A Visa registrou um lucro líquido de US$ 6 bilhões em seu quarto trimestre fiscal de 2026, informou a empresa nesta terça-feira (27). O valor foi 18% maior do que no mesmo período do ano anterior, e o lucro ajustado por ação foi de US$ 3,48, acima dos US$ 3,44 esperados pelos analistas da FactSet.
A receita da gigante de serviços de cartões de pagamento foi de US$ 12,1 bilhões, uma alta de 13% ante o mesmo período de 2025 e levemente acima das expectativas dos analistas, de US$ 12,09 bilhões.
“A Visa teve um ano marcante. Alcançamos uma receita líquida recorde de US$ 46 bilhões, um aumento de 15%, o crescimento mais forte em mais de 15 anos, excluindo a recuperação pós-pandemia e aquisições”, disse o CEO Ryan McInerney.
“Em 2026, também demonstramos que sempre que a tecnologia muda o comércio, nós acompanhamos, antecipamos o que vem a seguir e possibilitamos o crescimento de pagamentos globalmente”.
Segundo a companhia, o total de transações processadas foi de 74,2 bilhões nos três meses encerrados em 30 de setembro. Esse aumento impulsionou o crescimento da receita da Visa durante o trimestre, disse a empresa.
Às 17h31 (de Brasília), as ações da Visa caíam 2,19% no after hours de Nova York.
Aprender a administrar o dinheiro desde a infância pode ajudar crianças e adolescentes a desenvolver hábitos de planejamento, consumo consciente e organização financeira.
Nesse processo, pais e responsáveis têm papel importante ao explicar o valor dos recursos, estabelecer metas de economia e incentivar escolhas adequadas a cada fase do desenvolvimento.
As contas digitais infantis surgem como uma ferramenta para aproximar esse aprendizado da rotina das famílias. Além de permitir movimentações financeiras, algumas oferecem cartão de débito, Pix, recursos para organizar reservas e acesso a investimentos.
O que é uma conta digital infantil e como funciona a supervisão dos pais?
Uma conta digital infantil é uma conta bancária ou de pagamento destinada a menores de 18 anos. A abertura depende da participação dos pais ou responsáveis legais.
No Brasil, essas contas estão sujeitas à regulamentação do Banco Central (BC) e do Conselho Monetário Nacional (CMN), que estabelecem requisitos para abertura, manutenção, identificação dos titulares e segurança das operações.
Entre as principais normas estão a Resolução CMN nº 4.753/2019, relacionada às contas de depósitos, e a Resolução BCB nº 96/2021, que trata da abertura, manutenção e encerramento de contas de pagamento.
Quais são as regras para abrir uma conta para menores?
A abertura de uma conta infantil exige a identificação do menor e a participação de seu representante legal, conforme a idade e as condições estabelecidas pela legislação e pela instituição financeira.
Entre os principais cuidados adotados pelas instituições financeiras estão:
Identificação cadastral: apresentação dos documentos e do CPF do menor e do responsável
Validação de identidade: conferência de documentos e utilização de mecanismos digitais de autenticação, que podem incluir reconhecimento facial
Segurança das movimentações: adoção de controles para prevenir fraudes e identificar operações suspeitas
Regras para menores: a representação ou assistência dos responsáveis depende da idade e da natureza do ato praticado
O Pix também pode ser utilizado em contas de menores, desde que disponibilizado pela instituição financeira e respeitadas as condições de uso e segurança.
Como os pais podem acompanhar a Conta Kids do Inter?
A Conta Kids do Inter oferece recursos para que os responsáveis acompanhem as atividades financeiras dos filhos sem precisar realizar todas as operações por eles.
“A proposta é oferecer autonomia para os filhos com tranquilidade e supervisão para os responsáveis”, afirma Priscila Salles, diretora de Clientes do Inter.
Entre as funcionalidades informadas pelo Inter estão:
Acompanhamento de movimentações: consulta das transações realizadas na conta do menor
Múltiplo acesso simultâneo: possibilidade de acompanhamento pelo responsável
Notificações transacionais: envio de avisos sobre ações realizadas na conta infantil
Controle do cartão: possibilidade de bloquear o cartão pelo aplicativo em caso de perda, furto ou roubo
Organização financeira: recursos que ajudam a separar o dinheiro destinado a diferentes objetivos
Quais são os diferenciais da Conta Kids do Inter em relação à poupança tradicional?
Enquanto a poupança é utilizada principalmente para guardar dinheiro e obter rendimentos conforme suas regras, uma conta digital infantil pode reunir diferentes serviços financeiros em um único ambiente.
No caso da Conta Kids, o Inter destaca uma série de funcionalidades:
Pix e movimentações digitais: permitem enviar e receber dinheiro e realizar pagamentos, conforme as funcionalidades habilitadas
Cartão de débito personalizado: possibilita compras utilizando o saldo disponível na conta
Investimentos a partir de R$ 1: permitem começar a conhecer produtos financeiros e a formação de reservas, observadas as condições de cada aplicação
Metas financeiras: ajudam a separar valores para objetivos específicos e acompanhar o progresso da economia
A disponibilidade de produtos de investimento, suas condições e seus riscos variam conforme a modalidade oferecida. Por isso, é importante que pais e responsáveis verifiquem as regras de cada aplicação antes de investir.
Como a conta pode ajudar na educação financeira?
O contato com ferramentas financeiras pode transformar conceitos aprendidos em casa em experiências práticas. Ao acompanhar o saldo, definir objetivos e observar as consequências das próprias escolhas, crianças e adolescentes podem desenvolver hábitos de planejamento.
“Esse aprendizado desde cedo ajuda a desenvolver disciplina financeira, maior controle do dinheiro no futuro e uma relação mais saudável com consumo e planejamento financeiro”, diz Salles.
Dos 3 aos 6 anos: brincadeiras de mercado, histórias e cofrinhos ajudam a apresentar o dinheiro, os preços e a diferença entre necessidades e desejos
Dos 7 aos 12 anos: metas para comprar um brinquedo ou livro, acompanhamento de pequenas economias e conversas sobre escolhas estimulam o planejamento
Na adolescência: registro de receitas e despesas, comparação de preços e explicações sobre juros, inflação, investimentos e golpes financeiros ampliam a preparação para a vida adulta
A mesada, quando faz parte da organização familiar, também pode funcionar como exercício de administração de recursos limitados.
A recomendação é que os responsáveis utilizem situações cotidianas para conversar sobre consumo consciente. Antes de uma compra, por exemplo, podem avaliar com os filhos se o produto é necessário naquele momento, se há alternativas mais econômicas e se vale a pena esperar para adquirir o item.
Quais cuidados de segurança devem ser observados?
A participação da família é importante para reduzir riscos associados ao uso de contas e aplicativos.
Além disso, algumas orientações ajudam a reforçar a proteção no dia a dia:
Não compartilhar senhas, códigos de autenticação ou dados de acesso
Desconfiar de mensagens, links e ofertas que solicitem informações bancárias
Conferir as movimentações e conversar sobre compras realizadas
Explicar como identificar tentativas de golpe e pedidos suspeitos de transferência
Bloquear o cartão pelo aplicativo em caso de perda, furto ou roubo
Na Conta Kids, a abertura é realizada digitalmente, com validação de documentos e reconhecimento facial. A instituição financeira também disponibiliza acompanhamento das movimentações pelos responsáveis e mecanismos de autenticação e segurança.
Mais de 49 mil microempreendedores individuais (MEIs) da Serra, no Espírito Santo, podem ser beneficiados pelas novas medidas anunciadas pelo Governo Federal para pequenos negócios. Segundo levantamento com dados da Receita Federal, sistematizados pelo Sebrae-ES e referentes a fevereiro de 2026, o município possui 49.156 MEIs, que representam cerca de 62,4% dos pequenos negócios locais.Entre as mudanças previstas estão o perdão de determinadas dívidas tributárias federais, a ampliação gradual do limite de faturamento anual e a possibilidade de contratar até dois funcionários. As iniciativas integram o pacote Prospera MEI e, segundo as informações divulgadas, também poderão alcançar cerca de 341 mil microempreendedores no Espírito Santo.
