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Banco do Japão decide manter taxa de juro em 1,25%

30 October 2026 at 08:00
Japão

O Banco do Japão (BoJ) decidiu hoje manter a taxa de juro de referência de curto prazo em 1,25%, o nível mais elevado em quase 31 anos no país asiático.

Na reunião de dois dias dedicada à política monetária, o BoJ optou por não alterar a taxa, depois de a ter aumentado de 1% para 1,25% em setembro, num contexto de insistência dos Estados Unidos para que o Japão demonstre aos mercados o seu compromisso com a sustentabilidade orçamental e com a subida das taxas de juro.

Por uma maioria de oito votos contra um, o banco central nipónico manteve as taxas inalteradas, considerando que a inflação subjacente se encontra, de forma geral, num nível compatível com o objetivo de estabilidade de preços de 2%.

Perante este cenário, o banco central reiterou que manterá a orientação de aumento gradual das taxas de juro e ajustará a política monetária em função da evolução da atividade económica, dos preços e das condições financeiras.

No entanto, no relatório de perspetivas económicas divulgado hoje, o BoJ alertou para o risco da inflação subjacente ultrapassar a meta de 2%, devido à crescente disponibilidade das empresas para aumentarem salários e preços, bem como a outros fatores suscetíveis de impulsionar a inflação.

Segundo dados divulgados na semana passada pelo Governo japonês, a inflação homóloga, excluindo os produtos alimentares frescos, aumentou para 2,1% em setembro, face aos 1,7% registados em agosto, situando-se ligeiramente acima do objetivo de 2% definido pelo banco central.

O BoJ considerou que a economia japonesa continuará a crescer moderadamente, embora a um ritmo mais lento, apoiada pelas medidas governamentais para responder ao aumento dos custos da energia provocado pelo conflito no Médio Oriente e pelo crescimento da procura mundial associada à inteligência artificial (IA).

Além disso, o banco central do país anunciou que irá acelerar a partir de janeiro de 2027 o ritmo de venda dos fundos negociados em bolsa, acumulados durante os programas de estímulo monetário como parte dos esforços para reduzir gradualmente a carteira destes ativos. A medida foi aprovada por unanimidade pelos membros da comissão de política monetária.

A decisão do BoJ surge depois de na quarta-feira a Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos ter optado igualmente por manter as taxas de juro inalteradas, no intervalo entre 3,75% e 4%. O Banco Central Europeu (BCE) também manteve esta quinta-feira as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de depósito, às operações principais de refinanciamento e à facilidade permanente de cedência de liquidez em, respetivamente, 2,5%, 2,65% e 2,9%.

Ataque informático no setor de criptomoeda tem impacto estimado em 5,6 mil milhões de euros

30 October 2026 at 07:58

A Binance, maior plataforma mundial de negociação de criptomoedas, explicou que as investigações apontam para a possibilidade de os atacantes terem comprometido o computador portátil de um engenheiro de operações, conseguindo aceder a um dos sistemas da plataforma e executar levantamentos não autorizados.

ASF quer apresentar proposta de adesão automática a planos de pensões até março de 2027

30 October 2026 at 07:55

A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) espera apresentar até ao final do primeiro trimestre do próximo ano uma proposta para introduzir em Portugal um sistema gradual de adesão automática a planos complementares de reforma (auto-enrollment), anunciou o presidente do regulador dos seguros, Gabriel Bernardino.

A medida pretende reforçar a poupança para a reforma através da inscrição automática dos trabalhadores em planos de pensões profissionais, com contribuições que poderão ser reduzidas e com a possibilidade de desistência voluntária. O responsável adiantou que a ASF está a trabalhar no tema e mantém contactos com o Governo, sublinhando que o objetivo é ultrapassar a inércia na decisão de poupar.

Gabriel Bernardino afirmou que a ASF está a trabalhar no tema e que “tem falado, naturalmente, com o Governo”. O objetivo, explicou, é trazer os sistemas complementares de pensões “para outro nível de que muito necessitamos”.

