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Num mundo “quase perfeito”…

29 October 2026 at 21:12

 

Créditos: MDC Media Group/Ai

Ora viva, bom dia e uma excelente sexta-feira para si. Mais um mês volvido e novembro porta dentro. Estes “sapatos” em 2026 correram ainda mais rápido do que os de 2025.

Com o passar do tempo e o tema que nos traz hoje a este artigo, uma vez mais, vem com a necessidade da comunidade ajudar, com pouco que seja, a realizar um sonho há muito necessário. A abertura da casa Magellan ou Magalhães como preferir. Em novembro de 2027, precisamente daqui a um ano, será feita a abertura oficial desta grande obra que, sinceramente, não entendo o porquê de não haver mais doações e vontade comunitária de a realizar. Não é tempo de invejas, nem de cinismos, é sim tempo de ser solidário e abrir a mente.

Sabe o que pode fazer o facto de ser “Filantropo”, uma palavra cara para ser generoso?

Passo a explicar… filantropia promove o bem-estar social ao direcionar recursos, tempo e apoio para resolver problemas e melhorar a qualidade de vida da população.

Principais impactos no bem-estar

· Acesso à saúde e educação: Ajuda a manter hospitais, clínicas, bolsas de estudo e projetos educacionais para pessoas em situação de vulnerabilidade.

· Redução de desigualdades: Suporta redes de assistência social que combatem a fome, a pobreza e a exclusão.

· Inovação em causas sociais: Permite testar novas abordagens em áreas como saúde mental e tecnologias que o setor público nem sempre consegue financiar de imediato.

· Fortalecimento comunitário: Cria uma rede de solidariedade que une doadores e comunidades, gerando também senso de propósito e bem-estar emocional para quem ajuda.

Num mundo “quase perfeito” e numa comunidade de bem querer, entre os 300 mil lusodescendentes se cada um doasse que fossem $20 cada, perfazia um total de $6 milhões. Num mundo perfeito sem inveja e sem maldade. Deixo-vos a pensar. É o que é e vai valer sempre o que vale.

Muito obrigado e até já!

Cristina DaCosta/MS

It’s In The Air

29 October 2026 at 21:06
DR

It seems obvious that the week’s political news is the ‘push back’ against extremism many have been waiting for. In Brazil, Flávio began his post-defeat declaration by using Dt’s go-to tactic of crying foul and refusing to concede, a move that didn’t fly with just about anyone else. But there was a back-up plan, although police had demanded that he surrender his passport, in connection with a money-laundering investigation, he managed to slip away quietly and is now in Florida. Flew to his new daddy. Of special note, the students of Serbia managed to bring down their extremist leader, Aleksandar Vucic. All this, without a leader of their own! It certainly brings a bit of relief to so many of us who have been hoping for some peace and understanding, and an end to the ‘with us, or against us’ narrative of the last few years. Let’s not kid ourselves, though, every party has its slithery side, and they’re all cozy with the same CEOs, but as long as money persists in dominating our psyche, then let’s some sort of have social democracy, where at least things look like they’re done with all of us in mind.

Next, it’s south of the border. He’ll do anything to influence the tide in his favour, but it’s only getting worse. The amount of money coming from billionaires and conservative organizations is disturbing. They are desperate to maintain the gravy train of the past few years on track. A train that is being fueled by squeezing whatever they can from the likes of us, whether we see it or not. And power, had Brazil fallen to Bolsonaro, DT would wield control over most, if not all, of South America. Drill baby, drill. Cut baby, cut, with proceeds going to billionaire coffers, just like they’ve done in Africa. Lula took the vote, and DT loses the opportunity to create another American state in South America, like his alluding with Venezuela. He’s a dangerous child. The brain he was born with does not even remotely meet the minimum of requirements for the position he holds. Am I being harsh? Listen to his words to the press or read his social media posts. It’s for these situations that more than one person is required to authorize the use of nuclear weapons. That being said, who knows what else he’s got up his sleeve. He won’t be successful with any of his smoke and mirrors routine, yet he continues to declare that elections have been rigged, except, obviously, where

the winner was a conservative. I’m left wondering how these latest two wins for ‘democracy’ have rattled DT. He must be wondering how he’s going to cope with all this. When asked about how he would fare, should the Democrats take the house and Senate, most of his response had to do with his “strong veto powers”, although he claims he hopes it wouldn’t get to that.

November 3rd will be an important one for all of us. Hopefully, it will mark a turning point, where we can finally turn our attention to resolving our global stresses with intelligence and maybe the truth. Also while we’ve been in this quagmire, AI has begun to gallop, and governments are letting it happen, without any regulation whatsoever. As for the Epstein files, I don’t know if we’ll ever see justice. There are sharks of all colours swimming in that pool.

Fiquem bem!

Raul Freitas/MS

Aproximar os portugueses de Portugal

29 October 2026 at 20:56
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Volto pela segunda semana consecutiva ao assunto TAP por o achar de extrema importância.

A Diáspora portuguesa não é apenas, ou melhor, não deve ser uma extensão demográfica de Portugal no mundo; é um dos maiores ativos geopolíticos, económicos e culturais do nosso país. Para os milhões de pessoas que residem fora do território nacional, a ligação a Portugal mede-se por muitos fatores, mas sustenta-se, na prática, por vias de comunicação fiáveis. É neste cenário que a TAP Air Portugal transcende a sua função comercial e assume um papel de soberania e coesão nacional. A manutenção de rotas aéreas diretas e regulares entre Portugal e as principais regiões de acolhimento das nossas comunidades terá de ser um desígnio nacional. Estas rotas não servem apenas para o turismo ou para o transporte de passageiros que vão visitar as suas famílias, mas garantem a continuidade dos negócios, o investimento dos emigrantes na terra natal, o regresso ao país e a preservação da identidade cultural das novas gerações. Sem este elo, regiões com forte densidade de portugueses arriscam-se ao isolamento face ao país de origem, dependendo dos interesses financeiros de companhias estrangeiras.

Para compreender o momento atual da transportadora aérea e a salvaguarda deste património de conectividade, é incontornável olhar para o passado recente. A decisão do anterior Governo do PS de intervir e salvar a TAP num momento de profunda crise global foi um ato de coragem política e de visão estratégica. Ao injetar capital e reestruturar a empresa, o Estado não estava apenas a salvar uma companhia de aviação; estava a proteger o cordão umbilical que une Portugal às suas comunidades espalhadas pelo mundo. Hoje, os frutos dessa decisão estratégica são evidentes. A valorização resultante desse processo de salvamento permite associar a TAP a um dos grupos de aviação mais prestigiados do mundo. Esta integração no mercado global não descaracteriza a empresa, mas sim fortalece-a, conferindo-lhe uma capacidade competitiva que, isoladamente, seria difícil de alcançar. Mais importante ainda: este processo preservou a posição estratégica do Estado português na companhia. Ao manter uma palavra decisiva na estrutura, o Estado garantiu uma capacidade negocial crucial. É este poder de influência que hoje permite, e deve, exigir aos novos parceiros a preservação intransigente das rotas que servem a Diáspora.

