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CHEGA fulmina com críticas a proposta de alteração orçamental da CMF
Right wing CHEGA claims “remigration” will solve housing crisis

Portugal’s right-wing populist party CHEGA has said today that the “solution to the housing crisis is remigration”, challenging the government to “enforce the law” and encourage foreigners who may disrupt
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Braga: Chega defende “solução definitiva” para posto da GNR e programa de apoio a artistas
O vereador do Chega na Câmara de Braga, Filipe Aguiar, apresentou, esta semana, ao executivo municipal os contributos do partido para o Plano e Orçamento Municipal de 2027, através de um documento estruturado em “cinco grandes áreas” consideradas “fundamentais para o futuro do concelho”: Urbanismo, Educação, Cultura, Saúde e Segurança.
Em comunicado, o partido salienta que as propostas agora apresentadas integram o programa eleitoral com que se apresentou nas eleições autárquicas de 2025.
“Estas propostas não nasceram agora. Fazem parte do compromisso que assumimos com os bracarenses nas eleições autárquicas de 2025. Entendemos que um programa eleitoral não deve ficar fechado numa gaveta depois das eleições; deve servir de orientação ao longo de todo o mandato. É por isso que, em cada Orçamento Municipal, procuramos apresentar medidas concretas que permitam implementar, de forma gradual e responsável, aquilo que defendemos para Braga”, afirma Filipe Aguiar.
“Enquanto outros se limitam a reagir aos acontecimentos ou apresentam propostas avulsas, o Chega trabalha com uma estratégia para o concelho. Estas cinco áreas representam prioridades para melhorar a qualidade de vida dos bracarenses e preparar Braga para o futuro, sempre com rigor na gestão dos recursos públicos e proximidade às necessidades reais da população”, acrescenta o vereador.
Na área do Urbanismo, o Chega propõe a criação da Plataforma Municipal de Cadastro Inteligente de Braga, “um instrumento inovador que permitirá conhecer melhor o território, apoiar o planeamento urbano, melhorar a gestão do património municipal e reforçar a transparência através da disponibilização gradual de informação geográfica de interesse público”.
Na Educação, o partido defende a concretização da recomendação já aprovada por unanimidade em reunião de Câmara, assumindo plenamente a Ludoteca da Estufa como equipamento municipal de educação não formal e inovação social, garantindo a sua requalificação, programação permanente e valorização enquanto espaço de aprendizagem, criatividade e convívio entre gerações.
Na Cultura, o Chega propõe a criação do programa “Orgulho Bracarense”, destinado a apoiar artistas, artesãos e grupos culturais ligados à identidade de Braga e do Minho, promovendo a transmissão de saberes, a renovação das tradições e a valorização da criação artística local.
Na área da Saúde, o partido apresenta uma solução para dotar o rastreio do cancro da mama de instalações fixas e dignas, assegurando melhores condições de privacidade, conforto e atendimento às utentes, bem como melhores condições de trabalho para os profissionais envolvidos.
Já na Segurança, o Chega reafirma uma prioridade que tem vindo a defender desde o início do mandato: “Encontrar uma solução definitiva para as instalações da Guarda Nacional Republicana em Braga, onde parte dos militares continua, há mais de uma década, a trabalhar em estruturas provisórias. O partido considera que a dignidade das forças de segurança é também uma questão de respeito pelos cidadãos e de qualidade do serviço público”.
Para Filipe Aguiar, estas propostas refletem uma forma diferente de encarar a governação municipal: “Braga precisa de olhar para o futuro com ambição, mas também com planeamento, rigor e prioridades bem definidas. Apresentámos propostas concretas, exequíveis e pensadas para melhorar a vida dos bracarenses, reforçando áreas essenciais como a educação, a cultura, a saúde, a segurança e o conhecimento do território”.
O vereador acrescenta que o Chega pretende afirmar-se como uma força política de propostas e de soluções: “Enquanto outros apresentam medidas pontuais, o Chega apresenta uma visão estratégica para o concelho. Queremos uma Braga mais organizada, mais transparente, mais segura, que valorize a sua identidade e que coloque os recursos municipais ao serviço das pessoas”.
O CHEGA considera que estas cinco áreas constituem prioridades estratégicas para o desenvolvimento equilibrado de Braga e manifesta “disponibilidade para colaborar na concretização das medidas que venham a ser acolhidas pelo executivo municipal”.
