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Unisana investe 40 milhões para triplicar dimensão do Hospital de Almada

30 October 2026 at 11:31

O Grupo Unisana Hospitais vai investir 40 milhões de euros para expandir o Hospital de Almada. O investimento prevê a construção de um novo edifício, que vai permitir triplicar a dimensão da unidade de saúde detida pelo grupo liderado por Eduardo Nuno Moniz. A obra será realizada em duas fases, com a conclusão global prevista para o final de 2029.

De acordo com um comunicado divulgado esta sexta-feira, o projeto prevê a construção de um novo edifício hospitalar, articulado com a reabilitação da unidade atual, formando um complexo hospitalar único e integrado. Com o novo edifício, o hospital vai “triplicar a sua capacidade atual, passando a disponibilizar uma área de cerca de 15 mil metros quadrados”.

Entre as infraestruturas e serviços disponíveis estarão três salas de bloco operatório, cerca de 50 camas, uma clínica de reprodução medicamente assistida, uma Unidade de Medicina Nuclear com PET, atendimento permanente, unidade de cuidados paliativos. Segundo adianta o grupo de saúde, haverá ainda um reforço significativo da capacidade de imagiologia, uma modernização integral das infraestruturas e uma aposta na experiência dos clientes e dos profissionais de saúde da unidade.

“O Unisana Hospital de Almada está a crescer, captando cada vez mais clientes e profissionais graças à competência da equipa clínica e satisfação do acolhimento de seus profissionais. Para dar resposta a esta crescente procura e oferecer ainda melhores condições e a mesma proximidade de sempre, vamos iniciar a construção da expansão do Unisana Hospital de Almada, a qual deverá ser concluída no final de 2029”, explica Eduardo Moniz, CEO da Unisana Hospitais, citado no comunicado.

Com uma equipa de cerca de 100 médicos, o Unisana Hospital de Almada, serve atualmente mais de 30 mil utentes por ano, realizando mais de mil cirurgias, mais de 45 mil consultas e mais de 65 mil exames.

O reforço das infraestruturas é realizado no âmbito da parceria já existente com a Lifento, gestora de fundos de investimento imobiliário pan-europeia independente especializada no setor da saúde e imobiliário médico-social.

O grupo de saúde Unisana, que juntou os investimentos realizados pela Atena Equity Partners e pela 3T Portugal nos últimos três anos, arrancou em 2024 com três hospitais (Almada, Torres Vedras e Porto) e duas clínicas (Santarém). Atualmente o grupo detém unidades de saúde no Porto, Santarém, Torres Vedras, Lisboa e Almada, que incluem o Hospital da Ordem Terceira do Chiado em Lisboa, o Hospital da Lapa no Porto, o Hospital de Almada, o Hospital do Oeste Soread em Torres Vedras ou a Clínica de Santarém.

As unidades sob gestão do grupo realizam mais de 175 mil consultas, 350 mil exames e mais de 11 mil cirurgias por ano, servindo 160 mil utentes de todo o país. A equipa da Unisana Hospitais conta com a colaboração de 560 médicos, além de enfermeiros e outros profissionais de saúde dedicados.

Postos da OZ Energia vão ‘adotar’ marca Shell. Empresa de Champalimaud mantém operação

30 October 2026 at 11:00

A OZ Energia, detida pelo Grupo Manuel Champalimaud, fez um acordo com a DISA Lusitânia, responsável pelo desenvolvimento da rede de postos da marca Shell em Portugal e Espanha, que vai permitir à empresa portuguesa adotar a marca e imagem Shell na sua rede de postos.

A OZ Energia continuará responsável pela operação destes postos, que funcionarão sob a marca Shell, segunda adianta a empresa em comunicado, acrescentando que “as restantes operações e atividades da OZ Energia não serão alteradas por este acordo”.

“Esta parceria permite à OZ Energia passar a representar uma das marcas mais relevantes do setor de Oil and Gas e expandir a sua rede de distribuição de Gás Embalado a todos os Postos de Abastecimento com marca Shell”, comenta João Malta, diretor-geral da OZ Energia, citado em comunicado.

