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Algarve está em emergência habitacional e Telmo Pinto diz que “Precisamos de decidir agora”

16 October 2026 at 17:00

Concelho de Loulé passou de 70.266 residentes em 2011 para 94.447 em 2025. Mais 24 mil pessoas, mais de 13 mil só desde 2021

«O Algarve vive hoje uma emergência habitacional. E uma emergência habitacional é, sem eufemismos, uma emergência humana. Multiplicam-se as construções ilegais e as casas amovíveis instaladas à margem de qualquer enquadramento. Trabalhadores da construção civil, os mesmos que erguem as casas que nunca poderão habitar, vivem amontoados em contentores, em condições indignas de um país europeu do século XXI. Isto não é uma previsão nem um cenário. Está a acontecer agora, à vista de todos, e todos fingem não ver», começa assim um comunicado da Câmara Municipal de Loulé, que se transcreve a seguir, sobre a crise na habitação em Portugal e em particular no Algarve e no concelho de Loulé.

«Os números não deixam margem para dúvidas. O concelho de Loulé passou de 70 266 residentes em 2011 para 94 447 em 2025: mais 24 mil pessoas, mais de 13 mil só desde 2021. O Algarve ganhou mais de 70 mil residentes em apenas quatro anos e foi a região do país que mais cresceu. No mesmo período, o preço médio da habitação no concelho de Loulé subiu cerca de 75%. Os concursos públicos para construção de habitação ficam desertos, porque os valores de referência já não correspondem aos custos reais. Para quem vive do seu trabalho, ter uma casa no Algarve tornou-se uma impossibilidade.

A Câmara Municipal de Loulé não está parada: tem em curso operações que somam mais de uma centena de fogos e continua a adquirir habitações para resposta pública. Mas nenhum município consegue responder a uma pressão desta escala quando os instrumentos de que dispõe foram desenhados para outra realidade e quando cada passo depende de quem não está no terreno, não conhece as pessoas e não responde perante elas.

Vista aérea de Loulé

O Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve foi aprovado em 2007, para um Algarve que já não existe. Os instrumentos de gestão territorial continuam a responder a lógicas de contenção pensadas há quase duas décadas, enquanto a região mudou de escala, de população e de necessidades. O resultado é perverso: o que a lei não permite fazer de forma digna e planeada acaba por acontecer de forma precária e ilegal. Enquanto se espera pelos planos, as pessoas não esperam: instalam-se onde podem e como podem.

Digamo-lo sem rodeios: em matéria de território, não há democracia em Portugal. Os Planos Diretores Municipais, os instrumentos com que cada concelho decide o seu futuro, estão subordinados a pareceres de entidades regionais, conduzidos por técnicos que ninguém elegeu, que não prestam contas aos cidadãos e que não conhecem o rosto de quem espera por uma casa. Os autarcas são eleitos para resolver, mas não têm poder para decidir.

As respostas que as populações exigem ficam presas, durante meses e anos, em circuitos intermináveis de pareceres e prazos que ninguém cumpre. Cada parecer que se arrasta é uma família que continua sem casa. E no fim é o presidente de câmara que é julgado nas urnas por aquilo que não o deixaram fazer. Isto não é democracia. É uma ficção democrática.

Sucessivos governos, este e os anteriores, não têm sabido ler a realidade do Algarve. A região que sustenta uma parte decisiva da economia do país não consegue alojar quem nela trabalha: professores, enfermeiros, forças de segurança, trabalhadores da hotelaria e da construção. Uma região que não consegue fixar quem a faz funcionar está a hipotecar o seu próprio futuro.

Vista aérea de Loulé (Foto: Extraída de vídeo de Rodrigo Costa)

Quando é que vamos acordar? Já vimos as tendas nos jardins de Lisboa. Já vimos centenas de pessoas acampadas na Puerta del Sol, em Madrid, e tendas montadas em protesto no Porto, por quem já não consegue pagar uma renda. Vamos esperar que aconteça o mesmo em Faro, em Loulé, em Portimão? A paciência de quem trabalha e não tem onde viver esgotou-se. Quando o Estado não responde, responde a rua. O tempo da paciência acabou.

