Fábrica da Tupperware em Constância vendida por 4 milhões

© PAULO CUNHA/LUSA

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O Grupo Indra acelerou a captação de encomendas no terceiro trimestre, voltando a registar crescimentos de dois dígitos nas receitas e no resultado operacional, anunciou hoje a empresa.
Nos primeiros nove meses de 2026, as receitas aumentaram 29%, para 4.645 milhões de euros, com subidas em todas as divisões, com destaque para a Defesa (100%) e Tráfego Aéreo (23%).
A carteira de encomendas atingiu 22.165 milhões de euros no final de setembro, mais 133% em termos homólogos, impulsionada pelos setores da Defesa e do Espaço, nomeadamente pela integração da Hispasat e Hisdesat e pelos contratos do programa IRIS².
A entrada de encomendas nos nove meses fixou-se em 8.085 milhões de euros, mais 82%, com uma aceleração de 139% apenas no terceiro trimestre, sobretudo devido a contratos de 1.926 milhões de euros do programa europeu IRIS².
O EBITDA cresceu 62% e o EBIT 42%, para uma margem de 9,8%, face a 8,8% no mesmo período de 2025. O resultado líquido foi de 355 milhões de euros, mais 22%.
Em comunicado, o presidente executivo do Grupo Indra, Josep Maria Recasens, afirmou que “o terceiro trimestre confirma a força do nosso crescimento e demonstra o potencial do Espaço como um dos principais motores do Grupo Indra”.
“O contrato relacionado com o IRIS² representa um marco para a empresa e reforça a nossa posição para liderar grandes programas tecnológicos e industriais europeus”, acrescentou.
O responsável sublinhou ainda que o grupo está a construir “uma Indra mais integrada, mais industrial e mais orientada para o produto”, preparada para traduzir o crescimento da carteira em resultados sustentáveis, numa altura em que prepara o novo Plano Estratégico, a apresentar em novembro.
O grupo, que no terceiro trimestre anunciou a compra de 30% da TRC (IndraMind) e de 100% da Dares Technology, reafirmou as metas financeiras para 2026: receitas superiores a 7.000 milhões de euros, EBIT acima de 700 milhões e free cash flow superior a 375 milhões.
O Indra Group (Grupo Indra) é um grande grupo multinacional de origem espanhola, líder nos setores de defesa, aeroespacial, gestão de tráfego aéreo, mobilidade inteligente e tecnologias de informação
Os resultados que os bancos portugueses estão a apresentar são boas notícias para o país. O BCP anunciou esta semana lucros de 874 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, mais 12,6% do que em 2025. O Santander ganhou 664 milhões, apesar de uma descida de 8,8%. São números expressivos, que confirmam a solidez e a rentabilidade do nosso sistema bancário.
Há quem olhe para estes resultados com desconfiança, como se ganhar dinheiro fosse, por si só, motivo de censura. Não é. Os bancos são empresas, têm acionistas, trabalhadores, clientes e obrigações. Precisam de ser rentáveis para investir, conceder crédito, reforçar os capitais próprios e resistir às crises.
Sobretudo, convém não esquecer o passado. Portugal sabe bem quanto custa ter bancos em dificuldades. O BPN, o BES, o Banif e a própria Caixa Geral de Depósitos, em situações muito diferentes, obrigaram a intervenções públicas que custaram milhares de milhões de euros. Os erros de gestão, os riscos excessivos e as falhas de supervisão acabaram por ter consequências pesadas para os contribuintes e para os clientes, em muitos casos privados de recuperar poupanças de uma vida.
A diferença é enorme. Um banco que dá lucros paga impostos, remunera os seus acionistas, emprega milhares de pessoas e pode acumular capital para financiar a economia. Um banco que entra em colapso pode destruir poupanças, comprometer empresas, abalar a confiança e exigir recursos públicos que fazem falta na saúde, na educação ou noutras prioridades do país. Não foi assim há tanto tempo. Convém não esquecer.
Saudar estes resultados não significa, naturalmente, defender tudo o que os bancos fazem. As comissões cobradas aos clientes, a remuneração dos depósitos, os spreads e as margens de intermediação financeira devem continuar sujeitos a escrutínio. A concorrência tem de funcionar e os consumidores precisam de ser protegidos. Uma banca saudável não fica dispensada de praticar preços justos e prestar bons serviços.
Também não basta apresentar lucros elevados e distribuir dividendos. Os bancos têm uma responsabilidade decisiva no financiamento das empresas, no apoio ao investimento e na modernização da economia. E podem ter agora um papel especialmente importante no combate à crise da habitação, ajudando a financiar a construção de novas casas, aumentando a oferta e criando condições de acesso ao crédito que não comprometam o futuro das famílias. Portugal precisa de crescer mais, de aumentar a produtividade e de criar riqueza. Uma banca capitalizada e bem gerida deve ser parte dessa solução.
Portugal fez um longo caminho desde a crise financeira. Os bancos reduziram o crédito malparado, reforçaram os capitais e recuperaram a confiança. Seria um erro desvalorizar essa transformação. É legítimo exigir mais à banca portuguesa. Mais concorrência, ainda mais transparência, melhores serviços e maior capacidade para apoiar a economia. O que não faz sentido é transformar os seus lucros num problema. O problema nunca foi os bancos ganharem dinheiro. O problema foi, demasiadas vezes, perderem tanto que acabámos todos a pagar a conta.
O Grupo INFORM anunciou a criação da EVOTESS, uma nova empresa independente, integralmente detida pelo grupo, especializada na aplicação de inteligência artificial e tecnologias avançadas de otimização à logística da indústria dos materiais de construção.
A nova empresa surge apoiada em mais de 35 anos de experiência acumulada pela INFORM no desenvolvimento de soluções para os setores do cimento, betão, agregados e asfalto. A EVOTESS pretende ajudar as empresas destas indústrias a planear e gerir operações logísticas de forma mais eficiente, recorrendo a tecnologias de Inteligência Artificial (IA), Machine Learning e otimização matemática.
