Centenas de polícias da PSP e guardas da GNR estão hoje concentrados no Largo de Camões, em Lisboa, num protesto nacional para exigir melhores salários, revisão das carreiras e melhores condições de trabalho.
Numa organização da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) e da Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), os elementos da PSP e da GNR seguem depois para a residência do primeiro-ministro, onde vão entregar um documento com as principais reivindicações.
O desfile com destino a São Bento começou a partir das 19:30 para, segundo os organizadores, ser cumprida a lei da manifestação, que durante os dias úteis apenas permite desfiles a partir daquela hora.
Com bandeiras da ASPP e da APG e ao som de apitos, alguns manifestantes vestem camisolas pretas com mensagem a exigir “respeito” e para que se “cumpra” o acordo assinado com o Governo em 2024.
O presidente da APG, César Nogueira, disse à Lusa que os guardas da GNR exigem aumentos dos salários “já em 2027” e a revisão do estatuto remuneratório, lembrando que desde 2009 não é alterado o que deixa os militares desmotivados e a “perder dezenas de euros”.
Atualmente está a decorreu um processo de negociação com o Governo, que César Nogueira classificou “de pseudonegociação”, uma vez que não foi apresentado nada em concreto.
Também o presidente da ASPP, Paulo Santos, disse à Lusa que a manifestação de hoje “faz todo o sentido”, uma vez que “o Governo ainda não teve capacidade de apresentar propostas concretas”.
Paulo Santos frisou que o protesto tem como objetivo pressionar o Governo a responder às principais reivindicações dos elementos da PSP e da GNR, como aumentos salariais, revisão das carreiras e dos suplementos, valorização da profissão e por uma “melhor segurança pública”.
O presidente da ASPP explicou que o destino da manifestação é a residência do primeiro-ministro porque Luís Montenegro “é o responsável pelo acordo”.
A CGTP-IN vai convocar uma “grande manifestação nacional” em Lisboa para dia 21 de novembro, anunciou esta quinta-feira o secretário-geral, prometendo intensificar as ações e apelando aos trabalhadores que novembro seja “um grande mês de luta”.
“A luta tem que continuar em crescendo”, disse o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, em conferência de imprensa após a central sindical ter reunido o seu Conselho Nacional, apelando aos trabalhadores que façam “do mês de novembro um grande mês de ação e de luta”.
Entre as ações hoje anunciadas está “uma grande manifestação nacional” a realizar em Lisboa no dia 21 de novembro, bem como uma concentração em frente à Assembleia da República no dia 24 de novembro, que coincide com o dia da votação final global da proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).
“Façamos no dia 21 de novembro uma grande jornada à luta e um grande momento de afirmação contra todas as injustiças que sentimos no nosso dia-a-dia”, apelou Tiago Oliveira. O secretário-geral criticou o Governo por não dar resposta aos “problemas concretos da vida de quem trabalha”, desde o aumento do custo de vida, ao investimento no Serviço Nacional de Saúde, na educação ou na habitação.
“Todos nós temos direito a um teto. Todos nós temos direito a uma casa. Todos nós temos direito a uma vida digna e, portanto, aquilo que nós dizemos é que temos um Governo que é fraco com os fortes e forte com aqueles que menos têm e que mais precisam”, referiu.
Pedindo “um novo rumo para o país”, Tiago Oliveira lembrou que o Orçamento do Estado é uma “das maiores ferramentas que o Governo tem para a implementação da opção política” e insistiu que o documento é “profundamente negativo para os trabalhadores”.
“Este Orçamento de Estado só será aprovado se o Governo tiver a mão de alguém. Quer isto dizer que no dia 24 [de novembro] não é só o Governo que está em questão, são todos aqueles que apoiarão com a sua posição um Orçamento de Estado que é profundamente penalizador para o país e para os trabalhadores”, alertou.
O secretário-geral da CGTP apelou aos trabalhadores que se juntem às ações convocadas pela central sindical e lembrou o papel que tiveram na rejeição da proposta de lei de alterações à legislação laboral. “Continuamos a acreditar que é com os trabalhadores que vamos derrotar este rumo de política que está a ser seguida por este Governo”, rematou.
Doze países da União Europeia (UE), incluindo Portugal, vão colocar no mercado cerca de 42,6 milhões de barris de petróleo das suas reservas estratégicas, quase metade dos quais de gasóleo, segundo um comunicado divulgado esta quinta-feira.
De acordo com o documento, subscrito pelos 12 países, serão libertados 42,6 milhões de barris até ao final de janeiro de 2027, dos quais 20,5 milhões de gasóleo, na sequência de um compromisso assumido no âmbito do G7.
“Estamos a fazer tudo o que podemos para estabilizar os mercados do gasóleo à medida que o inverno se aproxima”, afirmou o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, no final de uma reunião dos ministros da Energia da UE, no Luxemburgo.
Em Portugal, a associação das empresas petrolíferas (Epcol) afirmou hoje à Lusa que não antevê riscos iminentes de rutura no abastecimento de combustíveis durante o próximo inverno, apesar da incerteza quanto à evolução dos preços devido à situação geopolítica.
Segundo o porta-voz da associação, João Reis, a segurança do abastecimento nacional beneficia da combinação entre capacidade de refinação, infraestruturas logísticas, importações e reservas estratégicas. Os preços da energia dispararam desde o início da guerra no Irão, com o litro de gasóleo a ultrapassar os 2,30 euros em vários países da UE.
Perante esta situação, e sob pressão do Presidente norte-americano, Donald Trump, os países do G7 decidiram, no início de outubro, recorrer às reservas estratégicas para libertar “até 100 milhões de barris” de gasóleo e petróleo bruto “nos próximos quatro meses”, numa tentativa de aliviar a pressão sobre os preços dos combustíveis.
A UE garantiu hoje que está atenta ao impacto da crise nos orçamentos das famílias europeias, embora tenha afastado, para já, preocupações com a segurança do abastecimento. “Não prevemos propriamente problemas em termos de segurança do abastecimento, mas, para os cidadãos que têm dificuldades em pagar as suas contas, isso poderá não fazer diferença”, reconheceu Jørgensen.
Além de Portugal, os países que assumiram este compromisso são a Alemanha, França, Grécia, Dinamarca, Bélgica, Lituânia, Luxemburgo, Letónia, Suécia, Países Baixos e Itália. Embora nem todos integrem o G7, os 12 países são membros da Agência Internacional de Energia (AIE), que também tinha apelado ao recurso às reservas estratégicas antes do inverno.
A antiga fábrica da Tupperware, em Montalvo, foi vendida por quatro milhões de euros, anunciou esta quinta-feira o presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira, manifestando a esperança de que o complexo industrial volte a criar emprego.
“Por um lado, ficamos satisfeitos por efetivamente a antiga fábrica da Tupperware ser vendida e termos a esperança de que ali nasça outra empresa que crie postos de trabalho“, afirmou o autarca socialista à Lusa, à margem da reunião do executivo onde anunciou a venda.
A fábrica, situada no concelho de Constância, distrito de Santarém, foi colocada em leilão em 14 de outubro, com um preço-base de 10 milhões de euros, mas a melhor proposta, de 3,8 milhões, foi recusada pela comissão de credores.
