❌

Reading view

Como ser feliz? Matthieu Ricard, considerado o homem mais feliz do mundo e monge budista, indica os 3 sentimentos que devem ser eliminados da rotina

A busca pelo bem-estar duradouro está associada ao controle dos pensamentos e à eliminação de sentimentos nocivos à mente.

Para o monge budista Matthieu Ricard, autor da obra Felicidade: um guia para desenvolver a habilidade mais importante da vida, a estabilidade emocional exige o abandono de três emoções específicas: ódio, orgulho e ciúmes.

O impacto das emoções negativas na saúde mental

Em entrevista à BBC News Mundo, Ricard explicou que o cultivo constante dessas três emoções compromete o equilíbrio pessoal, favorecendo o surgimento de ansiedade, estresse e conflitos interpessoais.

Segundo o especialista, a permanência nesses estados mentais faz com que o indivíduo se torne refém das próprias construções psicológicas.

A tese defendida pelo monge aponta que a liberdade interior consiste na capacidade de não ficar preso a fluxos de pensamentos automáticos que resultam em sofrimento. O foco do desenvolvimento pessoal, portanto, não está na tentativa de alterar fatores externos imprevisíveis, mas na reorientação da própria mente.

Leia Mais:

O treinamento da mente para o bem-estar

O controle sobre as condições externas é limitado, enquanto a gestão das reações individuais permanece sob alcance do indivíduo. A mente atua diretamente na interpretação dos fatos cotidianos, podendo transformar o ambiente em fonte de satisfação ou de insatisfação.

Dessa forma, o treinamento mental e a moderação sobre tendências habituais são apontados como etapas indispensáveis para reduzir a vulnerabilidade ao estresse e alcançar um estado duradouro de equilíbrio emocional.

Esse texto foi gerado por inteligência artificial com base no conteúdo produzido pela Itatiaia. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN Brasil.

  •  

Quase metade dos policiais federais relata sofrimento psíquico, diz estudo

Mais da metade dos policiais federais ouvidos em Curitiba, no Paraná, relataram problemas relacionados ao sono, tensão e nervosismo, segundo um estudo do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem do Setor de Ciências da Saúde da UFPR (Universidade Federal do Paraná).

O levantamento, que investigou fatores psicossociais relacionados ao trabalho na PF (Polícia Federal), ouviu 146 servidores da Superintendência Regional da corporação na capital paranaense. Do total, 47,26% afirmaram dormir mal e 43,15% relataram tensão e nervosismo constantes. Seis policiais mencionaram vontade de tirar a própria vida.

A pesquisa também identificou diferenças entre homens e mulheres. Segundo a UFPR, as servidoras apresentaram índices expressivamente maiores de sofrimento psíquico e desmotivação.

Esses índices, de acordo com a pesquisa, é resultado de uma sobrecarga da dupla jornada e a permanência de um ambiente historicamente masculinizado nas forças de segurança.

Jornadas irregulares e exposição a situações de risco

As jornadas irregulares, exposição a situações de risco e pressão constante fazem parte da rotina comum de trabalho da Polícia Federal. Segundo a UFPR, apesar dessas características, a saúde mental dos servidores da instituição ainda é menos estudada do que a dos profissionais das polícias militares e civis.

O estudo resultou na dissertação de mestrado de Jenira Priscila dos Anjos, orientada pela professora Fernanda Moura D’Almeida Miranda, coordenadora do Observatório Nacional de Saúde Mental e Trabalho. A investigação será apresentada na 17ª Semana Integrada de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFPR.

Os dados foram coletados entre outubro e novembro de 2025, por meio de questionários estruturados e autoaplicáveis. Dos 320 questionários distribuídos aos servidores elegíveis, 146 foram respondidos voluntariamente.

De acordo com a UFPR, a maior parte dos participantes era formada por homens, brancos e casados, com média de 48 anos de idade e pelo menos 18 anos de atuação na Polícia Federal.

