Onze anos após uma emboscada contra torcedores do Palmeiras na zona Leste de São Paulo, três integrantes da Torcida Jovem do Santos foram condenados a 21 anos e 4 meses de prisão cada um pela morte de Claudio Fernando de Morais e a tentativa de homicídio de outro torcedor. A sentença foi proferida pelo Tribunal do Júri nesta terça-feira (27).
O crime ocorreu em 26 de abril de 2015, na estação Jardim Romano da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), no Itaim Paulista, após a vitória do Palmeiras sobre o Santos por 1 a 0, em partida válida pela final do Campeonato Paulista.
Segundo o Ministério Público, os réus agiram por motivo fútil, com emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas.
Na sentença, a juíza Marcia Oshiro destacou que, embora os crimes tenham ocorrido no mesmo local e em um intervalo de tempo próximo, os acusados praticaram ações distintas contra as vítimas, com intenções independentes.
Para a magistrada, restou evidente que os “acusados não agiram amparados em um mesmo impulso criminoso, mas, sim, em reiterado e distinto ato, o que evidencia frieza e intenção”.
Com a decisão desta terça-feira, cinco dos denunciados pelo ataque já foram condenados. Outros dois tinham sido julgados e sentenciados em 2025 pelo mesmo homicídio consumado e pela tentativa de homicídio.
Em 26 de abril de 2015, Claudio Fernando de Morais voltava do jogo entre Palmeiras e Santos acompanhado da namorada e de um amigo. Após a partida, os três foram vítimas de uma emboscada na estação Jardim Romano da CPTM, na zona Leste de São Paulo.
Segundo as investigações, os integrantes da Torcida Jovem do Santos aguardaram os torcedores palmeirenses nas proximidades da estação e os atacaram com socos, chutes e golpes de barras de ferro.
Claudio foi socorrido, mas morreu no hospital em decorrência dos ferimentos. O amigo dele também foi agredido, mas sobreviveu e conseguiu deixar o local acompanhado da namorada da vítima.
O MPT (Ministério Público do Trabalho) instaurou um inquérito civil para apurar denúncias de assédio moral, cobranças abusivas e pressão psicológica contra policiais penais da Penitenciária III de Serra Azul (Penitenciária ASP Sandro Alves da Silva), no interior de São Paulo.
A SAP (Secretaria da Administração Penitenciária), responsável pela coordenação das unidades prisionais paulistas, é investigada por possível abuso do poder hierárquico, bem como desrespeito aos limites do poder diretivo e afronta aos direitos e garantias fundamentais dos trabalhadores.
A abertura do inquérito foi determinada em 23 de janeiro deste ano pelo procurador do Trabalho Élisson Miessa dos Santos, da Procuradoria do Trabalho em Ribeirão Preto. Segundo o MPT, o processo foi originado a partir de uma denúncia feita por um policial penal da própria unidade, que pediu sigilo de identidade.
Assédio moral, ameaças veladas e abuso de limites
A denúncia do policial penal citada pelo Ministério Público do Trabalho aponta um “quadro de sofrimento no trabalho”. De acordo com o relato, a situação atinge mais de um servidor.
O agente penal afirmou que o ambiente de trabalho na Penitenciária III Serra Azul é caracterizado por cobranças excessivas, metas incompatíveis com a capacidade humana e com a estrutura disponível, além de exigências constantes fora do horário regular de expediente.
O relato ainda cita cobranças abusivas, ameaças veladas, exposição constrangedora e desconsideração dos limites físicos e emocionais dos servidores por parte da coordenadoria.
Segundo o policial, os assédios oriundos dos coordenadores acontecem com certa frequência e não apenas como “episódio isolado”. O homem denunciou ainda que o efeito dessas cobranças resulta em um estresse intenso dos servidores, além de casos de ansiedade, insônia e outros sintomas ligados ao adoecimento mental.
Abuso do poder hierárquico
Para o MPT, em apreciação prévia que fundamentou a abertura do inquérito, a situação enquadra-se como abuso do poder hierárquico.
O procurador Élisson Miessa dos Santos descreve que esse abuso ocorre quando o empregador desrespeita os limites do poder diretivo e afronta direitos e garantias fundamentais dos trabalhadores, expedindo determinações ilícitas ou imorais, aplicando punições que violam a dignidade da pessoa humana ou impondo qualquer penalidade não prevista em lei.
Segundo o documento de apreciação, “a humilhação repetitiva e de longa duração interfere na vida do trabalhador de modo direto, comprometendo sua identidade, dignidade e relações afetivas e sociais, podendo ocasionar graves danos à saúde física e mental, que podem evoluir para a incapacidade laborativa, desemprego ou mesmo levar à morte”.
Determinação do MPT
No âmbito da decisão que instaurou a investigação, o procurador ainda determinou a notificação da SAP e deu prazo de 10 dias para se manifestar sobre as irregularidades e para apresentar a relação nominal e descritiva de todos os servidores da Penitenciária III de Serra Azul que exercem o cargo de policial penal, com endereços, telefones e e-mails.
Além disso, o MPT também solicitou ao Sinppenal (Sindicato da Polícia Penal de São Paulo) informações sobre a unidade e questionou se a organização tinha algum conhecimento sobre os acontecimentos relatados.
