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Portugal Ventures conclui saída da Perceive3D após aquisição pela Smith+Nephew

Banco do Fomento

A Portugal Ventures anunciou a conclusão do desinvestimento na Perceive3D, empresa portuguesa de tecnologia médica adquirida integralmente pela multinacional britânica Smith+Nephew em 2020. O anúncio, divulgado a 29 de outubro, surge na sequência da autorização pela agência norte-americana Food and Drug Administration (FDA) do sistema TESSA, desenvolvido a partir da tecnologia da startup.

Fundada por João P. Barreto e Rui Melo, a Perceive3D nasceu como spin-off da Universidade de Coimbra e dedica-se ao desenvolvimento de soluções de visão por computador, inteligência artificial e realidade aumentada aplicadas à cirurgia minimamente invasiva. A sua plataforma de navegação para artroscopia permite transpor o planeamento pré-operatório para o contexto cirúrgico em tempo real, com o objetivo de aumentar a precisão dos procedimentos.

Esta tecnologia deu origem ao TESSA — Tracking Enabled Spatial Surgery Assistant —, atualmente integrado no portefólio da Smith+Nephew. Segundo o comunicado, a primeira aplicação clínica do sistema destina-se à reconstrução artroscópica do ligamento cruzado anterior do joelho, numa abordagem de navegação intra-articular que a empresa designa por «Cirurgia Espacial». A autorização da FDA foi concedida através da via regulatória De Novo.

A Portugal Ventures, sociedade de capital de risco do Grupo Banco Português de Fomento, investiu na Perceive3D em 2013, quando a empresa se encontrava na fase pre-seed. Ao longo dos anos, apoiou o desenvolvimento tecnológico, a proteção da propriedade intelectual, a validação clínica e os primeiros projetos-piloto hospitalares.

A aquisição pela Smith+Nephew, em 2020, permitiu acelerar o desenvolvimento industrial e regulatório da tecnologia, de acordo com a nota de imprensa. O comunicado não divulga o valor da aquisição, o montante investido pela Portugal Ventures ou o retorno obtido com a operação, nem detalha as condições da conclusão do desinvestimento agora anunciada.

Para Marco Neves, presidente do conselho de administração da Portugal Ventures, a integração da tecnologia num grupo internacional e a autorização regulatória nos Estados Unidos demonstram o papel do investimento na valorização da investigação científica. «Ver esta tecnologia integrada num líder global como a S+N e agora validada pela FDA confirma o impacto que o capital de risco pode ter na transformação de ciência em inovação», afirma, citado no comunicado.

João P. Barreto, fundador e diretor executivo e científico da Perceive3D, destaca a complexidade do percurso entre a investigação inicial e a chegada ao mercado. “Levar uma tecnologia médica com esta complexidade e sofisticação de TRL 1 a TRL 9, ou seja, dos princípios científicos básicos até à introdução no mercado, foi uma experiência única e com poucos precedentes em Portugal”, refere.

O responsável salienta ainda o contributo da Universidade de Coimbra, da Portugal Ventures, enquanto principal investidor, e da Smith+Nephew, que adquiriu a tecnologia antes da sua comercialização.

Também o reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, considera que a autorização constitui um reconhecimento da investigação desenvolvida na instituição. O percurso da Perceive3D, afirma, demonstra “como o conhecimento produzido na nossa instituição pode transformar-se em inovação com impacto global”.

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APFN considera que OE2027 continua a penalizar famílias com filhos e exige critério per capita no Estado

A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) considerou hoje que a Proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) mantém a penalização sobre quem tem filhos e defendeu a adoção do critério per capita de forma transversal em todas as políticas públicas.

No parecer emitido sobre a Proposta de OE2027, a APFN defende que “cada filho vale um” e que a equidade fiscal tem de assentar no rendimento por pessoa, aplicando-se não só ao IRS, mas também à habitação, energia, prestações sociais, saúde e mobilidade.

A associação reconhece a inclusão de algumas medidas no documento, nomeadamente a atualização dos escalões do IRS acima da inflação, o reforço da dedução a partir do terceiro filho e o alargamento da licença parental. Contudo, classifica estas opções como “passos simbólicos e avulsos” que falham em corrigir a injustiça estrutural.

Segundo a APFN, as famílias numerosas têm rendimentos semelhantes aos dos restantes agregados, com a diferença de que o mesmo montante precisa de sustentar mais pessoas. A organização sublinha que tratar de forma igual famílias com o mesmo rendimento, mas com número diferente de dependentes, ignora o aumento de custos com alimentação, vestuário, habitação, energia e educação.

“Uma criança não é uma fração de adulto nem um elemento acessório do agregado. É uma pessoa inteira com necessidades próprias que o rendimento da família tem de sustentar por inteiro”, refere a associação, alertando que o Estado está a “sufocar o rendimento disponível de quem decide ter filhos”.

Lembrando que os dados do Inquérito à Fecundidade do Instituto Nacional de Estatística indicam que as famílias portuguesas desejam ter mais filhos e não o fazem sobretudo por limitações financeiras, a APFN apela aos grupos parlamentares para que corrijam o documento durante a discussão na especialidade.

Entre as medidas propostas pela associação para o IRS estão a tributação com base no rendimento per capita ou a dedução de um mínimo de existência por filho, a fixação de limites de despesas dedutíveis por pessoa e a atualização das deduções à taxa da inflação acumulada.

Na habitação, a organização pede a eliminação do teto de três filhos no IMI Familiar e critérios per capita na isenção de IMI, no IMT e no Porta 65 Jovem. A APFN reclama ainda a aplicação da taxa reduzida de IVA a todo o consumo de eletricidade, um abono de família universal, maior flexibilidade na licença parental e a revisão do ISV e do IUC para veículos de maior lotação a partir dos três filhos.

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Empresas alemãs prevêem elevar preços perante a pressão dos custos de energia, aponta Ifo

As empresas alemãs prevêem aumentar os preços nos próximos meses, pressionadas pelo forte avanço das cotações de petróleo e gás natural. Segundo o Instituto Ifo, o indicador de expectativas de preços subiu de 23,0 para 25,9 pontos entre setembro e outubro de 2026, sinalizando que a inflação deve continuar em alta tanto nos preços ao produtor quanto aos consumidores.

“As empresas estão a reagir ao forte aumento nos preços do petróleo bruto e do gás natural, que atingiram no segundo semestre de outubro seu nível mais alto desde 2022”, afirmou Timo Wollmershäuser, chefe de previsões do instituto, num comunicado divulgado nesta sexta-feira.

“Nos próximos meses, a inflação continuará a subir tanto para os preços de produtor quanto para os preços ao consumidor”, refere o instituto alemão.

O avanço do indicador foi generalizado entre os setores da economia alemã.

Na indústria de transformação, o salto foi particularmente pronunciado: o indicador cresceu para 27,2 pontos, contra 22,0 em setembro.

No retalho, as expectativas de preço subiram de 31,5 para 32,2 pontos, enquanto entre os prestadores de serviços para o consumidor o índice avançou de 15,1 para 17,7 pontos.

Na construção civil, o indicador permaneceu praticamente estável, recuando levemente de 16,2 para 16,1 pontos. Apenas entre os prestadores de serviços para o setor empresarial houve algum alívio na pressão sobre os preços, com uma queda do indicador de 23,4 para 22,3 pontos.

Os dados reforçam a preocupação de que a recuperação recente nos preços da energia possa reavivar as pressões inflacionárias na maior economia da Europa, após um período de maior estabilidade nos custos ao longo dos últimos anos.

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ASF quer apresentar proposta de adesão automática a planos de pensões até março de 2027

A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) espera apresentar até ao final do primeiro trimestre do próximo ano uma proposta para introduzir em Portugal um sistema gradual de adesão automática a planos complementares de reforma (auto-enrollment), anunciou o presidente do regulador dos seguros, Gabriel Bernardino.

A medida pretende reforçar a poupança para a reforma através da inscrição automática dos trabalhadores em planos de pensões profissionais, com contribuições que poderão ser reduzidas e com a possibilidade de desistência voluntária. O responsável adiantou que a ASF está a trabalhar no tema e mantém contactos com o Governo, sublinhando que o objetivo é ultrapassar a inércia na decisão de poupar.

Gabriel Bernardino afirmou que a ASF está a trabalhar no tema e que “tem falado, naturalmente, com o Governo”. O objetivo, explicou, é trazer os sistemas complementares de pensões “para outro nível de que muito necessitamos”.

A criação de um sistema de acompanhamento de pensões, que reúna num único local informação sobre a pensão pública, os fundos de pensões profissionais e as poupanças individuais, é outra das prioridades. A ASF quer ainda modernizar os Planos Poupança Reforma (PPR), distinguindo de forma mais clara os produtos que privilegiam a garantia de capital daqueles que procuram maior rendibilidade, com riscos mais elevados.

As propostas foram apresentadas na sessão de lançamento do Observatório da Poupança de Longo Prazo para a Reforma, desenvolvido pela ASF em colaboração com a Universidade Nova de Lisboa.