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Chega anuncia voto contra Orçamento
O Chega vai votar contra o Orçamento do Estado do próximo ano na generalidade, anunciou hoje o líder do partido, argumentando que o Governo “não consegue reconhecer o momento de dificuldade” e não apresenta medidas para ajudar os portugueses.
O anúncio foi feito por André Ventura em declarações aos jornalistas na Assembleia da República.
O líder do Chega considerou que o “Governo não consegue reconhecer o momento de dificuldade em que as pessoas se encontram neste momento” e não apresenta medidas para ajudar as pessoas.
André Ventura acusou também o executivo de ter uma “voragem e obsessão de cobrar impostos”.
“Mantemos esperança que a especialidade traga outra atitude do Governo”, indicou.
O Orçamento do Estado para 2027, que será votado esta tarde, tem aprovação garantida, uma vez que o PS anunciou que se vai abster.
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Portugal’s Housing Revolt Exposes a Growing Political Crisis Across Europe
Thousands of demonstrators have gathered outside Portugal’s parliament as rising property prices, disputed eviction legislation and police operations bring the country’s housing problems into direct confrontation with the government.
Thousands of protesters gathered outside Portugal’s parliament in Lisbon on 27 October, demanding action over soaring housing costs and criticising police operations against housing activists, as the country’s long-running property crisis developed into a broader political confrontation.
The demonstration coincided with parliamentary debate on the government’s proposed 2027 budget and followed several days of protests in Lisbon and Porto.
At the centre of the dispute is an increasingly familiar European contradiction: property values continue to rise, while wages and household incomes have failed to keep pace with the cost of obtaining accommodation.
For Portugal, the problem has become particularly pronounced.
House prices have more than doubled since 2017, while rents for newly agreed tenancies have almost doubled over the same period.
According to figures reported during the demonstrations, the cost of housing in Portugal increased by 147 per cent between 2015 and 2025, compared with an EU average of 60.5 per cent.
The result is a growing disparity between earnings and the cost of independent living, particularly among younger adults.
A property market detached from wages
In Lisbon, a one-bedroom flat can routinely command monthly rent of approximately €1,500.
Portugal’s minimum wage stands at €920 per month before tax.
Although these figures do not represent every household or property, they illustrate the scale of the affordability problem for lower-paid workers.
Between the first quarters of 2025 and 2026, Portuguese house prices increased by almost 20 per cent, according to national statistical figures cited in recent reporting.
Rental costs have also continued rising, recording an increase of approximately 68 per cent since 2020.
The country’s attractiveness to foreign investors, retirees and remote workers has contributed to demand, particularly in Lisbon, Porto and coastal areas.
Tourism has introduced additional competition for residential property, with some homes converted into short-term accommodation.
However, investment and tourism are only part of the explanation.
Restrictions on construction, administrative delays, limited affordable housing supply and the geographical concentration of employment have also contributed to pressure on the market.
These conditions have produced a widening gap between those who already own property and those seeking to purchase or rent their first home.
Disputed eviction legislation
The immediate political confrontation concerns government proposals that would accelerate certain eviction procedures and remove restrictions on rents for new tenancy agreements.
The legislation passed its first parliamentary reading, with the right-wing Chega party abstaining.
Housing campaigners argue that removing protections without first increasing affordable supply could leave tenants more exposed to rising rents and displacement.
The minority centre-right government, led by Prime Minister Luís Montenegro, has pursued measures intended to encourage construction and increase the availability of housing.
These include tax reductions for new building projects and a commitment to deliver 145,000 homes.
Such measures, however, require time before additional properties become available, while many households face immediate financial pressures.
Police operations become a second controversy
The housing dispute intensified following police operations to remove protest encampments in Lisbon and Porto during the weekend.
Police used batons during the clearances, while campaigners alleged excessive force.
According to accounts of the subsequent parliamentary demonstration, police reported 11 minor injuries, including three officers. The housing organisation Casa para Viver claimed that 60 people had been injured.
Portugal’s internal affairs watchdog has opened an inquiry, while prosecutors are conducting a separate investigation into officers’ conduct.
Montenegro defended the police response in parliament, arguing that officers had acted according to the principles of necessity, proportionality and adequacy.
President António José Seguro has convened a meeting of the Council of State to consider the growing protests.
The dispute has consequently expanded beyond housing economics to include questions about policing, public demonstrations and political accountability.