“Precisamos de decisões arrojadas. Precisamos de decidir agora. Precisamos de agir pelas pessoas, pela economia e pela segurança e futuro da nossa região. Temos de ter coragem, situações de emergência exigem líderes fortes e capazes de ter as pessoas na base da sua atuação. Em Loulé agimos, mas agimos apenas dentro de um quadro legal inadequado, de poderes desajustados às reais necessidades do território e das pessoas”, afirma convictamente o Presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto.

A Câmara Municipal de Loulé exige, por isso, e exige agora:

  • 1. A conclusão urgente da revisão, já em curso, do PROT Algarve, ajustada à realidade demográfica atual.
  • 2. Um regime excecional e temporário que permita aos municípios libertar solo para habitação acessível, com prazos de decisão curtos e vinculativos para as entidades com competência de parecer e deferimento tácito sempre que esses prazos não sejam cumpridos.
  • 3. A fiscalização efetiva e a erradicação do alojamento em contentores, acompanhada de soluções dignas para os trabalhadores.
  • 4. Uma linha de financiamento específica para regiões sob pressão demográfica extraordinária, com valores de referência ajustados aos custos reais de construção.
  • 5. Uma reforma profunda da estrutura do Estado, que devolva aos eleitos locais o poder de decidir sobre o seu território e robusteça as autarquias com competências, meios e autonomia para dar às pessoas as respostas de que precisam, no tempo em que delas precisam.

A habitação não é um tema técnico. É a condição mínima para que uma comunidade exista. E decidir perto das pessoas é a condição mínima para que exista democracia.

Ou o Estado acorda agora, ou acordará tarde demais. O Algarve não pode esperar mais!» termina assim a missiva do Município de Loulé.

Tavira acolhe o 20.º Colóquio Interdisciplinar sobre Provérbios (ICP26) / 7º ICP-Online

16 October 2026 at 16:01

Cidade do rio Gilão transforma-se na capital mundial da paremiologia

A Associação Internacional de Paremiologia (AIP-IAP) realiza, entre os dias 1 e 8 de novembro de 2026, em Tavira, o 20.º Colóquio Interdisciplinar sobre Provérbios (ICP26) / 7º ICP-Online em formato híbrido.

Organizado em colaboração com a Câmara Municipal de Tavira, o prestigiado certame comemora duas décadas de atividade contínua na vanguarda da investigação cultural e da tradição oral.

A Sessão de Abertura Oficial está agendada para domingo, 1 de novembro, às 15h30, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Tavira, tendo as conferências transmissão digital global simultânea para interligar os participantes das mais diversas latitudes.

Esta edição especial de aniversário assume particular relevo ao congregar mais de uma centena de conceituados investigadores oriundos de 33 países, convertendo Tavira num ecossistema internacional de partilha e fazendo jus ao lema oficial: “Todos os caminhos vão dar a Tavira”.

A AIP-IAP, fundada em 2008 e sedeada em Tavira, destaca-se globalmente por ser a única instituição do seu género focada exclusivamente no estudo científico dos provérbios (paremiologia) e promovendo o intercâmbio de conhecimentos e o diálogo intercultural.

Fruto do seu rigor científico, a associação detém o estatuto oficial de ONG acreditada pela UNESCO, atuando diretamente como consultora oficial do Comité do Património Cultural Imaterial (PCI) na área da tradição oral. A AIP-IAP é, também a dinamizadora do Clube UNESCO de Paremiologia-Tavira (CUP-T).

“Chegar à vigésima edição deste Colóquio é a validação de um esforço internacional coletivo pela salvaguarda da sabedoria popular”, afirma Rui Soares, Presidente da AIP-IAP e do CUP-T, acrescentando que “os provérbios cruzam fronteiras e Tavira assume-se orgulhosamente como a ponte que une investigadores dos quatro cantos do mundo”.

O programa esquemático do ICP26 pode ser consultado clicando aqui, pelo que para mais informações os interessados devem contatar pelo telefone: 919 629 699 e ou pelo e-mail: aipiap.tavira@gmail.com .

APCOI lança website e apela às autarquias do Algarve a aderirem ao projeto Heróis da Fruta

16 October 2026 at 15:28

Convocatória visa concretizar novas parceiras oficiais

Uma em cada três crianças em Portugal vive com excesso de peso e a Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) abre uma nova área dedicada às autarquias e convida câmaras municipais e juntas de freguesia do Algarve a tornarem-se parceiras oficiais do Desafio Escolar Heróis da Fruta.