O valor agora anunciado resulta de uma negociação posterior, que permitiu subir a oferta em 200 mil euros, com o acordo dos trabalhadores. Sérgio Oliveira lamentou que o montante tenha ficado abaixo das expectativas, estimando que os antigos funcionários recebam, em média, entre 40% e 45% dos créditos a que têm direito.
“É um ciclo, em primeiro lugar, doloroso para os trabalhadores que foram despedidos”, afirmou, lembrando que muitos tinham 20 ou 30 anos de serviço na empresa.
Segundo o presidente da Câmara, o comprador é uma empresa do setor da cutelaria, com atividade industrial no distrito de Leiria, embora os planos para a antiga fábrica sejam desconhecidos. O autarca espera que a unidade seja reativada e crie emprego, adiantando que o município pretende contactar o comprador nas próximas semanas, caso este não tome a iniciativa. “Para nós é importante perceber qual é a ideia, o que ali querem fazer, a perspetiva que têm para aquele espaço”, declarou.
Contactado pela Lusa, o administrador de insolvência, Jorge Calvete, confirmou a venda da fábrica por quatro milhões de euros e indicou que o montante permitirá pagar cerca de 50% dos créditos dos trabalhadores.
Rui Caseiro, antigo funcionário que acompanhou o processo de insolvência e esteve presente no leilão, explicou à Lusa que a proposta inicial de 3,8 milhões de euros foi negociada após consulta aos trabalhadores. “Reunimos outra vez com os trabalhadores, reunimos toda a gente”, afirmou, acrescentando que foi pedido ao comprador um aumento de 200 mil euros, até aos quatro milhões, valor que acabou por ser aceite.
Segundo Rui Caseiro, que trabalhou 30 anos na Tupperware, a decisão resultou do receio de que o prolongamento do processo pudesse desvalorizar ainda mais os ativos e dificultar a recuperação dos créditos. “Mais vale recebermos este valor e termos alguma coisa do que estarmos à espera mais tempo e não recebermos nada”, afirmou, justificando a aceitação da proposta.
O antigo trabalhador estimou que cerca de 192 funcionários tenham créditos por receber, manifestando a esperança de que o novo proprietário retome a atividade industrial e aproveite a mão de obra especializada da região. Rui Caseiro, que acompanhou durante um ano e três meses o processo de insolvência, recordou o desgaste psicológico de assistir à degradação da fábrica onde trabalhou durante três décadas.
Também Fernando Guedes, vereador do Chega e antigo trabalhador da Tupperware durante 30 anos, considerou insuficiente o valor da venda, embora satisfeito por os funcionários poderem recuperar parte dos créditos.
O vereador da CDU João Céu lamentou que os trabalhadores não recebam a totalidade dos montantes reclamados e alertou que o pagamento poderá ainda demorar.
A fábrica de Montalvo, que chegou a empregar cerca de 260 pessoas, cessou a produção em janeiro de 2025. A Tupperware — Indústria Lusitana de Artigos Domésticos foi declarada insolvente no mês seguinte, após a retirada das licenças de produção e comercialização da marca em Portugal. O complexo integra três edifícios, terrenos e equipamentos de transformação de plásticos, tendo o leilão de outubro terminado sem adjudicação imediata, após as propostas ficarem abaixo dos valores-base.
A associação das empresas petrolíferas (Epcol) considera que existe alguma margem para aumentar a produção na refinaria de Sines, a única em funcionamento em Portugal, mas ressalva que essa possibilidade depende de fatores técnicos e económicos.
“Julgamos que existe alguma margem para aumentar a produção em Sines, mas a questão não é apenas técnica”, disse à Lusa o porta-voz da associação das Empresas Portuguesas de Combustíveis e Lubrificantes (Epcol), João Reis, questionado sobre o apelo da Comissão Europeia para travar o encerramento de refinarias e aumentar a produção de combustíveis na União Europeia (UE).
Segundo João Reis, um eventual aumento depende da “disponibilidade de crude e matérias-primas, do tipo de crude disponível, da mistura de produtos procurados pelo mercado (gasóleo, gasolina, jet fuel, etc.) e das condições económicas de operação”.
A associação considera que a nova posição da Comissão Europeia poderá valorizar a importância estratégica da refinaria de Sines, embora não antecipe grandes implicações para o setor nacional.
“Relativamente ao aparelho refinador nacional não nos parece que existam grandes implicações, mas evidentemente que ao passar a apoiar ativamente a manutenção da capacidade de refinação europeia, a posição estratégica de Sines poderá ser valorizada”, refere.
A Epcol vê “muito favoravelmente” a iniciativa de Bruxelas, sublinhando que tem defendido a importância estratégica da indústria de refinação para a segurança energética, o abastecimento de combustíveis, a defesa e a competitividade industrial europeia.
“Seria muito gravoso para a Europa perder capacidade de refinação antes de existirem alternativas plenamente capazes de assegurar o abastecimento energético”, comentou.
As declarações surgem depois de a Comissão Europeia ter defendido, na quarta-feira, a necessidade de travar o encerramento de refinarias e aumentar a produção de combustíveis na União Europeia (UE), numa altura em que os preços continuam pressionados e existem preocupações com a segurança do abastecimento.
Após uma reunião com representantes da indústria, em Bruxelas, o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, defendeu que a UE precisa de aumentar a produção das refinarias existentes, com o objetivo de contribuir para a redução dos preços dos combustíveis.
O executivo comunitário anunciou ainda a intenção de trabalhar com o setor na elaboração de um roteiro conjunto para a transformação da indústria de refinação, procurando conciliar a manutenção da capacidade de produção com os objetivos de descarbonização.
Por sua vez, a associação europeia FuelsEurope, que representa a indústria de produção de combustíveis, congratulou-se com o lançamento do diálogo estratégico e com o reconhecimento da refinação como um setor essencial para a segurança energética, a economia e a defesa europeias.
Em comunicado divulgado na quarta-feira, a organização afirmou que as refinarias europeias estão disponíveis para trabalhar com a Comissão Europeia e os Estados-membros na identificação de soluções tecnicamente viáveis e seguras para maximizar a capacidade de produção disponível a curto prazo.
Segundo a FuelsEurope, as refinarias europeias aumentaram a produção de combustível para aviação em 30% em maio de 2026, face ao mesmo mês do ano anterior, de acordo com dados da Agência Internacional de Energia (AIE). A associação admite que poderão ser possíveis novos aumentos, embora ressalve a existência de limitações técnicas e operacionais e a necessidade de criar condições adequadas para o efeito.
A FuelsEurope alertou ainda que a Europa perdeu 20% da sua capacidade de refinação desde 2009, com o encerramento de 35 refinarias, defendendo que devem ser evitados novos encerramentos para impedir o aumento da dependência de combustíveis importados.
Em Portugal, a atividade de refinação está concentrada em Sines, depois do encerramento da refinaria de Matosinhos, em 2021, pela Galp. Segundo os dados da Galp, a refinaria de Sines tem uma capacidade de destilação de 226 mil barris de petróleo por dia, sendo uma das maiores da Península Ibérica.
