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Protesto pela habitação leva uma centena de pessoas às ruas de Faro

Cerca de uma centena de pessoas percorreu este sábado, 24 de outubro, a avenida 5 de Outubro, em Faro, para exigir respostas à crise da habitação. A marcha terminou na Praça da Liberdade, onde um microfone aberto deu lugar a testemunhos sobre as dificuldades em pagar renda ou casa própria.

Promovido pelos coletivos que têm organizado a acampada de Faro, o protesto juntou reivindicações pelo fim dos despejos, pela reversão da lei de arrendamento e pela expropriação do património devoluto.

Organizador relata obrigação de sair de casa durante o verão

Sebastião Florêncio, membro da organização da acampada, disse à Lusa que considera esta a pior crise “desde o 25 de Abril”, apontando a situação de pessoas que “trabalham e nem conseguem ter dinheiro para comer”.

“Isto é um caso de calamidade, isto é uma emergência que temos no nosso país e que ainda mais grave se torna quando nos tentam descredibilizar”, afirmou.

O próprio declarou ter “sorte” por conseguir “ter uma casa”, mas explicou que vive sem contrato e é obrigado a “sair três meses durante o verão, o que no Algarve é habitual”.

Na sua avaliação, a crise algarvia “é um problema ao quadrado”, agravado pela “exorbitância do mercado imobiliário e da especulação imobiliária”.

Marcha percorreu 900 metros ao som de José Afonso

O desfile arrancou pelas 15:30, meia hora depois do previsto, ao som de “Os Vampiros”, de José Afonso. O percurso de 900 metros, acompanhado pela polícia, demorou cerca de meia hora, com outras pessoas a juntarem-se ao longo do caminho.

“Teto, chão, direito a habitação” e “Queremos casas para morar, e não para especular” foram algumas das palavras de ordem. Ouviu-se também um cântico dirigido ao primeiro-ministro: “Montenegro, presta atenção, as tuas casas vão virar ocupação”.

Nas faixas exibidas pelos participantes liam-se mensagens como “Eles compram tudo e não deixam nada”, “Não faltam direitos, falta cumpri-los” e “Mais habitação, menos especulação”.

Microfone aberto reúne testemunhos e críticas ao Governo

Na Praça da Liberdade, depois da leitura de um manifesto preparado pelas várias acampadas, mais de uma dezena de pessoas tomou a palavra durante cerca de uma hora.

Os discursos combinaram críticas ao Governo com relatos pessoais sobre as dificuldades em suportar os custos da habitação. Houve também quem se afirmasse “privilegiado por ter casa”, defendendo que isso não contradiz a participação no protesto, porque “todos têm direito a casa própria”.

Para este sábado está ainda prevista uma assembleia popular na praça, destinada a recolher contributos para propostas a apresentar ao Governo e a preparar novas ações de luta.

Protestos alargaram-se a outras cidades

A atual mobilização começou no Porto em 10 de outubro e estendeu-se a Lisboa e a outras cidades, através de manifestações e acampadas. Os protestos surgiram dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade, refere a Lusa.

Promovidas por movimentos cívicos e divulgadas nas redes sociais, as iniciativas exigem respostas à crise habitacional. Reclamam também o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.

Em 15 de outubro, o movimento que acampava no Porto denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada. Segundo a denúncia relatada pela Lusa, ficaram feridos 39 participantes, dois dos quais em estado grave, e um polícia.

Em Lisboa, as autoridades retiraram dezenas de tendas do Rossio na manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz em 27 de outubro.

Leia também: Herdou uma casa e não há acordo para vender? Governo aprova novas regras para desbloquear heranças

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De Esposende para 40 países: os fios quase invisíveis que ligam o mundo

O barulho contínuo e surdo das máquinas pesadas, que giram sem parar, e os estampidos metálicos das roldanas e bobines, espalhadas por toda a fábrica, são música na nossa vida. É da matéria que aqui se cria que nasce o sublime: fios quase invisíveis que nos conectam uns aos outros, sem conhecerem limites ou fronteiras; que conduzem a nossa vida sem darmos por eles, e nos permitem ser mais rápidos, mais ágeis, melhores. 

A NKT, grupo industrial dinamarquês líder no fabrico e instalação de cabos de energia – que em 2024 adquiriu a antiga SolidAl, em Esposende, fundada em 1968 – deu mais um passo no seu programa de investimento com a inauguração, no passado dia 20 de outubro, de uma nova ala que veio reforçar a capacidade e o desempenho da empresa na resposta às crescentes necessidades das redes elétricas europeias.

De Esposende para 40 países: os fios quase invisíveis que ligam o mundo
Cerimónia contou com a presença do secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves, do presidente da Câmara Municipal de Esposende, Carlos Silva, e da Assembleia Municipal, Alberto Figueiredo. Foto: Direitos Reservados

“Este é um marco importante na história desta unidade industrial, que tem uma grande importância regional e nacional. É com muito orgulho que olhamos para o caminho percorrido até aqui e para o crescimento que já foi alcançado”, afirmou Dinis Pinto, vice-presidente de operações da NKT, durante o seu discurso de inauguração, seguro de que o futuro da empresa se pautará por mais oportunidades de emprego qualificado, mais inovação e mais “confiança nas pessoas e na região”. 

50 milhões de euros, 150 novos postos de trabalho

Com um investimento global de 50 milhões de euros, a capacidade da fábrica vai aumentar cerca de 50% e vai possibilitar a criação de 150 novos postos de trabalho.

“Nós, neste momento, produzimos quase 30 mil toneladas, vamos aumentar para cerca de 50 mil”, refere Dinis Pinto.

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Dinis Pinto (à esquerda) é o vice-presidente de operações da NKT. Foto: Direitos Reservados

“É uma expansão que permite acompanhar a transição energética que está a acontecer, especialmente na Europa. É um investimento necessário para que as redes se tornem mais resilientes e aguentem toda a necessidade de energia que está agora a aparecer, como os data centers, por exemplo, que são consumidores de uma enorme quantidade de energia. Por isso, nós, com esta expansão, temos a oportunidade de acompanhar essa evolução das necessidades do mercado”.

A unidade de Esposende, com mais de 50 anos de experiência na produção de cabos de energia e soluções integradas para a transmissão e distribuição de energia, especializa-se na produção de cabos de média e alta tensão até 225 kV, bem como em soluções de baixa tensão e condutores em alumínio e ACSR. 

Os milhares de quilómetros de fios e cabos elétricos que todos os dias são produzidos e saem das suas instalações, já chegaram a mais de 40 países, ligando pessoas e comunidades, gerando energia em fábricas e indústrias e fazendo funcionar fontes de energia renovável em todo o mundo.