Ao MPT, o Sinppenal afirmou que tem “amplo conhecimento da situação relatada” e que, para além disso, o quadro descrito retrata um problema recorrente em todo o sistema prisional paulista: cobranças excessivas, metas incompatíveis com a capacidade humana e com a estrutura disponível, exigências fora do horário de expediente, ameaças veladas e exposição constrangedora dos servidores.
O Sinppenal informou, no entanto, que está impedida de acompanhar de perto o que acontece nas unidades porque o sindicato foi formalmente proibido de fiscalizar as unidades prisionais, por determinação expressa do secretário da SAP.
Em razão da determinação superior, o sindicato ajuizou uma ação judicial contra a SAP por prática de ação antissindical. Segundo a entidade, a ação visa garantir o livre exercício da atividade sindical, incluindo a fiscalização das unidades, com base no artigo 8º da Constituição Federal, nos artigos 500 a 502 da CLT e na Convenção nº 135 da Organização Internacional do Trabalho.
Segundo o MPT, o sindicato pediu, diante da situação, que a promotoria considere no procedimento a existência de um obstáculo institucional imposto pelo próprio ente investigado, que se recusa a permitir o acesso sindical às unidades e, com isso, dificulta a produção de provas diretas e documentais.
O que diz a SAP
À CNN Brasil, a SAP informou que a Corregedoria Geral da Polícia Penal recebeu a documentação do Ministério Público do Trabalho e abriu Procedimento de Apuração Preliminar, que segue em andamento para apuração de eventuais condutas abusivas.
Segundo a Administração Penintenciária, se comprovado irregularidades, “a pasta tomará as medidas cabíveis”.
O Ministério Público do Paraná deflagrou, nesta quarta-feira (28), a segunda fase da Operação Umbra, que mira um esquema do PCC (Primeiro Comando da Capital) investigado por distribuir drogas em troca de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que buscava flexibilizar as regras para visitas íntimas em presídios.
Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e oito mandados de busca e apreensão em Londrina, Cambé, Cascavel e Piraquara, no Paraná, além de Avaré e Marília, no estado de São Paulo.
A Justiça também autorizou buscas pessoais e domiciliares, inclusive nas unidades prisionais onde estão detidos alguns dos investigados. Segundo o órgão, as buscas visam apreender aparelhos celulares, drogas, armas, dinheiro em espécie e documentos relacionados às atividades ilícitas.
A ação desta manhã é coordenada pelo Núcleo Regional de Londrina do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
Tráfico de drogas e controle regional
Segundo as investigações, o grupo atuava nos municípios abrangidos pelo código de área telefônico DDD 43, no Norte do Paraná, sobretudo em atividades ligadas ao tráfico de drogas, comércio de armas de fogo e ao controle disciplinar dos membros da organização.
Os investigadores apontaram que a estrutura do PCC regional era comandada por dois irmãos, que ocupavam posições de liderança mas com funções distintas.
Um deles é indicado por exercer a função denominada de “Geral da Região 43”, responsável pela disciplina dos integrantes, pela intermediação de ordens da cúpula da facção, pela autorização ou pelo veto de punições e transferências internas e pela gestão da estrutura regional.
Já o outro irmão ocupava o cargo de “Final 100% do Estado do Paraná”, responsável pela supervisão financeira e operacional das atividades ilícitas no estado. Segundo o MP, ele também atuaria na coordenação do comércio de drogas a partir da zona Sul de Londrina.
Os demais investigados exerceriam funções específicas na estrutura criminosa, incluindo a contabilidade da organização, a coordenação de pontos de venda de drogas, a gestão do chamado “tribunal do crime” e a negociação de armas de fogo de grosso calibre, inclusive fuzis.
Drogas em troca de assinaturas de projeto de lei
Segundo o Ministério Público, um dos principais pontos identificados durante a investigação foi a organização de uma campanha de coleta de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que buscava flexibilizar as regras para visitas íntimas e conjugais em estabelecimentos prisionais.
As investigações apontaram que a iniciativa era promovida pelo PCC em Londrina e região com o objetivo de pressionar o sistema prisional. De acordo com a promotoria, mensagens apreendidas ao longo das apurações indicavam a meta de obter 290 mil assinaturas em todo o país.
Para incentivar a participação, a ramificação da facção no Paraná distribuía porções de drogas a pessoas que apresentassem assinaturas coletadas.
Segundo os investigadores, os entorpecentes eram fornecidos pelos responsáveis pelos pontos de tráfico, conhecidos como “donos de quebradas”. A prática, conforme o MP, era chamada internamente de “trabalho de revertimento”.
Além disso, a apreensão de planilhas e registros durante a investigação levaram os investigadores a identificarem a quantidade de drogas disponibilizada por cada ponto de venda e sua correspondência com o número de assinaturas obtidas. Em um dos registros, cada grama de cocaína equivalia a oito assinaturas.
Atuação nos presídios
Ainda de acordo com as investigações, alguns dos suspeitos de envolvimento no esquema já estavam presos em unidades do sistema penitenciário do Paraná e de São Paulo, mas continuavam exercendo funções na organização criminosa.
