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Três personalidades vão estar, no próximo sábado, dia 24 de outubro, entre as 10:00 e as 13:00 hrs, à conversa sobre “Os caminhos da Democracia”, tema do colóquio organizado pelo município no âmbito do programa comemorativo “Lagos, Liberdade e Democracia”, que decorre até ao final de 2026, assinalando os 52 anos do 25 de Abril, os 50 anos da Constituição da República Portuguesa e os 50 anos das primeiras eleições do Poder Local Democrático.
No colóquio, que se realizará no Auditório do Edifícios Paços do Concelho Séc. XXI, participam o cientista político António Costa Pinto, a advogada Teresa Violante, o académico António Branco e a jornalista Elisabete Rodrigues, que se propõem abordar as diferentes visões sobre os caminhos que o regime democrático português trilhou até ao presente, desafiando os oradores a identificar os desafios e perigos que a nossa democracia enfrenta nos dias de hoje e o que importa fazer para continuar a realizar a “utopia de Abril”, salvaguardando este que é, apesar de tudo, o menos imperfeito de todos os regimes políticos conhecidos e experimentados.
Parafraseando o Secretário-Geral da ONU, António Guterres: “A democracia não é apenas um sistema de um governo, mas um modo de vida que deve ser cultivado diariamente.“
Há temáticas, como a confiança no regime, a participação cívica, a desinformação, as migrações, os Direitos Humanos, a ética e pensamento crítico, as iliteracias, as alterações climáticas e a instabilidade geopolítica, que merecem ser questionadas. Por isso, serão trazidas para um momento de reflexão partilhada com os convidados e aberto à participação de todos, já que está igualmente previsto um período de debate com o público, neste sábado em Lagos.
E porque, como diz a expressão popular, “é de pequenino que se torce o pepino”, na véspera, onze turmas e 135 alunos das escolas de Lagos, oriundos dos dois agrupamentos escolares (AEGE e AEJD) irão participar, no Centro Cultural de Lagos, nas atividades do Dia Nacional da Democracia, uma iniciativa que promove a educação para a cidadania e a participação democrática entre os jovens, através de atividades pedagógicas e interativas.

© TIAGO PETINGA/LUSA

© MIGUEL GUTIERREZ/EPA
Para 16% dos eleitores do Brasil, o país não é uma democracia. Já 50% acreditam que ele vive sob um regime democrático com grandes defeitos, ante 23% que apontam pequenas questões sobre seu funcionamento e 7% que o veem como pleno.
Os dados foram aferidos na mais recente pesquisa do Datafolha, realizada em 13 e 14 de outubro. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou menos.
O resultado é semelhante ao registrado pelo instituto em março de 2024, quando fez essa pergunta pela última vez em uma pesquisa, em meio aos espasmos golpistas do governo Jair Bolsonaro. Ali, 6% acreditavam viver em democracia plena, 28%, em uma pouco defeituosa, e 46%, numa com grandes problemas. Os mesmos 16% não viam o Brasil democrático.
Dez anos antes, em fevereiro de 2014, a mesma questão foi colocada a entrevistados. Ali, no começo da campanha eleitoral que reelegeria Dilma Rousseff (PT) e sob o impacto dos protestos de rua de 2013, o resultado foi mais diverso.
Não viam o Brasil como democracia 9%. Já 61% apontavam um regime com grandes problemas, 21%, com pequenos, e 3%, como pleno.
Democracia entra no debate eleitoral
O tema da percepção acerca da qualidade democrática brasileira foi trazido à campanha eleitoral deste ano por Flávio Bolsonaro (PL), senador cujo pai, o ex-presidente Jair, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por tentar um golpe de Estado após perder o pleito de 2022 para Lula (PT).
Dois dias após superar o mesmo Lula por 1,87 ponto percentual no primeiro turno, em 6 de outubro, Flávio disse que ia propor mudanças constitucionais para “redemocratizar o Brasil”.
“Vocês acham que o Brasil está numa democracia plena hoje? É uma pergunta. Reflitam: o Brasil está numa democracia plena? Não”, disse o senador.
Críticos apontam que tal questionamento é infundado, dado que, apesar de todos os percalços que atingem o funcionamento dos Três Poderes, o Estado de Direito estabelecido após o fim da ditadura militar em 1985 mantém seus esteios à frente de todos, a regularidade nas eleições presidenciais livres desde 1989.
Eleitores de Flávio desconfiam mais da democracia
Não sem surpresa, são os eleitores de Flávio são mais desconfiados da democracia. Entre eles, que segundo a mesma pesquisa formam 46% do total da amostra aferida pelo Datafolha, 23% dizem que o Brasil não é uma democracia. O veem como um regime pleno só 2%.
Entre os 44% que votam em Lula, nesta pesquisa em empate técnico com Flávio, 8% não acham viver numa democracia, ante 12% que creem na sua plenitude.
Os pesquisadores do Datafolha entrevistaram 2.520 eleitores, em um trabalho encomendado pela Folha. Ele está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-0466/2026. (Igor Gielow/FOLHAPRESS)
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