Preparar un té parece tan sencillo como calentar agua y dejar una bolsita en la taza. Sin embargo, cuando está fabricada con plástico, también puede desprender partículas que acaban en la bebida. Y eso no es lo único que han encontrado unos investigadores turcos.
Un estudio de la Universidad Recep Tayyip Erdoğan, publicado en Science of Food, ha detectado hasta 2.498 microplásticos por taza en bolsitas sintéticas, además de sustancias químicas utilizadas en productos plásticos. El hallazgo no significa que todas las marcas contaminen igual ni demuestra que beber ese té provoque enfermedades.
Tres minutos en agua caliente bastaron para liberar miles de partículas
Los científicos compararon 14 marcas de té en bolsitas y otras 14 de té a granel en supermercados de Turquía. Solo cuatro marcas utilizaban bolsitas de plástico, concretamente de poliamida, un material parecido al nailon. Las otras diez estaban hechas de papel o celulosa.
Para comprobarlo, sumergieron las bolsitas sintéticas durante tres minutos en agua a unos 95 grados. Después analizaron el líquido y encontraron entre 555 y 2.498 partículas de plástico por taza, dependiendo de la marca. Las fibras identificadas correspondían al material de las bolsas.
En el té a granel aparecieron cantidades mucho menores, equivalentes a entre 0,3 y 2,4 partículas por ración. Eso sí, las hojas sueltas se analizaron directamente, no preparando una infusión idéntica, así que la comparación no es perfecta. Aun así, apunta a la propia bolsita como una fuente de contaminación. Las hojas tampoco están libres de residuos: los microplásticos llegan también a otros alimentos.
El BPA y los ftalatos añaden otra preocupación
Las cuatro infusiones preparadas con bolsitas de plástico también contenían bisfenol A (BPA) y ftalatos, sustancias que pueden pasar de ciertos materiales a los alimentos. Preocupan por sus posibles efectos sobre las hormonas y otros procesos del organismo, aunque encontrarlas en una muestra no demuestra por sí solo un daño.
Los autores calcularon que el BPA de una taza podía representar hasta el 21,7% de la ingesta diaria tolerable utilizada como referencia. Por eso no convierte automáticamente la bebida en segura: recibimos exposición por otras vías y la Unión Europea ya ha restringido el BPA en materiales destinados al contacto con alimentos.
Asimismo, queda otra limitación: el método solo identificó partículas mayores de 100 miras. Las más pequeñas no entraron en el recuento, de modo que la cifra real podría ser superior. Para reducir esta exposición, los investigadores aconsejan elegir té a granel y utilizar un infusor de metal o cerámica.
Uma pesquisa apontou que cinco das oito ecorregiões de recifes de coral do Brasil estão em risco crítico de colapso. Outros três ponto não têm dados suficientes para uma classificação geral de risco.
O levantamento vê ondas de calor marinhas como a principal ameaça aos recifes do país. De acordo com a avaliação, projeções climáticas indicam aumento do estresse térmico severo, branqueamento e da mortalidade de espécies de corais para as próximas décadas, com eventos já registrados anteriormente, em 2019 e 2020 e 2024.
Além disso, também foram identificadas alterações na cobertura dos corais e na composição das comunidades marinhas, a proporção entre algas e corais e a biomassa de peixes herbívoros e predadores estão entre os principais motivos para essas alterações.
Nos últimos 50 anos, as ecoregiões de Parrachos, Costa dos Corais e Atol das Rocas e Fernando de Noronha apresentavam uma situação crítica, enquanto Abrolhos, Baía de Todos os Santos e Baixo Sul eram classificadas como EN (Em Perigo) de extinção e passaram para CR (Criticamente em Perigo).
A analista de Conservação do WWFBrasil, Ana Lídia Gaspar, afirma que “Os resultados mostram que três dessas ecorregiões já estavam em risco crítico pelo que aconteceu nos últimos 50 anos, e que as projeções colocam outras duas no mesmo patamar. Onde faltam dados, a falta de informação não pode ser lida como ausência de risco. A avaliação aponta a necessidade de ampliar o conhecimento sobre essas áreas para compreender melhor sua situação e orientar medidas de conservação.”
O levantamento da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza) mostra que, além das mudanças climáticas, os recifes de corais são afetados pela pesca excessiva, pelo desenvolvimento costeiro, a pressão turística e com o lançamento de nutrientes e sedimentos que comprometem a qualidade da água.
A UICN também relata que as atividades de exploração de petróleo e gás, a mineração e a navegação são outros fatores que apresentam risco de contaminação dos ambientes marinhos.
O levantamento
A Lista Vermelha de Ecossistemas da UICN juntou mudanças observadas nos últimos 50 anos para analisar o estresse térmico que os recifes brasileiros podem sofrer nas próximas cinco décadas, avaliando o risco de colapso dos ecossistemas a partir de critérios como redução da distribuição, restrição geográfica, degradação das condições ambientais e alterações nos componentes biológicos.
Manila, 30 oct (Prensa Latina) Filipinas y Australia examinaron hoy la posibilidad de adquirir de forma conjunta medicamentos y suministros médicos destinados a la atención del VIH, informó el Departamento de Salud de esta nación asiática.
Colombo, 30 oct (Prensa Latina) El aumento de las temperaturas y el estrés térmico en los lugares de trabajo ya afectan a los trabajadores, la productividad y las economías de Sri Lanka y Maldivas, según nuevos estudios difundidos hoy.