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Perdão de dívidas tem condiçõesUma das principais medidas prevê o perdão de débitos federais acumulados até 13 de outubro de 2026, incluindo determinadas pendências inscritas na Dívida Ativa da União. Conforme o material divulgado, a medida está prevista para entrar em vigor em janeiro de 2027, com a condição de que o empreendedor mantenha o pagamento do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) em dia durante os seis meses seguintes. As regras de aplicação devem ser acompanhadas nos canais oficiais.Limite de faturamento poderá chegar a R$ 140 milO pacote também prevê aumentar o limite anual de faturamento do MEI, atualmente em R$ 81 mil, para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. Outra mudança anunciada é a possibilidade de contratar até dois funcionários, em vez de apenas um.Auxílio de até R$ 5 mil para pequenos negóciosO programa também prevê o PixMEI, iniciativa que poderá oferecer até R$ 5 mil em recursos não reembolsáveis para empreendedores selecionados, entre 2027 e 2030. O benefício não será automático para todos os MEIs e dependerá de critérios de seleção ainda a serem divulgados. O pacote inclui ainda medidas de renegociação de dívidas e ampliação das oportunidades de participação de pequenos negócios em compras públicas.Como consultar dívidas do MEIOs empreendedores podem consultar débitos inscritos na Dívida Ativa da União pelo Portal Regularize. Pendências administradas pela Receita Federal podem ser verificadas pelo e-CAC ou pelo Portal do Simples Nacional. É importante acompanhar os canais oficiais para confirmar a vigência e as condições de cada medida.
A Associação de Horticultores do Sudoeste Alentejano (AHSA) quer criar quatro unidades de alojamento coletivo em Odemira, com capacidade para 2.000 trabalhadores imigrantes sazonais. Num investimento de 16 milhões de euros, suportado pelo Estado e investidores privados, o projeto visa responder ao problema de habitação no setor agrícola. Dentro de duas semanas, a associação deverá entregar ao Governo um estudo de viabilidade económica que sustente a proposta e permita avançar com o enquadramento legal necessário.
A proposta surge num contexto de pressão habitacional em Odemira, onde na última década a população duplicou dos cerca de 20 mil para mais de 40 mil habitantes, e grande parte devido…
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O valor que o comprador paga por um apartamento na planta nem sempre permanece igual ao longo da construção. Isso acontece porque o contrato pode prever a atualização das parcelas e do saldo devedor, enquanto o financiamento imobiliário pode ter encargos próprios. Depois da entrega das chaves, as regras de atualização também podem mudar, conforme o contrato firmado.
Para entender por que o preço varia, é importante separar três conceitos:
a correção monetária do contrato durante a obra;
os juros de obra cobrados em determinadas modalidades de financiamento;
a atualização do saldo devedor depois da entrega.
Embora possam aparecer no mesmo período, eles têm funções diferentes e não devem ser tratados como uma única cobrança.
Na compra de um apartamento da MRV, por exemplo, o comprador deve consultar o contrato de compra e venda e, quando houver financiamento, o contrato assinado com o banco. É nesses documentos que estão as regras aplicáveis à sua operação.
O que é o INCC e por que ele altera o saldo durante a obra?
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), acompanha a variação dos custos de materiais, serviços e mão de obra usados na construção de imóveis residenciais. Ele funciona como um indicador da evolução dos custos do setor.
A MRV, maior construtora da América Latina,explica que o INCC é utilizado para corrigir o saldo devedor durante a construção. O material também destaca que, após a entrega das chaves, o saldo restante pode passar a seguir as condições previstas no contrato de financiamento bancário.
Quando o contrato de compra de um imóvel na planta prevê correção pelo INCC, a variação do índice é aplicada conforme as regras estabelecidas no documento. Com isso, as parcelas ou o saldo que ainda falta pagar podem ser atualizados ao longo da construção.
O INCC não é uma taxa de juros nem uma cobrança bancária. É um índice de correção monetária. Sua aplicação depende do que foi contratado, incluindo o período de incidência, o índice específico adotado e a base de cálculo.
Por isso, o comprador deve consultar a cláusula de reajuste do contrato de compra e venda, em vez de presumir que toda aquisição de imóvel na planta utiliza o mesmo índice ou segue o mesmo calendário de correção.
O que são os juros de obra no financiamento imobiliário?
Os juros de obra estão relacionados a determinadas modalidades de financiamento imobiliário em que o banco libera os recursos gradualmente, conforme o avanço da construção.
A MRV explica que a taxa de evolução de obra é cobrada pela instituição financeira e pode variar conforme os recursos liberados durante a construção. As condições de cobrança devem ser verificadas no contrato de financiamento.
Nessas operações, o comprador pode pagar encargos calculados sobre os valores do financiamento já liberados pela instituição financeira. Conforme o contrato, também podem existir outros componentes, como seguros e tarifas.
A Caixa Econômica Federal explica que, em modalidades de financiamento para construção, durante a fase de obra podem ser cobrados juros sobre a parcela do crédito liberada, seguros e tarifa de administração, quando aplicável.
Esse encargo não deve ser confundido com o INCC: enquanto o INCC corrige valores previstos no contrato de compra e venda, os juros de obra decorrem das condições do financiamento bancário.
Nem toda compra de imóvel tem cobrança de juros de obra; isso depende da modalidade contratada e da estrutura da operação.
O que muda na correção do saldo devedor depois da entrega das chaves?
A entrega das chaves não significa, necessariamente, que todas as obrigações financeiras terminam ou que o saldo devedor deixa de ser atualizado. O que muda depende de como a compra foi estruturada e do contrato aplicável.
Quando o imóvel é financiado por um banco, o saldo devedor passa a seguir as condições previstas no contrato de crédito, que pode estabelecer um indexador, uma taxa de juros e um sistema de amortização.
A prestação pode incluir amortização do principal, juros e encargos acessórios, como seguros e tarifas, conforme a modalidade contratada. O cálculo considera, entre outros fatores, o saldo devedor atualizado, a taxa de juros, o sistema de amortização e o prazo restante.
A correção monetária atualiza o valor da dívida de acordo com o índice contratado; os juros remuneram o crédito concedido; e a amortização reduz o valor principal que ainda falta pagar. Como esses componentes atuam de formas diferentes, o saldo devedor não necessariamente diminui na mesma proporção que o valor pago em cada prestação.
Se ainda houver valores a pagar diretamente à construtora após a entrega, a atualização desses valores dependerá das cláusulas do contrato de compra e venda.
Não se deve presumir que o índice aplicado durante a construção continuará sendo usado depois das chaves: é preciso conferir o que foi pactuado para cada fase.
Onde conferir cada cobrança no contrato?
Cobrança
Onde verificar
O que conferir
Correção pelo INCC
Contrato de compra e venda
Índice previsto, período de aplicação e valores sujeitos à atualização
Juros de obra
Contrato de financiamento bancário
Base de cálculo, encargos cobrados durante a construção e condições para encerramento dessa fase
Correção após as chaves
Contrato de financiamento ou cláusula sobre saldo remanescente no contrato de compra e venda
Índice aplicável, juros, amortização e regras de atualização após a entrega
Seguros e tarifas
Contrato de financiamento e demonstrativos bancários
Quais cobranças se aplicam à operação e como são calculadas
O comprador também pode solicitar à construtora ou ao banco um demonstrativo atualizado da dívida, com a discriminação dos valores cobrados. Se houver uma diferença que não esteja clara, o ideal é pedir a memória de cálculo e a indicação da cláusula contratual que fundamenta cada cobrança.
O que observar antes de questionar uma cobrança?
Uma alteração no saldo devedor não significa, por si só, que houve erro. Mas o comprador tem o direito de entender como a dívida foi calculada e verificar se os encargos correspondem ao contrato.
Antes de contestar um valor, vale conferir:
qual contrato estabelece a cobrança;
se o índice aplicado corresponde ao que foi contratado;
qual período foi considerado no reajuste;
se juros, correção, seguros e tarifas estão discriminados separadamente;
se a cobrança corresponde à fase de construção ou à fase de amortização do financiamento.
Se a explicação não for suficiente, o comprador pode registrar uma solicitação formal à construtora ou à instituição financeira responsável. É importante guardar os demonstrativos, os contratos e os protocolos de atendimento para facilitar a análise.
O Portal de Vagas da Sólides, ferramenta de recrutamento da HR Tech líder no Brasil em gestão de pessoas para pequenas e médias empresas (PMEs), reúne atualmente mais de 970 vagas de emprego em Salvador e cidades da região metropolitana focadas na Black Friday e nas vendas do fim de ano.As oportunidades buscam atender ao pico de demandas temporárias e efetivas de companhias parceiras que utilizam as soluções tecnológicas da Sólides para tornar seus processos seletivos mais ágeis e eficazes.
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A Boeing teve prejuízo líquido de US$ 116 milhões no terceiro trimestre de 2026, representando apenas uma fração da perda de US$ 5,339 bilhões registrada um ano antes, segundo balanço divulgado nesta terça-feira (27).
O prejuízo por ação foi de US$ 0,34, ante perda de US$ 7,47 por ação no terceiro trimestre de 2025. Analistas consultados pela FactSet esperavam perda menor, de US$ 0,25 por ação.
A receita cresceu 4%, para US$ 24,18 bilhões, acima das projeções de US$ 23,95 bilhões, refletindo principalmente o maior volume nos segmentos de defesa e serviços, além de uma composição menos favorável das entregas comerciais.
