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Homem encontra planta crescendo dentro de seu olho após acidente com galho durante viagem de verão

Após ser atingido por um galho durante uma viagem de verão, uma minúscula planta começou a crescer dentro do olho do russo Maxim Sleptov, de 42 anos, que mora na Sibéria. A raiz, de 3 milímetros, penetrou em sua conjuntiva – tecido que cobre a parte branca do olho.

Em entrevista ao jornal The Sun na última quarta-feira (28), ele contou que sofreu por meses com inflamações, visão dupla e fortes dores de cabeça.

“Meu olho coçava e doía, como se eu tivesse machucado ou coçado. Estava regando e vermelho.”, contou.

Depois de enxaguar o olho, ele removeu um pequeno pedaço da casca e achou que havia parado por aí. No entanto, a dor permaneceu e se tornou insuportável, até ele ter dificuldades para enxergar pelos dois olhos.

Assim que retornou à capital regional, Iakutsk, correu para o Centro de Optometria de Emergência. A semente já estava germinada dentro de seu olho. A descoberta surpreendeu os médicos.

“O mais surpreendente é que havia brotado, e sua raiz realmente penetrou o tecido conjuntival”, disse o médico-chefe Ivan Lutskan.

A oftalmologista Elizaveta Karpota removeu a estrutura usando uma agulha de injeção sob anestesia local.

“Eu nunca tinha enfrentado um caso assim na minha prática antes”, disse ela.

Após a “mini-cirurgia”, as dores de Sleptov desapareceram. 

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Portugal redefine prioridades do Fundo de Modernização da UE

O Ministério do Ambiente e Energia adianta que a agência deverá identificar as áreas prioritárias para a apresentação de candidaturas ao Comité de Investimento do Fundo de Modernização em 2027.

© TIAGO PETINGA/LUSA

A orientação dada à Agência para o Clima, que assumirá a coordenação nacional desde fundo europeu, do qual Portugal beneficia desde 2024
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Angola y Rusia por promover intercambio académico e investigación

Luanda, 29 oct (Prensa Latina) Angola y Rusia suscribieron hoy memorandos de entendimiento para la cooperación en los ámbitos del intercambio académico, la investigación científica y la formación universitaria, como parte de las acciones al margen de la tercera Cumbre Rusia-África, en Moscú.

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Humanos cancelaram acidentalmente a próxima era glacial, mas isso não é motivo para comemorar, dizem os cientistas

Uma nova pesquisa revela que o encolhimento da camada de gelo no Ártico canadense conta uma história impressionante de como os humanos podem ter interrompido a próxima era glacial do planeta ao queimar combustíveis fósseis.

Há cerca de 20.000 anos, a outrora vasta Calota de Gelo Laurentide estendia-se do Círculo Polar Ártico até o sul de Illinois, chegando a ter até três quilômetros de espessura em alguns trechos. Tudo o que resta dela hoje é a Calota de Gelo Barnes, do tamanho do estado de Delaware, na Ilha de Baffin, no território canadense de Nunavut.

Há aproximadamente 2.000 anos, essa camada de gelo começou a se expandir lenta e constantemente. Seu crescimento marcou o início de um novo período de glaciação, comumente chamado de era glacial, de acordo com o novo estudo publicado na revista Science.

Mas por volta de 1960, à medida que as mudanças climáticas provocadas pelo homem elevaram as temperaturas de verão, a camada de gelo começou a encolher abruptamente.

“Estava apenas começando, tudo estava normal, a próxima glaciação estava prestes a acontecer e, no entanto, parou”, disse Nicolás Young, um dos autores do estudo e geoquímico do Observatório da Terra Lamont-Doherty, parte da Escola de Clima da Universidade Columbia. “É um exemplo muito forte de como desestabilizamos o sistema.”

Durante milhões de anos, o planeta passou por períodos de gelo e de transição para eras glaciais, impulsionado por mudanças na órbita da Terra, e a camada de gelo Laurentide frequentemente serve como ponto de partida.

Young e um grupo de cientistas queriam entender se a camada de gelo já havia sido menor do que é atualmente e depois se regenerado. É uma tarefa difícil, pois os vestígios geológicos são frequentemente apagados à medida que o gelo se regenera.

A Calota de Gelo Barnes, no entanto, está congelada em sua rocha matriz e não desliza, o que significa que preservou as plantas que sepultou durante seu crescimento. Os cientistas coletaram musgos mortos há muito tempo perto da borda da calota de gelo e os analisaram para descobrir quando estiveram vivos pela última vez. “Podemos, na verdade, rastrear a expansão da margem do gelo à medida que ela cobre progressivamente os musgos e os mata”, disse Young.

Eles também examinaram rochas próximas para descobrir há quanto tempo estavam livres de gelo, testando um isótopo radioativo raro que se acumula quando uma rocha é exposta ao ar.

Poças de água de degelo na superfície do lado sudoeste da Calota de Gelo Barnes em 12 de julho de 2026. • Observatório da Terra da NASA/Lauren Dauphin
Canais de água de degelo no lado nordeste da Calota de Gelo Barnes em 12 de julho de 2026. • Observatório da Terra da NASA/Lauren Dauphin

As técnicas os ajudaram a reconstruir um panorama do passado do gelo. Descobriram que a camada de gelo atingiu seu tamanho mínimo há cerca de 3.000 anos e, em seguida, começou a crescer novamente há aproximadamente 2.000 anos, em resposta a temperaturas mais frias.

Esse processo de regeneração glacial deveria ser considerado o início de uma nova era glacial, mas, segundo os autores do estudo, ele nunca ultrapassou a fase inicial antes de reverter seu curso na década de 1960. “Acreditamos que não seja coincidência que isso tenha ocorrido ao mesmo tempo em que lançamos uma quantidade extraordinária de gases de efeito estufa na atmosfera”, disse Young. A poluição climática “essencialmente sobrepujou” os outros mecanismos que “tentam resfriar essa região”, acrescentou.

Meredith Kelly, professora de ciências da Terra no Dartmouth College, que não participou do estudo, afirmou que a pesquisa aplica técnicas, incluindo “uma nova datação por radiocarbono de plantas”, para traçar um panorama preciso do avanço e recuo da calota polar.

Ela acrescentou que a conclusão de que o avanço da Calota de Gelo Barnes sugere o início de uma era glacial pode estar correta, mas uma comparação com geleiras em outras regiões que também estavam avançando em um período semelhante ajudaria a entender melhor os mecanismos envolvidos.

Andrey Ganopolski, físico do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático, afirmou que já foram realizadas muitas pesquisas sobre se a poluição por carbono pode atrasar significativamente o início da próxima era glacial.

Mas, acrescentou, outros estudos de modelagem, incluindo o seu próprio, concluem que a próxima era glacial não deverá ocorrer antes de cerca de 50.000 anos mesmo sem o aquecimento global. O crescimento da Calota de Gelo de Barnes “é insuficiente para sustentar a conclusão de que um novo ciclo glacial já tenha começado e sido posteriormente interrompido”, afirmou.

Young e seus coautores, no entanto, argumentam que o primeiro recrescimento da camada de gelo Laurentide já marca o início de uma era glacial e que não precisamos esperar pela formação de enormes camadas de gelo para declarar que uma era começou.

As descobertas também lançam nova luz sobre um período controverso da década de 1970, quando alguns cientistas sugeriram que o mundo poderia estar entrando em uma nova era glacial, disse Young. Essa ideia foi repercutida pela mídia, incluindo um artigo agora infame na Newsweek com a manchete “O Mundo em Resfriamento”, que alertava para uma crise alimentar à medida que o mundo esfriava.

É um período que os céticos e negacionistas das mudanças climáticas frequentemente usam para desacreditar os cientistas, acusando-os de alarmismo e informações incorretas. Mas Young acredita que a nova pesquisa sugere que eles estavam certos, que “uma nova glaciação de fato havia começado; estava apenas começando, e agora parou”.

