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Uma fotografia mostra pela primeira vez o avião espacial secreto da China com nitidez

By: ZAP
30 October 2026 at 09:30
Relatório dos serviços secretos dos EUA mostra a primeira imagem nítida do avião espacial ultrassecreto da China — que anda a largar objetos não identificados por cima da Terra O último relatório “Challenges to Security in Space” da Defense Intelligence Agency (DIA) inclui uma foto de satélite desclassificada do avião espacial chinês Shenlong, ou “dragão divino“. A imagem mostra que o veículo ultra-secreto é muito parecido com o X-37B, o seu equivalente americano. O Shenlong está em ação há pouco mais de seis anos. Durante este tempo, a nave reutilizável largou objetos não identificados em órbita baixa. Desde 2022, libertou

Colisão entre helicópteros no ar deixa três mortos nos EUA

30 October 2026 at 02:10

Uma colisão entre helicópteros deixou três mortos perto de um aeroporto no estado do Oregon, nos EUA, nesta quinta-feira (29), informou o xerife do Condado de Yamhill.

O Gabinete do Xerife foi acionado para o local, próximo ao Aeroporto Municipal de McMinnville, juntamente com forças de segurança locais, bombeiros e equipes de resgate médico. McMinnville fica a cerca de 64 quilômetros a sudoeste de Portland.

Um dos helicópteros transportava duas pessoas: um instrutor de voo do Texas e um aluno-piloto do Reino Unido, informou o xerife Sam Elliott durante uma coletiva de imprensa na noite desta quinta-feira.

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O piloto do outro helicóptero, que era o único ocupante, foi identificado como um homem de Newberg, no Oregon, disse o xerife.

O gabinete do xerife pediu ao público que evite a área e tenha “paciência enquanto respondemos a este incidente crítico”.

A investigação sobre o acidente, ocorrido por volta das 14h15,horário local (18h15, em Brasília), está sendo conduzida pelo NTSB (Conselho Nacional de Segurança nos Transportes), segundo a FAA (Administração Federal de Aviação), que também está apurando o caso.

Um dos helicópteros envolvidos no acidente era operado pela Jerry Trimble Helicopters, uma escola de treinamento de voo em helicópteros e empresa de locação para voos particulares, informou a companhia em um comunicado.

“A Jerry Trimble Helicopters está profundamente entristecida ao confirmar que uma de nossas aeronaves esteve envolvida em um incidente aéreo nesta tarde”, declarou a empresa.

A empresa acrescentou que está colaborando com as autoridades na investigação.

Morreu o ator Patrick Stewart

By: AFP
29 October 2026 at 22:30
Interpretou Shakespeare no teatro, passou pela televisão britânica. Mais foi com o professor Charles Xavier em “X-Men” e o capitão Jean-Luc Picard em “Star Trek” que ganhou o seu lugar entre as estrelas. O ator britânico de formação shakespeariana Patrick Stewart, que se tornou uma megaestrela de Hollywood com os papéis nas sagas “Star Trek” e “X-Men”, morreu em casa, em Los Angeles. Tinha 86 anos. A morte, na quarta-feira, surgiu após uma “breve e comovente batalha” com a doença de Alzheimer e demência com corpos de Lewy, segundo um comunicado oficial nas suas redes sociais. “A sua voz sonora

EUA propõem eleições na Venezuela para 2027, diz María Corina Machado

29 October 2026 at 21:04

A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou nesta quinta-feira (29) que os Estados Unidos sugeriram que o país realize eleições presidenciais no próximo ano — um cronograma que ela já havia defendido anteriormente.

Essa foi a primeira declaração de peso de Machado desde que retornou ao país, no último fim de semana.

O retorno de Machado à Venezuela traz o risco de tensionar suas relações com a administração do presidente dos EUA, Donald Trump, cuja gestão esteve envolvida na operação que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro, em janeiro. Maduro enfrenta acusações nos EUA por tráfico de drogas e tortura — alegações que ele nega.

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Washington declarou que Machado — que já foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz — tem todo o direito de estar na Venezuela; contudo, Trump também elogiou a presidente interina, Delcy Rodríguez.

A administração Trump apoia negociações entre o governo de Rodríguez e grupos de oposição — das quais o movimento “Vente Venezuela”, de Machado, não participa — visando a uma reestruturação do Conselho Nacional Eleitoral e da Suprema Corte da Venezuela antes do próximo pleito.

Machado agradeceu a Trump e ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pelo papel que desempenharam na destituição de Maduro, ressaltando que a relação entre os dois países baseia-se no respeito mútuo e atende aos interesses de ambas as nações.

“O secretário de Estado Marco Rubio estabeleceu uma sequência de etapas para avançar rumo a uma transição democrática, deixando claro que eleições presidenciais serão realizadas em 2027″, afirmou Machado, acrescentando que trabalhará para garantir que todos os venezuelanos aptos a votar possam exercer seu direito em qualquer eleição futura.

O Departamento de Estado dos EUA não respondeu prontamente a um pedido de comentário.

Anteriormente, Rubio havia manifestado a expectativa de que Machado apoiasse as negociações.