A empresa tem vindo a investir na transformação do complexo industrial de Sines, incluindo projetos ligados à produção de biocombustíveis avançados e hidrogénio verde, no âmbito da sua estratégia de descarbonização.
A Câmara Municipal da Amadora vai celebrar um protocolo com os municípios de Lisboa e Oeiras para desenvolver os estudos e projetos do Metrobus, um sistema de transporte público com autocarros elétricos em corredor dedicado, informou a autarquia esta quinta-feira.
A proposta de celebração deste protocolo foi aprovada na última reunião do executivo da Amadora e inclui também a Carris e a Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML).
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara Municipal da Amadora, Vítor Ferreira (PS), explicou que este acordo de cooperação intermunicipal visa criar condições para a implementação do sistema de Bus Rapid Transit (BRT), que pretende ligar zonas residenciais e empresariais dos concelhos da Amadora, Lisboa e Oeiras.
“Este traçado já existe desde 2002 e é uma ligação essencial entre a linha de Cascais e a linha de Sintra”, sublinhou Vítor Ferreira.
Segundo o autarca socialista, “não existe atualmente um sistema de transporte pesado que ligue diretamente as duas linhas ferroviárias“, pelo que o Metrobus poderá reforçar a articulação da rede de transportes na zona ocidental da Área Metropolitana de Lisboa.
O projeto prevê um corredor em sítio próprio, servido por autocarros totalmente elétricos, com um traçado entre Algés, no concelho de Oeiras, e a estação da Reboleira, na Amadora. Está também prevista uma ligação à zona da Buraca e à estação de Benfica, com acesso ao Colégio Militar, já no concelho de Lisboa.
Nesse sentido, segundo indicou Vítor Ferreira, no concelho da Amadora, o percurso do Metrobus deverá servir áreas residenciais e empresariais, incluindo zonas de Alfragide, Buraca e Venda Nova, permitindo ligações a interfaces de transporte público.
Este traçado já existe desde 2002 e é uma ligação essencial entre a linha de Cascais e a linha de Sintra.
O autarca explicou que, nesta fase, o protocolo abrange o planeamento e a conceção técnica do projeto, incluindo estudos de procura, circulação e tráfego, impacto socioambiental e viabilidade da inserção urbana, bem como a preparação dos anteprojetos e projetos de execução.
“Aquilo que nós já temos bastante avançado é a inserção do traçado deste sistema no território da Amadora. Como deve calcular, influencia muito aquilo que é a área da superfície, com questões de estacionamento, com questões de alargamento de vias, com questões de paragens”, apontou.
Em julho do ano passado, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, anunciou um investimento de 93,5 milhões de euros para ligar os concelhos de Oeiras e Lisboa por Metrobus, a partir de 2028.
Em causa está uma ligação Algés–Benfica e outra Algés-Alcântara, sendo as novas ligações feitas em canal dedicado, num traçado de 21 quilómetros, com 29 paragens.
O PS pediu esta quinta-feira explicações ao governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, sobre as alterações ao contrato da nova sede, considerando que está solução “é pior, opaca, sem informação e não rigorosa”.
“Passámos da transparência [de Mário Centeno] para a opacidade. O que o governador do Banco de Portugal apresentou hoje é um comunicado em que nós não conhecemos os projetos, as negociações, se houve auditoria àqueles projetos, para perceber se os projetos estavam todos adequados e salvaguardavam o interesse do Banco de Portugal, o interesse público”, criticou, em declarações aos jornalistas, o deputado do PS, Carlos Pereira.
Na perspetiva do socialista, esta solução “é pior” e, “mais grave do que isso, é opaca, não tem informação, não é transparente, não é rigorosa sequer”. “E isso preocupa-nos significativamente. E quero também dizer que é muito importante perceber o que pensa o Conselho de Administração sobre esta matéria”, disse ainda.
Carlos Pereira referiu que o Conselho de Administração é o mesmo e, quando o antigo governador Mário Centeno apresentou a sua solução, “havia um consenso” entre os administradores. “Ora, estamos a falar de uma solução completamente diferente, que custa mais por metro quadrado, que não reúne todos os serviços do mesmo espaço e é preciso perceber o que pensa, de facto, o Conselho de Administração”, defendeu.
Considerando que Álvaro Santos Pereira “terá que explicar tudo isto nos próximos tempos”, o deputado do PS disse que o partido admite vir a pedir uma audição parlamentar caso estas explicações não surjam até ao final do processo orçamental, período durante o qual outros trabalhos no Parlamento estão suspensos.
“O Governador do Banco de Portugal foi muito célebre a fazer acusações ao anterior Governador e está há três meses para responder à Assembleia da República a um pedido que foi feito pelo Grupo Parlamentar do PS a 11 de julho“, criticou, exigindo que toda essa documentação seja enviada.
Para Carlos Pereira, o comunicado desta quinta-feira “é quase uma manhosice” porque “conclui que aquela obra fica 35 milhões de euros mais barata”, o que diz ser “outra mentira”.
“Tínhamos uma sede com 27 mil metros quadrados e agora uma sede com menos cinco mil metros quadrados.Estamos a comprar por metro quadrado um valor bastante superior. Se fizermos uma comparação ao preço que Mário Centeno queria comprar a sede anterior com a dimensão que Álvaro Santos Pereira quer comprar esta, estamos a falar de mais cinco milhões de euros”, comparou.
O deputado do PS começou a conferência de imprensa com uma provocação, remetendo para um episódio do tempo em que Álvaro Santos Pereira era ministro da Economia: “O Banco de Portugal não é propriamente uma loja de pastéis de nata”.
Segundo o comunicado, a alteração ao contrato foi assinada esta semana entre o BdP e a Fidelidade, promotora da construção das futuras instalações, através de um aditamento ao contrato-promessa de compra e venda celebrado em 2025.
Com a mudança, o valor da compra do edifício baixa de 191,99 milhões de euros para 165,09 milhões e o montante global do investimento estimado, que inclui o mobiliário e capacitação técnica para o espaço entrar em funcionamento, será de 225 milhões de euros, menos 35 milhões do que o projetado na versão inicial (260 milhões de euros).
O contrato promessa inicial previa a compra de dois edifícios separados, unidos por um túnel (os chamados edifícios A3 e A2). A alteração ao contrato prevê uma troca de edifícios, para uma única torre do mesmo empreendimento (o edifício A1), estando previsto um auditório localizado separadamente, no edifício A3.
O presidente do Conselho Europeu manifestou esta quinta-feira apoio à proposta de Ursula von der Leyen para conceder o estatuto de “membro associado” da União Europeia ao Canadá, quer se utilize esse termo ou outro.
Num discurso no Conselho das Relações Internacionais de Montreal, à margem da cimeira entre a União Europeia e o Canadá, que se realiza esta quinta e sexta-feira, António Costa salientou que, nessa reunião, Bruxelas e Otava vão estabelecer “uma aliança para o futuro” e criar uma “associação cada vez mais estreita”. O presidente do Conselho Europeu salientou que a relação entre as duas partes é “tão forte” que ambas tencionam “criar algo de novo: ir além de uma simples associação, embora não se atinja a adesão plena à União Europeia (UE)”.
