Reading view
E se criássemos a Infraestrutura Nacional de Inteligência para o Vinho?
Não quero morar na Trofa nem em Campo de Ourique
Eleições intercalares dos EUA explicadas – capítulo 7: quem vencerá e como reagirá o Presidente?
Os EUA vão ter eleições de meio de mandato a 3 de novembro de 2026. Em que consiste uma eleição intercalar, qual a importância desse processo, o que poderá acontecer? Esta série de artigos procura explicar as eleições intercalares a um público não americano

Eleições intercalares dos EUA explicadas – capítulo 7: quem vencerá e como reagirá o Presidente?
Os EUA vão ter eleições de meio de mandato a 3 de novembro de 2026. Em que consiste uma eleição intercalar, qual a importância desse processo, o que poderá acontecer? Esta série de artigos procura explicar as eleições intercalares a um público não americano

É no poupar que está o ganho?
A crise da habitação é também uma crise das cidades?
Habitar uma cidade é mais do que ter uma casa. Implica poder aceder a emprego, serviços e espaços públicos de qualidade, estabelecer relações de proximidade e participar nas decisões sobre o futuro da cidade
Janguiê Diniz: Escala 5x2 e as lacunas que impactam a educação
Ampliar o tempo de descanso e de convivência familiar dos trabalhadores é uma conquista social. O fim da escala 6x1 responde a uma demanda legítima por condições de vida mais dignas, que merece reconhecimento. Mas a relevância desse avanço exige responsabilidade na sua implementação. Uma mudança dessa dimensão precisa considerar as particularidades das atividades impactadas, e na educação algumas questões precisam ser equacionadas para que a proteção ao trabalhador caminhe junto com a preservação do acesso ao ensino.
Promulgada em 16 de outubro, a Emenda Constitucional 141/2026 prevê dois dias de repouso semanal remunerado e redução progressiva da jornada máxima de trabalho, sem diminuição salarial: para 42 horas semanais em até dois meses e para 40 horas em um ano. Para as instituições educacionais, esse cronograma impõe uma reorganização que envolve contratos, equipes, calendários e planejamento financeiro. São decisões complexas, cujos efeitos ultrapassam a relação entre empregadores e empregados.
A crítica necessária recai sobre a insuficiência de respostas para essa reorganização. Reconhecer o mérito da conquista não dispensa o poder público de esclarecer como ela será aplicada. O próprio Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) informou que está ouvindo segmentos econômicos para viabilizar a adaptação às suas realidades e elaborando orientações para a fiscalização. Esse trabalho precisa produzir segurança jurídica em tempo hábil, antes que interpretações divergentes se transformem em conflitos difíceis de reverter.
Na educação superior, reduzir a jornada dos trabalhadores exige compatibilizar novas escalas com as obrigações acadêmicas. A formação dos estudantes envolve aulas, avaliações, atividades práticas e atendimento. Há instituições com atividades aos sábados e equipes administrativas que sustentam seu funcionamento. Reorganizar esses serviços demanda planejamento para assegurar o descanso dos profissionais e a continuidade das atividades. Afinal, o tempo necessário à formação acadêmica não desaparece com a alteração da legislação trabalhista.
Para além dessa reorganização, outra questão sensível diz respeito à remuneração dos professores contratados por hora-aula. Por exemplo, há dúvidas sobre os efeitos do segundo repouso semanal remunerado nos critérios de cálculo utilizados pelo setor. A preocupação alcança também os divisores empregados na apuração de horas extras e a articulação entre a nova regra constitucional, a legislação trabalhista e as convenções coletivas.
Mais do que respostas, essas dúvidas demandam regulamentação. Reduzir a jornada, assegurar dois dias de descanso e definir a forma de remunerá-los são dimensões relacionadas, com consequências distintas conforme o contrato. No atual contexto, transformar hipóteses em obrigações consolidadas pode resultar em efeitos duradouros. Por isso, passada a euforia pela aprovação da PEC, o momento exige celeridade na avaliação de cenários e no esclarecimento das regras.
A regulamentação deve enfrentar essas questões e oferecer parâmetros para a organização das escalas, a compensação e a remuneração. A emenda constitucional admite negociação coletiva para estabelecer, excepcionalmente, regimes compensatórios de descanso e prevê a possibilidade de lei específica para regimes diferenciados, respeitados os limites constitucionais. Há, portanto, a sinalização de caminhos que preservem os direitos assegurados e considerem as características de cada atividade. É preciso trabalhá-los com diálogo, celeridade e precisão.
Também é indispensável avaliar as consequências para os estudantes. Caso a reorganização implique em custos adicionais, será necessário examinar como absorvê-los sem comprometer a qualidade da oferta ou criar novas barreiras financeiras que dificultem o acesso à graduação. O setor privado de educação superior está ciente de que repasses às mensalidades não podem ser tratados como automáticos, muito menos justificados por estimativas ainda incertas. O momento é de prudência: mensurar impactos, organizar as atividades e evitar decisões precipitadas enquanto persistirem dúvidas relevantes.
O problema ganha dimensão pública porque a educação superior forma profissionais, produz conhecimento e amplia oportunidades. Dificuldades na sua oferta podem repercutir na qualificação da mão de obra, na capacidade de inovação e no desenvolvimento do país. Por isso, os efeitos de uma mudança trabalhista sobre o setor precisam integrar o centro da discussão. Inclusive porque a qualidade de uma política pública também se mede pela capacidade de antecipar consequências e proteger serviços fundamentais.
Em síntese, o fim da escala 6x1 precisa ser mais bem estruturado para que sua implementação corresponda à importância da conquista. Governo, congresso, trabalhadores e instituições educacionais devem construir respostas claras, com avaliação dos impactos e respeito às garantias constitucionais. Valorizar quem trabalha e assegurar oportunidades a quem estuda são compromissos de um mesmo projeto de país. O Brasil precisa avançar em ambos para consolidar uma sociedade mais justa para todos os seus cidadãos e uma nação soberana, sustentada pela educação e pelo conhecimento.
Janguiê Diniz é diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES); secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular; fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional; presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.