Em uma coletiva de imprensa em Caracas, Machado evitou responder a perguntas sobre declarações feitas por Trump — em janeiro, quando ele disse que ela não teria apoio suficiente para liderar a Venezuela de imediato; e nesta semana, quando sugeriu que a Venezuela poderia se tornar o 51º estado americano.

Há anos, Machado cultiva uma relação com Trump, tratando-o como um aliado.

A líder opositora acrescentou que viu com bons olhos o fato de Rodríguez — em declarações feitas mais cedo naquele dia — também ter defendido a realização de eleições.

Ela ressaltou que aqueles que auxiliarem o país em sua transição de volta à democracia precisarão de garantias. Machado defendeu a necessidade de um processo de justiça de transição, a criação de uma comissão da verdade e uma reestruturação das forças de segurança estatais.

Machado, de 59 anos, retornou à Venezuela no domingo (25), após várias tentativas frustradas ao longo deste ano. Ela foi impedida de concorrer na eleição de 2024, mas seu representante obteve uma vitória expressiva, segundo a contagem de votos apresentada pela oposição na ocasião. As instituições venezuelanas, contudo, apoiaram Maduro.

Alterações em contratos

A Venezuela precisa de contratos transparentes, licitações abertas para projetos públicos e arbitragem internacional, a fim de garantir que tanto os investidores quanto o povo venezuelano obtenham o máximo proveito de futuros investimentos, afirmou Machado.

O governo interino de Rodríguez firmou acordos com diversas empresas interessadas nos setores de petróleo, gás e mineração, com o apoio dos Estados Unidos. Entre eles, destaca-se um acordo entre a norte-americana Blue Energy Partners e o governo dos EUA para a exportação da produção proveniente de 17 campos venezuelanos.

Machado declarou que o contrato da NABEP (Blue Energy Partners) — ​​o qual ela não chegou a examinar — “evidentemente não reflete os níveis de transparência que a sociedade venezuelana deseja”, especialmente devido à figura do CEO da empresa, Alejandro Betancourt. Betancourt já foi alvo de investigações nos Estados Unidos, na Espanha e na Suíça — inclusive por lavagem de dinheiro —, embora nunca tenha sido formalmente denunciado.

“Quero enfatizar, para todos os investidores que hoje analisam a Venezuela, ou que entraram no país recentemente: todo contrato assinado legalmente será respeitado”, disse Machado, acrescentando que alguns contratos poderão ser “ajustados a novas condições que apresentaremos, as quais serão muito mais vantajosas”.

O país necessita de um acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional) para definir como administrará sua enorme carga de dívidas e atenderá às necessidades humanitárias urgentes, afirmou Machado.

Prisioneiros políticos

Machado — que viveu na clandestinidade por mais de um ano antes de deixar o país, período durante o qual muitos de seus colaboradores próximos foram detidos — ressaltou que a libertação dos prisioneiros políticos é fundamental para a restauração da democracia.

Há anos, a oposição venezuelana e grupos de defesa dos direitos humanos denunciam que o governo utiliza detenções para suprimir a dissidência. O governo, por sua vez, nega a existência de prisioneiros políticos.

Segundo a organização jurídica Foro Penal, 322 prisioneiros políticos encontram-se encarcerados na Venezuela; mais da metade deles sequer foi condenada. Cerca de 11 mil pessoas estão submetidas a outras restrições, como a prisão domiciliar.

A Foro Penal tem como foco garantir “a destruição do aparato repressivo” — especialmente no que diz respeito à nova alta corte —, a libertação imediata e integral de presos políticos, a revogação de leis repressivas e a criação de uma eventual comissão da verdade, afirmou à Reuters, nesta semana, o vice-presidente da organização, Gonzalo Himiob.

Rodríguez declarou, ainda nesta quinta-feira, que mais de 9 mil pessoas foram libertadas ou tiveram restrições legais removidas no âmbito de uma lei de anistia limitada.

Na segunda-feira (26), Machado visitou seu advogado, Perkins Rocha, que foi detido após a votação de 2024 e mantido por 18 meses no Helicoide, em Caracas — local onde, segundo defensores e ex-detentos, ocorrem atos de tortura. Rocha permanece em prisão domiciliar e teve seu pedido de anistia rejeitado.

Entenda por que os EUA estão interessados ​​no petróleo da Venezuela

O filme proibido de Thomas Edison: a tragédia com o presidente dos EUA que deu origem ao Serviço Secreto

29 October 2026 at 21:02

Em 29 de outubro de 1901, por volta das sete horas da manhã, um prisioneiro foi levado de sua cela na Prisão de Auburn em Nova York para uma câmara de execução. Sentou-se na cadeira elétrica e, enquanto tinha os eletrodos conectados à sua pele e as tiras amarradas em suas pernas, declarou:

“Eu matei o presidente porque ele era o inimigo do bom povo trabalhador. Não me arrependo do meu crime.” E terminou: “Lamento não ter podido ver meu pai.”

O homem passou o próximo minuto recebendo choques elétricos com tensões entre 1.800 e 300 volts. Seu óbito foi decretado pelos médicos presentes quatro minutos depois. Foi executada com sucesso a pena capital de Leon Czolgosz, assassino do 25º presidente dos Estados Unidos.

