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Institucionais que compram imóveis para arrendar não beneficiam do IVA a 6%

A impossibilidade de fundos e outros investidores institucionais beneficiarem automaticamente do IVA a 6% na construção está a gerar críticas entre os especialistas do setor imobiliário.

Em causa está quem compra imóveis já concluídos para os colocar no mercado de arrendamento e cujas operações não reúnem os requisitos legais para beneficiarem do incentivo fiscal.

Contudo, a limitação não abrange automaticamente todos os fundos imobiliários: depende da estrutura do investimento e do enquadramento da operação.

Bruna Melo, partner de International Tax and Transaction Services da EY, explica que a taxa reduzida de IVA a 6% na construção cobre dois cenários. “Um é a venda a quem vai viver na casa, com preço até 660.982 euros. O outro é o arrendamento pelo próprio promotor, com renda até 2.300 euros por mês. Valores que serão atualizados para 2027”.

“Fica de fora a venda a investidores que comprem os imóveis para os arrendar a rendas moderadas”, afirma. Como tal, na prática, quem constrói para vender a um investidor paga IVA a 23% e quem constrói para vender a famílias paga a 6%.
“A diferença de tratamento não tem justificação face ao objetivo da medida, que é o de colocar mais casas no mercado a preços moderados”, defende.

E critica o desconhecimento da dinâmica do setor por parte do Governo. “Em tese, o promotor constrói para vender e raramente está alinhado com o modelo de construção para arrendamento, que obriga a deter o imóvel durante anos”, diz.

Por outro lado, os investidores institucionais, como fundos de pensões e fundos de investimento têm outro perfil. “Não querem expor-se ao negócio da promoção imobiliária, com os seus riscos de licenciamento, obra e comercialização. Querem deter imóveis para arrendamento, muitas vezes a longo prazo. Procuram rendimentos estáveis e previsíveis, e por isso compram o ativo já construído, em bloco, e gerem-no de forma profissional”, aponta, realçando que o promotor assume o risco de construir e sai com a venda.

Esta limitação no regime deixa fora dele um conjunto significativo de investidores com capacidade para financiar, gerir e colocar no mercado grandes carteiras de habitação para arrendamento.

“Quando a oferta é escassa e os preços são elevados, dispensar capital de longo prazo e gestão profissional é um contrassenso. A venda a um investidor, de uma só vez, também dá ao promotor a segurança necessária para avançar com o projeto”, sublinha.
Como tal, acredita que este cenário permitiria ainda colocar num único momento um número expressivo de casas no mercado de arrendamento, o que ajudaria a equilibrar as rendas.

Bruna Melo diz que o problema não se esgota nestecaso concreto, pois o regime está repleto de condições e exclusões. “Cada requisito acrescenta risco para quem investe e abre espaço a interpretações diferentes entre contribuintes e AT, criando incerteza e imprevisíbilidade, essenciais para a decisão de investir”. afirma.

Pioridade a quem constrói
Pedro José Santos, coordenador do Departamento Fiscal da RSN Advogados diz que a questão se coloca, sobretudo, quando os fundos, seguradoras ou outros investidores institucionais não intervêm na construção e entram apenas numa fase posterior, adquirindo imóveis já concluídos para os colocar no mercado de arrendamento.

“Aí existe efetivamente uma limitação ao aproveitamento do benefício, mas ela parece-me coerente com a lógica subjacente ao regime, de fazer com que a redução do IVA se traduza, tanto quanto possível, numa diminuição efetiva do custo da habitação para quem compra para habitação própria ou numa redução do custo de produção da habitação que é diretamente colocada no mercado de arrendamento, evitando que o benefício fiscal se dilua numa cadeia de intermediação sem impacto necessário no preço final ou na renda praticada”, explica.

O advogado defende que tal como está estruturado, o benefício deve seguir a criação de habitação e não apenas a circulação do ativo imobiliário e reconhece que se o objetivo é criar nova oferta de habitação, faz mais sentido premiar quem assume o risco de construir do que quem entra apenas depois de o imóvel estar concluído.

“Esta limitação pode ser parcialmente ultrapassada através de estruturas de associação entre promotores e investidores institucionais, permitindo que os fundos participem desde a fase de desenvolvimento e construção dos projetos”, refere.