A criação de um sistema de acompanhamento de pensões, que reúna num único local informação sobre a pensão pública, os fundos de pensões profissionais e as poupanças individuais, é outra das prioridades. A ASF quer ainda modernizar os Planos Poupança Reforma (PPR), distinguindo de forma mais clara os produtos que privilegiam a garantia de capital daqueles que procuram maior rendibilidade, com riscos mais elevados.

As propostas foram apresentadas na sessão de lançamento do Observatório da Poupança de Longo Prazo para a Reforma, desenvolvido pela ASF em colaboração com a Universidade Nova de Lisboa.

Poupar, sim, mas pouco

Os dados do primeiro inquérito do Observatório mostram que apenas 28% dos portugueses detêm pelo menos um produto específico de poupança de longo prazo para a reforma, embora 45% afirmem poupar ativamente para esse objetivo.

Entre os jovens adultos, a proporção com produtos específicos desce para 17%, apesar de 69% considerarem que se deve começar a poupar antes dos 30 anos.

A falta de recursos financeiros é a principal razão apontada por quem não poupa, indicada por 55% dos inquiridos. Outros 27% dizem nunca ter pensado no assunto ou considerar prematuro fazê-lo.

Gabriel Bernardino defendeu também a determinação de incentivos fiscais estáveis e mais favoráveis para os aforradores de menores rendimentos, bem como a criação de produtos adequados a pequenas poupanças. Contribuições mensais de 20 ou 50 euros, acumuladas durante 30 a 40 anos, podem representar um complemento importante na reforma, afirmou.

O presidente da ASF destacou ainda a necessidade de reforçar a transparência sobre os custos dos produtos financeiros, através da análise do chamado value for money, que avalia a relação entre os custos suportados e os benefícios obtidos pelo consumidor. O objetivo é permitir que os aforradores conheçam a rendibilidade líquida das aplicações, depois de comissões e impostos, e percebam se conseguem superar a inflação.

Portugal apresenta uma taxa de poupança dos particulares de 12,2% no quarto trimestre de 2025, situando-se abaixo da média da União Europeia (13,9%), num contexto marcado pelo envelhecimento demográfico e pelo facto de o valor médio das pensões da Segurança Social em 2024 (7.665 euros) se encontrar abaixo do limiar de risco de pobreza (8.679 euros).

No final de 2025, os ativos dos regimes complementares de segurança social ascendiam a 33,2 mil milhões de euros, divididos entre o segundo e terceiro pilares, embora as rendibilidades medianas a dez anos destes produtos (entre 0,9% e 2,0%) tenham ficado aquém da inflação média de 2,1% registada no mesmo período.

O Observatório revela que a rendibilidade mediana anualizada a dez anos foi de 0,9% nos PPR sob a forma de seguros ligados a fundos de investimento (unit-linked); de 2% nos seguros não ligados e de 1% nos PPR constituídos sob a forma de fundos de pensões.

A ASF está também a trabalhar, no âmbito do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, numa proposta de regulação da hipoteca inversa, destinada sobretudo a pessoas idosas cujo património está concentrado em imóveis.

O reforço dos sistemas complementares de reforma, defendeu Gabriel Bernardino, deverá complementar, e não substituir, o sistema público de pensões.

Los accionistas de CaixaBank recibirán un dividendo a cuenta de 1.281 millones con cargo a los beneficios del primer semestre

30 October 2026 at 07:54

CaixaBank ha confirmado que abonará el próximo 6 de noviembre un dividendo a cuenta de 1.281 millones de euros, equivalente a 18,44 céntimos brutos por acción, con cargo a los beneficios del primer semestre de 2026, equivalente al 40% del beneficio neto consolidado del primer semestre, según ha informado el banco a la Comisión Nacional del Mercado de Valores (CNMV). El pago se enmarca en el plan de dividendos para 2026 que el consejo aprobó en enero, que prevé repartir en efectivo entre el 50 % y el 60 % del beneficio neto consolidado del ejercicio en dos pagos.