Montevideo, 30 oct (Prensa Latina) Uruguay consiguió producir el 100 por ciento de la electricidad mediante energías renovables, según una medición instantánea que trascendió hoy.
Islamabad, 30 oct (Prensa Latina) El Hospital de la Amistad Pakistán-China, reinaugurado aquí, ofrecerá atención médica gratuita a pacientes provenientes de todos los rincones del país surasiático, destaca hoy la prensa.
Manila, 30 oct (Prensa Latina) El Gobierno de Filipinas aseguró hoy estar preparado para afrontar posibles emergencias, incluidos desastres naturales y amenazas a la seguridad, ante las alertas internacionales sobre escenarios de crisis.
Na XI Gala Portugal-China, o presidente da Associação de Sociedades Chinesas em Portugal, Guo Zhiyao, defendeu que os povos dos dois países partilham uma característica comum que nos permitiu mais de cinco séculos de história de cooperação, sem conflitos: pensam a prazo, veem ao longe. É verdade que conhecemos a proverbial paciência chinesa, mas quem olha para os ciclos de crises que aqui se sucedem e para a contestação nas ruas espanta-se com a comparação.
Guo Zhiyao defende esta ideia com a observação de um negócio muito português, a cortiça. Portugal é o maior produtor, transformador e exportador mundial de cortiça. É dominante em toda a cadeia de valor, sendo responsável por cerca de metade da produção e por mais de dois terços de toda a cortiça transformada mundialmente. Uma posição ímpar. Ora, são necessários 25 anos desde a plantação de um sobreiro para obter a primeira cortiça, mas têm de passar outros 20 para se ter a primeira extração adequada a rolhas de qualidade. Este ciclo completo representa mais de quatro décadas. Hoje, um abismo temporal. E, depois disso, cada nova produção demora nove anos. Outra eternidade. Zhiyao tem razão, a cortiça é um negócio que requer paciência e visão.
Olhando para a atualidade, mantém-se a paciência. Por exemplo, vamos acumulando descontentamento, sem ação. Até ao dia em que queremos soluções já para amanhã. Descuramos totalmente a segunda parte, a visão. É inexistente. Muitos dos problemas que vivemos devem-se a isso mesmo. Na habitação, nos serviços públicos. Falta planeamento, olhar mais longe. Confiamos demais no desenrascanço, que é uma qualidade, mas só quando complementa a regra da preparação.
Ciudad de Guatemala, 29 oct (Prensa Latina) El Ministerio Público (MP) informó hoy siete capturas vinculadas con hechos ilícitos relacionadas con drogas y como resultado hallazgos de indicios que contribuirán al fortalecimiento de la investigación.
O IPMA colocou o arquipélago da Madeira com aviso amarelo devido às previsões de precipitação, com aguaceiros por vezes fortes, podendo ser acompanhados de trovoada
Transferências para municípios sobem 6% no OE2027, para 4.676 milhões. Governo diz que em três anos o crescimento real foi de 14%, acima da inflação acumulada.
Após ser atingido por um galho durante uma viagem de verão, uma minúscula planta começou a crescer dentro do olho do russo Maxim Sleptov, de 42 anos, que mora na Sibéria. A raiz, de 3 milímetros, penetrou em sua conjuntiva – tecido que cobre a parte branca do olho.
Em entrevista ao jornal The Sun na última quarta-feira (28), ele contou que sofreu por meses com inflamações, visão dupla e fortes dores de cabeça.
“Meu olho coçava e doía, como se eu tivesse machucado ou coçado. Estava regando e vermelho.”, contou.
Depois de enxaguar o olho, ele removeu um pequeno pedaço da casca e achou que havia parado por aí. No entanto, a dor permaneceu e se tornou insuportável, até ele ter dificuldades para enxergar pelos dois olhos.
Assim que retornou à capital regional, Iakutsk, correu para o Centro de Optometria de Emergência. A semente já estava germinada dentro de seu olho. A descoberta surpreendeu os médicos.
“O mais surpreendente é que havia brotado, e sua raiz realmente penetrou o tecido conjuntival”, disse o médico-chefe Ivan Lutskan.
A oftalmologista Elizaveta Karpota removeu a estrutura usando uma agulha de injeção sob anestesia local.
“Eu nunca tinha enfrentado um caso assim na minha prática antes”, disse ela.
Após a “mini-cirurgia”, as dores de Sleptov desapareceram.
O Ministério do Ambiente e Energia adianta que a agência deverá identificar as áreas prioritárias para a apresentação de candidaturas ao Comité de Investimento do Fundo de Modernização em 2027.
Luanda, 29 oct (Prensa Latina) Angola y Rusia suscribieron hoy memorandos de entendimiento para la cooperación en los ámbitos del intercambio académico, la investigación científica y la formación universitaria, como parte de las acciones al margen de la tercera Cumbre Rusia-África, en Moscú.
“Sei que estou a mentir”, ouço em consulta. “Mas não consigo dizer-lhe que perdi o dinheiro das férias e as poupanças da nossa filha. Por isso jogo outra vez. Se ganhar, resolvo tudo. Se perder…”
Uma nova pesquisa revela que o encolhimento da camada de gelo no Ártico canadense conta uma história impressionante de como os humanos podem ter interrompido a próxima era glacial do planeta ao queimar combustíveis fósseis.
