❌

Normal view

Eleições em Israel: Segurança e custo de vida estão entre fatores decisivos

28 October 2026 at 14:51

A população de Israel foi às urnas nesta terça-feira (27) para a primeira eleição nacional desde os ataques do Hamas, em 7 de outubro de 2023. A participação dos eleitores foi descrita como recorde, e os fatores que motivaram os israelenses a votar vão muito além da questão palestina.

Segurança em xeque

A segurança é apontada como uma das principais preocupações históricas dos israelenses, e os ataques de 7 de outubro trouxeram esse tema de volta ao centro do debate eleitoral.

Em setembro, uma reportagem do jornal israelense Haaretz afirmou que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu teria sido alertado pelos Emirados Árabes Unidos antes dos ataques do Hamas.

Segundo a publicação, Netanyahu teria respondido que Israel estava preparado para o que quer que acontecesse — mas dez dias depois, mais de 1.200 pessoas morreram nos ataques.

A repercussão foi significativa. Quatro líderes da oposição — entre eles o ex-chefe militar Gadi Eisenkot, o líder da oposição, Yair Lapid, e o ex-primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett — assinaram uma rara nota conjunta criticando Netanyahu e exigindo que ele fosse investigado pelo que chamaram de “uma falha grave de segurança naquele 7 de outubro”.

Netanyahu nega as informações da reportagem, mas o episódio pesou na reta final da campanha.

Política externa e relação com os Estados Unidos

A relação de Israel com os Estados Unidos também figura entre os fatores em disputa. Os Estados Unidos fornecem US$ 6,8 bilhões por ano em ajuda militar a Israel, incluindo sistemas de interceptação de mísseis Patriots, caças F-35 e outras munições de fabricação americana. Essa dependência, segundo Lourival Sant’Anna, “incomoda os israelenses”.

Por outro lado, o analista destacou que Netanyahu possui um trunfo nesse campo: “ele foi o único líder israelense que conseguiu arrastar um presidente americano para uma guerra contra o Irã, que é o grande inimigo de Israel”.

Esse conflito teria degradado a economia iraniana, os arsenais do país e grupos apoiados pelo Irã, como o Hezbollah e o Hamas. Recentemente, Donald Trump declarou apoio a Netanyahu, após um período de trocas de farpas públicas entre os dois.

Questões internas: ultra-ortodoxos e custo de vida

Internamente, a questão dos ultra-ortodoxos e o serviço militar é um ponto bastante controverso. Netanyahu firmou um acordo para manter a isenção militar desse grupo, que integra sua base de apoio no governo.

Além disso, famílias ultra-ortodoxas recebem transferências de renda por cada filho, o que gera controvérsia entre os israelenses mais laicos, que não toleram esse tipo de benefício para famílias que, segundo Lourival, “não trabalham e passam o dia inteiro estudando nos seminários judaicos”.

O custo de vida e a inflação também aparecem como preocupações relevantes para o eleitorado israelense.

A reputação internacional de Israel, especialmente na Europa — onde sanções foram impostas ou anunciadas contra empresas de colonos judeus na Cisjordânia —, é outro elemento que divide parte do eleitorado, sobretudo aqueles com vínculos culturais com o continente europeu.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.

Eleição de Israel é sobre responsabilização do 7 de outubro, diz professor

28 October 2026 at 14:03

As eleições israelenses realizadas nesta terça-feira (27) têm como tema central a responsabilização pelos eventos de 7 de outubro, data em que o Hamas atacou Israel. A avaliação é de Vitelio Brustolin, pesquisador de Harvard e professor da UFF (Universidade Federal Fluminense), em entrevista à CNN.

O especialista comentou as expectativas para o resultado das eleições israelenses e destacou o desempenho expressivo das listas árabes, que conquistaram um número maior de cadeiras do que o observado nos últimos anos.

Responsabilização pelo 7 de outubro divide candidatos

Brustolin apontou que Netanyahu tem demonstrado resistência à criação de uma comissão estatal de inquérito sobre os ataques de 7 de outubro, enquanto Eisenkot e outros líderes da oposição defendem a instalação dessa comissão como plataforma de campanha.

“Esta é uma eleição que trata, sobretudo, da responsabilização sobre os eventos de 7 de outubro”, afirmou o especialista.

Além da questão da responsabilização, o analista elencou outros temas relevantes para o eleitorado israelense: o debate sobre quem deve servir nas Forças Armadas — uma vez que os ultra-ortodoxos são isentos do serviço militar por força de uma coalizão firmada por Netanyahu —, a disputa em torno dos poderes do Judiciário e o isolamento internacional do país.

“Nenhum dos candidatos fala em criar, de fato, um Estado palestino, nem em retirar colonos dos assentamentos na Cisjordânia”, observou Brustolin.

Participação recorde e relação com os Estados Unidos

O especialista atribuiu a participação recorde dos israelenses nas urnas ao peso histórico percebido pelo eleitorado. “Os israelenses percebem essa como uma das eleições mais importantes da história de Israel”, disse Brustolin.

Para o especialista, o resultado pode alterar significativamente a relação entre Israel e os Estados Unidos, especialmente diante das eleições de meio de mandato americanas, nas quais Trump pode perder uma ou ambas as casas do Congresso para os democratas, que têm reservas quanto ao apoio militar dos EUA a Israel.