El primero es este dividendo a cuenta, que podía oscilar entre el 30% y el 40% del beneficio del primer semestre, y el segundo será un dividendo complementario que deberá aprobar la junta general de accionistas y se abonará en abril de 2027. En torno al 50% del dividendo lo recibirán la Fundación la Caixa y el FROB, mientras que el banco cuenta con más de 500.000 accionistas, en su inmensa mayoría minoristas.

A esta retribución se suma el octavo programa de recompra de acciones, por 500 millones de euros, que CaixaBank anunció en abril y que resta 20 puntos básicos a su ratio de capital de máxima calidad CET1, situada en el 12,5 % al cierre de septiembre. Además, el consejo ha acordado ampliar en tres meses, hasta el 30 de enero de 2027, la duración de este programa, que inicialmente debía concluir este 30 de octubre. La entidad cuenta con más de 500.000 accionistas (cierre de septiembre de 2026), en su inmensa mayoría minoristas.

© La Razón

CaixaBank dispara su resultado en 2024 hasta llegar a los 5.787 millones de euros

"El mayor robo de criptomonedas de la historia": Binance sufre un ciberataque de 6.300 millones y congela la retirada de activos mientras la cúpula promete cubrir todas las pérdidas

30 October 2026 at 07:49

El gigante mundial del intercambio de criptomonedas Binance ha suspendido de forma temporal las retiradas de fondos tras sufrir un hackeo histórico cifrado en torno a los 6.300 millones de dólares, un grave incidente de seguridad que ya ha provocado el desplome inmediato de los principales valores en los mercados internacionales y ha obligado a intervenir de urgencia a las principales autoridades del sector.

Una brecha informática a través del equipo portátil de un ingeniero

 

La plataforma de intercambio de criptomonedas más grande del mundo ha confirmado este jueves que mantiene congelados 3.000 millones de dólares en criptoactivos mientras avanza una investigación interna que apunta directamente a una brecha de seguridad originada en el ordenador portátil de un ingeniero de DevOps. Según ha explicado la propia compañía, este dispositivo informático habría actuado como la puerta de entrada para que un actor desconocido accediera a un contenedor de servicio y ejecutara transacciones de retiro no autorizadas en diez cadenas de bloques distintas. Por su parte, el director ejecutivo de la firma de inteligencia blockchain Arkham, Miguel Morel, ha señalado que los datos indican que miles de millones de dólares habrían sido sustraídos a partir de las 16:30 horas del este de Estados Unidos.

Ante la magnitud del suceso, catalogado por la firma Chainalysis como el mayor robo de criptomonedas jamás registrado, la cofundadora de Binance, Yi He, ha querido lanzar un mensaje de calma institucional al asegurar que la empresa "cubrirá todas las pérdidas derivadas del hackeo" y confía en restablecer los servicios de retirada en un plazo aproximado de 48 horas. Paralelamente, la firma estadounidense de análisis blockchain TRM Labs ha atribuido oficialmente la autoría de esta operación al grupo de hackers norcoreanos TraderTraitor, señalando que la mayor parte de la extracción masiva se completó en apenas veinte minutos. En paralelo a estos acontecimientos, emisores de monedas estables como Tether y Circle han procedido a bloquear de forma preventiva cerca de 1.570 millones y 800 millones de dólares respectivamente en activos vinculados al ataque.

Estremecedor impacto bursátil y desplome generalizado del mercado

El sobresalto en la seguridad informática de la plataforma se ha dejado sentir de inmediato durante las primeras operaciones financieras en Asia, arrastrando a la baja las cotizaciones de los principales activos digitales del ecosistema. El bitcoin ha registrado un retroceso de alrededor del 3% hasta situarse en los 77.400 dólares, marcando su nivel más bajo en seis semanas, mientras que el ether ha descendido cerca de un 2% para tocar un mínimo de dos meses en 2.238,76 dólares. Asimismo, el token nativo BNB ha sufrido una caída superior al 8% en las últimas veinticuatro horas, cotizando en los 694 dólares según los datos aportados por el agregador de mercado CoinGecko.