Há cerca de 20.000 anos, a outrora vasta Calota de Gelo Laurentide estendia-se do Círculo Polar Ártico até o sul de Illinois, chegando a ter até três quilômetros de espessura em alguns trechos. Tudo o que resta dela hoje é a Calota de Gelo Barnes, do tamanho do estado de Delaware, na Ilha de Baffin, no território canadense de Nunavut.
Há aproximadamente 2.000 anos, essa camada de gelo começou a se expandir lenta e constantemente. Seu crescimento marcou o início de um novo período de glaciação, comumente chamado de era glacial, de acordo com o novo estudo publicado na revista Science.
Mas por volta de 1960, à medida que as mudanças climáticas provocadas pelo homem elevaram as temperaturas de verão, a camada de gelo começou a encolher abruptamente.
“Estava apenas começando, tudo estava normal, a próxima glaciação estava prestes a acontecer e, no entanto, parou”, disse Nicolás Young, um dos autores do estudo e geoquímico do Observatório da Terra Lamont-Doherty, parte da Escola de Clima da Universidade Columbia. “É um exemplo muito forte de como desestabilizamos o sistema.”
Durante milhões de anos, o planeta passou por períodos de gelo e de transição para eras glaciais, impulsionado por mudanças na órbita da Terra, e a camada de gelo Laurentide frequentemente serve como ponto de partida.
Young e um grupo de cientistas queriam entender se a camada de gelo já havia sido menor do que é atualmente e depois se regenerado. É uma tarefa difícil, pois os vestígios geológicos são frequentemente apagados à medida que o gelo se regenera.
A Calota de Gelo Barnes, no entanto, está congelada em sua rocha matriz e não desliza, o que significa que preservou as plantas que sepultou durante seu crescimento. Os cientistas coletaram musgos mortos há muito tempo perto da borda da calota de gelo e os analisaram para descobrir quando estiveram vivos pela última vez. “Podemos, na verdade, rastrear a expansão da margem do gelo à medida que ela cobre progressivamente os musgos e os mata”, disse Young.
Eles também examinaram rochas próximas para descobrir há quanto tempo estavam livres de gelo, testando um isótopo radioativo raro que se acumula quando uma rocha é exposta ao ar.
Poças de água de degelo na superfície do lado sudoeste da Calota de Gelo Barnes em 12 de julho de 2026. • Observatório da Terra da NASA/Lauren DauphinCanais de água de degelo no lado nordeste da Calota de Gelo Barnes em 12 de julho de 2026. • Observatório da Terra da NASA/Lauren Dauphin
As técnicas os ajudaram a reconstruir um panorama do passado do gelo. Descobriram que a camada de gelo atingiu seu tamanho mínimo há cerca de 3.000 anos e, em seguida, começou a crescer novamente há aproximadamente 2.000 anos, em resposta a temperaturas mais frias.
Esse processo de regeneração glacial deveria ser considerado o início de uma nova era glacial, mas, segundo os autores do estudo, ele nunca ultrapassou a fase inicial antes de reverter seu curso na década de 1960. “Acreditamos que não seja coincidência que isso tenha ocorrido ao mesmo tempo em que lançamos uma quantidade extraordinária de gases de efeito estufa na atmosfera”, disse Young. A poluição climática “essencialmente sobrepujou” os outros mecanismos que “tentam resfriar essa região”, acrescentou.
Meredith Kelly, professora de ciências da Terra no Dartmouth College, que não participou do estudo, afirmou que a pesquisa aplica técnicas, incluindo “uma nova datação por radiocarbono de plantas”, para traçar um panorama preciso do avanço e recuo da calota polar.
Ela acrescentou que a conclusão de que o avanço da Calota de Gelo Barnes sugere o início de uma era glacial pode estar correta, mas uma comparação com geleiras em outras regiões que também estavam avançando em um período semelhante ajudaria a entender melhor os mecanismos envolvidos.
Andrey Ganopolski, físico do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático, afirmou que já foram realizadas muitas pesquisas sobre se a poluição por carbono pode atrasar significativamente o início da próxima era glacial.
Mas, acrescentou, outros estudos de modelagem, incluindo o seu próprio, concluem que a próxima era glacial não deverá ocorrer antes de cerca de 50.000 anos mesmo sem o aquecimento global. O crescimento da Calota de Gelo de Barnes “é insuficiente para sustentar a conclusão de que um novo ciclo glacial já tenha começado e sido posteriormente interrompido”, afirmou.
Young e seus coautores, no entanto, argumentam que o primeiro recrescimento da camada de gelo Laurentide já marca o início de uma era glacial e que não precisamos esperar pela formação de enormes camadas de gelo para declarar que uma era começou.
As descobertas também lançam nova luz sobre um período controverso da década de 1970, quando alguns cientistas sugeriram que o mundo poderia estar entrando em uma nova era glacial, disse Young. Essa ideia foi repercutida pela mídia, incluindo um artigo agora infame na Newsweek com a manchete “O Mundo em Resfriamento”, que alertava para uma crise alimentar à medida que o mundo esfriava.
É um período que os céticos e negacionistas das mudanças climáticas frequentemente usam para desacreditar os cientistas, acusando-os de alarmismo e informações incorretas. Mas Young acredita que a nova pesquisa sugere que eles estavam certos, que “uma nova glaciação de fato havia começado; estava apenas começando, e agora parou”.
Young alertou que o estudo não deve ser interpretado como uma sugestão de que o aquecimento global “salvou a humanidade de uma era glacial”.
Períodos de glaciação ocorrem em escalas de tempo muito longas. Levaria milhares de anos para que a camada de gelo atingisse um tamanho que afetasse o cotidiano das pessoas, disse ele.