Brustolin mencionou ainda que Trump foi a público afirmar ter chamado Netanyahu de “louco”, o que evidencia as tensões na relação entre os dois líderes.

O especialista ressaltou que o destino de Gaza permanece uma questão geopolítica central, com um plano de paz americano de 20 tópicos ainda em andamento, e que o novo primeiro-ministro israelense será responsável por conduzir as negociações sobre o “dia seguinte” em Gaza.

Futuro político de Netanyahu

Questionado sobre se uma eventual derrota nas urnas significaria o fim da carreira política de Netanyahu, Brustolin respondeu que não necessariamente. O professor recordou que, em junho de 2021, Netanyahu perdeu o governo após 12 anos consecutivos no cargo, sendo substituído por Naftali Bennett em uma coalizão que incluía um partido árabe.

No entanto, divergências internas levaram à desintegração dessa coalizão entre 2021 e 2022, permitindo o retorno de Netanyahu ao poder em novembro de 2022, com 64 das 120 cadeiras do parlamento.

“Caso Netanyahu vá para a oposição, isso não seria necessariamente o fim da carreira dele. Ele pode acabar retornando ao poder, como aconteceu em 2022″, concluiu Brustolin.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.

Crescimento de partidos árabes pode forçar negociações, diz especialista

28 October 2026 at 12:50

O crescimento dos partidos árabes nas eleições israelenses é apontado como o principal destaque do pleito. Em entrevista à CNN, Eduardo Wurzmann, presidente do instituto Brasil-Israel, analisou os resultados parciais e afirmou que o aumento da representação árabe no parlamento pode obrigar os demais partidos a negociarem com essa minoria para a formação de um governo.

Com cerca de 70% a 75% das urnas apuradas no momento da entrevista, o cenário mostrava que nenhum dos blocos principais havia alcançado a maioria necessária de 61 assentos na Knesset, o parlamento israelense, composto por 120 deputados.

Queda de desempenho e impasse na formação do governo

Wurzmann destacou que o bloco liderado por Benjamin Netanyahu, que no governo atual conta com uma maioria de 67 ou 68 assentos, estava projetado para cair para cerca de 54 cadeiras.

“Por um lado, é uma clara indicação que ele piorou. Por outro lado, hoje, a oposição não tem condições de formar um governo sem a participação, a presença dos partidos árabes“, afirmou Wurzmann.

O especialista explicou que, após a instalação da nova Knesset — prevista para ocorrer em até sete ou oito dias —, o presidente de Israel, Isaac Herzog, consultará os líderes de todos os partidos para identificar quem deve liderar o governo.

A partir das respostas recebidas, Herzog fará o convite a uma pessoa para tentar formar uma maioria. Essa pessoa terá entre 21 e 28 dias para concluir as negociações. Caso não seja possível formar um governo, novas eleições antecipadas poderiam ser convocadas.

“A notícia mais relevante” da eleição

Eduardo Wurzmann classificou o crescimento dos partidos árabes como “a notícia mais relevante” do pleito. Segundo ele, os partidos árabes, que tinham 12 assentos na Knesset anterior, passaram a projetar 18 cadeiras.

A participação dos eleitores árabes israelenses também subiu de 54% para cerca de 65% ou 66%, enquanto o índice geral de participação foi de 77,5% — o maior nos últimos 30 anos. “Eles ainda estão sub-representados, mas cresceram muito”, avaliou.

O presidente do instituto Brasil-Israel esteve pessoalmente no sul de Israel no dia da eleição e relatou ter observado beduínos e mulheres de burca indo às urnas. Wurzmann ressaltou que foi a primeira vez que os partidos árabes incentivaram de forma aberta os cidadãos árabes israelenses a votarem, e que israelenses não árabes também fizeram o mesmo apelo.

Pressão por negociação e cenários possíveis

Wurzmann mencionou que Yair Golan, líder do partido Democratas, declarou não ver razão para não formar uma maioria com os partidos árabes. “Até porque nós temos mais do que 60 votos e o Netanyahu não tem”, disse Golan, segundo Wurzmann.

O líder do Democratas teria afirmado ainda que, “no meu entender, vários dos partidos árabes são mais sionistas até do que os ultra-ortodoxos que estão na coalizão” de Netanyahu.

Wurzmann ponderou, no entanto, que essa posição pode não ser aceita por todos os partidos da oposição. Ele citou que figuras como o ex-primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett, e o ex-ministro da Defesa de Israel e líder do partido Yisrael Beiteinu, Avigdor Lieberman, foram claros em suas restrições a esse tipo de aliança.

O especialista também lembrou que a população árabe representa cerca de 20% da população israelense e já participa ativamente da sociedade do país, com presença em hospitais, no judiciário e nas forças policiais. “Não há razão para eles não participarem de um governo”, concluiu.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.

Indígenas denunciam ameaças após eleições no MS

28 October 2026 at 01:02

O povo indígena Terena, localizado no Mato Grosso do Sul, denunciou, nesta terça-feira (27), ameaças, intimidações e episódios de racismo dentro das próprias aldeias durante o segundo turno das eleições presidenciais.  

A APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), ainda publicou situações em que os indígenas foram impedidos de votar em escolas localizadas nas aldeias. Muitos ainda foram chamados de “bugres”, termo pejorativo, racista e histórico usado no Brasil para designar os povos originários.  

Um dos áudios pulicados em meio a denúncia mostra o desejo de um homem de que os povos não deveriam votar.  