Las repercusiones de este inusual episodio también han alcanzado a otros actores bursátiles de Wall Street, donde las acciones de la plataforma competidora Coinbase Global han retrocedido un 4,8% y los títulos de Strategy han caído cerca de un 6% durante la sesión extendida en Estados Unidos. Este revés financiero coincide además con un contexto de creciente vulnerabilidad en la ciberseguridad financiera global, evidenciado por los 2.900 millones de dólares sustraídos a lo largo de 2025 en cerca de 150 ataques y por la reciente suspensión temporal de operaciones sufrida este mismo jueves por la plataforma de mercados de predicción Polymarket tras otro incidente informático ajeno.

© Difoosion

Como contactar con Binance todos los metodos

Binance revela que ataque de cibersegurança tem impacto estimado em 5,6 mil milhões de euros

30 October 2026 at 07:46

A Binance, maior plataforma mundial de negociação de criptomoedas, revelou hoje que o ataque de cibersegurança de que foi alvo tem um impacto estimado em 6,3 mil milhões de dólares (5,6 mil milhões de euros).

Em comunicado divulgado no seu portal oficial, a empresa explicou que as investigações preliminares apontam para a possibilidade de os atacantes terem comprometido o computador portátil de um engenheiro de operações, conseguindo aceder a um dos sistemas da plataforma e executar levantamentos não autorizados.

A Binance afirmou não ter encontrado, até ao momento, provas de que as chaves privadas das suas carteiras digitais tenham sido comprometidas e prometeu divulgar um relatório técnico detalhado após a conclusão da investigação.

A empresa indicou que trabalhou com parceiros do setor para congelar cerca de 3.000 milhões de dólares (2.700 milhões de euros) em ativos afetados, embora ainda não tenha determinado o valor definitivo das perdas nem quanto poderá recuperar.

A plataforma garantiu que cobrirá todos os eventuais prejuízos através do fundo de proteção dos utilizadores, conhecido pela sigla SAFU, e de recursos próprios, assegurando que os fundos dos clientes estão protegidos.

Como medida de precaução, a Binance suspendeu temporariamente os depósitos e levantamentos, revogou as autorizações de acesso comprometidas e solicitou a colaboração das autoridades e de empresas especializadas no rastreio de transações com criptomoedas.

A plataforma anunciou que atualizará a prova de reservas após a conclusão das medidas corretivas.

O incidente provocou quedas nas principais criptomoedas, com a bitcoin a recuar mais de 3%, para cerca de 77.400 dólares (69.190 euros), enquanto o éter e a BNB também registaram perdas, segundo o portal especializado CoinDesk.

Nos mercados de futuros, as liquidações de posições alavancadas atingiram 1,5 mil milhões de dólares (1,3 mil milhões de euros), segundo a mesma fonte.

Fundada em 2017, em Xangai, leste da China, pelo empresário Changpeng Zhao, a Binance transferiu as operações para fora da China após as restrições impostas por Pequim à negociação de criptomoedas, passando a operar internacionalmente sem uma sede central única.

Institucionais que compram imóveis para arrendar não beneficiam do IVA a 6%

30 October 2026 at 07:42

A impossibilidade de fundos e outros investidores institucionais beneficiarem automaticamente do IVA a 6% na construção está a gerar críticas entre os especialistas do setor imobiliário.

Em causa está quem compra imóveis já concluídos para os colocar no mercado de arrendamento e cujas operações não reúnem os requisitos legais para beneficiarem do incentivo fiscal.

Contudo, a limitação não abrange automaticamente todos os fundos imobiliários: depende da estrutura do investimento e do enquadramento da operação.

Bruna Melo, partner de International Tax and Transaction Services da EY, explica que a taxa reduzida de IVA a 6% na construção cobre dois cenários. “Um é a venda a quem vai viver na casa, com preço até 660.982 euros. O outro é o arrendamento pelo próprio promotor, com renda até 2.300 euros por mês. Valores que serão atualizados para 2027”.