Mesmo detidos, as apuração indicam que eles –– supostamente –– repassavam orientações, negociavam armamentos e administravam o fluxo de drogas. Para mascarar a ação e dificultar a identificação da polícia, o grupo utilizava linhas telefônicas registradas em nome de terceiros.
Os suspeitos investigados no âmbito da Operação Umbra poderão responder pelos crimes de favorecimento ao domínio social estruturado e tráfico de drogas.
Alvos já eram investigados por duplo homicídio
Segundo investigação do Gaeco, há indícios de possível participação de dois dos investigados em um duplo homicídio ocorrido em 2024, em Rolândia, no Norte do Paraná.
O material reunido aponta que o crime teria sido cometido em nome da facção contra um homem que seria integrante de um grupo rival. Na ação, uma criança também foi morta.
O Ministério Público afirmou que um dos investigados apontados nesse contexto teria fugido para o Paraguai e é considerado foragido da Justiça.
A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, nesta quarta-feira (28), uma operação contra um grupo suspeito de arrecadar quase R$ 10 milhões com falsas campanhas de doação na internet. Para atrair doadores, os alvos usavam vídeos criados com inteligência artificial que reproduziam imagens de Gusttavo Lima e dos padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo.
A ação cumpre seis mandados de prisão preventiva, além de mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo. A Justiça também determinou o bloqueio de ativos financeiros e patrimoniais. Até o momento, cinco investigados foram presos.
Segundo a polícia, dois suspeitos foram localizados em Planaltina (DF), um em Planaltina de Goiás (GO), um em Uberlândia (MG) e outro em Joinville (SC).
A operação também resultou na apreensão de veículos de luxo e na identificação de ativos em criptomoedas avaliados em aproximadamente US$ 400 mil, o equivalente a R$ 2,14 milhões, conforme a cotação desta quarta-feira.
Uso de deepfakes para atrair doadores
Segundo a Polícia Civil, o grupo criava e divulgava páginas falsas de arrecadação de doações, utilizando imagens de idosos, crianças e pessoas com doenças graves para gerar comoção e induzir as vítimas a realizar transferências financeiras.
Para ampliar o alcance das campanhas e atrair mais pessoas, os investigados recorriam a ferramentas de inteligência artificial, incluindo as chamadas ‘deepfakes’, para criar vídeos falsos com imagens de personalidades públicas, como Gusttavo Lima e os padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo.
Os conteúdos também incluíam representações religiosas, entre elas imagens de Jesus Cristo, de acordo com as investigações.
As publicações circulavam nas redes sociais e direcionavam os usuários a páginas que simulavam campanhas beneficentes legítimas. Os valores arrecadados, porém, eram transferidos para contas bancárias controladas pelo grupo.
Mais de 215 mil transações em 45 dias
As apurações mostraram que, entre 13 de outubro e 26 de novembro de 2025, uma única empresa vinculada à organização recebeu 215.575 transações, que totalizaram mais de R$ 9.8 milhões.
Segundo a polícia, os pagamentos eram, majoritariamente, de pequenos valores, especialmente R$ 30 e R$ 50. O padrão aplicado pelo grupo sugere um número expressivo de vítimas em diferentes regiões do país, ainda que a soma de transações não corresponda necessariamente ao número de pessoas afetadas.
Ainda de acordo com as investigações, o grupo mantinha uma estrutura criminosa organizada com divisão de tarefas. Os investigados trabalhavam no desenvolvimento tecnológico das fraudes, na administração de redes sociais, na formalização de empresas e na movimentação e dispersão dos recursos financeiros.
Fraudes eletrônicas
A análise de contas eletrônicas também revelou mais de 230 GB de arquivos, incluindo vídeos, imagens, roteiros, códigos de programação, bancos de dados e materiais destinados à produção de novas campanhas fraudulentas. Segundo a polícia, em uma única conta, os investigadores encontraram mais de 210 GB de conteúdo.
No Distrito Federal, cruzamentos de informações identificaram 66 registros de ocorrência envolvendo empresas apontadas como destinatárias de valores relacionados a fraudes eletrônicas. Entre os casos mencionados pela investigação estão golpes de falsas compras, boletos fraudulentos e investimentos fictícios.
Os investigados poderão responder por estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, entre outros crimes que venham a ser identificados no decorrer da apuração.
A PF (Polícia Federal) deflagrou, nesta quarta-feira (28), uma operação para desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudar a concessão do Seguro Defeso a pescadores artesanais no Maranhão. Segundo as investigações, o esquema poderia causar um prejuízo de R$ 10 bilhões aos cofres públicos em cinco anos.
A ação, que conta com o apoio da CGU (Controladoria-Geral da União), mobiliza cerca de 160 policiais federais e cumpre 35 mandados de busca e apreensão em 16 municípios maranhenses.
Durante a operação, dois agentes públicos foram afastados cautelarmente por suspeita de envolvimento no esquema.
A Justiça também determinou 17 medidas cautelares diversas da prisão, com o objetivo de interromper a atuação do grupo e preservar a instrução processual.
Além disso, foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 400 milhões em bens e valores dos investigados, para garantir o eventual ressarcimento dos danos aos cofres públicos e impedir a ocultação ou a dissipação de patrimônio supostamente proveniente das atividades criminosas.