Como foi o ataque a William McKinley?

53 dias antes, o político de carreira William McKinley cumprimentava seus apoiadores em uma feira de inovação em Buffalo, Nova York. Seis meses após ser reeleito presidente dos Estados Unidos, o republicano no auge de sua popularidade passou a priorizar o contato com o público, abrindo lugar na agenda para ir a eventos como aquele.

Seu secretário não gostava tanto da ideia. George B. Cortelyou sabia da aversão de McKinley a sair com equipes de segurança e considerava a Exposição Pan-Americana no Temple of Music um grande risco para a integridade do estadista.

Mas a vontade do presidente foi feita, e às 16h de 6 de setembro de 1901, William McKinley estava parado em frente a uma fila de pessoas que aguardavam para apertar sua mão.

Fotografia de William McKinley, de terno, em preto e branco
William McKinley 25º Presidente dos EUA • Getty Images

Finalmente, chegou a vez de Leon Czolgosz. No livro ‘The President and the Assassin’, o jornalista Scott Miller reconta a cena: um homem aparentemente calmo estende a mão direita, coberta por um pano, em direção ao presidente.

O político estende a mão de volta, como havia feito com todos os presentes até então. Em vez de um cumprimento, William McKinley é surpreendido com duas balas de revólver calibre .32, à queima-roupa no abdome.

Czolgosz foi contido por agentes de segurança antes de conseguir disparar o terceiro tiro. A feira tornou-se um caos, e o republicano foi levado às pressas para um hospital, onde passou por cirurgia.

Scott Miller conta que, enquanto uma das balas passou de raspão, outra penetrou o corpo do presidente e nunca foi encontrada.

McKinley não morreu de imediato. Ele parecia estar fazendo boa recuperação até que, seis dias depois, sua condição piorou. Em 14 de setembro, o presidente morreu por consequência de gangrena, atribuída a uma infecção bacteriana que passou despercebida pelos médicos.

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Esta era a terceira morte de um líder do Estado norte-americano por assassinato em menos de 50 anos; James Garfield e Abraham Lincoln haviam sido mortos a tiros em locais públicos de Washington, D.C., em 1881 e em 1865, respectivamente.

Duas mudanças importantes ocorreram após o crime: o então vice-presidente Theodore Roosevelt iniciou o primeiro de seus dois mandatos, e o Congresso americano formalizou a atuação do Serviço Secreto, que agora forneceria agentes para acompanhar o presidente 24 horas por dia.

Quem foi Leon Czolgosz e qual foi sua motivação?

Leon F. Czolgosz era um jovem operário de 28 anos, nascido em Detroit, Michigan, e filho de imigrantes poloneses. Trabalhador braçal, atuou principalmente em fazendas e fábricas, enfrentando dificuldades financeiras desde a infância.

Criado como católico, ele abandonou a religião e voltou-se para a ideologia política depois da crise econômica da década de 1890. Ele encontrou motivação na doutrina anarquista após assistir a um discurso da ativista Ana Goldman, em maio de 1901.

Scott Miller afirma em seu livro que, durante depoimento à polícia, Czolgosz atribuiu ao anarquismo a decisão de matar o presidente.

Haviam milhares de pessoas na cidade na terça-feira [3 de setembro de 1901]. Ouvi que era Dia dos Presidentes. Todas aquelas pessoas pareciam estar se curvando diante de seu grande líder. Eu coloquei na cabeça que iria matar aquele líder.”]Estava no meu coração, não havia como fugir. […] Haviam milhares de pessoas na cidade na terça-feira [3 de setembro de 1901]. Ouvi que era Dia dos Presidentes. Todas aquelas pessoas pareciam estar se curvando diante de seu grande líder. Eu coloquei na cabeça que iria matar aquele líder.

”Leon

Após um julgamento sumário que durou cerca de oito horas e meia, Czolgosz foi condenado por assassinato em primeiro grau.

Encenação da execução de Leon Czolgosz foi filmada pela produtora de filmes de Thomas Edison
Encenação da execução de Leon Czolgosz foi filmada pela produtora de filmes de Thomas Edison • Wikimedia Commons

“Execução de Czolgosz com panorama da Prisão de Auburn”, o filme

Uma consequência inusitada da morte do assassino de McKinley foi a produção de um curta-metragem pela Edison Studios, a produtora de cinema do inventor Thomas Edison.

Em pouco menos de três minutos e meio, o filme combina gravações externas reais do exterior da prisão no dia da execução e uma encenação da própria pena capital, com cadeira elétrica falsa e um ator interpretando o prisioneiro.

O intuito era filmar a própria execução, mas o diretor, Edwin S. Porter, não conseguiu autorização.

Sob pressão de Trump, Cuba comemora aprovação na ONU contra bloqueio

Logo Agência Brasil

Mesmo com o placar mais desfavorável a Cuba em 30 anos, o embaixador do país caribenho no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, comemorou a aprovação, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), da resolução contra o bloqueio econômico dos Estados Unidos (EUA) à ilha, que dura mais de seis décadas.