Segundo o grupo, a nova estrutura dá continuidade ao trabalho já desenvolvido internacionalmente pela INFORM nesta área. As tecnologias da empresa são atualmente utilizadas por alguns dos maiores operadores mundiais do setor dos materiais de construção, entre os quais a Heidelberg Materials, a Holcim e a CRH.
Para o mercado português, a criação da EVOTESS é apresentada como uma oportunidade para acelerar a adoção de soluções tecnológicas capazes de melhorar a eficiência operacional, otimizar a utilização de recursos e apoiar os processos de transformação digital da indústria.
Citado em comunicado, João Faísca, CEO da INFORM Portugal, afirma que a criação da EVOTESS reforça a aposta do grupo na especialização tecnológica e na capacidade de responder aos desafios enfrentados pelas empresas do setor.
“A criação da EVOTESS reforça a nossa aposta na especialização tecnológica e na capacidade de responder aos desafios de uma indústria cada vez mais pressionada para aumentar a eficiência e controlar custos”, refere o responsável.
A empresa considera que a crescente necessidade de otimização de operações, associada à pressão sobre custos e sustentabilidade, está a acelerar a procura por ferramentas de inteligência artificial capazes de melhorar a tomada de decisão e aumentar a produtividade em atividades logísticas complexas.
Com esta aposta, o Grupo INFORM procura consolidar a sua presença num segmento considerado estratégico para a transformação digital da indústria dos materiais de construção.

O Governo não tem qualquer “hesitação em defender a transparência salarial para defender a igualdade salarial entre homens e mulheres”, mas este desígnio não pode “criar nas empresas um ónus de natureza burocrática”, disse o ministro da Economia, no Parlamento.
“Não temos nenhuma hesitação em defender a transparência salarial para defender a igualdade salarial entre homens e mulheres”, disse Manuel Castro Almeida, numa audição conjunta com as comissões parlamentares de Orçamento, Finanças e Administração Pública, Economia e Coesão Territorial, Reforma do Estado e Poder Local e Agricultura e Pescas, no âmbito da apreciação na especialidade da proposta do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027). “Mas não se podem criar nas empresas ónus de natureza burocrática quando fornecem ao Estado documentação se estão ou não a cumprir a lei”, disse o responsável em resposta ao Chega e ao PAN. “Temos de resolver os problemas e não acrescentar burocracia”, acrescentou.
A diretiva europeia sobre transparência salarial entrou em prazo limite de transposição a 7 de junho por isso Portugal já está atrasado na transposição da mesma, embora não seja o único. O Governo está a preparar para adaptar à legislação portuguesa esta diretiva europeia. “Temos de acautelar a igualdade salarial entre homens e mulheres e evitar as burocracias que alguns querem impor”, disse Castro Almeida.
O ministro fez questão de sublinhar um dos grandes problemas da economia nacional é a fraca produtividade, e que essa será a grande prioridade do próximo ciclo de programação dos fundos europeus (2028-2034). “Não culpe os fundos europeus pela baixa produtividade”, atirou Castro Almeida a um deputado do Chega. “Temos de reconhecer que os fundos andaram a tratar de outros assuntos que não a produtividade. Portugal mudou à custa dos fundos europeus que pagaram infraestruturas, escolas, saúde. As condições de vida dos portugueses melhoraram muito à custa dos fundos europeus”, acrescentou.
Contudo, “os fundos não foram tão dirigidos quanto deveriam — e quanto esperto que venham a ser no futuro — para falta de produtividade, causa do maior problema dos portugueses que é a falta de dinheiro no bolso”, disse o ministro. Para resolver este problema são necessários “acréscimos de produtividade para onde queremos dirigir o próximo ciclo de fundos europeus”.
Castro Almeida apelou às empresas, universidades e centros de investigação que comecem já a preparar consórcios para depois para fazer consórcios com empresas e universidades estrangeiras para fazer candidaturas conjuntas ao Fundo Europeu da Competividade, que tem uma dotação de 400 mil milhões de euros. “A aposta no Fundo Europeu para a Competividade é o grande desafio que vamos ter no novo ciclo de programação”, frisou Castro Almeida. “Portugal tem de ter capacidade de apresentar boas candidaturas ao Fundo Europeu da Competividade e podemos vir a inverter a diminuição de fundos europeus que haverá no próximo ciclo para todos os países da Europa”.
“Algumas universidades já estão a fazer este trabalho e a AI2 também está a promovê-lo juto de alguns centros de investigação”, revelou o minsitro.
Para ajudar as empresas, o ministro da Economia recordou que o Executivo baixou a taxa de IRC num ponto percentual em 2026 e vai voltar a fazê-lo no próximo ano, de acordo com a proposta de Orçamento do Estados para 2027, havendo o compromisso de repetir a medida para 2028. Castro Almeida explicou que a opção foi baixa o IRC, mas garantiu que a descida da derrama estadual irá ser feita. O responsável sublinhou a política seguida pelo Governo e “baixar os impostos para o mínimo indispensável para garantir o Estado social e a autoridade”, já que “as empresas têm muito onde investir o dinheiro desde logo para investir em inovação, melhorar equipamentos e melhorar salários”.
Em termos de salários, o ministro da Economia garantiu os salários dos portugueses estão, sistematicamente, a crescer acima da inflação, citando os “números inequívocos do INE”. Reconhecendo que gostava que a diferença fosse maior, sublinhou que a guerra no Médio Oriente e o aumento dos custos com os combustíveis impedem que assim seja. “Apesar disso, [os salários] estão a crescer em Portugal. Não estou a dizer que estão bem ou a crescer demais”, alertou.
Ainda assim lamentou o “enorme atraso” no rendimento dos portugueses, e o facto do país comparar mal com a média europeia em termos de PIB per capita. “É um dos piores indicadores no confronto com a Europa. Estamos aproximadamente em 80% do PIB per capita. Tanto quanto Portugal tinha há 30 anos. Estivemos a marcar passo”. Apesar de ressalvar que a situação já foi pior, sublinhou não ver razão para que o país se contente com menos do que a média da União Europeia. “Para recuperar este atraso o país tem de crescer, a cada ano, mais do que a média europeia. Se o país crescer tanto como no primeiro semestre deste ano, é possível atingir 100% da média europeia em 2043″, explicou repetindo a ideia que já tinha defendido no último dia de debate da proposta de Orçamento do Estado antes da votação na generalidade.