Fraude em concessão de seguro
Segundo a PF, o esquema consistia em fraudes envolvendo a concessão indevida do Seguro Defeso, que assegura renda aos pescadores artesanais durante o período em que a atividade pesqueira é legalmente interrompida.
As investigações apontaram que o grupo praticava as fraudes mediante a inserção de informações falsas em sistemas governamentais, utilização de documentos fraudulentos e possível participação de agentes públicos e particulares.
Provas e análises realizadas até o momento indicaram que a atuação da organização criminosa poderia causar um prejuízo de aproximadamente R$ 10 bilhões aos cofres públicos em cinco anos.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário, inserção de dados falsos em sistema informatizado da Administração Pública, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Durante o cumprimento das buscas, os agentes apreenderam veículos de alto valor, armas, documentos e telefones celulares.
Veja imagens da ação:
1 de 5
Ação mira organização criminosa suspeita de fraudar a concessão do benefício do Seguro Defeso, que assegura renda aos pescadores artesanais • Divulgação/PF-MA
2 de 5
Ação mira organização criminosa suspeita de fraudar a concessão do benefício do Seguro Defeso, que assegura renda aos pescadores artesanais • Divulgação/PF-MA
3 de 5
Ação mira organização criminosa suspeita de fraudar a concessão do benefício do Seguro Defeso, que assegura renda aos pescadores artesanais • Divulgação/PF-MA
4 de 5
Ação mira organização criminosa suspeita de fraudar a concessão do benefício do Seguro Defeso, que assegura renda aos pescadores artesanais • Divulgação/PF-MA
5 de 5
Ação mira organização criminosa suspeita de fraudar a concessão do benefício do Seguro Defeso, que assegura renda aos pescadores artesanais • Divulgação/PF-MA
A Polícia Federal informou que as investigações prosseguem com a análise do material apreendido e o aprofundamento das diligências, para identificar outros envolvidos, impedir a extensão da atuação criminosa e definir com precisão os prejuízos causados ao erário.
A Justiça de São Paulo condenou o caseiro Paulo Henrique Vieira, acusado pelo latrocínio e ocultação de cadáver da idosa Dagmar Grimm Streger, de 76 anos, a 26 anos de reclusão em regime inicial fechado. A sentença foi proferida na última sexta-feira (23), pela 3ª Vara Criminal da Comarca de Bauru.
O corpo da vítima foi encontrado em um poço desativado dentro de uma propriedade na Estrada Municipal Murilo Vilaça Maringoni, em Bauru, no interior do estado.
Segundo a decisão, obtida pela CNN Brasil, Paulo aproveitou a proximidade com Dagmar –– que lhe oferecia trabalho, moradia e ajuda financeira ––, para roubar os bens da vítima, incluindo uma caminhonete, televisor e um botijão de gás.
A investigação aponta que, após a morte, o réu escondeu o corpo em um poço com profundidade estimada entre 25 e 30 metros e fugiu do local com a caminhonete roubada. O cadáver só foi localizado após mais de 20 dias de escavações, em janeiro deste ano.
Condenação
Ao longo do processo, o caseiro confessou ter matado Dagmar e jogado o corpo no poço. De acordo com o réu, ele matou a vítima após um suposto tapa desferido por ela em seu rosto.
O juiz, no entanto, afastou a alegação da defesa de que a reação decorreu de uma suposta agressão ou lesão corporal acidental, destacando a ausência de provas para essa versão e a clara motivação de subtração e busca de impunidade.
A esposa de Paulo, Daniela Aparecida dos Santos, também ré no processo, foi absolvida das acusações de latrocínio e ocultação de cadáver.
Para o magistrado, não havia provas de que ela tivesse participado do ataque à vítima ou combinado previamente com o marido a prática do crime.
A sentença considerou que a participação de Daniela nas trocas de veículos ocorreu depois da morte e não demonstrou envolvimento no roubo seguido de morte.
Relembre o caso
O corpo da idosa Dagmar Grimm Streger, de 76 anos, foi encontrado em 21 de janeiro, dentro de um poço desativado localizado em uma propriedade na Estrada Municipal Murilo Vilaça Maringoni, em Bauru, no interior de São Paulo. Ela estava desaparecida desde dezembro de 2025.
No local, os investigadores apreenderam um documento de identificação e um cartão bancário em nome da vítima.
Local onde Corpo de idosa desaparecida desde dezembro foi encontrado • Cássia Peres
O laudo necrocoscópico apontou que a morte foi provocada por traumatismo cranioencefálico decorrente de trauma no polo cefálico, produzido por agente contundente. A perícia constatou ainda uma lesão na cabeça, possívelmente ocasionada por um forte golpe no crânio.
Foram identificadas diversas fraturas na costela, o que indica que a vítima ainda se encontrava viva quando sofreu o segundo trauma.
Por fim, o perito médico-legal registrou expressamente no laudo a constatação do emprego de meio cruel.
A cirurgiã-dentista Sabrina Coutinho, de 28 anos, denunciou ter sido vítima de importunação sexual enquanto treinava em uma academia no Jardim Marajoara, na zona Sul de São Paulo, na tarde de domingo (25). Em relato à Itatiaia, Sabrina classificou o episódio como “constrangedor” e “assustador”.