“A presidente da Comissão Europeia avançou mesmo a ideia audaciosa de tornar o Canadá um ‘membro associado’ da UE. Eu partilho a sua ambição. Seja esse termo ou outro, uma coisa é clara: a nossa associação vai ser a mais única, estreita e profunda que existe”, afirmou António Costa.
O presidente do Conselho Europeu deu assim respaldo a uma ideia que Ursula von der Leyen apresentou em setembro no discurso sobre o Estado da União, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, e que tem sido criticada por alguns Estados-membros.
Países como a Alemanha ou a França opõem-se à criação deste estatuto, por considerarem que os seus moldes deveriam ter sido definidos antes de ser apresentado ao Canadá, além de criticarem Von der Leyen por ter feito a proposta sem os ter consultado previamente. Nesse sentido, pediram que a menção “membro associado” seja retirada da declaração final da cimeira UE-Canadá, que irá ser divulgada na sexta-feira.
No seu discurso, António Costa afirmou que o Canadá é “o mais europeu” dos parceiros da UE que não estão no continente. “Partilhamos os mesmos valores: a democracia, a dignidade humana, o pluralismo das ideias e o Estado de direito”, frisou o presidente do Conselho Europeu, que referiu que a parceria entre a UE e o Canadá se baseia na História.
“Mas a nossa vontade comum de continuar a encontrar soluções, através do diálogo e da confiança, permite antever que as oportunidades e os maiores êxitos desta parceria ainda estão por vir”, previu.
Costa salientou que, através da cimeira que se está a realizar, a UE e o Canadá tencionam “criar oportunidades” para as suas empresas, trabalhadores, investigadores e estudantes, “reduzindo dependências, criando emprego e reforçando a segurança, competitividade e prosperidade”.
“A ambição e a vontade de agir estão presentes. Com a nossa aliança e a nossa parceria, a UE e o Canadá não se limitam a responder a um mundo em transformação. Estamos a contribuir para moldar o mundo que há de vir”, afirmou Costa.
O presidente do Conselho Europeu reconheceu que essa “tarefa é ambiciosa”. “Mas, graças à confiança que nos une e à amizade que nos aproxima, não podemos falhar”, afirmou.
Num discurso desta quinta-feira em Montreal, Von der Leyen já tinha insistido na proposta de dar ao Canadá o estatuto de membro associado, frisando que o objetivo é criar uma “associação sem adesão” e em dar ao país uma “parceria mais próxima da condição de membro” do que qualquer outra que a UE tenha estabelecido até hoje.
“Queremos elevar a nossa relação ao nível mais elevado possível e é por isso que estamos a discutir a possibilidade de o Canadá se tornar o primeiro membro associado da UE”, salientou a presidente da Comissão Europeia.
O investimento em “capital semente”, ‘start-up’ e ‘early stage’, diferentes tipos de financiamento de projetos em fase inicial, aumentou 37% em 2025 face ao ano anterior, para 2.849 milhões de euros, segundo um relatório divulgado esta quinta-feira pela CMVM.
De acordo com o “Relatório sobre a Atividade de Capital de Risco 2025” – que apresenta os principais destaques sobre a atividade de capital de risco em Portugal e a respetiva atividade de supervisão por parte da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) — o valor investido para apoio à expansão das empresas seguiu a mesma tendência, aumentando para 3.988 milhões de euros (+37% face a 2024).
Quanto ao investimento em empresas que pretendem reorientar a sua estratégia (‘turnaround’), registou também, ao contrário do ano anterior, uma subida, de 14%, atingindo os 771 milhões de euros.
No final do ano passado, 86 entidades gestoras geriam Organismos de Investimento Alternativo (OIA) de capital de risco, um acréscimo de 8% (mais seis entidades) face ao final de 2024. O número de OIA de capital de risco em atividade cresceu 20%, para 417, o que se traduziu numa subida de 24% do montante sob gestão, para 12.700 milhões de euros, e num aumento de 20% do número de participantes, para 20.496, dos quais 84% eram investidores não profissionais.
Segundo a CMVM, os ativos sob gestão “mantinham-se relativamente concentrados nos OIA de maior dimensão”. Os OIA de capital de risco com ativos iguais ou superiores a 100 milhões de euros representavam 7% do total de OIA de capital de risco em atividade, detendo cerca de 38% dos ativos sob gestão. Em contrapartida, os OIA de capital de risco com menos de dois milhões de euros correspondiam a aproximadamente 15% do total, detendo menos de 1% dos ativos sob gestão.
O relatório aponta ainda que as políticas e estratégias de investimento dos OIA de capital de risco se mantiveram concentradas nas tipologias de ‘private equity’ e ‘venture capital’: Em 2025 existiam 236 OIA classificados como ‘private equity ‘e 168 como ‘venture capital’, categorias que, em termos de ativos sob gestão, representavam, respetivamente, cerca de 69% e 27% do total.
O regulador do mercado indica ainda que o valor total das aquisições de participações sociais aumentou em 2025, correspondendo a 71% do valor total das transações, sendo acompanhado de uma subida do número de aquisições.
No período registaram-se 1.073 operações de alienação de participações sociais (26% do número total de transações), sendo que em 31% dessas operações se registaram mais-valias face ao valor de aquisição e, em 35% face ao valor inscrito em carteira.
A comissão liquidatária do Banco Privado Português (BPP) avançou esta semana com o primeiro pagamento parcial a credores comuns, disse à Lusa o presidente, acrescentando que na terça-feira deu uma ordem para pagar quatro milhões de euros.
Em entrevista à Lusa, o presidente da comissão liquidatária do BPP, Manuel Mendes Paulo, disse que deu na terça-feira ordem aos serviços para pagamento a 200 credores comuns, no total de cerca de quatro milhões de euros, e que ainda esta semana será dada nova ordem de pagamento a mais 200 credores, no total de sete milhões de euros.
Contudo, havia uma pendência em tribunal que fez atrasar o pagamento mas que ficou resolvida, permitindo que sejam efetuados os pagamentos.
Apesar dos 5.600 credores comuns reconhecidos, Mendes Paulo explicou que, por ordem do tribunal, só são pagos valores acima de 50 euros. Como o valor a pagar agora é de apenas 8,4% do crédito reconhecido, só têm direito a receber credores com crédito reconhecido mínimo de 600 euros. Nestas condições estão cerca de 4.000 credores.
Para proceder aos pagamentos, a comissão liquidatária enviou cartas a todos esses credores comuns a pedir para remeterem a documentação devida para poder ser validada. Dessas cartas, foram recebidas quase 3.000 respostas.
Segundo afirmou Mendes Paulo, atualmente há mais de 2.000 credores cujos processos estão completos ou a ser completados e cujo primeiro pagamento está já a acontecer ou vai acontecer nas próximas semanas.
“Processos completos são 2.200 ou 2.300. À medida que os processamento decorrer e estiver tudo ‘ok’ vão ser pagos em função da data em que foi completado o processo documental. Quem completa primeiro, recebe primeiro”, disse em entrevista à Lusa.