Esta é, na verdade, uma das grandes preocupações da NKT: o desenvolvimento de soluções energéticas que apoiam a transição para um futuro mais sustentável. A outra, são as pessoas.

Mão de obra qualificada, séria e competente

“Juntos conectamo-nos a um mundo mais verde”, atirou Michael Hjorth, CCO da NKT, durante a cerimónia de apresentação, impressionado com o facto de 75% da eletricidade produzida em Portugal Continental ter origem em fontes renováveis.

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Michael Hjorth, CCO da NKT. Foto: Direitos Reservados

“Tanto caminho percorrido em tão pouco tempo. Antigamente, a SolidAl e NKT eram empresas concorrentes e competiam uma contra a outra, mas agora estão juntas. Aqui, vimos potencial para construir algo ainda maior”, disse, reforçando o compromisso de longo prazo da NKT com Portugal, valorizando a tradição industrial existente na unidade.

Aproveitou e elogiou também a “forma de trabalho muito educada e competente” dos trabalhadores locais. São eles o coração da empresa, músculo que gera energia. E são eles que estão também no topo das prioridades.

Por todo o lado há avisos e normas de segurança, vestem-se equipamentos de proteção individual adequados às funções e, num ecrã, mesmo ao lado de um parque de bobines trefiladas, é possível ler um orgulhoso aviso: 292 dias sem acidentes.

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Inauguração da nova ala aconteceu na passada terça-feira, 20 de outubro. Foto: Direitos Reservados

A fábrica de Esposende, parte essencial da rede de produção europeia da empresa dinamarquesa, conta, atualmente, com 580 colaboradores mas, em breve, serão muitos mais.

“A expansão que hoje inauguramos representa o crescimento de uma unidade industrial que tem confiança num projeto sólido e inovador, em que há confiança nas pessoas e em Esposende para atrair investimento. Esta é uma empresa que cria emprego, gera riqueza e melhora a qualidade de vida das pessoas, e que tem um impacto real no território”, avança Carlos Silva, presidente da Câmara Municipal de Esposende.

De Esposende para 40 países: os fios quase invisíveis que ligam o mundo
Carlos Silva, presidente da Câmara Municipal de Esposende. Foto: Direitos Reservados

“E isso é o melhor programa social que se pode apresentar. Mais do que atribuir subsídios, é fazer com que todos tenham um emprego digno, com o qual possam fazer face às suas despesas do dia a dia e criar as suas famílias em tranquilidade”, sublinhou o autarca.

Através da sua mão de obra qualificada e de um trabalho desenvolvido em equipa; do apurado conhecimento técnico e da avançada tecnologia que investe em materiais de qualidade; das novas instalações bem equipadas e de um forte sentido ético que aposta em políticas de sustentabilidade, a NKT projeta o território muito além das fronteiras.

E dá a volta ao mundo conectando-nos de mil e uma formas – que apesar de quase invisíveis, estão sempre lá.

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Herdou uma casa e não há acordo para vender? Governo aprova novas regras para desbloquear heranças

O Governo aprovou, em 22 de outubro de 2026, um decreto-lei que pretende desbloquear imóveis integrados em heranças ainda por partilhar. A principal mudança permitirá que um único herdeiro desencadeie um processo judicial de venda, mesmo sem o acordo dos restantes, depois de o novo regime entrar em vigor.

O objetivo é evitar que casas e terrenos permaneçam bloqueados durante anos por desentendimentos familiares. Na apresentação da medida, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, explicou que um herdeiro passará a poder desencadear o procedimento sem depender do consentimento de todos os outros, segundo as declarações noticiadas pelo ECO.

Prazo de dois anos tem exceções

A Lei n.º 49/2026, de 17 de agosto, que autorizou o Executivo a legislar sobre esta matéria, estabelece que o processo poderá ser iniciado, em regra, decorridos dois anos desde a abertura da sucessão.

Se já tiver sido requerido um processo de inventário, a autorização legislativa admite avançar sem esperar por esse prazo. Ressalva, contudo, situações como a existência de uma convenção para manter a herança indivisa, impedimentos legais ao exercício do direito à partilha ou a insolvência da herança.

O herdeiro terá de recorrer ao processo judicial próprio para pedir a venda do imóvel. A iniciativa individual permite desencadear o procedimento, mas não equivale a uma autorização para vender diretamente a casa contra a vontade dos restantes interessados.

Herdeiros terão oportunidade para chegar a acordo

Segundo a explicação apresentada pelo ministro, está previsto um período de seis meses para os herdeiros tentarem alcançar um entendimento sobre a partilha ou concretizar uma venda por negociação particular, evitando a venda judicial.

Caso o impasse continue, o processo poderá avançar para a venda, preferencialmente através de leilão eletrónico. A autorização legislativa determina que, quando exista desacordo sobre o preço base, este seja fixado pelo tribunal com recurso a avaliações objetivas. Prevê também a possibilidade de redução desse preço quando os leilões não permitam concretizar a venda.

Casa de morada de família terá proteção

A autorização legislativa prevê salvaguardas para determinados direitos sobre a casa de morada de família. Entre eles estão a atribuição preferencial ao cônjuge sobrevivo, salvo consentimento expresso deste para a venda, e direitos de habitação reconhecidos legalmente em situações de união de facto. Não se trata, portanto, de uma proteção indistinta de qualquer imóvel onde resida um herdeiro.

Quando existam herdeiros legalmente incapazes ou ausentes, a venda fica sujeita ao consentimento do Ministério Público e a autorização judicial, conforme estabelece o artigo 2.º da mesma lei.

Os herdeiros e o cônjuge meeiro terão também direito de remição: poderão adquirir o imóvel pelo preço da venda efetivamente realizada, nas condições legalmente estabelecidas. A autorização prevê este direito mesmo quando tenha ocorrido uma redução do preço base.

Reforma abrange heranças já abertas

A autorização legislativa estabelece, como regra geral, a aplicação das alterações às heranças já abertas e ainda não partilhadas na data de entrada em vigor do decreto-lei. A reforma inclui também a figura do testamenteiro com poderes de partilha e a possibilidade de determinar, através de testamento, o recurso à arbitragem para certos conflitos patrimoniais relativos à sucessão.

A aprovação em Conselho de Ministros não permite, por si só, utilizar imediatamente o novo mecanismo. A aplicação das regras depende da conclusão do processo legislativo, incluindo a promulgação, a publicação do decreto-lei em Diário da República e a respetiva entrada em vigor.

Leia taambém: Prestação da casa deverá subir nos créditos a taxa variável revistos em novembro: veja o impacto

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Huelva avalia regras das esplanadas que exigem 1,80 metros livres para peões

O funcionamento das esplanadas de Huelva voltou ao debate municipal, com os horários de fecho, o ruído e a acessibilidade no centro de uma reunião da comissão que acompanha o regulamento. O objetivo é conciliar a atividade dos estabelecimentos com o descanso dos moradores e a circulação sem obstáculos nas ruas e praças.