Resultados

Segundo o levantamento, 68,49% dos servidores entrevistados realizavam atividades mistas, tanto internas quanto externas. Outros 30,82% trabalhavam exclusivamente em escritórios. Nenhum dos participantes atuava apenas em atividades de rua.

A UFPR apontou que maioria dos agentes cumpria jornadas de 40 horas semanais e não tinha rotina noturna fixa, exceto em situações excepcionais.

Dos entrevistados, mais de 95% possuíam ensino superior completo ou pós-graduação, em áreas como Direito, Ciências Contábeis e Engenharia. A pesquisa também destaca que a Polícia Federal dispõe de equipes próprias de médicos, psicólogos e assistentes sociais.

Veja também: Mais de 70 mil policiais e bombeiros foram afastados por saúde mental

Além disso, a PF também mantém o Programa Rosa dos Ventos, que oferece mentoria de carreira e atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito, confidencial e disponível 24 horas, com foco também na prevenção do suicídio.

Apesar da estrutura de atendimento, os indicadores de sofrimento psíquico apareceram entre os servidores ouvidos. Além dos problemas relacionados ao sono e da tensão constante, seis participantes mencionaram vontade de tirar a própria vida.

Outro resultado apontado pela pesquisa foi a relação entre o tempo de serviço e a avaliação do ambiente de trabalho: quanto mais tempo um servidor tinha na instituição, menos positiva tendia a ser sua percepção das condições laborais.

A pesquisadora responsável pelo estudo afirmou, no entanto, que o resultado não permite concluir que o tempo de carreira provoque adoecimento. O levantamento identifica uma associação, mas não estabelece uma relação de causa e efeito.

Brasil “definha” em saúde mental e recorre à IA para tratamento, diz estudo

Melhoria nas condições de trabalho

Por ser um estudo transversal, permite identificar associações e correlações, mas não acompanhar a evolução das condições de saúde dos servidores ao longo do tempo e, por isso, ainda apresenta certas limitações.

Além disso, segundo a pesquisadora, os dados refletem a realidade da Superintendência Regional de Curitiba e não podem ser automaticamente generalizados para todo o efetivo da Polícia Federal no país.

Com base nos resultados, as pesquisadoras propõem medidas para melhorar as condições de trabalho e ampliar o cuidado com a saúde mental dos servidores.

Entre as recomendações está:

  • Fortalecimento do Programa Rosa dos Ventos, com campanhas internas para divulgar os serviços e reduzir resistências culturais à procura por apoio psicológico;
  • Garantia de recursos orçamentários;
  • Ampliação do acesso ao atendimento em todas as unidades da PF;
  • Criação de canais institucionais de escuta e denúncia, que permitam identificar problemas no ambiente de trabalho e rever rotinas consideradas estressantes ou repetitivas

Ainda segundo a orientadora, os relatos dos participantes também indicaram problemas que vão além da assistência à saúde. Durante a pesquisa, servidores mencionaram episódios de assédio moral e medo de retaliações.

Leia também: Assédio no trabalho: entenda quando a mulher pode pedir rescisão indireta

A insegurança foi apontada como um dos motivos para que os questionários fossem impressos, em vez de disponibilizados digitalmente, como forma de evitar o rastreamento das respostas.

Para as servidoras, a pesquisa recomenda a adoção de horários e jornadas flexíveis, como forma de reduzir os impactos da dupla jornada. Os dados também poderão subsidiar protocolos de identificação precoce de problemas de saúde mental e de acompanhamento contínuo dos profissionais.

Estudo: 31% dos trabalhadores brasileiros não cuidam da saúde mental

 

  •  

Solidão “premium”: como redes sociais e consumo transformam estar só em desejo

No Pauta Pública desta semana, Andrea Dip recebe Lucas Liedke e André Alves, psicanalistas, pesquisadores e fundadores da Float Vibes, instituto de estudos culturais e pesquisa comportamental. Apresentadores do podcast Vibes em Análise, eles discutem como as redes sociais transformam a noção de coletividade e de individualidade e como as empresas por trás dessas plataformas se beneficiam da solidão. Para Lucas, o consumidor solitário tende a ser mais rentável para o mercado. 

Segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde, uma em cada seis pessoas no mundo se sente sozinha, com impactos significativos na saúde e no bem-estar. Para os entrevistados, as redes sociais prometem conexão e pertencimento, mas também podem intensificar o avanço da solidão entre as pessoas e transformar em espetáculo. “Quem filma a solidão […] no limite também está colocando a câmera como testemunha, ou a suposta audiência como testemunha… um artifício para não estar exatamente sozinho”, resume André Alves. Para Lucas Liedke, este é exatamente o ponto de atenção, já que as plataformas lucram com essa dinâmica. “O imaginário divertido e hipersocial das mídias sociais pode ser opressor”.

As redes sociais não só contribuem para este fenômeno como podem transformá-lo em uma espécie de espetáculo. 

Leia os principais pontos da conversa e ouça o podcast completo abaixo.

EP 239 A solidão “premium” – com Vibes em Análise

23 de outubro de 2026 · Psicanalistas do Vibes em Análise falam sobre o aumento da solidão e como as redes transformaram a ideia de coletividade

0:00 -:–

Vocês escreveram esse texto, Solidão Premium, que é uma análise sobre muitos temas que se entrelaçam. Então pra começar, o que é a solidão premium?

Lucas Liedke: A discussão sobre solidão vem acontecendo enquanto sintoma global há algum tempo. Com certeza com mais força há uns cinco anos, a partir da pandemia, do trabalho remoto, do isolamento social. Alguns fenômenos que já eram uma realidade, mas que foram ganhando expansão, se tornando uma necessidade e nós sabemos que muitas pessoas nunca conseguiram voltar ao que era antes.

No Japão tem esse fenômeno do hikikomori, que são os indivíduos que não saem de casa, de forma alguma, e ficam nesse confinamento extremo. Na China, a gente viu o lançamento de um aplicativo, que tem um nome bastante macabro, que é Você Está Morto?, onde as pessoas são convidadas a fazer um check-in a cada dois dias para mostrar para as outras que elas ainda estão vivas.

Nesse contexto, a gente começou a perceber um movimento também de influenciadores de solidão. Pessoas que afirmam ter um um orgulho de não ter uma família próxima, de não ter muitos amigos, de passar um sábado à noite sozinho em casa, assistindo o que quiser no streaming, comendo o que quiser no delivery, sem ter que negociar os seus gostos, as suas escolhas com ninguém. E isso é um contraste curioso para as redes sociais, que sempre foi um lugar mais de expor o quanto você é sociável, o quanto você se diverte, as suas conexões, enquanto uma espécie de capital social. Essa contradição foi o que nos levou a escrever esse texto “Solidão Premium”.

André Alves: Tem o famoso relatório da OMS de 2025 sobre como uma em cada seis pessoas no mundo se sente afetada pela solidão. Sob à luz da psicanálise – que é o campo de onde a gente parte – a definição da solidão parte de uma espécie de déficit relacional. “Eu não tenho quantitativamente e ou qualitativamente relações suficientes na minha vida”. Claro que nunca a gente tem a suficiência na psicanálise, a gente está sempre trabalhando exatamente com ausências e faltas, mas no caso da epidemia de solidão, é algo que diz sobre faltar demais, sobre eu não ter relações profundas o suficiente, e/ou pessoas o suficiente na minha vida com quem eu possa trocar e que considerem a minha dor como algo importante.

A Solidão Premium, da qual a gente tem falado e esse texto que o Lucas escreveu, parte da ideia de que, no estado atual desse movimento, a gente tem observado muitos criadores de conteúdo, e não só, mas também outras áreas da cultura e da vida de uma forma geral, promovendo uma espécie de estetização da solidão. Um rebranding da solidão: a solidão passando a ser algo ou um estado não só difícil, vergonhoso, culposo, negativo, mas também como um estado aspiracional, algo que eu quero ter na minha vida, pertencer, e acho que dá para a gente falar, inclusive, um pouco sobre como o consumo afeta essa história.