Segundo ela, por volta das 12h, enquanto praticava musculação, percebeu que um homem, posteriormente identificado como Bruno Edamatsu Berton, a encarava.
A vítima conta que estava deitada durante um exercício para os músculos posteriores quando o homem ficou de frente para ela e começou a se tocar. “Quando eu percebi que ele tava fazendo alguns movimentos com a mão, eu sentei e comecei a gravar”, relatou.
Segundo Sabrina, quando conseguiu reagir, Bruno se levantou para guardar o peso que, de acordo com ela, fingia estar utilizando. Em seguida, ela procurou os professores da academia para dar queixa do caso e foi acompanhada por eles até a recepção.
“[…] Na recepção, eu sento, eles me entregam água e o Bruno passa por mim. Nessa que o Bruno passa por mim, eu tento segurar ele, tento impedi-lo de fugir, os professores vão atrás, aí ele sai correndo pela recepção. Ele entra no carro dele e vai embora”, contou.
Após a fuga do homem, a dentista foi acompanhada até a delegacia e denunciou o ocorrido. Até o momento, Bruno não foi localizado.
A CNN Brasil tenta localizar a defesa do suspeito. O espaço segue aberto.
Entenda o caso
Uma cirurgiã-dentista de 28 anos denunciou ter sido vítima de importunação sexual enquanto treinava em uma academia no Jardim Marajoara, na zona Sul de São Paulo, neste domingo (25). O caso é investigado pela Polícia Civil.
Nas redes sociais, Sabrina Coutinho relatou que o homem, identificado como Bruno Edamatsu Berton, se expôs e se masturbou na frente dela enquanto ela fazia um exercício.
Ao perceber o que estava acontecendo, a dentista filmou a situação e avisou os professores da academia. As imagens mostram o homem encarando Sabrina enquanto realiza o ato obsceno. Veja:
A SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou que o caso foi registrado no 99º DP (Campo Grande) como importunação sexual.
Em nota, a academia Peralta Fitness repudiou o episódio e informou que bloqueou o acesso de Bruno Berton, proibindo-o de frequentar todas as unidades da rede. A empresa afirmou ainda que acolheu Sabrina, prestou apoio e a acompanhou à delegacia.
Leia na íntegra:
“A Peralta Fitness manifesta seu total repúdio ao episódio de assédio relatado por uma aluna em uma de nossas unidades. Reconhecemos a gravidade do ocorrido e nos solidarizamos com ela. Nenhuma mulher deve passar por uma situação como essa.
Assim que tomamos conhecimento do ocorrido, acolhemos a aluna, prestamos apoio e a acompanhamos à delegacia. O homem envolvido teve seu acesso bloqueado e está proibido de frequentar nossas unidades.
Sobre a menção a um episódio anterior envolvendo o mesmo homem, esclarecemos que, conforme as informações que chegaram ao nosso conhecimento, esse relato se refere a outra academia, sem vínculo com a Peralta Fitness. Não tínhamos conhecimento desse histórico antes do ocorrido em nossa unidade.
Seguimos ao lado da aluna e à disposição dela e das autoridades para colaborar com a apuração, inclusive com o fornecimento das imagens de segurança disponíveis e das informações necessárias, respeitando sua privacidade.”
Após um ano de investigações sobre a morte de quatro amigos que foram cobrar uma dívida em Icaraíma, no Paraná, a Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou quatro pessoas por homicídio qualificado, ocultação de cadáver, associação criminosa e fraude processual.
Alencar Gonçalves de Souza Giron, Diego Henrique Afonso, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira desapareceram após o encontro e foram encontrados em uma vala 44 dias depois.
Em agosto deste ano,três suspeitos de envolvimento no crime foram presos no interior de São Paulo. Antônio Buscariollo e o filho Paulo Ricardo Costa Buscarioll foram localizados em um sítio na zona rural de Rio das Pedras.
O outro filho de Antônio, cujo nome não foi divulgado, foi preso em Santa Bárbara d’Oeste. O quarto investigado já estava preso por tráfico de drogas e teve o mandado de prisão cumprido dentro do sistema penitenciário.
A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos indiciados. O espaço segue aberto.
Conclusão da polícia
Segundo o delegado Thiago Andrade Inácio, as vítimas teriam sido atraídas para uma propriedade rural para negociar uma dívida relacionada ao desfazimento de um negócio imobiliário.
O valor era de R$ 255 mil, dividido em dez notas promissórias. No local, os quatro amigos teriam sido surpreendidos por uma emboscada e mortos a tiros de armas de diferentes calibres.
“A partir dos elementos reunidos, os policiais civis conseguiram reconstruir a dinâmica dos crimes e identificar a participação de cada investigado. A apuração apontou indícios de planejamento prévio, divisão de tarefas e atuação coordenada entre os envolvidos”, afirmou o delegado.
De acordo com a Polícia Civil, os quatro indiciados são homens da mesma família. A prisão dos três suspeitos em agosto foi resultado de levantamentos de inteligência policial realizados pela corporação.