De acordo com o Diario de Huelva, o encontro juntou representantes da autarquia, da Polícia Local, do setor da restauração e das associações de moradores para analisar a aplicação das regras e as dificuldades detetadas desde a sua entrada em vigor.

O regulamento foi aprovado em junho de 2025 e contou com um período de adaptação de seis meses, antes da aplicação definitiva a 13 de dezembro.

Até à uma da madrugada entre junho e setembro

Os horários são um dos aspetos regulados. As esplanadas sem elementos musicais ou audiovisuais podem permanecer abertas até à uma da madrugada entre junho e setembro. Nos restantes meses, o limite geral é a meia-noite.

As regras incluem também medidas para prevenir incómodos provocados pelo ruído e estabelecem condições para a retirada do mobiliário após o fim do horário autorizado.

A análise da comissão incide sobre a aplicação destas disposições, num esforço para compatibilizar o funcionamento dos negócios com os direitos de quem reside nas zonas envolventes.

Passagem livre e acessos garantidos

Na acessibilidade, o regulamento exige uma faixa de circulação pedonal com 1,80 metros de largura livre de obstáculos.

Além dessa passagem, têm de ficar garantidos os acessos a garagens, paragens de transportes públicos, ciclovias e vias destinadas à circulação de veículos de emergência.

A área ocupada por cada esplanada deve corresponder à autorização municipal. Como regra geral, as instalações têm de ficar em frente à fachada do respetivo estabelecimento, embora o regulamento contemple exceções.

Autarquia defende diálogo entre empresários e moradores

Pilar Miranda, presidente da Câmara de Huelva, destacou a importância de manter o diálogo entre os setores envolvidos para acompanhar a aplicação das medidas.

“Esta norma nasceu para compatibilizar o direito ao descanso dos moradores, a atividade económica dos estabelecimentos de restauração e o uso ordenado do espaço público”, afirmou.

A autarca acrescentou que a comissão permite “continuar esse diálogo já iniciado e perceber em que ponto nos encontramos”.

O acompanhamento pretende manter abertos os canais de comunicação entre a autarquia, os empresários e os moradores, permitindo abordar os problemas que surjam na utilização partilhada das ruas e praças.

Leia também: Onda arrasta jornalista em direto durante temporal no País Basco. Veja o vídeo

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Em Vilamoura, ministro recusa “braço de ferro” com manifestantes pela habitação

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou este sábado, 24 de outubro, em Vilamoura, que o Governo encara os protestos pela habitação “com toda a tranquilidade”. O governante sublinhou que a maioria dos manifestantes é pacífica e rejeitou a existência de um confronto com o movimento.

“Não há de modo nenhum um braço de ferro”, declarou à CNN, à margem da cerimónia de aniversário da Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras da GNR no Algarve, em declarações citadas pela Lusa.

Ministro reconhece legitimidade dos protestos

Luís Neves frisou que “a maior parte dos manifestantes são pessoas absolutamente pacíficas” e que “o direito à manifestação é absolutamente legítimo”.

“O que leva as pessoas a manifestarem-se é um motivo absolutamente legítimo, muito humano. Estamos a falar de habitação”, afirmou.

O ministro assegurou que o Governo está “muito focado em encontrar todos os instrumentos” e “soluções que possam mitigar” o problema. Acrescentou que os promotores dos protestos estão “em articulação com a Polícia de Segurança Pública”.

Sobre as manifestações previstas para a tarde deste sábado, manifestou a expectativa de que sejam “ordeiras e pacíficas”, como “regularmente acontece” em Portugal.

Declarações surgem após aviso sobre o fim das acampadas

A posição foi expressa numa altura em que continuam a ser convocadas manifestações e assembleias populares em várias cidades, por movimentos cívicos que exigem respostas à crise da habitação.

Durante a semana, depois da polícia ter removido as tendas do Rossio, em Lisboa, e da Praça D. João I, no Porto, Luís Neves afirmou que a PSP passaria a atuar “por antecipação” nos protestos e avisou que as “acampadas e acampamentos terminaram”.

Em 15 de outubro, o movimento que acampava no Porto denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada. Segundo a denúncia, ficaram feridos 39 participantes, dois dos quais em estado grave, e um polícia.

Em Lisboa, as autoridades retiraram dezenas de tendas do Rossio na manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz em 27 de outubro.

Movimentos exigem mudanças nas rendas e alternativas aos despejos

Duas semanas depois do início dos protestos no Porto, os participantes mantêm a promessa de continuar nas ruas até que o Governo deixe cair a nova lei das rendas e adote outras medidas para responder à crise habitacional.

Entre as reivindicações estão o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, a proibição da compra de habitação por fundos imobiliários e o aumento da oferta pública de casas.

Os movimentos defendem também a aplicação de tetos às rendas e a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais.

Leia também: Preço das casas dispara em Portugal e sobe quatro vezes mais do que os salários: estes são os concelhos mais caros

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Chigi: “Anche Q8 disponibile a prorogare il tetto al prezzo dei carburanti”. Che non vale per i tir

La prima a introdurlo a fine settembre era stata Eni, poi altre compagnie si sono adeguate. Venerdì il gruppo guidato da Claudio Descalzi ha annunciato che il price cap su benzina e gasolio verrà mantenuto fino a fine anno. E in contemporanea anche Q8 si è detta disponibile a prorogare il tetto. La novità arriva dalla missione della presidente del Consiglio Giorgia Meloni in Kuwait, dove nei colloqui con l’emiro Sheikh Mishàal Al-Ahmed Al-Jaber Al-Sabah è emersa l’intenzione di estendere la misura già adottata dalla compagnia petrolifera kuwaitiana in Italia “con l’obiettivo di contenere i costi energetici e tutelare famiglie e imprese”, secondo la premier. Per Palazzo Chigi, la disponibilità dell’emiro è “un segnale concreto della solidità delle relazioni tra Italia e Kuwait e della capacità del governo italiano di promuovere un dialogo costruttivo con i partner strategici”.

Il tetto attuale fissato da Eni è 1,99 euro al litro per la benzina e 2,25 euro per il gasolio, ma l’ad Claudio Descalzi ha precisato che i livelli potranno essere rivisti in base all’andamento del mercato e agli approvvigionamenti. Q8 fin dall’inizio non ha imposto un tetto fisso nazionale unico, ma lo adatta in modo “coerente con le diverse realtà che compongono il sistema di distribuzione dell’Azienda”. Secondo gli ultimi dati dell’Osservatorio del ministero delle Imprese e del Made in Italy, sabato 24 ottobre il prezzo medio nazionale in modalità self service è di 2,020 euro al litro per la benzina e 2,261 euro per il gasolio. In autostrada si sale rispettivamente a 2,042 e 2,301 euro al litro.