Young alertou que o estudo não deve ser interpretado como uma sugestão de que o aquecimento global “salvou a humanidade de uma era glacial”.

Períodos de glaciação ocorrem em escalas de tempo muito longas. Levaria milhares de anos para que a camada de gelo atingisse um tamanho que afetasse o cotidiano das pessoas, disse ele.

Em vez disso, as descobertas revelam o quão profundamente os humanos desequilibraram os sistemas da Terra. Não apenas evitamos esta era glacial, disse Young, mas “provavelmente adiamos qualquer possibilidade de outra glaciação futura por um longo, longo tempo”.

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‘Ela poderia ter se safado do assassinato’: A ciência perigosa por trás da Rainha do Crime

Antes de Agatha Christie se tornar uma das autoras mais vendidas de todos os tempos, ela trabalhou em uma farmácia em sua cidade natal, Torquay, na Inglaterra, a serviço de alguém a quem ela se referiu em suas memórias apenas como Sr. P.

O Sr. P carregava um pedaço escuro de curare no bolso — um veneno que pode paralisar e matar rapidamente. Ele andava com ele porque o fazia “sentir-se poderoso”, escreveu ela em “Agatha Christie: Uma Autobiografia”. Christie não pôde deixar de notar que, apesar da “aparência angelical” do Sr. P, tais comportamentos poderiam torná-lo um “homem perigoso”.

Em outra ocasião, a mente perspicaz de Christie percebeu um erro que o Sr. P cometeu enquanto lhe mostrava como infundir medicamentos em supositórios, adicionando inadvertidamente 10 vezes a dosagem necessária.

Ao perceber que o Sr. P não daria ouvidos a uma “menininha” que lhe apontasse o erro, Christie teve a ideia genial de derramar o remédio no chão e “pisá-lo com força” para impedir que a droga perigosa fosse colocada nas prateleiras da loja, como ela relatou em suas memórias.

A faísca para os envolventes romances policiais de Christie surgiu nesse ambiente inesperadamente sinistro, enquanto a Primeira Guerra Mundial assolava o mundo. Ao longo de sua vida, ela desenvolveu um profundo conhecimento da ciência dos venenos, o que a ajudou a deixar um legado duradouro no mundo literário e além.

Após deixar a loja do Sr. P, Christie começou a se formar como farmacêutica no hospital de Torquay em 1916. Foi então que a semente de uma história começou a germinar em sua mente. Um livro didático chamado “The Pharmaceutical Pocket Book — for Practitioners & Students” (O Manual de Bolso Farmacêutico — para Profissionais e Estudantes), que ela leu em preparação para seus exames, inspirou a arma do crime em seu romance de estreia de 1920, “The Mysterious Affair at Styles” (O Misterioso Caso de Styles): estricnina, uma neurotoxina antes usada em doses mínimas como estimulante, combinada com outras drogas para matar a vítima.

Agora, os visitantes podem ver seu exemplar pessoal do livro de bolso — com manchas misteriosas e a inscrição “A. Christie” rabiscada no canto superior direito — em uma nova exposição intitulada “ Agatha Christie: Um Mundo de Mistério ”.

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Exemplar do livro didático que Christie usou durante seu treinamento como auxiliar de farmácia na Primeira Guerra Mundial • The Christie Archive Trust

A exposição, que será inaugurada em 30 de outubro na Biblioteca Britânica em Londres, marca a primeira vez que o pequeno livro e muitos dos mais de 200 itens compartilhados por sua família e fundação serão exibidos ao público, afirmou a curadora principal da exposição, Lucy Rowland.

O livro didático foi um dos muitos artefatos que revelaram a quantidade de pesquisa que Christie realizou em seu trabalho — e uma prova tangível de que a autora tinha um profundo conhecimento de medicamentos e misturas químicas mortais, disse Rowland.

As descrições precisas de venenos feitas por Christie, que servem como arma do crime em 41 de seus 66 romances policiais, ainda são válidas hoje em dia.

“Era muito fácil ler Christie na adolescência sem perceber que estava aprendendo ciência”, disse a Dra. Kathryn Harkup, ex-química e autora de “A de Arsênico: Os Venenos de Agatha Christie”. “É a comunicação científica disfarçada em seu auge. A trama, a habilidade técnica necessária para transmitir ideias científicas complexas de uma forma imperceptível — meu Deus, isso é um talento.”

E suas histórias de mistério e assassinato, baseadas em princípios científicos, podem até ter ajudado a solucionar crimes reais: seus primeiros trabalhos com o Sr. P, em particular, inspiraram diretamente obras posteriores que poderiam ter evitado casos de envenenamento.

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Christie aparece vestindo seu uniforme de enfermeira do Destacamento de Auxílio Voluntário durante a Primeira Guerra Mundial • The Christie Archive Trust

Christie por trás da fachada

Christie continua sendo a rainha indiscutível do crime 50 anos após sua morte — e uma espécie de enigma.

Publicamente, Christie manteve-se humilde, referindo-se a si mesma como uma “máquina de salsichas”, com a expectativa de produzir um sucesso atrás do outro para suas editoras.

“Tudo isso faz parte da construção dessa persona que não ameaça nem assusta o público”, disse a Dra. Jamie Bernthal-Hooker, especialista em Christie e professora visitante de inglês e escrita criativa na Universidade de Suffolk, no Reino Unido. “Mesmo hoje, as pessoas têm medo de mulheres inteligentes e poderosas. Eu gosto de dizer que sua maior criação ficcional foi Agatha Christie.”

Novas pesquisas, como a exposição da Biblioteca Britânica, estão proporcionando novas perspectivas sobre a mulher aventureira que acompanhou as mudanças radicais de sua época, de 1890 a 1976.

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A exposição inclui vislumbres surpreendentes da vida de Christie, incluindo sua paixão pelo surfe • The Christie Archive Trust

“Durante os primeiros 11 anos de sua vida, a Rainha Vitória estava no trono”, disse o Dr. Mark Aldridge, historiador de Agatha Christie e professor associado de história do cinema na Universidade de Southampton Solent, no Reino Unido. “Quando ela começou a escrever seus livros no final da década de 60, presenciou a chegada do homem à Lua. Sempre defendi que, se ela tivesse vivido mais alguns anos e assistido a ‘Guerra nas Estrelas’ em 1977, teria escrito ‘Assassinato no Espaço’, porque adorava novidades.”

Embora Christie não tivesse uma educação formal, sua curiosidade e natureza observadora guiavam sua visão de mundo. Ela também tinha uma imaginação vívida, provavelmente por vir de uma família de contadores de histórias que adoravam viajar, disse seu bisneto James Prichard, presidente e CEO da Agatha Christie Limited, empresa que administra os direitos de suas obras. Literatura, teatro e ópera alimentaram ainda mais seu interesse em criar suas próprias histórias.

Páginas do álbum de fotos de Christie registram sua viagem ao Cairo, Egito, como debutante, entre 1907 e 1908 • The Christie Archive Trust

Antes de se tornar uma autora publicada e trabalhar em farmácia, Christie começou como enfermeira voluntária aos 24 anos, tratando soldados feridos no Hospital da Cruz Vermelha de Torquay em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial. Com o marido lutando na guerra, Christie sentiu-se motivada a ajudar da maneira que pudesse.

Ela teve que aprender na prática, passando rapidamente de enrolar ataduras a cuidar de soldados feridos. Christie admite em suas memórias que se sentiu “envergonhada” por ter desmaiado ao ver sangue e ferimentos na primeira vez que presenciou uma cirurgia, mas isso não se repetiria. Christie aprendeu a se fortalecer e desviava o olhar durante as incisões com bisturi.

Ela gostava tanto de enfermagem que Christie refletiu que, se não tivesse se casado, provavelmente teria se “formado como enfermeira de hospital de verdade” depois da guerra. Em 1916, ela mudou de rumo e passou a aprender a preparar medicamentos para ajudar a farmácia, que estava com falta de pessoal.