“Em dez anos conseguimos recuperar 12 pontos percentuais. Está ao alcance dos portugueses, assim haja ambição e organização do trabalho”, concluiu.
O ministro da Economia reconheceu que houve “uma intervenção” nas negociações entre a Galp e a Moeve com vista a fundir os negócios de refinação e distribuição, já que era necessário compatibilizar o direito da livre iniciativa e o direito da propriedade com o mais alto interesse estratégico do país. Manuel Castro Almeida disse que o Governo cumpriu o seu papel num negócio que envolvia a única refinaria do país cujo valor estratégico vai para além dos direitos da livre iniciativa.
Fazendo questão de sublinhar que “o Governo respeita totalmente a iniciativa privada e a livre iniciativa”, Castro Almeida sublinhou que a convicção do Executivo é de que “a soberania de um país tem de ser equacionada a par com os valores de livre iniciativa e do direito de propriedade”. “É possível compatibilizar estes dois direitos” com o dever de defesa do “interesse estratégico do país”, acrescentou.
Numa resposta ao deputado do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, o ministro da Economia reconheceu que “o Governo teve uma intervenção que foi no sentido de compatibilizar os valores de livre iniciativa e economia de mercado com o mais alto interesse estratégico do país”.
“Uma refinaria que é única em Portugal tem um valor estratégico que vai para além dos direitos de livre iniciativa”, disse Castro Almeida.
“O Governo cumpriu o seu papel e a Galp entendeu que era melhor para si não fazer o negócio que tinha projetado. Essa é uma decisão soberana da empresa que é estranha a qualquer decisão do Governo”, garantiu.
Tal como o ECO avançou em primeira mão, na segunda-feira a Galp informou o mercado que, “na sequência do anúncio de 8 de janeiro de 2026, relativo a um acordo não vinculativo entre a Galp e os acionistas da Moeve, a Mubadala Investment Company e o The Carlyle Group, e na sequência de negociações exaustivas entre as partes, não foi alcançado qualquer acordo”.
O ministro da Economia e da Coesão Territorial reconheceu que está a ser “muito exigente” e “mais difícil do que em quadros anteriores” cumprir as metas de execução que impedem a devolução de verbas a Bruxelas.
“No Portugal 2030 o cumprimento da regra do N+3 está a ser mais difícil do que em quadros anteriores, em que era cumprida com grande facilidade”, disse Manuel Castro Almeida na audição conjunta com as comissões parlamentares de Orçamento, Finanças e Administração Pública, Economia e Coesão Territorial, Reforma do Estado e Poder Local e Agricultura e Pescas, no âmbito da apreciação na especialidade da proposta do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027). Isto porque o atual quadro “começou com mais um ano de atraso face ao PT2020”, explicou o responsável. “Começou muito tarde ter pelo meio de encaixar as metas do PRR dificultou a capacidade de execução de autarquias e de empresas”, precisou.
De acordo com as regras comunitárias, os países têm de gastar o correspondente ao orçamento de cada ano nos três anos seguintes. Se não o fizerem, o montante remanescente tem de ser devolvido a Bruxelas.
“O ano de 2026 ainda é muito exigente para o cumprimento da regra N+3, muito exigente mesmo“, disse Castro Almeida. “Espero que o próximo ano seja mais fácil do que está a ser o de 2026”, disse, com o cuidado de acrescenta que está “confiante que será cumprido”.
O secretário de Estado do Planeamento e do Desenvolvimento Regional revelou que é ao nível dos programas regionais do Centro e do Algarve que se colocam os maiores desafio. Questionado especificamente sobre o Norte 2030, Hélder Reis disse que o N+3 estava cumprido.
Em termos de cumprimento, o ministro da Economia garantiu que está a ser feito “um esforço enorme para eliminar os atrasos na análise de candidaturas”. “Na área do Sistema de Incentivos já não há atrasos na análise das candidaturas”, garantiu. “O IAPMEI e a AICEP estão a cumprir a 100% os prazos de análise das candidaturas”, acrescentou, sem no entanto fazer referência ao Compete.
Castro Almeida reconheceu porém que “ainda estão por cumprir os prazos dos pagamentos”. “Mas estamos quase a lá chegar”, garantiu. As regras determinam que os pagamentos devem ser feitos a 30 dias.
Confrontado pelo deputado socialista, Nuno Fazenda, com exemplos de empresas que não conseguem submeter pedidos de pagamento no âmbito do Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade (IFIC), por a plataforma estar ainda a ser operacionalizada, Castro Almeida sublinhou apenas que já foram 350 milhões de euros no âmbito deste instrumento.
O assunto já tinha sido tratado na Comissão de Economia, a semana passada, quando o presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR, Pedro Dominguinhos, confirmou as afirmações do deputado Nuno Fazenda, que também tem recebido queixas de beneficiários dos concursos da Inteligência artificial por não terem resposta aos pedidos de reembolso das despesas. Uma situação justificada pela demora de oito meses na definição das regras para a submissão das despesas.
Os apoios aos projetos de inteligência artificial foram os primeiros a serem lançados no âmbito do IFIC – a receção de candidaturas encerrou a 21 de novembro de 2025 – mas a orientação técnica da estrutura de missão Recuperar Portugal e do Banco de Fomento com as regras operacionais aplicáveis à execução e acompanhamento dos projetos aprovados no âmbito do IFIC só foi publicada a 30 de setembro.
“Tenho recebido relatos de muitas empresas, sobretudo da IA, que têm projetos aprovados, que conseguem submeter as despesas, mas as mesmas estão por iniciar”, disse Dominguinhos aos deputados. “Recordo que há cerca de 15 dias foi publicada uma orientação técnica por parte da estrutura de missão, conjuntamente com o Banco Português de Fomento, a referir quais eram os procedimentos para os pagamentos. Portanto, deduzo que a plataforma esteja agora a ser otimizada para que as entidades possam analisar os pedidos de pagamento”, sublinhou o presidente da CNA.