Com a conclusão do inquérito, os autos foram encaminhados ao Ministério Público para análise. As investigações, no entanto, continuam para apurar a possível participação de outras pessoas nos homicídios, incluindo suspeitos de envolvimento na execução, no apoio logístico e na ocultação de vestígios.
Cobrança de dívida e desaparecimento
Segundo as investigações, Alencar Gonçalves de Souza solicitou os serviços de Rafael, Robishley e Diego Henrique para auxiliá-lo nacobrança de uma dívida de R$ 255 mil referente à venda de uma propriedade rural, em agosto de 2024, para a família de Antônio e Paulo Ricardo Buscariollo.
À época do crime, o delegado Gabriel Menezes, da cidade de Umuarama (cerca de 60 km de Icaraíma), informou que a propriedade foi escriturada e chegou a ser transferida para um membro dessa família, no dia 5 de agosto de 2024. Ele afirma que passado um ano, ainda não teria ocorrido o pagamento do valor acordado, que seriam 10 parcelas de R$ 25 mil.
No dia 4 de agosto de 2025, Robishley, Rafael e Diego saíram de São José do Rio Preto (SP) para cobrar a dívida. Em Icaraíma, eles encontraram Alencar, que teria encomendado o serviço e seria o mediador da cobrança. Após o sumiço e a falta de contato com os familiares, os homens foram dados como desaparecidos.
Carro encontrado enterrado em bunker
O carro utilizado pelos quatro homens no Paraná foi encontrado em 12 de setembro, em uma área de mata do município de Icaraíma. O veículo, que estava coberto por uma lona, passou por perícia e foi apreendido. Segundo a Polícia Civil, o carro estava enterrado em uma espécie de bunker.
1 de 5
Carro foi encontrado enterrado em espécie de bunker • Polícia Militar Ambiental do Paraná
2 de 5
Carro foi encontrado enterrado em espécie de bunker • Polícia Militar Ambiental do Paraná
3 de 5
Carro foi encontrado enterrado em espécie de bunker • Polícia Militar Ambiental do Paraná
4 de 5
Carro foi encontrado enterrado em espécie de bunker • Polícia Militar Ambiental do Paraná
5 de 5
Carro foi encontrado enterrado em espécie de bunker • Polícia Militar Ambiental do Paraná
A Polícia Militar Ambiental relatou que policiais notaram uma irregularidade no terreno durante um patrulhamento. Os agentes decidiram escavar o local e localizaram uma lona, que cobria a lataria de um carro branco.
A Polícia Civil do Paraná identificou marcas de disparo de arma de fogo e vestígios de sangue na lataria e no interior do carro.
Depois de 44 dias do sumiço, os corpos de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza foram encontrados em uma vala na cidade de Icaraíma, na madrugada de 19 de setembro de 2025.
A localização das vítimas ocorreu em uma área rural de Icaraíma, cidade no noroeste do Paraná. De acordo com a Polícia Civil, os corpos apresentavam marcas de perfurações de arma de fogo. Na mesma vala, estavam pertences dos homens.
As equipes localizaram uma área com sinais de alteração no solo, dissimulada sob galhos e vegetação seca. Durante as escavações, os policiais encontraram os corpos.
Os laudos divulgados foram os de Rafael Juliano Marascalchi, de 43 anos, Robishley Hirnani de Oliveira, de 53, e Diego Henrique Afonso, de 39. A declaração de óbito de Alencar Gonçalves de Souza Giron, de 36 anos, não foi divulgada.
O Ministério Público de Goiás deflagrou, na manhã desta terça-feira (27), uma operação para investigar crimes contra a dignidade sexual supostamente praticados pelo ex-presidente e líder espiritual da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo, em Goiânia.
Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, expedidos pelo 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Goiânia. As buscas ocorreram em endereços ligados ao investigado na capital, incluindo a sede da comunidade espírita.
A Justiça também autorizou o afastamento do sigilo de dados telemáticos e determinou medidas cautelares diversas da prisão. Entre elas, estão o comparecimento mensal em juízo e a proibição de acessar ou frequentar a sede da entidade, além de participar de atividades e eventos promovidos pela comunidade em outros endereços.
Segundo o Ministério Público, o investigado teria se aproveitado da fé das mulheres assistidas pela instituição e de sua posição de autoridade espiritual para submetê-las a condutas que configuram crimes contra a dignidade sexual.
Abuso da liderança e violação sexual
A investigação teve início após uma notícia-crime apresentada por uma integrante do centro religioso. De acordo com Ministério Público, o homem usava da liderança religiosa para submeter fiéis a crimes contra a dignidade sexual, como violação sexual mediante fraude.
Segundo as apurações, há indícios de que o ex-presidente tenha divulgado, sem consentimento, fotografias e vídeos íntimos de uma das vítimas.
De acordo com o órgão, os elementos reunidos na investigação também apontam que outras mulheres podem ter sido vítimas de condutas semelhantes no mesmo contexto institucional.
Exploração da vulnerabilidade social das vítimas
As provas reunidas até o momento indicam que o investigado teria explorado a vulnerabilidade social de pessoas atendidas pelo programa assistencial da comunidade.
Segundo a investigação, ele teria usado a distribuição de cestas básicas como contrapartida para obter material de conteúdo sexual.