“Senão nós não vamos começar a botar isso, trabalhar, mandar fechar a porteira para não sair mais para a cidade, porque índio é só no mato. E cortar luz, cortar água, porque índio também não pode ter nada disso, é só lamparina. E água no poço. E eu acho que o índio também não podia voltar”, ressaltava um dos áudios da denúncia.  

A APIB destacou que repudia essas violações e exige que as denúncias sejam investigadas, com a responsabilização dos envolvidos e a garantia da segurança das comunidades.  “O direito ao voto é de todos! Nenhum povo indígena pode ser ameaçado, discriminado ou silenciado por exercer seus direitos políticos”, ainda afirmou o órgão.  

 A CNN Brasil entrou em contato com o Governo do Mato Grosso do Sul, com a Polícia Federal e com o Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso do Sul, mas até o momento não obteve resposta. 

Povo Terena

Os Terena são um povo indígena falante de língua Aruak. Atualmente, uma das maiores populações indígenas do país, habitam terras indígenas em dois estados brasileiros, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Os Ministérios dos Povos Indígenas (MPI), dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e da Igualdade Racial (MIR), por meio de nota, apontaram que estão atuando em conjunto para investigar as denúncias de violência relacionadas aos povos indígenas, comunidades quilombolas e povos de terreiro, após o segundo turno das eleições. 

“É inaceitável que discordâncias políticas possam ter como resultado o uso de violência para reprimir e intimidar opiniões diferentes, colocando em risco a vida das pessoas. Vivemos em um país democrático em que as diferentes visões de mundo devem ser respeitadas e coexistir de forma pacífica e livre”, afirmou a nota.  

 

 

Durigan diz que não há definição sobre Fazenda e elogia nome de Fonteles

27 October 2026 at 14:01

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, considera positiva uma eventual indicação do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), para o comando da pasta econômica.

Como mostrou a CNN Brasil, o nome do governador despontou como um dos favoritos para ocupar o Ministério da Fazenda. Rafael Fonteles foi reeleito governador do Piauí no 1° turno.

Segundo Durigan, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai definir a nova composição da Esplanada dos Ministérios nas próximas semanas. O ministro da Fazenda se reuniu com o petista na última segunda-feira (26).

“Não tratamos de equipe. Isso é um assunto que o presidente vai se debruçar nas próximas semanas para definir. Acho o nome do Rafael um excelente nome”, declarou Durigan a jornalistas nesta terça-feira (27).

A eventual ida de Fonteles para a Fazenda tem como justificativa sua trajetória. Antes de assumir o governo do Piauí, ele comandou a Secretaria estadual da Fazenda e presidiu o Comsefaz (Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda).

A nomeação de Fonteles ao Ministério da Fazenda exigiria deixar o governo estadual. O chefe do Executivo é formado em matemática e mestre em economia matemática.

Mercado externo mantém instabilidade nos ativos brasileiros após vitória de Lula

27 October 2026 at 12:37

Os investidores iniciaram esta terça-feira (27) acompanhando os efeitos da turbulência registrada nos mercados brasileiros após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições, realizado no domingo (25). A reação negativa observada na sessão anterior se estendeu aos ativos negociados no exterior, enquanto o mercado busca avaliar as perspectivas econômicas e fiscais para o novo mandato presidencial.

Um dos indicadores que refletem esse movimento é o iShares MSCI Brazil ETF (EWZ), fundo negociado na Bolsa de Nova York que reúne ações brasileiras. Durante as operações de pré-mercado desta terça-feira, o ativo chegou a US$ 31,71, recuo de aproximadamente 7,14% em relação ao fechamento anterior. Ao longo da manhã, recuperou parte do valor e passou a ser negociado perto de US$ 34,24, alta de cerca de 0,26% sobre o encerramento de segunda-feira, quando terminou a US$ 34,15.

A movimentação ocorreu depois de uma desvalorização de 19,82% do EWZ na segunda-feira (26). O fundo havia encerrado a sexta-feira (23) cotado a US$ 42,59 e perdeu valor até fechar a sessão seguinte a US$ 34,15, acompanhando a reação dos investidores internacionais ao resultado eleitoral brasileiro.

Ibovespa enfrenta queda acentuada e tem negociações interrompidas

A pressão sobre os ativos também atingiu a bolsa brasileira. O Ibovespa encerrou a segunda-feira aos 177.608 pontos, com recuo de 13,88%. A dimensão da queda provocou a ativação do circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as negociações quando as perdas atingem determinados limites, com o objetivo de reduzir movimentos abruptos no mercado.

A interrupção aconteceu no início do pregão, diante da forte desvalorização dos contratos futuros do Ibovespa, negociados antes da abertura regular da bolsa, prevista para as 10h. As operações foram retomadas às 10h40, mas a instabilidade continuou nos minutos seguintes.

Às 10h46, o índice chegou a 170.340,70 pontos, o equivalente a uma retração de 16,94%. Mais tarde, às 11h34, o indicador marcava 170.693,37 pontos, ainda com perda de 16,77%.

Uma recuperação parcial ocorreu durante o fim da manhã. Às 12h27, o Ibovespa havia avançado para 174.316,73 pontos, reduzindo a queda para cerca de 15%. A melhora, entretanto, não foi suficiente para reverter o movimento negativo. Às 15h10, o indicador estava em 174.964,11 pontos, com baixa de 14,69%, antes de fechar o dia aos 177.608 pontos.