“Em um mundo onde os EUA lideram novas práticas do fascismo, por meio de chantagens e ameaças a países pequenos, imposição de guerras econômicas e tarifas, Cuba manteve o apoio da imensa maioria dos países da comunidade internacional. É uma grande vitória de nosso povo”, afirmou o embaixador sobre a votação na ONU.

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A resolução foi aprovada, nessa terça-feira (29), com 130 votos favoráveis, incluindo do Brasil, 17 contrários e 25 abstenções. Em 30 anos, esse foi o menor apoio ao fim do bloqueio, que chegou a somar mais de 190 votos favoráveis.

A queda está relacionada a uma campanha do governo de Donald Trump para convencer países aliados a rejeitarem a resolução. Em 2024, apenas dois países votaram contra a proposta: Israel e EUA.

Neste ano, 17 países votaram contra a condenação do bloqueio a Cuba: Argentina, Bósnia, Colômbia, Costa Rica, Equador, Hungria, Israel, Lituânia, Marrocos, Macedônia do Norte, Paraguai, Eslovênia, Trindade e Tobago, Ucrânia, Emirados Árabes Unidos, República Tcheca e EUA.

Enquanto em 2024 houve apenas uma abstenção, dessa vez foram 25 países que não votaram, entre eles, nações da América Latina como Chile, Honduras, Guiana, Haiti, Jamaica e Peru que, historicamente, costumavam votar a favor de Cuba.

Custo humano do bloqueio

Ao receber a Agência Brasil na embaixada em Brasília, nesta quinta-feira (29), Palomo lembrou que o bloqueio à Cuba é ilegal pelo direito internacional e destacou o custo humano da política de Washington.

“Foram mais de 1,5 mil crianças que morreram em Cuba por não ter acesso a medicamento e por falta de combustível para manter as incubadoras daqueles que nascem prematuramente ou com baixo peso. Não são apenas números, são vidas”, lamentou.

De 2025 a 2026, em meio ao endurecimento do bloqueio pelo governo Trump, a mortalidade infantil em Cuba dobrou, passando de 4,4 bebês mortos em cada mil nascimentos para 9,9.
 

Brasília (DF)29/10/2026 O embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, durante entrevista à Agência Brasil.  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil Brasília (DF)29/10/2026 O embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, durante entrevista à Agência Brasil.  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, em entrevista à Agência Brasil - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Problema mundial

O bloqueio econômico a Cuba, adotado em retaliação à Revolução Cubana de 1959, não é um problema apenas da ilha, mas de toda a humanidade, defende o embaixador Victor Manuel Cairo Palomo.

“É um tema que tem que ver com o mundo porque hoje é Cuba, mas amanhã pode ser qualquer outro país que os EUA desejarem”, justificou.

O diplomata lembrou da nova doutrina de Trump para a América Latina, que busca, entre outros objetivos, impedir as relações dos países da região com a China.

“Os EUA acreditam que eles têm que controlar os destinos da América Latina e do Caribe. Eles dizem que vão impor a paz pela força. É um modelo para o mundo onde eles se consideram os donos de tudo”, destacou Victor.

O embaixador fez questão de descrever como as medidas dos EUA têm prejudicado a população cubana, entre elas, as chamadas sanções secundárias, que punem empresas de outros países que comercializem com Cuba, aumentando o preço dos produtos que entram na ilha.

“As sanções secundárias têm um impacto tremendo. Temos mais de 7 mil contêineres comprados por Cuba parados em portos de todo o mundo porque as transportadoras não querem entregar. Chegam à Jamaica e deixam lá porque os donos dos navios têm medo de represálias dos EUA”, explicou.

Endurecimento do bloqueio

Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, os EUA têm adotado uma série de novas sanções contra o pequeno país caribenho. Entre as ações, está o bloqueio energético com ameaças a países que vendam petróleo a Cuba.

A medida chegou a deixar a ilha três meses sem receber nenhum barril de petróleo. Em consequência, os apagões de energia podem chegar a mais de dez horas na capital, Havana.

“Se não tem combustível, você não tem capacidade para produzir ou conservar alimentos ou manter os serviços básicos públicos, transporte público, não tem capacidade para indústria”, criticou o embaixador.

As medidas de asfixia econômica vêm escalando mês a mês, levando à redução dos voos interacionais à Cuba, saída de empresas hoteleiras estrangeiras e mesmo da empresa de cartões Visa, o que tem afetado o setor do turismo, o principal do país.

Nas últimas semanas, o Departamento de Estado dos EUA, liderada pelo descendente de cubanos Marco Rubio, adotou nova sanção contra empresas de “tecnologias sensíveis” que tenham relação com a ilha caribenha. A Justiça dos EUA chegou ainda a decretar, neste mês, a prisão do ex-presidente cubano Raúl Castro.

Reforma econômica

Em resposta, Cuba adotou uma reforma econômica para tentar contornar o bloqueio e dinamizar a economia. O embaixador Victor Manuel Cairo Palomo afirmou que ainda é cedo para avaliar o impacto das mudanças, mas apontou que estudos internos indicam condições mais favoráveis para aumentar a produção.

“Estamos mudando a matriz energética para energia solar de maneira acelerada com ajuda a China e estamos trabalhando muito forte na produção de alimentos porque nosso país não pode esperar que o presidente dos EUA queira mudar seu genocídio contra a Cuba", concluiu.

