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Quando pessoas comuns fazem coisas extraordinárias

29 October 2026 at 11:06

VTM

Há mais de trezentos anos, John Locke escrevia que “as coisas deste mundo estão num fluxo tão constante que nada permanece por muito tempo no mesmo estado”. Talvez seja esta uma das verdades mais simples e, simultaneamente, mais difíceis de aceitar por quem governa. As sociedades mudam, as pessoas mudam e as suas expectativas também. E, quando os problemas persistem sem resposta, acabam inevitavelmente por encontrar uma forma de se tornarem visíveis.

Penso muitas vezes no dia 18 de dezembro de 2013. Não pela dimensão mediática que alcançou, nem sequer pelo desfecho que viria a ter. Recordo esse dia porque me permitiu compreender algo que os livros explicam, mas que apenas a experiência verdadeiramente ensina: as pessoas não se mobilizam porque partilham uma ideologia – mobilizam-se porque partilham uma realidade! Estive envolvido, desde cedo, na organização nacional daquela contestação. O que nos unia não era uma doutrina, uma corrente partidária ou qualquer projeto ideológico, mas sim a convicção de que existia um problema que afetava a nossa profissão, a sua dignidade e a própria ideia de escola pública.

Foi então que compreendi melhor Hannah Arendt quando escreveu que a desobediência civil significativa nasce de uma comunidade de interesses. Não é o indivíduo isolado que produz mudança, é o momento em que pessoas diferentes reconhecem numa dificuldade aparentemente individual uma preocupação coletiva. Aquilo que parecia privado revela-se, afinal, uma questão pública. Mas foi precisamente nesse momento que muitos deixaram de discutir o problema para discutirem os seus protagonistas. Em vez de se ouvirem razões, distribuíam-se rótulos. O movimento foi apresentado como uma iniciativa da extrema-esquerda, como se uma etiqueta ideológica explicasse a mobilização de milhares de professores ou anulasse as causas que os levaram a agir.

Passados mais de dez anos, continuo a observar o mesmo fenómeno. Vejo-o nas manifestações estudantis em França, percebo-o nos protestos sociais que atravessam a Europa e observo-o cravado em tantas outras expressões de descontentamento coletivo. Antes de se compreender o que move as pessoas, procura-se classificá-las. Talvez porque seja mais fácil atribuir um rótulo a um protesto do que enfrentar as razões da sua existência. Mas ninguém reúne milhares de cidadãos em torno de uma mera etiqueta política. O que une as pessoas é algo mais profundo, é uma preocupação partilhada, uma dificuldade comum, uma injustiça sentida. É essa experiência que transforma vidas dispersas numa causa coletiva. Quando olho para a Europa de hoje, não vejo apenas manifestações. Eu vejo cidadãos que procuram ser escutados antes de serem interpretados. Porque a verdadeira questão nunca é quem está por detrás dos protestos. A verdadeira questão é aquilo que está diante das pessoas. E é precisamente nesse momento que a política deveria começar a ouvir. Não para concordar com tudo, não para ceder a tudo, mas porque a primeira responsabilidade de uma democracia não é classificar os seus cidadãos, mas compreendê-los.

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VRSA disponibiliza nova Plataforma Digital da Oferta Educativa Municipal

28 October 2026 at 18:44

Cultura, ambiente, património, cidadania e desporto são algumas das áreas abrangidas pela Oferta Educativa Municipal, que reúne atividades pedagógicas para os alunos do concelho de VRSA numa nova plataforma digital, facilitando a consulta das propostas e a inscrição das turmas pelos docentes, disponibilizada pela autarquia para o ano letivo 2026/2027.

Dirigida aos estabelecimentos de ensino do concelho, esta iniciativa integra atividades pedagógicas que complementam as aprendizagens em contexto escolar, proporcionando aos alunos experiências diversificadas e novas oportunidades de aprendizagem.

A Oferta Educativa Municipal abrange áreas como a cultura, o ambiente, o património, a cidadania e o desporto, através de atividades promovidas pelos serviços municipais e por parceiros públicos e privados. As propostas procuram diversificar as experiências educativas dos alunos e reforçar a ligação entre a escola e a comunidade.