Os dados mais recentes revelam uma realidade alarmante: uma em cada três crianças em Portugal vive com excesso de peso ou obesidade, e cerca de 70% não consome fruta ou vegetais em quantidade suficiente todos os dias, pelo que para inverter este cenário, a APCOI inicia uma nova fase do programa “Heróis da Fruta”, a maior iniciativa em Portugal de literacia alimentar em ambiente escolar, que já alcançou 1 milhão de alunos da educação pré-escolar (jardim de infância) e do 1.º ciclo do ensino básico.

A APCOI lançou esta quinta-feira, 15 de outubro, um website dedicado às autarquias – desafio.heroisdafruta.com/autarquias -, e convida as câmaras municipais e as juntas de freguesia de todo o país, incluindo o Algarve, a tornarem-se parceiras oficiais do projeto.

Ser autarquia parceira é gratuito e assenta em três passos simples:

  1. Convidar as escolas do território, com convites prontos a enviar.
  2. Divulgar o desafio à comunidade, com materiais de divulgação preparados pela APCOI.
  3. Acompanhar os resultados, com dados em tempo real sobre as turmas inscritas em cada freguesia.

O registo dá acesso a uma área reservada, onde a parceria é formalizada com a assinatura digital de um protocolo de cooperação. Na mesma página, qualquer pessoa pode consultar, em tempo real, as escolas de cada concelho e freguesia do distrito já inscritas neste ano letivo. Os agrupamentos e as escolas podem inscrever as suas turmas, também gratuitamente, até 31 de outubro.

O exemplo da Freguesia da Ajuda: Como o poder local pode transformar as escolas

O modelo gratuito gera resultados; o modelo 2,0 cofinanciado multiplica o impacto. A versão nacional do desafio, gratuita, já muda hábitos nas escolas de todo o país. Com o cofinanciamento de parceiros locais, os resultados podem ser ainda maiores.

Fotografia captada com autorização dos encarregados de educação à APCOI

Foi o que mostrou o projeto-piloto “Heróis da Fruta 2.0”, testado em Lisboa, no passado ano letivo, em parceria com a Junta de Freguesia da Ajuda e no âmbito do programa Cities for Better Health da Novo Nordisk, com avaliação de resultados realizada pelo Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (ISAMB-FMUL). Comparado com a edição nacional:

  • Escolas que aderiram: 90% na Ajuda, contra 7% a nível nacional. 
  • Turmas que concluíram o desafio: 100% na Ajuda, contra 28% a nível nacional.
  • Crianças que provaram durante o projeto novas frutas ou vegetais: 87% na Ajuda, contra 54% a nível nacional.

“Alimentação saudável nas escolas não é um gasto, é um dos melhores investimentos que uma autarquia pode fazer. Na Freguesia da Ajuda demonstrámos que, quando a autarquia e as escolas dão as mãos, conseguimos mudar efetivamente as lancheiras dos nossos alunos”, afirma Jorge Marques, Presidente da Junta de Freguesia da Ajuda, durante 1.ª Conferência Heróis da Fruta.

Sobre os ingredientes secretos do projeto-piloto da Ajuda, o presidente da APCOI explica que “talvez o mais simples de todos: cada criança sabia que, no final das 5 semanas, as mascotes do Heróis da Fruta iam visitar a sua escola para entregar os diplomas e os prémios de participação. Quem não se esforçaria por isso? É esta motivação que queremos levar a cada vez mais escolas do país”, diz Mário Silva.

Justiça social e apoio às famílias da região

A avaliação científica independente realizada pelo Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa provou que o programa “Heróis da Fruta” funciona como um promotor de equidade social.

As crianças de famílias com menores rendimentos (escalões A e B da Ação Social Escolar) foram as que demonstraram os maiores ganhos comportamentais, atingindo 64% de consumo regular de frutas e vegetais no final da intervenção.

Fotografia captada com autorização dos encarregados de educação à APCOI

Para os professores, o método de gamificação (jogos, canções e missões diárias) representa uma ferramenta simples e sem sobrecarga burocrática. “Inscrever os meus alunos nos ‘Heróis da Fruta’ já faz parte da preparação do meu ano letivo. São apenas 5 a 10 minutos diários de incentivo positivo. Se uma criança se esquece de levar fruta, os colegas partilham para que todos possam pintar a sua estrela no passaporte. Cria um espírito de entreajuda lindo na sala de aula”, afirmou Carla Teodoro, professora do 1.º ciclo, durante 1.ª Conferência Heróis da Fruta.