Clarificação fiscal
Sérgio Fagundes Conceição, associado principal da Antas da Cunha Ecija, alerta para a necessidade de distinguir corretamente as verbas incluídas nos contratos de empreitada, nomeadamente seguros, cauções e fundos de garantia.
“Não existe uma exclusão automática de ‘seguros’ e ‘fundos’ do IVA a 6%; existe, sim, uma necessidade de qualificar cada verba”, sublinha.

Os seguros debitados pelo empreiteiro ao dono da obra podem constituir despesas acessórias da empreitada e integrar a base tributável. Já as cauções e os depósitos de garantia verdadeiramente reembolsáveis podem ficar fora dessa base, desde que não correspondam, na realidade, a uma parte do preço ou a uma contraprestação por serviços.
“As quantias que sejam preço ou despesas acessórias da empreitada tendem a integrar a base tributável. As quantias que sejam meras garantias reembolsáveis, ou pagamentos feitos em nome e por conta do dono da obra e corretamente registados como tal, podem ficar fora da base tributável”, conclui.

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Topo da Agenda: o que não pode perder nos mercados e na economia esta quinta-feira

Quinta-feira, 29 de outubro

Evento em destaque: Presidente da República, António José Seguro, recebe os partidos individualmente para abordar o tema da coesão social

As reuniões acontecem no dia seguinte à votação na generalidade do OE2027 e num contexto de manifestações pelo direito à habitação. O Presidente da República tem manifestado preocupação com a coesão social e com a coesão territorial, com alertas para as desigualdades socioeconómicas e para as dificuldades provocadas em Portugal pelo aumento dos preços. É a segunda reunião do Conselho de Estado que António José Seguro convoca desde que assumiu a chefia do Estado, iniciado em 9 de março.

Outros eventos em foco

  • Início da apreciação do Orçamento do Estado na especialidade. Tribunal de Contas (10h30), Ministro dos Negócios Estrangeiros (14h00) e Ministro da Economia e Coesão Territorial (18h00)
  • Cimeira União Europeia/Canadá (até 30 de outubro – Montreal)
  • Conselho Europeu sobre Energia (09h30 – Luxemburgo)
  • BdP: Informação sobre o regime da garantia do Estado em contratos de crédito à habitação
  • INE: Estatísticas do Comércio Internacional
  • INE: Estimativas Mensais de Emprego e Desemprego
  • INE: Inquéritos de Conjuntura às Empresas e aos Consumidores
  • Manifestação nacional de polícias e militares da PSP e GNR
  • Conferências do Estoril. Organizada pela Nova SBE e NOVA Medical School. Com a presença dos ministros dos Negócios Estrangeiros, das Finanças, das Infraestruturas e da Reforma do Estado, a Comissária Europeia Maria Luís Albuquerque, o antigo primeiro-ministro de Itália, Enrico Letta e o Nobel da Economia, Paul Krugman (até 30 de outubro)
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Greve de sexta-feira na CP desconvocada após “desenvolvimentos positivos”

A greve na CP – Comboios de Portugal marcada para sexta-feira pelos revisores e trabalhadores de bilheteiras foi esta quarta-feira, 28 de outubro, desconvocada, após “desenvolvimentos positivos” numa reunião entre o sindicato e o Ministério das Infraestruturas e Habitação.

Em comunicado, o Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI) aponta que suspendeu o pré-aviso de greve de 30 de outubro depois de terem sido “registados desenvolvimentos positivos no processo de resolução do conflito laboral que opõe os trabalhadores à CP” numa reunião com representantes da tutela na terça-feira.

O SFRCI aponta que a suspensão da greve é um sinal de responsabilidade e confiança no diálogo, depois da disponibilidade manifestada pelo Ministério das Infraestruturas e Habitação e pela administração da CP em dar seguimento às reivindicações apresentadas.

Durante a reunião de terça-feira, os intervenientes analisaram o caderno reivindicativo apresentado pelo sindicato, tendo “os representantes ministeriais em conciliação com a administração da CP manifestado disponibilidade para dar seguimento às reivindicações colocadas pelo SFRCI”.

“Esta decisão constitui um sinal de responsabilidade institucional e de abertura ao diálogo, demonstrando que o SFRCI privilegia a negociação e a procura de soluções concretas, sempre que exista vontade efetiva de responder aos problemas dos trabalhadores”, acrescenta o sindicato.

Ainda assim, o sindicato registou que esta abertura deverá “traduzir-se em medidas concretas, compromissos objetivos e resultados efetivos”.

