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Crise na habitação engole debate. OE passa para segundo plano

O debate era sobre o Orçamento do Estado para o próximo ano, mas acabou contaminado pela crise na habitação. Governo acusou a esquerda de nada ter feito e, quando questionado sobre o silêncio de dez dias, respondeu que “esteve a trabalhar”.

Polícia, protestos e habitação. O dia 1 do debate do OE

27 October 2026 at 21:16
No debate do OE, o documento ficou para segundo plano. Na resposta aos protestos pela habitação, Montenegro respondeu a quem o acusou de andar escondido e disputou com o Chega a defesa da polícia.

© DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

CPI dos exames suspende trabalhos até dezembro

27 October 2026 at 17:32
Apenas o Chega votou contra. Comissão de inquérito à PJ também aprovou pausa, retomando a 28 de novembro. Plenário vota suspensões esta quarta-feira.

© TIAGO PETINGA/LUSA

A suspensão dos trabalhos deverá ainda ser votada em plenário na quarta-feira

Associação acusa Governo de abandonar mulheres em menopausa

27 October 2026 at 17:28
85% das mulheres sobrem os efeitos da menopausa sem controlo do "seu bem-estar, a sua saúde e a sua capacidade" e sem qualquer apoio do Estado, que pela segunda vez "nega-lhes essa possibilidade".

© Getty Images

"O Governo incumpriu. O Governo entrou em incumprimento da lei e já era o atual Governo", lamentou a Associação Portuguesa de Menopausa

Habitação entra no debate do OE2027. Esquerda quer recuo na lei das rendas, Montenegro recusa

Arrancou esta tarde o debate na generalidade da proposta do Orçamento do Estado para o próximo ano. Protestos recentes contra a crise na habitação também prometem marcar a discussão entre os partidos e o Governo. Acompanhe aqui ao minuto os principais destaques.

13h. Frente Comum convoca greve para dia 20 de novembro

27 October 2026 at 13:18
A decisão foi aprovada hoje, num plenário sindical em frente à AR. Ainda, O livre critica o PR por não ter reagido de forma "imediata" à atuação da polícia durante as manifestações pela habitação.

Análise. Um Orçamento com pouca margem para crises

27 October 2026 at 09:42
O terceiro Orçamento de Montenegro é ainda mais minimalista que os anteriores. Prudente e ligeiramente restritivo, as contas públicas para 2027 estão feitas para um ano de muitos e variados riscos.

© JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Joaquim Miranda Sarmento e Luís Montenegro apresentaram a sua terceira proposta de Orçamento

Debate começa com habitação como pano de fundo

27 October 2026 at 09:10
O debate do Orçamento tem uma duração total de 10 horas, divididas entre terça e quarta-feira. A oposição critica o silêncio de Montenegro face aos protestos pela habitação e espera respostas.

© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

A discussão parlamentar arranca esta terça-feira às 15h00 com uma intervenção do primeiro-ministro

Orçamento tem via verde na generalidade, mas protestos aumentam pressão

27 October 2026 at 07:00

A aprovação do Orçamento do Estado está, à partida, garantida, depois de o PS ter assegurado que se vai abster. Mas a crescente pressão social em torno do custo de vida e da habitação promete aquecer o debate, que começa esta terça-feira, às 15h. Para a hora do plenário, esta terça-feira à tarde, está marcada uma nova manifestação, desta vez em frente ao Parlamento.

A abstenção socialista será suficiente para viabilizar o Orçamento na votação de 28 de outubro, antes de baixar à especialidade, mas António Mendonça Mendes, antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e vice-presidente da bancada parlamentar do PS, veio acrescentar uma nuance na audição de Miranda Sarmento, na passada sexta-feira: “naquilo que depender do PS”, o Orçamento sairá da especialidade com o mesmo saldo orçamental com que entrou no Parlamento, mas os socialistas vão exigir medidas concretas para mitigar o custo de vida.

As prioridades de José Luís Carneiro já são conhecidas. O líder do PS preferia não descer o IRC em um ponto percentual, o que custará 300 milhões de euros por ano, e libertar verbas para medidas como a redução do IVA do cabaz alimentar ou aliviar os custos dos combustíveis. O líder do PS quer ainda rever os mecanismos de atualização das pensões para não haver dependência de medidas extraordinárias.

Nos restantes partidos, Chega e IL ainda não formalizaram o voto, embora apontem para a rejeição, enquanto Livre, PAN e JPP ainda não revelaram a posição. PCP e BE votarão contra.

O ministro das Finanças, no entanto, já sublinhou que é tão importante aprovar o Orçamento como “não desvirtuar” o documento, dizendo que não há margem orçamental para grandes alterações.