Apelo aos autarcas e diretores escolares do Algarve

“Não conseguimos chegar a todas as crianças sozinhos. Precisamos das autarquias e dos parceiros locais para escalar este modelo e garantir que nenhuma criança da região fica para trás na prevenção da obesidade”, argumenta Mário Silva, Presidente da APCOI.

A APCOI convoca os decisores políticos e escolares e as associações de pais do Algarve a unirem-se e a aderirem a esta iniciativa.

As autarquias interessadas podem registar-se, sem custos, clicando aqui, cujo registo dá acesso à área reservada, onde a parceria é formalizada com a assinatura digital de um protocolo de cooperação.

Sobre a APCOI

Fundada em 2010, a Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) é uma ONG sem fins lucrativos dedicada a apoiar crianças e famílias no combate à obesidade infantil, a doença crónica mais prevalente em idade pediátrica. A atuação da APCOI foca-se na prevenção, no reforço da literacia em saúde e no combate ao estigma.

DECO apresentou estudo sobre comportamento dos consumidores no retalho

16 October 2026 at 15:04

A DECO INFORMA…

Estas são algumas das questões analisadas no estudo “O Novo Consumidor do Retalho”, realizado pela Behavioral Insights Unit da Católica Lisbon School of Business & Economics, que a DECO, com o apoio da Mercadona, apresentou no Dia Mundial da Alimentação, na Sala Fernando Pessoa do Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

O estudo analisou os hábitos de compra dos consumidores em Portugal, os critérios que orientam as suas decisões e a influência das estratégias comerciais. O inquérito a 2.000 consumidores adultos revelou que 93% fazem mais de metade das suas compras alimentares nas grandes superfícies, embora recorram também a outros estabelecimentos, sobretudo para adquirir produtos frescos.

O planeamento é essencial: 82% planeiam regularmente as compras, recorrendo a promoções, comparação de preços, marcas próprias e redução de produtos não essenciais. Além disso, 69% consultam frequentemente o preço por unidade e 67% comparam várias opções antes de decidir.

A relação qualidade-preço é importante ou muito importante para 93,7% dos inquiridos. Na escolha da loja, destacam-se também a qualidade, a proximidade, os preços, as promoções e a variedade.

As estratégias comerciais influenciam as decisões: 83% utilizam frequentemente cartões ou aplicações de fidelização e 66% escolhem lojas devido aos descontos acumulados. Os descontos imediatos e as ofertas limitadas no tempo são os principais estímulos às compras por impulso.

Apesar de a loja física continuar a ser a opção preferida, o comércio online ganha espaço pela conveniência, embora suscite preocupações com os custos de envio e a correspondência entre os produtos esperados e recebidos.

A transparência também preocupa: 68% já detetaram reduções na quantidade ou no peso dos produtos sem uma diminuição proporcional do preço. Na consulta dos rótulos, procuram sobretudo informação sobre validade, composição e quantidade. Na sustentabilidade, revelam maior consciência, mas condicionada por orçamentos limitados. Os resultados mostram consumidores que procuram equilibrar qualidade, preço e conveniência, mas continuam expostos a estímulos promocionais e práticas comerciais que podem influenciar as suas escolhas.

A DECO Algarve, sugere que para ler o artigo anteriormente publicado clique aqui.

Teatro Municipal António Pinheiro celebra 109 anos de histórias com TEATRA e Rodrigo Leão

15 October 2026 at 20:05

O Teatro Municipal António Pinheiro, em Tavira, assinala o seu 109.º aniversário, no dia 24 de outubro, com uma programação especial que cruza memória, fotografia e música. O Município celebra esta data com a inauguração da exposição TEATRA, pelas 16h00, seguida do concerto de Rodrigo Leão, “O Rapaz da Montanha”, pelas 21h30, que conta com a participação especial do Grupo Coral Infantil da Academia de Música de Tavira.

Esta é uma oportunidade para recordar a história de um espaço que atravessou diferentes épocas e gerações, mantendo-se ligado à vida cultural e à memória coletiva de Tavira.