Va sottolineato che il tetto non risolve i problemi degli autotrasportatori che fino all’altro ieri hanno fermato mezza Italia chiedendo aiuto al governo contro il caro carburanti: quasi tutti si approvvigionano extrarete, all’ingrosso. Al momento, su quel canale le quotazioni sono superiori rispetto a quelle dei normali circuiti di distribuzione.

L'articolo Chigi: “Anche Q8 disponibile a prorogare il tetto al prezzo dei carburanti”. Che non vale per i tir proviene da Il Fatto Quotidiano.

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BMW chegou a oferecer mais de 650.000€ para trabalhadores saírem: procura foi tanta que a marca fechou inscrições

Receber mais de 650.000 euros para abandonar o emprego foi uma das propostas apresentadas pela BMW a alguns dos seus trabalhadores, no âmbito de um programa de saídas voluntárias. A iniciativa despertou tanto interesse que o sistema informático da empresa chegou a ficar temporariamente indisponível, levando o fabricante automóvel alemão a encerrar antecipadamente as inscrições.

O objetivo passa por reduzir os custos de funcionamento e eliminar cerca de 8.000 postos de trabalho até ao final de 2027. Segundo o Observador, a BMW decidiu oferecer indemnizações superiores às praticadas por outros fabricantes automóveis, procurando incentivar os funcionários a aceitar a saída da empresa. Contudo, os valores mais elevados dizem respeito a situações individuais e não representam uma compensação garantida a todos os trabalhadores.

Indemnizações podem ultrapassar os 650.000 euros

As condições apresentadas pela BMW variam consoante o perfil de cada funcionário, sendo considerados fatores como a remuneração, a idade e os anos de serviço. O jornal alemão Handelsblatt teve acesso a informações sobre o programa e identificou casos em que as propostas ultrapassaram os 650.000 euros, embora a empresa não tenha confirmado publicamente os montantes individuais.

Os valores colocam algumas destas compensações acima das oferecidas por outros fabricantes alemães. A Volkswagen chegou a apresentar indemnizações próximas dos 400.000 euros em programas anteriores, enquanto a Mercedes disponibilizou propostas na ordem dos 500.000 euros para determinados trabalhadores. No entanto, estes montantes também estavam associados a condições específicas, não correspondendo a valores uniformes para todos os funcionários.

Quem sair mais cedo pode receber um bónus adicional

Além das indemnizações, a BMW criou um incentivo financeiro denominado “Turbo Bónus”, destinado aos trabalhadores que aceitem antecipar a saída. Segundo o Handelsblatt, o programa estabelece duas datas de cessação dos contratos: 31 de março e 31 de outubro de 2027. Os funcionários abrangidos pela primeira modalidade podem receber uma compensação adicional.

A empresa prevê ainda condições específicas para trabalhadores mais velhos, incluindo benefícios associados à aquisição de automóveis da marca. Porém, o programa funciona através de acordos voluntários, o que significa que não basta um funcionário manifestar interesse em abandonar a empresa. Tanto o trabalhador como a BMW têm de concordar com a cessação do contrato.

Procura foi tão elevada que o sistema deixou de funcionar

Quando o programa ficou disponível, a 8 de outubro, dezenas de milhares de funcionários receberam informações sobre a possibilidade de consultar as respetivas propostas. O número de acessos simultâneos ao portal interno foi tão elevado que o sistema ficou temporariamente indisponível, impedindo vários trabalhadores de conhecer imediatamente os valores que poderiam receber.

Entretanto, a BMW confirmou, a 20 de outubro, que tinha atingido antecipadamente o objetivo de adesões e encerrado as inscrições. Milhares de funcionários manifestaram interesse em sair, mas nem todos deverão conseguir celebrar um acordo. A empresa pretende concluir a análise das candidaturas até meados de novembro, embora algumas saídas só venham a concretizar-se durante 2027.

BMW pretende poupar mil milhões de euros por ano

A redução do número de trabalhadores integra uma estratégia destinada a melhorar os resultados financeiros da fabricante alemã. A empresa pretende aumentar a rentabilidade das suas operações e, segundo as informações divulgadas, estima conseguir poupanças anuais de aproximadamente mil milhões de euros a partir de 2028, através da reorganização da sua estrutura.

O plano está associado à liderança de Milan Nedeljkovic, que assumiu a presidência executiva da BMW em maio de 2026. A redução de pessoal deverá afetar sobretudo áreas administrativas, de desenvolvimento e de gestão, não abrangendo diretamente os trabalhadores da produção no programa alemão de saídas voluntárias. A fabricante pretende ainda diminuir o número de cargos de chefia, numa reorganização que deverá prolongar-se até ao final do próximo ano.

Leia também: Para-brisas embaciados? A GNR partilhou uma alternativa caseira para acabar com o problema

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Desertificazione negozi, 460mila locali sfitti ci costano quasi 5 miliardi l’anno

Le città italiane sono a rischio desertificazione. Gli esercizi commerciali locali e le piccole attività stanno lasciando spazio ai punti vendita delle multinazionali o all’acquisto online. Secondo la stima condotta dall’Ufficio Studi di Confcommercio in collaborazione con l’Istituto Tagliacarne, entro il 2026 i negozi sfitti sul territorio nazionale raggiungeranno quota 458.000.

La mappa che emerge dall’analisi dei dati condotta è quella di una crisi strutturale che colpisce in maniera disomogenea il Paese, con criticità profonde soprattutto nel piccolo commercio e nei servizi. E a pagare il prezzo più alto di questa trasformazione economica, si legge, sono il piccolo commercio non alimentare e il settore della ristorazione e dei bar.

I numeri del fenomeno

Le dimensioni del fenomeno sono importanti. La fotografia scattata dall’ufficio di Confcommercio segnala 460.000 locali commerciali sfitti, di cui uno su quattro nelle zone rurali. Il dato va di pari passo con la proprietà degli stessi locali: solo 1 imprenditore su 3 è proprietario dell’immobile.

La quota più bassa di proprietà del locale è stata registrata nel Lazio (31,5%), mentre la quota più alta è registrata in Basilicata con il 46,5%.

Basta camminare per le città per accorgersi di questo fenomeno sempre più ampio, dove a pagare sono soprattutto i piccoli commerci non alimentari (171 mila negozi chiusi) e il settore della ristorazione e dei bar, dove si stimano quasi 90.000 locali vuoti.

I picchi si registrano in:

  • negozi tradizionali;
  • abbigliamento;
  • calzature;
  • articoli per la casa;
  • agenzie di viaggio;
  • cura della persona (saloni di parrucchieri ed estetiste).

Dove chiudono più negozi?