No mercado de câmbio, o dólar comercial também registrou valorização expressiva. A moeda norte-americana terminou a segunda-feira cotada a R$ 5,40, às 17h, avanço de 8,22% em comparação com o fechamento da sexta-feira.

Empresas brasileiras acompanham cautela dos investidores

A volatilidade também se refletiu nos recibos de ações de companhias brasileiras negociados nas bolsas dos Estados Unidos, conhecidos como ADRs. O comportamento desses papéis é acompanhado por investidores que buscam avaliar os efeitos das mudanças nas expectativas econômicas sobre empresas com atuação relevante no país.

Entre os ativos observados estão os da Petrobras, negociados sob o código PBR. As perspectivas para os investimentos da companhia e para a distribuição de dividendos estão entre os fatores considerados pelo mercado. No caso da Vale, os preços do minério de ferro e o desempenho da demanda chinesa seguem como referências importantes para a avaliação das ações.

Instituições financeiras como Itaú, Bradesco e Nu Holdings também estão no radar dos investidores. Nesse segmento, as expectativas sobre juros, atividade econômica e política fiscal ajudam a orientar as decisões de compra e venda.

A movimentação dos ativos brasileiros ocorre em meio a diferentes avaliações sobre os riscos e as oportunidades no mercado internacional. Parte dos investidores considera a diversificação de aplicações em um cenário de oscilações nas bolsas dos Estados Unidos, especialmente no setor de tecnologia. Ao mesmo tempo, permanecem as dúvidas sobre a condução das contas públicas e as diretrizes econômicas do governo Lula.

As próximas sessões devem mostrar se a recuperação parcial observada em alguns ativos conseguirá ganhar força ou se a instabilidade continuará predominando. O comportamento da bolsa brasileira, a cotação do dólar e as negociações dos papéis nacionais no exterior permanecem entre os principais indicadores acompanhados pelo mercado.

Leia também

The post Mercado externo mantém instabilidade nos ativos brasileiros após vitória de Lula appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

Citi e BCA rebaixam recomendação de ativos brasileiros após vitória de Lula

27 October 2026 at 12:18

O Citigroup e a BCA Research rebaixaram a recomendação dos ativos brasileiros ​após a vitória eleitoral do presidente ​Luiz Inácio Lula da Silva, argumentando que o perfil de risco-retorno para ações, títulos e moeda se deteriorou, à medida que os investidores reavaliam as perspectivas de disciplina fiscal e reformas estruturais sob o novo governo.

Essas avaliações refletem uma mudança mais ampla no posicionamento dos investidores, com estrategistas ⁠alertando que uma política ​fiscal mais flexível, uma dinâmica mais fraca da dívida pública ​e um avanço mais lento nas reformas voltadas para o crescimento ⁠podem pesar sobre os mercados brasileiros, ⁠apesar das restrições impostas por um Congresso mais conservador.

O Citi ​encerrou ‌na segunda-feira (26) suas posições bullish no Brasil após a vitória eleitoral ⁠de Lula, retirando sua recomendação de “overweight” em ações e encerrando sua posição comprada no real.

“Embora os preços possam muito bem cair além dos níveis justos, ‌o ⁠mercado já estava ‌otimista antes disso, o que torna plausível uma queda excessiva. Dado o resultado da eleição, encerramos nossa exposição ao risco no Brasil”, afirmou o ⁠Citi.

Os ativos brasileiros despencaram na segunda-feira, ⁠com o real caindo mais de 11% em relação ao dólar e o índice de ‌ações Bovespa registrando uma queda de 13,9% — sua maior queda em um único dia desde março de 2020.

Os investidores esperam que as recentes apostas em uma mudança de governo sejam revertidas.

A BCA Research rebaixou, ‌na segunda-feira, a recomendação do Brasil em relação aos mercados emergentes, afirmando que a vitória de Lula “acaba com a perspectiva de um governo ⁠ortodoxo que promova melhorias estruturais nas contas fiscais e no crescimento potencial do Brasil”.

A BCA rebaixou as ações brasileiras de “neutro” para “underweight”, citando riscos crescentes ​de inadimplência, perspectivas de crescimento mais fracas e pressões inflacionárias decorrentes de ​uma moeda mais fraca.

A empresa também rebaixou os títulos em moeda local e o crédito soberano do Brasil de “overweight” para “underweight”, alertando para a deterioração da dinâmica da dívida.

Quem é Gadi Eisenkot, principal rival de Netanyahu nas eleições de Israel?

27 October 2026 at 09:00

Reservado, avesso à exposição na mídia e relativamente novo na política israelense, o ex-chefe militar Gadi Eisenkot apresenta um contraste claro em relação ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu — o líder veterano que pretende derrotar nas eleições do dia 27 de outubro.

Sua imagem de alguém direto, de origem humilde e linha-dura em questões de segurança tem repercutido em uma nação que vai às urnas no dia 27 de outubro — a primeira eleição desde que o Hamas atacou Israel, há três anos.

Eisenkot propõe uma ruptura com a liderança de Netanyahu e seus aliados de ultradireita, mas não com a postura de linha-dura em segurança, que se intensificou desde 7 de outubro de 2023: ele se opõe à criação de um Estado palestino e defende que a ala militar do Hamas seja destruída ou desmantelada.

Pesquisas de opinião mostram o partido de Eisenkot, o Yashar, à frente do Likud, de Netanyahu; contudo, dada a fragmentação da política israelense, não há garantia de que qualquer um deles consiga formar o próximo governo.