Poupar, sim, mas pouco

Os dados do primeiro inquérito do Observatório mostram que apenas 28% dos portugueses detêm pelo menos um produto específico de poupança de longo prazo para a reforma, embora 45% afirmem poupar ativamente para esse objetivo.

Entre os jovens adultos, a proporção com produtos específicos desce para 17%, apesar de 69% considerarem que se deve começar a poupar antes dos 30 anos.

A falta de recursos financeiros é a principal razão apontada por quem não poupa, indicada por 55% dos inquiridos. Outros 27% dizem nunca ter pensado no assunto ou considerar prematuro fazê-lo.

Gabriel Bernardino defendeu também a determinação de incentivos fiscais estáveis e mais favoráveis para os aforradores de menores rendimentos, bem como a criação de produtos adequados a pequenas poupanças. Contribuições mensais de 20 ou 50 euros, acumuladas durante 30 a 40 anos, podem representar um complemento importante na reforma, afirmou.

O presidente da ASF destacou ainda a necessidade de reforçar a transparência sobre os custos dos produtos financeiros, através da análise do chamado value for money, que avalia a relação entre os custos suportados e os benefícios obtidos pelo consumidor. O objetivo é permitir que os aforradores conheçam a rendibilidade líquida das aplicações, depois de comissões e impostos, e percebam se conseguem superar a inflação.

Portugal apresenta uma taxa de poupança dos particulares de 12,2% no quarto trimestre de 2025, situando-se abaixo da média da União Europeia (13,9%), num contexto marcado pelo envelhecimento demográfico e pelo facto de o valor médio das pensões da Segurança Social em 2024 (7.665 euros) se encontrar abaixo do limiar de risco de pobreza (8.679 euros).

No final de 2025, os ativos dos regimes complementares de segurança social ascendiam a 33,2 mil milhões de euros, divididos entre o segundo e terceiro pilares, embora as rendibilidades medianas a dez anos destes produtos (entre 0,9% e 2,0%) tenham ficado aquém da inflação média de 2,1% registada no mesmo período.

O Observatório revela que a rendibilidade mediana anualizada a dez anos foi de 0,9% nos PPR sob a forma de seguros ligados a fundos de investimento (unit-linked); de 2% nos seguros não ligados e de 1% nos PPR constituídos sob a forma de fundos de pensões.

A ASF está também a trabalhar, no âmbito do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, numa proposta de regulação da hipoteca inversa, destinada sobretudo a pessoas idosas cujo património está concentrado em imóveis.

O reforço dos sistemas complementares de reforma, defendeu Gabriel Bernardino, deverá complementar, e não substituir, o sistema público de pensões.

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“É bem possível que em 2027 já haja condições para fazer pagamentos” aos credores do BES

Luís Máximo dos Santos, vice-governador do Banco de Portugal que cessa esta sexta-feira funções, acredita que é possível que em 2027 já haja condições para começar fazer pagamentos aos credores comuns do BES, ao abrigo do princípio “no creditor worse off”. Anuncia ainda que há mudanças significativas em curso na lei bancária e diz que o Fundo de Resolução terá condições para pagar entre 1,7 mil milhões e 1,9 mil milhões de euros ao Estado e aos bancos no fim deste ano ou início do próximo.

Terminou o mandato a 20 de junho e sai nesta sexta-feira. Passou mais de dez anos na administração do Banco de Portugal (BdP). Que balanço faz do que fez e ficou por fazer?

O balanço essencial é o de ter contribuído para um processo de grande melhoria do Banco. Melhorou o desempenho das missões centrais do Banco de Portugal, mas também a organização, os recursos tecnológicos e as políticas para reter talento. O Banco é hoje uma instituição mais próxima da comunidade a vários níveis, mais ligada à academia e à sociedade, e com um projeto para permitir que mais colaboradores aproveitem as condições das delegações regionais e das agências.

O Banco é liderado por um governador – lidei com três – e tem um conselho de administração que funciona de forma colegial. Somos todos, em alguma medida, responsáveis pelo que de bom ou de menos bom acontece na instituição e a evolução nestes dez anos é bastante positiva. A situação do setor bancário em 2016 era muitíssimo mais negativa. O mérito primordial é das instituições supervisionadas, que limparam balanços, racionalizaram recursos e ajustaram o modelo de negócio. Mas o novo quadro regulatório pós-crise e uma atuação supervisora muito mais efetiva também contribuíram. Os resultados recentes da avaliação do FMI (FSAP) são gratificantes, tanto para o sistema bancário como para a ação do Banco enquanto supervisor, na prevenção do branqueamento de capitais e na gestão de crises, onde se inclui a resolução.

O dossier Novobanco foi a tarefa mais difícil? Não será também uma medalha ver o banco que saiu das cinzas do BES a ser comprado pelo francês BPCE?

Medalha não tenho, porque não fui condecorado [risos]. O mais difícil foi fazer aplicar, com rigor, o acordo de capital contingente, defendendo o interesse público ao longo de todo o processo, em especial na aplicação rigorosa do contrato, e procurando minimizar os pagamentos que tínhamos de fazer ao abrigo do CCA [Mecanismo de Capital Contingente]. Não me lembro de nenhum acordo deste tipo aplicado em Portugal, e isto nem sequer é típico das funções de um banco central. Obrigou a uma minúcia e a um rigor enorme e convocou competências particulares, que foi possível reunir com uma equipa dedicada constituída no departamento de resolução.

O Acordo de Capitalização Contingente teve um impacto público significativo, porque falamos de verbas muito avultadas, assentes nas contribuições das instituições financeiras para o fundo e em empréstimos do Estado e das próprias instituições. Houve muita incompreensão, o que é natural. O escrutínio foi muito exigente, mas acabou por ajudar-nos a cumprir a missão, porque tivemos de verificar ao pormenor o racional das nossas decisões e de como as fundamentávamos. O Estado será reembolsado, e as instituições também.

Os meus mandatos ficam marcados pelas questões da resolução, o que é normal por serem os temas mais mediáticos, mas houve muitas outras coisas. Por exemplo, quando tive o Departamento de Supervisão Comportamental, integrou-se no perímetro da supervisão os intermediários de crédito, vários milhares, o que foi um grande desafio. Significou trazer todo um setor para o perímetro da supervisão.

Compensou ter havido o mecanismo de capital contingente?

Em 2017 não havia modo de encontrar alguém disposto a comprar o Novobanco sem um mecanismo como este. Não foi um apoio direto às perdas de um conjunto de ativos (que aliás se verificou serem bem maiores do que aquilo que foi despendido), era um mecanismo original, no sentido em que estava limitado ao menor de dois valores, entre as perdas desses ativos e o necessário para manter determinados rácios de capital no Novobanco. Sem ele, a venda não existia. O balanço final acaba por ser positivo para o país.

A venda do Novobanco foi um bom negócio para o Fundo de Resolução e para o Estado?

Aderimos [o FdR] a uma venda que a Lone Star promoveu e há pouco balizei o meu contributo no Novobanco como a defesa do interesse público na aplicação do mecanismo de capital contingente [antes da venda ao BPCE] e em todas as fases do processo, incluindo a venda final. Mas é objetivo que o valor obtido ultrapassou as melhores expectativas, o que é muito positivo. E o comprador ser uma grande instituição bancária de um mercado, o francês, que não tinha uma presença extraordinária em Portugal, abre novas possibilidades de interconexão para a economia portuguesa. O desfecho final foi positivo.

Em 10 anos também teve de lidar com um contencioso gigantesco…

Em 2016, os processos contra o Banco de Portugal eram da ordem do milhar. Claro que os processos, por causa do contencioso das medidas de resolução, tiveram um peso importante aqui. Não é normal um banco central ter um contencioso tão extenso, e alguns com ramificações no Tribunal Europeu e noutras ordens jurídicas, como Espanha e Reino Unido. As decisões que fomos tomando foram sendo avaliadas por tribunais, que no fundo é o escrutínio mais imparcial possível…

O Banco de Portugal ganhou os processos?

Todos não, mas quase todos, e sem dúvida os mais importantes: aqueles em que se procurava responsabilizar o Banco por falhas de supervisão e os do contencioso da resolução. Como por exemplo a retransmissão das obrigações do Novobanco para o BES.

Noutro plano, nos processos contraordenacionais, em que tivemos de aplicar sanções com todas as garantias, nos universos BES e Banif, as decisões judiciais confirmaram no essencial as posições do Banco. Se não fosse assim teria sido mais difícil.

A resolução devia ter saído da órbita do Banco de Portugal?

Não acho que esse fosse uma boa solução. A decisão de fazer do Banco de Portugal a autoridade nacional de resolução foi acertada e recentemente até foi estendida às contrapartes centrais. Seria muitíssimo pior lidar com uma instituição nova, sem recursos, quando o Banco tem os recursos humanos e o conhecimento para o fazer.

Quando é que o Fundo de Resolução vai pagar entre 1,7 mil milhões e 1,9 mil milhões de euros ao Estado e aos bancos?