As percepções de Christie, fruto de suas ricas experiências de vida, são sutilmente, mas com maestria, entrelaçadas em seus romances e ajudaram a consolidar a autora como uma gênia à frente de seu tempo.

Especificamente, Christie aprimorou sua atenção aos detalhes durante seu extenso treinamento em farmácia para o Exame de Assistente da Sociedade de Boticários em 1917. Certa noite, após acordar em pânico, ela correu de volta para a farmácia do Hospital Torquay, preocupada por ter contaminado acidentalmente uma pomada durante os preparativos da tarde. Ela verificou cada pote de pomada para ter certeza, de acordo com suas memórias.

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Anotações de estudo de Christie para seu exame de farmácia, realizado em 1917 • The Christie Archive Trust

Essa experiência em primeira mão se manifesta em seu romance de estreia, “The Mysterious Affair at Styles”, quando a personagem Cynthia Murdoch, uma voluntária da farmácia, diz: “Se vocês soubessem como é fatalmente fácil envenenar alguém por engano, não fariam piada com isso.”

Caneta envenenada

Christie percebeu que havia uma linha tênue entre a natureza benéfica e prejudicial dos medicamentos. Medir ou misturar um medicamento incorretamente poderia transformar uma cura que salva vidas em uma substância letal, como os visitantes da exposição podem constatar ao percorrerem uma simulação de farmácia.

Em exposição, um poema de 1925 escrito com tinta azul, intitulado “Na Farmácia”, também reflete seus pensamentos sobre esse equilíbrio perigoso: “Aqui há ameaça, assassinato e morte súbita — nestes frascos verdes e azuis”.

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A exposição apresenta frascos de diferentes medicamentos que, na época de Christie, poderiam facilmente ser considerados venenos se usados ​​de forma inadequada ou em altas doses • Grupo do Museu de Ciências

Como escritora de ficção, Christie não era obrigada a ser precisa, mas se esforçava muito para evitar erros em suas obras — e essa expertise transparecia em sua escrita sem floreios adicionais. Outras autoras contemporâneas de romances policiais, como Dorothy L. Sayers, frequentemente incluíam detalhes supérfluos para demonstrar que haviam feito a pesquisa necessária, mas Christie não, disse Harkup.

A crítica ao primeiro romance de Christie que mais a agradou foi publicada no “The Pharmaceutical Journal”, que celebrou seu conhecimento e uso da estricnina, em vez de substâncias fictícias e indetectáveis ​​que eram frequentemente culpadas por crimes em outras histórias. “A senhorita Agatha Christie sabe o que faz”, escreveu o crítico.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Christie — que já era uma autora bastante conhecida — voltou a estudar para trabalhar na farmácia do University College London, onde o farmacêutico-chefe Harold Davis sugeriu o uso de tálio como veneno em um de seus romances.

Christie e seu segundo marido, o arqueólogo Max Mallowan, são vistos a bordo de um barco a vapor no Nilo em 1931 • The Christie Archive Trust

Christie associou a recomendação às suas observações anteriores sobre o Sr. P, que serviu de inspiração para o farmacêutico nefasto em seu romance de 1961, “O Cavalo Pálido”.

A trama gira em torno da ciência versus superstição, disse Aldridge, da Universidade de Southampton Solent, que analisou o livro com o também escritor e podcaster Gray Robert Brown em um podcast e no livro a ser lançado ” The Swinging Christies “. A vítima em “O Cavalo Pálido” parece ter sido amaldiçoada por bruxas, mas, atenção para o spoiler, na verdade é morta lentamente com um veneno incomum: o tálio.

Apelidada de “veneno do envenenador”, essa substância tóxica insípida e inodora age lentamente e imita o potássio no corpo, tornando-a difícil de detectar — até que seja tarde demais.

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Christie auxiliou Mallowan em suas escavações na Síria e no Iraque, aprendendo fotografia para documentar artefatos • The Christie Archive Trust

No livro, duas mulheres brigam e chegam a puxar os cabelos uma da outra. Uma delas perde uma grande quantidade de cabelo pela raiz — e morre pouco depois. É uma pista sobre os acontecimentos sinistros do romance e o culpado: o envenenamento por tálio causa queda de cabelo.

O uso que Christie faz do tálio no romance é tão preciso que lhe é atribuído o mérito de ter salvado a vida de duas pessoas.

Ela recebeu, por exemplo, uma carta em 1975 de uma jovem da América do Sul, que disse que a leitura de “O Cavalo Pálido” a levou a perceber que um conhecido estava sendo envenenado lentamente pela esposa, disse Harkup.

“Mas disto tenho absoluta certeza: se eu não tivesse lido O Cavalo Pálido e, assim, aprendido sobre os efeitos do envenenamento por tálio, X não teria sobrevivido”, diz a carta, citada no livro de Harkup, “A de Arsênico”. “Foi apenas a medicação imediata que o salvou; e os médicos, mesmo que ele tivesse ido ao hospital, não teriam descoberto a tempo qual era o problema.”

Após a morte de Christie, uma enfermeira londrina chamada Marsha Maitland, que também leu o romance, conseguiu identificar os sintomas de envenenamento por tálio em uma criança doente de 19 meses em 1977.

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Christie, vista aos 50 anos, acompanhou as mudanças do mundo ao seu redor • The Christie Archive Trust

A jovem que adoeceu misteriosamente foi levada para Londres, onde Maitland sugeriu que os estranhos sintomas coincidiam com os descritos em “O Cavalo Pálido”. A presença de tálio, um ingrediente de um inseticida usado para matar pragas na casa da criança, foi confirmada por meio de exame de urina — a bebê o havia ingerido acidentalmente. Com o tratamento, a criança se recuperou completamente em quatro meses.

Os médicos que acompanharam o bebê publicaram um artigo sobre o caso ainda naquele ano, que incluía um agradecimento que dizia: “Somos gratos à falecida Agatha Christie por suas excelentes e perspicazes descrições e à enfermeira Maitland por nos manter atualizados sobre a literatura.”

Um gênio discreto

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A máquina de escrever Remington de Christie, de 1937, funcionava como um laptop, permitindo que ela escrevesse a partir de sítios arqueológicos • The Christie Archive Trust

Após a Segunda Guerra Mundial, Christie nunca mais trabalhou em uma farmácia, mas manteve-se atualizada com o mundo da medicina, que mudava rapidamente, por meio da leitura e da comunicação com um impressionante grupo de especialistas. Suas histórias na década de 1960 chegaram a mencionar drogas recreativas cada vez mais populares.

“Ela sabe o que está fazendo. Ela poderia ter se safado do assassinato se quisesse”, disse Aldridge.

Em vez de depender de pistas que são silenciosamente reunidas fora das páginas ou dentro da mente de um detetive como Sherlock Holmes, os leitores de Christie sempre têm à disposição todos os fatos necessários para solucionar o caso.

“Ela sempre joga limpo com seus leitores, só que em um nível diferente do nosso, meros mortais”, disse Harkup. “Você deveria ser capaz de decifrar. Mas provavelmente não vai.”

Seus crimes são higienizados — raramente se mencionam fluidos corporais em suas páginas. Mas o veneno, que tantas vezes serviu como arma letal em seus livros, forneceu a Christie um intrigante arsenal literário para assassinos.

“Sentar, pensar, planejar, adquirir e administrar um veneno, e depois esperar que ele faça efeito, é um nível extra de maldade que, acredito, nos fascina”, disse Harkup.

Na prosa aparentemente simples de Christie, escondem-se indícios de quão profundamente ela compreendia as melhores e piores nuances da natureza humana, explicou a Dra. Michelle Kazmer, reitora da Faculdade de Comunicação e Informação e professora da Escola de Informação da Universidade Estadual da Flórida.

“Agatha Christie tinha muito a dizer sobre os grandes conceitos do que significa ser humano e, de uma forma multifacetada, abordou questões de amor, justiça, bem e mal”, disse Kazmer, que também estudou a obra de Christie.