Durante a campanha, Eisenkot tem enfatizado sua experiência na área de segurança, mencionando a “doutrina Dahiyeh” — que consiste em responder a ataques com força desproporcional —, a qual ele aplicou como comandante durante a guerra de Israel contra o Hezbollah (apoiado pelo Irã) no Líbano, em 2006.

Seu estilo público austero também o diferencia de Netanyahu, um político expansivo e combativo que responde a processos por corrupção e que, segundo pesquisas, é amplamente responsabilizado pelas falhas de segurança relacionadas ao ataque de 7 de outubro.

A imagem pública de Eisenkot também está ligada ao preço pessoal que sua família pagou desde 2023: um filho e dois sobrinhos morreram em combate em Gaza.

“Ele é uma pessoa muito simpática; não tem o perfil de um político; parece alguém comum”, afirma Eitan Shamir, diretor do Centro Begin-Sadat de Estudos Estratégicos da Universidade Bar-Ilan. “Ele não é excessivamente sofisticado. As pessoas sentem que conseguem se identificar com ele.”

O que defende Eisenkot?

Além de defender a eliminação das capacidades militares do Hamas, Eisenkot sustenta que o próximo governo de Israel deve impedir que o Irã adquira capacidade nuclear militar — seja por meio do uso da força ou de um acordo, como uma solução diplomática apoiada pelos Estados Unidos.

Ele também é favorável aos assentamentos judaicos na Cisjordânia, que se expandiram durante o governo de Netanyahu.

A maioria dos países considera os assentamentos ilegais um obstáculo à paz.

No entanto, os assentamentos deveriam servir aos interesses nacionais de Israel e precisam ser “legais” — afirmou ele ao Canal 7 de Israel, um comentário que sugere oposição a postos avançados de colonos estabelecidos sem a aprovação do Estado.

Eisenkot criticou a violência dos colonos contra os palestinos — que aumentou desde 2023, elevando a tensão nas relações de Israel com nações ocidentais — e opõe-se a Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, parceiros de coalizão de ultradireita de Netanyahu; ambos chegaram a sofrer sanções por parte de alguns países ocidentais por incitarem a violência contra os palestinos.

Origens africanas

Filho de imigrantes marroquinos, Eisenkot seria o primeiro primeiro-ministro oriundo da comunidade Mizrahi de Israel — judeus cujas raízes remontam ao Oriente Médio e ao Norte da África.

A comunidade mizrahi, uma base de apoio importante para Netanyahu, por vezes enfrentou desvantagens em Israel — especialmente nas primeiras décadas de existência do Estado, período dominado por judeus asquenazes, cujas raízes remontam à Europa.

Eisenkot serviu nas FDI (Forças de Defesa de Israel) por 41 anos, comandando tropas na Cisjordânia durante um segundo levante e na guerra de 2006 contra o Hezbollah, no Líbano.

A “doutrina Dahiyeh”, por ele aplicada em 2006, consistia em uma estratégia de dissuasão que respondia a ataques de grupos militantes com destruição avassaladora — atingindo, inclusive, a infraestrutura civil nas áreas utilizadas por esses grupos.

O nome faz referência aos subúrbios ao sul de Beirute, controlados pelo Hezbollah.

Na ocasião, o coordenador de ajuda emergencial da ONU afirmou que o bombardeio israelense em Dahiyeh violou o direito humanitário.

Posição sobre a guerra contra o Hamas

Eisenkot ascendeu ao cargo de chefe do Estado-Maior, que ocupou de 2015 a 2019. O partido que ele fundou em 2025 chama-se Yashar — termo que, em hebraico, significa “reto” ou “honesto”.

Após o Hamas deflagrar os ataques de 7 de outubro — que resultaram na morte de 1.200 pessoas e no sequestro de outras 251 —, Eisenkot integrou o gabinete de guerra de Netanyahu na condição de observador.

Oito meses depois, ele deixou o cargo, tecendo críticas à liderança de Netanyahu.

“Quero algo simples. Nós definimos — e eu votei a favor — a destruição do poder militar e governamental do Hamas”, declarou Eisenkot em entrevista ao Canal 7.

“Decidimos alcançar esse objetivo no prazo de um ano. Já se passaram mais de três anos e isso não aconteceu”, afirmou, criticando Netanyahu por ter estabelecido a “vitória total” como meta.

Após os ataques de 7 de outubro, Israel arrasou grande parte da Faixa de Gaza, resultando na morte de 74 mil pessoas, segundo autoridades de saúde locais.

Uma investigação da ONU concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza — uma acusação rejeitada pelo Estado israelense.

Um plano de paz anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, há um ano, resultou em um cessar-fogo e na libertação dos reféns que ainda permaneciam em cativeiro desde 2023.

Segundo Eisenkot, a libertação dos reféns foi o único objetivo de guerra alcançado por Israel.

Os planos mais amplos de Trump para a paz em Gaza preveem o desarmamento do Hamas, uma nova governança palestina para Gaza sob supervisão internacional e a retirada de Israel.

Esses objetivos permanecem não concretizados, com Israel ocupando mais da metade de Gaza e o Hamas ainda armado.

No âmbito de um plano apoiado por Trump, apresentado em julho, o Hamas afirmou ter concordado em se desarmar em troca de uma retirada gradual de Israel.