“Fica de fora a venda a investidores que comprem os imóveis para os arrendar a rendas moderadas”, afirma. Como tal, na prática, quem constrói para vender a um investidor paga IVA a 23% e quem constrói para vender a famílias paga a 6%.
“A diferença de tratamento não tem justificação face ao objetivo da medida, que é o de colocar mais casas no mercado a preços moderados”, defende.

E critica o desconhecimento da dinâmica do setor por parte do Governo. “Em tese, o promotor constrói para vender e raramente está alinhado com o modelo de construção para arrendamento, que obriga a deter o imóvel durante anos”, diz.

Por outro lado, os investidores institucionais, como fundos de pensões e fundos de investimento têm outro perfil. “Não querem expor-se ao negócio da promoção imobiliária, com os seus riscos de licenciamento, obra e comercialização. Querem deter imóveis para arrendamento, muitas vezes a longo prazo. Procuram rendimentos estáveis e previsíveis, e por isso compram o ativo já construído, em bloco, e gerem-no de forma profissional”, aponta, realçando que o promotor assume o risco de construir e sai com a venda.

Esta limitação no regime deixa fora dele um conjunto significativo de investidores com capacidade para financiar, gerir e colocar no mercado grandes carteiras de habitação para arrendamento.

“Quando a oferta é escassa e os preços são elevados, dispensar capital de longo prazo e gestão profissional é um contrassenso. A venda a um investidor, de uma só vez, também dá ao promotor a segurança necessária para avançar com o projeto”, sublinha.
Como tal, acredita que este cenário permitiria ainda colocar num único momento um número expressivo de casas no mercado de arrendamento, o que ajudaria a equilibrar as rendas.

Bruna Melo diz que o problema não se esgota nestecaso concreto, pois o regime está repleto de condições e exclusões. “Cada requisito acrescenta risco para quem investe e abre espaço a interpretações diferentes entre contribuintes e AT, criando incerteza e imprevisíbilidade, essenciais para a decisão de investir”. afirma.

Pioridade a quem constrói
Pedro José Santos, coordenador do Departamento Fiscal da RSN Advogados diz que a questão se coloca, sobretudo, quando os fundos, seguradoras ou outros investidores institucionais não intervêm na construção e entram apenas numa fase posterior, adquirindo imóveis já concluídos para os colocar no mercado de arrendamento.

“Aí existe efetivamente uma limitação ao aproveitamento do benefício, mas ela parece-me coerente com a lógica subjacente ao regime, de fazer com que a redução do IVA se traduza, tanto quanto possível, numa diminuição efetiva do custo da habitação para quem compra para habitação própria ou numa redução do custo de produção da habitação que é diretamente colocada no mercado de arrendamento, evitando que o benefício fiscal se dilua numa cadeia de intermediação sem impacto necessário no preço final ou na renda praticada”, explica.

O advogado defende que tal como está estruturado, o benefício deve seguir a criação de habitação e não apenas a circulação do ativo imobiliário e reconhece que se o objetivo é criar nova oferta de habitação, faz mais sentido premiar quem assume o risco de construir do que quem entra apenas depois de o imóvel estar concluído.

“Esta limitação pode ser parcialmente ultrapassada através de estruturas de associação entre promotores e investidores institucionais, permitindo que os fundos participem desde a fase de desenvolvimento e construção dos projetos”, refere.

Clarificação fiscal
Sérgio Fagundes Conceição, associado principal da Antas da Cunha Ecija, alerta para a necessidade de distinguir corretamente as verbas incluídas nos contratos de empreitada, nomeadamente seguros, cauções e fundos de garantia.
“Não existe uma exclusão automática de ‘seguros’ e ‘fundos’ do IVA a 6%; existe, sim, uma necessidade de qualificar cada verba”, sublinha.