Dominguinhos recordou que a audição a 13 de maio na mesma comissão parlamentar, na qual referiu a questão dos pagamentos dos adiantamentos nestes concursos “que não estavam a ser feitos”. “Aquilo que sei é que passado uma semana, ou 15 dias, a maior parte dos adiantamentos foram regularizados”, sublinhou.
Os 350 milhões de euros de pagamentos a que Castro Almeida se referiu na audição, podem, na verdade, ser referentes apenas aos adiantamentos já pagos e não ao pagamento de pedidos de reembolsos.
As ações da Intel estão a afundar mais de 21% na negociação após o fecho, depois de a fabricante de chips ter apresentado previsões para o quarto trimestre abaixo do esperado, penalizadas por uma explosão mortal na sua fábrica em Israel e pelo abrandamento do segmento de PC.
A Intel prevê receitas entre 15 e 16 mil milhões de dólares no quarto trimestre, abaixo dos 17,07 mil milhões estimados pelos analistas, e um lucro ajustado de 25 cêntimos por ação, longe dos 43 cêntimos esperados.
A explosão em outubro na fábrica de Kiryat Gat, em Israel, que matou duas pessoas e feriu outra com gravidade, fará desaparecer cerca de 600 milhões de dólares em receitas ao longo de dois trimestres, avança a agência noticiosa Reuters. A unidade, que produz sobretudo chips para centros de dados, deverá começar a retomar a produção até ao final desta semana, após uma paragem de duas semanas.
Segundo o diretor financeiro, David Zinsner, a situação levará que as previsões de receitas para o quarto trimestre sejam reduzidas em cerca de 300 milhões de dólares. A Intel prevê um impacto semelhante nas receitas do primeiro trimestre de 2027. O impacto final pode ser maior, já que a Intel ainda está a avaliar que bolachas de silício podem ser aproveitadas.
A juntar-se a este cenário, a fabricante de chips alertou que as receitas no segmento de PC vão continuar a abrandar até ao primeiro semestre do próximo ano. O segmento está a ser pressionado pela forte subida dos preços da memória. A empresa estima que as receitas neste segmento caiam na ordem dos 25% no próximo trimestre.
No terceiro trimestre, as vendas da divisão de chips para PC caíram 5%, para 8,10 mil milhões de dólares. O mercado estimava 8,98 mil milhões. As receitas da Intel subiram 21%, para 16,51 mil milhões de dólares, em linha com as estimativas. O lucro ajustado situou-se nos 52 cêntimos por ação, acima das estimativas de 40 cêntimos.
A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) vai receber 150 mil euros do Comité Olímpico de Portugal (COP) para desenvolver o projeto TALENTODROME-PT – Transdisciplinary Ecosystem for Talent Development and Innovation in Sport.
A candidatura foi uma das cinco aprovadas, entre 20 submetidas, no concurso de Bolsas para Projetos de Investigação Aplicada ao Desenvolvimento Desportivo, e recebe o montante máximo atribuído por projeto.
TALENTODROME-PT quer transformar a forma como o talento desportivo é desenvolvido em Portugal, combinando ciência, inovação tecnológica e novas metodologias de treino.
“O objetivo é aproximar a investigação científica das necessidades concretas de atletas, treinadores, federações e organizações desportivas, transferindo conhecimento para a prática”.
A UTAD revela que durante os próximos 30 meses, os investigadores vão desenvolver e testar, com jovens atletas de diferentes modalidades desportivas, “um modelo inovador de desenvolvimento do talento que integra a diversificação da prática desportiva, a criatividade, novas metodologias de treino, a prevenção de lesões, a saúde mental e a utilização de tecnologias avançadas e inteligência artificial”.
“O talento não é uma fotografia tirada aos 12 ou 14 anos. É uma trajetória que se constrói, muitas vezes de forma imprevisível, através das interações entre pessoas, experiências e contextos. Com o TALENTODROME-PT queremos estudar e transformar esses ecossistemas onde ele possa emergir, desenvolver-se e atingir a excelência”, explica Jaime Sampaio, docente da UTAD e investigador do Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano (CIDESD).
A equipa é composta por oito investigadores do CIDESD. Seis da UTAD: Jaime Sampaio, Sara Santos, Nuno Mateus, Eduardo Abade, Catarina Abrantes e Nuno Leite. Diogo Monteiro é Universidade de Leiria e Oeste e Maria João Lagoa, da Universidade da Maia.
O concurso do COP distribuiu cerca de 750 mil euros pelos cinco projetos selecionados, nas áreas da monitorização da performance, inteligência artificial, desenvolvimento de talento e inovação tecnológica. O programa prevê um mínimo de 10 bolsas – cinco financiadas pelo COP e cinco pelo Comité Paralímpico de Portugal (CPP) –, com um teto de 150 mil euros por projeto.
O COP já transferiu a primeira tranche, correspondente a 25% do valor atribuído, o que permite iniciar de imediato a execução do projeto.
Para o presidente do COP, Fernando Gomes, investir em investigação aplicada é dar ao desporto português capacidade para tomar melhores decisões, com “conhecimento que chegue ao treino, às federações, aos atletas e às organizações”.
A Amazon aumentou as receitas líquidas em 12% no terceiro trimestre, para 201,9 mil milhões de dólares, de acordo com a informação comunicada esta quinta-feira ao mercado. Ainda assim, os resultados da gigante do e-commerce e da cloud ficaram abaixo das estimativas dos analistas.
As receitas comparam com 180,2 mil milhões no mesmo período do ano passado, mas o mercado esperava 202,3 mil milhões. O lucro por ação, de 1,89 dólares, também ficou aquém dos 1,96 dólares estimados. A estes números juntou-se um cash flow livre negativo, que agravou os receios dos acionistas sobre os gastos em inteligência artificial. As ações caíram mais de 7% na negociação após o fecho.
A Amazon Web Services (AWS), a divisão de computação na cloud, viu as receitas subir 39%, para 46 mil milhões de dólares. A Amazon superou assim as estimativas dos analistas, que esperavam um aumento de 38,2%, para 45,61 mil milhões, segundo dados compilados pela LSEG.