Apesar da suspensão do pré-aviso de greve, o SFRCI sublinha que tal não significa um abandono das reivindicações ou “um cheque em branco à tutela ou à administração da CP”, mas sim “uma oportunidade para que o diálogo” produza os resultados esperados pelos trabalhadores.

Caso tal não aconteça, o SFRCI diz reservar-se ao direito “retomar a luta sindical e de recorrer às formas de ação que considere necessárias, incluindo a convocação de novas ações de luta, nos termos legalmente aplicáveis”.

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Startup portuguesa tem 160 milhões para investir na construção de 1.080 casas até 2028

A startup portuguesa inHabitus especializada em construção industrializada quer colocar no mercado nacional 1.080 casas até 2028, através de projetos que unem métodos de construção inovadores e padronização em escala procurando entregar casas com prazos mais curtos e preços por metro quadrado global (incluindo áreas exteriores privativas) que chegam aos 65% abaixo da mediana nacional. Para isso conta com 160 milhões de euros provenientes de capitais próprios e financiamento bancário.

O primeiro projeto arrancou em setembro com a construção do ‘Origem Alfena’ no Porto, com 79 moradias em tipologias V2, V3 e V4, todas vendidas. Já em outubro, a inHabitus lançou a comercialização de um empreendimento de Setúbal, composto por 136 moradias, nas tipologias V1 a V4.

Até ao final do ano a startup portuguesa tem o objetivo de colocar no mercado mais 253 habitações, distribuídas por dois empreendimentos nas regiões de Viseu e do Grande Porto, num total de quatro projetos residenciais que integram a primeira fase de um pipeline com presença de Norte a Sul do país. Os empreendimentos incluem moradias de tipologias V1 a V4, com preços a começar nos 139 mil euros.

Mário Ferraz, co-fundador da inHabitus, salienta que a empresa constrói casas praticamente da mesma forma há décadas, apesar de os desafios do setor exigirem novas respostas. “Na inHabitus, queremos contribuir para tornar a habitação mais acessível, repensando a forma como desenvolvemos e construímos casas. O nosso objetivo é conseguir colocar mais habitação no mercado, com preços competitivos, sem comprometer a qualidade”, refere.

Para isso a empresa utiliza diferentes métodos modernos de construção, combinando engenharia e tecnologia, com ferramentas digitais próprias que automatizam o projeto, otimizam custos e prazos e garantem previsibilidade emn todas as fases, do conceito à obra.

“Uma parte importante da diferença está na forma como organizamos todo o processo. Ao concentrarmos competências na mesma estrutura e reduzirmos a dependência de uma cadeia de intermediários e subcontratados, conseguimos ter maior controlo sobre as decisões e os custos. A industrialização permite-nos padronizar soluções, ganhar eficiência e replicar o modelo em diferentes localizações. É esta combinação que nos permite trabalhar para oferecer casas a preços mais acessíveis”, explica.

O resultado previsto desta abordagem, face à construção tradicional, é a redução de cerca de 50% no tempo de entrega e a redução de 30% no custo total de construção. A empresa estima reduções de cerca de 80% no desperdício de materiais e no risco de acidentes em obra, face aos métodos tradicionais.

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Topo da Agenda: o que não pode perder nos mercados e na economia esta quarta-feira

Quarta-feira, 28 de outubro

Evento em destaque: Plenário da Assembleia da República para continuação do debate na generalidade e votação da proposta de OE2027

O parlamento continua pelas 10h00 o debate sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2027, com a votação na generalidade marcada para o final. A Aliança Democrática (AD – PSD/CDS-PP) que elaborou o documento votará a favor, enquanto o Partido Socialista, através do seu secretário-geral, José Luís Carneiro já anunciou que vai abster-se, e terá os votos contra do Chega, PCP, Livre e Bloco de Esquerda.

