Animais acorrentados e em varandas vão ser proibidos

© Maria João Gala

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Após 22 anos em órbita, o telescópio espacial Neil Gehrels Swift Observatory, da Nasa, encerrou sua missão e deverá reentrar na atmosfera terrestre nas próximas semanas.
O observatório realizou sua última observação científica em 20 de outubro, quando já estava a aproximadamente 275 quilômetros de altitude e o aumento do arrasto atmosférico dificultava a manutenção de sua orientação.
Até o momento, a Nasa não informou data, horário ou local exatos para a reentrada e não existe previsão indicando que destroços cairão no Brasil. Entretanto, como o Swift percorre uma órbita inclinada aproximadamente 20,6° em relação ao equador, parte do território brasileiro encontra-se dentro da faixa de latitudes sobrevoada pelo telescópio. Isso significa que uma reentrada sobre o Brasil é fisicamente possível, mas não que esteja prevista.
A incerteza ocorre porque pequenas mudanças na densidade da atmosfera, na atividade solar e no comportamento da espaçonave podem alterar o instante e o local da reentrada.
Conforme o Swift perder mais altitude, as previsões deverão se tornar progressivamente mais precisas. Durante a entrada na atmosfera, grande parte de sua estrutura deverá ser destruída pelo intenso aquecimento, embora componentes mais resistentes possam eventualmente alcançar a superfície.
Lançado em novembro de 2004 para uma missão inicialmente planejada para dois anos, o Swift permaneceu em operação por quase 22 anos e observou mais de 2 mil explosões de raios gama, além de supernovas, buracos negros, asteroides e cometas.
*Sob supervisão de André Rigue

Astrônomos detectaram um novo candidato a planeta anão no sistema solar, além da órbita de Plutão, ao qual deram o nome provisório de ED138.
Caso observações futuras confirmem a descoberta, ED138 se juntará a um grupo atualmente composto por cinco planetas anões reconhecidos pela União Astronômica Internacional (UAI): Ceres, Plutão, Haumea, Makemake e Éris.
A descoberta é resultado de detecções feitas pelo Observatório Vera C. Rubin, um novo telescópio localizado no topo de uma montanha de 2.682 metros de altura no Chile e que abriga a maior câmera digital do mundo. O telescópio começou a operar em 2025 e é capaz de fotografar todo o céu a cada três dias.

Matthew Holman, astrofísico sênior do Smithsonian e professor de astronomia na Universidade de Harvard, executou um programa de computador que ele ajudou a desenvolver para analisar dados coletados por Rubin no início de 2026, examinando bilhões de detecções de objetos em movimento. Quando o ED138 apareceu, Holman disse que sua primeira reação foi de “incredulidade entusiasmada” e imediatamente verificou se havia algum falso positivo ou erro no programa de computador.
Para confirmar a observação, Holman, que também é membro da equipe de Operações do Rubin, trabalhou com seu colega Mario Jurić, cientista-chefe do Sistema Solar do Rubin e professor do departamento de astronomia da Universidade de Washington. Jurić procurou mais observações de ED138 no catálogo do Rubin e encontrou 20 adicionais, datadas de março de 2026. Finalmente, usando outras fontes, os pesquisadores conseguiram traçar a órbita do objeto até 10 anos atrás.
No entanto, Holman alerta que ED138 ainda não é oficialmente um planeta anão: “Neste momento, ainda é um candidato. Precisamos saber qual é o seu tamanho físico, e isso provavelmente levará alguns meses.”

Estima-se que o diâmetro de ED138 esteja entre 600 e 1.500 quilômetros (370 e 930 milhas), o que o tornaria maior que Ceres, o menor dos planetas anões conhecidos. Atualmente, ele orbita o Sol a uma distância de cerca de 46 unidades astronômicas — sendo que cada unidade representa a distância média entre a Terra e o Sol. Isso significa que ED138 está mais distante do que Plutão e também é um objeto transnetuniano (TNO) — uma classe de objetos que orbitam o Sol a uma distância maior que a de Netuno.
No céu noturno, ED138 não é visível a olho nu, mas “é brilhante o suficiente para que amadores realmente capazes possam vê-lo se souberem onde procurar”, de acordo com Holman.