O retalho mantém-se uma das principais fontes de receitas. De acordo com a CNBC, as vendas online subiram 2% em termos homólogos, para 68,47 mil milhões de dólares, abaixo dos 69,68 mil milhões esperados pelos analistas, segundo a StreetAccount. As receitas de publicidade cresceram 11%, para 19,64 mil milhões, mas ficaram aquém do consenso de 20,82 mil milhões.
As duas unidades foram afetadas pela decisão de antecipar o Prime Day do terceiro para o segundo trimestre na maioria dos principais mercados, para evitar a sobreposição com o Mundial de Futebol, em junho, segundo o meio financeiro. O Prime Day é um dos principais eventos anuais de promoções da Amazon, dirigido aos membros Prime. Em 2025, decorreu inteiramente no terceiro trimestre. Segundo a empresa fundada por Jeff Bezos, sem esta mudança o crescimento homólogo das receitas teria sido cerca de quatro pontos percentuais superior.
O lucro operacional subiu para 28,1 mil milhões de dólares, face aos 17,4 mil milhões do terceiro trimestre de 2025. A AWS contribuiu com 17,8 mil milhões, contra 11,4 mil milhões no período homólogo.
Já o lucro líquido desceu de 21,2 para 20,7 mil milhões de dólares, ou de 1,95 para 1,89 dólares por ação diluída. “Esta descida deve-se sobretudo aos ganhos antes de impostos de 9,5 mil milhões, registados no terceiro trimestre de 2025 em resultados não operacionais, provenientes dos investimentos na Anthropic”, justifica a empresa.
O cash flow livre dos últimos 12 meses ficou negativo em 42,4 mil milhões de dólares, quando há um ano era positivo em 14,8 mil milhões. A Amazon atribui a quebra a um aumento de 94,8 mil milhões no investimento em ativos fixos, líquido dos proveitos de vendas e incentivos, que “reflete principalmente investimentos em inteligência artificial”.
Nos primeiros nove meses do ano, as receitas subiram de 503,5 para 584,1 mil milhões de dólares. O lucro operacional passou de 55,0 para 79,4 mil milhões. O lucro líquido mais do que duplicou, de 56,5 para 113,6 mil milhões. Para tal contribuíram 68,2 mil milhões de ganhos não operacionais, antes de impostos, face aos 15,7 mil milhões do período homólogo.
Para o quarto trimestre, a Amazon espera receitas entre 240 e 247 mil milhões de dólares. A estimativa média dos analistas é de de 244,51 mil milhões, segundo a LSEG. A empresa antecipa um impacto cambial desfavorável de cerca de 60 pontos base e espera que as receitas de publicidade cresçam a um ritmo próximo dos 20% . O lucro operacional deverá situar-se entre 28,5 e 33,5 mil milhões de dólares, face a 25,0 mil milhões no quarto trimestre de 2025. A previsão de capex para 2026 mantém-se nos cerca de 220 mil milhões de dólares.
O BPI e a Fundação la Caixa atribuíram 1.124.150 euros a 24 projetos de instituições sociais no âmbito da 11.ª edição do Prémio Solidário, com o objetivo de melhorar as condições de vida de 1.839 pessoas em situação de vulnerabilidade.
Os vencedores foram anunciados esta quinta-feira numa cerimónia realizada na Quinta das Lágrimas, em Coimbra. A edição de 2026 contou com 101 candidaturas, que solicitaram um financiamento global de 5,1 milhões de euros. As iniciativas selecionadas vão receber, em média, cerca de 46.840 euros cada.
As propostas contempladas abrangem áreas como a capacitação e integração profissional de desempregados de longa duração, migrantes e refugiados, além de programas de reinserção social de pessoas reclusas e ex-reclusas. Estão também previstos apoios à autonomia de jovens em acolhimento residencial, respostas para pessoas em situação de sem-abrigo, ações focadas na saúde mental, promoção da saúde materna e apoio à parentalidade.
Entre os projetos distinguidos figuram instituições de vários pontos do país e regiões autónomas, designadamente nos distritos de Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Setúbal, Bragança, Faro, Viseu e na Região Autónoma da Madeira.
Desde o lançamento do Prémio Solidário, em 2016, a iniciativa já apoiou 256 projetos com um investimento acumulado de 9,7 milhões de euros, beneficiando mais de 46.800 pessoas. O galardão integra os Prémios BPI Fundação la Caixa, que em 2026 dispõem de uma dotação global de cinco milhões de euros distribuída pelas categorias Infância, Solidário, Seniores e Capacitar.
As pequenas e médias empresas (PME) devem preparar-se desde já para futuras crises, reforçar a utilização de dados fiáveis na tomada de decisões e encarar o financiamento como um exercício de planeamento e não apenas de emergência, defenderam participantes na 4.ª edição do Fórum PME Magazine, que decorreu na quarta-feira, em Oeiras.
O encontro reuniu empresários, gestores e especialistas para debater temas como gestão do risco, inteligência artificial (IA), financiamento e internacionalização, numa edição que assinalou também o 10.º aniversário da PME Magazine.
Na sessão de abertura, o economista e ex-ministro da Economia Manuel Caldeira Cabral alertou para a crescente incerteza no comércio global, considerando que o fim da “era das regras” exige às empresas maior capacidade de adaptação.
“Não sei qual é a próxima crise. Eu penso que ninguém aqui sabe, mas vai aparecer”, afirmou, defendendo que as PME devem preparar planos alternativos para fornecedores, reforçar a cibersegurança e apostar numa resiliência financeira, operacional e humana.
Num painel dedicado à redução do risco empresarial, Pedro Rodrigues, cofundador e diretor executivo da Indie Energy, apontou a renegociação dos contratos de energia como uma medida imediata de redução de custos, enquanto Sandra Laranjeiro dos Santos, sócia fundadora da Cooperate Legal Services, aconselhou as empresas a reverem os seus contratos mais relevantes, sublinhando que a prevenção reduz encargos jurídicos futuros.
A inteligência artificial foi outro dos temas centrais do fórum. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), recordados durante o debate, apenas 11,5% das empresas com 10 ou mais trabalhadores utilizavam IA em 2025.
Os participantes defenderam uma adoção gradual da tecnologia, assente em dados de qualidade e em equipas preparadas para utilizar as ferramentas disponíveis.