A soberania de um país também se mede pela capacidade de garantir que os seus cidadãos, independentemente de onde escolheram viver e trabalhar, continuam a ter uma porta aberta e direta para regressar a casa. A TAP é, e deve continuar a ser, as asas das nossas Comunidades. O seu futuro, agora associado a grandes palcos internacionais, não pode esquecer as suas origens nem a sua missão fundamental: aproximar os portugueses de Portugal.

Vítor Silva/MS

A Generation Takes to the Streets…

29 October 2026 at 20:52
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Around the world, young people are taking to the streets, challenging governments and demanding answers about the future they believe is slipping away from them. From France to Milan, Italy, demonstrations have become a powerful expression of frustration over education, the cost of living, economic inequality and political leadership. But what is really driving these protests? Are students fighting for better schools and a more secure future, or are they becoming part of a larger movement against the governments of the day?

The answer is that both forces are at work, but the protests do not all have the same cause. In France, the student demonstrations that began in September 2026 grew out of concerns about the country’s public education system. Students complained about teacher shortages, overcrowded classrooms, deteriorating school buildings, long school days and uncertainty about their opportunities to enter higher education. What started with disputes over staffing and resources at a school on Creteil, neat Paris, spread to schools across the country. Social media helped students share their frustrations and encouraged others to join.

The movement has since expanded beyond the classroom. Teachers, parents, unions and other members of the public have joined demonstrations, connecting the education dispute to wider concerns about public services, living costs and inequality. For many students, the issue is not simply whether their school has enough teachers. It is whether the government is investing adequately in their future and giving young people a fair chance to succeed. The demonstrations have also become a political challenge for President Emmanuel Macron’s government. The governments response, including its handling of blockades and confrontations with police, has become another source of anger.

Some demonstrations have remained peaceful, while others have involved vandalism, fires and violent clashes. Those incidents have complicated the movement and raised questions about public safety, police conduct and the distinction between legitimate protest and criminal behaviour. The important point is that the French protests did not begin simply as an attempt to remove the government. They began with specific complaints about education, but those complaints have opened the door to a much broader debate about the country’s direction.

In Milan, the picture is different, although some of the underlying frustration overlaps. Demonstrations in Italy have brought together students, labour groups, anti-war activists and other protesters opposing policies associated with Prime Minister Giorgia Meloni’s government. Their concerns include rising living costs, low wages, government priorities and military spending. Protest in Milan escalated into clashes, vandalism and looting during demonstrations in October. Further rallies were called in several Italian cities, prompting the authorities to increase security and investigate incidents connected with the unrest. For many participants, the argument is about more than one government decision. It concerns the kind of society Italy is becoming, the opportunities available to younger generations and whether political leaders understand the financial pressures ordinary people face. However, it is important not to treat everyone in a demonstration as having the same motivation. A student protesting education policy, a worker demanding higher wages and an anti-war activist may march together without agreeing on every issue.

Why are students becoming such a powerful force?

Young people have several reasons to feel that they need to make themselves heard. The cost of housing, education and everyday necessities can make independence increasingly difficult. Students may worry that even after completing their education, they will struggle to find secure employment or afford a home. Young people want to believe that hard work and education will lead to a better life. When classrooms are overcrowded, public services deteriorate or access to further education feels unfair, that promises becomes harder to trust. There is also a growing generational divide. Some young people believe political leaders are more responsive to established interests than to the needs of those who will live with the consequences of today’s decisions for decades to come. Students can circulate videos, expose local problems and organize demonstrations far more quickly than earlier generations could. A dispute at one school can become a national issue within days. Finally, many young people feel that traditional political channels are not delivering results quickly enough. When petitions, public consultations or conversations with officials appear ineffective, taking to the streets can seem like the only way to attract attention. That does not mean all young people share the same political beliefs. Some want more government spending, some oppose regulations, and others simply want institutions to work better. Their common ground may be frustration rather than a unified political ideology.

Is this about rebelling against the government? This is perhaps the most important question. In many protests, opposition to government policy is certainly part of the story. Demonstrations want political leaders to change course, reconsider spending decisions or accept responsibility for problems that have gone unresolved. But opposing a government policy is not necessarily the same as wanting to overthrow the government. When people believe their concerns are repeatedly ignored, they may stop seeing a problem as an isolated policy failure and start questioning the government’s overall priorities. At that point, a protest about schools or household expenses can become a broader expression of dissatisfaction with the political system.

France illustrates how quickly that transformation can happen. Italy illustrates how concerns about living standards and governments decisions can bring different movements inti the same streets. Political parties may also try to benefit from public anger, either by supporting demonstrators or accusing their opponents of encouraging disorder. That can make protests more politically charged, even when the original grievances came from everyday experiences. The key is to look what protesters are demanding rather than assume that every demonstration is simply an anti-government rebellion.

The biggest question is whether governments will respond with meaningful changes or rely primarily on policing and public-order measures. In France’s unrest remains a significant political challenge. In Italy. Meloni government has responded to unrest in Milan with additional security deployments, while demonstrations continue to raise questions about wages, living costs and government priorities. Governments face a difficult balancing act. They must protect public safety and prevent violence, but they must also recognize that peaceful protest is a legitimate way for citizens to demand change.

The demonstrations in France and Italy reveal a question that extends well beyond Europe: what happens when a generation begins to believe that the system is not working for it? These protests are not all about bringing down governments. They are about education, economic security, equality and the desire to have meaningful voice in decisions that shape the future.

Ultimately, the measures of these movements will not be how many streets are blocked or how many arrests are made. It will be whether governments listen, whether meaningful solutions follow and whether young people regain confidence that their future is worth investing in. When students take to the streets in such numbers, political leaders should recognize that they are hearing more than a protest. They are hearing a generation asking whether anyone in power is listening.

Vincent BlacK/MS

Pedro Nuno Santos, o alegado salvador da TAP e a memória seletiva da política afinal, onde mora a verdade?

29 October 2026 at 20:34
DR

Meus caros leitores, hoje é muito fácil consultar informação. No passado, os documentos eram em papel e, por vezes, mudavam de gaveta. Agora, com a informação digitalizada, mais cedo ou mais tarde, muita coisa vem ao de cima, tal como o azeite.

Não ficaria de consciência tranquila se não desse a minha opinião sobre um artigo que li, escrito por um grande amigo, que elogiava Pedro Nuno Santos como o salvador da TAP. Respeito opiniões diferentes, pois essa é uma das riquezas da democracia. Mas resolvi pesquisar, porque a minha memória me dizia que nem tudo estava certo naquela análise.