Fuga e carta golpista ampliam isolamento de Flávio Bolsonaro

29 October 2026 at 16:06

Logo Agência Brasil

Aliados e ex-aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) têm se manifestado em favor do resultado das eleições e contrários à postura do parlamentar e ex-candidato à presidência da República, que se recusou a reconhecer que foi derrotado, no segundo turno, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os posicionamentos se tornaram mais enfáticos após a fuga para os Estados Unidos e a divulgação da carta golpista, na qual Flávio chegou a se autoproclamar presidente eleito, líder do Brasil e da oposição.

Partidos da base

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O União Brasil, partido da base de apoio da campanha de Bolsonaro, divulgou nota oficial assinada pelo presidente nacional da legenda, Antonio Rueda, em que ressalta a legitimidade do resultado eleitoral e defende o respeito à decisão dos eleitores.

“O União Brasil reafirma que a democracia é, para o partido, um valor inegociável. Ela não depende de quem vence ou perde uma eleição, mas do compromisso de todos com o veredito das urnas”, afirma o documento.

A legenda também declara que “a eleição de 25 de outubro transcorreu com lisura, e o seu resultado deve ser respeitado”.

O MDB também se manifestou sobre a legitimidade do processo eleitoral. Em publicação nas redes sociais, o partido reafirmou sua confiança no sistema eleitoral brasileiro e no resultado do pleito realizado no domingo. Parte das lideranças do MDB apoiou Flávio Bolsonaro na campanha. 

“O MDB reafirma sua total confiança no sistema eleitoral brasileiro e, portanto, na legitimidade do resultado do pleito do último domingo”, declarou a legenda.

O próprio PL, partido de Flávio Bolsonaro e de outros políticos de sua família, tornou público seu reconhecimento do resultado que deu a vitória a Lula.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL), também admitiu que não há provas de fraude eleitoral no segundo turno das eleições.

Nomes da direita

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi outro aliado de Flávio a se posicionar em favor do resultado das urnas. Em nota divulgada nesta quarta-feira, ele afirmou compreender a indignação do senador, mas destacou que o momento exige “responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte”.

"A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, disse Tarcísio.

Até mesmo o bispo JB Carvalho, líder da Comunidade das Nações, igreja de Brasília frequentada pelo senador, divulgou nesta quarta-feira (28) uma mensagem em defesa do resultado das urnas, que levou à eleição do presidente Lula. 

"As eleições terminaram. Não tem terceiro turno. Vida que segue!", disse o pastor nas redes sociais. "Vamos viver a vida. Pare de profetizar o caos. Deus dará a cada um segundo suas obras. E Ele terá misericórdia do Brasil".

O ex-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) também criticou a decisão do senador de conduzir a oposição a partir do exterior e afirmou que a iniciativa não traz benefícios ao Brasil.

Para ele, Flávio tenta reproduzir o modelo de Juan Guaidó, que se apresentou como presidente interino da Venezuela, mas em um contexto diferente, no qual o Partido Liberal (PL) continua funcionando normalmente no país.

“Ele optou por não lutar aqui, e a verdade precisa ser dita: quando você acredita em algo, você luta na tua terra. Ele não quis lutar, a nossa terra não era boa o suficiente, ele vai lutar direto da Flórida”, afirmou Renan.

Renan disse não acreditar que a iniciativa represente risco institucional, mas classificou a atuação política no exterior como uma “oposição EAD”.

“Eu sou oposição natural ao governo Lula, mas o Brasil não ganha em nada com esta oposição EAD sendo feita lá dos Estados Unidos para atender no fundo ao interesse americano aqui. Eu estou aqui, vou lutar daqui e vou pagar as consequências das minhas ações”, declarou.

*Colaborou Luciano Nascimento.

Morreu Dolores Huerta. Inventou o “Sí, se puede” e inspirou Obama

By: AFP
29 October 2026 at 16:00
A líder sindical e ícone dos direitos civis, cujo trabalho  mudou a vida dos trabalhadores migrantes, morreu, anunciou a família na quarta-feira. Tinha 96 anos. “Yes, we can? A Dolores chegou lá primeiro”, disse Obama. Morreu Dolores Huerta, pioneira do sindicalismo nos Estados Unidos, aos 96 anos Durante quase quatro décadas, Huerta foi vice-presidente da United Farm Workers, o sindicato que fundou com Cesar Chavez, organizando greves e paralisações que melhoraram as condições de trabalho dos milhões de homens e mulheres que trabalham nos campos norte-americanos. “É com profunda tristeza que anunciamos que a nossa querida mãe, Dolores Huerta, faleceu

Detida no aeroporto após deixar quatro filhos sozinhos, mãe repreendeu filho por ligar para o 112

29 October 2026 at 12:50

Irene Miller, de 50 anos, estava em Las Vegas numa viagem de trabalho quando um dos quatro filhos, de nove anos, foi atingido na cabeça por um haltere. A fotógrafa foi detida à chegada à Flórida, depois de deixar as crianças sozinhas em casa durante cinco dias.