Outros eventos em foco

  • Reunião de Governadores do Banco Central Europeu em Frankfurt, até 29 de outubro, dia em que se realiza a conferência de imprensa para a apresentação de decisões da reunião, nomeadamente a subida ou não das taxas de juro.
  • Millennium BCP apresenta resultados do terceiro trimestre. Conferência de imprensa às 17h00 no Tagus Park, com conference call detalhada direcionada a analistas e investidores internacionais, na quinta-feira, 29 de outubro, às 15h00.
  • Jerónimo Martins divulga resultados do terceiro trimestre (após encerramento do mercado)
  • INE: Procura turística dos residentes
  • Meridian 2026: Conferência anual da Stellar Development Foundation, centrada no ecossistema da rede Stellar, finanças globais, ativos digitais e políticas do setor. (14h00 -Convento do Beato – Lisboa)
  • Reunião entre o Ministério da Administração Interna e sindicatos da Polícia sobre valorização das carreiras e salários na PSP
  • Manifestação dos estudantes da Universidade de Coimbra e da Universidade da Beira Interior protestam contra aumento da propina
  • Seminário dirigido às empresas portuguesas dos setores aeroespacial e da defesa. Promovido pela AICEP (14h30 – Auditório AICEP – Lisboa)
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“TAP mais competitiva pode reforçar turismo, exportações e atração de investimento estrangeiro”, destaca especialista

A entrada do grupo Lufhtansa como acionista da TAP pode tornar a companhia aérea mais competitiva no mercado e com isso reforçar o turismo, as exportações e a atração de investimento estrangeiro para Portugal. Em entrevista ao Jornal Económico (JE), Lúcia Piedade, professora e coordenadora da licenciatura de gestão aeronáutica do Instituto Superior de Educação e Ciências de Lisboa, diz que é preciso garantir que a entrada do grupo alemão não retira à TAP a capacidade de desenvolver uma estratégia própria.

A docente considera que esses benefícios económicos não decorrem automaticamente da venda de uma participação na TAP e que vão dependentes dos investimentos realizados, do emprego criado e da forma como a companhia continuar a contribuir para a economia nacional e reitera que Lisboa deverá continuar a afirmar-se como um hub internacional relevante, e não apenas como um ponto complementar da Lufthansa.

Como poderá o atual cenário de inflação e aumento dos custos afetar a TAP nos próximos anos?

O que me parece é que não podemos ver, no atual contexto, a inflação apenas como uma ameaça, mas também como um teste à capacidade de transformação da TAP.

É uma questão relevante para o seu futuro, isto porque as companhias aéreas estão a enfrentar uma combinação de fatores. Desde logo, o aumento dos custos de combustível, mas também a pressão sobre os salários e outros custos operacionais. E depois, pois há a necessidade de investimento na renovação das frotas, em simultâneo com uma maior dificuldade em repercutir integralmente esses aumentos no preço dos bilhetes.

O problema é que a aviação tem uma estrutura de custos muito sensível à evolução dos preços da energia e, no caso da TAP, isto já se refletiu nos resultados de 2026. Se os custos crescerem mais rapidamente do que as receitas, as margens da companhia ficam comprimidas. E numa indústria caracterizada por elevados custos fixos e margens relativamente reduzidas, esta pressão pode limitar a capacidade de investimento e condicionar os planos de expansão.

Convém ainda perceber como a inflação pode ter efeito do lado da procura. Se o aumento dos preços da energia se traduzir numa inflação persistente, reduzindo o poder de compra, os consumidores poderão começar a adiar viagens, a reduzir a frequência das deslocações ou optar por soluções mais económicas. É por isso que o cenário se torna difícil, ou seja, custos elevados provocam abrandamento na procura. É evidente que a TAP pode aumentar os preços para compensar parte do aumento dos custos, mas não pode fazê-lo indefinidamente sem correr o risco de perder competitividade ou reduzir a procura.

Com a entrada da Lufthansa, não é apenas a capacidade de aportar capital que é reforçada. Assiste-se, também, à possibilidade de gerar economias de escala, para além de otimizar aspetos decorrentes das compras, da manutenção ou gestão de frota. Ora, provocar ganhos de eficiência pode contribuir para absorver a pressão inflacionista. E crescer num contexto de custos elevados pode ser uma oportunidade, mas também pode aumentar a exposição financeira se a procura não acompanhar esse crescimento.

Como é que a Lufthansa pode ajudar a TAP?

A entrada da Lufthansa pode representar uma oportunidade para a TAP reforçar a sua competitividade, modernizar a operação e consolidar a sua posição no mercado internacional. O principal benefício não será apenas o acesso a capital, mas a possibilidade de integrar uma companhia aérea portuguesa num Grupo com dimensão, experiência operacional e uma rede internacional muito abrangente.

A Lufthansa poderá contribuir para melhorar a eficiência operacional e reduzir custos. A aquisição conjunta de equipamentos e serviços, a partilha de conhecimentos técnicos, a otimização da manutenção e a utilização de ferramentas avançadas de planeamento poderão gerar economias de escala. Numa indústria com margens reduzidas e custos elevados, estas melhorias podem ser determinantes para a sustentabilidade financeira da TAP.