As comemorações arrancam no foyer com a exposição TEATRA, um projeto que reúne retratos de algumas das mais relevantes figuras do teatro português. O conceito parte de um desafio singular: atores e encenadores foram convidados a assumir uma personagem que nunca interpretaram, mas que gostariam de ter levado ao palco. O resultado cruza fotografia, figurino e caracterização, revelando o território imaginado entre o que cada artista representou e o que ficou por viver.

A mostra reúne nomes de várias gerações, tais como Eunice Muñoz, Ruy de Carvalho, Maria do Céu Guerra, João Mota, Lurdes Norberto, Fernanda Lapa, Márcia Breia, Cucha Carvalheiro, Rui Mendes e Sinde Filipe. Ao instalar-se no foyer, a exposição prolonga a experiência cultural para além da sala de espetáculos, transformando a entrada num lugar de descoberta e memória.

Pelas 21h30, as celebrações prosseguem, na sala principal, com Rodrigo Leão. Figura incontornável da música contemporânea, o compositor construiu um percurso singular — primeiro em bandas que marcaram a história musical do país e, mais tarde, numa consagrada carreira a solo com projeção internacional. “O Rapaz da Montanha” propõe uma viagem sonora marcada pela identidade, inquietação e esperança, num universo intimista e, profundamente, português.

Nesta noite, Rodrigo Leão partilhará o palco com o Grupo Coral Infantil da Academia de Música de Tavira. O momento carrega um simbolismo único: um teatro com mais de um século de memórias abre as portas a uma nova geração, unindo o legado do passado ao futuro que continua a construir.

Um pouco de história… com mais de um século

Fundado, em 24 de outubro de 1917, com a designação de Teatro Popular, o espaço foi rebatizado, em 1942, como Teatro António Pinheiro, em homenagem a uma das figuras mais marcantes do teatro português. Em 1968, para refletir a importância crescente da sétima arte, passou a chamar-se Cineteatro António Pinheiro.

Décadas mais tarde, após uma profunda intervenção de reabilitação e modernização, o equipamento iniciou um novo capítulo. A 27 de setembro de 2025, o agora Teatro Municipal António Pinheiro reabriu ao público, recuperando a sua vocação enquanto espaço central de encontro entre a criação artística, os artistas, a cidade e os seus públicos.

Desde então, tem-se afirmado com uma programação regular e diversificada que acolhe teatro, música, dança, cinema e projetos de mediação comunitária.

O Cancro do Pulmão Não Tira Férias: O peso invisível da doença

15 October 2026 at 19:02

Ter um cancro do pulmão, já é por si só, um fardo. Mas este fardo aumenta exponencialmente quando a cabeça começa a funcionar: será que tenho cura?; Não quero ter dores; não quero morrer com falta de ar; será que vou ver o meu neto casar?. É incontornável.

Tentamo-nos distrair, mas em pouco tempo já estamos a pensar em todas estas questões outra vez. Eu quero que a minha vida avance, mas…

Queremos cuidar do cancro e, de repente, deixamos de cuidar da pessoa

61% dos doentes com cancro do pulmão reportam sintomas psicológicos negativos após o diagnóstico. Admira-me não ser 100%. Ninguém recebe uma notícia de cancro e fica igual. Tudo muda naquele momento.

Já sabemos quais são os 4 sintomas mais experienciados: tristeza (58.5%), medo (56.5%), ansiedade (56.3%) e incerteza (55.2%). Medo de sofrer, medo que os tratamentos não resultem, medo dos efeitos secundários.

A família sofre em silêncio para que o doente não perceba. O doente sofre porque sabe do impacto na família: 9 em cada 10 doentes tem a sua vida afetada após o diagnostico (vida social, trabalho, rotinas).

E continuamos a tratar do cancro, sem cuidar da pessoa

Depois do primeiro impacto do diagnóstico, vem o estigma. Primeiro o estigma internalizado – sentimentos de culpa, de vergonha, arrependimento e auto-culpabilização. Em seguida vem o estigma externalizado (vindo dos outros) – traduz-se em atitudes de julgamento, discriminação e falta de empatia por parte de familiares, colegas e até profissionais de saúde, que frequentemente associam a doença a um comportamento de risco autoimputável. Importa ressalvar que 15 a 20% dos tumores do pulmão ocorrem em não fumadores.