A companhia informou fluxo de caixa operacional de US$ 1,49 bilhão, ante US$ 1,123 bilhão um ano antes, e fluxo de caixa livre positivo de US$ 464 milhões, acima dos US$ 238 milhões registrados no terceiro trimestre de 2025.
A carteira de pedidos atingiu o recorde de US$ 745 bilhões, incluindo mais de 6.300 aviões comerciais.
A divisão de aviões comerciais teve queda de 3% na receita, para US$ 10,72 bilhões, com 161 entregas, ante 160 um ano antes.
Já na divisão de Defesa, Espaço e Segurança, a receita avançou 15%, para US$ 7,93 bilhões, e o segmento registrou lucro operacional de US$ 492 milhões.
Às 8h47 (de Brasília), no pré-mercado de Nova York, a Boeing tinha alta de 0,8%, após reação inicial negativa.
Quem compra um apartamento com financiamento imobiliário pode precisar assinar dois contratos distintos: o de compra e venda, relacionado à aquisição do imóvel, e o de financiamento, que formaliza o crédito concedido pelo banco.
Embora estejam ligados à mesma compra, os documentos estabelecem obrigações diferentes e devem ser lidos separadamente.
O contrato de compra e venda define as condições negociadas com a vendedora ou incorporadora, como preço, características do imóvel e prazo de entrega.
A MRVexplica que a assinatura do contrato de compra e venda é uma das primeiras etapas da aquisição de um imóvel financiado. Depois dessa formalização, o comprador apresenta a documentação necessária para a contratação do crédito habitacional junto à instituição financeira.
A construtora, a maior da América Latina, também detalha, em seu site oficial, as etapas de assinatura dos documentos com a incorporadora e com o banco.
O contrato de financiamento estabelece as condições do empréstimo, incluindo juros, parcelas, atualização do saldo devedor e garantias oferecidas à instituição financeira.
A identificação das partes e a leitura das cláusulas ajudam a esclarecer a quem recorrer em caso de dúvida sobre a entrega do imóvel ou sobre a dívida com o banco.
O que cada contrato estabelece?
Contrato de compra e venda: as condições para adquirir o imóvel
O contrato de compra e venda formaliza o acordo entre o comprador e o vendedor, que pode ser a incorporadora ou outra pessoa jurídica responsável pela comercialização.
Em imóveis adquiridos na planta, o documento estabelece as condições da aquisição e as obrigações relacionadas à construção e à entrega, conforme o que foi contratado.
Entre os principais pontos estão:
Preço e pagamento: valor total do imóvel, entrada, parcelas, vencimentos e índices de correção previstos.
Características da unidade: identificação do apartamento, áreas e especificações previstas nos documentos da compra.
Prazo de entrega: data prevista para conclusão e entrega, além de eventual prazo de tolerância expressamente estabelecido.
Obrigações das partes: compromissos do vendedor e do comprador, incluindo as condições para entrega e pagamento.
Rescisão e penalidades: regras para o encerramento do contrato e possíveis consequências financeiras.
A Lei nº 4.591/1964 determina que contratos de compra e venda de unidades de incorporações imobiliárias sejam iniciados por um quadro-resumo com informações como preço total, entrada, corretagem, forma de pagamento e índices de correção.
Esse documento deve ser lido junto com as demais cláusulas e anexos. Se houver divergência entre o que foi informado durante a venda e o que consta no contrato, o comprador deve pedir esclarecimentos antes de assinar.
Contrato de financiamento: as regras do crédito bancário
O contrato de financiamento é firmado entre o comprador e a instituição financeira que concede o crédito. Dependendo da estrutura da operação, o vendedor ou a incorporadora também pode participar do instrumento.
Esse documento define as condições para o pagamento do valor financiado e a relação de crédito entre o comprador e o banco. Entre os pontos que precisam ser conferidos estão:
Valor financiado: quantia emprestada pela instituição financeira para a compra.
Taxa de juros e custo do crédito: juros contratados, Custo Efetivo Total (CET), tarifas e demais despesas aplicáveis.
Parcelas e prazo: valor e vencimento das prestações, duração do financiamento e sistema de amortização.
Atualização do saldo devedor: índice de correção, quando previsto, e regras para atualizar a dívida.
Garantia do imóvel: modalidade de garantia contratada, como a alienação fiduciária.
Consequências do atraso: encargos por inadimplência e medidas previstas no contrato e na legislação.
O Banco Central determina que o instrumento de crédito contenha informações como as taxas de juros, os índices de atualização, as tarifas, as despesas e o CET, quando aplicável. A instituição também deve fornecer ao cliente uma cópia do contrato ou do documento que formaliza a dívida.
Em financiamentos com alienação fiduciária, o imóvel é dado como garantia da dívida. O comprador deve entender as consequências dessa cláusula, pois o não pagamento pode levar à execução da garantia conforme os procedimentos legais.
Quem assina cada documento e em que momento?
Os contratos têm participantes e momentos de formalização diferentes, embora a sequência varie conforme a modalidade de compra.
Documento
Quem assina
Quando costuma ser formalizado
Compra e venda
Comprador e vendedor ou incorporador identificado no documento
Quando as partes formalizam as condições da aquisição
Financiamento
Comprador e instituição financeira; outras partes podem participar conforme a operação
Após a análise e aprovação do crédito e o cumprimento das condições exigidas pelo banco
Em algumas operações, o instrumento de financiamento também formaliza a compra e venda e envolve o vendedor como parte interveniente. Por isso, não se deve presumir que toda aquisição terá necessariamente dois documentos completamente separados.
O importante é identificar quais obrigações estão previstas em cada instrumento e guardar as cópias assinadas. Quando o contrato de financiamento precisar ser registrado no Cartório de Registro de Imóveis, o comprador também deve conferir as orientações da instituição financeira sobre esse procedimento.
E se os dois contratos apresentarem informações diferentes?
Os documentos tratam de obrigações relacionadas, mas não idênticas. Se houver divergência sobre o preço, o saldo a financiar, o prazo de entrega ou as condições de pagamento, o comprador deve solicitar esclarecimentos à parte responsável e pedir que eventuais erros sejam corrigidos formalmente.
Por exemplo, o contrato de compra e venda pode estabelecer o preço do imóvel e a forma de pagamento, enquanto o contrato bancário define o valor do crédito concedido e as condições para quitá-lo. Se o valor financiado não corresponder ao previsto na negociação, é importante entender a diferença antes de prosseguir.
O mesmo vale para os prazos: a data de entrega do imóvel deve ser verificada no contrato de compra e venda, enquanto o prazo de pagamento da dívida é estabelecido no contrato de financiamento. Um não substitui o outro.
O que conferir antes de assinar?
Antes de formalizar a compra e o financiamento, confira os seguintes pontos:
A identificação do comprador e das empresas envolvidas está correta?
O preço total e as condições de pagamento correspondem à proposta?
O contrato de compra e venda informa as características do imóvel e o prazo de entrega?
Os índices de correção e as penalidades estão descritos de forma clara?
O contrato bancário informa o valor financiado, a taxa de juros, o CET e o prazo?
A garantia do financiamento e as consequências de eventual inadimplência estão claras?
Você recebeu uma cópia de cada documento assinado?
A Mercedes-Benzreduziu sua previsão de margem de lucro para 2026 nesta terça-feira (27), citando condições mais fracas na Chinae custos mais altos no quarto trimestre, no mais recente sinal da crescente pressão sobre as montadoras alemãs em seu principal mercado.
Suas ações caíram até 5,5% e, às 9h55 GMT, estavam em queda de cerca de 4%.
A montadora alemã de veículos premium agora prevê um retorno ajustado sobre as vendas de 2% a 3% em 2026, abaixo da previsão anterior de 3% a 5%.
A empresa também reduziu sua previsão de lucro operacional do grupo para 2026, esperando agora que os ganhos fiquem praticamente estáveis em relação ao ano anterior, em vez de serem significativamente maiores.
O alerta surge num momento em que as montadoras alemãs continuam a enfrentar dificuldades na China, o maior mercado automotivo do mundo, onde a desaceleração da demanda e a intensa concorrência dos fabricantes locais estão corroendo as vendas e o poder de precificação.
As vendas do principal modelo de vendas da Mercedes caíram 8% em relação ao ano anterior no terceiro trimestre, afetadas pela fraca demanda na China .
As concorrentes BMW e Volkswagen também reduziram suas projeções no início deste ano, atribuindo a culpa, em parte, ao agravamento da situação na China.
O analista da Metzler, Daniel Schwarz, afirmou que a China foi o principal motivo para o fraco desempenho das montadoras alemãs.
A Mercedes, assim como a BMW, continua fortemente presente na China.
Em contrapartida, a Porsche, que anunciou uma recuperação nos lucros na terça-feira, reduziu sua dependência da China e está impulsionando a marca ainda mais para o segmento de luxo, tornando-a menos vulnerável à concorrência de fabricantes chineses que se expandem para a Europa e outros mercados, afirmou Schwarz.