Os seguros debitados pelo empreiteiro ao dono da obra podem constituir despesas acessórias da empreitada e integrar a base tributável. Já as cauções e os depósitos de garantia verdadeiramente reembolsáveis podem ficar fora dessa base, desde que não correspondam, na realidade, a uma parte do preço ou a uma contraprestação por serviços.
“As quantias que sejam preço ou despesas acessórias da empreitada tendem a integrar a base tributável. As quantias que sejam meras garantias reembolsáveis, ou pagamentos feitos em nome e por conta do dono da obra e corretamente registados como tal, podem ficar fora da base tributável”, conclui.

El crecimiento del negocio comercial dispara el beneficio de CaixaBank hasta 4.962 millones, un 12,9% más en el tercer trimestre

30 October 2026 at 07:39

CaixaBank obtuvo un beneficio neto de 4.962 millones de euros hasta septiembre, un 12,9 % más respecto al mismo periodo del año pasado, apoyado, según la entidad, en el crecimiento del negocio. El margen de intereses se situó en 8.186 millones (+2,9 %), con un crecimiento del 2,5 % en el tercer trimestre respecto al segundo. Unos ingresos, que junto con la aportación de los servicios -incluidas comisiones, gestión patrimonial y seguros, que aportaron 4.182 millones (+7,7 %)- y y el resto de ingresos, elevaron el margen bruto a 12.656 millones (+4,4 %). La evolución de la cuenta de resultados mantiene una dinámica positiva y la rentabilidad (ROTE 12 meses) alcanza el 18,8% a final del periodo, mientras que la ratio de capital de máxima calidad CET1 se situó en el 12,5%, un nivel que descuenta un impacto de 20 puntos básicos por el programa de recompra de acciones de 500 millones de euros y sitúa la cobertura ante insolvencias hasta el 82 % y el coste del riesgo, en el 0,24%.

De este modo, la entidad acelera la actividad comercial y la captación, en el marco del Plan Estratégico 2025-2027, gracias a su vocación de servicio al cliente y a una plataforma diferencial de distribución omnicanal y capacidad multiproducto. El consejero delegado de CaixaBank, Gonzalo Gortázar, ha afirmado que "el balance de estos meses es muy positivo: crecemos de forma sólida y equilibrada, ganando clientes y aumentando nuestra actividad. Y lo hacemos gracias a nuestra posición de fortaleza que nos permite seguir acompañando a familias y empresas y generando valor para nuestros clientes, accionistas y para el conjunto de la sociedad". Gortázar ha destacado, además, que "seguimos avanzando en el proceso de transformación de CaixaBank con el objetivo de ofrecer un mejor servicio a nuestros clientes. Estamos incorporando la inteligencia artificial y nuevas herramientas tecnológicas en toda la organización, con mejoras ya tangibles en la experiencia de cliente y en nuestra capacidad comercial".

Según la información remitida por el banco a la Comisión Nacional del Mercado de Valores (CNMV), el buen comportamiento de la financiación a familias y a empresas elevó la cartera de crédito sano a 397.469 millones de euros, un 8% más. La cartera de crédito sano a empresas aumentó en 19.404 millones (+11,4 %); la de adquisición de vivienda, en 9.551 millones (+7 %), y la de consumo, en 2.195 millones (+9,8 %). En el caso de las hipotecas, el banco destacó que el 60 % de la cartera ya está referenciada a tipo fijo, frente al 20 % que representaba en 2021.

Pero ha sido la actividad comercial el gran impulsor de los beneficios gracias a los recursos gestionados de clientes, que crecieron un 5,6% interanual hasta situarse en 760.353 millones de euros. De este volumen total, los depósitos de clientes representaron 438.932 millones de euros (un 2,7% más), mientras que los activos bajo gestión (fondos de inversión y planes de pensiones, entre otros) alcanzaron 216.333 millones tras crecer un 10,6 % en los últimos doce meses. Con la suma del crédito y los recursos, el volumen de negocio global del grupo alcanzó los 1,16 billones de euros, un 6,4% más que un año antes.