© Kleyvson Santos
Com que idade se destralha uma vida?
A União da Poupança e dos Investimentos está ao nosso alcance. Não deixemos escapar esta oportunidade
A crise da habitação é também uma crise das cidades?
Habitar uma cidade é mais do que ter uma casa. Implica poder aceder a emprego, serviços e espaços públicos de qualidade, estabelecer relações de proximidade e participar nas decisões sobre o futuro da cidade
Como construir (e disponibilizar) as casas que faltam

Em 2002, Portugal concluiu 125 mil casas novas. Tinha 10,4 milhões de habitantes, uma população praticamente estagnada, e construía como se esperasse mais um milhão. Em 2025 chegou esse milhão (e ainda um pouco mais), e o país concluiu 27 mil casas. Costumamos falar em falta de planeamento – neste caso, planeámos com 20 anos de antecedência! A piada está feita. Infelizmente, a conta também.
A crise da habitação tem sido discutida sobretudo pelo lado da procura: juros, imigração, vistos gold, alojamento local, fundos. Tudo isso conta e é preciso apoiar quem não consegue encontrar casa, mas…
Este artigo é exclusivo para assinantes
Assine o ECO Premium e continue a ler esta e todas as notícias exclusivas, sem limites.
Já é assinante? Iniciar sessão
Ver todos os planosMissão cumprida. Qual era a missão?

O PRR está 100% cumprido. Foi este o número que o Governo apresentou no seu comunicado de 29 de Setembro, quando submeteu à Comissão Europeia o décimo e último pedido de pagamento, juntamente com as evidências relativas aos últimos 96 metas e marcos do Plano. Se a Comissão Europeia as validar, Portugal receberá a última transferência, de 4.672 milhões de euros, num total de quase 22 mil milhões de euros. Dois dias depois, a 1 de Outubro, o Governo aprovava um conjunto de medidas para concluir os investimentos do PRR. Confuso? O próprio comunicado do Conselho de Ministros esclareceu a aparente contradição: «Portugal cumpriu os 379 marcos e metas do PRR dentro do prazo. O cumprimento de 100% refere-se a esses marcos e metas».
Ao contrário de muitos fundos europeus tradicionais, cujos pagamentos dependem da apresentação de uma pilha de facturas que prove que se gastou determinado montante, o Mecanismo de Recuperação e Resiliência foi, segundo…
Este artigo é exclusivo para assinantes
Assine o ECO Premium e continue a ler esta e todas as notícias exclusivas, sem limites.
Já é assinante? Iniciar sessão
Ver todos os planosPortugal: da atratividade à competitividade
Portugal: da atratividade à competitividade
Portugal: da atratividade à competitividade