Em vez disso, as descobertas revelam o quão profundamente os humanos desequilibraram os sistemas da Terra. Não apenas evitamos esta era glacial, disse Young, mas “provavelmente adiamos qualquer possibilidade de outra glaciação futura por um longo, longo tempo”.
Antes de Agatha Christie se tornar uma das autoras mais vendidas de todos os tempos, ela trabalhou em uma farmácia em sua cidade natal, Torquay, na Inglaterra, a serviço de alguém a quem ela se referiu em suas memórias apenas como Sr. P.
O Sr. P carregava um pedaço escuro de curare no bolso — um veneno que pode paralisar e matar rapidamente. Ele andava com ele porque o fazia “sentir-se poderoso”, escreveu ela em “Agatha Christie: Uma Autobiografia”. Christie não pôde deixar de notar que, apesar da “aparência angelical” do Sr. P, tais comportamentos poderiam torná-lo um “homem perigoso”.
Em outra ocasião, a mente perspicaz de Christie percebeu um erro que o Sr. P cometeu enquanto lhe mostrava como infundir medicamentos em supositórios, adicionando inadvertidamente 10 vezes a dosagem necessária.
Ao perceber que o Sr. P não daria ouvidos a uma “menininha” que lhe apontasse o erro, Christie teve a ideia genial de derramar o remédio no chão e “pisá-lo com força” para impedir que a droga perigosa fosse colocada nas prateleiras da loja, como ela relatou em suas memórias.
A faísca para os envolventes romances policiais de Christie surgiu nesse ambiente inesperadamente sinistro, enquanto a Primeira Guerra Mundial assolava o mundo. Ao longo de sua vida, ela desenvolveu um profundo conhecimento da ciência dos venenos, o que a ajudou a deixar um legado duradouro no mundo literário e além.
Após deixar a loja do Sr. P, Christie começou a se formar como farmacêutica no hospital de Torquay em 1916. Foi então que a semente de uma história começou a germinar em sua mente. Um livro didático chamado “The Pharmaceutical Pocket Book — for Practitioners & Students” (O Manual de Bolso Farmacêutico — para Profissionais e Estudantes), que ela leu em preparação para seus exames, inspirou a arma do crime em seu romance de estreia de 1920, “The Mysterious Affair at Styles” (O Misterioso Caso de Styles): estricnina, uma neurotoxina antes usada em doses mínimas como estimulante, combinada com outras drogas para matar a vítima.
Agora, os visitantes podem ver seu exemplar pessoal do livro de bolso — com manchas misteriosas e a inscrição “A. Christie” rabiscada no canto superior direito — em uma nova exposição intitulada “ Agatha Christie: Um Mundo de Mistério ”.
Exemplar do livro didático que Christie usou durante seu treinamento como auxiliar de farmácia na Primeira Guerra Mundial • The Christie Archive Trust
A exposição, que será inaugurada em 30 de outubro na Biblioteca Britânica em Londres, marca a primeira vez que o pequeno livro e muitos dos mais de 200 itens compartilhados por sua família e fundação serão exibidos ao público, afirmou a curadora principal da exposição, Lucy Rowland.
O livro didático foi um dos muitos artefatos que revelaram a quantidade de pesquisa que Christie realizou em seu trabalho — e uma prova tangível de que a autora tinha um profundo conhecimento de medicamentos e misturas químicas mortais, disse Rowland.
As descrições precisas de venenos feitas por Christie, que servem como arma do crime em 41 de seus 66 romances policiais, ainda são válidas hoje em dia.
“Era muito fácil ler Christie na adolescência sem perceber que estava aprendendo ciência”, disse a Dra. Kathryn Harkup, ex-química e autora de “A de Arsênico: Os Venenos de Agatha Christie”. “É a comunicação científica disfarçada em seu auge. A trama, a habilidade técnica necessária para transmitir ideias científicas complexas de uma forma imperceptível — meu Deus, isso é um talento.”
E suas histórias de mistério e assassinato, baseadas em princípios científicos, podem até ter ajudado a solucionar crimes reais: seus primeiros trabalhos com o Sr. P, em particular, inspiraram diretamente obras posteriores que poderiam ter evitado casos de envenenamento.
Christie aparece vestindo seu uniforme de enfermeira do Destacamento de Auxílio Voluntário durante a Primeira Guerra Mundial • The Christie Archive Trust
Christie por trás da fachada
Christie continua sendo a rainha indiscutível do crime 50 anos após sua morte — e uma espécie de enigma.
Publicamente, Christie manteve-se humilde, referindo-se a si mesma como uma “máquina de salsichas”, com a expectativa de produzir um sucesso atrás do outro para suas editoras.
“Tudo isso faz parte da construção dessa persona que não ameaça nem assusta o público”, disse a Dra. Jamie Bernthal-Hooker, especialista em Christie e professora visitante de inglês e escrita criativa na Universidade de Suffolk, no Reino Unido. “Mesmo hoje, as pessoas têm medo de mulheres inteligentes e poderosas. Eu gosto de dizer que sua maior criação ficcional foi Agatha Christie.”
Novas pesquisas, como a exposição da Biblioteca Britânica, estão proporcionando novas perspectivas sobre a mulher aventureira que acompanhou as mudanças radicais de sua época, de 1890 a 1976.
