial necessário para estabelecer uma parceria duradoura e geradora de valor a longo prazo”, acrescentou a empresária.

O analista Frédéric Lorec, da Alphavalue, considerou que “a pressão vendedora sobre as ações da Galp após o colapso das negociações com a Moeve parece difícil de justificar apenas com base nesta notícia”.

“A nossa análise de fevereiro questionou a proposta de mudança para um modelo de quase-holding, com menos controlo sobre o cash flow e as decisões de investimento do setor da refinação. Manter o negócio integrado não é necessariamente um revés”, destacou Lorec numa nota publicada esta segunda-feira.

O que esperar a seguir

O co-CEO da Galp, João Diogo Marques da Silva, adiantou aos analistas que a companhia petrolífera continua aberta a oportunidades. “Mas só as concretizamos em condições que criem claramente valor a longo prazo para os nossos acionistas”, frisou.

O ECO sabe que, apesar do falhanço das negociações com a Moeve, a Galp continua empenhada em diluir a sua participação nos ativos downstream para se focar no negócio de exploração e produção de petróleo no Brasil e África Ocidental.

A transação previa que cada empresa procedesse a uma separação dos respetivos negócios (carveout) para logo a seguir fundi-los em duas empresas, a IndustrialCo (refinação) e a RetailCo (distribuição). Embora sem um negócio com a Moeve, a Galp deverá avançar com a separação dos negócios para tentar encontrar soluções alternativas posteriormente.

O analista do RBC Capital Markets, Biraj Borkhataria escreveu que os investidores esperavam um acordo entre no início do quarto trimestre e que a fusão poderia tornar a Galp mais atrativa para uma possível aquisição de outro grupo.

Mas, agora, a falta de acordo “pode ​​colocar em causa a elevada avaliação da Galp em relação aos seus pares”.

A frase

A Galp mantém o controlo da refinaria de Sines e do seu cash flow operacional, em vez de depender das decisões de distribuição da IndustrialCo para financiar a empresa-mãe. A forte geração de cash-flow reduz a urgência de realizar transações e melhora a sua capacidade de aguardar por melhores condições. Perdem-se potenciais sinergias em compras, logística e manutenção, e a Galp mantém o ónus do investimento. No entanto, o desaparecimento de um negócio incerto não equivale à destruição do valor dos negócios retidos.

Frédéric Lorec

Analista da Alphavalue

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