Barack Obama e Donald Trump trocam críticas acirradas a poucos dias das eleições intercalares

29 October 2026 at 08:40

Obama e Trump protagonizaram um bate-boca que voltou a expor a rivalidade entre os dois. O antigo Presidente democrata ironizou sobre a decoração da Casa Branca e responsabilizou a Administração republicana pelo aumento dos preços, levando Trump a responder com críticas ao legado do antecessor.

Juiz federal rejeita travar 20.000 votos na Califórnia

29 October 2026 at 08:07
Juiz considerou que o pedido da Administração Trump violaria a autonomia do estado para organizar as suas próprias eleições e colocaria em risco o direito de voto dos cidadãos norte-americanos.

© CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH/EPA

O Departamento de Justiça apresentou a ação, depois de identificar, em conjunto com o Departamento de Segurança Interna, mais de 20.000 pessoas que considera possíveis eleitores não cidadãos

Em realidade paralela

29 October 2026 at 03:00

Todo cidadão brasileiro tem o direito de reclamar da atuação do Judiciário. Aliás, deve reclamar, em especial do Supremo Tribunal Federal (STF), transformado em palco de disputas políticas rasteiras com fortes indícios de corrupção, da parte de um ou mais de seus poucos integrantes. O que é bem diferente de um senador e candidato derrotado à presidência da República, ele mesmo enrolado em diversas denúncias por todos os cargos que passou, sair do país às escondidas num jato, e declarar na chegada que o resultado eleitoral foi forjado por uma decisão do STF.
Sim, a decisão de prolongar o horário de votação foi estapafúrdia, mas em nada influenciou na diferença de mais de 4 milhões de votos com que Lula conquistou a reeleição. Antes de se declarar “presidente de fato” numa carta mal redigida, repleta de palavras de ordem tão distantes da verdade quanto ele do Brasil, Flávio Bolsonaro poderia ter consultado seus aliados, ou pelo menos o próprio partido. A reação não tardou: em poucas horas, a expressão foi substituída numa nova versão, em que o filho de Jair Bolsonaro se denominou, ao invés de presidente – o que soava ridículo – apenas líder da oposição fora do país. Assim seria menor o vexame, caso a primeira versão não tivesse sido divulgada após nomes de expressão do PL e de partidos do Centrão, como o governador reeleito em São Paulo, Tarcísio de Freitas, terem reconhecido a vitória legítima do PT nas urnas.
Se Flávio permanecesse no Brasil, talvez viesse a ser preso nos próximos meses? Talvez. Mas não por perseguição política, e sim, por investigações em curso, cujo andamento estava travado devido à imunidade parlamentar. Aliás, uma vez seguro ao lado de Donald Trump, o filho de Jair tem as condições para pensar e propor uma reforma para as instituições brasileiras, que incluam, por exemplo, a redução da imunidade para os políticos no exercício do cargo, quando as suspeitas não tiverem nada a ver com a política, mas com roubalheira e outros crimes.
Um dos problemas da retirada para os costados de Trump é o distanciamento da realidade nacional. Na carta em que se disse vítima de um regime de exceção, Flávio Bolsonaro mostra o grau da realidade paralela em que prefere estar, enquanto a população espera por um líder, ou líderes, que demonstrem ser mais convincentes na oposição ao governo do PT. Por sorte, as eleições do primeiro turno encheram o Congresso de novos nomes, e deram protagonismo, nos estados, a personagens que podem despontar, galvanizando uma oposição necessária ao petismo que se defronta com o último mandato de Lula.
E não faltarão razões firmes para o estabelecimento de lideranças oposicionistas, quem sabe até ancoradas num centro perdido desde que o bolsonarismo foi aceso e acolhido pelo PT. O quarto mandato do atual presidente já conta com obstáculos certos adiante, como o equilíbrio de contas públicas menosprezadas, a insegurança jurídica em função de um STF politizado e desacreditado, e a perspectiva de baixo crescimento da economia num cenário de endividamento contínuo das famílias. Com Jair preso e Flávio autoexilado, a oposição ganha oportunidade de reorganização.

© Thiago Lucas

Flavio Bolsonaro foge para os EUA sob a proteção de Trump

Europa teme que vitória democrata não trave Trump nem resolva crise transatlântica

29 October 2026 at 06:37

Diante de "uma Rússia muito mais agressiva, uma China muito mais assertiva e os Estados Unidos, pelo menos, muito mais imprevisíveis -- para alguns, aliás, inconfiáveis --", a Europa "tem de deixar de ser um adolescente geopolítico e assumir a responsabilidade pela sua própria segurança". O alerta de Durão Barroso, antigo presidente da Comissão Europeia, na passada segunda-feira, sintetiza um dos principais dilemas que as eleições intercalares norte-americanas de 3 de novembro colocam aos europeus: até que ponto podem continuar a depender de um aliado cuja política externa se tornou mais imprevisível?

O resultado das eleições intercalares norte-americanas na próxima semana poderá alterar o controlo do Congresso e aumentar o escrutínio à Administração de Donald Trump. Mas, mesmo que os democratas conquistem as duas…

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Fugir X foragido: juristas explicam situação de Flávio Bolsonaro e o que pode acontecer agora

28 October 2026 at 22:13

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pousou na manhã desta quarta-feira, 28, em Miami, nos Estados Unidos, com a esposa e as duas filhas. Candidato derrotado na disputa pelo Palácio do Planalto e alvo de investigações em curso, Flávio deixou o País e descumpriu a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

No domingo à noite, Moraes determinou que Flávio não poderia deixar o País e deveria entregar os passaportes brasileiros (comum e diplomático) e o italiano. O ministro atendeu a um pedido da PF, que citou "risco concreto de evasão".

