O Bloco de Esquerda (BE) exige ao Governo e à Reitoria da Universidade do Minho “respostas concretas” para resolver a degradação das instalações da instituição, com particular incidência no campus de Gualtar, em Braga.
O partido apela que se crie um “plano urgente de reabilitação das infraestruturas, financiamento público adequado e medidas que garantam residências universitárias dignas, seguras e economicamente acessíveis”.
“É igualmente fundamental assegurar a acessibilidade de todos os espaços e a transparência quanto às intervenções previstas e aos respetivos prazos”, acrescenta.
O BE lembra que mais de mil estudantes da UMinho denunciaram publicamente a degradação das instalações da instituição, nomeadamente infiltrações, tetos falsos deteriorados, humidade persistente, equipamentos em risco de queda, instalações sanitárias inoperacionais e falhas de acessibilidade, no campus de Braga.
“Uma realidade inaceitável numa instituição pública de ensino superior, que compromete a segurança, o bem-estar e as condições de aprendizagem da comunidade académica”, frisa o BE, que enviou ontem um conjunto de questões ao Governo, por intermédio do deputado Fabian Figueiredo.
Para o BE, a situação torna-se “ainda mais grave perante os aumentos das mensalidades das residências universitárias dos Serviços de Ação Social da Universidade do Minho (SASUM), que, em alguns casos, ultrapassaram os 60%”.
“É inaceitável exigir aos estudantes que paguem mais por alojamentos que não garantem condições dignas. Num contexto de crise habitacional e de dificuldades económicas crescentes, estes aumentos agravam as desigualdades e colocam mais obstáculos ao acesso e à permanência no ensino superior”, refere.
Para o Bloco de Esquerda, esta realidade “não pode ser dissociada do subfinanciamento crónico do ensino superior público, que tem contribuído para o adiamento de obras essenciais de conservação e reabilitação”.
“O Governo não pode continuar a ignorar os problemas estruturais das instituições, nem transferir para os estudantes os custos de uma falta de investimento que compromete os seus direitos (…) Os estudantes não podem continuar a pagar a fatura do subfinanciamento do ensino superior. Garantir condições dignas para estudar e viver não é um luxo: é uma responsabilidade pública e uma condição essencial para um ensino superior verdadeiramente inclusivo e acessível a todos”, conclui.
Ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no último domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quebrou um paradigma: tornou-se o primeiro candidato ao Planalto a terminar o primeiro turno da eleição atrás de seu adversário e, ainda assim, superá-lo na segunda rodada do pleito.
Lula garantiu um inédito quarto mandato como presidente ao receber 64.256.232 de votos (51,79% dos válidos). Ao mesmo tempo, seu oponente obteve 59.826.041 (48,21% dos válidos). Na primeira etapa da eleição, no entanto, Flávio havia conquistado 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula.
Para especialistas ouvidos pela CNN Brasil, o triunfo de Lula é resultado de uma mobilização civil há muito tempo não vista no campo progressista no país.
De acordo com o cientista político Rafael Cortez, em alguma medida, “a esquerda, quando encontrou a melhor maneira de se organizar, ou lidar com redes sociais e o potencial de mobilização que tem, conseguiu se mobilizar e ir para as ruas depois de um longo período em que as ruas pareciam não ser mais domínio progressista no Brasil“.
A reeleição do petista vai na contramão do que acontece na América do Sul, que elegeu nomes da direita como Javier Milei, na Argentina, Santiago Peña, no Paraguai, e Rodrigo Paz, na Bolívia. Ainda segundo Cortez, por essas razões, a vitória de Lula “ultrapassa as fronteiras internacionais“.
“Isso tem a ver com esse problema em comum que as democracias contemporâneas e o setor progressista, em particular, estão enfrentando, e além do fato da vitória do Lula representar uma resistência ao trumpismo, sobretudo pensando no contexto da América do Sul e América Latina“, explica.
O cientista político Mauricio Santoro, colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha, corrobora a ideia no que diz respeito ao impacto internacional da eleição brasileira: “Diante de uma crise global da democracia, o Brasil foi um dos poucos países em que a extrema-direita foi derrotada nas urnas”.
“Neste ano, isso só aconteceu na Hungria e na Sérvia, mas que não têm a mesma expressão política e econômica do Brasil, que é uma das dez maiores economias do mundo“, emendou.
A partir das proporções que tomaram os atos públicos e manifestações realizadas no Brasil em prol de Lula e do ineditismo da virada, líderes políticos internacionais passaram a adotar o sinal do “L”, feito com as mãos e utilizado por manifestantes e eleitores para demonstrar apoio ao candidato petista.
A catalã Ada Colau, ex-prefeita de Barcelona e ativista social, compartilhou nas redes sociais, pouco depois do resultado do segundo turno, um vídeo em que pede para que apoiadores “façam o L”.
Em ato na cidade espanhola, ela declarou: “Vamos levantar o braço com o L de Lula, pela esperança, Palestina livre, por Lula no Brasil, pela esperança e pela Frente Ampla no dia 29 de novembro. Vamos ganhar, companheiras!”.
Na avaliação do professor de Relações Internacionais da ESPM Gunther Rudtiz, “o gesto de ‘fazer o L’ ultrapassou seu significado original de apoio a Lula e começou a funcionar como um símbolo de identificação política internacional. Entretanto, mais importante que o símbolo, é a experiência de mobilização eleitoral brasileira”.
“A campanha mostrou a capacidade de combinar mobilização da sociedade civil, manifestações de rua e utilização intensiva das redes sociais para ampliar o engajamento político. Essa combinação despertou interesse de movimentos europeus que enfrentam desafios eleitorais semelhantes, especialmente na Espanha e na França“, completou.
O presidente francês, Emmanuel Macron, seguiu os passos do colega espanhol: “A França e o Brasil têm muito a construir juntos. Diante dos grandes desafios do nosso tempo, reforcemos nossa parceria estratégica e façamos viver a amizade entre nossos dois países a serviço de um mundo mais justo“, registrou.
Toutes mes félicitations @LulaOficial pour ta réélection. La France et le Brésil ont beaucoup à construire ensemble. Face aux grands défis de notre temps, renforçons notre partenariat stratégique et faisons vivre l’amitié entre nos deux pays au service d’un monde plus juste.
Gunther ressalta também a dimensão do papel do Brasil no contexto global: “Estamos falando de uma das maiores democracias do mundo, e o resultado de uma eleição presidencial brasileira tem repercussões que ultrapassam a América Latina. A vitória de Lula ganha ainda mais significado por ocorrer em um contexto internacional de crescente polarização política“.
No entanto, ele ressalta que “cada país tem suas próprias condições políticas, econômicas e sociais”.
“O que o resultado brasileiro oferece, neste momento, é uma referência política e uma experiência de mobilização que outros movimentos podem tentar adaptar às suas realidades“, concluiu.
Ninguém foi eleito para Belém, para a Assembleia da República e para o poder local para ser complacente com a revolução contra a democracia parlamentar.
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