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De acordo com o Guinness World Records, Christie é reconhecida como a autora mais traduzida de todos os tempos • The Christie Archive Trust

Ao lado de seus cenários de envenenamento cientificamente plausíveis, inúmeros médicos e farmacêuticos aparecem nos romances de Christie — às vezes como vítimas, outras vezes como assassinos — mostrando como seus primeiros contatos com o mundo da medicina nunca saíram de sua mente.

“Você não é bom nessas coisas a menos que tenha algum tipo de interesse”, disse Prichard, bisneto de Christie. “Não acho que ela tenha entrado no hospital no início da Primeira Guerra Mundial sabendo que se interessaria por isso, mas acho que esse interesse cresceu. E permaneceu com ela por toda a vida.”

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Crean el primer atlas que incluye todas las células de un animal vertebrado

Imagínate contar cada uno de los granos de arroz que vienen en un paquete. Probablemente te lleve un buen rato, sobre todo si te pido que, aparte de contarlos, analices la composición de cada uno. Te enfrentas a la titánica tarea de estudiar 50.000 granos de arroz y, más o menos, eso es lo que acaba de hacer un grupo de científicos del Whitehead Institute for Biomedical Research, en Cambridge, Massachusetts. Y cuando decimos “más o menos” es porque no se trataba de 50.000, sino de 600.000 granos, el equivalente a 10 paquetes de 1 kilo y, bueno… tampoco era arroz, sino las células de un pez. En resumen: han logrado clasificar qué genes expresan cada una de esas 600.000 células repartidas por todo el cuerpo del animal, creando el primer atlas celular de cuerpo completo de un vertebrado adulto.

Pueden parecer muchos añadidos al hito de “el primer atlas celular” porque, efectivamente, ya existen muchos que se centran solo en un tejido o unos pocos órganos. También había algunos de cuerpo completo que estudiaban a criaturas más “sencillas”, como unos gusanos planos llamados planarias. Había incluso algún atlas de cuerpo completo de vertebrados, pero en fases embrionarias de su desarrollo, cuando hay menos células implicadas. Todos esos añadidos son extras de complejidad que este equipo de investigación aceptó y que ha logrado doblegar. Pero lo más espectacular es cómo lo han logrado.

De entre todos los peces en el mar…

La primera clave fue seleccionar el organismo de experimentación adecuado. "Deniz y yo pensamos: ¿Sería posible obtener un atlas del transcriptoma de tipos celulares de un vertebrado completo?", dijo el líder de la investigación, Peter Reddien. "Aquí hay un animal con el que podríamos tener una oportunidad". Y ese animal era Danionella cerebrum un pez diminuto que ni siquiera alcanza el centímetro de longitud. Un cuerpecillo tan pequeño reduce el número de células a estudiar, lo cual es de agradecer, pero sus ventajas no terminan aquí.

La especie se hizo famosa en los laboratorios por su cuerpo transparente, que permite observar, desde fuera, cómo regenera sus órganos ante una lesión. Pero, sobre todo, lo que convenció a los investigadores fue su similitud genética con el pez cebra, un animal que los investigadores conocen muy bien y, toda esa información, facilitaba comprender el funcionamiento de Danionella cerebrum.

La cuenta de nunca acabar

Pero elegir el organismo de investigación es solo el primer paso. Los científicos se enfrentaban a la tarea realmente titánica de tomar muestras de células repartidas por todo su cuerpo y, entonces, analizar qué genes estaban activos en cada una de ellas. Porque todas nuestras células tienen el mismo ADN (salvo los glóbulos rojos, que no tienen núcleo). La diferencia entre una neurona y una célula del hígado está en que ninguna de las dos expresa la totalidad de su ADN, solo un puñado de genes que condicionan su desarrollo y su actividad. Y, por suerte, los investigadores saben bien cómo identificar qué genes están activos.

Un gen es algo así como un apartado dentro de un manual de instrucciones concreto. Nuestras células transcriben ese fragmento del ADN en otro tipo de molécula muy similar llamado ARN y, este, se traduce a su vez en proteínas, que podrían ser los muebles que esas instrucciones enseñan a construir. Si analizamos el contenido de una célula, el ARN que contenga nos dará una pista de qué genes se han transcrito y, por lo tanto, podremos deducir que esos son los que están activos. Seiscientas mil células después, los investigadores se habían hecho con una lista interminable de qué genes expresaban células de diferentes partes del organismo, lo que se conoce como transcriptoma y, en palabras de Reddien: "Los transcriptomas de las células te dicen cómo se está utilizando ese genoma en los diferentes tipos celulares. Tener el transcriptoma de cada tipo celular parece un gran punto de inflexión en cómo uno investigaría la biología de un organismo".

Un paso más

No contentos con este hito, los autores del estudio quisieron llevar la investigación un paso más allá. Lesionaron una parte del cerebro del pez y con la ayuda del atlas, pudieron seguir, célula a célula, la regeneración de la herida. Desde la respuesta inmunitaria temprana hasta la activación de las células madre neurales y la producción de nuevas neuronas. Descubrieron que las neuronas más cercanas entre sí se parecían genéticamente mucho entre ellas, aunque no liberaran los mismos neurotransmisores. De hecho, se parecían más entre ellas que a otras lejanas con las que sí compartían neurotransmisor. "Una vez que tienes un atlas con resolución espacial, sabes qué tipos celulares existen, pero también conoces a los vecinos de esos tipos celulares en este contexto", dice Kutay Deniz Atabay, que lideró el trabajo como investigador postdoctoral en el laboratorio del miembro del Instituto Whitehead Peter Reddien. "Esto te da acceso a múltiples niveles diferentes de complejidad, desde lo molecular a lo celular y a los sistemas".

QUE NO TE LA CUELEN:

  • Por muy pequeño que sea, un pez de 1 centímetro tiene muchísimas más células de las que han estudiado en esta investigación. Sin embargo, 600.000, bien elegidas, pueden dar información muy representativa sobre el cuerpo completo del animal. En este caso, han permitido a los investigadores crear DigiFish, una plataforma interactiva para explorar tipos celulares y actividad génica en todo el animal que, sin duda, contribuirá a potenciar estas líneas de investigación.

REFERENCIAS (MLA):

  • Atabay, Kutay Deniz, et al. "Whole-Body Single-Cell Atlas of an Adult Vertebrate in Homeostasis and Regeneration." Science, 2026. AAAS, doi:10.64898/2026.02.03.703562.

© Eurekalert

Las letras impresas son visibles a través del cuerpo casi transparente de Danionella cerebrum, un pequeño pez que abre nuevas posibilidades para estudiar el cerebro de los vertebrados.
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Ecuador supera 43 mil casos de dengue en 2026

Quito, 29 oct (Prensa Latina) Ecuador registró 43 mil 450 casos de dengue hasta el 24 de octubre de 2026 en medios de las lluvias intensas que persisten hoy fundamentalmente en zonas de la costa asociadas al impacto del fenómeno de El Niño.

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La física de la frenada: cuánto necesita un tren para detenerse

Un tren que circula a 300 kilómetros por hora recorre 83 metros cada segundo. Cuando comienza a frenar, por tanto, no se detiene en el punto donde se activa el sistema: todavía tiene que disipar la energía de su movimiento y reducir progresivamente su velocidad. La distancia necesaria depende de las características del tren, de sus frenos, de la velocidad inicial y de las condiciones de la vía. La física explica por qué esa distancia puede alcanzar varios kilómetros.

Para entenderlo hay que empezar por una propiedad fundamental del movimiento: la energía cinética, la energía que posee un cuerpo por estar en movimiento. Depende de dos variables, su masa y el cuadrado de su velocidad. Esto último es decisivo. Si un tren duplica su velocidad, no duplica su energía cinética: la multiplica por cuatro. Si pasa de 100 a 300 kilómetros por hora, su energía cinética aumenta nueve veces, siempre que su masa sea la misma.