Il fenomeno, come altri registrati in Italia, appare più profondo e complesso nel Mezzogiorno, dove raggiunge il 19,4% rispetto a un Nord-Est che registra l’incidenza più contenuta, pari al 13,8%. A giocare un ruolo cruciale nella tenuta del tessuto commerciale, secondo l’analisi, è il livello di urbanizzazione.

Nei piccoli comuni o nei comuni rurali o scarsamente popolati si tocca la punta massima del 18,7% di saracinesche abbassate, mentre nelle grandi città e nei centri urbani intermedi si registra la quota più bassa, intorno al 16%.

Desertificazione, quanto ci costa

A preoccupare non è però soltanto la quantità dei negozi chiusi, ma anche da quanto tempo questo fenomeno va avanti. Tra il 2012 e il 2023 la durata dell’inutilizzo di un locale commerciale è stata calcolata in 7,2 anni. Secondo l’Osservatorio del Mercato Immobiliare, il canone medio annuo stimato è di circa 16.000 euro a prezzi attuali.

Un negozio vuoto genera un guadagno mancato complessivo di 116.000 euro lungo l’intero periodo di sfitto. Questo si traduce, per il sistema economico italiano, in una perdita di 53 miliardi di euro complessivi, pari a circa 4,4 miliardi di euro all’anno (0,2% del Prodotto Interno Lordo nazionale).

Paolo Testa, responsabile del settore Urbanistica e Rigenerazione Urbana di Confcommercio, ha commentato:

Il negozio di vicinato sta attraversando una profonda trasformazione culturale e politica: non viene più considerato semplicemente come un’attività d’impresa, ma come una vera e propria infrastruttura civica indispensabile per la vita urbana.

Riqualificazione urbana: la strategia

Da qui nascono progetti come quello di Confcommercio che vuole riportare il valore sociale delle imprese di prossimità al centro dell’agenda delle istituzioni nazionali ed europee. Si chiama “Cities”, e sottolinea come un locale di vicinato garantisca un presidio, anche di sicurezza grazie alle sue vetrine accese, crei legami umani che alimentano la rete di welfare invisibile nei quartieri e contribuisca a mantenere lo spazio pubblico curato, vivo e vivibile.

Per Confcommercio è necessario intervenire sulle condizioni generali di vivibilità, sicurezza, attrattività e qualità dell’abitare per spingere i cittadini a tornare a vivere, frequentare e fare acquisti nei propri quartieri. Serve che ogni città si doti, si legge nel report, di un proprio Piano d’azione territoriale pensato per riaprire i locali sfitti e rivitalizzare i centri storici, restituendo energia ai quartieri periferici.

Per farlo funzionare servono risorse ai Comuni per riaprire i quartieri vuoti. Il Governo, chiede il presidente di Confcommercio, deve destinare adeguate risorse ai Comuni per realizzare i piani di sostegno alle economie di prossimità, con l’obiettivo di riaprire i locali vuoti e favorire nuove attività per ridare vita alle comunità.

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Preço das casas dispara em Portugal e sobe quatro vezes mais do que os salários: estes são os concelhos mais caros

O preço das casas em Portugal continua a aumentar a um ritmo muito superior ao dos salários, agravando as dificuldades de quem pretende comprar habitação. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que, entre junho de 2025 e junho de 2026, o valor mediano por metro quadrado aumentou 380 euros, enquanto o salário bruto médio dos trabalhadores cresceu apenas 89 euros.

De acordo com o Jornal de Notícias (JN), esta evolução mostra um agravamento da diferença entre o custo da habitação e os rendimentos dos portugueses, sobretudo nas principais áreas metropolitanas do país.

Casas já custam 2445 euros por metro quadrado em Portugal

Segundo os dados divulgados pelo INE esta sexta-feira, 23 de outubro, o preço mediano das habitações vendidas em Portugal atingiu os 2445 euros por metro quadrado no segundo trimestre de 2026.

Este valor representa um aumento de 380 euros relativamente ao mesmo período do ano anterior, quando o preço mediano se situava nos 2065 euros por metro quadrado.

Na prática, uma habitação de 100 metros quadrados, considerando o valor mediano nacional, corresponderia a 244 500 euros, mais 38 mil euros do que um ano antes. Trata-se de uma comparação ilustrativa, uma vez que os preços variam consoante a localização e as características dos imóveis.

Ao mesmo tempo, o aumento de apenas 89 euros no salário bruto médio evidencia a dificuldade dos rendimentos em acompanhar a valorização do mercado imobiliário. Importa, contudo, distinguir as duas medidas, uma vez que o preço das casas é apresentado por metro quadrado e o salário corresponde a um rendimento mensal.

Grande Lisboa regista subidas acentuadas e Loures destaca-se

A pressão sobre os preços é particularmente evidente na Grande Lisboa, onde vários concelhos apresentam valores superiores à mediana nacional.

Entre os municípios analisados, Loures destacou-se com um aumento de 864 euros por metro quadrado no espaço de um ano, a maior subida absoluta identificada nos dados citados pelo JN.

Este crescimento representa um agravamento significativo dos custos de aquisição de habitação num concelho que, pela proximidade à capital, constitui uma alternativa para muitas famílias que procuram casa fora do centro de Lisboa.

Porto continua a ser o concelho mais caro da sua área metropolitana

Na Área Metropolitana do Porto, o preço mediano por metro quadrado atingiu os 2669 euros, depois de um aumento de 391 euros face a junho de 2025.

A subida corresponde a aproximadamente 17% num ano, demonstrando que a pressão imobiliária não se limita à região de Lisboa.

O Porto mantém-se como o concelho mais caro para comprar casa dentro da respetiva área metropolitana, segundo a informação avançada pelo Jornal de Notícias.

A valorização dos imóveis estende-se, contudo, a outros municípios da região, com a maioria dos concelhos das duas principais áreas metropolitanas a apresentar preços superiores ao valor mediano nacional.

Comprar casa exige um esforço financeiro cada vez maior

A diferença entre a evolução dos salários e dos preços da habitação levanta dificuldades adicionais para quem pretende adquirir a primeira casa, particularmente entre os jovens e as famílias com rendimentos médios.

Mesmo quando os salários aumentam, a valorização dos imóveis pode obrigar os compradores a acumular uma entrada inicial mais elevada ou a recorrer a financiamentos de maior dimensão.

Os números divulgados pelo INE surgem numa altura em que a crise da habitação continua no centro do debate público, com manifestações previstas para este sábado, 24 de outubro, em várias cidades portuguesas.

Embora a evolução dos preços por metro quadrado não permita, por si só, determinar o esforço financeiro necessário para comprar casa, os dados confirmam que a habitação continua a encarecer a um ritmo muito superior ao crescimento nominal dos rendimentos médios.