Lucas Liedke: Porque essa solidão espetacularizada, o quanto ela é uma escolha? Ou o quanto que é tentar se contentar com o que tem, ou com o que não tem. Porque talvez o que a gente tenha perdido, muitos de nós, não seja só a proximidade com os outros, mas a capacidade e o desejo de se relacionar. Então, nesse espetáculo tem algo meio contraditório, que é você pode estar disposto a não ter mais o valor das relações interpessoais, mas, ao mesmo tempo, tem um gozo em possuir uma audiência e agradar uma audiência, que está validando ali a sua vida solitária, mas que está cheia de prazeres e que custa caro. Como o André falou, ela é aspiracional. Tem uma ostentação, tem um luxo de um certo consumo de que é: “eu estou sozinho, mas eu sou feliz aqui no meu castelo”.

Lucas Liedke e André Alves, psicanalistas, pesquisadores e fundadores da Float Vibes, instituto de estudos culturais e pesquisa comportamental
Lucas Liedke e André Alves, psicanalistas, pesquisadores e fundadores da Float Vibes, instituto de estudos culturais e pesquisa comportamental

Sobre essa ideia da solidão performada; de que solidão estamos falando, quando uma pessoa monta um esquema para se filmar curtindo estar sozinha, para depois apresentar para as pessoas e esperar delas curtidas e comentários? De que tipo de solidão estamos falando quando pensamos nessa solidão performática para o outro?

André Alves: Eu vou trazer três autores para pensarmos a solidão. O Winnicott, psicanalista britânico, tem um texto muito importante, do final dos anos 50, em que ele fala sobre a capacidade de estar só, sobre como a solidão ou a solitude é um estado conquistado. A criança aprende a estar só. Primeiro com os cuidadores observando a criança brincar sozinha, e depois a criança vai integrando essa capacidade de estar feliz em sua própria companhia, ou satisfeita minimamente na sua própria companhia.

Vamos guardar essa informação. Tem uma outra autora que é pouco falada quando se discute solidão – pelo menos nas minhas andanças por aí – que é a Melanie Klein. Já no final de sua obra, tem um texto em que ela descreve a solidão muito ligada a uma nostalgia de um estado perfeito de compreensão total, que nunca existiu mas é a fantasia da relação sem palavras com o objeto primário. A fantasia de que há um outro que me entende completamente, totalmente e me suporta integralmente.

Eu trouxe esses dois autores porque os dois estão falando, de alguma forma, desse ambiente perfeito. E a gente não anda muito bom de desidealizar as coisas. Pelo contrário, a gente anda muito bom de ideais saturados. É o que o consumo especialmente nos promove ou nos promete, né. É exatamente o ambiente perfeito. A casa que ela tem é maravilhosa a ponto de você não querer sair mais dela. Ela faz total sentido, ela reflete todos os seus gostos, né. Esse ambiente de conveniência máxima como se fosse um ambiente perfeito. Que a gente sabe, não existe, mas ao mesmo tempo parece que o consumo tem ficado especialmente bom em nos convencer do contrário.

E aí entra a viralidade e o conteúdo promovendo essa repetição em loop. Eu falei que eram três autores, e acho que tem um terceiro autor importante também da psicanálise britânica, que é o Christopher Bollas, que tem uma grande obra também no século XXI, de como o que a gente busca no consumo é o que o bebê geralmente busca na mãe. Não só um objeto, mas uma experiência de transformação. É isso que o consumo nos promete. “Use isso, tenha isso, viva isso, e você sairá dessa muito melhor, transformado, muito mais aspiracional, inclusive”. É como se a conveniência entrasse também como uma suplantação da carência e de uma constante presença.