A fabricante de carros esportivos Porsche divulgou nesta terça-feira uma recuperação no lucro nos primeiros nove meses do ano, um sinal inicial de que o plano de reestruturação do presidente-executivo Michael Leiters — que prevê redução de pessoal e retração na China — está surtindo efeito.
Leiters assumiu o cargo no início do ano na Porsche, parte do grupo Volkswagen. O conselho fiscal da Porsche o nomeou para mudar o rumo da empresa depois que a estratégia de eletrificação não decolou, resultando em 2,7 bilhões de euros (US$ 3 bilhões) em custos de reestruturação.
Leiters apresentou sua estratégia para a montadora aos investidores no início deste mês. Ele planeja oferecer mais personalização e modelos exclusivos com margens de lucro mais altas, o que reduzirá o tamanho do grupo, mas deve aumentar os lucros.
“Estamos implementando nosso realinhamento estratégico de forma consistente e em ritmo acelerado. Nosso foco está em nosso negócio principal, em uma estrutura de custos competitiva e em um aumento sustentável de nossa lucratividade”, afirmou Leiters.
“Com as medidas já implementadas, estamos criando as condições para posicionar a Porsche como uma empresa mais forte, mais focada e mais lucrativa no longo prazo.”
As ações da empresa subiram 2,3%, com analistas da Jefferies destacando margens no terceiro trimestre melhores do que o esperado, superiores a 10%, em comparação com uma baixa recorde de 1,1% em 2025.
O lucro operacional de 1,74 bilhão de euros nos primeiros nove meses seguiu-se a um resultado fraco no ano anterior, de 40 milhões de euros, quando a montadora foi afetada pelo aumento dos custos, em grande parte relacionados à sua estratégia de eletrificação interrompida, informou a empresa.
Tema central nas discussões de empresários, governos e diretores de instituições que cuida do gerenciamento do setor elétrico em nível global a instalação de Data Centersmove tanto interesses de investidores interessado retorno desse novo negócio, como de ambientalistas preocupados com o consumo água para a refrigeração de seus parque de máquinas.
E ele esteve entre os temas tratados pelo presidente Lula no seu discurso de agradecimento pela vitória eleitoral deste domingo (25), quando prometeu dar condições para que o Brasil seja um grande destino desses capitais, destacando a função estratégica para a segurança nacional.
Faz sentido. Apenas no recorte dos grandes data centers, por exemplo, o consumo projetado passaria de aproximadamente 3 TWh em 2026 para 30 TWh em 2036. E impactaria o crescimento do consumo nacional em 3% em 2036, e a demanda em cerca de 10% no decênio.
O Brasil, de fato, tem vantagens importantes para receber esses investimentos: uma matriz elétrica predominantemente renovável, grande disponibilidade de recursos energéticos e uma extensa rede interligada.
Além disso, o próprio Plano Decenal de Energia (PDE 2036) elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética projeta que 88,8% da geração elétrica permanecerá renovável em 2036, com cerca de 65 GW adicionais de solar e eólica, incluindo geração distribuída.
Entretanto, para o planejamento, a abordagem disso não passa apenas por quanto esses empreendimentos vão consumir. E para o presidente da EPE, Thiago Prado, localização, potência demandada, cronograma de implantação, perfil horário e exigência de confiabilidade são igualmente importantes. Um data center de grande porte conectado em um ponto com capacidade disponível produz um impacto muito diferente do que um que exija reforços significativos na rede.
“Por isso, será necessário coordenar o crescimento dessas cargas com geração, transmissão e novas soluções de flexibilidade, como, por exemplo, resposta à demanda, autoprodução e armazenamento de forma isolada ou combinada”, adverte o executivo.
Ele chama a atenção para outro aspecto: a forma de planejar e operar também se transforma. Se antes cenários de perda da maior central geradora ou da maior máquina são considerados nos estudos de confiabilidade, o desligamento de grandes cargas também deverá ser objeto de estudo, antevendo os seus efeitos e perturbações no sistema elétrico.
“O desafio não é apenas produzir energia suficiente para os data centers; é garantir energia, potência, rede e confiabilidade no lugar e no momento em que essas novas cargas surgirem e passarem a operar continuamente na rede”, diz Thiago Prado.
Sua análise está em linha com a Assessora Executiva da Diretoria de Planejamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Sumara Ticom, ao revelar que o ONS vê a chegada dos data centers como parte de um movimento mais amplo, que a Agência Internacional de Energia chama de “Era da Eletricidade”, em que o consumo de eletricidade cresce bem mais rápido que o consumo total de energia.
No Brasil, desta Sumara Ticom, esse movimento já é concreto. Lembrando que, com a abertura da primeira Temporada de Acesso, em junho de 2026, o ONS havia recebido 144 pedidos de conexão de data centers à rede de transmissão, que somam 17,5 GW de demanda. Cerca de 8 GW desse total, viabilizados ainda no modelo anterior de acesso, já têm contrato assinado ou viabilidade de conexão confirmada.
Thiago Prado EPE. - Divulgação
Empreendimentos de grande porte e impactantes
Mas não basta querer. O principal desafio é de tempo e de lugar, afinal um data center pode ser construído em dois ou três anos, enquanto linhas de transmissão e reforços de rede exigem prazos bem maiores. Além disso, esses empreendimentos tendem a se concentrar em poucos pontos da rede, com demandas de centenas de megawatts. “Sem planejamento, o consumo pode crescer mais rápido que a infraestrutura capaz de atendê-lo, criando gargalos de conexão”, adverte.
Para Sumara Ticom, as ações necessárias seguem quatro frentes: A primeira é a expansão da rede. A EPE, responsável pelo planejamento da expansão da transmissão, vem incorporando aos seus estudos as regiões que concentram os maiores pedidos de conexão e indicando os reforços e as novas instalações necessários para atendê-las, em estreita articulação com o ONS.
A segunda frente é a conexão planejada, com o objetivo de reduzir o descompasso entre o prazo de implantação das cargas e o da rede. A rede deve chegar aonde as cargas pretendem se instalar e as cargas também precisam ser orientadas para onde a rede já pode recebê-las, o que exige transparência sobre a capacidade disponível em cada ponto, destaca a analista.
A terceira, da lista dela, é a definição de requisitos técnicos que assegurem o bom desempenho dessas cargas diante de distúrbios na rede e, finalmente, a quarta é a discussão de modalidades de conexão flexível, “que permitam à carga se conectar mais rapidamente sem transferir riscos aos demais consumidores”.
Tudo muito bom, tudo muito bem, mas, como o órgão de planejamento de médio e longo prazo, o que a EPE define como as premissas para o suporte técnico que esse novo cliente exige?
O presidente da EPE avalia que a primeira premissa é justamente que não podemos tratar grandes cargas apenas como um acréscimo agregado de consumo. O planejamento precisa saber onde a carga pretende se conectar, qual sua potência, quando entrará em operação, qual seu perfil de consumo e quais são seus requisitos de continuidade e qualidade do fornecimento. O PDE 2036 explica o fato de que se trata da expansão das grandes cargas conjuntamente com a evolução da transmissão.
“Infraestrutura existente e expansão já planejada criam condições para atender parte importante da nova demanda. Mas a capacidade efetiva depende fortemente do ponto de conexão e das condições locais da rede, alerta Thiago Prado.
Mas não basta simplesmente construir novas linhas. Em São Paulo, por exemplo, o planejamento já avalia reforços e equipamentos de controle de fluxo para aumentar o aproveitamento da infraestrutura existente. Já no Nordeste, os estudos combinam a disponibilidade de grande volume de geração renovável com a possibilidade de entrada de novas cargas eletrointensivas.
Torres de Transmissão para reforçar o Sistema Elétrico Nacional. - DIVULGAÇÃO
Função estratégica do planejamento
Do ponto de vista do ONS, que viverá esse planejamento na prática e em tempo real, a principal premissa é que a conexão de novas cargas aconteça de forma planejada e eficiente, com base na capacidade efetivamente disponível da rede.
Sumara Ticom lembra que para isso, o Brasil instituiu em 2025 a Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST), operacionalizada pelo ONS. No modelo anterior, os pedidos de conexão eram atendidos por ordem de chegada, em uma fila.
Mas esse modelo não alocava adequadamente a capacidade da rede de transmissão, que se tornou um recurso escasso em diversos pontos do sistema. Com a PNAST, os pedidos passam a ser reunidos em janelas periódicas, as Temporadas de Acesso, esclarece, explicando que o ONS publica a capacidade disponível em cada ponto da rede e avalia as solicitações em conjunto. Onde a capacidade é suficiente, os pedidos são atendidos, lembrando que a primeira temporada, realizada em 2026, mostrou o valor dessa transparência.