A principal novidade desta edição é a disponibilização de uma plataforma digital que permite aos docentes consultar as atividades e inscrever as respetivas turmas de forma simples e intuitiva, através de computador ou smartphone. Esta solução substitui o tradicional formato impresso, facilitando o acesso à informação e simplificando os procedimentos de inscrição.

A transição para o formato digital contribui também para reduzir o consumo de papel, em linha com os princípios dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), promovendo uma utilização mais eficiente dos recursos.

Com esta iniciativa, o Município reforça a articulação com os estabelecimentos de ensino e os seus parceiros, promovendo o contacto dos alunos com diferentes áreas do conhecimento e com a realidade cultural, ambiental e patrimonial do concelho.

A Plataforma Digital da Oferta Educativa Municipal para o ano letivo 2026/2027 está disponível clicando aqui, onde os docentes podem consultar as atividades propostas e efetuar as inscrições das respetivas turmas.

Falta de professores: governo quer licenciados a dar aulas

27 October 2026 at 13:55
Ministro da Educação propôs que licenciados em Educação Básica – sem mestrado – possam lecionar no 1.º ciclo. Sindicatos, pouco agradados, não se opuseram. Dizem estar "entre a espada e a parede".

© DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Ministério da Educação diz que medida é transitória, até formarem os profissionais necessários

Agricultores juntam-se a protestos em Madrid na quarta-feira

27 October 2026 at 13:41
Inflação Espanha

Os agricultores juntam-se na quarta-feira às manifestações que estão a sair à rua em Espanha com uma ‘tratorada’ em Madrid contra o aumento dos preços, a um mês das eleições de 29 de novembro.

O protesto foi convocado por três das maiores associações de agricultores de Espanha e promete levar 500 tratores até às ruas da capital, com uma marcha pelo centro da cidade a partir das 11:00 locais (menos uma hora em Lisboa) que culminará com uma concentração em frente do Ministério da Agricultura.

Mais manifestações de agricultores estão convocadas para sábado em Espanha, por outras associações de menor dimensão.

As organizações que convocaram o protesto de quarta-feira queixam-se dos aumentos dos custos de produção, sobretudo desde o início da guerra do Irão, no final de fevereiro, assim como de decisões políticas que dizem “ameaçar ou agravar ainda mais a situação”.

Perante o aumento de custos que “muitas vezes” não são compensados pelos preços de venda da produção, as associações pedem medidas e ajudas públicas, incluindo “fiscalidade reduzida e estável” para o gasóleo agrícola ou tarifas de eletricidade adaptadas ao regadio e à criação de gado.

Os agricultores pedem por outro lado uma Política Agrícola Comum (PAC) com menos burocracia e com uma “dotação suficiente” no próximo orçamento europeu, para o período 2028-2034.

As associações voltam também a queixar-se da “concorrência desleal” em que se traduzem os acordos comerciais que a União Europeia (UE) está a assinar com países terceiros, como o alcançado com o Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai).

Fontes do Ministério da Agricultura de Espanha consideraram que o protesto desta quarta-feira tem um caráter político, a um mês das eleições legislativas antecipadas.

O Governo lembrou que desde o início do atual conflito no Médio Oriente já foram disponibilizados mais de 1.000 milhões de euros em ajudas ao setor, mais do que no resto dos países da UE.

O executivo lembrou ainda o acordo com 43 medidas para flexibilizar regras da PAC, entre outras, assinado em 2024 com as associações.

A manifestação de quarta-feira dos agricultores junta-se a outros protestos, de pensionistas, pela habitação ou de professores que têm estado nas ruas de Madrid e outras cidades de Espanha nas últimas semanas e que também têm marcado a pré-campanha das legislativas. Para dia 11 de novembro, véspera do arranque oficial da campanha eleitoral, está convocada uma greve geral, a primeira em Espanha em 14 anos.

O protesto mais longo é o da habitação, que mantém uma acampada com centenas de tendas no centro de Madrid, de forma ininterrupta, desde 26 de setembro.