A exposição inclui vislumbres surpreendentes da vida de Christie, incluindo sua paixão pelo surfe • The Christie Archive Trust
“Durante os primeiros 11 anos de sua vida, a Rainha Vitória estava no trono”, disse o Dr. Mark Aldridge, historiador de Agatha Christie e professor associado de história do cinema na Universidade de Southampton Solent, no Reino Unido. “Quando ela começou a escrever seus livros no final da década de 60, presenciou a chegada do homem à Lua. Sempre defendi que, se ela tivesse vivido mais alguns anos e assistido a ‘Guerra nas Estrelas’ em 1977, teria escrito ‘Assassinato no Espaço’, porque adorava novidades.”
Embora Christie não tivesse uma educação formal, sua curiosidade e natureza observadora guiavam sua visão de mundo. Ela também tinha uma imaginação vívida, provavelmente por vir de uma família de contadores de histórias que adoravam viajar, disse seu bisneto James Prichard, presidente e CEO da Agatha Christie Limited, empresa que administra os direitos de suas obras. Literatura, teatro e ópera alimentaram ainda mais seu interesse em criar suas próprias histórias.
Páginas do álbum de fotos de Christie registram sua viagem ao Cairo, Egito, como debutante, entre 1907 e 1908 • The Christie Archive Trust
Antes de se tornar uma autora publicada e trabalhar em farmácia, Christie começou como enfermeira voluntária aos 24 anos, tratando soldados feridos no Hospital da Cruz Vermelha de Torquay em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial. Com o marido lutando na guerra, Christie sentiu-se motivada a ajudar da maneira que pudesse.
Ela teve que aprender na prática, passando rapidamente de enrolar ataduras a cuidar de soldados feridos. Christie admite em suas memórias que se sentiu “envergonhada” por ter desmaiado ao ver sangue e ferimentos na primeira vez que presenciou uma cirurgia, mas isso não se repetiria. Christie aprendeu a se fortalecer e desviava o olhar durante as incisões com bisturi.
Ela gostava tanto de enfermagem que Christie refletiu que, se não tivesse se casado, provavelmente teria se “formado como enfermeira de hospital de verdade” depois da guerra. Em 1916, ela mudou de rumo e passou a aprender a preparar medicamentos para ajudar a farmácia, que estava com falta de pessoal.
As percepções de Christie, fruto de suas ricas experiências de vida, são sutilmente, mas com maestria, entrelaçadas em seus romances e ajudaram a consolidar a autora como uma gênia à frente de seu tempo.
Especificamente, Christie aprimorou sua atenção aos detalhes durante seu extenso treinamento em farmácia para o Exame de Assistente da Sociedade de Boticários em 1917. Certa noite, após acordar em pânico, ela correu de volta para a farmácia do Hospital Torquay, preocupada por ter contaminado acidentalmente uma pomada durante os preparativos da tarde. Ela verificou cada pote de pomada para ter certeza, de acordo com suas memórias.
Anotações de estudo de Christie para seu exame de farmácia, realizado em 1917 • The Christie Archive Trust
Essa experiência em primeira mão se manifesta em seu romance de estreia, “The Mysterious Affair at Styles”, quando a personagem Cynthia Murdoch, uma voluntária da farmácia, diz: “Se vocês soubessem como é fatalmente fácil envenenar alguém por engano, não fariam piada com isso.”
Caneta envenenada
Christie percebeu que havia uma linha tênue entre a natureza benéfica e prejudicial dos medicamentos. Medir ou misturar um medicamento incorretamente poderia transformar uma cura que salva vidas em uma substância letal, como os visitantes da exposição podem constatar ao percorrerem uma simulação de farmácia.
Em exposição, um poema de 1925 escrito com tinta azul, intitulado “Na Farmácia”, também reflete seus pensamentos sobre esse equilíbrio perigoso: “Aqui há ameaça, assassinato e morte súbita — nestes frascos verdes e azuis”.
A exposição apresenta frascos de diferentes medicamentos que, na época de Christie, poderiam facilmente ser considerados venenos se usados de forma inadequada ou em altas doses • Grupo do Museu de Ciências
Como escritora de ficção, Christie não era obrigada a ser precisa, mas se esforçava muito para evitar erros em suas obras — e essa expertise transparecia em sua escrita sem floreios adicionais. Outras autoras contemporâneas de romances policiais, como Dorothy L. Sayers, frequentemente incluíam detalhes supérfluos para demonstrar que haviam feito a pesquisa necessária, mas Christie não, disse Harkup.
A crítica ao primeiro romance de Christie que mais a agradou foi publicada no “The Pharmaceutical Journal”, que celebrou seu conhecimento e uso da estricnina, em vez de substâncias fictícias e indetectáveis que eram frequentemente culpadas por crimes em outras histórias. “A senhorita Agatha Christie sabe o que faz”, escreveu o crítico.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Christie — que já era uma autora bastante conhecida — voltou a estudar para trabalhar na farmácia do University College London, onde o farmacêutico-chefe Harold Davis sugeriu o uso de tálio como veneno em um de seus romances.
Christie e seu segundo marido, o arqueólogo Max Mallowan, são vistos a bordo de um barco a vapor no Nilo em 1931 • The Christie Archive Trust
Christie associou a recomendação às suas observações anteriores sobre o Sr. P, que serviu de inspiração para o farmacêutico nefasto em seu romance de 1961, “O Cavalo Pálido”.