A European problem with national consequences
Portugal’s demonstrations follow similar protests in Spain and growing political scrutiny of housing affordability elsewhere in the EU.
The European Commission has begun addressing the issue through initiatives intended to encourage construction, facilitate investment and give authorities greater legal certainty over short-term rental restrictions.
As EU Today recently reported, the proposed European Affordable Housing Act would provide additional regulatory tools for areas facing severe housing pressure.
Yet the principal responsibilities for housing supply, planning and tenancy law remain with national and local governments.
This division creates a political challenge: Brussels can support investment and coordinate legislation, but the most immediate decisions affecting rents, construction and evictions are taken elsewhere.
For Portugal, the next test will be whether the government’s housing measures can deliver sufficient additional supply while responding to demands for immediate tenant protection.
The demonstrations outside parliament show that housing affordability has become more than a question of property prices. It now affects the government’s legislative agenda, the 2027 budget debate and the relationship between the authorities and an increasingly organised protest movement.
CHEGA acusa CMF de prejudicar os funchalenses na Praia Formosa
CHEGA leader expresses “discontent” over victory of President Lula in Brazil

In spite of the fact that the presidential victory of Brazil’s president Lula in yesterday’s elections came with the seal of the country’s Superior Electoral Court, CHEGA leader André Ventura
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Partido Chega dá posse aos novos Presidentes de Concelhia no Distrito de Faro

O Partido Chega realiza na próxima quarta-feira, dia 28 de outubro, pelas 21h00, a cerimónia de tomada de posse dos novos presidentes das Comissões Políticas Concelhias do Distrito de Faro. O evento terá lugar na Sede distrital do partido, localizada em Faro – Rua de Santo Aatónio, e assinala um momento de reforço da estrutura partidária […]
Chega defende intervenção policial nos protestos pela habitação e critica Montenegro
André Ventura coloca-se «incondicionalmente ao lado» da polícia e acusa o primeiro-ministro de se esconder perante os acontecimentos..
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PM “turns up for football, but not to resolve the housing crisis”

Leader of CHEGA, André Ventura, has criticised Prime Minister Luís Montenegro’s silence on the housing crisis and recent protests, warning that the government’s failure to respond could act as a
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Chega considera rotunda das Pontes de Marchil fundamental para Faro
O partido diz que a inclusão da obra foi determinante para apoiar o novo empréstimo. A proposta passou com votos do Chega e do PS e abstenção do PSD.
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LUÍS NEVES: QUANDO AS EXPLICAÇÕES JÁ NÃO CHEGAM
Há crises políticas que resultam de uma única decisão errada. Outras resultam de um conjunto de acontecimentos que, isoladamente, poderiam eventualmente ser explicados, mas que, acumulados, criam uma realidade politicamente insustentável. O caso Luís Neves pertence claramente à segunda categoria.
O que verdadeiramente distingue esta crise não é apenas a gravidade de cada episódio. É a sucessão de factos, contradições, relações pessoais, decisões administrativas e explicações posteriores que foram surgindo ao longo das últimas semanas. E é precisamente essa acumulação que levanta uma pergunta inevitável: até quando pode Luís Montenegro manter no Governo um ministro cuja permanência se tornou, ela própria, um problema político para o Executivo?
Tudo começou com as obras numa propriedade em São Teotónio, no concelho de Odemira. O empreiteiro responsável, João dos Santos Carvalho, da Construbarcelos, não era um desconhecido de Luís Neves. A empresa tinha realizado trabalhos para a Polícia Judiciária durante o período em que Luís Neves dirigiu aquela instituição. Posteriormente, foi o mesmo empreiteiro a realizar obras na propriedade privada do atual ministro da Administração Interna.
A questão não é afirmar que uma relação pessoal ou profissional constitui, por si só, um crime. Não constitui. Mas a proximidade entre quem dirigia a Polícia Judiciária e um empresário cuja empresa recebeu contratos daquela instituição exige um escrutínio particularmente rigoroso. Quando essa mesma empresa passa depois a realizar obras na propriedade pessoal do antigo diretor nacional da PJ, a exigência de transparência torna-se ainda maior.
As obras no Alentejo levantaram outras dúvidas. Foram divulgadas informações relativas a 108 faturas, emitidas por 13 empresas, num valor superior a 23 mil euros. Durante algum tempo, uma das principais questões foi precisamente a ausência pública dos comprovativos de pagamento. Luís Neves afirmou ter pago cinco mil euros ao empreiteiro, mas a forma como determinados pagamentos foram realizados e a documentação disponível tornou-se objeto de escrutínio público.