Tencionamos pagar no final de 2026 ou início de 2027.

Essa receita decorre da venda do Novobanco?

Também, mas não apenas. Temos ainda os dividendos da Oitante, rendimentos das aplicações dos recursos do fundo e, naturalmente, as contribuições do setor bancário, que se mantém.

Vamos cumprir os contratos e, ao reembolsar capital, deixamos de pagar os juros que teríamos se mantivéssemos a dívida, o que significa um ganho substancial, na ordem das dezenas de milhões de euros.

Os empréstimos não foram contratualizados todos na mesma data nem têm todos as mesmas regras, e alguns passam a pagar juros em 2027. O aspeto central é que temos recursos reunidos para pagar entre 1,7 mil e 1,9 mil milhões, o que melhora a situação líquida do fundo e evita que sejamos onerados com juros. Não é ainda a dívida toda, há muito trabalho a fazer. O Estado será reembolsado e as instituições também.

Qual é o impacto nas contas do fundo da liquidação desses 1,9 mil milhões de euros?

Posso-lhe dizer que a liquidação de 1,9 mil milhões de euros permite uma poupança bruta anual de juros de 67,8 milhões de euros. Em contrapartida, há uma perda de rendibilidade de 42,6 milhões associada à amortização, porque o montante aplicado passa a ser inferior ao atual. A poupança líquida estimada para o Fundo de Resolução é, assim, de 25,2 milhões.

Há bocado perguntou-me o que ficou por fazer, aqui está uma coisa que ficou por fazer, neste domínio da resolução: reembolsar os empréstimos, embora, como já disse, isto não ficou feito, mas ficou bem preparado. Portanto, estamos em condições de o fazer, mas o reembolso não foi ainda efetivado. Até agora só pagámos juros e ainda não começámos a reembolsar capital, o que acontecerá no fim de 2026 e início de 2027.

A segunda coisa que ficou por fazer foi o reembolso aos credores do BES ao abrigo do princípio “no creditor worse off”. As compensações também ficam por resolver. Já constituímos uma provisão…

Os 630 milhões valor da provisão para cumprir o princípio “no creditor worse off” no BES é uma estimativa realista e quando será pago aos credores?

Constituímos essa provisão sabendo que mais cedo ou mais tarde teria de haver este pagamento, porque é um pilar essencial da legalidade da resolução. Quando um credor recebe menos na resolução do que teria recebido numa liquidação, tem de ser compensado. Uma avaliação independente estimou que os credores comuns receberiam 31,7% do seu crédito se o BES tivesse ido para liquidação em agosto de 2014.

Teoricamente teria de se esperar pelo fim da liquidação do BES, mas houve um movimento por parte dos credores no sentido de que, sendo já reconhecido como privilegiado (o crédito do Fundo de Resolução), podem estar reunidos os pressupostos para que a compensação se exerça. Na provisão usámos um critério de prudência, que não quer dizer que seja o valor final, pode ser menos. Mas as contas têm de ter total transparência, e para isso era fundamental que, ao registar a receita decorrente da venda do Novobanco, também se constituísse essa provisão.

O pagamento está sujeito a requisitos que têm de ser verificados em concreto para cada crédito. A única garantia é que receberão, sem dúvida, aqueles que em que se verificarem todos os requisitos previstos na lei.

O que sucederá no momento em que a autoridade de resolução entender que estão verificados todos os pressupostos. Isto é, que sejam reconhecidos como credores comuns e que esteja fixado o montante. Terá de haver um procedimento regulamentar. Fizemos uma consulta pública e acabámos de receber as respostas.

Portanto não darei uma data específica, mas é bem possível que em 2027 já haja condições para fazer pagamentos a alguns. Isto é uma decisão tomada credor a credor, e cada um vai cumprindo os requisitos recebe.

Impulsionou um Código da Atividade Bancária que não saiu da gaveta. Qual era a sua importância?

O atual RGICSF é de 1992 e tem centenas de alterações: é uma manta de retalhos, quase indecifrável em alguns aspetos. O CAB era uma verdadeira reforma da legislação do setor financeiro. O trabalho começou em 2019, com a ideia de revogar o RGICSF e substituir por esse código. Politicamente não foi possível, houve dissoluções do parlamento, mudanças de Governo e o Código tinha de passar pela Assembleia da República.

Mas nem tudo se perdeu. No contexto da transposição da CRD VI há elementos importantes que estavam previstos no CAB e que poderão manter-se no novo RGICSF, como a organização do diploma, o sentido codificador, a sequência das normas e o regime da tramitação eletrónica dos processos contraordenacionais. Há aspetos, quer de forma, quer de substância, que irão agora integrar o novo RGICSF. Portanto, não será um novo código, mas será um novo RGICSF.

A união bancária é essencial para remover obstáculos às fusões transfronteiriças. A concentração bancária deve ser promovida?

As fusões transfronteiriças têm toda a gente a favor, exceto quando lhes toca a eles… Portugal é até um bom exemplo. A venda do Novobanco ao BPCE foi uma operação transfronteiriça e correu bem. Acho que a concentração bancária não se pode fazer por decreto. Percebo que os bancos europeus tenham de ser grandes à escala da União e à escala mundial, e a dimensão conta para ser mais competitivo, mas tem de nascer do mercado, das sinergias que as instituições encontrem entre si. Não deve ser uma política de cima para baixo, até porque temos de salvaguardar a concorrência, hoje a uma escala mais ampla do que a dos mercados nacionais. Para isso existem a Comissão Europeia e as autoridades nacionais de concorrência.

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Utentes já podem consultar estado do registo no SNS através da aplicação e do portal

Os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) já podem verificar a tipologia do seu registo no Registo Nacional de Utentes (RNU) através da aplicação e do portal SNS 24, anunciou hoje a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS).

A medida, desenvolvida em articulação com a Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), visa reforçar a transparência e permitir que cada cidadão consulte a sua situação administrativa sem necessidade de se deslocar a uma unidade de saúde.

Segundo a ACSS, a tipologia do registo no RNU assume particular relevância por influenciar a aplicação das regras de inscrição nos cuidados de saúde primários, a elegibilidade para atribuição de equipa de saúde familiar e o financiamento dos cuidados prestados.

O sistema contempla atualmente cinco tipologias de registo: registo atualizado, registo atualizado não residente, registo em curso, registo incompleto e registo histórico.

A entidade explicou que os utentes com a classificação de “registo em curso” ou “registo incompleto” devem promover a regularização dos dados em falta junto de uma unidade de cuidados de saúde primários ou hospitalares do SNS, mediante a apresentação da documentação necessária. A atualização presencial é exigida para confirmar a identidade do utente e garantir a proteção da informação.

A ACSS esclarece ainda que a classificação de “registo atualizado não residente” — referente a cidadãos portugueses a residir no estrangeiro com os dados completos — não retira o direito de acesso aos cuidados de saúde do SNS nem a respetiva cobertura financeira, embora exclua a elegibilidade para a atribuição ou manutenção de médico de família.

A disponibilização desta funcionalidade sucede à integração, em setembro de 2026, de novos indicadores sobre o RNU no Portal da Transparência do SNS, permitindo acompanhar a evolução dos registos por região, unidade local de saúde, grupo etário e nacionalidade.

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BPI e Fundação la Caixa apoiam 24 projetos sociais com 1,1 milhões de euros

O BPI e a Fundação la Caixa atribuíram 1.124.150 euros a 24 projetos de instituições sociais no âmbito da 11.ª edição do Prémio Solidário, com o objetivo de melhorar as condições de vida de 1.839 pessoas em situação de vulnerabilidade.

Os vencedores foram anunciados esta quinta-feira numa cerimónia realizada na Quinta das Lágrimas, em Coimbra. A edição de 2026 contou com 101 candidaturas, que solicitaram um financiamento global de 5,1 milhões de euros. As iniciativas selecionadas vão receber, em média, cerca de 46.840 euros cada.

As propostas contempladas abrangem áreas como a capacitação e integração profissional de desempregados de longa duração, migrantes e refugiados, além de programas de reinserção social de pessoas reclusas e ex-reclusas. Estão também previstos apoios à autonomia de jovens em acolhimento residencial, respostas para pessoas em situação de sem-abrigo, ações focadas na saúde mental, promoção da saúde materna e apoio à parentalidade.

Entre os projetos distinguidos figuram instituições de vários pontos do país e regiões autónomas, designadamente nos distritos de Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Setúbal, Bragança, Faro, Viseu e na Região Autónoma da Madeira.

Desde o lançamento do Prémio Solidário, em 2016, a iniciativa já apoiou 256 projetos com um investimento acumulado de 9,7 milhões de euros, beneficiando mais de 46.800 pessoas. O galardão integra os Prémios BPI Fundação la Caixa, que em 2026 dispõem de uma dotação global de cinco milhões de euros distribuída pelas categorias Infância, Solidário, Seniores e Capacitar.