O responsável acrescenta que “permite aliar a experiência, proximidade e confiabilidade que distinguem a marca OZ à força e capacidade da marca Shell. É um passo muito importante na criação do futuro e na estratégia de crescimento da OZ Energia“, remata o diretor-geral da empresa portuguesa, que atua em várias áreas do mercado energético, incluindo combustíveis rodoviários, rede de postos de abastecimento, gás engarrafado e a granel, GPL auto e combustíveis de aviação.

Esta parceria permite à OZ Energia passar a representar uma das marcas mais relevantes do setor de Oil and Gas e expandir a sua rede de distribuição de Gás Embalado a todos os Postos de Abastecimento com marca Shell (…) É um passo muito importante na criação do futuro e na estratégia de crescimento da OZ Energia”

João Malta

Diretor-geral da OZ Energia

Javier de Argumosa, diretor de desenvolvimento internacional da DISA, destaca que “este acordo representa mais um passo no desenvolvimento da presença dos postos de abastecimento Shell em Portugal“.

“A colaboração com a OZ Energia permite-nos reforçar a cobertura da rede, aproximar a marca de mais clientes e continuar a construir uma presença sólida e duradoura no mercado português. Estamos muito satisfeitos por dar este passo em conjunto com um parceiro com experiência e conhecimento do mercado nacional”, acrescenta Argumosa.

De acordo com o mesmo comunicado, a transição será implementada de forma progressiva, procurando garantir a continuidade da operação dos postos durante o processo de mudança de imagem.

As marcas Shell são utilizadas pela DISA Lusitânia ao abrigo de uma licença concedida pela Shell Brands International AG.

Economia dos EUA cresce 3,4% no trimestre, mas inflação acelera em setembro

29 October 2026 at 14:19

O produto interno bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu 3,4% no terceiro trimestre do ano, com a economia norte-americano a ser suportada pelo consumo, que se mostrou resiliente apesar do impacto negativo da guerra do Médio Oriente nos custos da energia. Já a taxa de inflação acelerou em setembro, mantendo-se bem acima do objetivo da Reserva Federal (Fed), conforme mostram os dados divulgados esta quinta-feira pelo Departamento do Comércio.

O crescimento da economia superou as estimativas dos economistas, que apontavam para uma subida de 3,1% do PIB, e ficaram acima dos 2,2% registados no segundo trimestre deste ano.

O consumo privado cresceu 3,8% no terceiro trimestre do ano, enquanto o investimento interno privado bruto disparou 19,4%, impulsionado por uma subida de 20,9% na despesa em equipamento e de 8,4% no investimento em produtos de propriedade intelectual.

O índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), excluindo alimentos e energia, que é o indicador de inflação subjacente preferido da Fed, registou um aumento homólogo de 3,1%, em setembro, enquanto a taxa de inflação homóloga subiu para 3,6%.

Apesar das pressões inflacionistas, a Fed manteve esta quarta-feira a taxa dos fundos federais num intervalo entre 3,75% e 4,00%.

“A inflação continua elevada”, referiu o banco central liderado por Kevin Warsh. “A recolha de mais informação ajudará o Comité a determinar a orientação de política adequada para garantir um regresso atempado da inflação à meta de 2%”.

No curto comunicado, a Fed adiantou que a atividade económica está a expandir-se a um ritmo forte. “Embora a incerteza continue elevada, em parte devido à evolução da situação geopolítica, o consumo interno tem-se mostrado resiliente”, vincou.

França ‘segura a mão’ do Banco Central Europeu. Taxas de juro ficam inalteradas

29 October 2026 at 13:15

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira deixar as taxas de juro diretoras inalteradas, confirmando as expectativas dos mercados, que já antecipavam que a autoridade monetária europeia não mexesse nos juros, num momento marcado pela escalada das “yields” das obrigações francesas. A decisão ocorre no dia em que a presidente Christine Lagarde anunciou que vai sair do cargo a 7 de fevereiro.

Depois de ter subido as taxas de juro em 25 pontos base no encontro de setembro, o BCE deixou tudo igual ao fim da sua reunião de dois dias. A taxa de Facilidade Permanente de Depósito permaneceu esta quinta-feira nos 2,50% e as taxas de refinanciamento e de cedência de liquidez em 2,65% e 2,90%, respetivamente, níveis atingidos em setembro com o segundo aumento de 25 pontos base deste ano.