Pedro Monteiro, da Konica Minolta Portugal, considerou que as empresas devem “começar pelos dados”, independentemente da sua dimensão, enquanto Pedro Petiz, da TEKEVER, advertiu para o risco de a IA ser usada apenas para substituir colaboradores mais experientes, cujo conhecimento continua a ser essencial para validar os resultados produzidos pela tecnologia.
A sessão da tarde abriu com uma intervenção de Sílvia Mota, CEO da MEXT, do Grupo Mota-Engil, e fundadora da Moon Capital, que destacou a necessidade de as empresas ganharem escala, prepararem processos de sucessão e procurarem fontes de financiamento alternativas ao crédito bancário tradicional.
“Existe vontade de investimento, mas falta criar as condições para converter em crescimento”, afirmou.
No debate sobre financiamento, os oradores defenderam uma maior previsibilidade nos apoios públicos e criticaram os atrasos nos processos de aprovação.
Tiago Braga, da Start PME, referiu que uma decisão prevista para 90 dias pode demorar até um ano, enquanto Bernardo Seixas, da Granter, considerou essencial reduzir o tempo entre a abertura de concursos e a disponibilização efetiva dos fundos.
Por seu lado, Pedro Flores, diretor executivo do Grupo Your, sustentou que as empresas devem encarar o financiamento como uma componente estratégica da gestão. “Hoje em dia já não se pode pensar em financiamento como emergência, tem de se pensar em financiamento como planeamento”, afirmou.
O responsável da Start PME deixou ainda um apelo às empresas: “Parem de querer dinheiro para o dia seguinte. Façam o planeamento”.
No painel dedicado à internacionalização, os participantes distinguiram os conceitos de exportação e internacionalização e alertaram para a importância da reputação nos mercados externos.
Luís Martins, da Delta Cafés, salientou que “uma coisa é exportar e outra coisa diferente é internacionalizar”, enquanto Nuno Trigo, do Feel Group, explicou que a entrada da empresa no mercado brasileiro foi precedida por mais de um ano de análise e pela identificação de um parceiro local.
Já Ricardo Mira, da ION, resumiu o peso da reputação empresarial: “A comunicação é o que nós falamos de nós. A reputação é o que falam de nós”.
Durante o evento foram ainda atribuídos os Prémios PME Pitch, que distinguiram a PlayerSet, plataforma de inteligência aplicada ao futebol apresentada por Margarida Cavaca, e os Prémios Social CEO 2026.
Na categoria Social CEO, Rui Miguel Nabeiro, líder do Grupo Nabeiro-Delta Cafés, voltou a conquistar o primeiro lugar, repetindo a vitória alcançada em 2025. Mário Ferreira, da Douro Azul, ficou em segundo lugar, enquanto Ana Figueiredo, da MEO, ocupou a terceira posição.
O diretor-geral da PME Magazine, Daniel Marques, considerou que o fórum cumpriu o objetivo de fornecer “ideias concretas para decidir melhor num mundo instável”, encerrando uma edição marcada pelo foco na preparação das empresas para um contexto económico mais incerto.
A Savannah anunciou hoje que concluiu os trabalhos geotécnicos no âmbito da mina de lítio do Barroso, em Boticas, numa área onde se instalará a fábrica e se concentrarão as atividades durante os primeiros oito anos de operação.
“A conclusão desta campanha representa mais um passo concreto no desenvolvimento do projeto lítio do Barroso. Foram cinco meses de trabalho intenso, com uma equipa alargada e envolvendo empresas locais e regionais, que nos permitiram recolher um conjunto muito significativo de informação técnica para a próxima fase do projeto”, afirmou, citado em comunicado, o diretor-executivo (CEO) da Savannah, Emanuel Proença.
Entre terça-feira e hoje, algumas dezenas de pessoas concentraram-se junto a um local de sondagens em Covas do Barroso, em terreno baldio abrangido pela servidão administrativa concedida pelo Governo em maio, para bloquearem os trabalhos da empresa e protestarem contra o projeto mineiro.
Hoje juntaram-se cerca de 50 pessoas naquela área florestal onde estavam máquinas da empresa.
No comunicado divulgado hoje, a Savannah disse que, “ao contrário do referido repetidamente, o protesto dos últimos dias não paralisou trabalhos”.
“Conforme a empresa foi esclarecendo, não estavam previstas intervenções no local dos protestos, encontrando-se o programa já concluído nessa área. As operações prosseguiram noutras frentes de trabalho, de acordo com o planeamento definido pela empresa. A Savannah reafirma que a sua atuação no local ocorreu ao abrigo da servidão administrativa concedida pela Estado português”, salientou a empresa.
A Savannah disse ter comunicado hoje ao mercado que concluiu “com sucesso” no início da semana os trabalhos de reconhecimento geotécnico e hidrogeológico previstos para o bloco neste do projeto. Esta é a área onde se instalará a fábrica e se concentrarão as atividades durante os primeiros oito anos de operação.
“Relativamente à contestação ao projeto dos últimos dias, por sermos da região, sabemos que a mesma não representa o sentimento local. Nós vemos no dia a dia a cada vez maior aceitação do projeto por todos aqueles que acolheram a via do diálogo, vemos o interesse que as pessoas têm no projeto e nas oportunidades que ele está já a criar nas comunidades”, acrescentou Emanuel Proença.
O responsável referiu que “mais de 2.000 candidatos a novos empregos e 50 novas vagas para preencher nos próximos meses, reforçam a grande responsabilidade” que a empresa “tem em mãos”.
A campanha durou cinco meses e envolveu 276 pontos de observação e mais de 180 poços de reconhecimento e, segundo a empresa, os trabalhos “representaram um investimento superior a 500 mil euros em serviços diretos na economia local”.
Realizaram-se ainda 32 sondagens para piezómetros, que permitem medir e acompanhar os níveis de água, e 30 sondagens geotécnicas, que forneceram dezenas de amostras destinadas a caracterizar as condições das fundações das futuras instalações e a qualidade dos materiais que poderão ser utilizados em construção.
A empresa concretizou que, para além dos mais de 40 trabalhadores da Savannah envolvidos nesta campanha, os trabalhos mobilizaram, em média, cerca de 30 profissionais por dia.