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Savannah conclui trabalhos geotécnicos no Bloco Este do projeto de lítio do Barroso, em Boticas

A Savannah Resources concluiu no início desta semana os trabalhos de reconhecimento geotécnico e hidrogeológico no Bloco Este do Projeto Lítio do Barroso, onde será instalada a fábrica e se concentrarão as atividades durante os primeiros oito anos de operação.

A informação foi hoje comunicada ao mercado pela empresa, que adianta que a campanha, que decorreu de forma contínua ao longo de cerca de cinco meses, permitiu recolher informação técnica detalhada sobre as características dos terrenos e as condições hidrogeológicas, essencial à engenharia e à preparação das futuras infraestruturas.

De acordo com o comunicado, foram abrangidos 276 pontos de observação, incluindo 189 poços de reconhecimento, de que resultaram centenas de amostras enviadas para ensaios geotécnicos em laboratórios certificados.

Realizaram-se ainda 32 sondagens para piezómetros, para medir e acompanhar os níveis de água, e 30 sondagens geotécnicas, para caracterizar as condições das fundações das futuras instalações e a qualidade dos materiais que poderão ser utilizados em construção.

A campanha envolveu mais de 40 trabalhadores da Savannah e mobilizou, em média, cerca de 30 profissionais por dia.

Para além destes, contou com a participação de quatro empresas portuguesas – uma local na limpeza florestal e movimentação de terras, uma empresa regional na segurança no trabalho e duas empresas nacionais nos serviços especializados de perfuração geológica e geotécnica e de vigilância de equipamentos e pessoas.

Somando a estes serviços os de restauração, alojamento e outros do dia-a-dia, terão sido aplicados, em menos de meio ano, bem mais de 500 mil euros em serviços diretos na economia local, refere a empresa.

Os trabalhos prolongaram-se por coincidirem com o Verão, período de maior risco de incêndio rural definido pelas autoridades locais, com a altura em que as operações e horários foram adaptados em conformidade com as restrições em vigor.

Citado no comunicado, o CEO da Savannah, Emanuel Proença, considera que “a conclusão desta campanha representa mais um passo concreto no desenvolvimento do Projeto Lítio do Barroso”.

“Relativamente à contestação ao projeto dos últimos dias, por sermos da região, sabemos que a mesma não representa o sentimento local. Nós vemos no dia a dia a cada vez maior aceitação do Projeto por todos aqueles que acolheram a via do diálogo, vemos o interesse que as pessoas têm no Projeto e nas oportunidades que ele está já a criar nas comunidades. Mais de 2.000 candidatos a novos empregos, e 50 novas vagas para preencher nos próximos meses, reforçam a grande responsabilidade que temos em mãos”, acrescentou.

Empresa diz que protesto não paralisou trabalhos

No mesmo comunicado, a Savannah rejeita acusações e esclarece factos sobre os trabalhos, sublinhando que, ao contrário do referido nos últimos três dias, o protesto dos últimos dias não paralisou trabalhos.

Conforme a empresa foi esclarecendo, não estavam previstas intervenções no local dos protestos, encontrando-se o programa já concluído nessa área, tendo as operações prosseguido noutras frentes de trabalho, de acordo com o planeamento definido.

A Savannah reafirma que a sua atuação no local ocorreu ao abrigo da Servidão Administrativa concedida pelo Estado português.

Com a conclusão da campanha, a empresa dispõe agora de informação geotécnica e hidrogeológica adicional para apoiar as soluções de engenharia do Bloco Este do Projeto Lítio do Barroso.

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PSI avança impulsionado por Jerónimo Martins e BCP. Europa fecha maioritariamente em alta em dia de BCE

A bolsa lisboeta encerrou a sessão desta quinta-feira em terreno positivo, num dia marcado pelo otimismo generalizado nos mercados acionistas europeus, enquanto os investidores digeriam as decisões de política monetária e os dados macroeconómicos mais recentes. O índice PSI avançou 0,80%, fixando-se nos 9.319,57 pontos.

No índice nacional, o destaque positivo foi para a Jerónimo Martins, que liderou os ganhos ao valorizar 2,58% para 18,29 euros, seguida pelo BCP, que subiu 1,33% para 1,1050 euros. Ambas apresentaram contas do terceiro trimestre esta quarta-feira.

Do lado negativo, a Mota-Engil foi a única cotada a registar uma variação negativa relevante, cedendo 0,26% para 4,614 euros, num dia em que a generalidade dos títulos portugueses acompanhou a tendência altista europeia.‌

A nível europeu, o otimismo foi a tónica dominante, com a maioria dos principais índices a encerrar em alta. O índice pan-europeu Stoxx 600 registou um acréscimo de 0,82%, num movimento impulsionado pela expetativa em torno das decisões dos bancos centrais. O EuroStoxx 50, que agrega as maiores empresas da zona euro, fechou nos 6.212,35 pontos, uma subida de 0,72%.

Entre as principais praças, o DAX alemão destacou-se com um ganho de 1,45% para 26.076,22 pontos, seguido pelo CAC 40 francês, que avançou 1,05% para 7.970,00 pontos. O FTSE 100 britânico subiu 0,30% para 10.726,28 pontos, enquanto o FTSE MIB italiano registou um acréscimo de 0,39% para 50.017,50 pontos. A exceção foi o IBEX 35 espanhol, que contrariou a tendência e fechou em ligeira baixa de 0,16% para 18.852,69 pontos.‌

No seu habitual comentário de fecho, o Millennium investment banking destaca que “a generalidade das praças europeias encerrou em alta, num dia marcado por muitas contas empresariais e pelas decisões de política monetária do BCE. O Banco Central Europeu agiu como esperado e manteve as taxas de juro inalteradas, mas a grande surpresa foi o anúncio de saída antecipada da presidente Christine Lagarde, que ocorrerá a 7 de fevereiro de 2027″.

“O organismo afirmou que a inflação subjacente permanece amplamente estável, enquanto os efeitos totais do choque energético continuam a manifestar-se, reafirmando o seu compromisso de garantir que a taxa de inflação se estabilize na sua meta de médio prazo de 2%/ano”, acrescenta o analista do BCP. 

“De resto, a notar o disparo da Soitec, depois de notas de mercado darem conta de uma potencial compra da Lumentum pela Marvell Tecnology, mostrando apetite pelo setor de fotónica para data centers. Em Portugal BCP e Jerónimo .Martins reagiram positivamente a contas e lideraram os ganhos no PSI. Na vizinha Espanha o IBEX foi castigado pela Banca, onde as contas do BBVA mostraram fraqueza no mercado doméstico”, concluiu o analista Ramiro Loureiro.

A sessão foi assim pautada pela cautela dos investidores face às decisões de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e da Reserva Federal (Fed) dos EUA. O BCE optou por manter as taxas de juro inalteradas, em linha com as expectativas, mas o anúncio de que a presidente Christine Lagarde deixará o cargo antecipadamente, em fevereiro de 2027, introduziu um elemento de incerteza adicional no mercado.

Os economistas antecipam agora uma nova subida das taxas de juro por parte da Fed na reunião de dezembro, o que, a concretizar-se, poderá encerrar o atual ciclo de aperto monetário. A atenção dos investidores voltar-se-á, nas próximas sessões, para os indicadores de inflação e de atividade económica, que serão cruciais para aferir a trajetória futura da política monetária a nível global.

O contexto macroeconómico continua a ser desafiante. Os elevados preços da energia, as tensões fiscais e políticas em França e a desaceleração do crescimento do PIB na zona euro, que poderá ter abrandado para 0,2% no terceiro trimestre, continuam a condicionar as perspetivas. A inflação na zona euro acelerou para 3,8% em setembro, pressionada pela subida dos preços do petróleo e do gás, o que aumenta o risco de novas pressões inflacionistas e coloca o BCE numa posição delicada, dividido entre a necessidade de conter a inflação e a deterioração das perspetivas de crescimento.

No mercado energético, os preços do petróleo registaram um recuo, com o Brent a cair 0,7% para 114,50 dólares por barril e o WTI a descer 1% para 101,74 dólares. Esta descida surge após ganhos recentes e num contexto de elevada volatilidade geopolítica.

No mercado de dívida soberana, as yields das obrigações de referência a 10 anos registaram um movimento generalizado de descida. A yield da dívida alemã (Bund) recuou para 3,349%, uma descida de 4,38 pontos base, enquanto a de Portugal caiu para 3,833%, menos 7,91 pontos base. Em França, a yield a 10 anos situou-se em 4,892%, e nos EUA, a yield do Treasury a 10 anos desceu para 4,994%.

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CMVM: Ativos sob gestão em capital de risco sobem 24% para 12,7 mil milhões de euros em 2025

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) publicou o “Relatório sobre a Atividade de Capital de Risco 2025”, que confirma o crescimento sustentado do setor em Portugal.

No final do ano, 86 entidades gestoras administravam organismos de investimento alternativo (OIA) de capital de risco, mais 6 (+8%) do que em 2024. O número de fundos de capital de risco (OIA) em atividade aumentou 20%, para 417, enquanto os ativos sob gestão subiram 24%, para 12,7 mil milhões de euros. O número de participantes cresceu igualmente 20%, para 20.496, dos quais 84% eram investidores não profissionais.