Parte da razão pela qual os cientistas não haviam descoberto o ED138 antes é porque ele está no hemisfério sul e, portanto, é muito difícil de observar a partir do hemisfério norte, observou Holman.
“Isso já descarta conjuntos inteiros de telescópios que poderiam ter encontrado isso, e não há tantos telescópios vasculhando o céu no hemisfério sul”, disse ele.
Outro fator que manteve o ED138 oculto é o fato de ele estar no mesmo plano da nossa galáxia. “Nos últimos 20 anos, o objeto tem descrito uma espécie de trajetória em forma de laço pela Via Láctea, do nosso ponto de vista “, explicou Holman. “As pessoas normalmente não procuram objetos na Via Láctea, porque há tantas estrelas que é muito difícil encontrar objetos em movimento.”
O novo candidato a planeta anão junta-se à crescente lista de objetos detectados pelo telescópio Rubin — em sua maioria asteroides e TNOs (objetos transnetunianos) muito menores. Segundo Holman, pode haver “alguns outros” objetos do tamanho de ED138, e o Rubin deverá encontrá-los eventualmente.

Se ED138 for confirmado como um planeta anão, os astrônomos primeiro lhe atribuirão um número permanente e depois um nome definitivo, embora o processo possa levar tempo, e os detalhes sobre quem exatamente escolherá o nome ainda não estejam claros.
“Já recebi sugestões por e-mail, e algumas delas já foram escolhidas para outros objetos”, disse Holman. “Não sei. Vai ser divertido. Talvez eu consiga sugerir algo, mas não vou criar muitas expectativas, porque este é um projeto muito, muito grande.”
A descoberta é significativa para a área, afirmou Michele Bannister, professora associada da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, que não esteve envolvida na descoberta do ED138.
O objeto é “cientificamente muito interessante porque é um objeto transnetuniano e também é fisicamente bastante grande, mas ainda assim muito mais fraco do que se pode ver a olho nu”, disse Bannister, que estuda os pequenos mundos do sistema solar.
O tamanho do objeto está exatamente dentro da faixa em que podemos começar a considerá-lo um mundo, acrescentou ela, e outros telescópios agora assumirão a tarefa de descobrir mais sobre ele.
“Talvez se algum dia enviarmos uma espaçonave para lá, descobriremos que possui uma geleira de nitrogênio como Plutão”, disse Bannister. “Seria ótimo ver isso. Mas, no momento, tudo o que sabemos é que é grande, e o resto será especulação por um tempo, sobre quais serão suas características físicas.”

© Reprodução/ CM Odivelas

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Um relatório internacional publicado nesta terça-feira (27) aponta que, em média, o calor esteve associado a 540.800 mortes por ano entre 2016 a 2023, das quais 68,4% (369.940) foram atribuídas às mudanças climáticas influenciadas pelo homem. Os dados demonstram ainda que países com baixo IDH (índice de Desenvolvimento Humano) são os locais com as maiores proporções relacionadas aos óbitos.
O levantamento é da Lancet Countdown, iniciativa internacional que monitora as mudanças climáticas e a saúde mundial, publicado na revista The Lancet. Foram analisados dados desde 2016 em meio a 400 referências de estudos internacionais.
Segundo a análise, os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados dos últimos tempos. Ondas de calor são frequentemente associadas as secas extremas que, por sua vez, representam uma ameaça à insegurança alimentar. Em 2025, as secas afetaram 51,8% da superfície mundial.
Paralelo a isso, também houve um aumento da frequência de dias com chuvas intensas, que afetaram 17,2% por ano da superfície terrestre global entre 2016 e 2025. Os temporais oferecem risco de inundações e deslizamentos de terra.
Os cientistas acreditam que o El Niño, considerado um dos mais devastadores das últimas décadas, influencie e agrave cada vez mais a saúde mundial. O fenômeno começou no segundo semestre de 2026 e deve se estender até o começo de 2027.