“Onde ela é insuficiente, os interessados competem pelo acesso, e os valores adicionais pagos por essa capacidade escassa são revertidos para a modicidade tarifária, em benefício dos consumidores. Olhar todos os pedidos ao mesmo tempo também mostra onde serão necessários reforços, informação que orienta o planejamento da expansão da transmissão.
“A segunda premissa é técnica. Assim como já ocorre com os geradores, as grandes cargas precisam atender a requisitos de conexão que assegurem seu bom desempenho diante de distúrbios na rede”, conclui Sumara Ticom.
As análises da assessora-executiva da Diretoria de Planejamento do ONS e do presidente da EPE têm a marca de pensar a instalação de Data Centers e, consequentemente, equacionar as necessidades de energia firme para um dos grandes mercados globais , até porque o Brasil pretende abrigar metade de todos os projetos na América Latina, inclusive por questões de segurança nacional na visão do governo.
Mas que energia devemos (ou podemos de fato) ofertar a esse novo mercado? Para Sumara Ticom no Sistema Interligado Nacional, o impacto dos data centers depende menos do volume total e mais de onde essas cargas se instalam, de seu perfil de consumo e da flexibilidade que podem oferecer.
“A matriz predominantemente renovável e a base ampla de recursos energéticos são uma vantagem competitiva real para atividades que buscam energia de baixa emissão em grande escala, e o desafio é transformar essa vantagem em uma integração eficiente para o sistema.E existe uma possível complementaridade”, diz a executiva.
Esse é um cenário importante. O país já convive com excedentes de geração renovável em determinados períodos, e os cortes de geração chegaram a 7,6 GW médios em agosto de 2026. Novas cargas podem ajudar a absorver parte dessa energia e reduzir a necessidade de cortes. Entretanto, essa relação, contudo, não é automática.
Uma carga que consome de forma constante absorve parte dos excedentes do meio do dia, mas acrescenta a mesma demanda no fim da tarde, quando a geração solar cai e a potência fica mais escassa. Já uma carga capaz de deslocar parte do consumo para os períodos de maior oferta tem um valor bem maior para o sistema.
Sumara Ticom NS - Divulgação
Observar a experiência internacional
“Porém, a experiência internacional traz outro ponto de atenção", lembra Sumara Ticom. Em vários países, a disputa por capacidade de rede vem alongando as filas de conexão, e empreendimentos industriais e residenciais passaram a competir com data centers pelo mesmo recurso. No Brasil, a PNAST foi concebida para alocar essa capacidade escassa de forma eficiente e transparente.
Thiago Prado completa essa interpretação destacando que instrumentos de planejamento da EPE se apropriam continuamente das informações de mercado disponíveis, dos projetos anunciados, dos pedidos de conexão, das perspectivas dos agentes e das políticas públicas que podem alterar a trajetória da demanda.
Nesse sentido, o planejamento é um processo dinâmico: a cada novo ciclo, essas informações são reavaliadas e incorporadas às projeções de carga e às necessidades de expansão do sistema. O PDE 2036, que cobre o período de 2027 a 2036, já incorpora uma expansão bastante significativa dos data centers. O Plano, no caso dos grandes data centers, projeta uma trajetória de aproximadamente 3 TWh em 2026 para 30 TWh em 2036,lembra o presidente da EPE.
Esse cenário está contido no Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (REDATA), o suporte legal que vai orientar a instalação desse novo complexo de produção dentro do sistema operado pelo ONS. E para Thiago Prado, parte dos efeitos iniciais associados ao ambiente criado pelo Redata aparece nas informações de mercado que alimentam o planejamento. Ao mesmo tempo, ainda não seria adequado tentar isolar, neste momento, uma parcela da demanda exclusivamente atribuível ao novo regime.
Até porque a materialização desses projetos ocorre de forma gradual. E porque ao longo do tempo, novas informações sobre localização, potência, cronograma de implantação, maturidade dos projetos e efetiva decisão de investimento permitem refinar as projeções.
“O REDATA reforça essa trajetória ao melhorar as condições para atração de novos investimentos em infraestrutura digital. Além dos incentivos tributários, o regime estabelece contrapartidas que dialogam com a agenda energética e de sustentabilidade, incluindo requisitos relacionados ao suprimento de energia de fontes renováveis ou de baixa emissão.
O REDATA reforça essa trajetória ao melhorar as condições para atração de novos investimentos em infraestrutura digital”, avalia o executivo.
Sumara Ticom chama a atenção para um dos pontos que serão tratados no painel (do qual ela fará parte), relacionado ao impacto do uso da Inteligência Artificial como ferramenta de trabalho na condução desse processo.
“Os data centers de IA têm características próprias. Concentram centenas de megawatts em um único ponto e operam praticamente sem interrupção, o que exige potência disponível em todos os horários, inclusive na janela crítica do fim da tarde, quando a geração solar cai e a carga líquida sobe rapidamente”, diz.
Data Centers são uma nova fronteira para o consumo de energia. - DIVULGAÇÃO
Importância da IA como ferramenta de decisão
Ela prossegue a análise afirmando que existe também uma dimensão menos visível, a do comportamento dinâmico. “Essas cargas são conectadas por eletrônica de potência e reagem a variações de tensão e frequência de forma diferente das cargas industriais tradicionais. No treinamento de modelos de IA, o consumo também pode variar bruscamente em frações de segundo”, informa.
Ela lembra o dia 13 de agosto deste ano quando a carga líquida subiu cerca de 40 GW em seis horas. “Uma nova carga inflexível nesse horário aumenta a necessidade de potência do sistema exatamente quando ela é mais escassa”. E “nesse cenário, um afundamento de tensão causado por um curto-circuito comum, os sistemas de proteção dos data centers (com a ajuda de IA)podem retirar grandes blocos de carga de uma só vez”.
Para ela, esse cenário exige premissas importantes: a primeira é os requisitos técnicos de conexão, para que essas cargas permaneçam conectadas durante distúrbios e tenham seu comportamento bem representado nos estudos. A segunda é a conexão planejada, por meio da PNAST e do futuro mapa de capacidade de conexão de demanda. A terceira é a conexão flexível.
Para Thiago Prado, os relatos do ONS vividos em tempo real reforçam a necessidade de ter um planejamento cada vez mais robusto. “Uma mesma quantidade de carga pode produzir impactos muito diferentes sobre o sistema dependendo de sua localização, do ponto de conexão e do momento em que entra em operação”, alerta.
Ele destaca a importância do ciclo anual do PDE, avaliando que os próximos planos poderão incorporar informações progressivamente mais concretas sobre os efeitos do Redata, sobre os projetos que avancem para etapas mais maduras e sobre a resposta efetiva do mercado aos incentivos. O que, segundo ele, permite que as projeções de demanda e as necessidades de geração, transmissão e flexibilidade sejam continuamente ajustadas à realidade.
Ao avaliar a importância de eventos de alto nível como o Coniben, que reúnem em um mesmo ambiente diferentes dimensões da transformação do setor energético, tais como planejamento, regulação, operação, tecnologia, segurança energética e investimento, Gustavo chama a atenção para o fato de o evento estimular o debate de cenários.
“Isso é cada vez mais relevante porque os principais desafios do setor deixaram de caber dentro de uma única disciplina ou instituição. Data centers e inteligência artificial são um bom exemplo, avalia. Para a assessora executiva da Diretoria de Planejamento do ONS, a CONIBEN é um espaço importante de troca de conhecimento em um momento de profunda transformação do setor elétrico, no mundo e nos países ibero-americanos.
Para ela, o Brasil tem muito a contribuir com esse debate. Temos um sistema interligado de dimensão continental, uma matriz predominantemente renovável e uma experiência acumulada na operação com alta participação de fontes eólicas e solares, inclusive da geração distribuída.
Thiago Prado e Sumara Ticom estarão no painel Data Center e Inteligência Artificial na Conibem, que se realiza em Lisboa entre os dias 12 e 13 de novembro, reunindo 150 especialistas do Brasil, Portugal e Espanha num evento que foca no futuro do setor elétrico nos três países.
O evento no Hotel Tivoli em Lisboa é promovido e realizado pela PMais Eventos, liderada pelo empresário Paulo Meneses, com consultoria técnica da Acrópolis Energia, liderada pelo professor e consultor Reive Barros.
O HSBC divulgou nesta terça-feira (27) um salto no lucro trimestral, mas a receita ficou abaixo das estimativas, em parte devido ao crescimento mais lento em seu segmento de gestão de patrimônio, o que levou as ações do banco a uma queda de 6%.
O maior banco da Europa divulgou que o lucro antes dos impostos subiu 32%, para US$ 9,6 bilhões, no trimestre de julho a setembro, em linha com as estimativas, e lançou um programa de recompra de ações de até US$1 bilhão, o mesmo valor do trimestre anterior.
No entanto, a receita ficou abaixo das previsões dos analistas, que apontavam para US$ 19 bilhões, registrando um crescimento de 5%, para US$ 18,6 bilhões.