A contestação à mina é feita há oito anos e já a 09 de outubro a associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso interrompeu os trabalhos da empresa, com a GNR a identificar 27 opositores à mina de lítio.
O projeto mineiro foi viabilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em 2023.
A empresa Savannah Resources pretende iniciar a construção em 2027 e alcançar a primeira produção em 2028.
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© José Faria
A Savannah Resources concluiu no início desta semana os trabalhos de reconhecimento geotécnico e hidrogeológico no Bloco Este do Projeto Lítio do Barroso, onde será instalada a fábrica e se concentrarão as atividades durante os primeiros oito anos de operação.
A informação foi hoje comunicada ao mercado pela empresa, que adianta que a campanha, que decorreu de forma contínua ao longo de cerca de cinco meses, permitiu recolher informação técnica detalhada sobre as características dos terrenos e as condições hidrogeológicas, essencial à engenharia e à preparação das futuras infraestruturas.
De acordo com o comunicado, foram abrangidos 276 pontos de observação, incluindo 189 poços de reconhecimento, de que resultaram centenas de amostras enviadas para ensaios geotécnicos em laboratórios certificados.
Realizaram-se ainda 32 sondagens para piezómetros, para medir e acompanhar os níveis de água, e 30 sondagens geotécnicas, para caracterizar as condições das fundações das futuras instalações e a qualidade dos materiais que poderão ser utilizados em construção.
A campanha envolveu mais de 40 trabalhadores da Savannah e mobilizou, em média, cerca de 30 profissionais por dia.
Para além destes, contou com a participação de quatro empresas portuguesas – uma local na limpeza florestal e movimentação de terras, uma empresa regional na segurança no trabalho e duas empresas nacionais nos serviços especializados de perfuração geológica e geotécnica e de vigilância de equipamentos e pessoas.
Somando a estes serviços os de restauração, alojamento e outros do dia-a-dia, terão sido aplicados, em menos de meio ano, bem mais de 500 mil euros em serviços diretos na economia local, refere a empresa.
Os trabalhos prolongaram-se por coincidirem com o Verão, período de maior risco de incêndio rural definido pelas autoridades locais, com a altura em que as operações e horários foram adaptados em conformidade com as restrições em vigor.
Citado no comunicado, o CEO da Savannah, Emanuel Proença, considera que “a conclusão desta campanha representa mais um passo concreto no desenvolvimento do Projeto Lítio do Barroso”.
“Relativamente à contestação ao projeto dos últimos dias, por sermos da região, sabemos que a mesma não representa o sentimento local. Nós vemos no dia a dia a cada vez maior aceitação do Projeto por todos aqueles que acolheram a via do diálogo, vemos o interesse que as pessoas têm no Projeto e nas oportunidades que ele está já a criar nas comunidades. Mais de 2.000 candidatos a novos empregos, e 50 novas vagas para preencher nos próximos meses, reforçam a grande responsabilidade que temos em mãos”, acrescentou.
Empresa diz que protesto não paralisou trabalhos
No mesmo comunicado, a Savannah rejeita acusações e esclarece factos sobre os trabalhos, sublinhando que, ao contrário do referido nos últimos três dias, o protesto dos últimos dias não paralisou trabalhos.
Conforme a empresa foi esclarecendo, não estavam previstas intervenções no local dos protestos, encontrando-se o programa já concluído nessa área, tendo as operações prosseguido noutras frentes de trabalho, de acordo com o planeamento definido.
A Savannah reafirma que a sua atuação no local ocorreu ao abrigo da Servidão Administrativa concedida pelo Estado português.
Com a conclusão da campanha, a empresa dispõe agora de informação geotécnica e hidrogeológica adicional para apoiar as soluções de engenharia do Bloco Este do Projeto Lítio do Barroso.
A antiga fábrica da Tupperware, em Montalvo, foi vendida por quatro milhões de euros, anunciou hoje o presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira, manifestando a esperança de que o complexo industrial volte a criar emprego.
“Por um lado, ficamos satisfeitos por efetivamente a antiga fábrica da Tupperware ser vendida e termos a esperança de que ali nasça outra empresa que crie postos de trabalho”, afirmou o autarca socialista à Lusa, à margem da reunião do executivo onde anunciou a venda.
A fábrica, situada no concelho de Constância, distrito de Santarém, foi colocada em leilão em 14 de outubro, com um preço-base de 10 milhões de euros, mas a melhor proposta, de 3,8 milhões, foi recusada pela comissão de credores.
O valor agora anunciado resulta de uma negociação posterior, que permitiu subir a oferta em 200 mil euros, com o acordo dos trabalhadores.
Sérgio Oliveira lamentou que o montante tenha ficado abaixo das expectativas, estimando que os antigos funcionários recebam, em média, entre 40% e 45% dos créditos a que têm direito.
“É um ciclo, em primeiro lugar, doloroso para os trabalhadores que foram despedidos”, afirmou, lembrando que muitos tinham 20 ou 30 anos de serviço na empresa.
Segundo o presidente da Câmara, o comprador é uma empresa do setor da cutelaria, com atividade industrial no distrito de Leiria, embora os planos para a antiga fábrica sejam desconhecidos.
O autarca espera que a unidade seja reativada e crie emprego, adiantando que o município pretende contactar o comprador nas próximas semanas, caso este não tome a iniciativa.
“Para nós é importante perceber qual é a ideia, o que ali querem fazer, a perspetiva que têm para aquele espaço”, declarou.
Contactado pela Lusa, o administrador de insolvência, Jorge Calvete, confirmou a venda da fábrica por quatro milhões de euros e indicou que o montante permitirá pagar cerca de 50% dos créditos dos trabalhadores.
Rui Caseiro, antigo funcionário que acompanhou o processo de insolvência e esteve presente no leilão, explicou à Lusa que a proposta inicial de 3,8 milhões de euros foi negociada após consulta aos trabalhadores.
“Reunimos outra vez com os trabalhadores, reunimos toda a gente”, afirmou, acrescentando que foi pedido ao comprador um aumento de 200 mil euros, até aos quatro milhões, valor que acabou por ser aceite.