“Agora, um El Niño severo ameaça agravar os impactos das mudanças climáticas e desencadear crises humanitárias climáticas sem precedentes no mundo todo. Devido às ameaças crescentes na última década, as mudanças climáticas se tornaram uma emergência global de saúde. Enfrentá-la exige correção urgente de rumo para promover ações coordenadas e baseadas em evidências através das fronteiras, a fim de proteger a saúde e a sobrevivência”, aponta o relatório.
Além das mortes por desidratação e insegurança alimentar, o aumento das temperaturas é favorável para a transmissão de doenças como a dengue, visto que o mosquito aedes aegypti (vetor responsável pelo vírus) se reproduz em ambientes mais quentes e úmidos.
De acordo com os pesquisadores, os impactos sobre a saúde associadas ao calor também provocaram efeitos nas condições econômicas mundiais. Em 2025, a exposição ao calor provocou a perda de 573 bilhões de horas potenciais de trabalho, resultando em perdas estimadas em US$ 1,07 trilhão.
Leia também: Análise: calor extremo ganha escala global e pressiona economia | Blogs | CNN Brasil
Previsões meteorológicas indicam um aumento da temperatura global que deverá atingir o nível crítico de 1,5 °C em 2030. O número soa preocupante uma vez que o Acordo de Paris — assinado em 2015 e que tem como meta a redução das emissões de gases do efeito estufa — previa a redução da temperatura global, com o objetivo de não ultrapassar os 1,5°C acima do período pré-industrial.
Para tentar evitar esse cenário, a ONU indica que são necessários cortes de 18% nas emissões até 2030 e 45% até 2035, bem como a ampliação contínua da remoção de gás carbônico ao longo do século.
Segundo a organização, o aumento da temperatura global influencia para o desequilíbrio de estações climáticas, bem como o aumento de ondas de calor. Todos esses fatores influenciam em mais poluição, que por sua vez desencadeia em mortes e doenças.
Leia também: Aquecimento global chegou a 1,37°C em 2025 e deve atingir 1,5°C em 2030 | CNN Brasil
As duas organizações reconhecem que houve um avanço em energias renováveis e políticas climáticas em diversos países. A transição para uma energia mais limpa evitou cerca de 400.000 mortes em 2023 em comparação com 2016, graças à melhoria da qualidade do ar interno.
Mesmo assim, as medidas adotadas pelos países continuam insuficientes para evitar os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde da população global.
Baseado nos critérios estabelecidos pela ONU, a Lancet apontou seis tópicos que precisam ser analisados e priorizados para evitar impactos catastróficos e que ultrapassem as normas que foram estabelecidas no acordo de Paris.
Calor, El Niño e tempestades: veja prognóstico para a primavera de 2026

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La anorexia nerviosa y la bulimia son dos de los trastornos de la conducta alimentaria más preocupantes y la cantidad estimada de personas que lo sufren no ha parado de crecer en las últimas tres décadas, según un estudio que acaba de publicar la revista Jama Psychiatry. La anorexia se caracteriza porque quien la padece restringe alimentos y come menos, pierde peso y le aterra volver a ganarlo. La bulimia puede pasar más desapercibida: se caracteriza por atracones seguidos de intentos de compensarlos mediante vómitos provocados o el uso de laxantes, por ejemplo. En ambos casos, los principales afectados son personas jóvenes y más mujeres que hombres.

© Katarzyna Bialasiewic (Getty Images)
Ciudad de Guatemala, 28 oct (Prensa Latina) En medio de críticas por la situación con la seguridad en Guatemala, nuevas autoridades de la Policía Nacional Civil (PNC) comenzaron hoy sus labores por mejorar y transformar la estructura institucional.
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Entre 2016 y 2023, el calor se relacionó con una media de 540.800 muertes al año en todo el mundo, casi un 36% más que durante el periodo 2006-2015, según el informe de 2026 de Lancet Countdown sobre salud y cambio climático. El estudio estima que el calentamiento provocado por las actividades humanas fue responsable del 68% de esos fallecimientos: unas 369.900 muertes anuales y casi tres millones en el conjunto de los ocho años analizados. Esto es, sin cambio climático hubieran muerto casi tres millones menos de personas.