Questionado sobre o que acontece a quem não tiver respondido ou não tenha recebido a carta (houve centenas de devoluções por morada desatualizada, o que pode estar relacionado com processos de herança), Mendes Paulo afirmou que a qualquer momento o credor comum pode entregar a documentação junto da comissão liquidatária e assim que tiver validada receber o dinheiro que lhe é devido, sem prazos até ao fim do processo de liquidação.
Os credores comuns do BPP têm, no total, a receber 944 milhões de euros. Contudo, é sabido que o valor a receber ficará muito abaixo uma vez que o património do BPP não é suficiente (o ‘buraco’ do BPP era perto de 1.000 milhões de euros) e há credores que passam à frente (garantidos e privilegiados).
Aliás, os credores comuns estão agora a ser pagos pois já foi integralmente devolvido ao Estado português os 450 milhões de euros referente ao crédito garantido.
Os principais credores comuns do BPP são quatro: o Fundo de Garantia de Depósitos (teria a receber no total 100 milhões de euros), o Sistema de Indemnização aos Investidores (85 milhões de euros), a Liminorke (o maior credor privado, 53 milhões de euros a haver) e o Estado português (23 milhões de euros).
Estes credores, como os restantes com documentação validada (até agora mais de 2.000), receberão neste primeiro pagamento parcial 8,4% do crédito reconhecido.
O colapso do BPP, banco vocacionado para a gestão de fortunas, começou com a crise financeira de 2008 e culminou em 2010.
Apesar da pequena dimensão do banco, a falência do BPP lesou milhares de clientes e o Estado, tendo ainda tido importantes repercussões devido a potenciais efeitos de contágio ao restante sistema quando se vivia uma crise financeira.
Deu-se então início ao processo de liquidação, que dura há 16 anos e ainda decorre.
O consumo de gás em Portugal caiu 7,1% entre abril e setembro, face ao mesmo período de 2025, enquanto o armazenamento subterrâneo estava a 94% da capacidade em 1 de outubro, segundo um relatório da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). De acordo com o documento divulgado esta quinta-feira pela DGEG, a redução do consumo foi, sobretudo, explicada pela menor utilização de gás para produzir eletricidade.
Nas centrais de produção de eletricidade a gás natural, o consumo caiu 15,6% face ao período homólogo de 2025, enquanto no mercado convencional, que abrange os restantes usos, a diminuição foi de 2,7%.
Em comparação com a média dos mesmos meses entre 2017 e 2021, período utilizado como referência pela DGEG, o consumo total de gás foi 41,4% inferior, com a redução a atingir 55,5% no setor elétrico. Segundo a DGEG, a redução do consumo total de gás em termos homólogos foi sustentada, em grande medida, pela menor utilização deste combustível para a produção de eletricidade.
A entidade explica que o consumo de gás nas centrais elétricas está fortemente dependente das condições meteorológicas e da disponibilidade de recursos renováveis, apresentando por isso maiores oscilações do que o mercado convencional.
No período analisado, e com exceção de abril, o consumo mensal de gás manteve-se abaixo dos valores registados nos mesmos meses de 2025.
Já no mercado convencional, a DGEG assinala uma evolução mais estável, com reduções anuais menos significativas, embora o consumo continue substancialmente abaixo da média do período de referência.
O relatório apresenta ainda dados relativos à segurança do abastecimento de gás, indicando que o armazenamento subterrâneo do Carriço – a única infraestrutura em Portugal – se encontrava a 94% da capacidade em 1 de outubro, acima da meta europeia de 90%, a atingir entre outubro e dezembro. Na mesma data, o terminal de gás natural liquefeito (GNL) de Sines apresentava uma taxa de armazenamento de 46%.
Nas conclusões do relatório, a DGEG defende a necessidade de continuar a acompanhar a evolução do consumo de gás, tendo em conta a incerteza internacional.
“Será fundamental continuar a monitorizar a evolução destas categorias de consumo de gás para avaliar a extensão estrutural das reduções que possam já ter sido alcançadas, bem como dos efeitos que possam resultar da conjuntura internacional, muito impactada pela situação de incerteza vivida no Médio Oriente, especialmente com o efeito mais visível de encerramento do Estreito de Ormuz”, refere.
O movimento Acampada de Lisboa anunciou esta quinta-feira que vai voltar a montar tendas e pernoitar na praça do Rossio, no sábado, no final da manifestação que começa às 16 horas no Largo de Camões.
“Este sábado, voltamos a marchar pelas ruas de Lisboa. À chegada ao Rossio, voltamos a montar as tendas e a passar a noite na praça. Não nos tiram das ruas, não nos tiram a vontade de lutar“, anunciou a organização do protesto, em comunicado.
A manifestação sob o mote “Não temos casas, ficam as tendas” tem início marcado para as 16 horas, num percurso entre o Largo de Camões, no Chiado, e a praça do Rossio.
O Conselho de Administração da Lusa prorrogou esta quinta-feira a liderança interina da Direção de Informação da agência de notícias portuguesa por uma semana, remetendo para breve a divulgação da nova composição deste organismo.
Em comunicado, o Conselho de Administração “agradece aos jornalistas Nuno Simas e Maria de Deus Rodrigues pela disponibilidade para continuar a liderar a Direção de Informação (DI) interina até ao dia 6 de novembro“.
Num comunicado assinado pelos três elementos da administração, Joaquim Carreira, Ana Alves e Luís Ferreira Lopes, é referido que a liderança da nova Direção de Informação será divulgada em breve, “seguindo os trâmites legais, designadamente a solicitação dos pareceres do CR [Conselho de Redação] e da ERC [Entidade Reguladora para a Comunicação Social]”.
Os então diretores-adjuntos de informação da Lusa, Maria de Deus Rodrigues e Nuno Simas, aceitaram assumir a direção interina da agência até 31 de outubro, a pedido do Conselho de Administração, segundo tinha sido comunicado à redação no último dia 8.
Na sequência da saída da diretora de informação, Luísa Meireles, os dois adjuntos afirmaram, então, ter tomado a decisão em nome do “sentido de responsabilidade coletiva e das necessidades da redação nesta fase de transição”.
Representantes dos trabalhadores querem reunir com Presidente da República
Entretanto, os órgãos representativos dos trabalhadores da Lusa (ORT) divulgaram esta quinta-feira, numa nota que o +M teve acesso, que solicitaram uma audição ao Presidente da República sobre a situação na empresa. O pedido foi realizado na terça-feira, 27 de outubro e segue-se a um pedido anterior do Sindicato dos Jornalistas, “que ainda se encontra pendente”.
“Depois de um primeiro pedido feito pelo SJ, os ORT entenderam ser pertinente, neste momento, alargar o âmbito da reunião a todas as estruturas representativas dos trabalhadores”, pode ler-se ainda.
O ORT é composto pela Comissão de Trabalhadores (CT), Conselho de Redação (CR), Sindicato dos Jornalistas (SJ), Sindicato dos Trabalhadores do Sector de Serviços (SITESE) e Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónomas (SITE CSRA).
A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social considerou hoje que os aumentos do salário mínimo previstos para esta legislatura, que incluem o aumento de 50 euros em 2027, não são pouco para um país como Portugal.