A queda nas ações do banco listadas em Hong Kong ressalta como os recentes resultados sólidos dos bancos europeus aumentaram as expectativas dos investidores em relação ao desempenho, mesmo com o impacto da guerra no Irã sobre a inflação e as taxas de juros tornando o ambiente mais difícil para os bancos.
As ações continuam com alta de 9% no acumulado do ano.
“Às vezes, há uma expectativa do mercado de que revisemos para cima nossas orientações ou metas”, disse a diretora financeira Pam Kaur a repórteres em uma teleconferência, quando questionada sobre a queda das ações.
A receita da divisão de gestão de patrimônio do HSBC ficou estável em US$ 2,7 bilhões. Isso se compara a um crescimento de receita de 15% e 23% em relação ao mesmo período do ano anterior nos dois primeiros trimestres.
Banco britânicos se preparam para aumentos de impostos
O HSBC se beneficiou da ausência de provisões legais contabilizadas no mesmo trimestre do ano anterior.
O banco também informou que as perdas de crédito esperadas caíram 17%, para US$ 800 milhões, graças a uma redução nas despesas relacionadas ao setor imobiliário de Hong Kong, bem como aos seus negócios de gestão de patrimônio no Reino Unido e no México.
O HSBC afirmou que está no caminho para atingir suas metas de lucratividade principal até 2028, mais um sinal de como as instituições financeiras da região têm mantido lucros robustos nos últimos anos.
O forte desempenho intensificou os apelos de ativistas no mercado doméstico do HSBC, no Reino Unido, por aumentos de impostos sobre os bancos no primeiro orçamento do ministro das Finanças, John Healey, previsto para quarta-feira (28).
Os executivos dos bancos têm feito forte lobby para evitar tal aumento nas tributações do setor, argumentando que isso restringiria os empréstimos e tornaria o Reino Unido menos competitivo.
O HSBC anunciou um dividendo intermediário de US$ 0,1 por ação, o mesmo valor do trimestre anterior.
O Citigroup e a BCA Research rebaixaram a recomendação dos ativos brasileiros após a vitória eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, argumentando que o perfil de risco-retorno para ações, títulos e moeda se deteriorou, à medida que os investidores reavaliam as perspectivas de disciplina fiscal e reformas estruturais sob o novo governo.
Essas avaliações refletem uma mudança mais ampla no posicionamento dos investidores, com estrategistas alertando que uma política fiscal mais flexível, uma dinâmica mais fraca da dívida pública e um avanço mais lento nas reformas voltadas para o crescimento podem pesar sobre os mercados brasileiros, apesar das restrições impostas por um Congresso mais conservador.
O Citi encerrou na segunda-feira (26) suas posições bullish no Brasil após a vitória eleitoral de Lula, retirando sua recomendação de “overweight” em ações e encerrando sua posição comprada no real.
“Embora os preços possam muito bem cair além dos níveis justos, o mercado já estava otimista antes disso, o que torna plausível uma queda excessiva. Dado o resultado da eleição, encerramos nossa exposição ao risco no Brasil”, afirmou o Citi.
Os ativos brasileiros despencaram na segunda-feira, com o real caindo mais de 11% em relação ao dólar e o índice de ações Bovespa registrando uma queda de 13,9% — sua maior queda em um único dia desde março de 2020.
A BCA Research rebaixou, na segunda-feira, a recomendação do Brasil em relação aos mercados emergentes, afirmando que a vitória de Lula “acaba com a perspectiva de um governo ortodoxo que promova melhorias estruturais nas contas fiscais e no crescimento potencial do Brasil”.
A BCA rebaixou as ações brasileiras de “neutro” para “underweight”, citando riscos crescentes de inadimplência, perspectivas de crescimento mais fracas e pressões inflacionárias decorrentes de uma moeda mais fraca.
A empresa também rebaixou os títulos em moeda local e o crédito soberano do Brasil de “overweight” para “underweight”, alertando para a deterioração da dinâmica da dívida.
Estes resultados surgem numa altura em que as vendas da marca germânica de carros superdesportivos diminuíram, entre janeiro e setembro, para 25.282 milhões de euros, menos 5,9% do que no ano anterior
A principal diferença entre os produtos financeiros do Inter e dos bancos tradicionais está no modelo de integração dos seus serviços. Além disso, tanto a operação quanto a estrutura de custos possuem características próprias de instituições financeiras digitais.
Priscila Salles, Diretora de Clientes do Inter, explica que “a combinação de tecnologia, personalização e integração permite que o cliente concentre sua vida financeira em um único ambiente”.
De acordo com ela, isso permite mais conveniência e uma experiência mais fluida do que a oferecida por bancos tradicionais.
Integração do ecossistema de serviços é a prioridade
O Inter evoluiu de banco digital para um Super App Financeiro Global. Reúne em uma única experiência digital serviços bancários, crédito, investimentos, seguros, shopping e soluções internacionais.
“Mais do que oferecer diferentes produtos, o diferencial está na integração do ecossistema e na capacidade de tornar a jornada do cliente mais simples e personalizada”, explica Priscila Salles.
A Diretora de Clientes da instituição destaca o uso de dados e inteligência artificial para soluções mais relevantes para cada perfil e momento de vida. Alguns exemplos são a iniciativa Meu Crédito, que centraliza modalidades de financiamento, e a assistente de IA, Seven, lançada no início de 2026.
Investimentos: a plataforma oferece um portfólio diversificado, com alternativas que vão da renda fixa aos ativos internacionais, permitindo ao cliente administrar seu patrimônio em um único ambiente digital
Global Account: conecta a experiência financeira entre Brasil e exterior, oferecendo soluções em moeda estrangeira, pagamentos e transferências internacionais
Seguros: desde residencial até para proteção financeira, também com opções para negócios. Há alternativas por menos de R$ 5 por mês
Dia a dia: shopping nacional e internacional, gift cards, passagens aéreas, operadora de celular e programa de pontos com cashback e desconto na fatura
Modelo de negócio tem inclusão digital como um de seus objetivos
O Inter é uma instituição financeira 100% digital, pensada para simplificar e democratizar o acesso aos serviços financeiros, reduzindo custos, burocracia e fricções ao longo da jornada do cliente. Ou seja, funciona como um agente de inclusão financeira.
A companhia atingiu números recordes no segundo trimestre do ano, com mais de 45 milhões de clientes. Priscila Salles conta que isso consolidou a instituição como uma plataforma financeira completa e integrada, com uma experiência mais simples e eficiente.
“Ao mesmo tempo, a escala e o modelo digital permitem ganhos de eficiência que se traduzem em uma oferta mais acessível”, detalha a Diretora. “Mais do que crescer em número de clientes, o foco do Inter é aprofundar o relacionamento com sua base e aumentar a principalidade”.
No mercado financeiro, o termo principalidade descreve a situação em que a instituição se torna a escolha favorita do cliente, concentrando o maior volume de seus gastos, recebimentos, investimentos e transações diárias.
A Diretora de Clientes do Inter ainda ressalta que a próxima fase de competição no setor financeiro será cada vez mais baseada em personalização, relevância e experiência, e não só na aquisição de clientes.
“Escala sozinha não gera valor”, defende Salles. “A combinação entre tecnologia, integração e experiência é o que sustenta a competitividade do Inter e reforça sua posição como uma plataforma financeira completa”.
Assim, a disputa entre bancos digitais e instituições tradicionais tende a se concentrar cada vez mais na capacidade de oferecer soluções integradas, personalizadas e acessíveis.
Nesse cenário, o Inter aposta na combinação entre tecnologia, diversidade de produtos e conveniência para ampliar o relacionamento com os clientes e consolidar seu ecossistema financeiro.
O fabricante alemão de automóveis Porsche registou, nos três primeiros trimestres, um lucro líquido de 1.815 milhões de euros, dezasseis vezes superior ao do ano anterior (114 milhões de euros), apesar da queda nas vendas.
A Porsche informou hoje que as vendas diminuíram entre janeiro e setembro para 25.282 milhões de euros, menos 5,9% do que no ano anterior, na sequência da queda das entregas para 178.532 unidades, menos 16% do que no mesmo período de 2025.
A empresa, filial do grupo Volkswagen, obteve no mesmo período um resultado operacional de 1.735 milhões de euros, contra os 40 milhões de euros do ano anterior.
A rentabilidade operacional sobre as vendas aumentou nos três primeiros trimestres para 6,9% (0,2% no ano anterior).
O presidente executivo (CEO) da Porsche, Michael Leiters, afirmou que a empresa concentra-se no negócio principal, numa estrutura de custos competitiva e num aumento sustentável da capacidade de geração de lucros.