Não pretendo ofender ninguém, muito menos o meu amigo. Quero apenas recordar factos e deixar uma pergunta, será que estamos a esquecer demasiado depressa as responsabilidades de quem nos governou?

Na política portuguesa, parece existir uma regra curiosa, quando as decisões correm mal, a culpa é de todos ou das circunstâncias, quando correm bem, o mérito pertence a um só. É por isso que Pedro Nuno Santos merece ser analisado sem ataques pessoais, mas também sem branqueamentos políticos.

A TAP, salvar a companhia não significa absolver quem a governou.

A história da TAP não começou com Pedro Nuno Santos. Em 2015, o Governo de Pedro Passos Coelho concluiu a privatização de 61% do capital, parcialmente revertida em 2016, já com António Costa. Em 2020, durante a pandemia, o Governo socialista avançou para a renacionalização, sob a tutela de Pedro Nuno Santos.

Já agora, a pandemia justificava uma intervenção pública? É uma questão discutível. Mas, em dezembro de 2021, foi anunciado um plano de reestruturação com cerca de 3,2 mil milhões de euros de auxílio público autorizado. Foram milhões de euros dos contribuintes.

É legítimo defender a importância estratégica da TAP para Portugal. O que também é legítimo é perguntar se o dinheiro foi bem aplicado e exigir responsabilidades pelas decisões tomadas.

O caso Alexandra Reis veio reforçar essas dúvidas. A Inspeção-Geral de Finanças considerou nulo o acordo de saída que envolvia uma compensação de 500 mil euros, com exceção das componentes relativas ao contrato de trabalho e à respetiva compensação. Pedro Nuno Santos acabou por se demitir em dezembro de 2022, na sequência da polémica.

A TAP pode ter sobrevivido a uma crise extraordinária. Mas isso não transforma automaticamente o responsável político num herói acima de qualquer crítica. Afinal, onde ficamos?

A habitação, uma crise que não nasceu ontem, meus amigos façam uma pesquisa sobre este assunto e vão ver a verdade.

A falta de casas resulta de vários fatores, entre eles a construção insuficiente ao longo dos anos, a escassez de oferta, a concentração da procura nas grandes cidades, o investimento imobiliário e as dificuldades de licenciamento. Os preços também não acompanharam os rendimentos de muitas famílias.

Os governos de António Costa tiveram anos para aumentar a oferta pública, facilitar a construção e criar condições para um mercado de arrendamento mais funcional. Em 2023, avançaram com o programa Mais Habitação, mas as medidas adotadas não resolveram o problema estrutural da falta de casas.

Não seria sério atribuir toda a responsabilidade a Pedro Nuno Santos ou a uma única lei. Mas também não é aceitável esquecer os anos de governação socialista quando avaliamos os resultados. A oposição de hoje não pode apagar as responsabilidades de ontem.

SNS e imigração, os problemas não desaparecem por decreto, e volto a pedir que façam uma pesquisa, vão perceber como se chegou a este caos que se vive.

No Serviço Nacional de Saúde, a falta de profissionais, as dificuldades de organização e os tempos de espera são problemas acumulados que exigem respostas concretas. Em 2023, cerca de 1,7 milhões de utentes não tinham médico de família, segundo os dados então divulgados pelo Conselho das Finanças Públicas.

Na imigração, a extinção do SEF foi aprovada em 2021, quem era o governo e o ministro???, com votos favoráveis do PS e do Bloco de Esquerda. A transição para a AIMA, em 2023, revelou graves dificuldades administrativas e operacionais.

Isto não significa que toda a imigração seja descontrolada. Significa, sim, que o Estado tem de ter capacidade para gerir processos, fronteiras e serviços públicos. Será que também já nos esquecemos de quem tomou estas decisões?

Meus amigos, a política não pode funcionar como um altar. Pedro Nuno Santos pode ter qualidades, pode ter defendido opções estratégicas legítimas e pode reivindicar méritos. O que não podemos aceitar é que seja apresentado como salvador sem recordar os custos, os erros e as decisões tomadas sob a sua responsabilidade.

O mesmo princípio se aplica a José Sócrates, António Costa ou qualquer outro dirigente. Não devemos condenar ninguém apenas por pertencer a um partido, mas também não podemos absolver governos por simpatia ideológica.

Portugal não precisa de santos políticos. Precisa de governantes que expliquem as suas decisões, assumam os seus erros e respondam pelos resultados.

Foi por isso que perdi algum do meu tempo a pesquisar. Não para atacar um amigo, nem para impor a minha ideologia, mas para recordar aos leitores que a memória política é fundamental. Podemos ter opiniões diferentes, mas não devemos confundir lealdade partidária com verdade.

Bom fim de semana!

Augusto Bandeira/MS

O BODE EXPIATÓRIO

29 October 2026 at 20:30
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O bode carregará todos os pecados do povo para uma terra onde ninguém vive; o homem deixá-lo-á livre lá no deserto.

Levítico 16:20-22

A expressão “bode expiatório” tem origem em rituais religiosos descritos na Bíblia, Antigo Testamento, que provém de um antigo ritual judaico (Dia do Perdão), em que um bode era sacrificado e outro recebia os pecados de todo o povo e, por isso, o soltavam no deserto. O bode expiatório tem funcionado como uma metáfora para a culpa coletiva, sempre que um grupo inocente é escolhido para arcar com a responsabilidade de um fracasso ou crise por que passa toda uma comunidade.

Gil Vicente, já no século XVI, no seu Auto da Barca do Inferno (1517) nos apresenta um conjunto de figuras representativas da sociedade da época – o fidalgo, o frade, o sapateiro, o corregedor, o judeu – apontando os vícios de cada um deles para fazer sátira social. O judeu representava o forte antissemitismo que se vivia, refletindo, assim, sobre um conjunto de preconceitos religiosos e culturais bastante presentes na sociedade portuguesa. Quando entra em cena, o judeu carrega um bode, um símbolo pejorativo para o povo judaico que defende as suas práticas. Nem o Anjo, que comanda a Barca do Paraíso, nem o Diabo, que comanda a Barca do Inferno, aceitam o judeu nas suas embarcações. O Diabo argumenta que não tem espaço para o bode, acabando por o levar a reboque atrelado à barca, simbolizando, desta forma, a marginalização que este grupo sofria em Portugal. Ou seja, Gil Vicente tira partido desta personagem não só para ridicularizar a hipocrisia da sociedade cristã, como para criticar os estereótipos associados aos judeus, como a teimosia e o amor ao dinheiro.