Em Felgueiras, no distrito do Porto, onde participou na inauguração da nova unidade fabril da fábrica dinamarquesa Coloplast, questionada sobre as contestações recentes sobre o aumento do custo de vida e da habitação poderiam vir a impulsionar uma subida mais rápida do salário mínimo, a ministra falou do acordo já fechado em Concertação Social.
“O reajuste para já está previsto e são 50 euros, o que é bastante relevante. Se pensarem bem até o final da legislatura este acordo permite que haja um aumento do nível de rendimentos dos trabalhadores, ao nível do salário mínimo, de 34%. Portanto, isto não é pouco num país como Portugal“, disse Rosário Palma Ramalho.
Antes, a ministra lembrou que em cima da mesa neste momento esta um acordo feito com todos os parceiros sociais, à exceção da CGTP que prevê um aumento de 50 euros para 2027.
“Portanto, o Governo o que está a fazer neste momento é dar cumprimento a esse acordo. Aliás, foi esse aumento o valor que inscreveu na proposta de lei do Orçamento do Estado. Não há nenhum acordo completamente fechado nunca. Agora, para se mudar, tem que ser outra vez por acordo das partes“, disse, recordando que já foram apresentadas várias propostas do lado sindical.
“Mas essas propostas também têm que ter contrapropostas do outro lado, o que ainda não aconteceu. Portanto, para já o que está em marcha é um acordo que está em vigor e que o Governo vai honrar, como é natural“, referiu.
O Governo prevê aumentar o salário mínimo nacional para 970 euros em 2027, tal como previsto no acordo assinado em Concertação Social.
O salário mínimo nacional, que se fixa atualmente nos 920 euros, é definido por portaria do Governo, após auscultação dos parceiros sociais.
As centrais sindicais têm vindo a defender um aumento do salário mínimo nacional acima da meta estabelecida no acordo de valorização salarial e crescimento económico, argumentando, nomeadamente, que a inflação está acima do esperado.
As confederações empresariais afirmaram que não veem razões “plausíveis” para avançar com um reforço do acordo de valorização salarial e crescimento económico em vigor, nomeadamente ao nível da meta para o salário mínimo nacional, argumentando que há medidas que ainda não foram cumpridas.
A taxa Euribor subiu esta quinta-feira a três, a seis e a 12 meses em relação a quarta-feira.
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, avançou para 2,973%, mais 0,013 pontos percentuais que na quarta-feira.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor subiu para 3,308%, mais 0,018 pontos que na véspera.
A Euribor a três meses também avançou, para 2,643%, mais 0,025 pontos.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a agosto indicam que a Euribor a seis meses representava 40,3% do stock de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável. Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,03% e 24,27%, respetivamente.
O mercado espera que, na reunião desta quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) mantenha as taxas diretoras e adie a subida das mesmas para a última reunião de política monetária deste ano, que se realiza em 16 e 17 de dezembro.
Em 10 de setembro, como esperado pelos mercados, o BCE subiu as taxas diretoras, em 25 pontos base, depois de as ter mantido em julho. Em junho, pela primeira vez desde setembro de 2023, o BCE tinha subido as taxas diretoras, designadamente 25 pontos base, depois de as manter em abril, pela sétima reunião consecutiva e de oito reduções desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 21 bancos da Zona Euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
O Governo declarou esta quinta-feira a utilidade pública, com caráter de urgência, das expropriações necessárias à Linha de Alta Velocidade (LAV) entre Porto (Campanhã) e Oiã (Oliveira do Bairro, Aveiro), onde as obras arrancaram há cerca de duas semanas.
O despacho da Presidência do Conselho de Ministros – Gabinete do Secretário de Estado das Infraestruturas, foi hoje publicado no Diário da República (DR) e diz respeito a expropriações nos concelhos de Ovar e Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro.
O documento “declara a utilidade pública, com caráter de urgência, das expropriações dos bens imóveis e direitos a eles inerentes necessários à execução do «Troço Porto (Campanhã)-Aveiro (Oiã) – Subtroço 3, da Linha Ferroviária de Alta Velocidade”.
No despacho, o secretário de Estado das Infraestruturas também autoriza a AVAN Norte – Gestão da Alta Velocidade, S. A. a tomar posse administrativa das parcelas, “dado o caráter de urgência da expropriação, atendendo ao interesse público subjacente à célere e eficaz execução da obra projetada, no intuito de melhor servir os cidadãos a quem este investimento público se destina”.
O secretário de Estado determina também que os encargos com as expropriações em causa sejam suportados pela concessionária AVAN Norte – Gestão da Alta Velocidade, S. A., “para os quais atesta dispor de cobertura financeira assegurada através de garantias bancárias e outros instrumentos de financiamento”.
O ministro das Infraestruturas e Habitação assinalou a 12 de outubro, em Aveiro, o arranque da empreitada do troço Porto-Oiã, integrado no TGV Porto-Lisboa. O troço Porto-Oiã (71 quilómetros) da linha de alta velocidade Porto-Lisboa diz respeito ao lote A da primeira fase da construção da linha, que inclui também o lote B (Oiã – Soure), ainda por adjudicar, e a segunda fase (Soure – Carregado), que aguarda lançamento do concurso público.
O primeiro troço Porto-Oiã é construído pelo consórcio AVAN Norte (Mota-Engil, Serena, Teixeira Duarte, Casais, Alves Ribeiro, Conduril e Gabriel Couto), tendo a primeira fase da empreitada da linha como prazo de conclusão 2030 e a segunda 2032.
O contrato de concessão do troço Porto-Oiã, que terá um custo a rondar os dois mil milhões de euros, foi assinado em 29 de julho de 2025 e beneficia de 875 milhões de euros de financiamento do Banco Europeu de Investimento (BEI) e de 480 milhões de euros do Mecanismo Interligar a Europa (‘Connecting Europe Facility’ 2).
A 1 de outubro, foi publicada em Diário da República a declaração de utilidade pública, com caráter de urgência, da expropriação de 1.076 parcelas de terreno necessárias à execução deste troço, nos municípios de Oliveira do Bairro, Aveiro e Albergaria-a-Velha. A AVAN fica autorizada a tomar posse administrativa das referidas parcelas ficando responsável pelos encargos com as expropriações.
Em 15 de setembro, fonte da AVAN adiantou que os trabalhos preparatórios para a construção do troço Porto-Oiã iriam arrancar no final do mês, com a montagem do estaleiro da ponte Rio Largo e da ponte Rio Vouga. A linha deverá ligar Porto e Lisboa numa hora e 15 minutos em 2032, com paragens possíveis em Gaia, Aveiro, Coimbra e Leiria, e Porto a Vigo (via aeroporto do Porto, Braga, Ponte de Lima e Valença) em 50 minutos, em 2032.
O número de mortos no acidente ferroviário de Urda, em Espanha, subiu para 69 e permanecem internadas pelo menos 50 pessoas em diversos hospitais, disse esta quinta-feira o presidente do Governo regional de Castela-La Mancha.