A trama gira em torno da ciência versus superstição, disse Aldridge, da Universidade de Southampton Solent, que analisou o livro com o também escritor e podcaster Gray Robert Brown em um podcast e no livro a ser lançado ” The Swinging Christies “. A vítima em “O Cavalo Pálido” parece ter sido amaldiçoada por bruxas, mas, atenção para o spoiler, na verdade é morta lentamente com um veneno incomum: o tálio.
Apelidada de “veneno do envenenador”, essa substância tóxica insípida e inodora age lentamente e imita o potássio no corpo, tornando-a difícil de detectar — até que seja tarde demais.
Christie auxiliou Mallowan em suas escavações na Síria e no Iraque, aprendendo fotografia para documentar artefatos • The Christie Archive Trust
No livro, duas mulheres brigam e chegam a puxar os cabelos uma da outra. Uma delas perde uma grande quantidade de cabelo pela raiz — e morre pouco depois. É uma pista sobre os acontecimentos sinistros do romance e o culpado: o envenenamento por tálio causa queda de cabelo.
O uso que Christie faz do tálio no romance é tão preciso que lhe é atribuído o mérito de ter salvado a vida de duas pessoas.
Ela recebeu, por exemplo, uma carta em 1975 de uma jovem da América do Sul, que disse que a leitura de “O Cavalo Pálido” a levou a perceber que um conhecido estava sendo envenenado lentamente pela esposa, disse Harkup.
“Mas disto tenho absoluta certeza: se eu não tivesse lido O Cavalo Pálido e, assim, aprendido sobre os efeitos do envenenamento por tálio, X não teria sobrevivido”, diz a carta, citada no livro de Harkup, “A de Arsênico”. “Foi apenas a medicação imediata que o salvou; e os médicos, mesmo que ele tivesse ido ao hospital, não teriam descoberto a tempo qual era o problema.”
Após a morte de Christie, uma enfermeira londrina chamada Marsha Maitland, que também leu o romance, conseguiu identificar os sintomas de envenenamento por tálio em uma criança doente de 19 meses em 1977.
Christie, vista aos 50 anos, acompanhou as mudanças do mundo ao seu redor • The Christie Archive Trust
A jovem que adoeceu misteriosamente foi levada para Londres, onde Maitland sugeriu que os estranhos sintomas coincidiam com os descritos em “O Cavalo Pálido”. A presença de tálio, um ingrediente de um inseticida usado para matar pragas na casa da criança, foi confirmada por meio de exame de urina — a bebê o havia ingerido acidentalmente. Com o tratamento, a criança se recuperou completamente em quatro meses.
Os médicos que acompanharam o bebê publicaram um artigo sobre o caso ainda naquele ano, que incluía um agradecimento que dizia: “Somos gratos à falecida Agatha Christie por suas excelentes e perspicazes descrições e à enfermeira Maitland por nos manter atualizados sobre a literatura.”
Um gênio discreto
A máquina de escrever Remington de Christie, de 1937, funcionava como um laptop, permitindo que ela escrevesse a partir de sítios arqueológicos • The Christie Archive Trust
Após a Segunda Guerra Mundial, Christie nunca mais trabalhou em uma farmácia, mas manteve-se atualizada com o mundo da medicina, que mudava rapidamente, por meio da leitura e da comunicação com um impressionante grupo de especialistas. Suas histórias na década de 1960 chegaram a mencionar drogas recreativas cada vez mais populares.
“Ela sabe o que está fazendo. Ela poderia ter se safado do assassinato se quisesse”, disse Aldridge.
Em vez de depender de pistas que são silenciosamente reunidas fora das páginas ou dentro da mente de um detetive como Sherlock Holmes, os leitores de Christie sempre têm à disposição todos os fatos necessários para solucionar o caso.
“Ela sempre joga limpo com seus leitores, só que em um nível diferente do nosso, meros mortais”, disse Harkup. “Você deveria ser capaz de decifrar. Mas provavelmente não vai.”
Seus crimes são higienizados — raramente se mencionam fluidos corporais em suas páginas. Mas o veneno, que tantas vezes serviu como arma letal em seus livros, forneceu a Christie um intrigante arsenal literário para assassinos.
“Sentar, pensar, planejar, adquirir e administrar um veneno, e depois esperar que ele faça efeito, é um nível extra de maldade que, acredito, nos fascina”, disse Harkup.
Na prosa aparentemente simples de Christie, escondem-se indícios de quão profundamente ela compreendia as melhores e piores nuances da natureza humana, explicou a Dra. Michelle Kazmer, reitora da Faculdade de Comunicação e Informação e professora da Escola de Informação da Universidade Estadual da Flórida.
“Agatha Christie tinha muito a dizer sobre os grandes conceitos do que significa ser humano e, de uma forma multifacetada, abordou questões de amor, justiça, bem e mal”, disse Kazmer, que também estudou a obra de Christie.
De acordo com o Guinness World Records, Christie é reconhecida como a autora mais traduzida de todos os tempos • The Christie Archive Trust
Ao lado de seus cenários de envenenamento cientificamente plausíveis, inúmeros médicos e farmacêuticos aparecem nos romances de Christie — às vezes como vítimas, outras vezes como assassinos — mostrando como seus primeiros contatos com o mundo da medicina nunca saíram de sua mente.
“Você não é bom nessas coisas a menos que tenha algum tipo de interesse”, disse Prichard, bisneto de Christie. “Não acho que ela tenha entrado no hospital no início da Primeira Guerra Mundial sabendo que se interessaria por isso, mas acho que esse interesse cresceu. E permaneceu com ela por toda a vida.”