A decisão do BCE surge num momento que França enfrenta uma situação delicada, com os juros das obrigações do país a escalarem num contexto de elevados défices públicos, um impasse orçamental, protestos de rua e uma eleição que suscita divisões no próximo ano. Um verdadeiro “cocktail” explosivo que levou o prémio de risco das obrigações francesas a dez anos a quase duplicar em relação ao valor de referência alemão ao longo das últimas semanas.

“O Conselho do BCE decidiu hoje manter inalteradas as três taxas de juro diretoras”, adianta o comunicado divulgado pela instituição liderada por Christine Lagarde. Apesar de não ter mexido nos juros, a entidade reconhece que “os preços da energia continuaram a subir, colocando riscos em alta para as perspetivas de inflação e riscos em baixa para as perspetivas de crescimento”.

O conselho de governadores acrescenta que, “embora os efeitos totais do choque energético ainda estejam a fazer-se sentir, a inflação subjacente manteve-se, até agora, relativamente estável e os salários não revelam, nesta fase, uma reação significativa”.

O BCE assume ainda que “é provável que a maior dimensão e duração do choque energético, bem como as suas implicações para os efeitos indiretos e de segunda ordem, contribuam para aumentar a inflação e reduzir o crescimento”, reconhecendo que “as condições de financiamento tornaram-se mais restritivas desde a última reunião do Conselho do BCE, o que deverá pesar sobre a inflação e o crescimento”.

Nova subida em dezembro?

Num momento em que a situação no Médio Oriente continua a refletir-se num agravamento dos custos da energia, com impacto generalizado nos preços, o conselho do BCE reitera que vai “definir a política monetária de forma a garantir que a inflação estabiliza no seu objetivo de 2% no médio prazo”, um sinal que poderá estar preparado para continuar a subir juros, aliás como o próprio mercado antecipa.

O comunicado realça ainda que o BCE “continua bem posicionado para fazer face ao atual nível elevado de incerteza” e “seguirá uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião para determinar a orientação adequada da política monetária”.

“As decisões do Conselho do BCE sobre as taxas de juro terão por base a sua avaliação das perspetivas de inflação e dos riscos que as rodeiam, à luz dos novos dados económicos e financeiros, bem como da evolução da inflação subjacente e da eficácia da transmissão da política monetária”, assegura o conselho, que “não se compromete antecipadamente com uma trajetória específica para as taxas de juro”.

Quanto aos programas de compra de ativos, o BCE nota que “as carteiras do APP e do PEPP estão a diminuir a um ritmo moderado e previsível, uma vez que o Eurosistema já não reinveste os montantes de capital reembolsados dos títulos que chegam à maturidade”.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, vai justificar a decisão do BCE uma conferência de imprensa agendada para as 14h45 (hora de Lisboa), naquela que será a antepenúltima em que surge como líder da instituição, uma vez que vai abandonar o cargo a 7 de fevereiro. Lagarde irá, assim, liderar a reunião de dezembro, agendada para os dias 16 e 17 de dezembro, e o encontro marcado para os dias 3 e 4 de fevereiro.

(Notícia atualizada às 13h38)

Neerlandês e espanhol à frente na corrida para suceder a Lagarde no BCE

29 October 2026 at 12:20

Começou a corrida à presidência do Banco Central Europeu. Depois de meses de especulação sobre uma saída antecipada, Christine Lagarde despediu-se esta quinta-feira da instituição que liderou desde novembro de 2019, informando que vai abandonar o banco central no dia 7 de fevereiro de 2027, oito meses antes do final do seu mandato.

Em dia de decisão sobre as taxas de juro, o foco já está no futuro, com o processo para encontrar um sucessor a começar desde já. O neerlandês KlaasKnot e o espanhol Pablo Hernández de Cos surgem apontados como os principais candidatos a suceder a Lagarde, mas poderão surgir outros nomes na corrida ao BCE.