Esa energía no desaparece cuando el maquinista acciona el freno. Cuanta más energía acumule el tren, más trabajo tendrán que realizar los frenos para detenerlo. Por eso, a igualdad de las demás condiciones, circular más rápido exige una distancia de frenado mucho mayor. Pero existe una segunda distinción importante: la distancia de frenado no es lo mismo que la distancia total de detención. La primera es la que recorre el tren desde que comienza a reducir efectivamente su velocidad hasta que se detiene. La segunda incluye también el espacio recorrido durante los intervalos previos, mientras se detecta una situación, se transmite la orden correspondiente y los frenos desarrollan la fuerza necesaria.

¿Cómo consigue detenerse una composición ferroviaria entonces? Los trenes combinan distintos mecanismos. Los frenos de fricción presionan pastillas o zapatas contra discos o superficies de las ruedas, transformando energía cinética en calor. Muchos trenes incorporan también frenos eléctricos que utilizan los motores de tracción para oponerse al movimiento y, según el sistema, recuperar parte de la energía o disiparla. La combinación concreta depende del diseño del vehículo y de las condiciones de funcionamiento.

El objetivo es distribuir la fuerza de frenado de manera controlada a lo largo del tren. No basta con generar una fuerza muy intensa: hay que mantener la estabilidad, evitar esfuerzos excesivos entre los vehículos y conseguir que las ruedas conserven suficiente adherencia sobre los raíles. Si la fuerza aplicada supera la que puede transmitirse mediante el contacto entre rueda y carril, puede producirse un deslizamiento que reduzca la eficacia de la frenada. La lluvia, la contaminación de la vía y otros factores pueden modificar esa adherencia.

También importa la pendiente. En una vía descendente, la gravedad ejerce una componente de fuerza que favorece el movimiento del tren y se opone a su detención. En una subida ocurre lo contrario. Por eso, las distancias de frenado no pueden calcularse únicamente a partir de la velocidad máxima del tren: también deben tener en cuenta sus prestaciones de frenado y las características del trazado.

Aquí entran en juego los sistemas de señalización y protección ferroviaria. Equipos como el ERTMS (siglas de Sistema Europeo de Gestión del Tráfico Ferroviario). supervisan la posición y la velocidad del tren y calculan curvas de frenado: modelos matemáticos que indican cómo debe disminuir la velocidad para respetar los límites establecidos a lo largo de la vía. Si el tren supera esos límites o no frena cuando corresponde, el sistema puede ordenar una intervención automática.

Pero… ¿cuánto le toma a un tren frenar? Aquí entran decenas de variables como hemos dicho. Desde el peso, la velocidad, las características de la vía, el tipo de frenos. Solo como ejemplo teórico vamos a ver tres escenarios hipotéticos. Tenemos un tren formado por una locomotora y cinco vagones que circula a 250 kilómetros por hora por una vía recta, horizontal y seca. Si suponemos que el conjunto alcanza una deceleración constante de 0,7 metros por segundo al cuadrado, necesitaría recorrer unos 3,45 kilómetros desde que comienza a frenar hasta detenerse por completo. A esa distancia habría que añadir el espacio recorrido durante el tiempo de respuesta del sistema: si suponemos dos segundos antes de que la deceleración indicada comience a actuar, el tren avanzaría unos 139 metros adicionales. En total, la detención requeriría aproximadamente 3,6 kilómetros.

El segundo escenario es el mismo tren en las mismas condiciones, pero a 300 km/h. Al pasar de 250 a 300 kilómetros por hora (un aumento de velocidad del 20 %) aumenta la distancia total de frenado de unos 3,6 a 5,1 kilómetros, cerca de un 44 % más. Por último, si ese mismo tren circulase a 50 kilómetros por hora, manteniendo la deceleración media supuesta de 0,7 metros por segundo al cuadrado y los dos segundos de tiempo de respuesta, necesitaría unos 166 metros para detenerse por completo.

© CAF

El Oaris es el tren de alta velocidad de CAF
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Manuel Castells, sociólogo, carga contra los oligarcas tecnológicos que miran a Marte: «Se creen unos genios, pero son unos pobres estúpidos»

La crítica de Manuel Castells a los grandes poderes tecnológicos desemboca en una descalificación personal, pero su argumento principal es político: el dominio digital puede disputarse. El sociólogo lo expuso en una conversación de marzo de 2026 con Daniel González Romero, publicada por la revista mexicana El Diluvio en mayo.

«Se creen unos genios, pero son unos pobres estúpidos», afirmó al hablar de dirigentes que, a su juicio, pretenden escapar al espacio o al metaverso. Es una descalificación del entrevistado, que incluye también alusiones a su salud mental sin aportar información clínica que las respalde.

En otra respuesta había mencionado a Elon Musk y Peter Thiel al cuestionar una ideología que considera contraria al interés general. A la vez, separó esos proyectos de las iniciativas de ingenieros que trabajan en beneficio de la sociedad. No presenta la tecnología como un destino inevitable ni equipara toda innovación con los intereses de sus principales propietarios.

El poder de decidir qué puerta se abre

El concepto de poder digital tiene una traducción regulatoria concreta en Europa. La Comisión Europea explica que el Reglamento de Mercados Digitales, conocido como DMA, identifica grandes plataformas que actúan como guardianes de acceso entre empresas y consumidores. Controlar el acceso puede condicionar la competencia, una cuestión relacionada con el debate sobre los controles tecnológicos y quién los impone.

Ese marco contempla servicios como buscadores, tiendas de aplicaciones y mensajería, y establece obligaciones y prohibiciones específicas. La posición de intermediario tiene consecuencias: para una empresa que necesita llegar a sus clientes, las reglas de una plataforma pueden ser tan relevantes como su propia capacidad de producir. Este debate sobre el perfilado de usuarios también afecta a cómo se organiza la relación entre servicios y público.

El DMA complementa las normas europeas de competencia. La Comisión sitúa su entrada en vigor en noviembre de 2022 y su aplicación desde mayo de 2023. Se trata de intervenir sobre conductas concretas mediante obligaciones jurídicas. Ese terreno permite examinar el poder empresarial sin depender de las valoraciones personales que Castells dirige a determinados dirigentes.

Informes, supervisión y capacidad de respuesta

El 9 de marzo de 2026 la Comisión comunicó la recepción de informes actualizados de cumplimiento de Alphabet, Amazon, Apple, ByteDance, Meta y Microsoft. También anunció informes auditados independientemente sobre técnicas de perfilado de consumidores. La transparencia necesita documentos que puedan examinarse, además de declaraciones públicas. La reflexión alcanza a los vínculos con asistentes que parecen ofrecer un trato individualizado.

La institución explicó que analizaría la eficacia de las medidas comunicadas, con aportaciones de terceros interesados y mediante el diálogo regulatorio y los procedimientos en curso. Presentar un informe no acredita cumplimiento por sí mismo. La supervisión consiste precisamente en contrastar si los cambios declarados resuelven las obligaciones que deben atender las plataformas, dentro de un mercado que también afecta a la organización del trabajo.

Castells defiende en la entrevista responder con democracia, conocimiento y ética, y adaptar las tecnologías a necesidades sociales. Su propuesta reclama capacidad de elección colectiva. La descalificación de los oligarcas es la parte más áspera de su intervención; el desarrollo de su argumento sitúa el conflicto en quién orienta la innovación, quién se beneficia de ella y qué instituciones pueden exigir explicaciones.

© Difoosion

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Artemis IV espera inspirar crianças como Apollo há 50 anos

Kelsey Young, que lidera a integração científica do programa Artemis, falou à Lusa na cimeira GLEX Ignition, em Coimbra, onde revelou surpresas da missão Artemis II.

© BILL STAFFORD/NASA

Antes do regresso à lua, Artemis III é uma missão tripulada da NASA planeada para 2027, que funcionará como um ensaio de testes em órbita baixa da Terra
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Descubren un posible planeta enano en el Sistema Solar más allá de la órbita de Plutón

Un equipo de astrónomos del Observatorio Vera C. Rubin ha descubierto un nuevo candidato a planeta enano más allá de la órbita de Plutón. Bautizado provisionalmente como ED138, el objeto podría convertirse en el sexto planeta enano reconocido oficialmente del Sistema Solar, aunque los investigadores necesitan determinar con mayor precisión su tamaño antes de confirmar su clasificación.