Esta expressão, datada de há mais de 2500 anos, foi-se consolidando ao longo dos séculos na nossa linguagem e, por isso, acabei de dar o exemplo de Gil Vicente. Os bodes expiatórios, porém, têm variado ao longo dos anos e de diferentes épocas. Nos dias que correm, por exemplo, em Portugal temos um novo bode expiatório – o imigrante. Agora os imigrantes são os responsáveis por todos os males de natureza social que existem na nossa sociedade. Quando se discutem os problemas da educação – os resultados do PISA, a falta de professores, a falta de pessoal auxiliar de ação educativa, a falta de creches, as más condições de certas escolas – ouvimos amiúde a voz de muitos representantes políticos invocar constantemente a política das portas escancaradas que permitiu a entrada de demasiados imigrantes. Discutem-se questões ligadas à saúde – fecho de maternidades, horas de espera nas urgências, cancelamento de cirurgias – e lá vem novamente a alegação do aumento dos utilizadores do SNS por via do aumento da população imigrante. Temos assistido a manifestações e acampadas em Lisboa, Porto e outras cidades do país relacionadas com o problema da habitação e, pasme-se, novamente quem tem responsabilidades governativas agita o fantasma da imigração como causa do problema.

Sem entrar em considerações sobre as manifestações, gostaria de lembrar que, segundo dados oficiais, Portugal é o país da União Europeia onde os preços da habitação mais subiram entre 2020 e 2025 e os residentes destinam uma maior fatia do salário para cobrir os custos da casa. Sabemos que o problema da habitação não é apenas um problema português, mas transversal a toda a Europa. Contudo, e porque é em Portugal que vivo, considero que, em vez de se arranjarem bodes expiatórios – que no passado só acrescentaram mais violência ao discurso político -, impere o bom senso e se procurem soluções para minimizar a crise que não tenham de passar por cargas policiais de má memória. Invoco, a propósito, uma voz feminina, a de Natália Correia, quando afirmou “Quando a crise não é geradora de grandes audácias, mais indicado é dar-lhe o nome de agonia.”

Hoje, os tempos exigem audácia!

Aida Batistas/MS

Museu da Família Teixeira: um legado de memória da emigração madeirense e da diáspora luso-venezuelana

29 October 2026 at 20:22
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O arquipélago da Madeira, território insular que, ao longo dos séculos, se afirmou como um singular cais de chegadas e partidas no oceano Atlântico, ocupa um lugar incontornável na história da emigração portuguesa. Marcada pela partida de sucessivas gerações em busca de melhores condições de vida, a sociedade madeirense construiu, dentro e fora do território nacional, uma expressiva herança migratória, profundamente ligada à identidade portuguesa e à diáspora espalhada pelo mundo.

Entre os principais destinos da emigração madeirense na segunda metade do século XX destacou-se, inequivocamente, a Venezuela. Este país sul-americano, que nas últimas décadas tem enfrentado uma profunda crise estrutural, de natureza económica, política e social, acolheu milhares de portugueses, muitos dos quais oriundos da Madeira, que ali encontraram oportunidades para reconstruir as suas vidas, constituir famílias e desenvolver atividades empresariais. Atualmente, a comunidade portuguesa e os seus descendentes representam uma presença significativa na sociedade venezuelana, com particular expressão em Caracas e em setores como o comércio, a hotelaria, a construção civil e a restauração.

O percurso desta comunidade, marcado pelo trabalho, pelo empreendedorismo, pela capacidade de adaptação e pela preservação dos laços com Portugal, constitui um capítulo relevante da história contemporânea da emigração portuguesa. Um legado que importa conhecer, estudar e transmitir às gerações futuras, reconhecendo o contributo das comunidades portuguesas para as sociedades de acolhimento e para a afirmação de Portugal além-fronteiras.

É neste contexto que assume particular significado o Museu da Família Teixeira, situado na Fajã da Murta, na freguesia do Faial, concelho de Santana, na ilha da Madeira. Concebido pelo empresário Aneclet Teixeira de Freitas, este espaço museológico nasceu de uma profunda ligação às suas origens e do desejo de homenagear os seus progenitores, Albino Teixeira e Conceição Caires, naturais daquela localidade madeirense.

Na década de 1950, à semelhança de tantos outros conterrâneos, Albino Teixeira e Conceição Caires partiram para a Venezuela, em busca de melhores condições de vida e de novas oportunidades para a família. A sua história espelha a experiência de inúmeras famílias portuguesas que, confrontadas com dificuldades económicas e limitadas perspetivas de futuro na terra natal, encontraram na emigração um caminho para construir uma vida diferente.

Na década de 1960, com apenas sete anos de idade, Aneclet Teixeira foi ao encontro dos pais em Caracas. Foi na capital venezuelana que cresceu e iniciou um percurso pessoal e profissional que viria a alcançar uma dimensão assinalável. No início da década de 1980, especializou-se em gastronomia judaico-ortodoxa, área em que, aliando conhecimento, espírito empreendedor e uma notável capacidade de trabalho, viria a afirmar-se.

O seu percurso profissional, sustentado pelo rigor, pela dedicação e pelo sentido de oportunidade, conduziu à construção de um relevante universo empresarial, de que fazem parte as conhecidas lojas da cadeia Rey David, em Caracas. A sua atividade estendeu-se também a outros investimentos na América Latina e à Madeira, onde tem apostado, designadamente, nos setores hoteleiro e imobiliário.

Contudo, para além do êxito empresarial, é na ligação às suas raízes familiares e à terra de origem que se encontra uma das dimensões mais significativas do percurso de Aneclet Teixeira. Apesar da distância, das vicissitudes da vida e das responsabilidades inerentes à atividade empresarial, nunca deixou de valorizar a memória dos pais e a comunidade de onde partiu a sua família.

Essa ligação materializou-se na criação do Museu da Família Teixeira, um projeto de homenagem familiar que adquiriu uma dimensão patrimonial e cultural mais ampla. Ao reunir memórias, objetos, correspondência e fotografias, o museu dá visibilidade à experiência de uma família emigrante e, simultaneamente, evoca as trajetórias de tantos madeirenses que partiram para a Venezuela ao longo do século XX.

Aberto ao público e de entrada gratuita, o espaço integra um conjunto de elementos que contribuem para a sua singularidade, entre os quais um jardim com vinte palmeiras provenientes do Egito, uma capela, um coreto e uma adega. Mais do que um espaço de evocação familiar, constitui um lugar de encontro entre a história individual e a memória coletiva, onde as vivências de uma família se cruzam com a história mais vasta da emigração madeirense e da diáspora luso-venezuelana.

O Museu da Família Teixeira assume um papel relevante na valorização da memória histórica da Madeira e no reconhecimento do contributo da comunidade luso-venezuelana. Ao preservar o legado de Albino Teixeira e Conceição Caires, Aneclet Teixeira homenageia não apenas os seus pais, mas também todos aqueles que, partindo da “Pérola do Atlântico”, atravessaram o oceano em busca de novas oportunidades, levando consigo a língua, os costumes, os valores e a esperança de construir um futuro melhor.