Contudo, Netanyahu rejeitou o plano, argumentando que o grupo precisa ser desarmado antes de qualquer retirada.

Na entrevista ao Channel 7, Eisenkot reiterou o objetivo de eliminar o poder militar do Hamas.

“É aqui que precisamos ver como isso será feito, como a ala militar do Hamas será destruída ou desmantelada. Tudo deve culminar nisso”, disse ele.

Ele é contra a criação de um Estado para os palestinos — que há muito buscam a autodeterminação na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, com capital em Jerusalém Oriental — e declarou ao Canal 7 que “dois Estados para dois povos é um erro”.

“Minha posição é que, entre o rio Jordão e o mar, Israel deve deter a responsabilidade primordial pela segurança. Não pode haver nenhum exército estrangeiro entre o Mediterrâneo e o Jordão se quisermos sobreviver”, afirmou.

Embora manifeste apoio aos assentamentos, ele se opôs às iniciativas do governo Netanyahu de construir residências no que é conhecido como bloco E1 — um plano que provocou objeções particularmente contundentes por parte de nações ocidentais, uma vez que dividiria a Cisjordânia ao meio, tornando a concretização de um Estado palestino ainda mais difícil.

Eisenkot declarou que não formará alianças com partidos que representam os árabes israelenses, argumentando que nenhum deles aceita seus quatro princípios fundamentais, que incluem a destruição ou o desmantelamento dos inimigos de Israel.

Isso poderia complicar a busca de Eisenkot por uma maioria governamental, mesmo que o partido Yashar se torne a maior legenda.

“Me empenharei para atrair mais partidos sionistas, pois Israel precisa de uma coalizão ampla, com um governo capaz de promover um consenso nacional abrangente”, disse ele ao Canal 7.

Israel avança com plano que pode impossibilitar solução de dois Estados

 

Dólar dispara a R$ 5,40 e tem maior alta diária em 23 anos

26 October 2026 at 23:51

O dólar disparou 8,36% frente ao real nesta segunda-feira (26), fechando a R$ 5,4066 e registrando a maior alta diária em 23 anos.

Isso ocorreu pelo fato de o mercado ter reagido negativamente à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, confirmada no domingo (25).

A moeda americana chegou a superar R$ 5,60 durante a manhã, mas desacelerou a alta ao longo do pregão. O avanço foi o maior desde 5 de março de 2003, quando o dólar subiu 10,4%.

O valor de fechamento ainda foi o mais alto desde 2 de janeiro deste ano.

O Ibovespa também registrou forte queda. O principal índice da bolsa brasileira recuou 13,88%, aos 176.608,23 pontos, na maior perda percentual diária desde 16 de março de 2020, quando caiu 13,92%, quando teve início a pandemia de Covid-19.

Durante o pregão, o índice chegou a cair mais de 17%, aos 169.516,43 pontos. A forte queda levou ao acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de forte oscilação.

Os juros futuros também dispararam após o petista superar o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto. As taxas dos contratos de DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam em alta, superior a 250 pontos-base em alguns vencimentos.

O movimento reflete um ajuste em relação às quedas registradas após o primeiro turno, quando Flávio estava à frente de Lula, além das preocupações dos investidores com o futuro da política fiscal.

*Com informações da Reuters

Ações recuam mais de 50% em dia de circuit breaker; veja maiores perdas

26 October 2026 at 21:58

Após um pregão turbulento nesta segunda-feira (26), o Ibovespa fechou em queda de mais de 13%, aos 176.608 pontos, em resposta do mercado à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A bolsa brasileira registrou a maior perda em um dia desde março de 2020, período marcado pelo início da pandemia de Covid-19.

Diante do movimento, a B3 precisou acionar o circuit breaker, ferramenta utilizada em momentos de maior volatilidade no mercado, quando há maior aversão ao risco por parte dos investidores e os principais índices acionários sofrem fortes quedas.

A suspensão ocorreu logo no início do pregão e teve duração prevista de 30 minutos.

Os papéis da Magazine Luiza (MGLU3) lideraram as perdas, com queda acima de 58%. O setor varejista é um dos mais expostos aos juros, que dispararam na sessão após a frustração do mercado com a vitória de Lula e o esvaziamento das expectativas de mudança na política fiscal.

O pódio ainda é composto pelos papéis da Vamos (VAMO3), com perda de quase 57%, e a Hapvida (HAPV3), que perdeu aproximadamente 55%.

Maiores quedas do Ibovespa nesta segunda-feira (26)

  1. Magazine Luiza (MGLU3): -58,23%
  2. Vamos (VAMO3): -56,79%
  3. Hapvida (HAPV3): -54,93%
  4. C&A Modas (CEAB3): -47,47%
  5. Cosan (CSAN3): -46,73%

Já as maiores altas ficaram com empresas voltadas ao mercado internacional, que tendem a se beneficiar com o avanço do dólar via exportações.

O lado positivo do pregão foi puxado por Suzano (SUZB3), que avançou 10,08%, Embraer (EMBJ3), com alta de 8,89%, e WEG (WEGE3), que subiu 4,21%.

Reação negativa às eleições

O principal indicador do mercado brasileiro de ações reagiu ao resultado eleitoral do último domingo, que confirmou o quarto mandato de Lula. A eleição contrariou as expectativas dos acionistas, que apostavam na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL).

A expectativa do mercado em relação ao candidato da oposição foi alimentada, principalmente, pelas pesquisas eleitorais de segundo turno, que mostravam o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ligeiramente à frente.