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Split payment deve ter pouco impacto no caixa das empresas

O split payment previsto na reforma tributária terá pouco impacto no caixa das empresas brasileiras e pode ajudar a reduzir a alíquota dos novos impostos, segundo economistas ouvidos pela Folha.

Eles utilizam como base dados sobre prazos de pagamento nas operações entre duas empresas. Essa questão é fundamental para definir quando haverá ou não o recolhimento antecipado dos novos tributos na liquidação financeira da operação.

O split se tornou tema da campanha eleitoral, e a entrada em vigor está prevista para o segundo semestre de 2027. Seu uso será opcional e somente em transações entre empresas.Split payment terá pouco impacto no caixa das empresas

A ferramenta garante que os tributos pagos pelo comprador sejam recolhidos e devolvidos a ele na forma de um crédito.

Prazo de pagamento limita impacto do split payment

O economista Gustavo Madi, responsável na consultoria LCA por estudos na área de tributação, afirma que a maior parte das operações entre pessoas jurídicas (B2B) tem prazo de pagamento ao fornecedor acima de 60 dias, ou seja, superior ao vencimento do tributo último dia útil do mês seguinte à venda.

“Se o pagamento da fatura é posterior ao vencimento do tributo, o split não tem nenhum papel, porque o fornecedor já terá feito o desembolso do imposto antes de receber o dinheiro, tal como é hoje”, afirma.

“Quando o pagamento for feito, o agente bancário consulta a Receita, olha como está a situação daquela nota e fala: ‘O tributo já foi pago, não preciso fazer nada.’ Isso é o que vai acontecer com mais frequência, ou seja, impacto nenhum.”

Ele cita um relatório da Coface (Companhia Francesa de Seguros para o Comércio Exterior) que aponta que o prazo médio de pagamento no Brasil é de 66 dias.

Levantamento feito pelo advogado e economista Eduardo Fleury, ex-consultor do Banco Mundial, mostra um prazo médio de recebimento de 41 dias somente nas operações de grandes indústrias com fornecedores, segundo dados coletados junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Nas vendas do comércio e serviços para pessoas físicas que não serão alcançadas pela ferramenta de split em desenvolvimento o prazo supera 50 dias. Ele também cita relatório da Allianz Trade que calcula um tempo médio de 62 dias em todos os tipos de operação.

Fleury afirma que os números mostram que pagar o imposto antes de receber os recursos do comprador já é uma realidade no sistema tributário atual, e isso não vai mudar com a reforma. Na maioria dos casos, o split funcionará apenas como garantia de recolhimento do tributo em caso de inadimplência do fornecedor.

Ele lembra também que, nas operações parceladas, o que pode ser antecipado será o tributo sobre o valor da primeira prestação.

“Trabalhamos com empresas grandes e o que vemos são prazos bem superiores a esses. O que vai acontecer na prática é que o split payment vai ter pouco efeito no B2B. Vai ser uma exceção quando acontecer”, afirma.

Efeito sobre o caixa das empresas

Nas transações B2B com pagamento à vista ou com prazos mais curtos, haverá um efeito de caixa negativo para quem vende, mas “simetricamente positivo” para quem compra, devido à antecipação do crédito tributário referente àquela aquisição, segundo Madi, da LCA.

Se a empresa estiver no meio de uma cadeia de produção, ela terá antecipação do crédito pelas aquisições e do tributo sobre as vendas, com efeitos opostos sobre o caixa. “O impacto é muito menor do que o que se tem dito, pelo menos para a maioria das empresas”, afirma o economista.

Ele destaca ainda que o recolhimento antecipado não retira recursos da economia, pois todo tributo recolhido no B2B se torna automaticamente crédito para o comprador. “A Receita não vai reter dinheiro e ficar trabalhando com ele. A apuração e ressarcimento de crédito está programada para ser uma coisa muito rápida. Então é dinheiro na mão de uma empresa ou na mão da outra.”

Regra de crédito é principal mudança da reforma

Eles lembram que a principal mudança trazida pela reforma não é o split, mas a regra que vincula o crédito do adquirente ao pagamento do tributo pelo fornecedor, mudança que busca combater fraudes e deve resultar em uma alíquota menor no futuro.

Para implementar essa regra é necessário que as empresas possam utilizar o split ou a guia de recolhimento pelo adquirente, que está pronta para ser utilizada em janeiro, quando começa a cobrança dos novos tributos.

O tributarista José Andrés Lopes da Costa, professor da Escola de Direito do Rio de Janeiro da FGV, diz que a questão do float tributário período no qual a empresa opera com os tributos pagos pelos clientes- se tornou um “mito” e não representa valores tão relevantes nas operações B2B.

Ele afirma que, do ponto de vista econômico, o split reduz custos de transação, de fiscalização e de compliance, o número de fraudes e tem um reflexo positivo na alíquota que todos pagam.

“Quando você enfraquece esse mecanismo de arrecadação, de fiscalização e de compliance tributário, você pressiona a alíquota para cima. Então é o benefício de alguns, que é o ‘float’, contra o malefício de muitos, porque você tem uma alíquota mais alta para toda a sociedade.” (Eduardo Cucolo/FOLHAPRESS)

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Lei do arrendamento: especialistas alertam para maior desproteção dos inquilinos

Gonçalo Antunes e Rita Silva consideram que a proposta de alteração à lei do arrendamento fragiliza os inquilinos. Ouvidos no podcast Lusa Extra, da agência Lusa, o geógrafo e a economista social concordam na gravidade da crise da habitação, mas defendem soluções diferentes.

A iniciativa foi aprovada na generalidade em 30 de setembro, com votos favoráveis do PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal, a abstenção do Chega e votos contra dos restantes partidos. Segundo o processo disponível na Assembleia da República, encontra-se em apreciação na especialidade. As alterações propostas ainda não estão em vigor.

Críticas comuns, soluções diferentes

Professor na Universidade Nova de Lisboa, Gonçalo Antunes considera limitado o alcance das medidas e afirma que a proposta “não serve nem a uns nem a outros”. Rita Silva, investigadora da Universidade de Coimbra e ativista do Vida Justa, acusa o Governo de “desproteger ainda mais os inquilinos, que já estão numa situação extremamente delicada”.

As diferenças surgem nas respostas: Rita Silva defende tetos às rendas, distinguindo-os de um congelamento. Antunes receia que essa medida reduza a oferta, embora reconheça a necessidade de regulação em momentos de crise.

Ambos defendem a mobilização das casas vazias. O geógrafo propõe agravar o IMI dos imóveis devolutos e transferir a sua identificação dos municípios para outra entidade, como as Finanças.

O que pretende mudar o Governo

Quando apresentou a reforma, em julho, o Governo apontou como objetivos recuperar a confiança dos proprietários, aumentar a oferta de casas e equilibrar as relações entre senhorios e arrendatários.