El balance más grave corresponde a 2023, el año más caluroso del periodo estudiado, cuando las altas temperaturas se relacionaron con unas 710.000 muertes, más que las causadas por la malaria o el VIH, según el informe. De ellas, el 71,5% se atribuye al cambio climático.
"Las pruebas son innegables: el cambio climático es una de las mayores amenazas para la salud a las que se enfrenta la humanidad", afirma el director general de la Organización Mundial de la Salud (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. Sus efectos, advierte, ya se manifiestan en "un mayor estrés térmico, fenómenos meteorológicos extremos, inseguridad alimentaria y enfermedades".
El décimo informe anual de Lancet Countdown, dirigido por el University College de Londres y elaborado en colaboración con la OMS, reúne el trabajo de 146 investigadores de más de un centenar de instituciones de más de 30 países. A través de 54 indicadores, sus autores concluyen que muchos de los riesgos y daños para la salud asociados al cambio climático crecieron más deprisa en la década 2016-2025 que en la anterior.
"Una década después del Acuerdo de París, nuestros resultados son inequívocos: los daños del cambio climático para la salud están creciendo más rápido que la respuesta mundial y, en muchos casos, incluso se están acelerando", señala Marina Romanello, directora ejecutiva de Lancet Countdown. Por ello, los autores reclaman que el cambio climático sea reconocido formalmente como una emergencia sanitaria mundial y que la protección de la salud oriente las decisiones sobre emisiones, adaptación y financiación.
Las consecuencias no se distribuyen de manera uniforme. Alan Dangour, director de Clima y Salud de Wellcome, advierte de que los daños recaen con mayor intensidad sobre "los niños, las embarazadas, las personas mayores, quienes trabajan al aire libre y las personas con problemas de salud previos". A su juicio, la escalada de estos impactos constituye "el mayor desafío sanitario de nuestro tiempo".
El calor también limita la capacidad para trabajar y agrava las desigualdades económicas. En 2025, la pérdida de ingresos potenciales asociada a esa reducción de la capacidad laboral se estimó en 1,07 billones de dólares, equivalentes al 0,91% de la producción económica mundial. Fue el tercer año consecutivo en el que esta factura superó el billón de dólares. La agricultura y la construcción concentraron, respectivamente, el 38% y el 29% de las pérdidas.
El 51,8% de la superficie terrestre mundial sufrió sequías extremas durante al menos un mes
El sudeste asiático y África fueron las regiones más afectadas, con pérdidas equivalentes al 3,9% y al 3,2% de su PIB, frente al 0,2% de Europa. En África, la agricultura acumuló el 71% de los ingresos potenciales perdidos por el calor, lo que ilustra la vulnerabilidad de las economías con una fuerte dependencia del trabajo físico al aire libre.
A estos impactos se suman otros riesgos climáticos. En 2025, el 51,8% de la superficie terrestre mundial sufrió sequías extremas durante al menos un mes, el segundo valor más alto registrado, después del de 2023. Las precipitaciones extremas también afectaron a una mayor extensión del planeta durante la última década, con el consiguiente aumento del riesgo de inundaciones, deslizamientos de tierra y enfermedades transmitidas por el agua.
"Desde olas de calor e inundaciones mortales hasta inseguridad alimentaria, contaminación y más enfermedades, los impactos climáticos ya están golpeando la salud humana a gran escala y sometiendo a una enorme presión a los sistemas sanitarios y sus trabajadores", sostiene Simon Stiell, secretario ejecutivo de ONU Cambio Climático, en las declaraciones de apoyo al informe.
Hay algo reconfortante y atávico en ver arder un gimnasio de instituto repleto de adolescentes abusones, aspirantes a reinas del baile y profesores mediocres. La catarsis de una buena venganza es uno de los placeres inconfesables de la ficción contemporánea, y la nueva adaptación de Carrie en Prime Video lo ha recordado colocándose en lo más alto de las listas de visualizaciones globales.
Detrás del artefacto está Mike Flanagan, cirujano emocional del terror moderno (La maldición de Hill House, Misa de medianoche), que vuelve a demostrar por qué el mismísimo Stephen King lo ha coronado públicamente como el mejor traductor audiovisual de sus pesadillas. El propio escritor ha bendecido la serie figurando como productor ejecutivo, consciente de que esta revisión no pretende fotocopiar su primera novela de 1974 ni profanar el tótem cinematográfico de Brian De Palma de 1976.