Expandir a rede de destinos e aumentar a conectividade será um dos grandes beneficios da TAP. Isto, porque a articulação entre a rede TAP e o Grupo Lufthansa poderá facilitar ligações entre voos, aumentar a captação de passageiros e tornar mais competitivas determinadas rotas. A TAP dispõe de uma vantagem estratégica nos mercados do Brasil, da América do Sul e dos países africanos de língua oficial portuguesa, que poderá complementar a rede europeia do Grupo alemão e, por conseguinte, reforçar a conectividade internacional da companhia portuguesa.

A cooperação com empresas do Grupo poderá proporcionar acesso a conhecimento especializado em engenharia, segurança operacional, gestão de receitas, sustentabilidade e inovação tecnológica, o que irá possibilitar o desenvolvimento da frota, melhorar os serviços digitais, reforçar a manutenção aeronáutica e investir na formação de profissionais.

É fundamental ter em conta que a integração não retire à TAP a sua capacidade de desenvolver uma estratégia própria. Isto, porque Lisboa deverá continuar a afirmar-se como um hub internacional relevante, e não apenas como um ponto complementar da rede Lufthansa, tendo sempre presente a necessidade de preservar as ligações estratégicas para Portugal e garantir que os benefícios da integração chegam efetivamente à companhia portuguesa.

A Lufthansa poderá ajudar a TAP a ganhar escala, eficiência e capacidade de investimento, o seu sucesso vai depender da concretização dos compromissos assumidos e da capacidade de conciliar a estratégia do Grupo com os interesses económicos e estratégicos de Portugal.

O que ganha o país com o negócio?

Portugal poderá obter benefícios financeiros, económicos, industriais e estratégicos. No entanto, esses benefícios não decorrem automaticamente da venda de uma participação na TAP, dependerão dos investimentos realizados, do emprego criado e da forma como a companhia continuar a contribuir para a economia nacional.

A entrada de um parceiro estratégico com capacidade para apoiar o desenvolvimento da TAP e reduzir a exposição futura do Estado aos riscos financeiros da companhia é um beneficio. A proposta anunciada representa também uma receita potencial para o Estado, embora seja importante distinguir o valor da venda das ações, por um lado, dos investimentos novos que venham a ser realizados em Portugal, por outro.

No campo económico, ter uma TAP mais competitiva no mercado poderá contribuir para reforçar o turismo, as exportações e a atração de investimento estrangeiro. Como é óbvio, a melhoria das ligações internacionais facilita a deslocação de turistas, empresários, investigadores e estudantes, beneficiando, não apenas o setor da aviação, mas também a hotelaria, a restauração, os serviços e as empresas exportadoras. Com isso, torna-se relevante para o reforço da posição internacional de Portugal.

Face ao exposto, iremos assistir à estimulação de emprego qualificado que será concretizada pela expansão da atividade aeronáutica, podendo gerar oportunidades para pilotos, engenheiros, técnicos de manutenção, especialistas em segurança, profissionais de operações aeroportuárias e especialistas em inteligência artificial, análise de dados e cibersegurança.

O desenvolvimento de atividades de formação, manutenção e inovação poderá ainda contribuir para consolidar uma cadeia de valor aeronáutica nacional e melhorar a capacidade de Portugal competir no mercado europeu da aviação. No entanto, é preciso ter em conta que existem riscos, nomeadamente, de carácter de decisão sobre rotas, frotas e investimentos.

Para Portugal, o maior ganho será transformar a operação numa fonte de crescimento económico sustentável, com investimento efetivo, emprego qualificado, maior conectividade e desenvolvimento.

Como pode influenciar as infraestruturas que estão previstas para Portugal?

A entrada da Lufthansa poderá funcionar como um catalisador para a modernização das infraestruturas aeronáuticas portuguesas. Uma companhia aérea que pretenda expandir a frota e aumentar a sua atividade necessita de aeroportos com capacidade suficiente, acessibilidades eficientes, instalações de manutenção e centros de formação adequados. Logo, e pensando de forma otimista, a entrada da Lufthansa poderá reforçar a necessidade de acelerar o planeamento e o desenvolvimento das infraestruturas aeronáuticas portuguesas.