A evidência científica demonstra que o estigma está associado a maior sofrimento psicológico, depressão, ansiedade e pior qualidade de vida. Os doentes estigmatizados tendem a atrasar a procura de cuidados médicos, a ocultar o diagnóstico e a apresentar menor adesão terapêutica — fatores que comprometem diretamente os resultados clínicos e a sobrevivência.

Paradoxalmente, as campanhas de saúde pública antitabágicas, embora essenciais na prevenção, podem reforçar inadvertidamente a perceção de culpabilidade nos doentes.

E continuamos a tratar do cancro, sem cuidar da pessoa

Os doentes com cancro do pulmão acarretam assim 2 pesos: a doença em si e o julgamento silencioso dos outros. Todos temos um papel para reduzir este fardo. Nós pessoas, nós profissionais de saúde.

A saúde mental deve caminhar de braço dado com o tratamento oncológico. Uma mente forte traduz-se num corpo são. O caminho não precisa ser feito sozinho e não se faz do dia para a noite, faz-se caminhando. O diagnóstico atinge o corpo, mas é a saúde mental que determina como é que o doente enfrenta cada dia da sua jornada.

Para ler o artigo angerior publicado pela autora, clique aqui.

* Oncologista

Águas do Algarve lança 5.ª edição do concurso ‘A Água e o Mar para Mim’

14 October 2026 at 18:22

Empresa reforça compromisso com a inclusão social e a sustentabilidade

Depois do sucesso das edições anteriores, a Águas do Algarve volta a desafiar as instituições da região a transformar a arte numa forma de expressão, participação e sensibilização ambiental, cuja 5.ª edição do concurso ‘A Água e o Mar para Mim’ decorre em 2026/2027, sob o mote ‘A Obra conta uma história’.

A iniciativa tem-se afirmado ao longo dos últimos anos como um projeto de referência na ligação entre a educação ambiental, a responsabilidade social, a criatividade e a inclusão.

Dirigido a instituições do Algarve que trabalham com pessoas idosas, pessoas com deficiência e outros públicos acompanhados por respostas sociais, o concurso procura dar voz e protagonismo a quem nem sempre encontra oportunidades de participação e reconhecimento na sociedade.

Nesta nova edição, o desafio mantém a sua essência: transformar um simples chapéu de chuva numa obra de arte, recorrendo à criatividade, à reutilização de materiais e às experiências de vida dos participantes, tendo a água e o mar como inspiração.

A inclusão como compromisso, a arte como forma de expressão

Numa sociedade cada vez mais envelhecida e perante a necessidade de construir comunidades verdadeiramente inclusivas, projetos como “A Água e o Mar para Mim” assumem uma importância que ultrapassa a dimensão ambiental.

A iniciativa procura valorizar as capacidades individuais, estimular a criatividade, promover o convívio e proporcionar momentos de participação ativa, reconhecendo que todas as pessoas, independentemente da idade ou condição, têm experiências, conhecimentos e histórias que merecem ser partilhados.

Mais do que criar obras de arte, pretende-se criar oportunidades. Oportunidades para participar, para ser ouvido, para desenvolver competências e, sobretudo, para sentir que se faz parte de um projeto coletivo.

Através da arte, os participantes são convidados a expressar a sua relação com a água e o mar, abordando questões como a preservação dos recursos hídricos, a biodiversidade, a poluição dos oceanos, as alterações climáticas e as memórias associadas à água.

Um projeto que cresce a cada edição

O crescimento de ‘A Água e o Mar para Mim’ demonstra o interesse e o envolvimento das instituições algarvias. Na 4.ª edição, realizada em 2025/2026, foram registadas 44 candidaturas e apresentados 55 projetos, o maior número de sempre, tendo a cerimónia de entrega de prémios, realizada na Fundação Pedro Ruivo, em Faro, reunido cerca de 300 participantes provenientes de vários municípios da região.

Estes números representam muito mais do que o sucesso de uma iniciativa. Refletem o empenho dos profissionais das instituições, a dedicação dos participantes e a vontade coletiva de contribuir para uma sociedade mais participativa, solidária e ambientalmente consciente.

O reconhecimento nacional chegou também em 2025, quando o projeto conquistou o 1.º prémio na categoria de Responsabilidade Social e Ambiental, nos Prémios Essência do Ambiente, reforçando a importância desta iniciativa enquanto exemplo de boas práticas de responsabilidade social e comunicação ambiental.