O EY Portugal Attractiveness Survey 2026 revela que o país captou 186 projetos de investimento direto estrangeiro (IDE) em 2025, uma redução de 5% face ao ano anterior, ainda assim inferior à quebra de 7% registada na média europeia. Portugal manteve, assim, a 9.ª posição entre os principais destinos europeus de investimento estrangeiro.
Num contexto em que vários mercados perderam capacidade de atração, este resultado confirma a relevância de Portugal no panorama europeu. Mas os números contam apenas parte da história.
Um dos sinais mais encorajadores do estudo é o crescimento dos projetos de expansão, que passaram de 26% para 37% do total. Quando empresas já instaladas decidem reforçar operações, estão a validar fatores que nem sempre aparecem nos rankings: talento, estabilidade e capacidade de crescimento. Trata-se de um sinal particularmente relevante, porque representa investimento adicional de quem conhece a realidade portuguesa por experiência própria.
O estudo mostra ainda que as atividades intensivas em conhecimento continuam a desempenhar um papel central na atração de investimento. Os setores de software e serviços de tecnologias de informação, em conjunto com os serviços empresariais e profissionais, representaram 44% dos projetos captados. Paralelamente, 66% das empresas tecnológicas inquiridas afirmam ter intenção de estabelecer ou expandir operações em Portugal durante o próximo ano.
Mas talvez a principal mensagem do estudo não diga respeito ao presente, mas ao futuro. Quando questionados sobre as prioridades para os próximos cinco anos, os investidores apontam áreas como inteligência artificial, cloud, centros de dados e infraestruturas digitais como motores da próxima vaga de investimento.
Portugal reúne várias condições para beneficiar desta transformação. Dispõe de talento qualificado, capacidade de atrair profissionais internacionais e uma disponibilidade crescente de energia renovável, identificada por 30% dos investidores como uma das principais vantagens competitivas do país.
Contudo, os resultados também mostram que atratividade não garante competitividade. Persistem desafios ligados ao acesso a capital, rapidez dos processos de licenciamento, disponibilidade de competências especializadas e competitividade energética. O setor da energia ilustra bem este paradoxo: sendo um dos maiores ativos do país, continua a ser apontado como uma área onde subsistem obstáculos à competitividade.
A questão já não é saber se Portugal consegue atrair investimento. Os dados demonstram que continua a consegui-lo. O verdadeiro desafio passa por transformar essa atratividade em ganhos sustentados de competitividade, produtividade e criação de valor.
Os países que liderarão a próxima década não serão necessariamente os mais atrativos. Serão os que conseguem executar mais rapidamente, acelerar projetos estratégicos e criar condições para que as empresas cresçam e escalem a partir dos seus territórios.
Portugal conquistou uma posição relevante no mapa europeu do investimento. O passo seguinte é mais exigente: transformar a confiança dos investidores numa vantagem competitiva duradoura. Porque, no longo prazo, não basta ser atrativo. É necessário converter esse potencial em crescimento económico sustentado, inovação e prosperidade.
Escócia estuda criação de serviço de exportação cultural inspirado nos modelos europeus | Por João Palmeiro
Um novo estudo encomendado pelo Governo Escocês, em parceria com o British Council, defende a criação urgente de um serviço dedicado à exportação cultural na Escócia. O relatório, intitulado “Considering a Scottish Cultural Export Service: Something similar, but different”, alerta que, sem uma estrutura de apoio coordenada, o país corre o risco de perder oportunidades internacionais, conhecimento setorizado e toda uma geração de criadores e profissionais globalmente conectados.
Embora a cultura escocesa já chegue aos quatro cantos do mundo através de digressões, exposições, coproduções e distribuição digital em setores que vão desde a música, artes visuais e literatura até aos jogos digitais e artes tradicionais gaélicas, o setor debate-se com a falta de uma estratégia centralizada. O diagnóstico resulta de um amplo auscultamento que incluiu um inquérito a 124 entidades, 21 grupos de consulta com 68 intervenientes do setor e 13 entrevistas em profundidade.
O exemplo europeu, o que a Escócia pode aprender com outros Estados
Para desenhar o futuro modelo, a investigação analisou detalhadamente o ecossistema de internacionalização cultural em vários países e regiões europeias de dimensão comparável, destacando a eficácia de organismos já consolidados:
Música e Artes de Palco na Finlândia (Music Finland e Dance Info Finland): Os países nórdicos surgem como uma das principais referências. A Finlândia demonstra como agências especializadas por setor, financiadas por parcerias público-privadas, conseguem alavancar a presença de artistas nacionais em feiras internacionais e mercados estratégicos através de subsídios de mobilidade e ações de formação comercial.
Redes Regionais e Descentralizadas da Flandres (Bélgica): A região flamenga da Bélgica serve de termo de comparação pela sua estrutura altamente especializada de apoio à exportação artística (Flanders Arts Institute), que combina financiamento direto a digressões com uma forte presença diplomático-cultural em redes europeias.
Estratégias Transversais em França e na Irlanda: Enquanto França assenta a sua projeção no Institut Français — que beneficia de uma vasta rede diplomática para exportar indústrias criativas —, a Irlanda (através da Culture Ireland) oferece um modelo ágil de apoio financeiro direto a artistas que apresentam trabalho no estrangeiro, garantindo um forte retorno de imagem nacional.
As propostas para a Escócia
A análise comparativa com os restantes Estados europeus revelou que a chave do sucesso reside na combinação de conhecimento setorial especializado com uma porta de entrada única para financiamento e recursos.
Com base nessas boas práticas, o relatório apresenta quatro modelos de atuação e recomenda uma implementação faseada. A proposta final sugere um serviço transversal a todas as artes, mas com uma primeira divisão especializada inteiramente dedicada ao setor da música — identificada como a área com maior maturidade e potencial imediato de exportação para os mercados internacionais.
Edição e adaptação com IA de João Palmeiro com Ian Thomas*.

*Head of Evidence, Arts at British Council.
Leia também: Do combate à desinformação ao orçamento da UE. Cidades exigem ter voz no futuro da Europa | Por João Palmeiro

Pode a liderança mudar tudo sem mudar nada?
Economia inclusiva