Em julho deste ano, uma assembleia geral extraordinária destituiu o investigado da presidência da comunidade. Desde então, conforme a promotoria, a sede está temporariamente fechada e sob nova administração.
O Ministério Público ainda recebeu informações de que o ex-líder estaria desenvolvendo atividades religiosas em Santa Helena de Goiás e articulando a abertura de um novo centro espírita.
A possibilidade de retomada dessas atividades aumentou a preocupação de que ele volte a usar a posição de liderança religiosa para se aproximar de outras mulheres em situação de vulnerabilidade.
A operação é conduzida pela Procuradoria-Geral de Justiça, com apoio da 44ª Promotoria de Justiça de Goiânia, do Centro de Apoio Operacional Criminal, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e do Navita (Núcleo de Apoio às Vítimas).
Uma cirurgiã-dentista de 28 anos denunciou ter sido vítima de importunação sexual enquanto treinava em uma academia no Jardim Marajoara, na zona Sul de São Paulo, neste domingo (25). O caso é investigado pela Polícia Civil.
Nas redes sociais, Sabrina Coutinho relatou que o homem, identificado como Bruno Edamatsu Berton, se expôs e se masturbou na frente dela enquanto ela fazia um exercício.
Ao perceber o que estava acontecendo, a dentista filmou a situação e avisou os professores da academia. As imagens mostram o homem encarando Sabrina enquanto realiza o ato obsceno. Veja:
Segundo a vítima, o suspeito fugiu após ser abordado pelos professores. Sabrina foi acompanhada até a delegacia, onde denunciou a ocorrência.
A SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou que o caso foi registrado no 99º DP (Campo Grande) como importunação sexual. A Polícia Civil realiza diligências para localizar o suspeito.
Academia repudiou o ato
Em nota, a academia Peralta Fitness repudiou o episódio e informou que bloqueou o acesso de Bruno Berton, proibindo-o de frequentar todas as unidades da rede. A empresa afirmou ainda que acolheu Sabrina, prestou apoio e a acompanhou à delegacia.
Leia na íntegra:
“A Peralta Fitness manifesta seu total repúdio ao episódio de assédio relatado por uma aluna em uma de nossas unidades. Reconhecemos a gravidade do ocorrido e nos solidarizamos com ela. Nenhuma mulher deve passar por uma situação como essa.
Assim que tomamos conhecimento do ocorrido, acolhemos a aluna, prestamos apoio e a acompanhamos à delegacia. O homem envolvido teve seu acesso bloqueado e está proibido de frequentar nossas unidades.
Sobre a menção a um episódio anterior envolvendo o mesmo homem, esclarecemos que, conforme as informações que chegaram ao nosso conhecimento, esse relato se refere a outra academia, sem vínculo com a Peralta Fitness. Não tínhamos conhecimento desse histórico antes do ocorrido em nossa unidade.
Seguimos ao lado da aluna e à disposição dela e das autoridades para colaborar com a apuração, inclusive com o fornecimento das imagens de segurança disponíveis e das informações necessárias, respeitando sua privacidade.”
A CNN Brasil tenta localizar a defesa do suspeito. O espaço segue aberto.
A OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo) anulou, nesta segunda-feira (26), a decisão que suspendia o exercício da advocacia pela influenciadora Deolane Bezerra Santos. A medida havia sido imposta em junho e impedia a atuação profissional da advogada.
Na ocasião, a instituição determinou a suspensão do exercício da advocacia por um prazo inicial de 90 dias, com possibilidade de prorrogações sucessivas até o limite de 360 dias.
A decisão foi contestada por meio de recurso, que resultou na anulação da medida nesta segunda-feira.
Em nota, a OAB-SP informou que apura todas as infrações de que toma conhecimento, seja por meio de representaçõe ou de fatos divulgados publicamente, por meio do Tribunal de Ética e Disciplina.
A instituição ressaltou que os processos tramitam sob sigilo e, por isso, não pode fornecer informações sobre eventuais apurações ou instaurações.
A CNN Brasil entrou em contato com a defesa de Deolane e aguarda retorno. O espaço segue aberto.
Deolane foi presa em maio deste ano, no âmbito da Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital). A influenciadora é suspeita de possuir envolvimento direto com a facção e ocupar uma posição de destaque na estrutura criminosa, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras.
Apurações apontaram que Deolane tinha vínculos estreitos – pessoais e negociais – com um dos gestores fantasmas da transportadora investigada pelas autoridades.
O objetivo daOperação Vérnix, terceira fase da investigação, era expor ainda mais o esquema mais amplo de lavagem de capitais.
A influenciadora, de acordo com a polícia, passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com integrantes do núcleo de comando do PCC.
Os levantamentos mostraram ainda o uso de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão.
Para os investigadores, a projeção pública, a atividade empresarial formal e a movimentação patrimonial eram utilizadas como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.
A Justiça de São Paulo negou, na última sexta-feira (23), um novo pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana.
A CNN Brasil teve acesso à íntegra da decisão, relatada pelo desembargador César Augusto Andrade de Castro, da 9ª Câmara de Direito Criminal do TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo).
No pedido, a defesa solicitou a revogação da prisão preventiva ou a substituição por medidas cautelares, além da expedição de um alvará de soltura. Os advogados alegaram que a prisão não tem fundamentação adequada e representa constrangimento ilegal ao réu.