Segundo Rui Caseiro, que trabalhou 30 anos na Tupperware, a decisão resultou do receio de que o prolongamento do processo pudesse desvalorizar ainda mais os ativos e dificultar a recuperação dos créditos.
“Mais vale recebermos este valor e termos alguma coisa do que estarmos à espera mais tempo e não recebermos nada”, afirmou, justificando a aceitação da proposta.
O antigo trabalhador estimou que cerca de 192 funcionários tenham créditos por receber, manifestando a esperança de que o novo proprietário retome a atividade industrial e aproveite a mão de obra especializada da região.
Rui Caseiro, que acompanhou durante um ano e três meses o processo de insolvência, recordou o desgaste psicológico de assistir à degradação da fábrica onde trabalhou durante três décadas.
Também Fernando Guedes, vereador do Chega e antigo trabalhador da Tupperware durante 30 anos, considerou insuficiente o valor da venda, embora satisfeito por os funcionários poderem recuperar parte dos créditos.
O vereador da CDU João Céu lamentou que os trabalhadores não recebam a totalidade dos montantes reclamados e alertou que o pagamento poderá ainda demorar.
A fábrica de Montalvo, que chegou a empregar cerca de 260 pessoas, cessou a produção em janeiro de 2025. A Tupperware – Indústria Lusitana de Artigos Domésticos foi declarada insolvente no mês seguinte, após a retirada das licenças de produção e comercialização da marca em Portugal.
O complexo integra três edifícios, terrenos e equipamentos de transformação de plásticos, tendo o leilão de outubro terminado sem adjudicação imediata, após as propostas ficarem abaixo dos valores-base.
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A antiga fábrica da Tupperware, em Montalvo, foi vendida por quatro milhões de euros, anunciou esta quinta-feira o presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira, manifestando a esperança de que o complexo industrial volte a criar emprego.
“Por um lado, ficamos satisfeitos por efetivamente a antiga fábrica da Tupperware ser vendida e termos a esperança de que ali nasça outra empresa que crie postos de trabalho“, afirmou o autarca socialista à Lusa, à margem da reunião do executivo onde anunciou a venda.
A fábrica, situada no concelho de Constância, distrito de Santarém, foi colocada em leilão em 14 de outubro, com um preço-base de 10 milhões de euros, mas a melhor proposta, de 3,8 milhões, foi recusada pela comissão de credores.
O valor agora anunciado resulta de uma negociação posterior, que permitiu subir a oferta em 200 mil euros, com o acordo dos trabalhadores. Sérgio Oliveira lamentou que o montante tenha ficado abaixo das expectativas, estimando que os antigos funcionários recebam, em média, entre 40% e 45% dos créditos a que têm direito.
“É um ciclo, em primeiro lugar, doloroso para os trabalhadores que foram despedidos”, afirmou, lembrando que muitos tinham 20 ou 30 anos de serviço na empresa.
Segundo o presidente da Câmara, o comprador é uma empresa do setor da cutelaria, com atividade industrial no distrito de Leiria, embora os planos para a antiga fábrica sejam desconhecidos. O autarca espera que a unidade seja reativada e crie emprego, adiantando que o município pretende contactar o comprador nas próximas semanas, caso este não tome a iniciativa. “Para nós é importante perceber qual é a ideia, o que ali querem fazer, a perspetiva que têm para aquele espaço”, declarou.
Contactado pela Lusa, o administrador de insolvência, Jorge Calvete, confirmou a venda da fábrica por quatro milhões de euros e indicou que o montante permitirá pagar cerca de 50% dos créditos dos trabalhadores.
Rui Caseiro, antigo funcionário que acompanhou o processo de insolvência e esteve presente no leilão, explicou à Lusa que a proposta inicial de 3,8 milhões de euros foi negociada após consulta aos trabalhadores. “Reunimos outra vez com os trabalhadores, reunimos toda a gente”, afirmou, acrescentando que foi pedido ao comprador um aumento de 200 mil euros, até aos quatro milhões, valor que acabou por ser aceite.
Segundo Rui Caseiro, que trabalhou 30 anos na Tupperware, a decisão resultou do receio de que o prolongamento do processo pudesse desvalorizar ainda mais os ativos e dificultar a recuperação dos créditos. “Mais vale recebermos este valor e termos alguma coisa do que estarmos à espera mais tempo e não recebermos nada”, afirmou, justificando a aceitação da proposta.
O antigo trabalhador estimou que cerca de 192 funcionários tenham créditos por receber, manifestando a esperança de que o novo proprietário retome a atividade industrial e aproveite a mão de obra especializada da região. Rui Caseiro, que acompanhou durante um ano e três meses o processo de insolvência, recordou o desgaste psicológico de assistir à degradação da fábrica onde trabalhou durante três décadas.
Também Fernando Guedes, vereador do Chega e antigo trabalhador da Tupperware durante 30 anos, considerou insuficiente o valor da venda, embora satisfeito por os funcionários poderem recuperar parte dos créditos.
O vereador da CDU João Céu lamentou que os trabalhadores não recebam a totalidade dos montantes reclamados e alertou que o pagamento poderá ainda demorar.
A fábrica de Montalvo, que chegou a empregar cerca de 260 pessoas, cessou a produção em janeiro de 2025. A Tupperware — Indústria Lusitana de Artigos Domésticos foi declarada insolvente no mês seguinte, após a retirada das licenças de produção e comercialização da marca em Portugal. O complexo integra três edifícios, terrenos e equipamentos de transformação de plásticos, tendo o leilão de outubro terminado sem adjudicação imediata, após as propostas ficarem abaixo dos valores-base.
Los ingresos de Prisa alcanzaron los 719 millones de euros en los nueve primeros meses de 2026, lo que supone un incremento del 18% respecto al mismo periodo del año anterior. Estos ingresos han estado afectados positivamente por el traslado del 77% de la entrega del pedido PNLD de Ensino Médio de Brasil de 2025 a 2026, según ha comunicado la compañía, editora de EL PAÍS y Cinco Días, en un hecho relevante remitido a la Comisión Nacional del Mercado de Valores (CNMV).