“Deixo esta instituição com a sensação de ter realizado um bom trabalho e de deixar um BCE preparado para o futuro“, foi com esta declaração feita nas redes sociais que Christine Lagarde se despediu, poucas horas antes de comparecer esta quinta-feira na habitual conferência de imprensa após ser comunicada a decisão sobre as taxas de juro.

A oficialização da saída não é propriamente uma surpresa, mas deixa o segundo cargo por preencher no conselho de governadores do BCE, depois de também Isabel Schnabelter anunciar que vai deixar a instituição para assumir funções de destaque no Fundo Monetário Internacional (FMI). Já o economista-chefe Philip Lane deverá abandonar a sua posição em maio de 2027, numa verdadeira dança de cadeiras na autoridade da política monetária do euro. Apesar de apenas agora o Conselho Europeu começar a preparar a sucessão, há vários nomes que têm sido apontados para o cargo.

As três nomeações poderão ser acordadas num pacote negociado entre os Estados-membros, sendo que o cargo mais disputado é o de líder da entidade. Os dois principais candidatos a suceder a Lagarde são Pablo Hernández de Cos, que lidera o Banco de Pagamentos Internacionais, e o antigo presidente do banco central neerlandês Klaas Knot. Já o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, poderá surgir como um terceiro nome na corrida, não sendo de excluir um candidato surpresa.

“Klaas Knot e Pablo Hernández de Cos são considerados os principais candidatos. Knot, um ‘falcão’, reforçaria provavelmente as expectativas de um maior aperto monetário, o que poderia ser positivo para o euro. Hernández de Cos, o mais ‘pomba’ dos dois, daria provavelmente maior ênfase ao crescimento e à estabilidade do mercado obrigacionista, o que é mais importante do que nunca, dada a pressão sobre a dívida francesa”, explica Matthew Ryan, Head of Market Strategy, da Ebury, numa nota onde comenta a saída de Lagarde.

Knot, um ‘falcão’, reforçaria provavelmente as expectativas de um maior aperto monetário, o que poderia ser positivo para o euro. Hernández de Cos, o mais ‘pomba’ dos dois, daria provavelmente maior ênfase ao crescimento e à estabilidade do mercado obrigacionista, o que é mais importante do que nunca, dada a pressão sobre a dívida francesa.

Matthew Ryan

Head of Market Strategy, da Ebury

Dito isto, Ryan destaca que não acredita “que a transição altere a trajetória das taxas a curto prazo. O presidente define a agenda, mas, em última análise, é apenas uma voz no Conselho do BCE e raramente se sobrepõe ao consenso”. “Ainda assim, uma sucessão prolongada poderia introduzir volatilidade nos mercados num momento já frágil, pelo que quanto mais cedo for nomeado um sucessor, melhor”, argumenta.

“Os nomes apontados como possíveis sucessores são ambos banqueiros centrais muito competentes e com provas dadas, pelo que, para os mercados, a mudança não terá grande importância”, afirma Piet Haines Christiansen, economista do Danske Bank, citado pela Reuters.

Simon Dangoor, responsável pelo investimento macro em obrigações na Goldman Sachs realça que “o BCE é agora uma instituição bastante consolidada, e o mercado está familiarizado com a forma como opera”. “O comportamento institucional deverá sobreviver à saída de Lagarde e manter-se bastante semelhante, independentemente de quem assumir o cargo“, sustenta também à Reuters.

Klaas Knot, o neerlandês quer voar alto no BCE

O antigo presidente do banco central neerlandês Klaas Knot é o candidato dos Países Baixos à liderança do BCE. O economista liderou o banco central neerlandês durante dois mandatos, entre 2011 e 2025. Classificado como um falcão — termo dado a quem defende uma política monetária mais restritiva — , Knot conta com uma vasta experiência enquanto membro do conselho de governadores do BCE.

Nos seus 14 anos enquanto membro do conselho enfrentou dois momentos distintos na entidade. Com o italiano Mario Draghi na presidência mostrou a sua oposição às medidas de estímulo monetário anunciadas pelo então líder do BCE em plena crise da dívida. Já a convivência com Christine Lagarde, que substituiu Draghi em 2019, ficou marcada por uma harmonia perfeita.