Si la obra original era un puzle de informes forenses, cartas y testimonios judiciales, y el clásico de De Palma un festín barroco de pantallas partidas y lirismo voyeurista, con Sissy Spacek coronada con sangre animal, la serie de Flanagan traslada al siglo XXI de la generación Z la asfixia de Carrie, la chica condenada por sus superpoderes (encarnada con un desamparo volcánico por Summer H. Howell) y una madre castradora (una escalofriante Samantha Sloyan). El cubo de casquería porcina ya no es solo una broma sádica ante un centenar de testigos; en la era del directo en redes sociales y los linchamientos escolares virales, el escarnio es universal y perpetuo. La respuesta de Carrie no es solo un espasmo de rabia adolescente, sino una rebelión termodinámica con la energía de un superincendio de sexta generación.
La película de De Palma no abundaba en el origen de los poderes sobrenaturales de Carrie, pero la serie de Flanagan se recrea en explicarlos y ponerles nombre: telequinesis. O el poder de mover cosas y provocar fenómenos con la mente (¿se acuerdan de Uri Geller?). ¿Pero existe realmente ese poder? ¿Se puede entrenar esa chispa para cerrar puertas con la mirada y ajustar cuentas con el mundo?
En la ficción de Flanagan, como en las páginas de King, Margaret White tiene clara la respuesta: los poderes de Carrie son el demonio entrando por las rendijas de la pubertad. La misma magia negra que la Inquisición o los puritanos de las Trece Colonias perseguían con antorchas. Una asociación histórica que la serie explora y que no es baladí. Antes de que el término psicocinesis o telequinesis fuera acuñado a finales del siglo XIX por investigadores de lo oculto, cualquier objeto que volara sin cuerda visible se atribuía al Diablo, a los espíritus burlones (poltergeist) o a la santidad.
Los procesos por brujería de Salem en 1692 estuvieron plagados de testimonios de platos que salían despedidos de los aparadores y cuerpos que se retorcían bajo fuerzas invisibles. Siglos antes, las visiones, voces y la extraordinaria capacidad de convicción bélica de Juana de Arco fueron interpretadas como un canal directo con lo divino –o con el abismo herético, según a quién se preguntara en Ruán–. La humanidad siempre ha necesitado una etiqueta sobrenatural para los estallidos que la razón de su época no alcanzaba a procesar: si una joven tímida y maltratada parecía canalizar una energía desmedida, o ardía en la pira por bruja o se le erigía un altar.
Con el nacimiento de la parapsicología experimental en la década de 1930, el misticismo dio paso a las batas blancas. J. B. Rhine, el botánico estadounidense de la Universidad de Duke que trató de establecer la disciplina como una rama de la psicología, fundó el famoso laboratorio donde pretendió medir la influencia de la mente sobre la materia pidiendo a voluntarios que desearan intensamente el resultado de dados arrojados mecánicamente. Rhine proclamó efectos estadísticos favorables, pero su metodología hacía aguas: el sesgo de confirmación, la falta de protocolos de doble ciego y la incapacidad de replicar los resultados por parte de laboratorios independientes relegaron sus conclusiones al cajón de los deseos incumplidos.
Durante la Guerra Fría, la paranoia militar llevó el asunto al delirio burocrático. La Unión Soviética financió experimentos con médiums como Nina Kulagina, grabada en blanco y negro moviendo supuestamente cerillas y brújulas bajo campanas de cristal (trucos que magos de escenario desarmaron más tarde demostrando el uso de hilos micrométricos invisibles). Al otro lado del telón de acero, la CIA no quiso quedarse atrás y financió el célebre Proyecto Stargate, convencida de que los rusos podían matar cabras a distancia con el ceño fruncido o espiar silos nucleares mediante proyección astral. El proyecto se canceló en los años noventa con una conclusión demoledora de la consultora externa American Institutes for Research: no había una sola prueba empírica de utilidad operativa.