Também a própria legalidade urbanística das obras foi questionada. A Câmara Municipal de Odemira confirmou que estava a averiguar a situação e que não existia processo de licenciamento ou comunicação prévia para as obras referidas. Luís Neves acabaria por admitir a necessidade de regularizar a situação.
Mas foi o episódio do atrelado que transformou uma polémica numa verdadeira crise política.
Um atrelado apreendido no âmbito da Operação Pacoba, relacionada com tráfico de droga, foi encontrado nas instalações da empresa Construbarcelos, pertencente precisamente ao empreiteiro amigo do ministro. A Polícia Judiciária abriu um inquérito para apurar as circunstâncias da situação.
Importa ser rigoroso: a PJ esclareceu que os produtos encontrados no interior do atrelado não eram estupefacientes. Contudo, o atrelado tinha sido apreendido numa investigação de combate ao tráfico de droga e continha materiais e produtos químicos associados à operação que levou à sua apreensão. A questão central não é, portanto, insinuar que o empreiteiro ou o ministro traficavam droga. Não há qualquer fundamento para essa afirmação. A questão é outra e é suficientemente grave: como chegou um bem apreendido pela Polícia Judiciária às instalações privadas de um empresário próximo do então diretor nacional da PJ?
Há ainda uma questão adicional, relacionada com a segurança do próprio atrelado e do seu conteúdo. Segundo foi noticiado, a Marinha não queria que o atrelado permanecesse nas suas instalações por razões de segurança. Perante essa preocupação, o atrelado acabou por ser transportado ao longo de vários quilómetros e armazenado nas instalações do empreiteiro, aparentemente sem condições adequadas de segurança ou de custódia.
Esta circunstância torna a decisão ainda mais difícil de compreender. Se existiam preocupações de segurança suficientemente sérias para levar a Marinha a recusar a permanência do atrelado nas suas instalações, como se considerou aceitável transportá-lo para um espaço privado, sem condições comparáveis e pertencente a um empresário com uma relação de proximidade com o então diretor nacional da PJ?
Luís Neves assumiu posteriormente ter autorizado a deslocação do atrelado, defendendo que a decisão permitiu poupar dinheiro ao Estado e afirmando que não existia qualquer problema com o atrelado enquanto este esteve na posse do empreiteiro. Mas essa explicação levanta uma pergunta inevitável: se estava tudo bem com o atrelado e com o seu conteúdo, por que razão a Polícia Judiciária foi imediatamente apreendê-lo quando soube que se encontrava nas instalações do empreiteiro?
A apreensão posterior não prova, por si só, que tenha existido qualquer irregularidade criminal. Mas demonstra que a situação era suficientemente sensível para justificar uma intervenção imediata das autoridades. E essa intervenção contradiz, pelo menos politicamente, a ideia de que se tratava de uma solução normal, segura e sem qualquer risco.
A explicação, contudo, não encerrou a polémica. Pelo contrário, colocou no centro do debate a relação entre a decisão administrativa, a entidade que beneficiou da guarda do bem, as condições de segurança do armazenamento e a amizade existente entre o então diretor nacional da PJ e o proprietário da empresa.
Quando um cidadão comum olha para este caso, é legítimo que pergunte se o mesmo tratamento teria sido dado a qualquer empresário sem qualquer ligação pessoal ao responsável máximo da Polícia Judiciária.
E as dúvidas não terminaram aí.
Surgiu depois a questão de uma viatura apreendida pela PJ e utilizada por Luís Neves. O ministro tinha afirmado, numa conferência de imprensa, possuir apenas um automóvel familiar com cerca de quinze anos. Posteriormente, tornou-se público que tinha outra viatura pessoal e utilizava ainda um automóvel que tinha sido apreendido pela Polícia Judiciária e posteriormente cedido ao Ministério da Administração Interna.
A questão deixou, assim, de ser apenas a utilização de uma viatura. Passou também a ser uma questão de credibilidade. Quando um governante presta esclarecimentos públicos e a informação posteriormente conhecida demonstra que a realidade é mais complexa do que aquela inicialmente apresentada, é inevitável que a confiança nas suas explicações seja afetada.