Imagínate contar cada uno de los granos de arroz que vienen en un paquete. Probablemente te lleve un buen rato, sobre todo si te pido que, aparte de contarlos, analices la composición de cada uno. Te enfrentas a la titánica tarea de estudiar 50.000 granos de arroz y, más o menos, eso es lo que acaba de hacer un grupo de científicos del Whitehead Institute for Biomedical Research, en Cambridge, Massachusetts. Y cuando decimos “más o menos” es porque no se trataba de 50.000, sino de 600.000 granos, el equivalente a 10 paquetes de 1 kilo y, bueno… tampoco era arroz, sino las células de un pez. En resumen: han logrado clasificar qué genes expresan cada una de esas 600.000 células repartidas por todo el cuerpo del animal, creando el primer atlas celular de cuerpo completo de un vertebrado adulto.
Pueden parecer muchos añadidos al hito de “el primer atlas celular” porque, efectivamente, ya existen muchos que se centran solo en un tejido o unos pocos órganos. También había algunos de cuerpo completo que estudiaban a criaturas más “sencillas”, como unos gusanos planos llamados planarias. Había incluso algún atlas de cuerpo completo de vertebrados, pero en fases embrionarias de su desarrollo, cuando hay menos células implicadas. Todos esos añadidos son extras de complejidad que este equipo de investigación aceptó y que ha logrado doblegar. Pero lo más espectacular es cómo lo han logrado.
De entre todos los peces en el mar…
La primera clave fue seleccionar el organismo de experimentación adecuado. "Deniz y yo pensamos: ¿Sería posible obtener un atlas del transcriptoma de tipos celulares de un vertebrado completo?", dijo el líder de la investigación, Peter Reddien. "Aquí hay un animal con el que podríamos tener una oportunidad". Y ese animal era Danionella cerebrum un pez diminuto que ni siquiera alcanza el centímetro de longitud. Un cuerpecillo tan pequeño reduce el número de células a estudiar, lo cual es de agradecer, pero sus ventajas no terminan aquí.
La especie se hizo famosa en los laboratorios por su cuerpo transparente, que permite observar, desde fuera, cómo regenera sus órganos ante una lesión. Pero, sobre todo, lo que convenció a los investigadores fue su similitud genética con el pez cebra, un animal que los investigadores conocen muy bien y, toda esa información, facilitaba comprender el funcionamiento de Danionella cerebrum.
La cuenta de nunca acabar
Pero elegir el organismo de investigación es solo el primer paso. Los científicos se enfrentaban a la tarea realmente titánica de tomar muestras de células repartidas por todo su cuerpo y, entonces, analizar qué genes estaban activos en cada una de ellas. Porque todas nuestras células tienen el mismo ADN (salvo los glóbulos rojos, que no tienen núcleo). La diferencia entre una neurona y una célula del hígado está en que ninguna de las dos expresa la totalidad de su ADN, solo un puñado de genes que condicionan su desarrollo y su actividad. Y, por suerte, los investigadores saben bien cómo identificar qué genes están activos.
Un gen es algo así como un apartado dentro de un manual de instrucciones concreto. Nuestras células transcriben ese fragmento del ADN en otro tipo de molécula muy similar llamado ARN y, este, se traduce a su vez en proteínas, que podrían ser los muebles que esas instrucciones enseñan a construir. Si analizamos el contenido de una célula, el ARN que contenga nos dará una pista de qué genes se han transcrito y, por lo tanto, podremos deducir que esos son los que están activos. Seiscientas mil células después, los investigadores se habían hecho con una lista interminable de qué genes expresaban células de diferentes partes del organismo, lo que se conoce como transcriptoma y, en palabras de Reddien: "Los transcriptomas de las células te dicen cómo se está utilizando ese genoma en los diferentes tipos celulares. Tener el transcriptoma de cada tipo celular parece un gran punto de inflexión en cómo uno investigaría la biología de un organismo".
Un paso más
No contentos con este hito, los autores del estudio quisieron llevar la investigación un paso más allá. Lesionaron una parte del cerebro del pez y con la ayuda del atlas, pudieron seguir, célula a célula, la regeneración de la herida. Desde la respuesta inmunitaria temprana hasta la activación de las células madre neurales y la producción de nuevas neuronas. Descubrieron que las neuronas más cercanas entre sí se parecían genéticamente mucho entre ellas, aunque no liberaran los mismos neurotransmisores. De hecho, se parecían más entre ellas que a otras lejanas con las que sí compartían neurotransmisor. "Una vez que tienes un atlas con resolución espacial, sabes qué tipos celulares existen, pero también conoces a los vecinos de esos tipos celulares en este contexto", dice Kutay Deniz Atabay, que lideró el trabajo como investigador postdoctoral en el laboratorio del miembro del Instituto Whitehead Peter Reddien. "Esto te da acceso a múltiples niveles diferentes de complejidad, desde lo molecular a lo celular y a los sistemas".
QUE NO TE LA CUELEN:
Por muy pequeño que sea, un pez de 1 centímetro tiene muchísimas más células de las que han estudiado en esta investigación. Sin embargo, 600.000, bien elegidas, pueden dar información muy representativa sobre el cuerpo completo del animal. En este caso, han permitido a los investigadores crear DigiFish, una plataforma interactiva para explorar tipos celulares y actividad génica en todo el animal que, sin duda, contribuirá a potenciar estas líneas de investigación.