Lula obteve 51,79% dos votos, reelegendo-se pela segunda vez e renovando seu próprio recorde de presidente mais votado da história.

Segundo Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, o mercado precificou e se preparou para uma mudança de governo, na expectativa de anos mais “racionais” em relação ao controle de gastos e ao perfil da dívida pública.

“Entretanto, com o cenário consumado da reeleição do Lula, os investidores globais cortam suas expectativas para mais 4 anos do mesmo perfil de governo que levou o Brasil a um dos juros reais mais altos do mundo. É por isso que a bolsa cai tanto hoje”, afirmou.

*Com informações da Reuters e Agência Estado 

Juros futuros fecham em alta após reeleição de Lula

26 October 2026 at 20:15

As taxas dos DIs fecharam a segunda-feira (26) pós-eleição com fortes altas, superiores a 250 pontos-base em alguns contratos, após o presidente Luiz Inácio Lula da ​Silva (PT) superar o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto, surpreendendo o mercado.

A disparada dos ​prêmios na curva reflete tanto um ajuste em relação às baixas vistas após o primeiro turno, quando Flávio estava à frente de Lula, quanto as preocupações dos investidores com o futuro da política fiscal.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,8%, em alta de 194 pontos-base ante o ajuste de 12,859% da última sexta-feira, antes do segundo turno. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2031 estava em 15,185%, com elevação de 254 pontos-base ante 12,642%.

O início da sessão foi marcado por paralisações nos negócios com DIs após as taxas de vários vencimentos atingirem limites de alta. ⁠A B3 anunciou a expansão desses limites ainda pela manhã, mantendo ​pausas para que o mercado encontrasse preços de equilíbrio.

Às 11h02, após uma paralisação, a taxa do DI para janeiro de 2031 atingiu a máxima ​intradia de 15,940%, em alta de 330 pontos-base ante o ajuste de sexta-feira.

O movimento foi consequência direta da vitória de Lula sobre Flávio no segundo turno ⁠da disputa presidencial, por 51,79% a 48,21% dos votos válidos. Como o mercado ⁠estava em grande parte posicionado para uma vitória de Flávio, o ajuste na curva foi inevitável.

Isso porque com Flávio no Planalto o ​mercado ‌enxergava chances maiores de controle das contas públicas – ainda que nem o candidato nem seus assessores econômicos tenham apresentado durante a campanha propostas concretas para reduzir gastos.

Como Lula ⁠venceu, o mercado voltou a incorporar prêmios à curva, em especial entre os contratos de longo prazo, mais suscetíveis à política fiscal. O movimento ocorreu em paralelo à forte queda do Ibovespa e à disparada do dólar ante o real.

A disparada desta segunda-feira colocou as taxas inclusive acima dos patamares vistos antes do primeiro turno da eleição presidencial, o ‌que sugere ⁠que o mercado não apenas ‌reincorporou à curva os prêmios perdidos anteriormente quanto acrescentou mais prêmios.

A taxa do DI para janeiro de 2031, por exemplo, que encerrou a sessão regular desta segunda-feira em 15,185%, estava em 13,99% no dia 2 de outubro, antes do primeiro turno.

Assim como a B3, o Tesouro atuou ao longo do dia para tentar acalmar o mercado. O órgão ⁠anunciou pela manhã o cancelamento do tradicional leilão de títulos indexados à inflação na terça-feira e ⁠o cancelamento do leilão de papéis prefixados na quinta-feira.

Por outro lado, manteve o leilão regular de LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), títulos indexados à taxa básica Selic, previsto para terça-feira.

Em outra frente, o Tesouro ‌recomprou cerca de R$ 7,1 bilhões de títulos prefixados em posse do mercado no fim da manhã e mais R$7,7 bilhões em títulos indexados à inflação durante a tarde. Ao promover a recompra de títulos, o Tesouro atuou para suavizar a disparada das taxas.

O triunfo de Lula também alterou de forma substancial a parte curta da curva de DIs, que passou a precificar a possibilidade de o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central não cortar a Selic, hoje em 13,75%, na ‌próxima semana.

No auge da pressão, durante a manhã, a curva chegou a precificar aumento de 25 pontos-base da Selic na próxima semana, sendo que na sexta-feira havia quase 100% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base.

No fim da tarde, a curva já precificava manutenção da Selic na próxima semana, com elevação de ⁠25 pontos-base em dezembro e 50 pontos-base em janeiro.

“O mercado está muito disfuncional”, resumiu Lais Costa, analista da Empiricus Research, que na noite de domingo já havia alertado para a tendência de fortes altas para as taxas nesta segunda-feira.

Segundo ela, a nova precificação da Selic ocorre por conta do dólar, que chegou a oscilar acima dos R$ 5,50 durante o ​dia, e da deterioração das expectativas.

O boletim Focus divulgado mais cedo trouxe projeções calculadas apenas até a última sexta-feira – portanto antes do segundo turno. Nele, as expectativas de inflação ​dos economistas do mercado estão em 5,19% em 2026, 4,34% em 2027 e 3,75% em 2028. No caso do dólar, a projeção é de R$ 5,05 no fim deste ano.

Assim como a curva passou por ajustes, essas projeções tendem a ser revistas nesta semana pelos economistas, já sob a perspectiva de continuidade do governo Lula.