Esta dimensão simbólica ganha particular relevância numa época em que a preservação da memória das comunidades portuguesas no estrangeiro constitui um desafio cultural e intergeracional. Conhecer as histórias daqueles que partiram é também reconhecer o papel da diáspora na construção da história contemporânea da Madeira e de Portugal, compreendendo que a identidade madeirense e nacional se prolonga muito para além das fronteiras geográficas.

Daniel Bastos/MS

Canadá não está em “posição neste momento” para aceitar acordo comercial com os EUA

29 October 2026 at 18:52
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O Primeiro-Ministro Mark Carney afirma que o seu governo ainda não está em posição de fechar um acordo comercial com os Estados Unidos, sublinhando que um entendimento só será possível “quando for conveniente para os canadianos”.

Em declarações aos jornalistas antes de uma reunião da bancada parlamentar liberal na manhã de quarta-feira, Carney afirmou que Otava procura “o acordo certo para os canadianos”. “Acreditamos que existem acordos que são do interesse do Canadá, em primeiro lugar, mas que também servem os interesses dos Estados Unidos. Sempre foi esse o caso. Temos mantido a coerência”, declarou. “Se esses acordos se concretizarem, iremos avançar. No entanto, não estamos nessa posição neste momento.”

Com as tensões comerciais entre o Canadá e os EUA a emergirem como um tema central na reta final para as eleições intercalares norte-americanas, multiplicaram-se esta semana as dúvidas sobre se será possível alcançar um acordo antes da votação de 3 de novembro.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, e outros altos responsáveis norte-americanos sugeriram nos últimos dias que se registavam progressos. “Resolveremos isso muito em breve. Eles estão dispostos a dar-nos tudo neste momento”, afirmou Trump durante um comício no Michigan.

Contudo, apesar do intensificar das conversações comerciais, fontes revelaram à CBC News no início desta semana que as negociações não significavam que um acordo estivesse iminente. Uma fonte disse à Radio-Canada que “elementos-chave” da discussão continuam por resolver, acrescentando: “Não estamos prestes a fechar um acordo, pelo menos por enquanto.”

Carney foi também questionado sobre as perspetivas de um entendimento, tendo reafirmado que o seu governo está pronto “para assinar um acordo que sirva os interesses dos canadianos”.

“Temos linhas vermelhas e limites muito claros, o que significou não estarmos dispostos a assinar o que nos foi proposto em agosto”, afirmou. “Na medida em que os EUA se aproximarem da aceitação desses aspetos, haverá uma maior probabilidade de chegarmos a acordo.”

CBC/MS

Mais províncias canadianas estão a acabar com a mudança de hora. O que significa isso para a sua saúde?

29 October 2026 at 18:37
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Milhões de canadianos vão atrasar os seus relógios uma hora este fim de semana, enquanto milhões de outros não o farão. Esta divisão está a colocar os canadianos sob diferentes sistemas horários, com consequências potencialmente distintas para a sua saúde.

A maior parte da Colúmbia Britânica, bem como Alberta, Manitoba e os Territórios do Noroeste, já não alteram os seus relógios duas vezes por ano, juntando-se ao Yukon e à maior parte de Saskatchewan. A maior parte do Ontário, do Quebeque e das províncias do Atlântico continuará a atrasar os relógios no dia 1 de novembro para assinalar o fim do horário de verão.

Para o Quebeque, esta poderá ser a última vez. O Primeiro-Ministro provincial, Paul St-Pierre Plamondon, anunciou que o seu governo está a avançar para acabar com a mudança de hora semestral, embora ainda não tenha decidido qual o horário que a província irá adotar em definitivo. O chefe do executivo adiantou que essa decisão será tomada após a consulta de especialistas.

Investigações sugerem que o horário de inverno permanente, a hora a que regressamos no outono, está mais alinhado com o relógio biológico interno do corpo do que o horário de verão permanente, opção que foi escolhida por várias províncias.

Michael Antle, diretor do departamento de psicologia da Universidade de Calgary e professor especialista no estudo dos ritmos circadianos, afirmou que o horário de inverno permanente teria sido melhor para Alberta.

Devido à latitude norte da província e à sua localização dentro do fuso horário, a região já regista um nascer do sol tardio durante o inverno, explicou Antle. O horário de verão permanente vai atrasar o nascer do sol em mais uma hora. Quando a luz matinal chega mais tarde, pode surgir um desfasamento entre o que o corpo necessita e o que o trabalho ou a escola exigem. Antle descreveu este efeito como “jet lag social”.

Antle destacou estudos populacionais que concluíram que as pessoas expostas a um pôr do sol mais tardio dormiam menos e apresentavam taxas mais elevadas de obesidade, diabetes e doenças cardíacas. O especialista citou ainda investigações russas que revelaram que a depressão de inverno entre os jovens aumentou durante o período em que a Rússia adotou o horário de verão permanente.

CBC/MS

Joly afirma que se reunirá com o proprietário da Stelco se a empresa apresentar um plano “concreto” para reintegrar trabalhadores

29 October 2026 at 18:35
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A Ministra da Indústria do Canadá, Mélanie Joly, afirmou estar disposta a reunir-se com o presidente da Stelco e com o responsável pela sua empresa-mãe, a Cleveland-Cliffs, mas apenas se a empresa apresentar um plano sólido para reintegrar os trabalhadores.

Joly declarou que o plano para reaproveitar esses trabalhadores constituirá a base de uma conversa com a Stelco e a Cleveland-Cliffs relativamente ao cumprimento das exigências da empresa no âmbito da Lei do Investimento no Canadá (Investment Canada Act).

“Espero que a Stelco e a Cleveland-Cliffs apresentem um plano concreto e credível para a reintegração desses trabalhadores”, escreveu Joly numa carta dirigida ao presidente da Stelco, Paul Simon, com data de quinta-feira.

O CEO da Cleveland-Cliffs, Lourenco Goncalves, pediu uma reunião com Joly para discutir um caminho que permita trazer de volta os trabalhadores suspensos à fábrica de Hamilton, onde a Stelco anunciou no mês passado a paralisação de algumas operações.

Joly exigiu igualmente que os trabalhadores suspensos sejam reintegrados nos seus postos de trabalho “imediatamente”.

A carta representa o mais recente episódio na troca pública de acusações entre o governo federal e os proprietários norte-americanos da siderurgia desde que os despedimentos foram anunciados.

Após a decisão, Joly exigiu a reversão dos despedimentos anunciados no mês passado, sob pena de a empresa enfrentar uma possível ação judicial por violação dos compromissos assumidos ao abrigo da Lei do Investimento no Canadá. O governo afirma que a empresa concordou, nesses compromissos, em manter o número de funcionários sindicalizados da Stelco nos níveis de 2024 até 2029, aquando da concretização da compra.

Goncalves sustenta que a Cleveland-Cliffs está em “pleno cumprimento” das obrigações assumidas nos termos da Lei do Investimento no Canadá quando adquiriu a produtora de aço em 2024.