Para alcançar esses objetivos, o Executivo propõe maior liberdade contratual, procedimentos de desocupação mais rápidos e simplificação das comunicações entre as partes. Defende também que cabe ao Estado assumir uma maior responsabilidade na resposta às situações de vulnerabilidade habitacional.

Rendas entre contratos e pagamentos antecipados

A apresentação oficial prevê eliminar as limitações específicas à fixação das rendas entre contratos. Essa alteração deve distinguir-se da atualização durante um contrato em vigor: segundo o Governo, esta continuaria a seguir o que foi acordado ou, na ausência de estipulação, o coeficiente legal.

Nos futuros contratos, a proposta permitiria acordar o pagamento de rendas com uma antecedência máxima de três meses. Prevê igualmente maior liberdade na negociação da caução. A antecipação de rendas e a caução têm funções diferentes: a primeira paga rendas antes do vencimento; a segunda garante o cumprimento das obrigações contratuais.

Na mesma apresentação, o Executivo anunciou um Fundo de Emergência para a Habitação, destinado a apoiar pessoas e famílias que percam a casa em situações de vulnerabilidade, incluindo por dificuldades económicas ou violência doméstica. O mecanismo foi apresentado como uma resposta financeira para facilitar o realojamento temporário ou permanente.

Leia também: Rendas moderadas até 2.300 euros: Miranda Sarmento defende que corte no IRS pode baixar preços

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Alentejo: Região cria Garrafa Leve e lidera sustentabilidade no mundo do vinho

Nova solução de embalagem permite poupar cerca de 1.500 toneladas de vidro e 1.200 toneladas de CO2 por cada 50 milhões de garrafas – uma revolução !

A Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) colocou a região na linha da frente da descarbonização vitivinícola ao lançar a Garrafa Leve, uma solução industrial de 390 gramas, concebida especificamente para linhas de engarrafamento de alto rendimento, de utilização transversal e opcional para os produtores.

Em nota enviada à imprensa, é esclarecido que a iniciativa pioneira a nível mundial permite reduzir o consumo de matéria-prima, a energia necessária à produção do vidro e as emissões associadas ao fabrico e ao transporte, estabelecendo o Alentejo como um caso único a nível internacional na adoção de um peso de referência comum para uma região vitivinícola.

A dimensão do impacto torna-se evidente à escala da produção, uma vez que a redução de 30 gramas por garrafa, face ao padrão de 420 gramas, representa uma poupança de cerca de 1.500 toneladas de vidro numa produção de 50 milhões de garrafas – o equivalente ao peso de mais de mil automóveis de passageiros -, evitando ainda a emissão de cerca de 1.200 toneladas de CO2 por ano.

A CVRA estima que, paralelamente, a nova garrafa apresente um custo cerca de 2% inferior ao das opções atualmente disponíveis no mercado, unindo a transição ecológica à otimização dos custos de produção, logística e transporte para as adegas alentejanas. 

Para Luís Sequeira, presidente da CVRA, esta medida reflete a visão de futuro delineada para o setor na região. “O novo Plano Estratégico do Alentejo assenta na valorização do nosso vinho, na inovação e no desenvolvimento sustentável, como pilares da nossa competitividade nos mercados internacionais.
A disponibilização desta garrafa de 390 gramas demonstra como a região consegue liderar pelo exemplo, alinhando a sustentabilidade com a eficiência económica e criando soluções reais que beneficiam os nossos produtores e reforçam o posicionamento do Alentejo no mundo.
”  

A novidade foi apresentada ao público internacional no prestigiado fórum Sustainability in Drinks (SID), em Londres, a 20 de outubro, consolidando a tradição do Alentejo em dar a conhecer soluções de sustentabilidade inovadoras e disruptivas neste palco global.

A apresentação da Garrafa Leve sucede ao lançamento, na edição anterior do certame, da caixa de transporte Re:Boxed, uma solução igualmente pioneira produzida a partir da reciclagem do suporte de silicone da fita dos rótulos, um resíduo industrial que até então não tinha qualquer aproveitamento útil, reforçando a capacidade da região para liderar pelo exemplo na criação de valor a partir do ecossistema de economia circular. 

João Barroso, Diretor de Desenvolvimento Sustentável e I&D nos Vinhos do Alentejo, explica que a garrafa responde diretamente a algumas exigências técnicas e ambientais do Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo, uma vez que “no PSVA, a redução da pegada de carbono passa necessariamente pela desmaterialização dos componentes da embalagem.

Com esta solução de 390 gramas, oferecemos aos Agentes Económicos uma ferramenta concreta para reforçar o seu perfil de maior sustentabilidade de forma simples e com impacto imediato, sem interferir com as certificações existentes e provando que é possível atingir uma maior eficiência ambiental sem comprometer a eficiência industrial em linhas de engarrafamento de grande velocidade e a máxima segurança do produto.” 

Importa salientar que a iniciativa acompanha o movimento global de desmaterialização de embalagens promovido por parcerias como o Bottle Weight Accord, lançado em 2024 pela Sustainable Wine Roundtable, da qual a CVRA é parceira.

Enquanto este acordo internacional promove o compromisso de comercializar vinhos em garrafas até 420 gramas, a solução desenvolvida para o Alentejo posiciona-se abaixo desse referencial, fixando-se no equilíbrio ideal entre a máxima redução de carbono e a operacionalidade industrial.  

João Barroso salienta que “a opção de 390 gramas garante a resistência necessária para responder sem perdas nem paragens às exigências das linhas de engarrafamento de alto rendimento e é precisamente esse compromisso técnico que viabiliza a adoção em massa e permite projetar a meta de 50 milhões de garrafas para toda a região.” 

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A CVRA recorda ainda que a ação surge num momento em que a redução do peso das garrafas de vidro se afirma como uma das principais frentes de atuação para diminuir o impacto ambiental do setor, onde a utilização de garrafas pesadas, entre os 700 e os 1.200 gramas, continua a representar uma oportunidade significativa de redução de emissões, sem que o peso extra signifique qualquer acréscimo de qualidade no vinho.

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Menzies vence concurso para assistência em escala em Faro, Lisboa e Porto

O aeroporto de Faro continuará a contar com a Menzies Aviation na prestação de serviços de assistência em escala, conhecidos como handling. A empresa, através da SPdH – Serviços Portugueses de Handling, venceu o concurso que abrange também Lisboa e Porto, anunciou a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) na sexta-feira, 23 de outubro.

O regulador concluiu a avaliação das condições de licenciamento da SPdH, antiga Groundforce, e emitiu licenças para os três aeroportos.

“A avaliação realizada permitiu concluir que a SPdH demonstra a capacidade técnica necessária para o exercício da atividade de assistência em escala a terceiros nos aeroportos abrangidos pelo procedimento concursal”, afirmou a ANAC, num comunicado citado pela Lusa.