Registros migratórios da Argentina mostram que ele usou um passaporte italiano para entrar no país vizinho e deixou o aeroporto de Puerto Iguazú às 23h52 de terça-feira, 27.

De acordo com o professor Thiago Bottino, da FGV Direito Rio, é correto afirmar que o senador fugiu do País, uma vez que havia uma medida cautelar de Moraes que proibia o senador deixar o País.

"Houve uma proibição de saída do País. E essa proibição foi desrespeitada, porque ele tinha conhecimento disso. Ele foi formalmente intimado para apresentar os passaportes e foi informado de que estaria proibido de sair do País", afirma.

Para Bottino, é por isso que se pode falar em fuga, "no sentido de que escapou efetivamente de uma proibição".

A explicação é corroborada por um pronunciamento da Polícia Federal na tarde desta quarta-feira. A PF diz que senador não pode ser considerado foragido da Justiça e que o descumprimento da ordem para entrega dos passaportes não autorizava a sua prisão ou a adoção de medidas como uma vigilância permanente.

"A existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza a realização de prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares", diz.

O advogado criminalista Wellington Arruda explica que o senador não é considerado juridicamente 'foragido" porque não há um mandado de prisão.

"Tecnicamente falando, você pode dizer com toda a certeza que [Flávio] pode ser considerado alguém que fugiu do Brasil. Mas ele não é um foragido da Justiça. São coisas distintas. Entendo que ele fugiu do Brasil porque saiu enquanto havia uma determinação que proibia ele de sair do País. Então, ele fugiu, mas ele não é um foragido da Justiça porque não um mandado de prisão expedido contra ele", explica.

Na sexta-feira, 23, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, defendeu que ele deixasse o País caso fosse derrotado. Flávio perdeu para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, no domingo, 25.

Na segunda, 26, Flávio disse em um vídeo que foi intimado pela PF a entregar os passaportes após visitar o pai e que estava proibido de deixar o País. Também afirmou que não sairia do País e entregaria o documento. Menos de dois dias depois, estava em Miami.

O que pode acontecer agora

Bottino explica que a proibição de sair do País e a entrega do passaporte são "medidas cautelares alternativas à prisão". Durante a investigação ou o processo, a única forma de prender alguém antes de uma decisão definitiva é a prisão preventiva, mas a lei prevê gradações.

"O juiz tem que escolher sempre a medida menos gravosa adequada às circunstâncias concretas. Se ela não se mostrar suficiente, aí você pode decretar outras."

O descumprimento, segundo o professor, abre caminho para a prisão preventiva. O art. 282, do Código de Processo Penal permite ao juiz substituir a medida, aplicar outra em cumulação ou, em último caso, decretar a preventiva. O art. 312, também prevê a preventiva em caso de descumprimento de cautelar.

"Não é obrigatório, mas a lei diz que é uma das causas: desrespeitou a cautelar, prende preventivamente", diz.

Bottino lembra que isso já ocorreu no caso do pai do senador. Em agosto de 2025, Moraes enviou Jair Bolsonaro à prisão domiciliar por "reiterado descumprimento" das cautelares que pesavam sobre ele.

Arruda avalia que, com Flávio fora do país, restam poucas opções eficazes.

"Bloquear bens, bloquear contas, tornozeleira eletrônica, essas são medidas paliativas. O bloqueio de patrimônio pode ocorrer, já que a investigação envolve lavagem de dinheiro e desvio", diz.

Ele ressalva que, por se tratar de senador, a prisão "precisa ser validada pelo Senado Federal".

Quem pode pedir a prisão

Segundo Arruda, o pedido pode partir da Polícia Federal ou do Ministério Público Federal. O art. 282, do Código de Processo Penal prevê que, na fase de investigação, as cautelares são decretadas por representação da autoridade policial ou a requerimento do Ministério Público.

O advogado afirma que, em alguns casos, magistrados decretam medidas de ofício, o que considera "raro, mas acontece".

"O caminho mais adequado seria um requerimento da PF ou do MPF", diz.

Moraes já decretou a preventiva em caso semelhante. Em 2025, ele mandou prender Léo Índio, primo dos filhos de Jair Bolsonaro, por entender que o réu fugiu para a Argentina ciente de que seu passaporte estava cancelado, entrando no país com documento de identidade. A diferença é que Léo Índio era réu em ação penal, enquanto Flávio é investigado e ocupa cadeira no Senado.

© Marta Lavandier/AP Photo/Estadão Conteúdo

Flávio Bolsonaro desembarca em Miami

EUA expulsam diplomata cubano por acusação de suposta tentativa de agressão

28 October 2026 at 23:12

O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, afirmou que o governo Trump está expulsando um diplomata cubano dos Estados Unidos, em um cenário de tensões crescentes entre Washington e Havana.