En el capítulo de costes, los gastos de administración y amortización aumentaron un 4,3%, hasta 5.004 millones de euros entre enero y septiembre, lo que situó la ratio de eficiencia en el 39,4%. De este modo, el margen de explotación -la diferencia entre el margen bruto (12.656 millones) y estas partidas (5.004 millones)- avanzó un 4,6 %, hasta 7.653 millones. Esta evolución estuvo acompañada por una mejora de la calidad del balance: el saldo de créditos dudosos descendió en 891 millones desde diciembre, lo que redujo la ratio de morosidad al 1,76 % (frente al 2,07% del cierre de 2025). La cuenta de resultados se ve impactada también en 2026 por la contabilización del Impuesto sobre el margen de intereses y comisiones (IMIC), por una cuantía de 452 millones de euros en los nueve primeros meses del ejercicio, frente a los 446 millones del mismo periodo del año 2025.

La filial portuguesa Banco BPI aportó 339 millones de euros al resultado atribuido, con un aumento del 7 % en su volumen de negocio en los últimos doce meses. Por su parte, imagin, el neobanco impulsado por CaixaBank y "palanca clave de captación y crecimiento del Grupo", cerró septiembre con 4,3 millones de clientes (un 9% más que un año antes) y un volumen de negocio de unos 24.300 millones de euros (+18% interanual).

CaixaBank presta ya servicio a 21,1 millones de clientes en España y Portugal (con un crecimiento cercano a los 480.000 en un año), a través de una red que supera las 4.500 oficinas, y cuenta con más de 683.000 millones de euros en activos. CaixaBank abonará el próximo 6 de noviembre un dividendo a cuenta de 1.281 millones de euros, equivalente a 18,44 céntimos brutos por acción, con cargo a los beneficios del primer semestre de 2026.

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Azeite a ferver. Consumo cai 30% e Tunísia preocupa setor

30 October 2026 at 07:35

Apanhar a azeitona pode deixar de compensar. Para alguns olivicultores portugueses, sobretudo os que trabalham em explorações tradicionais, a conta começa a ser difícil de fazer: o preço de venda desce, os custos acumulam-se e a receita da colheita poderá não chegar para pagar a mão de obra e as máquinas. Num setor que atravessou dois anos de preços elevados, a descida trouxe algum alívio aos consumidores, mas criou uma dor de cabeça a quem produz.

“Estamos neste momento a produzir mais caro e a vender mais barato”, resume Francisco Pavão, vice-presidente da CAP, que alerta para o aumento dos custos e a perda de competitividade da produção nacional e europeia. O responsável não exclui que a pressão sobre os preços possa levar alguns agricultores a deixar a azeitona por colher, numa altura em que se espera uma campanha produtiva, cerca de 195 mil toneladas por hectare (ha) e “até há data ainda há muita azeitona por apanhar”, afiança.
O problema não afeta todas as explorações da mesma forma. Os olivais mais mecanizados conseguem, em princípio, resistir melhor à descida dos preços. Já os tradicionais, com menor produtividade e maior dependência de trabalho manual, estão mais expostos. “De salientar que 75% da área do país é composto por olival tradicional”, diz, acrescentando que um olival tradicional produz 300 litros de azeite por hectare, enquanto o olival em sebe produz dois mil.

Custos aumentam 50%
Francisco Pavão estima que os encargos com combustíveis, energia, fertilizantes e outros fatores de produção tenham aumentado este ano entre 40% e 50%. A indústria enfrenta também custos acrescidos com materiais como o vidro e o plástico.

Em alguns olivais tradicionais, os custos de produção poderão situar-se entre quatro e cinco euros por quilo de azeite. Em explorações de encosta e patamares, como as existentes no Douro e no Tejo, o olivicultor aponta para valores que podem rondar entre os oito e os 12 euros, comparativamente a um preço de mercado que situa entre 3,40 e 3,50 euros. Os valores variam consoante o sistema de produção e as condições de cada exploração, mas ilustram a dificuldade de rentabilizar a colheita.
Quando a receita não cobre os encargos, colher pode significar aumentar o prejuízo. “Se estivermos a gastar mais dinheiro do que aquele que recolhemos, às vezes mais vale parar ou suster a atividade durante um ano ou dois”, diz Fernando Rosário, presidente do Conselho de Administração da Cooperativa Agrícola de Beja e Brinches.