De acordo com a fabricante, o aumento da rentabilidade operacional sobre as vendas deve-se também ao facto de, no ano passado, a Porsche ter registado despesas no valor de 2.700 milhões de euros decorrentes da reorganização estratégica, uma vez que vai deixar de produzir alguns modelos elétricos.
Nos primeiros nove meses de 2026, estas despesas ascenderam a cerca de 500 milhões de euros.
A Porsche confirmou as previsões para 2026 com um volume de negócios entre 35.000 e 36.000 milhões de euros e uma margem operacional sobre as vendas entre 5,5% e 7,5%.
Especializada nas áreas da iluminação natural, ventilação, desenfumagem, eficiência energética e sustentabilidade dos edifícios, com aplicações sobretudo no setor industrial, a Chatron está a avançar com um investimento de cinco milhões de euros para a construção de uma nova fábrica em Oliveira de Azeméis, para reforçar a capacidade produtiva e industrializar as três novas soluções desenvolvidas num projeto de investigação e desenvolvimento (I&D).
O fundador e CEO Carlos Brandão adianta ao ECO que a operação nesta nova unidade com 1.350 metros quadrados (m2) vai arrancar até ao início do próximo ano e criar 15 postos de trabalho qualificados para “transformar o I&D em capacidade industrial”. Prevê que a inaugural será “suficiente durante dois anos”, mas, a projetar uma futura expansão, já reservou ao lado um lote de 3.000 m2.
Este investimento industrial é o “resultado direto” de projetos de I&D iniciados há dois anos em colaboração com o instituto de investigação Itecons, pertencente à Universidade de Coimbra. Os primeiros dois produtos (AirLight e LightVent) saídos desse projeto vão ser fabricados na unidade oliveirense, onde prevê juntar o “topo de gama” Ecotunnel — “com requisitos muito mais apertados em termos de desempenho técnico, acústico, de inteligência” — no outono de 2027.
“Temos uma expectativa muito grande de que são produtos que vamos também exportar, usando a mesma rede de parceiros do tubo solar”, sublinha o empresário nortenho, licenciado em Engenharia Eletrotécnica pela FEUP (Universidade do Porto), em referência ao principal produto da empresa. Desenvolvidos em 2009 e fabricados em Vale de Cambra, onde atualmente produz mais de 2.500 unidades por ano com 18 trabalhadores, os tubos solares da Chatron são vendidos para mais de 15 países.
Carlos Brandão, CEO da Chatron
Embora também os comercialize para casas, é para as empresas que mais vende estes tubos solares, já instalados em mais de uma centena de indústrias, como as da Nestlé, Corticeira Amorim ou Delta, em supermercados do Continente ou no novo Pavilhão Multiusos de Vila Nova de Gaia. Na Polónia tem vários instalados em lojas da Ikea ou nas fábricas do grupo alimentar Intersnack. Nos Países Baixos, só no ano passado colocou-os em mais de 15 instalações de criação de porcos, ao passo que na Grécia tem um distribuidor mais dedicados a materiais de construção.
Com mais de 60% da produção destinada à exportação, estes são os três mercados externos mais importantes para a empresa detida por Carlos Brandão e pela mulher, que este ano vai ultrapassar os dois milhões de euros de volume de negócios. Com a fábrica em Oliveira de Azeméis e os três novos produtos, o também presidente da Associação Empresarial de Vale de Cambra e Arouca aponta ao objetivo de atingir os cinco milhões de euros de faturação daqui a três anos.
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O “grande salto” no negócio, mas que pode tardar cinco anos, será a entrada nos EUA, para que diz estar a ser “muito desafiado”. “Estamos aqui na corda bamba, mas não está ainda a decorrer por causa do Trump. Os produtos têm de ser todos certificados e homologados – temos isso para a Europa e muitos dão para o resto do mundo, mas os EUA são uma realidade à parte. Precisamos de tempo porque é preciso repetir lá alguns ensaios”, explica. Só para isso, o investimento pode ascender a 200 mil euros, além de obrigar a ter uma equipa local “bem preparada”.
Brandão chateia-se com “incómodos” fundos
O “primeiro patrão” de Carlos Brandão foi o histórico empresário Ludgero Marques, que presidiu à Associação Empresarial de Portugal (AEP) durante 23 anos e que morreu no final de agosto aos 88 anos. Trabalhou na fabricante de torneiras e de cerâmica Cifial durante três anos até passar para uma empresa de climatização para ganhar experiência nessa área. Foi nesse ramo que montou a empresa em 1998 e depois lhe mudou “um bocado o rumo, porque andava a instalar produtos de outros e queria trilhar um caminho próprio”.
Volvidas quase três décadas, mantendo a sede em Arouca de onde é originário e “onde tudo começou”, mas desde há pouco mais um ano ‘arrumada’ no chamado Grupo MercuryVision, a Chatron está a ser “muito assediados por fundos”. “A pressão é muito grande, mas não estamos muito interessados nesta fase porque temos um potencial grande para crescer e podem querer entrar por verem que a empresa é lucrativa e quererem tirar retorno a curto prazo — e não queremos isso”, indica.
Cheguei a um ponto em que me chateei mesmo. São incómodos. Acho que o dinheiro está fora dos bancos e anda para aí nos fundos, que andam a ver onde é que há potencial de lucro e fazem demasiada pressão. Para já, vou resistir.
“Já tive várias reuniões, mas cheguei a um ponto em que me chateei mesmo. São incómodos. Já disse ‘não’ e eles insistem, mandam cartas… Não sei o que está a acontecer. Acho que o dinheiro está fora dos bancos e anda para aí nos fundos, que andam a ver onde é que há potencial de lucro e fazem demasiada pressão”, desabafa. “Para já, vou resistir. Se não tivesse os filhos, se calhar metia muito dinheiro ao saco e partia para outra [risos]. Mas também tenho o bichinho de fazer coisas novas. Dá-me gozo. Se não desse, também já não estava aqui”, completa.
Dos quatro filhos, dois trabalham no grupo familiar: um engenheiro eletrotécnico há três anos; e uma economista que entrou agora para ajudar a desenvolver precisamente esta unidade de Oliveira de Azeméis, após trabalhar numa multinacional. Em agosto, numa publicação feita no LinkedIn com o título “Nem todas as empresas estão à venda”, já tinha expressado o incómodo pela “frequência e, por vezes, agressividade com que empresários são abordados por investidores, intermediários ou representantes de fundos interessados em entrar no capital das suas empresas”.
“O problema começa quando uma abordagem deixa de ser uma proposta e passa a ser pressão. Emails sucessivos, telefonemas insistentes, pedidos de reunião repetidos, tentativas de obter uma resposta como se o empresário tivesse obrigação de explicar porque não está interessado. E não tem. Uma empresa não está à venda apenas porque alguém decidiu que gostaria de a comprar”, escreveu Carlos Brandão nesta rede social.
Aqui para nós e o povo do mercado financeiro: Ninguém do mercado financeiro apostava R$1 na vitória de Lula, embora Luciana Chong, do Datafolha, e Felipe Nunes, da Quest, tenham preventivamente colocado nas explicações dos números das suas pesquisas da semana passada que havia uma chance para Lula se ele conseguisse reduzir a abstenção no Nordeste e aumentá-la nas demais regiões. Mas advertindo que tratava-se de um cenário remoto.
Isso explica a surpresa dos operadores econômicos, do mercado financeiro e analistas das consultorias que detêm o mando de bilhões de reais em aplicações nesta segunda-feira (26).
Confiança e erro
Pode-se dizer que havia uma confiança tão firme na vitória de Flávio Bolsonaro que a surpresa só foi percebida depois das duas horas que os ministros do STF e do TSE concederam de prazo para a votação. Portanto, o setor financeiro e empresarial acordou de ressaca e mal-humorado ante a virada de Lula.
Operadores do mercado especulam, apostam em tendências e cheiram oportunidades. Mas são pessoas que leem pesquisas e interpretam tendências. O problema é que pesquisa eleitoral é estatística e eleição é matemática.
Presidente Lula da Silva discursa após vitória nas eleições de 2026, no hotel Intercontinental. - Paulo Pinto/Agência Brasil
Dolar explode
Isso explica os eventos da manhã de ontem, com o dólar comercial abrindo em forte alta, de 8,65% para R$ 5,42, e a Bolsa de Valores de São Paulo precisando ser interrompida após o Ibovespa, principal índice, cair mais de 10%, acionando o circuit breaker, mecanismo dos mercados financeiros que paralisa as negociações em momentos de variações muito bruscas. Às 13h, a B3 operava em queda de 14% e fechou o dia com 13,88%.
E como consequência, o governo precisou agir para parar a sensação de “Ai meu Deus!” do mercado, com o Tesouro Nacional intervindo e recomprando 7,067 bilhões em títulos prefixados (NTN-F) num leilão que fez as taxas de juros nos contratos privados recuarem.