A expulsão ocorre após uma discussão acalorada no plenário da Assembleia Geral da ONU entre Waltz e o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, durante uma sessão sobre o embargo econômico dos EUA contra Cuba. O episódio acontece também em um momento em que autoridades do governo voltam a levantar, com maior frequência, a possibilidade de uma ação dos EUA na ilha.

O secretário de Estado, Marco Rubio, “assinou a documentação para expulsar o diplomata cubano, o primeiro-secretário da delegação deles”, disse Waltz na noite de terça-feira (27).

“Ele foi embora. Estará em um avião rumo a Havana nas próximas 24 horas”, declarou Waltz em entrevista à Fox News.

Ele acusou o diplomata de empurrar e tentar “agredir um de nossos diplomatas americanos”. Em outra entrevista à Fox, nesta quarta-feira (28), Waltz reiterou que o diplomata cubano “estará em um voo de volta a Havana e deixará o país hoje”.

“Se alguém tocar em um americano aqui nos Estados Unidos — o presidente Trump, o secretário Rubio e eu — não vamos tolerar isso. Haverá consequências”, afirmou Waltz na terça-feira.

“Deixamos claro à Missão de Cuba que este indivíduo não é bem-vindo nos Estados Unidos e, como resultado, ele partiu”, disse um porta-voz do Departamento de Estado à CNN nesta quarta-feira.

“Membros do incompetente regime comunista cubano revelaram sua verdadeira essência por meio de táticas de intimidação e opressão. Tais táticas não funcionarão, nem serão toleradas”, acrescentou.

A CNN entrou em contato com a Missão de Cuba na ONU para solicitar um posicionamento.

Vídeos de terça-feira mostram membros da delegação cubana batendo em uma mesa, enquanto o ministro das Relações Exteriores grita pedindo uma “questão de ordem” durante a fala de Waltz. Rodríguez Parrilla aproximou-se do púlpito, e ambos começaram a gritar um com o outro.

“Este indivíduo precisa se afastar deste púlpito. Ele não vai me intimidar nos Estados Unidos da América, da mesma forma que tenta intimidar prisioneiros políticos”, gritou Waltz do púlpito.

“Eu sou representante dos Estados Unidos da América. Afaste-se!”, afirmou.

Ouviram-se gritos chamando Waltz de mentiroso. Outro vídeo, compartilhado pela conta de Waltz na rede social X, mostrou um diplomata cubano afastando com a mão o celular que fazia a gravação, alegando que a pessoa estava invadindo seu espaço pessoal.

Mais tarde, na terça-feira, a Missão de Cuba na ONU enviou uma carta ao Secretário-Geral expressando profunda preocupação com o incidente. Na carta, a missão cubana afirmou que um diplomata dos EUA invadiu o espaço pessoal do diplomata cubano para filmá-lo e publicar os vídeos nas redes sociais, com a intenção de prejudicar sua reputação.

Na quarta-feira, a Assembleia Geral da ONU aprovou, por ampla maioria, uma resolução condenando o embargo de longa data dos EUA contra Cuba: foram 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções.

Nos últimos meses, a administração Trump intensificou a pressão econômica sobre Cuba, buscando forçar mudanças no governo dos Castro. Recentemente, contudo, o governo americano também elevou o tom de sua retórica pública sobre uma possível intervenção dos EUA para derrubar o regime que há muito tempo governa em Havana.

Na sexta-feira (23), Rubio publicou no X: “Àqueles que buscam promover uma mudança positiva em Cuba — agora é o momento”.

“A decepção com promessas não cumpridas, a corrupção e a vida privilegiada de poucos — aproveitem esta oportunidade para criar a mudança que desejam por meio de uma parceria discreta com a CIA”, escreveu ele.

A CIA tem mantido contato com pelo menos alguns americanos envolvidos em projetos na ilha; no entanto, essas conversas são, em grande parte, preliminares e anteriores à publicação de Rubio, informaram à CNN duas fontes a par do assunto.

Não está claro se a mensagem ousada de Rubio levará mais cubanos a colaborar com a CIA em esforços para derrubar o governo comunista da ilha. Contudo, a própria agência divulgou um vídeo em espanhol, logo após o tuíte de Rubio, com instruções passo a passo sobre como contatar a agência de inteligência americana de forma segura.

O presidente Donald Trump, durante a campanha para as eleições de meio de mandato, afirmou que os EUA tratariam da questão de Cuba no “caminho de volta do Irã”.

“Vamos cuidar de Cuba na nossa volta do Irã. Faremos uma pequena escala”, disse Trump a uma multidão em um comício no sul da Flórida, durante o período eleitoral de meio de mandato, repetindo uma afirmação que ele já fez diversas vezes.

“Na verdade, o que vamos fazer em relação a Cuba é o seguinte: voltaremos do Irã — com aqueles navios magníficos — e passaremos por Cuba. Faremos com que um deles pare a cerca de 50 jardas da costa. Eles levantarão as mãos em sinal de rendição, e então enviaremos o Marco Rubio para encerrar o jogo”.

(Com informações de Kylie Atwood,da CNN)

Apagão e bloqueio de petróleo: O que está acontecendo em Cuba?

 

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