Uma obra, muitas histórias para contar

A 5.ª edição pretende continuar a valorizar não apenas o resultado artístico, mas também as pessoas e as histórias que estão por detrás de cada trabalho. Cada chapéu de chuva transformado representa um processo de descoberta, aprendizagem e colaboração. Nele encontram-se memórias, vivências, preocupações ambientais e diferentes formas de olhar para o mundo.

Os trabalhos desenvolvidos integram posteriormente exposições itinerantes em vários municípios do Algarve, permitindo que estas mensagens cheguem a um público mais alargado.

Esta componente é fundamental para o projeto: levar a arte para fora das instituições, dar visibilidade aos seus autores e aproximar a sociedade de realidades que merecem maior atenção e reconhecimento.

A sustentabilidade também se constrói com pessoas

Para a Águas do Algarve, a proteção dos recursos hídricos e a promoção de comportamentos ambientalmente responsáveis devem envolver toda a comunidade.

Através de “A Água e o Mar para Mim”, a empresa reforça a sua estratégia de educação ambiental e responsabilidade social, demonstrando que a sensibilização para a importância da água pode assumir diferentes formas e chegar a públicos que nem sempre são contemplados pelas iniciativas tradicionais.

A 5.ª edição representa, assim, a continuidade de um compromisso que se pretende cada vez mais abrangente, participativo e próximo das pessoas.

Porque cuidar da água é também cuidar das pessoas. E construir um futuro sustentável significa garantir que todos têm a oportunidade de fazer parte dele.

Como participar?

As instituições interessadas em participar na 5.ª edição, referente a 2026/2027, poderão consultar o regulamento do concurso, em www.aguasdoalgarve.pt onde se encontram disponíveis as condições de participação, os procedimentos e os prazos aplicáveis.

Para mais informações, poderá ser contactada a Área de Comunicação e Educação Ambiental da Águas do Algarve, através do endereço: comunicacao.ada@adp.pt .

Arte, Sustentabilidade e Inclusão. A Obra conta uma história.

Tavira custody businesses face scrutiny following regulatory action and disputed civil claim

9 September 2026 at 07:37

Public records show that businesses associated with Tavira have undergone changes to their custody operations following regulatory intervention in Dubai and Monaco. Separately, Tavira Monaco is a defendant in English civil proceedings concerning shares provided as collateral for a stock-backed loan.

The civil allegations remain disputed, and the public judgments reviewed for this article do not establish that Tavira knowingly participated in fraud. Neither Tavira nor its founder, Eliot Goodfellow, is charged in the related United States criminal case.

An international financial group

Tavira was founded in London in 2005 as Tavira Securities. It has since expanded into areas including agency brokerage, asset management, corporate broking and custody.

The group has operated through regulated businesses in several jurisdictions, including the United Kingdom, Monaco, Dubai, Australia and the United States.

Goodfellow remains Tavira Financial Limited’s controlling shareholder. Companies House records state that he owns at least 75 per cent of its shares and voting rights and has the right to appoint or remove directors.

Tavira Financial’s accounts for the year ending 31 March 2025 reported increased revenue alongside a wider annual loss. The accounts also referred to the closure of its contracts-for-difference business and restructuring of its custody activities as the group concentrated on agency brokerage, asset management and corporate broking.

The Salinas civil proceedings

Tavira Monaco is one of six defendants in English civil proceedings brought by Mexican businessman Ricardo Salinas Pliego and Corporacion RBS.

According to the claimants’ case, as summarised in a 2024 High Court judgment, Salinas transferred Grupo Elektra shares worth more than $400 million to two custodians, Weiser Global Capital Markets and Tavira Monaco. The shares were provided as security for loans under a stock-loan agreement concluded in July 2021.

The claimants allege that they entered the transaction after being led to believe that the lender was associated with the prominent American Astor family and that the shares would not be sold unless an event of default occurred.

They further allege that Vladimir Sklarov, who used the name “Gregory Mitchell” in connection with the transaction, caused the shares to be transferred and sold without their authority and used part of the proceeds to fund the loans themselves.

Financial Mail reported in June 2025, citing trading logs reviewed by Salinas’s team, that some of the disputed shares were sold through transactions involving Morgan Stanley, BBVA and Merrill Lynch. The report did not allege that those banks knew of or participated in the alleged fraud. Their appearance in a transaction chain does not, by itself, establish misconduct or knowledge of any underlying dispute.

