
Os investidores entram na quinta-feira, 29 de outubro de 2026, com o olhar fixo num conjunto denso de catalisadores: a decisão de política monetária do Banco Central Europeu, a reação à manutenção de taxas pela Reserva Federal no dia anterior, a divulgação do PIB do terceiro trimestre e do PCE de setembro nos EUA, e os resultados da Amazon e da Intel.
O BCE deverá manter as taxas de juro inalteradas, com a taxa de depósito perto dos 2,50%. A conferência de imprensa que se segue à decisão será escrutinada para avaliar a preocupação do conselho com a inflação energética e o impacto do crescimento na zona euro.
Já a Federal Reserve, esta quarta-feira, decidiu manter as Fed Funds Rates no intervalo entre 3,75% e 4,00%, uma decisão que era amplamente esperada. “A inflação continua elevada”, referiu o banco central liderado por Kevin Warsh.
O mercado precifica agora com elevada probabilidade uma subida de 25 pontos base em dezembro. A linguagem do comunicado e a conferência de imprensa do presidente Kevin Warsh serão analisadas ao detalhe para sinais sobre o ritmo futuro da política monetária.
Ações americanas sob pressão de dados e resultados
Wall Street fechou a quarta-feira em território positivo, impulsionada pelo setor tecnológico. O Nasdaq Composite avançou 1,18% para 26.477 pontos, o S&P 500 subiu 0,60% para 7.722 e o Dow Jones manteve-se praticamente estável em 52.377. A atenção desloca-se agora para os resultados da Amazon e da Intel, que deverão dar pistas sobre a procura por cloud, inteligência artificial e semicondutores.
Esta quarta-feira, depois do fecho da bolsa, a Microsoft superou as estimativas dos analistas no primeiro trimestre do ano fiscal, terminado em setembro, com a Azure, a plataforma de computação na nuvem da tecnológica, a crescer 48% e o investimento abaixo do previsto.
A Microsoft obteve receitas de 92,28 mil milhões de dólares no primeiro trimestre fiscal, acima dos 90,6 mil milhões esperados pelos analistas, avança a Reuters. Já o resultado operacional fixou-se em 45,9 mil milhões, face aos 43,9 mil milhões previstos.
Já o lucro da Alphabet, a dona da Google, caiu 25% para 26,17 mil milhões de dólares, no terceiro trimestre, aquém das expectativas, devido aos gastos destinados a aumentar a capacidade na nuvem e a financiar a investigação em inteligência artificial. As ações estão a cair 8% no after hours da Bolsa de Nova Iorque.
Os principais índices norte-americanos fecharam a sessão desta quarta-feira em terreno positivo, num dia em que a Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos manteve inalteradas as taxas de juro, ganhando tempo para avaliar o impacto da guerra no Médio Oriente na inflação e no mercado de trabalho.
Qualquer tom mais restritivo da Fed ou um PCE acima do esperado poderá pressionar as avaliações das empresas de crescimento, num ambiente em que o yield da Treasury a 10 anos se mantém próximo dos 5%.
Europa e BCE no centro das atenções
Os índices europeus têm mostrado resiliência, apoiados por resultados empresariais sólidos, especialmente no setor energético, embora permaneçam sensíveis à evolução dos yields e dos preços do petróleo. A decisão do BCE e a respetiva conferência de imprensa deverão ditar o tom dos mercados europeus ao longo da sessão.
As bolsas europeias fecharam a sessão desta quarta-feira mistas e com poucas oscilações, antes das decisões da Reserva Federal e do Banco Central Europeu sobre as taxas de juro.