Os ativos permanecem concentrados nos fundos de maior dimensão. Os OIA com 100 milhões de euros ou mais representavam apenas 7% do total, mas detinham cerca de 38% dos ativos sob gestão. Em contraste, os fundos com menos de 2 milhões de euros correspondiam a cerca de 15% do universo e detinham menos de 1% do volume.

As estratégias continuaram dominadas por private equity (236 OIA, cerca de 69% dos ativos) e venture capital (168 OIA, cerca de 27%). O investimento em fases iniciais (seed capital, start-up e early stage) avançou 37%, para 2.849 milhões de euros. O capital destinado à expansão das empresas subiu no mesmo ritmo, para 3.988 milhões de euros. O investimento em turnaround aumentou 14%, para 771 milhões de euros.

As aquisições de participações sociais representaram 71% do valor total das transações. Foram registadas 1.073 operações de alienação, das quais 31% geraram mais-valias face ao valor de aquisição e 35% face ao valor em carteira.

No plano da supervisão, a CMVM destacou uma ação temática centrada nos requisitos de elegibilidade e nas práticas de comercialização, que originou a Circular 007/2026, publicada a 21 de outubro. A autoridade manteve o foco nos sistemas de governo e controlo interno, incluindo prevenção de conflitos de interesses, funções de conformidade e auditoria interna (no âmbito de uma ação coordenada pela ESMA), relatórios de autoavaliação e prevenção do branqueamento de capitais.

A atividade de capital de risco continua a ser uma prioridade de supervisão, garante o regulador que remete para a “esperada transposição das Diretivas (UE) 2024/927 e 2024/2994, que implicarão alterações ao Regime da Gestão de Ativos e ao Regulamento da CMVM n.º 7/2023, as entidades gestoras deverão avaliar a adaptação dos seus processos”.

A CMVM diz que o relatório visa reforçar a transparência e incentivar práticas que contribuam para o desenvolvimento sustentável do mercado de capitais português.

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Grupo BC muda de marca para BC Technologies e afirma-se como processador tecnológico com IA para banca

O Grupo BC anunciou hoje a mudança da sua marca para BC Technologies, uma reestruturação que, segundo a empresa, reflete a transformação dos últimos anos para se tornar um processador tecnológico líder, impulsionado por Inteligência Artificial, no mercado hipotecário e de crédito.

A nova BC Technologies posiciona-se como fornecedora de software ao longo de todo o ciclo de vida hipotecário e de crédito, assegurando processos críticos para instituições financeiras na Península Ibérica e na América Latina.

A BC Technologies é uma plataforma tecnológica e fornecedora de software líder nos mercados hipotecário e de crédito da Península Ibérica e da América Latina, com soluções potenciadas por IA.

Em comunicado a tecnológica explica que ao longo das últimas décadas, o grupo desenvolveu uma plataforma de software que se tornou o sistema operativo dos mercados hipotecário e de crédito nestas duas regiões. Atualmente, a plataforma é utilizada por mais de 50 mil clientes e parceiros e suporta cerca de 500 mil transações por ano.

No centro desta operação está o SDoc — a camada de infraestrutura do grupo, na qual bancos, notários e conservatórias executam os seus fluxos de trabalho num ambiente único e orquestrado. Segundo a empresa, o SDoc está a tornar-se o sistema de registo de referência do setor, com adoção em rápido crescimento entre as principais instituições financeiras, após um investimento plurianual.

“A plataforma da BC Technologies combina um profundo conhecimento dos processos e dados do setor dos serviços financeiros com uma compreensão detalhada dos fluxos de trabalho complexos e dos quadros regulamentares, construída ao longo de relações de uma década com os clientes”, refere o comunicado. As capacidades de IA agêntica estão cada vez mais integradas, com foco na automatização, precisão, eficiência, conformidade regulamentar e segurança.

O grupo inclui também empresas de elevado crescimento como a iAhorro, a principal plataforma digital de intermediação hipotecária em Espanha, e a Liquitty, principal processador de crédito baseado em software na Colômbia.

A mudança de marca reflete uma transformação em curso conduzida pelo CEO do Grupo, Benjamin Ruiz-Larrea, que assumiu o cargo em 2025, dando continuidade ao trabalho de Xavier Costa, que permanece no grupo como membro do Conselho de Administração.

“Somos o sistema operativo dos nossos clientes no setor dos serviços financeiros, proporcionando rapidez, precisão, fiabilidade, segurança e certeza regulamentar sem paralelo nos seus processos hipotecários e de crédito mais críticos. A marca BC Technologies reflete a transformação do nosso modelo de negócio e a oportunidade que vemos de oferecer aos nossos clientes soluções centradas na tecnologia, à medida que a IA está a transformar os serviços financeiros”, afirmou Benjamin Ruiz-Larrea.

“A BC Technologies é um excelente exemplo de uma empresa líder numa categoria que está a evoluir com sucesso o seu modelo de negócio para uma plataforma centrada na tecnologia. Estamos entusiasmados por apoiar o Benjamin e a equipa enquanto continuam a expandir a oferta tecnológica e a acelerar a adoção da IA, alcançando efeitos positivos para clientes de primeira linha”, disse Christian Lucas, Managing Partner da Silver Lake e Presidente do Conselho de Administração da BC Technologies.

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Mais de 40% dos portugueses continuam a poupar menos do que antes e mais jovens poupam mais

Mais de quatro em cada dez portugueses com conta bancária continuam a poupar menos do que anteriormente, apesar de se registarem sinais de melhoria face ao ano anterior, segundo dados do estudo Basef Banca da Marktest divulgados por ocasião do Dia Mundial da Poupança, assinalado a 31 de outubro.

De acordo com o estudo, 41,4% dos portugueses bancarizados afirmavam, no final de 2025, estar a poupar menos do que antes. Apesar de continuar a ser o grupo mais representativo, este indicador melhorou em relação a 2024, quando 45,7% dos inquiridos reportavam uma redução da capacidade de poupança.

Em sentido contrário, aumentou a percentagem de portugueses que conseguiram reforçar as suas poupanças. Em 2025, 19,5% dos inquiridos afirmavam poupar mais do que anteriormente, acima dos 17,6% registados no ano precedente.

Os restantes participantes dividiam-se entre aqueles que mantiveram o mesmo nível de poupança, representando 31,5% da amostra, e os que não souberam ou preferiram não responder à questão, correspondente a 7,6%.

A análise por faixas etárias evidencia diferenças significativas nos hábitos de poupança. Entre os jovens dos 15 aos 24 anos com conta bancária, 34,9% afirmavam estar a poupar mais do que antes, tornando este o grupo com maior propensão para reforçar as poupanças.

No extremo oposto encontram-se os portugueses com mais de 64 anos, entre os quais apenas 13,3% disseram conseguir aumentar o montante poupado.

Segundo a Marktest, estes resultados sugerem que os consumidores mais jovens demonstram uma maior predisposição ou capacidade para reforçar as suas poupanças, contrastando com as gerações mais velhas, que continuam a enfrentar maiores dificuldades para aumentar o aforro.

Os dados resultam do estudo Basef Banca, uma análise regular da Marktest que acompanha os comportamentos financeiros e a relação dos portugueses com o sistema bancário.

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DBRS destaca “fortes” resultados do BCP e antecipa lucro em 2026 acima do de 2025

A Morningstar DBRS considerou que o BCP apresentou um “conjunto forte de resultados” no terceiro trimestre e nos primeiros nove meses de 2026, com o lucro líquido consolidado a subir 12,6% em termos homólogos, para 873,7 milhões de euros. A agência prevê que o resultado de 2026 fique “confortavelmente” acima do de 2025 e que continue a melhorar em 2027.

Segundo a análise da vice-presidente das Instituições Financeiras Europeias da DBRS, Maria Parra, o terceiro trimestre foi o melhor período do ano até agora, ajudado pela aceleração da margem financeira e por encargos mais leves em outros resultados operacionais, depois de as contribuições obrigatórias terem penalizado o primeiro semestre.

“O BCP reportou um conjunto forte de resultados no 3.º trimestre e nos primeiros nove meses de 2026. O lucro líquido subiu 12,6% em termos homólogos, e o 3.º trimestre foi o melhor trimestre do ano até agora”, escreve Maria Parra, vice-presidente das Instituições Financeiras Europeias da Morningstar DBRS, no comentário sobre os resultados.

A atividade doméstica “voltou a impulsionar o crescimento dos lucros”, enquanto a redução dos encargos com risco legal associado às hipotecas em francos suíços na Polónia “continuou a elevar a contribuição das operações internacionais”.

Em Portugal, o lucro cresceu 11,2% para 727,9 milhões de euros, sustentado por uma margem financeira que avançou 13,9% em termos homólogos apoiada por um saudável crescimento do crédito, particularmente nas hipotecas, depósitos mais baratos e uma maior contribuição da carteira de dívida soberana”, segundo a analista.