Durante a noite e madrugada foi encontrado mais um corpo nos escombros dos dois comboios que colidiram na quarta-feira em Urda, Toledo, a cerca de 150 quilómetros a sul de Madrid, pelo que o número de mortos confirmados até agora subiu para 69, revelou Emiliano Garcia-Page, em declarações aos jornalistas.
Por outro lado, das 110 pessoas que foram atendidas em hospitais da região, 60 já tiveram alta e 50 permanecem internadas com “diferentes níveis de preocupação”, acrescentou.
Entre os feridos internados há pelo menos 15 em estado considerado grave, segundo o presidente de Castela-La Mancha, que falava no posto de comando de resposta ao acidente, instalado em Toledo.
Emiliano García-Page esteve esta quinta-feira com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, numa reunião deste centro de comando. Em declarações aos jornalistas no mesmo local, Sánchez voltou a prometer que serão esclarecidas “até ao último detalhe” as causas do acidente. O primeiro-ministro garantiu ainda um reforço de segurança “para que não volte a acontecer”.
Na quarta-feira, Sánchez afirmou que “não é aceitável” que um país como Espanha tenha dois acidentes com comboios de alta velocidade num ano, referindo-se ao de Adamuz, na Andaluzia, em que morreram 46 pessoas em janeiro.
O líder do Governo garantiu que as autoridades irão “até ao fim” para descobrir as causas do acidente ferroviário em Urda e declarou três dias de luto nacional. “Se houve negligência, será conhecida”, declarou o chefe do Governo espanhol, em declarações aos jornalistas na quarta-feira no local do acidente.
Uma falha técnica e uma cadeia de erros humanos
Acidente ferroviário em Toledo (Espanha)Lusa
O acidente ferroviário de quarta-feira em Espanha ocorreu após uma falha técnica e uma série de erros dos operadores do centro de controlo da circulação na rede de alta velocidade espanhola, segundo gravações divulgadas pelos media locais.
Os áudios divulgados pela imprensa espanhola são gravações das conversas dos maquinistas dos dois comboios que colidiram em Urda, Toledo, a cerca de 150 quilómetros ao sul de Madrid, com um operador do centro de controlo, que funciona na estação de Atocha, na capital espanhola. Os contactos dos maquinistas com o centro de controlo ocorrem após a falha do sistema automático de segurança conhecido como LZB, às 8h30 locais (7h30 em Lisboa).
Essa queda do sistema automático fez parar todos os comboios que estavam numa extensão de mais de 60 quilómetros e, seguindo os protocolos em vigor, passou a ser o centro de controlo a coordenar a circulação, como explicou na quarta-feira o ministro dos Transportes de Espanha, Oscar Puente.
Foi a partir daqui que se sucederam uma série de decisões e indicações, sobretudo ao maquinista de um dos comboios, que o ministro considerou “inexplicáveis” e “erradas”.
Segundo as gravações agora conhecidas, o maquinista de um dos comboios, o AVE, da empresa pública Renfe, recebeu às 8h36 indicação para retomar “a marcha normal”, quando havia outra composição (da empresa privada Iryo) parada na mesma linha, 25 quilómetros à frente. Minutos mais tarde, às 8h41, a maquinista do Iryo recebeu a mesma indicação.
No entanto, às 8h48 esta maquinista contacta o centro de controlo para dizer que não consegue retomar a marcha, por problemas técnicos, e continua parada na linha, à entrada da estação de Urda. O operador responde-lhe que continue a tentar, que avance quando conseguir, e se se mantiver o problema, que volte a telefonar para o centro de controlo.
Cinco minutos depois, às 8h53, o AVE da Renfe chocou com o Iryo, provocando pelo menos 68 mortos e mais de 100 feridos. Não há registo nas gravações conhecidas até agora de ter havido qualquer contacto com o comboio da Renfe após a indicação do Iryo de que estava parado poucos quilómetros à frente, na mesma linha.
Segundo o Governo espanhol e peritos na circulação ferroviária, as indicações dadas pelo operador do centro de controlo aos maquinistas são uma cadeia de erros.
Um dos primeiros erros é dar indicação aos dois comboios para retomarem a marcha normal, quando perante a falha do sistema automático de segurança só deveriam poder circular em “marcha à vista”, a cerca de 40 quilómetros por hora, para permitir aos maquinistas a travagem manual caso vejam algum obstáculo.
Outro dos erros foi dar indicação ao comboio da Renfe para avançar antes de a mesma ordem ter sido dada ao Iryo, que estava à frente. Juntou-se depois a aparente falta de indicações ao comboio da Renfe para parar face ao aviso do Iryo de que não conseguia arrancar.
O comboio da Renfe circulou entre 15 e 17 minutos antes de bater no Iryo, tempo suficiente para o fazer parar e evitar o acidente, como reconheceu na quarta-feira o ministro dos Transportes. “Um acidente por alcance na rede ferroviária espanhola é verdadeiramente inverosímil” e as indicações dadas pelo centro de controlo são “inexplicáveis”, considerou o ministro.
O presidente do CDS-PP e ministro da Defesa, Nuno Melo, rejeitou esta quinta-feira que o Governo esteja desgastado com as manifestações pela habitação e apelou à oposição para que aproveite o processo de especialidade para alterar a lei do arrendamento urbano.
“Há uma lei do arrendamento que está a ser discutida na Assembleia da República e o apelo que nós fazemos é para que as oposições aproveitem a especialidade, porque a especialidade dá aos partidos a oportunidade, com a representação parlamentar, de apresentarem medidas que, na sua visão, ajudem a transformar uma lei que segundo nós é má, que é a que está em vigor, numa lei melhor”, afirmou Nuno Melo.
O também ministro da Defesa Nacional falava depois de ter sido recebido no Palácio de Belém pelo Presidente da República, António José Seguro, que está hoje a ouvir os partidos com assento parlamentar sobre coesão social, tema no qual o chefe de Estado incluiu a habitação.
Na ótica do líder centrista quem quiser “realmente resolver problemas tratará de apresentar essas propostas”, posição que contrapôs a quem quer “aproveitar um problema para simplesmente desgastar o poder”. Interrogado sobre se reconhece então que o Governo está a ser desgastado com as manifestações dos últimos dias, Nuno Melo negou.
“Não, não reconheço. Eu acho que o Governo está a ficar credibilizado pela forma como distingue uma coisa e outra“, respondeu, distinguindo o protesto que decorreu na terça-feira à frente à Assembleia da República, “que correu impecavelmente”, das manifestações no Rossio, em Lisboa, ou na Praça D. João I, no Porto.
“Eu distingo totalmente a manifestação e o seu direito, da manipulação e instrumentalização radical de quem acha que de repente volta a criar o PREC em Portugal, e as políticas nacionais, públicas, aquilo que afeta a nossa vida, se decide entre camaradas com jargões trotskistas em assembleias populares“, criticou.
O presidente do CDS-PP voltou a defender a atuação policial, afirmando que avançou apenas em último recurso e que os polícias “aguentaram até ao limite” antes de ser decidida uma intervenção. Interrogado ainda sobre o apelo ao diálogo feito pelo Presidente da República, Nuno Melo afirmou que António José Seguro “pretende aquilo que é normal e que os partidos também pretendem, e que o Governo também pretende, em relação a um problema, ou seja, respostas”.