Por que a gente tem visto tantos creators ou criadores de conteúdo falando sobre solidão? Exatamente para remontar esse ambiente perfeito e idealizado, colocar nos objetos e nessa casa perfeita cheia de coisas incríveis a ideia de experiência de transformação ou de preservação, e três, uma fala constante e ininterrupta sobre solidão exatamente para não ter que experimentar a solidão. Porque quem filma a solidão ou transforma a solidão em espetáculo – como o Lucas estava dizendo – também está colocando a câmera como testemunha, ou a suposta audiência como testemunha como também um artifício para não estar exatamente sozinho.

Lucas Liedke: Existem dados científicos de como o sentimento de solidão atua como um fator de risco para a nossa saúde, tanto quanto ser sedentário, quanto obesidade, ou tabagismo. Tem até essa ideia de que a solidão é considerada tão prejudicial à saúde quanto fumar 15 cigarros por dia. Mas a solidão é bem subjetiva, você pode estar cercado de muita gente, ainda assim se sentir só, ou o contrário. Então, é claro que não é tanto sobre estar sozinho apenas por opção, mas ter a opção de sair do isolamento quando você quer ou precisa.

Então vale a gente problematizar um pouco que o imaginário divertido e hipersocial das mídias sociais pode ser opressor. Mas a gente também pode demonizar uma vida solitária, assim como romantizar um sentimento de solidão. A gente enxerga que são dois becos sem saída porque tem um empuxo muito do nosso tempo hoje do hiper indivíduo de um grande projeto de se auto-otimizar. E aí as relações nem sempre ajudam nisso, porque você tem que abrir mão de alguma coisa. Precisa se adaptar, quebrar sua rotina, sacrificar alguma coisa. E aí o outro produz um tipo de diferença, ou de atrito, ou de imprevisibilidade nos seus planos. E aí quem entrega essa vida “social” sem fricção é a economia da companhia artificial. A inteligência artificial enquanto essa solução para um problema que foi criado pelas próprias tecnologias.

Não podemos deixar de lado como essa solidão serve ao capitalismo neoliberal, a individualização extrema. Por um lado, a libido tem que estar totalmente investida no trabalho, porque estamos sendo esmagados o tempo inteiro por demandas e não tem mais separação do trabalho para casa, nem fisicamente, nem na nossa cabeça. E aí quais os impactos dessa ideia que os vínculos interpessoais podem oferecer risco para o grande projeto de auto-otimização do super indivíduo?

Lucas Liedke: Tem um tratado do jornalista Derek Thompson que ele chama de século antissocial. Ele fala por esse viés mais do consumo, de a quem que interessa a gente ficar mais e mais sozinhos. Porque mesmo os aplicativos de relacionamento são projetados de forma que você continue lá. Eles não querem perder esses clientes e consumidores. 

O consumidor solitário tende a ser mais rentável para o mercado. São as porções menores e mais caras, é mais embalagem, tem mais transações individuais. A gente tem hoje uma análise de dados também, de algoritmo, que funciona de um jeito muito menos genérico, – como era a visão demográfica do consumidor – hoje, é muito singular, muito específico. E a gente vai sendo suprido com muita conveniência, como se isso desse conta da complexidade do nosso afeto e das nossas carências.

André Alves: O Bumble lançou esse ano o concierge de IA. Você não precisa mais conversar com 10, 50, 100 pessoas até achar uma pessoa que seria “perfeita”. Porque a gente sabe que o trabalho relacional começa exatamente depois do encontro, e não necessariamente no encontro perfeito, do objeto perfeito que vai satisfazer todas as suas necessidades. E aí o concierge de IA, na verdade, filtra quem são as três pessoas perfeitas. Depois, os concierges de IA vão conversar entre si para encontrar a sua probabilidade perfeita.

Então, é um sintoma social, da mediação relacional e também da comunicação assíncrona, de uma quantidade muito grande de ansiedades sociais, da evitação do conflito e principalmente – do que a gente no Instituto Float Vibes, que eu e o Lucas temos – chamamos de era das intimidades sintéticas. A gente fica acostumado demais não com as relações, mas com aquilo que é “sabor-relação”, que me dá o simulacro de relação o simulacro de comunidade, pegando um termo do Zygmunt Bauman.