CBC/MS

Por que razão nenhuma das parcerias existentes da UE se adequa ao Canadá

29 October 2026 at 18:33
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A União Europeia mantém uma série de acordos de parceria com países não-membros, mas o Canadá não se enquadra em nenhuma dessas estruturas existentes.

Uma declaração conjunta, cuja divulgação está prevista para sexta-feira na 21.ª Cimeira Canadá-UE em Montreal, promete um estreitamento de laços — embora ninguém saiba ainda exatamente o que isso significa.

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou no mês passado que a UE daria início ao processo para tornar o Canadá o seu primeiro “membro associado”.

Contudo, na quarta-feira, fontes revelaram à CBC News que a expressão foi retirada da versão preliminar da declaração, sendo substituída por apelos a uma “associação cada vez mais próxima”, acrescentando que alguns países da UE se opuseram ao estatuto de “membro associado”.

O Primeiro-Ministro Mark Carney tinha preferido desde o início utilizar termos diferentes, como “uma aliança para o futuro”.

As fontes sublinharam que a declaração continua a ser um rascunho e poderá sofrer alterações até ao final da semana.

Um alto responsável da UE afirmou na terça-feira que os 27 países do bloco estavam unidos no desejo de ter a “associação mais próxima possível” com o Canadá.

Especialistas referem que o Canadá pretende um maior acesso aos mercados europeus sem abdicar da sua independência nem se submeter às regulamentações da UE, o que coloca o país numa posição única para negociar um novo tipo de acordo.

CBC/MS

Flávio Bolsonaro declara-se líder do Brasil e promete oposição a partir dos EUA

29 October 2026 at 18:31
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Com menos 4,4 milhões de votos do que Lula da Silva nas eleições de domingo, Flávio Bolsonaro, que deixou o Brasil e chegou na quarta-feira (28) aos Estados Unidos num avião privado, dirigiu-se ao povo brasileiro e à comunidade internacional autoproclamando-se “o líder” do país sul-americano e declarando-se vítima da “perseguição política” que começou com o seu pai, Jair Bolsonaro.

Numa carta divulgada nas suas redes sociais, com o um brasão onde se lê “Estados Unidos do Brazil, começou, logo nas primeiras linhas, por encher Donald Trump e Javier Milei de elogios, agradecendo-lhes pelo apoio, para depois denunciar o que considerou “uma fraude eleitoral” que resultou na reeleição de Lula, do Partido dos Trabalhadores (PT). O candidato derrotado voltou a contestar o resultado das eleições e acusou o Tribunal Superior Eleitoral de não apresentar respostas sobre a prorrogação do horário de votação na segunda volta, considerando que houve “abuso de poder político, económico e uso da máquina pública em favor” do petista.

Flávio disse que está a ser alvo de uma “caça às bruxas politicamente motivada” que visa proteger “os juízes corruptos do Supremo Tribunal”. “Diante da instrumentalização política da Justiça do Brasil, trouxe a minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança”, justificou. “Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, por calado, preso e censurado, como o meu pai está, não poderia ser essa liderança.”

EUA emitiram vistos

Flávio Bolsonaro e a família atravessaram a fronteira do Brasil para a Argentina, por via terrestre, e apanharam um voo privado, que evitou o espaço aéreo brasileiro e fez escala no Equador antes de aterrar nos EUA. A administração norte-americana, com quem o irmão Eduardo mantém boas relações, emitiu vistos ao ex-candidato às presidenciais do Brasil, cuja campanha foi apoiada por Trump, bem como à sua família, permitindo-lhes a entrada no país.

Na sequência da missiva de Flávio, em que este prometeu fazer oposição a partir dos EUA, Donald Trump descartou envolvimento na questão brasileira. “Nós demos-lhe uma autorização para entrar no país. Mas não me vou envolver. Foi uma eleição muito estranha”, disse o chefe da Casa Branca, quando questionado por jornalistas sobre a carta divulgada pelo candidato derrotado, que está a ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão fiscal.

Lula da Silva, vencedor das presidenciais, considerou “vergonhoso” que o opositor tenha fugido do país. “A família Bolsonaro é assim. O Brasil é a sua segunda pátria. A sua primeira pátria é lamber as botas dos EUA, como se habituaram a fazer.”

JN/MS

A dimensão da vitória de Lula da Silva no Brasil

29 October 2026 at 18:28
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A vitória de Lula da Silva no domingo (25), numa viragem inédita, pode ser mensurada de diversas formas. Em todas elas, é possível ver um resultado avassalador do candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) contra Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL).

Recorde de votos e maior afluência

Lula da Silva foi a pessoa mais votada na História do Brasil numa eleição. Conquistou mais de 64,2 milhões de votos, cerca de quatro milhões e meio de votos a mais que Flávio Bolsonaro.

Superou o recorde anterior, de 2022, quando conseguiu mais de 60 milhões de votos. Aliás, em relação à votação de quatro anos atrás, Lula ampliou a vantagem sobre o candidato Bolsonaro da vez, aumentando a distância de 1,8 pontos percentuais para 3,58 pontos. A afluência aumentou de 78,92% para 80,78% – o que representa mais 2,9 milhões de eleitores.

JN/MS

Flávio Bolsonaro já aterrou em Miami com a família, EUA garantem vistos

29 October 2026 at 18:26
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O ex-candidato presidencial atravessou a fronteira para a Argentina, fez uma escala no Equador e já está nos EUA, onde já vive o irmão Eduardo. Está sob investigação no Brasil por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão fiscal

Flávio Bolsonaro, senador brasileiro derrotado este domingo por Lula da Silva na segunda volta das eleições presidenciais brasileiras, aterrou esta quarta-feira, num avião privado, no aeroporto de Opa-locka, em Miami, nos EUA, comprovam imagens transmitidas por vários canais de informação. O jornal “O Globo” nota ainda que o voo não cruzou o espaço aéreo brasileiro, tendo sobrevoado o Paraguai, Bolívia e Peru. Nos EUA deverá reencontrar o irmão, Eduardo Bolsonaro.

Antes de chegar aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro e três familiares atravessaram a fronteira entre o Brasil e a Argentina, segundo a Direção Nacional de Migrações argentina, à 1h50, hora de Portugal Continental. De acordo com as autoridades, Flávio Nantes Bolsonaro, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, Carolina Figueira Bolsonaro e Luiza Figueira Bolsonaro entraram no país através da Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones. Terão apresentado documentação válida e não tinham qualquer impedimento legal para passar a fronteira e daí embarcaram num voo privado para Guayaquil, no Equador, às 2h30.

A fuga de Flávio Bolsonaro ocorreu um dia depois de ter sido intimado pela Polícia Federal, por ordem do juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a entregar todos os passaportes que possui no prazo de 24 horas, e de ter sido proibido de deixar o Brasil.

