Entre o silêncio calculado em Belém, os aplausos do Governo à atuação policial e protestos nas ruas sem casas à vista, o panorama político nacional prova que gerir a crise é melhor que resolvê-la.
Em portugal, Ferro Rodrigues propõe o Bloco Central, Luís Neves dá "cacetadas" nos protestos e os polícias dão nos manifestantes. Já no Brasil, Flávio Bolsonaro à frente da corrida.
Com o primeiro-ministro em parte incerta e a visitar escolas em segredo, o Presidente cansou-se de esperar, convocou a "trupe" toda para Belém e decidiu mostrar quem é que "manda".
A teoria do sacrifício prega que poupar no almoço garante habitação própria: o drama é que, com salários baixos e preços a subir sete vezes mais, nem isso parece ser suficiente.
Querem casa? Façam como os vossos avós. É este o grande conselho do IHRU, enquanto os partidos preferem passar culpas numa política sem adultos na sala.
Ao fim de dez anos, lá descobrimos a crise da habitação. Entre as acampadas no Rossio e o grande "passa-culpas" no Parlamento, a única salvação nacional é ter um Isaltino Morais em cada esquina.
As tendas saíram do Rossio, a PSP conversou com calma, mas o problema mantém-se. Na crise da habitação, o único vencedor foi mesmo o frio, que mandou a malta toda ir dormir para casa.
Com a nova lei das rendas, o Parlamento provou ser especialista em erguer decretos no papel. Enquanto isso, a irrisória coima de 255€ a CR7 obriga-o a trabalhar quase um minuto inteiro para a pagar.
Entre tendas no Rossio a pedir revoluções e capas de jornal a malhar em senhorios, a crise da habitação serve para tudo, menos para resolver o problema de quem realmente precisa de um teto para morar.
Entre pistas em Tancos, Beja e Alcochete, o país arrisca-se a ter mais aeroportos do que aviões no ar. Já os festejos da venda da TAP podem aterrar de emergência quando a fatura pública chegar.
A venda de metade da companhia aérea traz na bagagem a promessa de uma nova pista. Ainda, a acumulação de detritos nas ruas serve de pretexto para apontar o dedo ao sistema Volta.
A escalada nos custos das casas mobiliza protestos e ação policial contra os manifestantes. A privatização da TAP gera dúvidas sobre a recuperação dos fundos públicos injetados.
O desmantelamento de tendas às três da manhã gera controvérsia na opinião pública. Aponta-se o incumprimento de regras e horários, criticando-se o excesso de força.
Os cofres públicos a guardar o buraco das dívidas de 3200 milhões e a TAP a voar para a Alemanha. Ter duas companhias públicas e continuar a pagar voos caros aos Açores é obra.
Privatização promete reaver investimento público até 2040. Desconto no IRS em novembro garante liquidez às famílias, mas gera custos de gestão para patrões antes do regresso das tabelas normais.
Entre a poker face de Montenegro e os recados de Passos Coelho, a direita vive em sobressalto. Quem sai a ganhar com este duelo enquanto o Chega espreita?
O antigo presidente da República avisa que essa tendência cresceu graças à debilidade das instituições. Ainda, André Ventura rejeita um entendimento com o PSD.