O Stoxx 600, índice de referência europeu, avançou 0,07% para 644,14 pontos e o EuroStoxx 50 avançou ligeiramente, 0,05% para 6.167,8 pontos. Entre as principais praças, o alemão DAX subiu 0,44% para 25.704,02 pontos, o italiano FTSE MIB valorizou 0,40% para 49.824,30 pontos, o português PSI desvalorizou 0,08% para 9.245,78 pontos, e o britânico FTSE 100 avançou 0,07% para 10.694,50 pontos. O francês CAC 40 terminou inalterado nos 7.886,96 pontos. Em sentido contrário, o espanhol IBEX 35 recuou 1,45% para 18.883,50 pontos, num dia em que o Santander desvalorizou 5,59%,
Esta quinta-feira a estrela do PSI deverá ser o BCP que apresentou um resultado líquido de 308 milhões de euros no terceiro trimestre de 2026, superando em 3% as previsões do consenso de mercado, com a receita financeira em Portugal a destacar-se como o principal motor do desempenho, segundo uma nota de análise do Jefferies.
Com a reunião do BCE mesmo ao virar da esquina, Martin Wolburg, economista sénior da Generali Investments, antecipa que a instituição mantenha as taxas de juro inalteradas, embora considere provável que o ciclo de restrição monetária ainda não tenha chegado ao fim.
O economista sénior da Generali Investments, diz que “é muito provável que o BCE mantenha a sua taxa directora inalterada em 2,5%. A inflação mantém-se, em termos gerais, alinhada com as mais recentes projeções do BCE, não havendo ainda sinais de efeitos de segunda ronda; não há, portanto, justificação para uma alteração neste mês. Os comentários recentes dos membros do Conselho do BCE mantiveram um pendor mais restritivo (hawkish), mas sem sinalizar qualquer pressa”.
Petróleo e obrigações sob influência geopolítica
O Brent cotava acima dos 115 dólares por barril e o WTI acima dos 100 dólares, sustentados por riscos no Médio Oriente — incluindo preocupações com possíveis ações militares após as midterms americanas e disrupções no Estreito de Ormuz — e pelos efeitos dos ataques ucranianos a refinarias russas, que reduziram fortemente as exportações de diesel.
O banco suíço UBS reviu esta quarta-feira a sua previsão da cotação do barril de Brent para os 110 dólares no final do ano, abaixo dos valors atuais.
No mercado de dívida soberana, o yield da Treasury americana a 10 anos oscilava junto aos 5,00%, enquanto o a 2 anos se situava perto dos 4,74%. Na Europa, o Bund alemão permanecia em níveis mais moderados, em torno de 3,3%.
Os mercados estarão atentos ao que a Presidente Christine Lagarde dirá sobre o aperto nas condições de financiamento e o recente alargamento do diferencial (spread) entre os títulos públicos franceses (OATs) e os alemães (Bunds).
Geopolítica continua a pairar sobre os mercados
As tensões no Médio Oriente e o conflito na Ucrânia mantêm um prémio de risco elevado nos preços da energia. Os investidores estão de olhos no impasse político em Israel que também “introduz maior incerteza” no momento delicado das relações entre EUA, Israel e Irão, bem como “um risco maior de uma nova escalada militar”. Ontem à noite a contagem dos votos em Israel ainda não estava terminada. O partido Likud, de Benjamin Netanyahu, estava na frente, mas aparentemente sem capacidade para gerar uma maioria. Em segundo lugar, estava o partido de Gadi Eisenkot, que tem condições para negociar com o bloco dos partidos árabes.
Por outro lado tentativas de cessar-fogo energético entre Rússia e Ucrânia não impediram novos ataques a infraestruturas, alimentando a escassez de produtos refinados a nível global e pressionando a inflação.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o encontro entre Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky vai acontecer “muito em breve” e mostrou-se confiante em “grandes progressos” para terminar o conflito na Ucrânia.
O dia promete volatilidade. A mensagem do BCE, os dados de crescimento e inflação dos EUA e os resultados das big tech deverão definir o tom para o fecho da semana, num contexto em que os investidores continuam a equilibrar a resiliência económica com riscos geopolíticos e uma política monetária ainda restritiva.