Outra coisa que eu acho interessante pensar, bem fisheriano, é como essa relação é um golpe de mestre do capitalismo tardio. Primeiro, ele degrada a coletividade e depois nos vende ela de volta, só que com mensalidades, com grupos, com clubes. E aí nós vamos tentando reintegrar a nossa necessidade de fazer pontes e de pertencer através de serviços pagos. Só que, junto com isso, há uma tese em curso que ganha força – especialmente no final dos anos 80 e nos anos 90 –, de que o sucesso é uma questão de disciplina e especialmente de dedicação. Thompson, citado por Lucas, escreveu bastante sobre como o trabalho suplanta a ausência de religiosidade e espiritualidade desse período, consequentemente, o trabalho vira um sistema de devoção. 

Porque se o sujeito contemporâneo, do hiper desempenho, acredita que o sucesso é uma questão de disciplina, as relações vão se transformando em distrações. A relação tem um risco especialmente para os homens, como temos acompanhado em alguns estudos que temos feito e publicado. As relações vão sendo encaradas não mais como algo que você tem que fazer para pertencer ao meio social, mas sim, algo que você pode evitar para continuar comprometido com o seu projeto de sucesso e ascensão.

  •  

Acidente em Toledo: o impacto emocional de uma tragédia, como lidar com o medo e a ansiedade

A psiquiatra Maria Moreno analisa o impacto psicológico do acidente ferroviário em Toledo e como a tragédia afeta não só as vítimas diretas, mas também aqueles que assistem de longe. A autora aborda a resposta natural do cérebro ao medo e à ansiedade e explica que esses sentimentos podem evoluir para condições mais sérias como depressão e stress pós-traumático. Maria Moreno realça ainda a importância de reconhecer sinais de alerta e procurar apoio psicológico.

  •  

Fernando Pimenta alerta para a importância de pedir ajuda psicológica “sem medo”

O canoísta olímpico Fernando Pimenta, de Ponte de Lima, alertou hoje para a importância de não ter medo de pedir ajuda para salvaguardar a saúde mental, seja no desporto, ou em outra profissão, principalmente nas que estão sujeitas a maior pressão.

“Ainda hoje estou frustrado e triste porque sei que tinha todas as condições para ter trazido o ouro [na final de K1 1.000 metros dos Jogos Olímpicos Paris2024] e por dois erros que cometi na regata, não trouxe. A minha mulher já não me podia ouvir e liguei à minha psicóloga, que me disse para me focar na próxima competição”, admitiu Fernando Pimenta.

O atleta falava do decorrer de uma conversa na quarta edição do S4 – Congresso Internacional Safety, Security, Service at Sports Events (proteção, segurança, e acolhimento em eventos desportivos, tradução livre), que termina hoje em Viseu, organizado pela Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto (APCVD).

E, perante uma plateia com dezenas de elementos de segurança – Polícia de Segurança Pública (PSP) e Guarda Nacional Republicana (GNR) –, afirmou que, “quem está sujeito a uma grande pressão, principalmente em determinados momentos, deve procurar ajuda psicológica sem medo”.

“Quando tenho uma prova marcada ninguém me pergunta se estou bem, se estou doente ou se me morreu alguém. Estás bem, vais. Não estás bem, vais”, relatou.

O atleta olímpico deixou ainda o aviso da “necessidade de tempo de recolhimento sozinho, para ajudar no bem-estar mental”, seja antes ou depois da prova, ou em outros momentos que sejam necessários.

“Às vezes, temos de criar uma bolha e viver nela durante determinado tempo, como por exemplo durante uma competição, para não nos deixarmos afetar por algo que aconteça na nossa família, por exemplo”, indicou.

Questionado sobre o fim da carreira na alta competição, Fernando Pimenta admitiu que já pensou nisso, mas “ainda nada está definido, porque se tivesse parado em Paris, como muita gente sugeriu, não teria conquistado os títulos mundiais” que se seguiram.