A defesa também argumentou que Neto tem endereço fixo, ocupação lícita e não representa risco à ordem pública ou à instrução processual. Segundo o requerimento, o tenente-coronel colaborou com as investigações, inclusive ao “participar espontaneamente da reprodução simulada dos fatos”.
Ao analisar o pedido liminar, o Tribunal não identificou ilegalidade evidente que justificasse a soltura imediata do réu. Na decisão, o desembargador afirmou que os argumentos apresentados pela defesa se confundem com o mérito do habeas corpus e, portanto, exigem uma análise mais aprofundada, que não cabe nos limites da apreciação liminar.
“Não sou assassino”
Durante interrogatório de mais de oito horas, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, declarou à Justiça que não é assassino e que segue preso injustamente há mais de 200 dias por um crime que não cometeu.
A CNN Brasil obteve acesso a íntegra do depoimento, prestado na última segunda-feira (5), no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.
Ao longo do relato, Neto relembra o relacionamento com Gisele e afirma que, após o ocorrido, foi criada uma narrativa de que ele era um homem agressivo e violento com ela.
“Porque até o dia 18 de fevereiro de 2026 [dia da morte da soldado], se eu colocasse o meu nome no Google, tinha tantas coisas boas de mim, tantas ocorrências boas, 35 anos de serviço […] Eu não sou um assassino”, afirma.
Para o Ministério Público, o homicídio foi praticado por motivo torpe, relacionado ao sentimento de posse e à recusa do acusado em aceitar o fim do relacionamento. A denúncia também afirma que Gisele foi surpreendida, sem possibilidade de defesa, circunstância que qualifica o crime.
Após o interrogatório de Neto, ocorrido no dia 5 de outubro, o oficial e a defesa da família de Gisele devem apresentar as alegações finais do caso. Finalizado esse processo, a juíza do caso avaliará os autos e decidirá se o caso será submetido ou não a júri popular.
Uma mulher foi gravada fazendo uma saudação nazista na tarde deste domingo (25), segundo turno das eleições de 2026, no Colégio Santo Inácio, em Botafogo, na zona Sul do Rio de Janeiro. A polícia investiga o caso.
Nas imagens, cedidas à CNN Brasil, a mulher aparece caminhando pelo colégio, que é um local de voto, e fazendo o gesto. Ela é questionada por pessoas que presenciaram a cena.
Ao ser confrontada, ela rebate: “Você é comunista?”. Um homem responde ser judeu, ao que ela responde: “Pior ainda”.
Veja o vídeo:
Créditos:@dpontanews
À CNN Brasil, o Colégio Santo Inácio afirmou que “repudia veementemente qualquer manifestação de apologia ao nazismo, discriminação ou preconceito, condutas inaceitáveis e incompatíveis com seus princípios humanos e cristãos”.
Segundo a instituição, no dia do pleito, o espaço esteve temporariamente sob a responsabilidade e jurisdição da Justiça Eleitoral para servir como local de votação e, por isso, o controle de acesso e a segurança pública do prédio competem às autoridades eleitorais e policiais.
A unidade de ensinou declarou ainda que está à disposição da Justiça Eleitoral e da Polícia Civil para cooperar com a apuração dos fatos.
Em nota, a Polícia Civil do Rio informou que o caso foi registrado na 10ª DP (Botafogo). Segundo a corporação, diligências estão em andamento para apurar os fatos.
Federação Israelita repudiou episódio
A FIERJ repudiou o ocorrido em uma nota publicadas nas redes sociais. Veja abaixo:
“A Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (FIERJ) manifesta seu mais veemente repúdio ao episódio de antissemitismo ocorrido neste domingo, 25 de outubro, nas proximidades de um local de votação em Botafogo, no Rio de Janeiro.
Conforme relato recebido pela Federação, acompanhado de registro em vídeo, uma mulher teria realizado reiteradamente a saudação nazista, inclusive após ser questionada por cidadãos que presenciaram a cena. Ao ser informada de que um dos presentes era judeu, teria respondido: “pior ainda”.
Trata-se de uma manifestação absolutamente inaceitável, que ultrapassa os limites da liberdade de expressão e afronta os valores democráticos, a dignidade humana e a memória das milhões de vítimas do nazismo
É especialmente grave que um episódio dessa natureza ocorra durante o exercício do voto, um dos símbolos mais importantes da democracia brasileira.
A FIERJ informa que um boletim de ocorrência já foi registrado junto às autoridades policiais e acompanhará de perto a apuração dos fatos, cobrando a responsabilização dos envolvidos e a adoção das medidas legais cabíveis.
O antissemitismo não pode ser naturalizado, relativizado ou tolerado. A apologia ao nazismo e as manifestações de ódio não encontram espaço em uma sociedade democrática. Não há democracia possível quando o ódio e a intolerância são tratados com indiferença.”
Em nota, o TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro) afirmou que “trata-se de caso concreto, que a Justiça pode vir a julgar e, portanto, está impedido pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), de se manifestar sobre o tema”.
A CNN Brasil entrou em contato com a defesa da mulher que aparece no vídeo. O espaço segue aberto.