O Executivo prevê um excedente de 0,1% do PIB e uma nova redução da dívida (de 87,5% para 84,5% do PIB), já considerando a redução prevista de 31% do investimento público, num contexto de pós-PRR. O crescimento económico previsto para o próximo ano é de 2,1%, acima das previsões do Banco de Portugal e do Conselho das Finanças Públicas (ambos 1,8%) e do FMI (1,9%).

Habitação deve dominar debate

A falta de casas e a dificuldade de acesso à habitação deverão dominar parte do debate, depois de semanas de protestos, alguns dos quais terminaram com cargas policiais, com respaldo do ministro da Administração Interna, Luís Neves. Dezenas de pessoas foram detidas ou ficaram feridas.

Surge também depois de ter sido noticiado que Portugal registou a maior subida de preços na habitação do segundo trimestre na União Europeia: um acréscimo de 16,5% face ao período homólogo, em comparação com 4,7% na União Europeia.

Para esta terça-feira, às 18h30, numa altura em que os deputados ainda deverão estar no plenário, está marcada uma nova manifestação da plataforma Casa para Viver – desta vez, precisamente junto à Assembleia da República.

Os protestos, que começaram no Porto há duas semanas e se alargaram a Lisboa e outras cidades, colocaram definitivamente o assunto na agenda e a audição do ministro das Finanças, na passada sexta-feira, já deu uma amostra do que se pode esperar nestes dois dias de discussão em plenário, que culminará na quarta-feira com a votação na generalidade.

Nessa audição, apesar de reconhecer a legitimidade dos protestos, o ministro desvalorizou a sua dimensão, por serem “algumas centenas de pessoas”, e afirmou que o Governo já tinha feito “praticamente tudo” o que tinha para fazer em matéria de política de habitação, o que inclui quase 1,2 mil milhões de euros do Orçamento do Estado para construção e reabilitação de casas, bem como um pacote fiscal estimado em cerca de 300 milhões de euros, em que se incluem a redução do IVA para 6% na construção em determinadas condições e a redução do IRS para senhorios que pratiquem “rendas moderadas”, cujo limite pode ir até 2.300 euros. Mantém-se também a garantia pública para jovens na compra da primeira habitação.

Miranda Sarmento mostrou-se otimista sobre os efeitos dessas políticas no mercado, dizendo acreditar que “não vai demorar muito” até os preços começarem a estabilizar, apesar de o Governo reconhecer que o problema é estrutural e que vai demorar a ser resolvido.

O Presidente da República já convocou os partidos para 29 de outubro, no dia seguinte à votação na generalidade, para falar sobre coesão social. António José Seguro não se pronunciou até agora sobre as intervenções policiais deste fim de semana e a forma como os protestos foram geridos.

Mais um mês de debates e audições

O debate desta terça-feira terá um discurso de abertura do primeiro-ministro – também ele sem ter comentado as cargas policiais – e deverá prolongar-se por mais de 4 horas, até depois das 19h.

Já na quarta-feira, os plenários estão marcados para as 10h e para as 15h, fechando com a votação na generalidade.

Depois, a proposta segue para a discussão na especialidade, incluindo audições aos diferentes ministros e entidades como o Conselho das Finanças Públicas ou o Conselho Económico e Social. As audições começam na quinta-feira, o mesmo dia em que os partidos vão a Belém, e durarão até 6 de novembro.

É nesta data também que termina o prazo para apresentação de propostas de alteração dos partidos. O Governo diz não querer neste Orçamento do Estado os chamados “cavaleiros orçamentais” – as medidas que não são estritamente orçamentais mas acabam por ser introduzidas à boleia deste documento –, mas já no ano passado foram apresentadas mais de duas mil propostas.

As votações na especialidade decorrem depois entre 18 e 24 de novembro, altura em que haverá lugar para a votação final global.

Carneiro desafia Montenegro a "deixar cair" a lei das rendas

27 October 2026 at 00:20
O líder socialista anuncia que vai centrar a sua intervenção no debate do OE2027 na habitação e no custo de vida, exigindo ao primeiro-ministro uma resposta clara.

© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

A Assembleia da República (AR) vai debater entre terça e quarta-feira a proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2027, durante mais de dez horas

Segurança Social. Ministra defende "pacto de regime"

26 October 2026 at 16:48
Palma Ramalho voltou a avisar que reforma laboral "vai ser inevitável". Confrontada com casas devolutas da Segurança Social, ministra diz que só 32 podem servir para habitação.

© ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

"Existem neste momento 32 casas devolutas [da Segurança Social], o que dificilmente resolve as questões da habitação", garantiu Palma Ramalho
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