Eduardo Bolsonaro, terceiro filho de Jair Bolsonaro, vive no estado norte-americano do Texas, onde já residia quando foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão pelo STF. A possibilidade de Flávio sair do Brasil caso perdesse as eleições já tinha sido anunciada precisamente pelo terceiro filho do ex-Presidente.

VISTO GARANTIDO

Antes destas informações, o Presidente brasileiro reeleito Luiz Inácio Lula da Silva já tinha dito a algumas dezenas de apoiantes à porta da residência presidencial em Brasília que não tinha informações precisas sobre o paradeiro de Bolsonaro, mas afirmou então que tinha deixado o Brasil.

O diretor de campanha de Bolsonaro, Rogério Marinho, disse que não falava com o candidato derrotado desde o início da manhã de terça-feira (27).

“Não tivemos notícias do Flávio nem dos seus advogados sobre o que aconteceu”, disse Marinho. “Recebi uma mensagem de texto dele, na qual dizia que queria fazer uma pausa e que depois falaria connosco. Essa foi a única mensagem que recebi dele”, disse aos jornalistas.

Certo é que Flávio Bolsonaro e a família receberão vistos para os Estados Unidos, de acordo com um responsável citado pela agência de notícias Associated Press, sob anonimato: “O Departamento de Estado irá emitir vistos a Flávio Bolsonaro e à sua família e permitir-lhes a entrada nos Estados Unidos”.

O Presidente norte-americano Donald Trump, que deu apoio expresso a Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, também foi interrogado e garantiu que concederia vistos ao senador brasileiro e à sua família.

“Bem, eu aprovaria. Acho que eles são boas pessoas. A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível. Ela tem recebido avaliações ruins. Veja o que aconteceu com o mercado deles”, afirmou Trump aos jornalistas.

TRÊS INVESTIGAÇÕES A FLÁVIO

Flávio Bolsonaro está a ser investigado em pelo menos três processos distintos no Brasil. Um dos inquéritos investiga alegados crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e transferência ilegal de capitais para o estrangeiro relacionados com recursos para financiar a produção do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, incluindo verbas alegadamente transferidas por Daniel Vorcaro, antigo presidente do Banco Master.

O STF investiga também suspeitas de lavagem de dinheiro e outras irregularidades financeiras envolvendo o advogado Willer Tomaz e empresas ligadas ao sector das apostas. Foram encontrados documentos em que Flávio Bolsonaro figurava como “utilizador master” de uma conta da Alcazar Holdings, empresa de Tomaz. O senador e o advogado negam ter negócios em conjunto. Há ainda um alegado caso de calúnia contra Lula da Silva, por uma publicação feita nas redes sociais.

Na segunda-feira (26), um dia antes de deixar o país, Flávio Bolsonaro tinha publicado um vídeo nas redes sociais em que garantira que nunca deixaria o Brasil, e que entregaria os passaportes às autoridades policiais.

EX/MS

Ricardo Ribeiro

28 October 2026 at 17:52
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A voz de Ricardo Ribeiro é daquelas que, uma vez ouvida, jamais se esquece. Uma das figuras incontornáveis do Fado contemporâneo, o fadista tem levado a identidade e a emoção da música portuguesa a palcos de todo o mundo, conquistando públicos com a autenticidade e a intensidade da sua interpretação. Distinguido com vários discos de ouro e inúmeros prémios, prepara-se agora para subir ao palco da 3.ª Gala Anual Magellan Coração de Portugal, no próximo dia 7 de novembro de 2026, para uma atuação que promete celebrar a alma portuguesa. Informações e bilhetes disponíveis em magellangala.ca.

A propósito deste encontro especial com o público, Ricardo Ribeiro concedeu-nos uma breve entrevista, na qual partilha as suas experiências, a emoção de cantar além-fronteiras e a paixão profunda que o une ao Fado — uma música que atravessa gerações, encurta distâncias e continua a levar Portugal no coração de quem a escuta.

(Milenio Stadium) Esta ida ao Canadá surge num momento de maturidade da tua carreira. Quais são as tuas principais expectativas para esta viagem e para o encontro com o público canadiano?

(Ricardo Ribeiro) Bom, é uma alegria voltar ao Canadá, não é? E, portanto, é um país em que eu viveria se não vivesse em Portugal, se me dessem a escolher onde viver, eu viveria com certeza no Canadá. Por isso, é um motivo de grande alegria e depois porque… enfim, cantar para um público que não é propriamente o nosso público habitual é sempre um desafio, mas também um motivo de muito, muito entusiasmo e de muita alegria. Vai ser um concerto maravilhoso, eu espero.

(MS) O público no estrangeiro costuma acolher os fadistas com um carinho muito próprio. Sentiste alguma diferença na preparação deste repertório específico para o Canadá?

(RR) Bom, o fado é um fenómeno que acontece, e a música em especial para mim é uma coisa que acontece. Eu não tenho as coisas muito pré-definidas nem muito pré-estabelecidas para fazer. É evidente que tenho um alinhamento pré-definido, mas no momento muitas vezes coloco canções e fados que não estavam no alinhamento. Portanto, eu prefiro as coisas com alguma espontaneidade e com uma verdade que só no momento é que pode sair.

(MS) Na tua opinião, o que é que a música portuguesa pode levar de novo para a cultura do Canadá nesta fase da tua carreira?

(RR) Bom, o que é que pode levar de novo eu não sei. Eu acho que o que nós podemos levar de novo somos nós próprios, não é? E a maneira como interpretamos as palavras e as melodias. Não é propriamente só a música portuguesa em si, mas é também cada instrumentista e cada cantor, cada solista, cada artista que leva a sua personalidade e o seu caráter para cima de um palco. Portanto, tudo isso pode ser novo.

(MS) Que significado pessoal tem para ti ver a tua arte ser reconhecida num contexto internacional que celebra a lusofonia e o intercâmbio cultural?

(RR) É algo muito emotivo e muito especial. É porque a diversidade é a organização do próprio cosmos, não é? E, portanto, um mundo sem diversidade não se conseguiria… era impossível viver. Nenhuma estrela é igual à outra, nenhuma árvore é igual à outra e nenhum homem é igual ao outro. E, portanto, essa diversidade e esta forma com que… com que vamos para o estrangeiro e como somos acolhidos é, de facto, uma coisa extraordinária.

(MS) Quando cantas para a comunidade portuguesa no estrangeiro, sentes uma responsabilidade acrescida por estares a transportar um pedaço de Portugal até eles?

(RR) Bom, cantar para a comunidade portuguesa é algo extraordinário, mas também de muita responsabilidade, porque eu acho que os portugueses quando estão fora são mais exigentes e querem mais de nós. Mas não num sentido de carga, mas sim no sentido de profundidade e de verdade. E é isso que eu tento levar para todos.

(MS) Que mensagem de esperança e ligação cultural gostarias de deixar aos portugueses que vivem e trabalham no Canadá?