Em Portugal, o lucro aumentou 11,2% em termos homólogos, com a margem financeira a crescer 13,9%, “apoiada por um saudável crescimento do crédito, particularmente no crédito à habitação, depósitos mais baratos e uma maior contribuição da carteira de dívida soberana”, segundo a analista.

As comissões também aumentaram, com destaque para o bancassurance e a gestão de ativos. Embora os custos tenham subido com o investimento em tecnologia, as receitas cresceram mais depressa, levando o rácio de eficiência em Portugal para abaixo de 33%, enquanto o custo do risco se manteve contido.

Polónia compensa margens mais baixas

Ao nível do grupo, o crescimento da margem financeira foi parcialmente travado pela redução das margens na Polónia, na sequência dos cortes de juros do banco central. Ainda assim, “o Bank Millennium registou uma forte subida do lucro, em grande parte porque os encargos relacionados com francos suíços caíram substancialmente”.

A agência sublinha, no entanto, que o resultado polaco foi penalizado por “uma taxa de imposto bancário mais elevada e novas provisões para litígios de proteção do consumidor”. Moçambique “contribuiu menos, num contexto local difícil”.

Já a qualidade dos ativos “continuou a melhorar, com o stock de crédito não produtivo a cair 9,8% em termos homólogos, principalmente através de vendas de carteiras e amortizações”, afirma a DBRS, que considera que “a capitalização permanece robusta”.

A DBRS espera que a margem financeira em Portugal continue a crescer, apoiada pela expansão do crédito, por uma balança bem coberta e pela subida das taxas Euribor após o mais recente aumento de juros do BCE. Prevê ainda crescimento moderado das comissões e um custo do risco contido.

Na Polónia, a redução continuada dos encargos ligados aos créditos em francos suíços deverá compensar a normalização gradual do custo do risco, à medida que o banco expande o crédito empresarial.

“De um modo geral, vemos o BCP bem posicionado para cumprir o seu plano estratégico 2025-2028”, conclui a analista, destacando que o banco estima agora um retorno sobre capital próprio de “pelo menos 17,5% em 2028, muito acima da meta original de mais de 13,5%”.

Como riscos principais, a agência aponta um choque geopolítico que afete a atividade económica e a capacidade de pagamento dos clientes através de preços de energia e juros mais elevados, nova volatilidade nos mercados de dívida soberana europeia e o risco de litígios contínuo na Polónia.

 

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Banco de Portugal formaliza acordo para novo edifício sede em Entrecampos que permite poupança de 35 milhões

novo crédito à habitação

O Banco de Portugal (BdP) e a Fidelidade formalizaram esta semana a alteração ao contrato-promessa de compra e venda para a futura sede do banco central em Entrecampos, que passa a incidir sobre o edifício A1 e os espaços comerciais adjacentes, que estão no A3, e que será destinado à construção de um auditório, em vez dos edifícios A2 e A3, previsto no contrato inicial. O BdP estima que a mudança permita poupar cerca de 35 milhões de euros face ao projeto anterior.

Isto porque, o projeto inicial (aprovado no mandato de Mário Centeno, contrato-promessa com a Fidelidade em maio de 2025), previa a aquisição dos edifícios A2 e A3 por cerca de 192 milhões de euros (core & shell), para uma área bruta de construção aproximada de 32.000 m². Ao passo que o projeto revisto (anunciado em julho de 2026 pelo governador Álvaro Santos Pereira) – que passa pela alteração para o edifício A1 + auditório adjacente ao edifício A3 – tem um preço de investimento de 165,09 milhões de euros para uma área bruta de construção de 27.000 m².

A redução de cerca de 27 milhões de euros no preço de aquisição acompanha a diminuição de área. Mas o valor total do investimento estimado no novo projeto é de 225 milhões de euros o que traduz uma poupança estimada de 35 milhões, sublinhou o Banco de Portugal.

Isto porque aos 165,09 milhões acrescem outros custos, nomeadamente com a preparação técnica do imóvel para a instalação das equipas do BdP, que elevam o valor global de investimento estimado para 225 milhões de euros. Contas feitas, a poupança de 35 milhões resulta da comparação entre as duas soluções em termos equivalentes, depois de somados os restantes custos.

Este valor inclui já essa preparação técnica, pelo que não é diretamente comparável com o montante divulgado anteriormente para os edifícios A2 e A3. Parte significativa será financiada com o resultado da alienação de património imobiliário do banco central.

O sinal de cerca de 57 milhões de euros, equivalente a 30% do valor da versão anterior, foi mantido na nova versão do contrato.

O banco central estima poupanças operacionais anuais em cerca de 10 milhões de euros por ano face aos custos que têm hoje nos quatro edifícios, o que acresce à poupança estimada de 35 milhões de euros.

Em comunicado, o BdP indica que a alteração permite uma otimização do projeto em termos de localização, segurança e investimento, sem comprometer os objetivos traçados em 2025.

A concretização final da transação (entrega do edifício pela Fidelidade ao BdP) está prevista para o final do primeiro semestre de 2028, antes do fit-out (capacitação técnica). Depois o Banco procede à capacitação técnica do edifício e estima que a mudança para a nova sede seja feita até junho de 2030.

A área bruta de 27.000 metros quadrados não implica uma perda equivalente de espaço de escritório. Ao passar de duas torres para uma, o BdP deixa de duplicar núcleos de elevadores, escadas e áreas de circulação, pelo que a redução da área útil de escritórios será de cerca de metade da diferença de 5.000 metros quadrados.

O edifício A1 deverá acolher a totalidade dos trabalhadores de Lisboa, cerca de 1.400, atualmente dispersos por quatro localizações na capital. Ficam de fora o Museu do Dinheiro e os serviços de tesouraria e de atendimento ao público, que permanecem nas instalações da Baixa de Lisboa, cuja missão de aproximação à comunidade será, segundo o BdP, aprofundada.

O auditório será instalado nos espaços comerciais situados abaixo do edifício A3, entretanto adquiridos à Fidelidade. Ficará separado do A1, a poucos metros, com ligação por uma zona exterior coberta. Esta solução permite ceder o auditório a entidades externas sem afetar o perímetro de segurança do banco.

O BdP reitera que a concentração dos escritórios numa única localização permitirá reduzir custos operacionais em mais de 10 milhões de euros por ano, em linha com a opção inicial contratada. Esta poupança acresce à de 35 milhões de euros no investimento. Na prática, resulta sobretudo do fim das rendas dos edifícios da Castilho e da República e da redução dos custos de funcionamento, segurança, limpeza, manutenção e deslocações entre edifícios.

Na sequência do aditamento, o contrato mantém as condições essenciais acordadas em 2025, entre as quais a alteração do uso dos espaços comerciais, que depende da Câmara Municipal de Lisboa. Se não for aprovada, o BdP não fica obrigado a concretizar a compra.

Os serviços do BdP estão atualmente instalados, em regime de arrendamento, no edifício Álvaro Pais (antigo edifício Marconi), para onde se mudaram após deixarem o edifício da Almirante Reis. A mudança definitiva para Entrecampos está prevista para o primeiro semestre de 2030, depois da entrega do edifício, em 2028, e de cerca de dois anos de trabalhos de preparação técnica.

Em julho, o governador afirmou que a decisão de alterar o projeto foi tomada por unanimidade pelo Conselho de Administração. Álvaro Santos Pereira defendeu então que o projeto de Entrecampos é a melhor solução para o banco central, mas que era possível melhorá-lo face ao acordado na governação de Mário Centeno. Disse ainda que a mudança ajudaria a evitar custos desnecessários e ineficiências e a incentivar o trabalho em equipa.

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Christine Lagarde anuncia que deixa presidência do BCE em fevereiro de 2027

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, vai deixar o cargo a 7 de fevereiro de 2027, anunciou esta quinta-feira a instituição, antecipando em vários meses o fim do mandato que estava previsto terminar apenas no final de outubro do próximo ano.

Num comunicado citado pela Reuters, o BCE revelou que “Christine Lagarde informou hoje o Conselho do BCE e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, de que deixará o seu cargo em 7 de fevereiro de 2027”.

A saída de Lagarde põe fim a meses de especulação sobre uma possível partida antecipada da responsável francesa, que lidera o banco central da zona euro desde novembro de 2019. O seu mandato terminaria oficialmente em outubro de 2027.

Segundo a Reuters, os rumores sobre uma saída antes do final do mandato intensificaram-se nos últimos meses, numa altura em que Lagarde era apontada como uma forte candidata a assumir funções no Fórum Económico Mundial.

O anúncio surge poucas horas antes de o BCE divulgar a sua mais recente decisão de política monetária. A instituição deverá anunciar a decisão sobre as taxas de juro às 13h15 GMT desta quinta-feira, seguindo-se a habitual conferência de imprensa de Christine Lagarde às 13h45 GMT.

As taxas de juro diretoras deverão permanecer inalteradas, segundo as expectativas, com a taxa de depósito a permanecer em 2,5%, depois de dois aumentos efetuados neste ano.