REFERENCIAS (MLA):
Atabay, Kutay Deniz, et al. "Whole-Body Single-Cell Atlas of an Adult Vertebrate in Homeostasis and Regeneration." Science, 2026. AAAS, doi:10.64898/2026.02.03.703562.
Las letras impresas son visibles a través del cuerpo casi transparente de Danionella cerebrum, un pequeño pez que abre nuevas posibilidades para estudiar el cerebro de los vertebrados.
Quito, 29 oct (Prensa Latina) Ecuador registró 43 mil 450 casos de dengue hasta el 24 de octubre de 2026 en medios de las lluvias intensas que persisten hoy fundamentalmente en zonas de la costa asociadas al impacto del fenómeno de El Niño.
Un tren que circula a 300 kilómetros por hora recorre 83 metros cada segundo. Cuando comienza a frenar, por tanto, no se detiene en el punto donde se activa el sistema: todavía tiene que disipar la energía de su movimiento y reducir progresivamente su velocidad. La distancia necesaria depende de las características del tren, de sus frenos, de la velocidad inicial y de las condiciones de la vía. La física explica por qué esa distancia puede alcanzar varios kilómetros.
Para entenderlo hay que empezar por una propiedad fundamental del movimiento: la energía cinética, la energía que posee un cuerpo por estar en movimiento. Depende de dos variables, su masa y el cuadrado de su velocidad. Esto último es decisivo. Si un tren duplica su velocidad, no duplica su energía cinética: la multiplica por cuatro. Si pasa de 100 a 300 kilómetros por hora, su energía cinética aumenta nueve veces, siempre que su masa sea la misma.
Esa energía no desaparece cuando el maquinista acciona el freno. Cuanta más energía acumule el tren, más trabajo tendrán que realizar los frenos para detenerlo. Por eso, a igualdad de las demás condiciones, circular más rápido exige una distancia de frenado mucho mayor. Pero existe una segunda distinción importante: la distancia de frenado no es lo mismo que la distancia total de detención. La primera es la que recorre el tren desde que comienza a reducir efectivamente su velocidad hasta que se detiene. La segunda incluye también el espacio recorrido durante los intervalos previos, mientras se detecta una situación, se transmite la orden correspondiente y los frenos desarrollan la fuerza necesaria.
¿Cómo consigue detenerse una composición ferroviaria entonces? Los trenes combinan distintos mecanismos. Los frenos de fricción presionan pastillas o zapatas contra discos o superficies de las ruedas, transformando energía cinética en calor. Muchos trenes incorporan también frenos eléctricos que utilizan los motores de tracción para oponerse al movimiento y, según el sistema, recuperar parte de la energía o disiparla. La combinación concreta depende del diseño del vehículo y de las condiciones de funcionamiento.
El objetivo es distribuir la fuerza de frenado de manera controlada a lo largo del tren. No basta con generar una fuerza muy intensa: hay que mantener la estabilidad, evitar esfuerzos excesivos entre los vehículos y conseguir que las ruedas conserven suficiente adherencia sobre los raíles. Si la fuerza aplicada supera la que puede transmitirse mediante el contacto entre rueda y carril, puede producirse un deslizamiento que reduzca la eficacia de la frenada. La lluvia, la contaminación de la vía y otros factores pueden modificar esa adherencia.
También importa la pendiente. En una vía descendente, la gravedad ejerce una componente de fuerza que favorece el movimiento del tren y se opone a su detención. En una subida ocurre lo contrario. Por eso, las distancias de frenado no pueden calcularse únicamente a partir de la velocidad máxima del tren: también deben tener en cuenta sus prestaciones de frenado y las características del trazado.
Aquí entran en juego los sistemas de señalización y protección ferroviaria. Equipos como el ERTMS (siglas de Sistema Europeo de Gestión del Tráfico Ferroviario). supervisan la posición y la velocidad del tren y calculan curvas de frenado: modelos matemáticos que indican cómo debe disminuir la velocidad para respetar los límites establecidos a lo largo de la vía. Si el tren supera esos límites o no frena cuando corresponde, el sistema puede ordenar una intervención automática.
Pero… ¿cuánto le toma a un tren frenar? Aquí entran decenas de variables como hemos dicho. Desde el peso, la velocidad, las características de la vía, el tipo de frenos. Solo como ejemplo teórico vamos a ver tres escenarios hipotéticos. Tenemos un tren formado por una locomotora y cinco vagones que circula a 250 kilómetros por hora por una vía recta, horizontal y seca. Si suponemos que el conjunto alcanza una deceleración constante de 0,7 metros por segundo al cuadrado, necesitaría recorrer unos 3,45 kilómetros desde que comienza a frenar hasta detenerse por completo. A esa distancia habría que añadir el espacio recorrido durante el tiempo de respuesta del sistema: si suponemos dos segundos antes de que la deceleración indicada comience a actuar, el tren avanzaría unos 139 metros adicionales. En total, la detención requeriría aproximadamente 3,6 kilómetros.
El segundo escenario es el mismo tren en las mismas condiciones, pero a 300 km/h. Al pasar de 250 a 300 kilómetros por hora (un aumento de velocidad del 20 %) aumenta la distancia total de frenado de unos 3,6 a 5,1 kilómetros, cerca de un 44 % más.Por último, si ese mismo tren circulase a 50 kilómetros por hora, manteniendo la deceleración media supuesta de 0,7 metros por segundo al cuadrado y los dos segundos de tiempo de respuesta, necesitaría unos 166 metros para detenerse por completo.