A decisão, contudo, pode ter consequências duradouras, explica ainda Rosário, isto porque o olival é uma cultura plurianual e o abandono prolongado pode comprometer a recuperação das árvores e a capacidade de produção nos anos seguintes. O risco é particularmente relevante para as explorações tradicionais,

Tunísia divide o setor
A concorrência tunisina é outro dos focos de tensão. Ao abrigo do acordo de associação entre a União Europeia e a Tunísia, existe um contingente de 57 mil toneladas de azeite que pode entrar no mercado europeu sem direitos aduaneiros. Entre novembro de 2025 e junho de 2026, o país exportou 352 mil toneladas de azeite para a Europa. Um aumento de 56,7% em comparação com período homólogo, segundo dados do Observatório Nacional Agropecuário (ONAGRI).

Francisco Pavão, considera que esta situação penaliza os produtores europeus, sujeitos a custos e exigências ambientais, laborais e fitossanitárias mais elevados. Regras que esses países não têm de cumprir, seja a nível sanitário, ou nas condições dadas aos trabalhadores“Estamos a importar produtos abaixo do custo de produção na Europa, portanto, tem um impacto negativo sobre a produção”, afirma, defendendo a criação de cláusulas de salvaguarda que permitam limitar as importações quando estas provoquem desequilíbrios no mercado.

Fernando Rosário também considera pouco sensato reforçar as importações quando existe dificuldade em escoar a produção europeia. A entrada de azeite tunisino pode, na sua perspetiva, ocupar espaço comercial que seria destinado ao produto comunitário. Mas a Tunísia não reúne consenso enquanto explicação principal para a descida dos preços. Mariana Matos, secretária-geral da Casa do Azeite, diz que o mercado está sobretudo condicionado por dois fatores: o consumo ainda não recuperou totalmente da quebra provocada pelos preços elevados e a expetativa de uma boa campanha aumenta a disponibilidade de produto.

A responsável recorda que, durante o período em que o azeite se aproximou dos dez euros por litro, o consumo caiu mais de 30%. A recuperação tem sido lenta, pelo que a procura continua aquém dos níveis anteriores à escalada dos preços.
Na sua leitura, atribuir a pressão atual essencialmente às importações tunisinas é ignorar o efeito conjugado da procura ainda enfraquecida e das perspetivas de maior produção.

A evolução da campanha espanhola será determinante para o mercado português. Espanha é o maior produtor mundial e qualquer alteração na sua produção tem impacto na oferta disponível e nos preços internacionais. As projeções europeias citadas nas entrevistas apontam para uma produção espanhola de cerca de 1,6 milhões de toneladas. Para Portugal, as estimativas avançadas situam-se entre 185 mil e 195 mil toneladas, podendo aproximar-se das 200 mil.

Se estas previsões se confirmarem, a combinação de uma oferta elevada com um consumo ainda por recuperar poderá prolongar a pressão sobre os preços. Pelo contrário, uma produção espanhola inferior à esperada poderá alterar o equilíbrio do mercado. No entanto, há quem afiance que o calor poderá ter afetado a azeitona espanhola, logo a produção poderá ser inferior às estimativas, e se assim for deixa mercado para o azeite nacional poder vender mais lá fora.

Porém, o problema não desaparece. Só empurra mais um ano. Por esse motivo, Francisco Pavão defende que Portugal tem de investir urgentemente em literacia alimentar. “Precisamos de voltar a criar uma cultura do azeite. Investir num programa escolar. O azeite é a única gordura que faz parte da dieta mediterranica”, defende, convicto. Já Fernando Rosário, termina, salientando que a agricultura tem de ser vista como uma atividade económica e não apenas como uma atividade familiar. Afinal, segundo dados do INE as exportações do azeite nacional em 2024 foram cerca de 1574 milhões de euros, com um saldo comercial positivo de 975 milhões de euros.

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