(RR) Deixar-lhes um abraço profundo de amizade e dizer-lhes que não desistam deste país, porque isto é uma seara bonita de trigo maduro, é uma terra morena que queima no verão, é uma terra serena dos perdidos amantes, mas é uma terra pequena, mas deste povo tão grande.

(MS) No concerto, palco da 3.ª Gala Anual Magellan Coração de Portugal, o que gostarias que a comunidade portuguesa e o público em geral levassem no coração depois de te ouvir cantar?

(RR) Emoção e verdade.

No próximo dia 7 de novembro, na 3.ª Gala Anual Magellan Coração de Portugal, Ricardo Ribeiro levará ao Canadá muito mais do que a sua voz: levará a alma de um Fado que não conhece fronteiras e continua a unir Portugal à sua diáspora. Com um percurso marcado pela autenticidade e uma interpretação que dispensa artifícios, o fadista promete transformar o palco num espaço de encontro entre culturas, memórias e emoções. Porque, no universo de Ricardo Ribeiro, o Fado não se limita a cantar-se: sente-se, vive-se e partilha-se. E quando a voz se cala, fica aquilo que verdadeiramente importa: a emoção de uma música que nos toca por dentro e nos lembra, onde quer que estejamos, de onde vimos.

Paulo Perdiz/MS

Iscas de Fígado com Cebolada

27 October 2026 at 17:10
MDC Media Group Inc.

Ingredientes

  • 500 g de fígado cortado em tiras
  • 1 copo de leite
  • 2 cebolas grandes cortadas em meias-luas
  • 100 ml de polpa de tomate
  • 3 dentes de alho laminados
  • Azeite
  • Sal e pimenta-branca q.b.
  • Vinagre ou sumo de limão

Modo de preparação

Coloque as tiras de fígado numa taça com o leite durante 10 minutos. Escorra muito bem. Deixar o fígado em leite ajuda a suavizar o sabor e a deixá-lo mais tenro. Tempere o fígado com sal, pimenta-branca e os alhos laminados. Deixe marinar cerca de 30 minutos. A marinada permite que o alho dê ainda mais sabor ao fígado. Aqueça uma frigideira em lume médio-alto com um fio de azeite. Frite o fígado apenas até ficar dourado por fora. Retire da frigideira e reserve. Não cozinhe demasiado o fígado para evitar que fique duro e seco. Na mesma frigideira, junte a cebola e a polpa de tomate. Deixe refogar até a cebola ficar macia e ligeiramente dourada. Volte a colocar o fígado na frigideira e envolva bem no molho.Regue com um pouco de vinagre ou sumo de limão e cozinhe mais um minuto. A acidez do vinagre ou do limão equilibra o sabor intenso do fígado. Finalize com salsa picada para dar mais frescura e cor ao prato. Bom apetite!

Rosa Bandeira/MS

Para ver mais receitas como esta, visite nossa pagina no YouTube @RosasPortugueseKitchen

Benfica bate Sporting no dérbi de futebol feminino e chega à liderança do campeonato

27 October 2026 at 16:59
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O Benfica recebeu e bateu o Sporting, no Estádio da Luz, por 4-1. As encarnadas até estiveram em desvantagem, mas deram a volta ainda na primeira parte para chegar, à condição, a uma liderança isolada do campeonato português.

Numa tarde amena e perante 9286 adeptos presentes nas bancadas, o dérbi lisboeta contou com emoção logo nos primeiros minutos. Ana Dias, aos 5 minutos, atirou de fora da área por cima da guarda-redes alemã Lena Pauels para colocar as leoas na frente com um grande golo.

No entanto, o Benfica soube responder ainda na primeira parte. Um bis da brasileira Nycole Raysla (11 m e 41 m) e um golo de da húngara Ana Csiki (31 m), de cabeça, fizeram a festa da reviravolta encarnada.

Já na segunda metade, Andreia Norton saltou do banco para também deixar marcar no encontro e fechar a goleada das águias com um golo aos 89 minutos.

Desta forma, o Benfica, com um jogo a menos, segue invicto no campeonato com quatro vitórias em quatros jogos e salta, à condição, para a liderança isolada.

JN/MS

Fernando Pimenta conquista o bronze na prova curta dos Mundiais de maratonas

27 October 2026 at 16:57
DR

O canoísta português Fernando Pimenta conquistou a medalha de bronze na prova curta de K1 nos Mundiais de maratona, em Gualeguaychú, na Argentina.

Pimenta, que defendia o título mundial, terminou os cerca de 3,7 quilómetros em 11.24,45 minutos, procurando ainda nova medalha na prova longa de K2, ao lado de José Ramalho, que não concluiu a prova curta de K1.

O sul-africano Hamish Lovemore sagrou-se campeão mundial, em 11.20,92 minutos, com quase três segundos de avanço sobre o segundo classificado, o dinamarquês Mads Pedersen (11.23,46).

JN/MS

Rui Lacerda e Ricardo Coelho campeões mundiais de C2 em maratonas

27 October 2026 at 16:55
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Os canoístas portugueses Rui Lacerda e Ricardo Coelho sagraram-se campeões de C2 nos Mundiais de maratona, dando o segundo título sénior a Portugal em Gualeguaychú, na Argentina.

A dupla portuguesa completou o percurso em 1:39.38,61 horas, à frente dos espanhóis Jaime Duro e Manuel Garrido (1:40.13,32) e dos polacos Mateusz Borgiel e Mateusz Zuchora (1:40.34,33).

No K2 feminino, Mariana Morais e Andreia Duarte foram sétimas.

JN/MS

Canoísta Ricardo Coelho campeão mundial C1 de maratonas

27 October 2026 at 16:53
DR

O canoísta português Ricardo Coelho sagrou-se campeão mundial C1 de maratona, dando o primeiro título sénior a Portugal em Gualeguaychú, na Argentina.

Ricardo Coelho terminou os cerca de 30 quilómetros em 1:45.10,54 horas, menos 5,95 segundos do que o húngaro Mihaly Pluzsik e 42,16 do que o polaco Mateusz Borgiel, segundo e terceiro respetivamente.

No K2 júnior, Joana Peixoto e Beatriz Sá foram quartas, com Mariana Morais a ser 13.ª no K1 sénior, a mesma posição que Nuno Morais conseguiu no K1 júnior.

Portugal já tinha duas medalhas de ouro nos Mundiais de maratonas, no C2 júnior, por Duarte Cunha e Gabriel Fernandes, que ainda venceu os C1 juniores.

Além dos títulos, Portugal tem ainda o bronze de Maria Sousa nas provas de C1 júnior, a prata de Ricardo Coelho na prova curta de C1, os bronzes de Fernando Pimenta, na prova curta de K1, e Martim Conceição, na prova curta de K1 júnior, e a prata de Leonardo Barbosa em C1 sub-23.

JN/MS

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