Com a previsão de crescimento da TAP, é lógico que irá aumentar a pressão sobre a capacidade aeroportuária e o reforço dos argumentos económicos a favor da necessidade de uma infraestrutura de maior dimensão. Temos obrigatóriamente de ter um aeroporto com capacidade adequada, permitindo desenvolver o hub de Lisboa, melhorando as ligações entre voos e apoiando a expansão das rotas transatlânticas e europeias.

Mas, até à entrada em funcionamento de uma nova infraestrutura, a capacidade do aeroporto Humberto Delgado continuará a ser uma questão fulcral . A necessidade de gerir o aumento do tráfego poderá justificar investimentos na sua eficiência. Logo, o objetivo deverá ser melhorar a capacidade e a qualidade operacional sem comprometer a segurança ou aumentar excessivamente o congestionamento.

Além dos aeroportos, merecem destaque os investimentos anunciados na formação, na manutenção e na inovação. O centro de inovação anunciado para Aveiro poderá favorecer a colaboração entre empresas e instituições de ensino superior, enquanto a atividade da Lufthansa Technik em Santa Maria da Feira poderá reforçar a manutenção e a engenharia aeronáutica em Portugal.

A localização, o financiamento e a construção de aeroportos dependem de decisões governamentais, avaliações ambientais, planeamento territorial e procedimentos legais. Daí que convém sublinhar que a Lufthansa pode influenciar as decisões de investimento, mas não decide infraestruturas públicas. Por isso, é importante que Portugal aproveite esta parceria para promover uma estratégia integrada que articule aviação, aeroportos, ferrovia, rodovia, ensino superior, investigação aplicada e indústria, construindo um ecossistema aeroportuário competitivo, sustentável e equilibrado, capaz de apoiar o crescimento da TAP e, simultaneamente, servir os interesses económicos e sociais de todo o país.

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Topo da Agenda: o que não pode perder nos mercados e na economia esta terça-feira

Terça-feira, 27 de outubro

Evento em destaque: Eleições Legislativas em Israel

Estas são as primeiras eleições para o Parlamento realizadas na data prevista por lei em cerca de 40 anos e as primeiras, em mais de meio século, em que um Governo completa o mandato. Os dois principais opositores de Netanyahu são Gadi Eisenkot, antigo chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, lidera o partido Yashar. O outro opositor é Naftali Bennett, antigo primeiro-ministro, que lidera a candidatura Beyachad, numa aliança que integra Yair Lapid.

Outros eventos em foco

  • Plenário da Assembleia da República para debate na generalidade da proposta de OE2027
  • Reunião da Reserva Federal norte-americana. Devido ao aumento da inflação nos EUA, tudo indica que pode haver subida das taxas de juro. Na quarta-feira, 28 de outubro está marcada uma conferência de imprensa de Jerome Powell.
  • INE: Inquérito à Avaliação Bancária na Habitação
  • BdP: Inquérito aos bancos sobre o mercado de crédito
  • BdP: Nota de informação estatística sobre empréstimos e depósitos bancários
  • Workshop do Programa da Economia de Defesa. Tema: Entrar no Terreno: Estratégia e Oportunidades na Economia de Defesa: promovido pelo AICEP e o AED Cluster Portugal (10h00 – online)
  • Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões faz apresentação pública do Observatório da Poupança de Longo Prazo para a Reforma (10h30 – ASF – Lisboa)
  • Entrepreneurship Awards no âmbito do aniversário da Unicorn Factory Lisboa (14h30 – Técnico Innovation Center (TIC) – Instituto Superior Técnico – Lisboa)
  • Growth Conference. Encontro para líderes, marcas e empresas para traçar a próxima trajetória de crescimento (09h00 – Casa das Artes – Vila Nova de Famalicão)
  • International Meeting on Triangular Co-operation. Organização OECD (até 27 de outubro – Centro Cultural de Belém)
  • Conferência: Portugal e a Estratégia para a Sustentabilidade dos Produtos Químicos – Oportunidades e Desafios. Organizada pelo IAPMEI, em colaboração com a Universidade de Aveiro (14h00 – Universidade de Aveiro)
  • Conferência: Liderar a Transição Sustentável. Promovido pela Green Savers (09h00 – Auditório da Biblioteca Orlando Ribeiro – Lisboa)
  • Innovating Health Together Conference 2026. Promovido pelo Health Cluster Portugal. Presença do secretário de Estado da Saúde (09h00 – ISCTE)
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