A saída antecipada de Lagarde abre agora a questão sobre quem irá suceder-lhe na liderança do BCE, uma das instituições mais influentes da economia europeia, numa fase em que a política monetária continua a ser determinante para o controlo da inflação e para o crescimento económico da zona euro.

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BY Venture Partners abre sede europeia em Lisboa e fecha fundo de 53,5 milhões para startups de IA

A sociedade de capital de risco BY Venture Partners, com sede no Dubai, escolheu Lisboa para instalar o seu primeiro escritório na Europa e anunciou hoje o fecho do terceiro fundo, no valor de 53,5 milhões de euros, dedicado a empresas nativas de inteligência artificial (IA).

Em comunicado, a gestora refere que o Fundo III é ancorado pelo Dubai Future District Fund e conta com a participação de investidores institucionais e de ‘family offices’, entre os quais a Multi Lane, a Transmed Capital e o Indriss Family Office, da Arábia Saudita. Com este fundo, os ativos sob gestão da BY Venture Partners passam para mais de 178,4 milhões de euros.

O veículo vai investir sobretudo até um milhão de dólares (cerca de 860 mil euros) por empresa, entre as fases ‘pre-seed’ e Série A, em ‘startups’ de IA que estejam a “reinventar os fluxos de trabalho das empresas” e que tenham ambição de crescer à escala global desde o início.

O Fundo III já realizou 15 investimentos, num portfólio previsto de 40 empresas, entre as quais a PQShield, a Cosyne, a Isometric, a Huspy e a Invisible.

Apesar das raízes no Médio Oriente, a BY Venture Partners investe em 16 mercados, com dois terços do capital aplicado fora da região do Médio Oriente e Norte de África (MENA), na América do Norte e na Europa.

O escritório de Lisboa arranca com duas contratações locais na área de investimento. A sociedade tinha já apoiado, em fases iniciais, empresas europeias como a Onfido, a PQShield e a Huspy.

“A Europa forma alguns dos melhores talentos tecnológicos do mundo, mas os fundadores europeus enfrentam muitas vezes uma barreira quando tentam chegar ao capital internacional e a uma escala comercial global”, afirmou o sócio Sohrab Jahanbani, citado no comunicado, para quem o reforço da aposta europeia com o ‘hub’ de Lisboa é “uma evolução natural”.

Já o sócio-fundador Ghaith Yafi destacou o interesse da gestora em cidades como Madrid, Londres, Paris e Berlim, que “avançam rapidamente no desenvolvimento de software nativo de IA”, e disse que o fundo está “bem encaminhado para ficar entre os 10% melhores” do seu segmento.

Por sua vez, o sócio-fundador Abdallah Yafi sustentou que Lisboa e o ecossistema ibérico “deixaram de ser polos regionais emergentes” e passaram a ser “verdadeiras rampas de lançamento” para a inovação em IA e ‘deep tech’.

A BY Venture Partners é liderada por quatro sócios – Ghaith Yafi, Abdallah Yafi, Rami Jisr e Sohrab Jahanbani –, todos com experiência como empreendedores. Segundo a gestora, os Fundos I e II ajudaram a “produzir” quatro unicórnios, e a sociedade tem um ‘Founder Net Promoter Score’ de 87.

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BBVA supera os 9.000 milhões de euros de lucro nos primeiros nove meses de 2026

O BBVA alcançou um resultado líquido atribuível de 9.066 milhões de euros entre janeiro e setembro de 2026, superando pela primeira vez a fasquia dos 9.000 milhões em período acumulado de nove meses.

O valor representa um crescimento de 13,6% face ao período homólogo (+11,4% a taxas de câmbio constantes), impulsionado pelo desempenho das receitas recorrentes, com destaque para a margem financeira e as comissões.

O lucro por ação subiu a um ritmo ainda mais elevado — 17,5% — beneficiando das recompras de ações efetuadas nos últimos 12 meses, que reduziram o número de títulos em circulação em 4,4%, para 5.511 milhões.

O Grupo bancário espanhol mantém uma combinação de crescimento e rentabilidade que se destaca no panorama europeu. A atividade creditícia cresceu 20,4% em euros constantes nos últimos 12 meses, com os empréstimos e antecipações a clientes a atingirem 540.767 milhões de euros. No mesmo período, os depósitos de clientes aumentaram 14,5%, para 539.563 milhões de euros.

A rentabilidade sobre capital tangível (ROTE) fixou-se em 22%, o rácio de eficiência de 37,9% posiciona o banco como líder no setor, e a solidez da posição de capital reflete-se num rácio CET1 de 12,21%, acima dos requisitos regulamentares.

Margem financeira acelera em todas as geografias

O grupo que está presente em Portugal com uma sucursal disse que o bom desempenho do período assentou sobretudo na margem de juros, que totalizou 23.243 milhões de euros, um aumento de 20,8% interanual — 17,8% a taxas de câmbio constantes.

O BBVA tem essencialmente filiais no México, Turquia, Colômbia, Perú e Argentina.

As comissões líquidas somaram 6.909 milhões de euros, mais 13,8% do que no mesmo período de 2025.

No terceiro trimestre isolado, o banco registou um resultado atribuído de 3.015 milhões de euros, novamente acima dos 3.000 milhões, apesar de ligeiramente inferior ao trimestre anterior, num contexto de subida das despesas de exploração e dos saneamentos creditícios.

A margem bruta consolidada alcançou 32.072 milhões de euros nos nove primeiros meses, mais 18,2% interanual, enquanto o margem líquido subiu 18,6%, para 19.903 milhões de euros.

Os indicadores de risco de crédito mantiveram-se estáveis: o custo do risco situou-se em 1,44%, a taxa de mora em 2,6% e a taxa de cobertura em 84%. As despesas de exploração cresceram 17,4% interanual, refletindo a expansão da atividade e o impacto cambial, mas a eficiência operacional do banco continua a ser referência no setor.

O BBVA encerrou setembro com 986.191 milhões de euros em ativos totais — 21,3% acima do nível de há um ano —, um património líquido de 62.568 milhões de euros e uma capitalização bolsista de 136.725 milhões de euros, que subiu 45,2% em 12 meses.

O banco tem atualmente 84 milhões de clientes ativos em todo o mundo.

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Mercados preparam-se para dia decisivo com dados dos EUA, BCE e resultados da Amazon

bolsa de Lisboa mercados

Os investidores entram na quinta-feira, 29 de outubro de 2026, com o olhar fixo num conjunto denso de catalisadores: a decisão de política monetária do Banco Central Europeu, a reação à manutenção de taxas pela Reserva Federal no dia anterior, a divulgação do PIB do terceiro trimestre e do PCE de setembro nos EUA, e os resultados da Amazon e da Intel.

O BCE deverá manter as taxas de juro inalteradas, com a taxa de depósito perto dos 2,50%. A conferência de imprensa que se segue à decisão será escrutinada para avaliar a preocupação do conselho com a inflação energética e o impacto do crescimento na zona euro.

Já a Federal Reserve, esta quarta-feira, decidiu manter as Fed Funds Rates no intervalo entre 3,75% e 4,00%, uma decisão que era amplamente esperada. “A inflação continua elevada”, referiu o banco central liderado por Kevin Warsh.

O mercado precifica agora com elevada probabilidade uma subida de 25 pontos base em dezembro. A linguagem do comunicado e a conferência de imprensa do presidente Kevin Warsh serão analisadas ao detalhe para sinais sobre o ritmo futuro da política monetária.

Ações americanas sob pressão de dados e resultados

Wall Street fechou a quarta-feira em território positivo, impulsionada pelo setor tecnológico. O Nasdaq Composite avançou 1,18% para 26.477 pontos, o S&P 500 subiu 0,60% para 7.722 e o Dow Jones manteve-se praticamente estável em 52.377. A atenção desloca-se agora para os resultados da Amazon e da Intel, que deverão dar pistas sobre a procura por cloud, inteligência artificial e semicondutores.

Esta quarta-feira, depois do fecho da bolsa, a Microsoft superou as estimativas dos analistas no primeiro trimestre do ano fiscal, terminado em setembro, com a Azure, a plataforma de computação na nuvem da tecnológica, a crescer 48% e o investimento abaixo do previsto.

A Microsoft obteve receitas de 92,28 mil milhões de dólares no primeiro trimestre fiscal, acima dos 90,6 mil milhões esperados pelos analistas, avança a Reuters. Já o resultado operacional fixou-se em 45,9 mil milhões, face aos 43,9 mil milhões previstos.

Já o lucro da Alphabet, a dona da Google, caiu 25% para 26,17 mil milhões de dólares, no terceiro trimestre, aquém das expectativas, devido aos gastos destinados a aumentar a capacidade na nuvem e a financiar a investigação em inteligência artificial. As ações estão a cair 8% no after hours da Bolsa de Nova Iorque.

Os principais índices norte-americanos fecharam a sessão desta quarta-feira em terreno positivo, num dia em que a Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos manteve inalteradas as taxas de juro, ganhando tempo para avaliar o impacto da guerra no Médio Oriente na inflação e no mercado de trabalho.