Segundo a entidade, a decisão “contribui para assegurar a continuidade, qualidade, eficiência e competitividade dos serviços” disponibilizados aos operadores aéreos e aos restantes utilizadores aeroportuários.

Consórcio espanhol foi excluído na fase de licenciamento

A decisão surge depois de, em julho, a ANAC ter mantido a exclusão do consórcio espanhol Union South, constituído pela Clece e pela South Europe Ground Services, empresa de assistência em escala do grupo Iberia.

O agrupamento tinha apresentado a proposta mais bem classificada para assegurar os serviços nos três aeroportos durante sete anos, à frente da SPdH.

Contudo, o regulador concluiu que o consórcio não demonstrou “o cumprimento dos requisitos da fase de licenciamento”, previstos na proposta e exigidos no caderno de encargos, nomeadamente quanto à mobilização dos meios necessários.

Alguns sindicatos relataram dificuldades do agrupamento espanhol em recrutar trabalhadores, refere a Lusa.

Confirmada a exclusão, a ANAC determinou a seleção do concorrente classificado em segundo lugar. A SPdH foi então chamada a apresentar os documentos de habilitação para prosseguir no concurso.

Contestação judicial levou à prorrogação das licenças

O procedimento foi marcado por litigância, depois de a SPdH ter contestado judicialmente a classificação que colocou inicialmente o consórcio Clece/South em primeiro lugar.

Perante esse contexto, o Governo decidiu prorrogar as licenças de assistência em escala nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro, asseguradas pela antiga Groundforce.

A medida procurou garantir a estabilidade das operações e criar tempo para ultrapassar os litígios associados à atribuição das novas licenças.

TAP vendeu a sua participação à Menzies

A SPdH era detida em 50,1% pela Menzies Aviation e em 49,9% pela TAP. Entretanto, a companhia aérea concluiu a venda da totalidade da sua participação à empresa britânica.

A operação decorreu no âmbito dos compromissos remanescentes assumidos pela TAP com a Comissão Europeia relativos ao seu plano de reestruturação.

Leia também: Ryanair vai avançar com voos diretos de Faro para duas cidades polacas a partir de março de 2027: bilhetes já estão à venda

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Grupo de Famalicão termina obra milionária em Lisboa com 451 quartos

A construtora Gabriel Couto, de Famalicão, concluiu a construção das novas residências universitárias da Universidade de Lisboa, um projeto avaliado em 36 milhões de euros.

Segundo uma publicação nas redes sociais, os responsáveis da construtora referem que “em 24 meses, das fundações aos acabamentos, este terreno passou a ter 901 camas, 451 quartos, 7 apartamentos e um parque subterrâneo de 2 pisos com 486 lugares”.

Para a Gabriel Couto, foi uma obra que “exigiu articulação permanente com várias entidades e muita persistência no dia a dia”.

“À frente, a direção de obra. Com ela, engenheiros, encarregados, técnicos e operários, presentes do primeiro ao último dia. A nossa equipa masterBIM assegurou o planeamento da obra em modelo digital. Obrigado a cada um de vocês”, conclui a publicação.

O projeto inclui três edifícios, espaço comercial, uma praça central e um local de estacionamento subterrâneo para 500 veículos automóveis.

O empreendimento, promovido pela Universidade de Lisboa, recebeu financiamento ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência.

A arquitetura está a cargo da Saraiva+Associados. 

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Menzies vence concurso de assistência em escala nos aeroportos de Faro, Lisboa e Porto

A ANAC emitiu as licenças após concluir a avaliação da capacidade técnica da antiga Groundforce. O consórcio espanhol inicialmente mais bem classificado foi excluído.

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Parigi schiva il downgrade. Moody’s grazia Lecornu

E pensare che il mercato era già pronto. Ma no, non è ancora l’ora del panico a Parigi. La Francia in piena tempesta finanziaria, sufficientemente contagiosa e con le città trasformate in campo di battaglia, evita per ora un nuovo downgrade, ma resta sotto stretta osservazione. Moody’s, infatti, ha confermato il rating sovrano Aa3, mantenendo però l’outlook negativo, in una fase in cui la pressione dei mercati sui titoli di Stato francesi, lo scorso giovedì lo spread tra gli Oat francesi e i bund tedeschi si è portato a 170 punti base, resta elevata. La decisione offre un sollievo al governo, ma non cancella i dubbi sulla traiettoria dei conti pubblici e sulla capacità politica di approvare una manovra in grado di ridurre il deficit.

Moody’s, più nel dettaglio, ha concluso la propria revisione periodica lasciando invariato il giudizio sulla Francia ad Aa3, livello che mantiene da ottobre 2025 un outlook negativo. Il mancato downgrade evita per il momento un allineamento con S&P e Fitch, che avevano già ridotto il proprio giudizio sul credito francese. Il ministero delle Finanze francese ha accolto positivamente la decisione, sostenendo che la conferma del rating rifletta la credibilità della legge di bilancio 2027 presentata dal governo. Moody’s, tuttavia, ha chiarito che il giudizio attuale presuppone l’approvazione di una manovra capace di ridurre il deficit e un progressivo allentamento sia dei costi di finanziamento sia delle tensioni sociali. E lo stesso primo ministro, Sebastien Lecornu, chiamato a una manovra lacrime e sangue per salvare i conti, ha subito espresso soddisfazione sulla piattaforma X per una decisione che “smentisce le previsioni di declino” di “coloro che speculano sul debito francese”.

Il punto centrale è però  proprio l’outlook negativo. Moody’s considera infatti ancora elevata l’incertezza sulla capacità della Francia di superare la frammentazione parlamentare e riportare i conti su un percorso più sostenibile. Il governo punta a ridurre il deficit al 5% del Pil nel 2027, dal 5,4% previsto per quest’anno, ma il percorso parlamentare si è già complicato. Anche la Commissione europea continua a indicare una traiettoria difficile: nelle previsioni di primavera vede il deficit francese al 5,1% del Pil nel 2026 e al 5,7% nel 2027 a politiche invariate, con il debito pubblico destinato a salire dal 115,6% del Pil del 2025 al 120,2% nel 2027.

Tuttavia, come ha fatto notare l’economista della Bocconi, Daniel Gros, da queste colonne, “la Francia non è la Grecia. E comunque, l’economia di Parigi non è poi messa così male. Anzi, le dico di più, cresce più di quella tedesca, se in Europa c’è una grande malata, quella è la Germania. La Francia, ed è questo il problema più della crescita, ha un sistema politico paralizzata ed è per questo che i conti pubblici sono sfuggiti di mano. Parigi viene da quindici anni di politiche keynesiane, l’austerità l’avrebbe dovuta fare quando le cose andavano meglio di adesso”.

 

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