El hallazgo ha sido posible gracias a las observaciones realizadas con la cámara digital más grande del mundo. El telescopio, que comenzó a operar en 2025, está diseñado para fotografiar el cielo completo cada tres días, una capacidad que permitirá identificar numerosos cuerpos celestes hasta ahora desconocidos.

Matthew Holman, astrofísico sénior del Instituto Smithsoniano y profesor de astronomía en la Universidad de Harvard, desarrolló un programa informático junto con otros investigadores para analizar los datos recopilados por el observatorio a principios de 2026. La herramienta examina miles de millones de detecciones de objetos en movimiento y fue durante ese proceso cuando apareció ED138.

El científico comprobó inmediatamente si el hallazgo podía deberse a un falso positivo o a un error del programa. Para verificarlo, contó con la colaboración de Mario Jurić, científico principal del Sistema Solar del observatorio y profesor de la Universidad de Washington, que localizó otras 20 observaciones del objeto registradas en marzo de 2026.

A partir de esos datos y de otras fuentes, los investigadores consiguieron reconstruir la trayectoria de ED138 hasta una década atrás, lo que permitió confirmar que se trataba de un objeto cuya órbita podía seguirse a lo largo del tiempo.

Reconocimiento oficial

No obstante, ED138 todavía no ha sido reconocido oficialmente como planeta enano. "Por el momento, sigue siendo un candidato. Necesitamos saber con exactitud su tamaño físico, y eso probablemente llevará algunos meses", advirtió Holman.

Las estimaciones iniciales sitúan su diámetro entre los 600 y los 1.500 kilómetros. De confirmarse esas dimensiones, sería mayor que Ceres, el más pequeño de los cinco planetas enanos reconocidos actualmente por la Unión Astronómica Internacional (IAU), junto con Plutón, Haumea, Makemake y Eris.

ED138 se encuentra a unas 46 unidades astronómicas del Sol. Cada una de ellas equivale a la distancia media entre la Tierra y nuestra estrella, por lo que el objeto está más lejos que Plutón y pertenece a la categoría de los objetos transneptunianos, cuerpos que orbitan alrededor del Sol más allá de Neptuno.

Su ubicación también explica, en parte, por qué había permanecido oculto hasta ahora. Según Holman, el objeto se encuentra en el hemisferio sur, lo que dificulta su observación desde el norte y reduce el número de telescopios que pueden detectarlo. Además, su trayectoria aparente lo ha mantenido durante años en una región del cielo ocupada por la Vía Láctea.

"Durante los últimos 20 años, el objeto ha estado describiendo una especie de bucle a través de la Vía Láctea, desde nuestro punto de vista", explicó el astrofísico. La abundancia de estrellas en esa zona complica la búsqueda de cuerpos que se desplazan lentamente, ya que resulta difícil distinguirlos del fondo estelar.

Aunque no es visible a simple vista, ED138 podría estar al alcance de algunos astrónomos aficionados con equipos avanzados y conocimientos suficientes para localizarlo. Su detección, además, podría ser solo el principio: Holman considera que existen posiblemente "un puñado" de objetos de tamaño similar que todavía no han sido descubiertos y que el telescopio Rubin podría identificar en los próximos años.

"Nuevas profundidades"

"El Observatorio Rubin está haciendo muy bien su trabajo, inventariando el Sistema Solar a nuevas profundidades", señaló Megan Schwamb, profesora de astrofísica en la Universidad Queen's de Belfast y miembro del equipo de Operaciones del Sistema Solar del observatorio. La investigadora reconoció que le sorprendió que el telescopio detectara un objeto de estas características tan pronto en sus observaciones iniciales.

A su juicio, la combinación de velocidad, profundidad y cobertura del cielo permitirá transformar el conocimiento del Sistema Solar durante la próxima década, especialmente a medida que se acumulen nuevas observaciones.

La eventual incorporación de ED138 a la lista oficial dependerá de que los científicos puedan determinar sus características físicas y comprobar que cumple los requisitos establecidos para los planetas enanos.

En 2006, la Unión Astronómica Internacional aprobó una nueva definición de planeta que exige que el cuerpo orbite alrededor del Sol, tenga una forma aproximadamente redonda y haya despejado su órbita de otros objetos de tamaño comparable. Esta última condición provocó que Plutón perdiera su condición de planeta y pasara a formar parte de una categoría diferente, la de los planetas enanos.

Estos cuerpos tienen suficiente masa para adquirir una forma aproximadamente esférica, pero no han conseguido dominar gravitatoriamente su entorno orbital hasta el punto de eliminar otros objetos de tamaño similar. Por ahora, la clasificación oficial incluye cinco integrantes: Ceres, Plutón, Haumea, Makemake y Eris.

Si ED138 supera el proceso de confirmación, recibirá primero una designación numérica permanente y posteriormente un nombre. El procedimiento podría prolongarse y todavía no está claro quién tendrá la última palabra sobre su denominación. Holman reconoció que ya ha recibido propuestas, aunque algunas corresponden a nombres asignados previamente a otros cuerpos celestes.

Más allá de su posible clasificación, el objeto resulta de especial interés para los investigadores por su tamaño y su escaso brillo. Michele Bannister, profesora asociada de la Universidad de Canterbury (Nueva Zelanda) y experta en objetos transneptunianos que no ha participado en el descubrimiento, considera que ED138 se encuentra en un rango de dimensiones que permite empezar a estudiarlo como un mundo en sí mismo.

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Morreu a avó: como ajudar as filhas a viver o luto

Uma ouvinte perdeu a mãe há dois meses e meio, de forma inesperada. As filhas, de 10 e 7 anos, vivem o luto de maneiras opostas, e ela guardou o seu numa caixa. Como ajudá-las, e a si própria?

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No Algarve há uma gruta ‘secreta’ com mais de 25 espécies de animais e algumas não existem em mais lado nenhum

Duas espécies de animais que não existem em mais nenhum lugar conhecido do planeta vivem numa gruta portuguesa, a cerca de 20 metros de profundidade. O espaço alberga mais de 25 espécies adaptadas à vida subterrânea e apresenta uma biodiversidade tão invulgar que é considerado um dos locais de maior importância mundial para o estudo dos ecossistemas cavernícolas.

Trata-se da Gruta de Vale Telheiro, situada na freguesia de São Sebastião, no concelho de Loulé, que recebeu em janeiro deste ano a classificação de Monumento Natural Local. De acordo com o portal da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o reconhecimento resulta de quase duas décadas de investigação científica, durante as quais foram identificados animais raros e espécies que nunca tinham sido encontradas noutros locais.

Há duas espécies que só existem nesta gruta

Entre os animais identificados encontram-se dois milpés, conhecidos cientificamente como Boreviulisoma barrocalense e Acipes machadoi, cuja distribuição conhecida está limitada à Gruta de Vale Telheiro. Esta particularidade encontra-se expressamente referida no Regulamento n.º 74/2026, publicado em Diário da República, que reconhece a importância internacional do ecossistema subterrâneo.

Segundo a mesma fonte, a gruta alberga ainda outras espécies endémicas das cavidades subterrâneas do Algarve, incluindo o pseudoescorpião gigante Titanobochica magna e o peixinho-de-prata-gigante Squamatinia algharbica. Este último é considerado o maior inseto terrestre cavernícola da Europa, enquanto o pseudoescorpião gigante chegou a integrar uma seleção das 100 espécies mais extraordinárias do planeta.

Investigadora começou a explorar a gruta em 2008

A descoberta da riqueza biológica de Vale Telheiro está associada ao trabalho de Ana Sofia Reboleira, investigadora e professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Quando começou a estudar a cavidade, em 2008, ainda não existia um conhecimento aprofundado sobre as espécies que habitavam naquele ambiente, embora as condições encontradas sugerissem a possibilidade de novas descobertas.