Mercado de câmbio
Na outra ponta, o Banco Central entrou no mercado de câmbio, em leilões de swap cambial, numa operação que, na prática, injetou US$ 3,75 bilhões no mercado futuro de dólares. Isso cortou a alta do dólar, que perdeu fôlego, de modo que, às 12h30, a moeda americana era cotada a R$ 5,41, ainda embutindo uma alta de 8,42%.
Numa linguagem de ambulância do SAMU, é como atender um paciente que entra em colapso nervoso ou tem um quadro de pré-infarto, em que o médico socorrista precisa fazer manobras rápidas para entregar o paciente estabilizado na emergência de um hospital mais próximo.
Prevendo a crise
Isso mostra que o governo, depois do susto da vitória, sabia que a crise viria; que o mercado abriria explodindo e que, como recomendam os manuais de energia, tinha de seguir o protocolo. Ao final do dia, a B3 fechou em queda, o dólar em R$ e as compras de títulos prefixados (NTN-F) fechadas.
Mais por falta de informações sobre a equipe econômica a ser escolhida do que por outro motivo plausível. Até porque após o fechamento das urnas, as mesas de operação de grandes bancos e corretoras se preparam para um dia de fortes ajustes na Bolsa e no câmbio nesta segunda-feira.
Na Constituição
Mas o paciente não está de alta. Na verdade, ainda usando a linguagem do SUS, ele está apenas dando entrada na emergência, o que explica a declaração do ministro da Fazenda, Dario Durigan, de que ainda este ano se deve promover uma mudança na lei ou mesmo na Constituição para buscar o centro da meta fiscal.
Segundo ele, o governo debate se é possível ou não fazer mais ou menos contingenciamentos (contenção preventiva de despesas) por causa da obrigação de executar o Orçamento admitindo alterações para buscar o centro da meta.
Estouro no OGE
Pode ser. Mas o presidente e candidato à reeleição, Lula da Silva (PT), durante a campanha eleitoral estourou em R$ 39,8 bilhões o Orçamento de 2027 que ele mesmo mandou. Ou seja: a equipe terá de (re)negociar os valores com o Congresso Nacional se quiser manter as benesses.
O problema é que notícia ruim nunca vem desacompanhada. Ontem pela manhã, o Risco-Brasil (que mede a percepção dos investidores sobre o risco de investir no país) registrava alta de quase 27%, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Mudança de taxas
Normalmente, quando um presidente é eleito, a tradição é que a expectativa de mudança baixe as taxas. Mas a histórica vitória de Lula teve efeito contrário.
E tem as coisas que só terão efeito em 2027. Por exemplo. A mudança que diminui a arrecadação da União em 1,57 bilhão no ano que vem pelo aumento do teto do MEI. E tem ainda o custo do perdão das dívidas, e o PIX de R$ 5 MIL também dependerá de propostas legislativas.
O caso do perdão das dívidas do MEI é interessante porque significa uma renúncia fiscal de R$ 12 bilhões. Não tem um efeito de ter que pagar. Mas o perdão é uma perda de arrecadação. Tanto que a Receita Federal chama isso de custos tributários.
Orçamento 2027
Ontem, os ministros e assessores do governo passaram o dia tentando mostrar que o governo vai perseguir a meta fiscal de 2027, que é de 0,50% do PIB, equivalente a R$ 73,2 bilhões, embora o limite de tolerância inferior positivo possa ser de R$ 36,6 bilhões.
E como o orçamento enviado ao Congresso em agosto, com a previsão de superávit de R$ 83,4 bilhões em 2027, considerando todos os gastos, o superávit previsto caía para apenas R$ 18,6 bilhões. No fundo, Lula teve um enorme sucesso em convencer os eleitores a lhe dar um novo mandato. Agora a missão de sua equipe econômica é convencer o mercado de que vai mirar o centro da meta fiscal para conter gastos. A conferir.
Suape oferece terreno ao mercado. - Divulgação
Terreno de Suape
O Complexo Industrial Portuário de Suape dá mais um passo na estratégia de desenvolvimento de novos negócios e atração de investimentos privados com a abertura de consulta pública para o projeto de arrendamento da área SUA08, destinada à movimentação e armazenagem de cargas.
Com aproximadamente 51 mil metros quadrados e investimentos estimados em R$1,4 bilhão, a iniciativa integra as ações de fortalecimento da infraestrutura logística e portuária de Pernambuco. Como parte dessa etapa preparatória para a futura licitação, a estatal realizará audiência pública nesta terça-feira (27), às 14h, em formato híbrido, no auditório do Centro Administrativo, localizado em Ipojuca.
Os documentos e as orientações para participação e envio de contribuições estão disponíveis em: https://www.suape.pe.gov.br/pt/licitacoes-2/consulta-e-audiencia-publicas-n-01-2026-sua08
Custo de trabalho
Pesquisa nacional da Abrasel com 1.838 empresários de todas as unidades da federação, 94,3% dos estabelecimentos com empregados CLT. Os dados da RAIS 2025 confirmam o retrato. Quando o limite chegar a 40 horas, a mudança vai alcançar 1,55 milhões de vínculos, ou 88,7% do total.
Hoje só 11,3% dos empregados formais do setor trabalham até 40 horas. A conta das horas mostra o peso na operação. Só o corte de quatro horas semanais nos vínculos de 44 horas ou mais tira do setor pelo menos 5,9 milhões de horas de trabalho por semana.
Finanças no NERD
As transformações do mercado financeiro e o avanço das soluções digitais estarão entre os temas do Mapas do Amanhã, na próxima quinta-feira, dia 29, no NERD, do Porto Digital, no Recife Antigo. A programação prevê uma apresentação do Instituto Brasileiro de Finanças Digitais (IFD), com Rodrigo de Abreu Pinto. O encontro será no NERD, no Porto Digital, e integra a iniciativa do IBEF-PE para debater tendências e perspectivas para o futuro dos negócios. A entrada é gratuita.
REC’n’Play 2026: a inovação toma conta do Recife Antigo - Divulgação
REC'n'Play
Entre os dias 11 e 14 de novembro, o Bairro do Recife recebe o REC'n'Play 2026, realizado pelo Porto Digital e Sebrae Pernambuco, transformando a região histórica no maior campus urbano e gratuito de tecnologia, empreendedorismo e economia criativa do país. Guiada pelo tema "O Futuro Nasce Aqui", a 8ª edição do Festival convida para uma imersão nas tendências que moldam o amanhã.
Inadimplência
O Brasil chegou a julho de 2026 com 83,9 milhões de pessoas inadimplentes e 348,3 milhões de dívidas em aberto, totalizando R$ 586,4 bilhões. Os dados são do Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa. No mesmo período, uma pesquisa da instituição em parceria com o Instituto Opinion Box revelou que 50% dos brasileiros gastaram mais do que planejavam nos primeiros seis meses do ano.
A Whirlpool, detentora de marcas como Brastemp, Cônsul e KitchenAid, registrou um prejuízo de US$ 237 milhões no terceiro trimestre de 2026, com um prejuízo por ação de US$ 0,21, bem abaixo da projeção dos analistas da FactSet, de ganhos de US$ 0,73.
Segundo analistas da Dow Jones Newswires, as altas taxas de juros continuam a suprimir as vendas de imóveis, enquanto a inflação e a guerra no Irã deixam os consumidores pouco inclinados em gastar em itens de alto valor.
No terceiro trimestre, a Whirlpool reportou vendas líquidas de US$ 3,7 bilhões – abaixo da expectativa de US$ 3,9 bilhões dos analistas e aquém dos US$ 4 bilhões do mesmo período do ano anterior.
A fabricante de eletrodomésticos em dificuldades anunciou nesta segunda-feira que espera uma perda anual de US$ 1,30 por ação. A empresa tem reduzido constantemente seu guidance anual desde janeiro, quando previu ganhos ajustados de US$ 7 por ação.
As vendas na América do Norte continuam a cair. A empresa relatou uma queda de 8,3% nas vendas líquidas do terceiro trimestre em seu segmento de grandes eletrodomésticos na América do Norte, alimentando uma queda mais ampla de 8,8% nas vendas em toda a companhia.
A Whirlpool tem recorrido a aumentos de preços para expandir suas margens e compensar a fraqueza da demanda que afetou suas ações este ano. “Nossa redução de custos estruturais e a realização de preços impulsionaram o progresso consecutivo das margens até o terceiro trimestre”, diz o CEO Marc Bitzer.
“Embora o ritmo de recuperação seja mais lento do que o esperado, essas ações estão estabelecendo um caminho claro para melhorias adicionais em 2027”.
Às 17h43 (de Brasília), as ações da Whirlpool tombavam 8,62% no after hours de Nova York.
Pode um livro aproximar as crianças do golfe? Sara Rodi e Madalena Costa Macedo, da Federação Portuguesa de Golfe, falam sobre como despertar o interesse dos mais novos sobre a modalidade.