Sem efeito nas negociações desta segunda-feira, às 16h55 o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões ‌de investimento – caía 1 ponto-base, a 4,98%.

 

 

Risco-país brasileiro avança 26% e atinge maior nível desde junho de 2025

26 October 2026 at 20:04

O CDS (Credit Default Swap) de 5 anos do Brasil, um derivativo que protege contra calotes na dívida soberana, termômetro do risco-país, sobe 26% nesta segunda-feira (26) e opera em 151,7 pontos – na sexta-feira, estava em 120,2 pontos.

O indicador acompanhando a reprecificação dos ativos brasileiros com a reeleição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). É o maior patamar do índice desde junho de 2025.

Os estrategistas do Morgan Stanley avaliam que o CDS do Brasil pode subir 40 pontos, enquanto o dólar pode bater em R$ 6,00 se as pressões fiscais se intensificarem. A avaliação do banco americano, em relatório, é que o risco fiscal em alta ameaça ações, moeda e títulos de dívida do Brasil.

Ao fim do primeiro turno, com o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), preferido de boa parte do mercado financeiro, saindo na frente, o CDS chegou a cair para abaixo de 108 pontos, no menor nível em 6 anos.

Em seguida, o indicador começou a subir novamente, em meio às dúvidas eleitorais, com as pesquisas mostrando empate técnico, mas sem embutir nas cotações uma vitória de Lula, observa um gestor de fundo dedicado a emergente em Nova York.

Abicom: reeleição de Lula fará Petrobras reajustar gradualmente os preços

26 October 2026 at 19:45

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve provocar uma arrumação gradual nos preços dos combustíveis da Petrobras, avalia o presidente da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), que não vê espaço no momento para um reajuste que afete fortemente o preço ao consumidor.

Nesta segunda-feira (26), o Conselho de Administração da Petrobras se reúne para discutir a defasagem dos preços da companhia, considerada insustentável por conselheiros e membros da administração.

Apesar da defasagem em relação ao preço internacional, principalmente do diesel, ser alta, um esperado aumento deve vir aos poucos, explica Araújo. Na semana passada, a defasagem do diesel ultrapassou a subvenção ao combustível ao atingir R$ 3,53 o litro, contra R$ 3,52 da subvenção.

“O sistema de preços de combustíveis está muito desarrumado. Os preços da Petrobras estão muito defasados. Existem diversas camadas de subsídio para o diesel e a gasolina está desonerada, o que é explicado pelo momento eleitoral que se estava.

Passado esse momento, vão ter que arrumar a casa, mas terá que ser de maneira lenta e gradual”, afirma.

Para Araújo, o governo tem que fazer a conta do que está arrecadando com os impostos do setor, como royalties, participações especiais, imposto de exportação, e fazer um balanço do que pode reduzir na subvenção para poder organizar o setor.

“O que se espera é que gradualmente o governo arrume a casa e a Petrobras possa praticar preços mais racionais”, conclui.

Lei que isenta IR até R$ 5 mil é sancionada; entenda o que muda

Em festa da vitória, Lula pede que público cante Hino da Independência

Logo Agência Brasil

O presidente da República reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso na festa da vitória na Avenida Paulista, pediu que os presentes cantassem o Hino da Independência do Brasil. Momentos antes, em entrevista coletiva, Lula afirmou que houve intromissão estrangeira e que as plataformas digitais tentaram direcionar o resultado eleitoral no país.

“Eu devo essa vitória a cada um e a cada uma de vocês. Por isso, ontem [em manifestação no mesmo local] fiquei emocionado e quero pedir para, outra vez, cantarem o Hino da Independência para eles saberem que nós não cabemos no quintal de ninguém”, disse.

Notícias relacionadas:

Lula disse que a eleição de 2026 serviu de lição e que o seu quarto mandato terá a participação do povo na gestão do governo.

“Eu aprendi, neste segundo turno, a grande lição da minha vida. Quando o governante não sabe o que fazer, ele pergunta ao seu povo que o seu povo saberá ensinar o que ele tem que fazer”, acrescentou.

“Acho que no dia em que o povo brasileiro acordou e resolveu eleger um metalúrgico, sem diploma universitário, como presidente da República, foi o dedo de Deus que fez vocês confiarem que um operário poderia fazer mais do que a elite brasileira tinha feito em 500 anos neste país”. O presidente agradeceu novamente o deputado federal André Janones (Rede-MG) por ter coordenado uma campanha nas redes sociais de apoio à sua reeleição e comandado o canal no whatsapp Exército do Lula, decisivo na disputa eleitoral.

“O nosso exército teve um papel muito importante nesse segundo turno. Agora, você [dirigindo-se ao deputado André Janones] vai ter que assumir um compromisso com esse povo. Que a gente ganhou a primeira batalha. O exército não pode dispersar. O exército vai ter que continuar”, afirmou Lula.

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, também discursou na Avenida Paulista. Ele destacou que essa eleição presidencial teve vários recordes e que o presidente Lula já salvou a democracia duas vezes. 

“O primeiro recorde é que o presidente Lula teve mais de 64 milhões de votos. O presidente Lula é eleito pela quarta vez. [Foi] a menor abstenção em 20 anos. E agradecer a São Paulo. Aqui, entre o primeiro e o segundo turno, aumentou 27,5% a votação do presidente Lula. E, finalmente, trazer uma palavra: o presidente Lula salvou a democracia no Brasil duas vezes.”

❌