Em declarações à instituição universitária, a cientista destacou a singularidade do local, afirmando que “é impressionante a biodiversidade que se encontra nesta gruta”. A investigadora considera que o conhecimento acumulado ao longo dos últimos 18 anos foi determinante para justificar a proteção legal daquele espaço, cuja importância ultrapassa as fronteiras nacionais.

Gruta tem pouco oxigénio e não está aberta aos turistas

Apesar do interesse científico, a Gruta de Vale Telheiro não é um destino turístico que possa ser visitado livremente. A cavidade apresenta uma extensão superior a 240 metros e condições ambientais particularmente exigentes, nomeadamente concentrações reduzidas de oxigénio e níveis elevados de dióxido de carbono, que tornam necessária a utilização de equipamentos de respiração autónoma.

O acesso ao interior está praticamente reservado a investigadores devidamente autorizados. Além dos riscos associados à atmosfera subterrânea, a presença humana pode provocar alterações num ecossistema extremamente sensível, onde algumas espécies perderam os olhos ou a pigmentação corporal ao longo da evolução, adaptando-se à ausência permanente de luz.

Proteção da gruta estende-se a quase 80 hectares

A classificação como Monumento Natural Local foi formalizada em janeiro, através de um processo conduzido pela Câmara Municipal de Loulé. O regulamento publicado em Diário da República estabelece medidas de proteção para uma área de 78,52 hectares, que abrange não apenas a cavidade, mas também terrenos à superfície considerados importantes para preservar as condições do ambiente subterrâneo.

Segundo o município, o espaço integra a Rede Natura 2000 e o território do Geoparque Algarvensis. O regulamento define diferentes zonas de proteção e condiciona atividades suscetíveis de provocar alterações nos habitats. O objetivo é impedir que intervenções à superfície, incluindo determinadas atividades agrícolas ou alterações do solo, prejudiquem espécies que vivem vários metros abaixo da terra.

Cientistas vão continuar a acompanhar o que acontece no interior

A investigação científica não terminou com a atribuição do estatuto de proteção. A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa desenvolveu uma Estação Ecológica de Longo Termo, equipada com sensores capazes de recolher informações ambientais e transmiti-las em tempo real, permitindo acompanhar as condições da gruta sem ser necessário entrar constantemente no seu interior.

O equipamento, financiado através do Prémio Fundação Belmiro de Azevedo, atribuído em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, permitirá disponibilizar dados a investigadores nacionais e internacionais. Ana Sofia Reboleira admite que ainda possam existir espécies por descobrir, uma vez que o conhecimento sobre os ecossistemas subterrâneos continua a desenvolver-se. A Gruta de Vale Telheiro mantém-se, assim, como um local de investigação científica, agora com proteção legal destinada a preservar a sua biodiversidade.

Leia também: Caminhadas gratuitas no Algarve convidam a desacelerar e a reduzir o stress

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Brasil exigirá biometría facial en líneas de telefonía móvil

Brasilia, 29 oct (Prensa Latina) La Agencia Nacional de Telecomunicaciones de Brasil aprobó hoy la validación biométrica obligatoria para contratar y mantener líneas de telefonía móvil, con aplicación gradual desde 2027.

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Avi Loeb, astrofísico de Harvard, sobre un encuentro extraterrestre: «Preferiría una vida corta en la que conozca a nuestros vecinos cósmicos»

¿Qué precio tendría resolver una pregunta sobre nuestro lugar en el universo? Avi Loeb llevó esa cuestión a un extremo personal en una publicación de cumpleaños del 26 de febrero de 2026. El astrofísico contó que le habían preguntado si aceptaría un encuentro con extraterrestres aun sabiendo que podría morir poco después. Su respuesta expresaba una preferencia vital ante una situación imaginaria.

«Preferiría una vida corta en la que conozca a nuestros vecinos cósmicos», escribió Loeb en Birthday Greetings on Earth and Beyond, publicado en su cuenta de Medium. La frase continúa contraponiendo esa experiencia a una vida larga y aburrida pendiente de la política terrestre. El encuentro es una hipótesis, no un acontecimiento que el autor diga haber vivido ni una evidencia de que exista una civilización cerca de la Tierra.

Loeb atribuyó la pregunta a una entrevista con Natasha Zouves, de NewsNation, celebrada el día anterior. Aquí la declaración procede de su relato escrito de aquella conversación; no se presenta como una transcripción comprobada de la emisión. El texto permite conocer cómo quiso explicar su propia respuesta, con la cautela de que narra una entrevista que entonces aún estaba pendiente de difundirse.

La curiosidad personal y la evidencia científica

En esa misma publicación, el investigador sostuvo que considera probable la existencia de extraterrestres, pero reconoció que la respuesta sobre si nos han visitado es desconocida. Su convicción no resuelve la observación. La distinción importa porque buscar vida en otro lugar, encontrar una señal y demostrar que una tecnología ha llegado hasta aquí son cuestiones diferentes. También cambia cómo se plantea la comunicación de un hallazgo ante el público.

La ficha de Harvard identifica a Loeb como director del Institute for Theory and Computation y responsable del Galileo Project desde 2021. Esos cargos sitúan su actividad profesional, pero una afiliación no certifica una hipótesis. El prestigio de una universidad tampoco transforma una preferencia personal en una conclusión del departamento. La exploración de escenarios como el pasado de Marte exige pruebas propias, independientemente de quién defienda que merece la pena investigarlos.

Buscar objetos exige datos que puedan contrastarse

Un documento docente de Harvard sobre oportunidades de investigación describe el Galileo Project como una búsqueda sistemática de objetos tecnológicos, complementaria a la búsqueda de señales electromagnéticas de fuentes lejanas. Incluye instrumentación, seguimiento y clasificación de objetos. El objetivo declarado es producir datos, una tarea distinta de anunciar su origen de antemano. Esa diferencia resulta esencial cuando se incorporan herramientas como la inteligencia artificial, cuyos patrones también requieren comprobaciones independientes.

La NASA afirma en sus preguntas frecuentes sobre fenómenos anómalos no identificados que no ha encontrado pruebas creíbles de vida extraterrestre ni evidencias de que esos fenómenos tengan un origen alienígena. También señala que la escasez de observaciones de calidad impide cerrar muchas interpretaciones. No identificar algo no identifica su origen. La prudencia es igualmente necesaria con los posibles rastros biológicos de otros mundos: cada afirmación tiene que ajustarse a lo que permiten los datos.

La frase de Loeb habla, por tanto, de cuánto valor atribuye al conocimiento frente a la duración de una vida hipotética. No ofrece una evaluación del riesgo real de un contacto ni una razón científica para aceptar que ya se haya producido. Su interés está en esa elección personal extrema y en la pregunta que deja abierta: qué estaríamos dispuestos a arriesgar por saber si compartimos el universo con otra inteligencia.

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Investigação da UAlg revela que a pedra foi decisiva para a sobrevivência dos primeiros humanos nos desertos da Arábia

Uma equipa internacional de investigadores, liderada por Jeffrey Rose, do Centro Interdisciplinar em Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano (ICArEHB) da Universidade do Algarve (UAlg), concluiu que a disponibilidade de pedra adequada ao fabrico de ferramentas foi determinante para a instalação dos primeiros humanos nos desertos da Península Arábica, contrariando a ideia de que a existência de água doce seria suficiente para determinar os locais de fixação das populações pré-históricas.

O estudo, publicado na revista científica Nature com o título “Stone and water governed early human settlement of the desert”, demonstra que a ocupação humana estava condicionada pela presença simultânea de água e de rochas que pudessem ser utilizadas na produção de instrumentos.

A investigação resulta de trabalhos arqueológicos e geológicos realizados na Península Arábica, incluindo uma expedição de cerca de 1.500 quilómetros pelo Rub’ al Khali, considerado o maior deserto de areia do mundo.