These remain allegations in continuing civil litigation. In the interlocutory proceedings, the Sklarov defendants maintained that the transaction documents entitled them to trade the collateral and that Salinas’s advisers had been told this. The public decisions reviewed for this article do not amount to a final determination of Tavira Monaco’s liability.

The High Court granted freezing and proprietary injunctions in August 2024. An application by the Sklarov defendants to discharge those injunctions was rejected in October 2024. Later appellate proceedings concerned procedural and evidential issues rather than a final trial of the underlying claims. Tavira Monaco was not involved in the most recent appeal.

Separate US criminal case

A US federal indictment filed on 30 April 2026 and unsealed in May charges Sklarov with conspiracy to commit wire fraud, wire fraud and conspiracy to commit money laundering.

The US Attorney’s Office for the Southern District of New York alleges that Sklarov operated an entity presented as an established stock-backed lender associated with the Astor family. Prosecutors allege that he used aliases and false representations to obtain control of shares worth approximately $450 million.

Sklarov has not been convicted in that case. The charges are allegations, and he is presumed innocent unless and until proven guilty.

The publicly available indictment charges Sklarov, not Tavira Financial, Tavira Monaco, Goodfellow, Morgan Stanley, BBVA or Merrill Lynch. The existence of the criminal case should therefore not be taken as establishing criminal conduct by any of those companies or individuals.

Restrictions in Dubai

On 10 September 2024, the Dubai Financial Services Authority imposed restrictions on Tavira Financial Limited’s Dubai branch.

According to the DFSA public register, the firm was restricted from soliciting or conducting specified regulated financial-services business with new clients. It was also restricted from soliciting or onboarding new clients in connection with financial promotions.

The public register does not state the reason for the restrictions and does not connect them to the Salinas litigation.

Tavira’s accounts subsequently referred to a decision to close the Dubai branch’s custody operation and to restructure custody activities across the group. The DFSA register nevertheless continues to list Tavira Financial as an authorised firm, subject to the published restrictions.

Companies House records show that Goodfellow ceased to be a Tavira Financial director on 13 September 2024, three days after the restrictions were imposed. Neither the DFSA entry nor the Companies House filing gives a reason for his departure or establishes that it was connected to the restrictions or the Salinas proceedings.

Monaco sanction suspended pending challenge

Tavira Monaco has also been the subject of regulatory action.

On 12 February 2026, Monaco’s Commission de Contrôle des Activités Financières ordered the withdrawal of Tavira Monaco’s authorisation after upholding four regulatory breaches.

The published CCAF decision found that the company had failed to submit required accounts, activity reports and auditors’ reports within statutory deadlines. It also found that the company had not continuously maintained two people responsible for its strategic direction and management, had lacked a bank account in its own name with a Monaco credit institution since July 2023, and had lacked sufficient human and technical resources since 2023.

Tavira Monaco challenged the decision. On 21 May 2026, the President of Monaco’s Supreme Court suspended its execution. According to the CCAF’s current case notice, Tavira Monaco’s application to annul the decision remains pending.

The withdrawal decision should therefore not be described as presently effective without also reporting the suspension and continuing challenge.

Questions about custody controls

The Dubai restrictions, restructuring of custody operations and Monaco proceedings raise legitimate questions about governance and operational controls. They do not, by themselves, prove any connection to the alleged misconduct in the Salinas transaction.

The English civil case raises separate, disputed questions about the instructions received by Tavira Monaco, the authority it understood the relevant parties to possess, the movement of the collateral and the custody records maintained during the transaction. Those matters remain for determination in the civil proceedings.

Right of reply

EU Reporter sent Tavira Financial, Tavira Monaco and Eliot Goodfellow a detailed summary of the matters in this article and asked for their responses concerning the civil allegations, regulatory decisions, custody restructuring and Goodfellow’s departure from the board. EU Reporter has received no replies from Tavira Financial, Tavira Monaco and Eliot Goodfellow

EU Reporter also asked Morgan Stanley, BBVA and Bank of America, the parent company of Merrill Lynch, whether they could confirm the reported transactions and whether they wished to comment.  Morgan Stanley replied, saying “no comment”. The others,  BBVA and Bank of America, the parent company of Merrill Lynch, have not replied at all.

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