Si acudimos a la ciencia rigurosa contemporánea, la que se publica en revistas con revisión por pares y no en foros de esoterismo, la telequinesis choca con un muro infranqueable: las leyes fundamentales del universo. Resumimos en tres puntos las refutaciones científicas de los poderes de Carrie White.
La brecha energética. El cerebro humano es un prodigio biológico que consume unos 20 vatios de potencia, el equivalente a la bombilla de una nevera. Su actividad genera señales eléctricas y campos magnéticos medibles mediante electroencefalogramas (EEG) y magnetoencefalografías (MEG). Sin embargo, esos campos magnéticos son del orden de femtoteslas o picoteslas; tan infinitesimales que no bastan para mover una partícula de polvo microscópica suspendida en el aire, así que mucho menos un automóvil o una grada entera de espectadores.
La Tercera Ley de Newton. A toda acción corresponde una reacción igual y de sentido opuesto. Si una mente fuera capaz de proyectar una fuerza vectorial para lanzar a un matón de 80 kilos por los aires contra la canasta, el cerebro emisor debería experimentar instantáneamente un retroceso equivalente de varios cientos de newtons. El cráneo de Carrie se reventaría contra la pared del polideportivo de Chamberlain antes de que el primer proyectil humano tocara el suelo.
El vacío de mediación. En física solo existen cuatro fuerzas fundamentales: la gravedad, el electromagnetismo, la fuerza nuclear fuerte y la débil. No existe una "quinta fuerza" neuronal que pueda saltar el espacio vacío entre las sinapsis de una persona y las cerraduras de las puertas de un pabellón sin degradarse exponencialmente con el cuadrado de la distancia.
Durante 28 años, la Universidad de Princeton mantuvo abierto el laboratorio PEAR (Princeton Engineering Anomalies Research), tratando de demostrar que la concentración humana podía alterar generadores cuánticos de números aleatorios. Cuando cerró sus puertas en 2007, los resultados eran estadísticamente irrelevantes o imposibles de duplicar de forma robusta. Durante décadas, la Fundación Educativa James Randi mantuvo su premio de un millón de dólares para cualquiera que lograra mover un mísero trozo de papel milimétrico bajo condiciones científicas controladas. Nadie se lo llevó jamás.
Como la de cualquier superpoder, la fantasía de la telequinesis sigue viva, en parte, porque apela a un mecanismo psicológico universal: el poder oculto del débil. Es la tentación de pensar que bajo la timidez, el aislamiento o las burlas del grupo habita un león dormido capaz de doblegar la arquitectura del mundo con solo apretar los dientes.
Pero la prueba quizá más convincente de que la telequinesis no existe, ni se aprende mediante manuales de autoayuda, respiraciones holotrópicas o tutoriales clandestinos, no es un teorema de termodinámica, sino la geopolítica más descarnada.
Si fuera biológicamente posible entrenar el sistema nervioso para hacer estallar un pueblo entero, romper vigas a distancia o fulminar el corazón de doscientos adversarios sin dejar huella balística, los Estados Mayores de las grandes potencias no malgastarían cientos de miles de millones en misiles hipersónicos, tanques tan pesados como vulnerables y enjambres de drones. Vladímir Putin no llevaría años empantanado en las trincheras del Donbás mandando blindados soviéticos reciclados: ya habría reclutado y encerrado en un búnker de Sochi a un batallón de adolescentes atormentadas para apagar los reactores de Kiev y torcer el cuello de sus enemigos a mil kilómetros de distancia.
Carrie White seguirá reinando en el catálogo de Prime Video como la reina indiscutible del terror psicológico y la catarsis sangrienta. Pero fuera de la pantalla de Mike Flanagan, si alguien quiere vengarse de los acosadores del instituto tendrá que recurrir a métodos mucho más mundanos, lentos y sobre todo legales: prosperar, ignorarlos o esperar a que la vida se encargue del trabajo sucio sin necesidad de derramar una sola gota de sangre de cerdo. El karma, como dice Emaline, la amiga invisible de Carrie e instigadora de todas sus tropelías, en un momento de la serie.
A UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) inaugurou, nesta terça-feira (27) dois equipamentos de alta tecnologia voltados para inovação no campo da cartografia. Eles são o “supercomputador Soberano”, instalado no IGC (Instituto de Geociências), e a Câmera Hiperespectral Hyper-cam Mini XLW, alocada na Escola de Engenharia.
As tecnologias prometem ser aplicadas diretamente no combate ao desmatamento e à mineração ilegal, no monitoramento ambiental, na criação de respostas a inundações e deslizamentos, além da vigilância de fronteiras e do planejamento estratégico militar do país.
A aquisição foi realizada no âmbito da chamada “Centros Temáticos da Finep” de 2023, integrada ao projeto GeoIDE (Extração de geoinformação com o uso de inteligência artificial para aplicações duais: defesa e ambiente).
A UFMG atua como instituição executora, em parceria com o IME (Instituto Militar de Engenharia) e a DSG (Direção Geral dos Serviços Geográficos) do Exército Brasileiro.
Segundo a universidade, apenas 8% dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro possuem mapeamento na escala 1:25.000.
De acordo com a UFMG, a proporção reduzida representa um desafio para o país, já que a escala é utilizada para o planejamento municipal, a gestão de bacias hidrográficas, a prevenção de desastres naturais, a implementação do Código Florestal e a segurança da infraestrutura nacional.
“Cobrir o país com cartografia tradicional levaria décadas, então precisamos mudar a forma de fazer. A geoinformação é estratégica para o país porque diz respeito às nossas fronteiras e aos nossos recursos naturais. Hoje, entramos na liderança tecnológica da modelagem ambiental”, afirmou a professora Sônia Carvalho, do Departamento de Cartografia do IGC e coordenadora do GeoIDE.
O projeto usa inteligência artificial para automatizar a extração de dados geográficos a partir de imagens obtidas por satélites, radares, drones e sensores hiperespectrais, acelerando a produção de cartas detalhadas em todos os biomas do país.
O supercomputador “Soberano” foi totalmente projetado, instalado e configurado por equipes brasileiras. A arquitetura do processamento com algumas especificidades.
Uma delas é a aceleração para Inteligência Artificial. No equipamento, há um servidor equipado com oito aceleradores NVIDIA H200 (com 141 GB de memória cada), mesma geração tecnológica utilizada globalmente para o treinamento de grandes modelos de inteligência artificial.
Além disso, conta com 10 nós de processamento, somando 256 núcleos e 768 GB de memória por nó. Tem também armazenamento paralelo de cerca de 400 terabytes (TB) e rede interna de alta velocidade com transferência de 100 gigabits por segundo (Gbps).
A escolha do nome “Soberano” faz alusão ao esforço de garantir a autonomia tecnológica do Brasil, mantendo o conhecimento geográfico sob domínio de instituições públicas nacionais.
Complementando a infraestrutura de dados, a Câmera Hiperespectral Hyper-cam Mini XLW, desenvolvida em 2024, opera no espectro de infravermelho longo.
O equipamento captura e processa dados em centenas de bandas de comprimento de ondas estreitas e contíguas, gerando fatias de cubos de imagens de alta precisão.
Existem apenas três exemplares dessa câmera em funcionamento no mundo. O dispositivo fica alocado no CEMTEC (Centro Multiusuário de Termografia Científica) da Escola de Engenharia da UFMG.
De acordo com a universidade, a integração de modelos de IA à geoinformação é considerada por especilaistas o terceiro grande marco da evolução cartográfica no país.
“Há 100 anos, o serviço geográfico estava inovando o mapeamento por meio da fotogrametria aérea, com aviões sendo vetores de transformação do mapeamento. Há 50, passamos por outra transformação, que foi a cartografia espacial, com os satélites fornecendo conjuntos grandes de dados. Agora estamos na transformação da IA, que está revolucionando os processos”, destacou o coronel Ivanildo Barbosa, professor da Seção de Ensino de Engenharia Cartográfica do IME.
Por se tratar de um ativo estratégico, a geoinformação gerada deve servir simultaneamente para orientar políticas públicas municipais, estaduais e federais, combater crimes ambientais e dar suporte a operaçõesde segurança e resposta a tragédias climáticas.