Expedição identificou 55 antigos lagos, mas nenhuma ferramenta de pedra

Durante vários períodos da pré-história, as chuvas de monção transformaram extensas áreas da Península Arábica em paisagens com lagos e pradarias, dando origem ao que os investigadores designam por “Arábia Verde”.

Até agora, os modelos científicos sobre a dispersão do Homo sapiens a partir de África atribuíam à disponibilidade de água o papel principal na escolha dos locais de ocupação humana.

No entanto, esta hipótese ainda não tinha sido testada diretamente no terreno.

Antigo leito de lago no Rub’ al Khali (em cima); superfície coberta de sílex com ferramentas de pedra, Dhofar, Omã (em baixo). Créditos: Rudolf W. Dellmour (em cima); Jeffrey I. Rose (em baixo)

No final de 2023, uma equipa de investigadores percorreu cerca de 1.500 quilómetros pelo deserto de Rub’ al Khali, no sul da Península Arábica, para procurar vestígios de antigos ambientes de água doce e sinais de presença humana.

O geólogo Rudolf Dellmour, da Universidade de Viena e primeiro autor do estudo, examinou 125 locais, tendo identificado vestígios de antigos lagos em 55 deles.

Estes ambientes aquáticos existiram há aproximadamente 122 mil a 67 mil anos, num período em que havia populações humanas instaladas nas margens do deserto.

Apesar da presença de água no passado, os investigadores não encontraram qualquer ferramenta de pedra no interior do território, nem rochas adequadas ao seu fabrico.

A explicação, segundo a equipa científica, está nas características geológicas da região. As rochas que podiam ser trabalhadas para produzir ferramentas encontravam-se à superfície apenas nas margens do deserto, permanecendo enterradas a grande profundidade sob areia e salinas nas restantes áreas.

Mesmo quando os lagos voltaram a formar-se após a última Idade do Gelo, o interior do deserto continuou sem apresentar vestígios de ocupação humana.

Rudolf Dellmour destacou a diversidade de vestígios naturais encontrados durante os trabalhos de campo, contrastando com a ausência de instrumentos produzidos pelos primeiros humanos.

“Onde existiram os antigos lagos, encontrámos conchas de caracóis e de amêijoas de água doce, fragmentos de casca de ovo de avestruz e as galerias de animais que viveram outrora na lama do lago. Se conseguíamos avistar uma concha de caracol do tamanho de uma unha, também teríamos avistado uma ferramenta de pedra. Mas não havia nenhuma”, explicou o investigador.

Modelo científico revela que a água não era suficiente para garantir ocupação humana

Perante os resultados da expedição, a equipa decidiu alargar a investigação a outras regiões da Península Arábica, desenvolvendo um modelo que cruza a disponibilidade de água com a existência de rochas adequadas à produção de ferramentas.

Para isso, os cientistas recorreram a mais de duas décadas de prospeções arqueológicas realizadas em Omã, que permitiram identificar os locais onde existiam matérias-primas utilizáveis.

Os resultados demonstraram que os sítios arqueológicos conhecidos se concentram nas zonas onde os dois recursos estavam disponíveis em simultâneo.

A investigação revelou ainda que mais de metade do território da Arábia com acesso a água se encontra sobre formações geológicas que não disponibilizam pedra adequada ao fabrico de ferramentas.

Os autores comparam a antiga “Arábia Verde” a um arquipélago, no qual as áreas com água e pedra funcionavam como ilhas capazes de atrair populações humanas, separadas por extensões de território onde a água estava presente, mas faltavam materiais para produzir instrumentos.

Esta interpretação sugere que os modelos de ocupação humana baseados exclusivamente nas condições climáticas e na disponibilidade de água poderão sobrestimar as áreas efetivamente acessíveis às populações pré-históricas.

Os investigadores identificaram padrões semelhantes em regiões áridas de África, da Ásia e da América do Norte, admitindo que a dependência de matérias-primas para fabricar ferramentas poderá ter condicionado a expansão humana em diferentes continentes.

Investigador da Universidade do Algarve destaca importância das ferramentas de pedra

Jeffrey Rose, investigador do ICArEHB da Universidade do Algarve, dirige trabalhos de prospeção arqueológica em Omã desde 2002 e concebeu o estudo em colaboração com Rudolf Dellmour.

O investigador reconhece que os resultados obrigam a reconsiderar algumas das hipóteses anteriormente utilizadas para explicar a dispersão dos primeiros humanos pela Península Arábica.

“Todos os que trabalham sobre as primeiras dispersões humanas na Arábia, eu incluído, assumiram que, se encontrássemos a água, encontraríamos as pessoas. O que vinte e cinco anos em Omã acabaram por me ensinar é que as pessoas que dependem de ferramentas de pedra nunca se afastam muito de boa pedra”, esclareceu Jeffrey Rose.

A equipa científica reuniu especialistas de várias instituições internacionais, incluindo investigadores da Universidade do Algarve.

Emily Coco, do ICArEHB, foi responsável pela construção do modelo científico, enquanto Roman Garba, da Academia das Ciências da República Checa, contribuiu para alargar a sua aplicação aos desertos de diferentes regiões do mundo.

Metin Eren e Michelle Bebber, da Universidade Estadual de Kent, desenvolveram a explicação sobre os processos de povoamento de novos territórios pelas primeiras populações humanas.

Participaram também Osama Samawi, do ICArEHB; Mohammed Al Kindi, do Earth Sciences Consultancy Centre, em Mascate; Mathias Harzhauser, do Museu de História Natural de Viena; e Ali Al Mahrooqi, do Ministério do Património e do Turismo de Omã.

Trabalhos arqueológicos não envolveram escavações nem recolha de materiais

A investigação realizada no Rub’ al Khali baseou-se em métodos de observação não invasivos, sem recurso a escavações ou recolha de materiais arqueológicos.

Mapa da água e da pedra na Arábia, com o percurso da expedição (adaptado do artigo) – Adaptado de Dellmour et al., Nature (2026), CC BY 4.0

Os investigadores documentaram as observações através de fotografias e registos de GPS, não tendo recolhido artefactos, sedimentos ou espécimes.

Em Omã, os trabalhos de campo decorreram ao abrigo de licenças atribuídas pelo Ministério do Património e do Turismo.

O modelo desenvolvido pela equipa foi disponibilizado em código aberto, permitindo que outros investigadores o utilizem no estudo de regiões áridas em diferentes partes do mundo.

Investigação do Algarve contou com financiamento europeu

João Cascalheira, diretor do ICArEHB, destacou a importância da investigação para aprofundar o conhecimento sobre a evolução humana e demonstrar o contributo da colaboração entre diferentes áreas científicas.

“Este é o tipo de trabalho para o qual o ICArEHB existe, combinando trabalho de campo de longa duração, geologia e modelação computacional para responder às grandes questões da evolução humana. Dois projetos do Conselho Europeu de Investigação sediados no Centro apoiaram este estudo, e o modelo aberto que daqui resultou será útil a investigadores muito para além da Arábia”, afirmou.

O estudo foi financiado por dois projetos do Conselho Europeu de Investigação sediados no ICArEHB da Universidade do Algarve: o projeto DISPERSALS (101052761), coordenado por Nuno Bicho, através de uma Bolsa Avançada, e o FINISTERRA (101045506), coordenado por João Cascalheira, através de uma Bolsa Consolidator.

A publicação em acesso aberto contou com financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), através do projeto UID/04211/2025 do ICArEHB.

A investigação beneficiou ainda de financiamento da Academia das Ciências da República Checa, através do programa Praemium Academiae, da Universidade Estadual de Kent e da Adventure Lab Association, de Viena, além de apoio logístico da Nokian Tyres.

Os resultados publicados na Nature introduzem, assim, uma nova perspetiva sobre a ocupação humana dos territórios desérticos, demonstrando que a disponibilidade de água, embora essencial, não era suficiente para determinar os locais onde as primeiras populações conseguiam estabelecer-se.

O estudo pode ser consultado aqui.

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