O presidente do CDS-PP afirmou que o Governo já está a apresentar respostas e manifesta disponibilidade “para, em conjunto com todos os outros, se necessário for, estudar outras possibilidades”, começando pelo processo de especialidade na lei das rendas.
“É a primeira oportunidade para que os partidos da oposição, se de facto não querem manipular uma preocupação para tentarem ter um interesse partidário estrito, mostrarem, através de propostas que podem fazer, que há uma outra construção que dali pode sair“, apelou.
Nuno Melo defendeu a estratégia do Governo até ao momento, pedindo tempo para que as medidas adotadas surtam os seus efeitos. O líder centrista apontou para a entrada de um milhão de imigrantes no país, “ao mesmo tempo que o SEF foi extinto sem que se tivesse acautelado a existência de habitações suficientes no país para que tantas pessoas pudessem viver”, como uma das causas para a crise.
Celorico da Beira vai acolher uma unidade industrial de produção de drones “de dimensão relevante”, num investimento de 30 milhões de euros, que deverá criar 50 postos de trabalho numa fase inicial, foi esta quarta-feira divulgado.
“A Vertical Connect, Lda adquiriu quatro lotes no parque empresarial da A25 para produzir aeronaves elétricas não tripuladas, drones de elevada capacidade e plataformas eVTOL para a vigilância, deteção, apoio operacional e combate a incêndios, mas também para a atividade agrícola”, disse à agência Lusa Carlos Ascensão (PSD), presidente da Câmara de Celorico da Beira.
O projeto envolve um investimento de 30 milhões de euros e a criação, na fase inicial, de 50 postos de trabalho, com potencial de crescimento até cerca de 100.
“Será maioritariamente mão de obra altamente qualificada e, tendo em conta a tecnologia em questão, está também prevista a cooperação com universidades, universidades politécnicas e centros tecnológicos da região”, acrescentou o autarca.
Carlos Ascensão disse tratar-se de uma unidade tecnológica e industrial “de dimensão relevante, tecnologicamente diferenciada e vocacionada para o mercado nacional e a exportação”.
“É uma indústria muito interessante, que traz uma mais-valia grande para Celorico da Beira, pois vai fazer investigação, desenvolvimento, engenharia, produção, montagem, controlo, qualidade e apoio logístico”, adiantou.
Eate investimento “vai alterar e valorizar o perfil do nosso parque industrial e aumentar a notoriedade do concelho de Celorico da Beira”, sustentou.
A Vertical Connect, de capitais brasileiros, vai desenvolver tecnologia aeronáutica aplicada ao problema dos incêndios e à agricultura.
O projeto vai ocupar um total de 6.000 metros quadrados no parque empresarial de Celorico da Beira, no distrito da Guarda, junto à A25 – Autoestrada das Beiras Litoral e Alta, que liga Aveiro à fronteira de Vilar Formoso.
Os promotores tencionam construir laboratórios, linhas de produção, um centro de operações, armazéns e uma pista de ensaios e aterragem de drones.
“Os investidores escolheram Celorico da Beira pela centralidade do concelho em termos de acessibilidades. Somos servidos pela A25 e o IP2, pela ferrovia [Linha da Beira Alta], estamos perto da A23 e a um passo da fronteira espanhola e da entrada para a Europa”, realçou Carlos Ascensão.
O presidente da Câmara de Celorico da Beira revelou que é intenção da Vertical Connect iniciar a construção das infraestruturas no início de 2027.
“O município vai já fazer obras de terraplanagem para criar as condições necessárias à construção de um pavilhão, porque eles pretendem trazer alguns drones da empresa que têm no Brasil”.
Carlos Ascensão indicou que “aquilo que manifestaram e são os compromissos estabelecidos, é ainda este ano começar-se com todo este processo para, no início do próximo ano, se iniciar a construção faseada de pavilhões”.
“Eles também têm urgência de começar, já para o ano, essa atividade de fabrico das aeronaves e dos drones”, garantiu.
O oligarca ucraniano próximo de Moscovo Viktor Medvedchuk acusou Portugal e Espanha de estarem a desenvolver mísseis e drones em conjunto com Kiev para atacar alvos na Rússia, referindo-se também à crise social e aos protestos pela habitação na Península Ibérica.
“Enquanto dois países da Península Ibérica tentam ultrapassar a crise da habitação e o aumento do custo de vida, os governos cooperam cada vez mais estreitamente com a Ucrânia”, afirmou Medvedchuk num artigo publicado no portal oficial do movimento Outra Ucrânia, liderado pelo político pró-Rússia e próximo do Presidente russo, Vladimir Putin.
Medvedchuk, 72 anos, acrescentou que além do habitual discurso de apoio à Ucrânia, “esconde-se uma história muito mais concreta”, afirmando que empresas portuguesas e espanholas estão a desenvolver, em conjunto com fabricantes ucranianos, projetos de tecnologia de mísseis, drones de ataque, sistemas de navegação e outras armas para ataques contra a Rússia.
O oligarca escreveu ainda que empresas portuguesas e espanholas estão a ser transformadas em bases de produção de mísseis e drones ucranianos, não especificando os nomes das companhias.
Segundo Medvedchuk as armas alegadamente fabricadas na Península Ibérica são utilizadas em ataques que considerou terroristas contra território russo.
Neste sentido, ameaçou Portugal e Espanha, referindo que as “indústrias” de produção de armamento podem vir a ser “alvos legítimos” para ataques de retaliação russos.
Segundo Medvedchuk, a integração com o complexo militar-industrial ucraniano , que apoia os ataques em território russo, é dispendiosa e perigosa, não beneficiando em nada os interesses dos povos português e espanhol.
De acordo com a agência de notícias espanhola EFE, Medvedchuk é conhecido informalmente como o “compadre de (Vladimir) Putin”, uma vez que o Presidente russo foi padrinho de uma das filhas do oligarca numa cerimónia realizada em São Petersburgo.
Medvedchuk é considerado, há mais de duas décadas, um “agente de influência” de Moscovo na política ucraniana, sobretudo na região do Donbass.
Como chefe da Administração Presidencial ucraniana (2002-2004), coordenou a cooperação de bastidores entre Moscovo e Kiev, a qual foi interrompida pela Revolução Laranja, um revés para Moscovo, que tinha apoiado a eleição do Presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych.
Em 2012, criou a organização “Opção Ucraniana”, cujo objetivo foi apoiar a entrada da Ucrânia na União Aduaneira com a Rússia, em detrimento da assinatura de um Acordo de Associação com a União Europeia.
Durante os protestos da Praça Maidan, no centro de Kiev, em 2014, foi um dos principais aliados de Yanukovych sendo que após a repressão contra as manifestações fugiu para a península da Crimeia, que, semanas mais tarde, seria anexada pela Rússia.
O oligarca fundou o partido pró-Rússia “Plataforma pela Vida”, através do qual propôs um plano de paz para o Donbass — que chegou a ser apresentado ao Parlamento Europeu e que foi rejeitado por Kiev.