Também foram levantadas questões públicas sobre outros bens apreendidos e sobre a gestão e utilização de património proveniente de processos sob tutela da PJ. Todas estas matérias devem ser investigadas com rigor, sem julgamentos antecipados e sem condenações mediáticas. Mas há uma diferença fundamental entre respeitar a presunção de inocência e exigir responsabilidade política.
Um ministro não precisa de ser condenado por um tribunal para deixar de reunir condições políticas para permanecer no Governo.
É precisamente aqui que a responsabilidade passa diretamente para Luís Montenegro.
Porque mantém o primeiro-ministro Luís Neves no Governo?
Essa é hoje uma das perguntas mais importantes desta crise. Montenegro continua a manifestar confiança no ministro, apesar da sucessão de episódios, das investigações e do desgaste evidente da imagem do Governo.
A explicação poderá ser política: afastar Luís Neves poderia ser entendido como admitir que a escolha foi errada. Mas mantê-lo tem igualmente um preço. Cada nova revelação prolonga a crise. Cada nova contradição transforma o problema de um ministro num problema do próprio primeiro-ministro.
E é também impossível ignorar o comportamento da restante oposição.
O silêncio ou a contenção de alguns partidos perante uma crise desta dimensão merece reflexão. O Partido Socialista, em particular, não demonstrou a mesma intensidade política que tantas vezes manifesta perante casos de menor dimensão quando os protagonistas pertencem a outros quadrantes políticos.
É legítimo perguntar porquê.
Não significa afirmar que existe qualquer acordo oculto, comprometimento ou cumplicidade. Não existem elementos públicos que permitam fazer essa acusação. Mas politicamente é legítimo questionar se determinados silêncios resultam de uma estratégia de prudência ou do receio de que uma escalada do escrutínio sobre relações entre poder político, empresas e instituições possa trazer novamente à superfície outros casos do passado.
É neste contexto que o CHEGA decidiu assumir uma posição clara.
André Ventura exigiu a demissão de Luís Neves e alertou para o risco de perda de confiança dos portugueses nas instituições. O partido apresentou uma moção de censura e procurou colocar o caso no centro do debate parlamentar.
A comissão de inquérito proposta pelo CHEGA tem igualmente uma importância política fundamental. O Parlamento não pode limitar-se a assistir às revelações e esperar que o tempo resolva aquilo que a política tem obrigação de esclarecer. Uma comissão parlamentar de inquérito permitiria chamar responsáveis, analisar decisões, conhecer documentos e perceber como foi possível que um bem apreendido pela PJ fosse parar às instalações de um empresário próximo do seu então diretor nacional, em condições de segurança aparentemente inadequadas.
Mais do que uma iniciativa contra uma pessoa, trata-se de defender uma regra essencial: ninguém pode estar acima do escrutínio democrático.
O Presidente da República também deixou claro, através das intervenções e alertas dirigidos ao funcionamento das instituições e à necessidade de responsabilidade política, que Portugal não pode normalizar crises permanentes no Governo. A estabilidade não pode significar silêncio. A estabilidade não pode significar tolerar indefinidamente situações que fragilizam a confiança dos cidadãos.
A moção de censura apresentada pelo CHEGA deve, por isso, ser analisada para além do seu resultado aritmético.
Mesmo que não tenha condições para derrubar o Governo, tem um significado político inequívoco: o CHEGA recusou ser cúmplice, recusou fechar os olhos e posicionou-se claramente contra um Governo que prometeu rigor, transparência e exigência, mas que hoje mantém no seu interior um ministro envolvido numa sucessão de casos que continuam por esclarecer.
O CHEGA fez uma escolha política clara, não proteger o Governo apenas porque algumas das suas posições podem coincidir pontualmente com propostas defendidas pelo partido.
O Governo de Luís Montenegro deve ser avaliado pelos seus atos. E, neste caso, o ato mais relevante do primeiro-ministro é precisamente aquilo que ainda não fez.
Ainda não retirou Luís Neves do Governo.
E enquanto isso não acontecer, a crise continuará a ter dois protagonistas, Luís Neves, por tudo aquilo que ainda precisa de explicar, e Luís Montenegro, por continuar a decidir que essas explicações são suficientes.
Talvez sejam suficientes para o primeiro-ministro.
Mas a pergunta verdadeiramente importante é outra: serão suficientes para os portugueses?
Acho que não.
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