Qualquer tom mais restritivo da Fed ou um PCE acima do esperado poderá pressionar as avaliações das empresas de crescimento, num ambiente em que o yield da Treasury a 10 anos se mantém próximo dos 5%.

Europa e BCE no centro das atenções

Os índices europeus têm mostrado resiliência, apoiados por resultados empresariais sólidos, especialmente no setor energético, embora permaneçam sensíveis à evolução dos yields e dos preços do petróleo. A decisão do BCE e a respetiva conferência de imprensa deverão ditar o tom dos mercados europeus ao longo da sessão.

As bolsas europeias fecharam a sessão desta quarta-feira mistas e com poucas oscilações, antes das decisões da Reserva Federal e do Banco Central Europeu sobre as taxas de juro.

O Stoxx 600, índice de referência europeu, avançou 0,07% para 644,14 pontos e o EuroStoxx 50 avançou ligeiramente, 0,05% para 6.167,8 pontos. Entre as principais praças, o alemão DAX subiu 0,44% para 25.704,02 pontos, o italiano FTSE MIB valorizou 0,40% para 49.824,30 pontos, o português PSI desvalorizou 0,08% para 9.245,78 pontos, e o britânico FTSE 100 avançou 0,07% para 10.694,50 pontos. O francês CAC 40 terminou inalterado nos 7.886,96 pontos. Em sentido contrário, o espanhol IBEX 35 recuou 1,45% para 18.883,50 pontos, num dia em que o Santander desvalorizou 5,59%,

Esta quinta-feira a estrela do PSI deverá ser o BCP que apresentou um resultado líquido de 308 milhões de euros no terceiro trimestre de 2026, superando em 3% as previsões do consenso de mercado, com a receita financeira em Portugal a destacar-se como o principal motor do desempenho, segundo uma nota de análise do Jefferies.

Com a reunião do BCE mesmo ao virar da esquina, Martin Wolburg, economista sénior da Generali Investments, antecipa que a instituição mantenha as taxas de juro inalteradas, embora considere provável que o ciclo de restrição monetária ainda não tenha chegado ao fim.

O economista sénior da Generali Investments, diz que “é muito provável que o BCE mantenha a sua taxa directora inalterada em 2,5%. A inflação mantém-se, em termos gerais, alinhada com as mais recentes projeções do BCE, não havendo ainda sinais de efeitos de segunda ronda; não há, portanto, justificação para uma alteração neste mês. Os comentários recentes dos membros do Conselho do BCE mantiveram um pendor mais restritivo (hawkish), mas sem sinalizar qualquer pressa”.

Petróleo e obrigações sob influência geopolítica

O Brent cotava acima dos 115 dólares por barril e o WTI acima dos 100 dólares, sustentados por riscos no Médio Oriente — incluindo preocupações com possíveis ações militares após as midterms americanas e disrupções no Estreito de Ormuz — e pelos efeitos dos ataques ucranianos a refinarias russas, que reduziram fortemente as exportações de diesel.

O banco suíço UBS reviu esta quarta-feira a sua previsão da cotação do barril de Brent para os 110 dólares no final do ano, abaixo dos valors atuais.

No mercado de dívida soberana, o yield da Treasury americana a 10 anos oscilava junto aos 5,00%, enquanto o a 2 anos se situava perto dos 4,74%. Na Europa, o Bund alemão permanecia em níveis mais moderados, em torno de 3,3%.

Os mercados estarão atentos ao que a Presidente Christine Lagarde dirá sobre o aperto nas condições de financiamento e o recente alargamento do diferencial (spread) entre os títulos públicos franceses (OATs) e os alemães (Bunds).

Geopolítica continua a pairar sobre os mercados

As tensões no Médio Oriente e o conflito na Ucrânia mantêm um prémio de risco elevado nos preços da energia. Os investidores estão de olhos no impasse político em Israel que também “introduz maior incerteza” no momento delicado das relações entre EUA, Israel e Irão, bem como “um risco maior de uma nova escalada militar”. Ontem à noite a contagem dos votos em Israel ainda não estava terminada. O partido Likud, de Benjamin Netanyahu, estava na frente, mas aparentemente sem capacidade para gerar uma maioria. Em segundo lugar, estava o partido de Gadi Eisenkot, que tem condições para negociar com o bloco dos partidos árabes.

Por outro lado tentativas de cessar-fogo energético entre Rússia e Ucrânia não impediram novos ataques a infraestruturas, alimentando a escassez de produtos refinados a nível global e pressionando a inflação.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o encontro entre Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky vai acontecer “muito em breve” e mostrou-se confiante em “grandes progressos” para terminar o conflito na Ucrânia.

O dia promete volatilidade. A mensagem do BCE, os dados de crescimento e inflação dos EUA e os resultados das big tech deverão definir o tom para o fecho da semana, num contexto em que os investidores continuam a equilibrar a resiliência económica com riscos geopolíticos e uma política monetária ainda restritiva.

 

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Neovalora lança canal de vendas para mediadoras e consultores imobiliários em Portugal

A Neovalora, empresa leiloeira portuguesa, lançou esta quarta-feira um novo canal de comercialização dirigido a mediadoras e consultores imobiliários, baseado em leilões privados, com o objetivo de acelerar a venda de imóveis que permanecem longos períodos no mercado ou apresentam preços desajustados.

A plataforma digital da empresa combina tecnologia e processos competitivos para aumentar a liquidez dos ativos imobiliários, integrando-se nas estratégias comerciais das mediadoras sem substituir a relação destas com os clientes.

“Queremos estar ao lado das mediadoras no processo de venda, oferecendo uma solução complementar ao trabalho que já realizam”, afirmou Fabio Mazza, cofundador e diretor-geral da Neovalora. Segundo o responsável, o setor imobiliário português “precisa, sobretudo, de inovação, colaboração e novas soluções que ajudem os profissionais a vender melhor”.

O modelo prevê a prestação de serviços especializados às mediadoras, incluindo organização de leilões, promoção dos imóveis e acompanhamento das transações. A remuneração inclui o pagamento pelos serviços e uma comissão de sucesso associada às vendas concretizadas.

Pedro Vicente, sócio fundador da empresa, considerou que a solução pode contribuir para “acelerar a venda de imóveis que estão fora do mercado e promover preços mais ajustados às condições atuais”, referindo ainda um eventual impacto no combate à escassez de habitação e à especulação imobiliária.

Ao contrário dos leilões associados a processos judiciais ou insolvências, a Neovalora aposta exclusivamente em leilões privados e extrajudiciais. “Os leilões imobiliários privados ainda são pouco comuns em Portugal, mas em diversos países constituem uma estratégia de comercialização amplamente utilizada”, disse Pedro Vicente.

Fabio Mazza defendeu que o leilão funciona como instrumento de formação de preços: “Não existe para vender mais caro nem para vender mais barato. Existe para encontrar o preço certo, naquele momento, através de um processo competitivo e transparente.”

A plataforma permite leilões presenciais, online ou em formato misto (flex), com participação remota de compradores nacionais e internacionais. Cada processo inclui estratégia de comunicação específica, calendário definido e regras claras de participação.

Com sede em Lisboa, a Neovalora disponibiliza também modalidades de venda direta (“Compra Já”) e negociação estruturada. Os fundadores acumulam experiência nas áreas da leiloaria, mediação imobiliária e promoção de empreendimentos em Portugal e na América do Sul.

 

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Brasil/Eleições: Trump diz que não “se vai meter” no que diz respeito a Flávio Bolsonaro

Trump

Donald Trump garantiu que não se “vai meter” no que diz respeito ao senador brasileiro Flávio Bolsonaro, que fugiu para os Estados Unidos e que hoje chegou a afirmar ser o “verdadeiro presidente do Brasil”.

“Não vou me meter”, afirmou o presidente americano, questionado sobre essas declarações, acrescentando: “Foi uma eleição estranha, com certeza”, referindo-se à votação vencida pelo presidente brasileiro em exercício, Luiz Inácio Lula da Silva.

“Acho que ele e a sua família foram tratados de forma muito injusta”, acrescentou o presidente republicano, que respondeu a algumas perguntas antes de partir para um comício de campanha no Ohio (centro), nos EUA.

Numa declaração “ao povo brasileiro e à comunidade internacional” publicada nas suas redes sociais, Flávio Bolsonaro acrescentou que “dirigiria a oposição” a partir dos Estados Unidos.

Após uma viagem via Argentina e Equador, aquele que se via a percorrer os mesmos passos que o seu pai, Jair Bolsonaro, chegou hoje de avião aos EUA com membros da sua família, por volta das 13:30 GMT, aterrando no aeroporto de Opa-Locka, perto de Miami, na Flórida.

O Departamento de Segurança Interna dos EUA afirmou, num comunicado, que Flávio Bolsonaro e a família foram sujeitos a controlo e admitidos “de acordo com as leis e procedimentos de imigração em vigor”.

Flávio Bolsonaro tinha obtido vistos da administração de Donald Trump, aliado do antigo presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro, e está a ser investigado em várias frentes no Brasil, nomeadamente por alegada corrupção e branqueamento de capitais.

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