Ainda assim, deixou claro que, depois de deixar a alta competição, “gostaria de contribuir de uma forma muito direta no desenvolvimento do desporto no país”, não só na canoagem, mas “no desporto no geral”.

O conteúdo Fernando Pimenta alerta para a importância de pedir ajuda psicológica “sem medo” aparece primeiro em O MINHO.

  •  

Tese de doutoramento analisa impacto da pobreza na saúde mental

VTM

A investigação incidiu sobre os fatores de risco e proteção da saúde psicossocial de pessoas em situação de vulnerabilidade, com particular enfoque nas comunidades ciganas e não ciganas do concelho de Vila Real.

Este estudo foi realizado em colaboração com o Núcleo Distrital de Vila Real da EAPN Portugal e contou com a coorientação de Catarina Oliveira e a orientação principal de Henrique Pereira, professor catedrático da Universidade da Beira Interior. A recolha de dados contou também com o apoio de várias instituições locais, nomeadamente a Between Dimensions, a Vila Real Social e o IEFP de Vila Real.

Em declarações à VTM, Jóni Ledo revelou que o interesse pelo tema surgiu da necessidade de contribuir para o conhecimento científico sobre populações vulneráveis. “Ninguém estuda estas comunidades, porque, tendencialmente, as pessoas em situação de pobreza ou vulnerabilidade não frequentam as universidades, não têm um papel ativo nas instituições, na Assembleia da República e nos lugares de poder”.

A investigação incluiu dois estudos realizados exclusivamente em Vila Real, um estudo quantitativo com 317 participantes das comunidades cigana e não cigana, todos em situação de pobreza; e um estudo qualitativo baseado em 20 entrevistas clínicas, dez com pessoas de cada comunidade. A recolha de dados junto da comunidade cigana exigiu um trabalho de proximidade, com a aplicação de questionários porta a porta nos bairros, contando com o apoio da EAPN Portugal.

Artigo exclusivo PREMIUM

Tenha acesso ilimitado a todos os conteúdos do site e à edição semanal em formato digital.

ou compre apenas este artigo:

Comprar este artigo — 1,00€
Se já é PREMIUM, Aceda à sua conta em Entrar

The post Tese de doutoramento analisa impacto da pobreza na saúde mental appeared first on A Voz de Trás-os-Montes.

  •  

ISMAT acolhe seminário sobre saúde mental e novos desafios da Psicologia em Portimão

A iniciativa da PACTOR Editora decorre a 30 de outubro, das 14h00 às 17h00, e reúne profissionais, investigadores e comunidade académica.

O conteúdo ISMAT acolhe seminário sobre saúde mental e novos desafios da Psicologia em Portimão aparece primeiro em Barlavento.

  •  

Ritmo circadiano desregulado pode ser a causa de 25% das depressões

Um estudo australiano, realizado com mais de 10 mil pessoas, sugere que as alterações dos ritmos circadianos podem estar associadas a uma forma de depressão mais grave e resistente aos antidepressivos convencionais. Cerca de 23% das pessoas com depressão grave e recorrente poderão apresentar uma forma da doença associada à desregulação do relógio biológico, segundo a investigação conduzida pela Universidade de Sydney. A condição, designada pelos investigadores como “depressão circadiana”, caracteriza-se por alterações nos ciclos de sono e vigília e poderá exigir tratamentos diferentes dos habitualmente utilizados. Os participantes responderam a questionários sobre os seus hábitos de sono, sintomas depressivos

  •  

Um dia entre todos os dias – 10 de Outubro – Dia Mundial da Dislexia e da Saúde Mental

AF! Como Terapeuta da Fala uma das casuísticas que aparece em consulta são cérebros disléxicos. Um cérebro disléxico é para toda a vida. É importante sublinhar com um marcador de cor florescente: a dislexia não é um problema de inteligência. A dislexia é explicada por várias abordagens que não estão alinhadas. E como na estrada […]
  •  
❌