A par destes protestos, que têm decorrido de forma pacífica, houve distúrbios no sábado em Barcelona e na segunda-feira em Bilbau, envolvendo grupos de jovens.

Em Barcelona, onde foram detidas 130 pessoas, 74 das quais menores de idade, as autoridades dizem estar a investigar quem está por trás de grupos nas redes sociais que mobilizaram cerca de 500 jovens para fazer pilhagens e destruir mobiliário humano no centro da cidade.

As autoridades espanholas sublinharam que os distúrbios e pilhagens em Barcelona foram “vandalismo puro” sem relação com qualquer protesto, e apelaram às plataformas WhatsApp e Telegram para fecharem ‘chats’ em que estão a ser feitas novas convocatórias para o próximo sábado.

Já em Bilbau, foram detidas na segunda-feira 19 pessoas por causa de distúrbios, como queima de carros e contentores de lixo, além de ataques a estabelecimentos comerciais.

Os distúrbios foram protagonizados por pessoas que protestavam contra um evento de Vito Quiles, conhecido em Espanha como “agitador político” ligado à extrema-direita.

O responsável pela Segurança no governo regional do País Basco, Bingen Zupiria, considerou que “dá a impressão de que alguém está a tentar emular movimentos violentos vistos noutras partes da Europa”.

Ministro garante pagamento de horas extra a professores

26 October 2026 at 15:12
Os pagamentos em atraso aumento o risco de os professores faltarem as horas a mais, deixando os alunos sem aulas. Fernando Alexandre diz que foram pagas mais horas extraordinárias que o ano passado.

© PAULO NOVAIS/LUSA

A Fenprof e a FNe criticam a situação dos atrasos

Professores dos PALOP visitam Loulé no âmbito do Encpontro Internacional de Matemática

21 October 2026 at 18:48

Um grupo de professores de Matemática provenientes dos cinco Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) visitou recentemente a cidade de Loulé, no âmbito do encontro internacional que decorre na Universidade do Algarve.

A visita, apoiada pela Câmara Municipal de Loulé, proporcionou aos participantes a oportunidade de conhecer alguns dos mais emblemáticos espaços patrimoniais, culturais e identitários do concelho, contactando de perto com a história, as tradições e a dinâmica cultural local.

Esta iniciativa constituiu igualmente um momento de convívio, partilha e intercâmbio entre docentes universitários de diferentes países, reforçando os laços de cooperação académica e científica no espaço lusófono.

Ao acolher estes professores, Loulé associou-se a um importante momento de encontro e diálogo entre comunidades académicas, dando a conhecer a riqueza do seu património, a vitalidade da sua oferta cultural e a hospitalidade que caracteriza o concelho. A iniciativa contribuiu, assim, para a valorização de Loulé enquanto território aberto ao conhecimento, à cooperação internacional e à diversidade cultural.

Professores levam erro da CGA à Provedora de Justiça

15 October 2026 at 19:00
O SIPE exige a suspensão dos cortes e da devolução de valores pagos a mais. Pensionistas afetados perdem em média 93 euros brutos por mês.

© Getty Images

A ministra do trabalho diz que " há obrigação legal de o fazer" quando questionada se há fundamentação legal para o pedido de devolução dos valores pagos a mais

Pensões. Fenprof quer esclarecimentos sobre erro no cálculo

13 October 2026 at 09:54
Fenprof garante que está a acompanhar centenas de situações de docentes aposentados com valores de pensões inferiores aos inicialmente simulados pela Caixa Geral de Aposentações.

© TIAGO PETINGA/LUSA

A Fenprof apelou a todos os professores que ainda não contactaram a sua organização sindical para o fazerem de modo a receberem o apoio e o acompanhamento necessários

Fenprof chama "farsa orçamental" ao OE2027

9 October 2026 at 21:18
Sindicatos de professores rejeitam proposta do Governo para a Educação, que prevê 7.787,9 milhões de euros em 2027. Fenprof diz que cumprir compromissos não é novo investimento.

© DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

A FNE defende a valorização de todos os trabalhadores das escolas, o reforço das equipas educativas e a garantia dos recursos humanos e materiais necessários para responder aos desafios
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