Knot chegou ao BCE em plena crise da dívida soberana, que afundou a economia da região e ameaçou a sobrevivência do euro. Perante os riscos que persistiam na Zona Euro e que coincidiram com os pedidos de ajuda internacional de Portugal, Grécia e Irlanda, Draghi exerceu um papel de destaque na defesa do euro, com a expressão “whatever it takes” a marcar um ponto de viragem na crise, materializando-se na “bazuca” de medidas anunciadas. A reação nos mercados foi positiva, mas Knot expressou desde o início as suas reservas em relação às políticas de Draghi.

As críticas do neerlandês, primeiro feitas em privado, vieram a público no final de 2019, quando o italiano aprovou um novo pacote de estímulos, apesar da oposição de um terço dos membros do conselho.

Num momento em que a inflação no bloco enfrenta uma forte pressão devido à escalada dos preços dos combustíveis, Knot deverá privilegiar uma política de taxas de juro mais agressiva, para conter a inflação, o que poderá pesar no bolso das famílias, que já sentem a subida das taxas Euribor.

Numa corrida em que enfrenta o espanhol de Cos, o neerlandês poderá ter um apoio de peso para chegar a Frankfurt. França, que já teve dois presidentes (Jean-Claude Trichet e Christine Lagarde), poderá apoiar o neerlandês Klaas Knot, num acordo que permitiria ao Eliseu escolher o próximo economista-chefe do banco central, segundo avançou a Reuters recentemente.

Pablo Hernández de Cos: Pomba, ou falcão moderado?

Pablo Hernández de Cos, o antigo governador do Banco de Espanha e atual diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais, é o candidato de Espanha ao BCE. Considerado uma “pomba” — que defende uma política monetária menos restritiva — moderada, de Cos liderou o banco central espanhol entre 2018 e 2024, um período em que a inflação se situou em valores extremamente baixos, seguido pela pandemia e por um ciclo histórico de subida das taxas de juro para conter a subida de preços galopante.

De Cos foi também economista-chefe do Banco de Espanha, tendo dado o passo pouco habitual de passar de um cargo técnico para uma função de decisão de política monetária, o que reflete o sucesso que alcançou ao reforçar a importância da investigação no banco central.

Descrito como um economista pragmático, apesar de ser caracterizado como “pomba”, entre 2022 e 2024, de Cos voou mais alto e vestiu o fato de “falcão”, defendendo subidas de juros.

No início deste ano, quando alguns dos principais banqueiros centrais do mundo manifestaram publicamente apoio a Jerome Powell, então presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, perante pressões políticas, terá sido De Cos um dos principais coordenadores desse processo.

Joachim Nagel, o falcão que rejeita críticas políticas ao BCE

O alemão Joachim Nagel, presidente do Bundesbank, deverá ser a escolha da Alemanha para entrar na corrida à sucessão de Lagarde. Com grande conhecimento dos mercados financeiros, liderança e gestão de crises, Nagel alterou profundamente a relação da Alemanha com o BCE. Enquanto o seu antecessor, Jens Weidmann, esteve durante anos em conflito aberto com o BCE de Mario Draghi, Nagel moderou o discurso e voltou a integrar-se no consenso da instituição, embora continue a ser um falcão moderado em matéria de política monetária.

Apesar de definir claramente as suas linhas vermelhas, o alemão está disposto a fazer compromissos noutras matérias. Também apoiou a criação do Sistema Europeu de Seguro de Depósitos, um projeto a que Berlim se opôs durante muito tempo, receando que os contribuintes alemães tivessem de suportar os custos da irresponsabilidade financeira de outros países.

Defensor da independência do BCE, Nagel tem rejeitado as críticas políticas à instituição e, recentemente, argumentou que algumas das propostas do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) seriam contraproducentes e poderiam afastar investidores. Membro do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), Nagel desempenhou anteriormente cargos de topo no Banco de Pagamentos Internacionais (BIS) e no grupo bancário público alemão KfW.

Apesar de já ter manifestado o seu interesse à porta fechado para o cargo, a proposta de Nagel poderá enfrentar um travão, uma vez que seria inédito dois cidadãos alemães liderarem simultaneamente duas das mais importantes instituições da União Europeia: o BCE e a Comissão Europeia.

Haverá um candidato surpresa?

Há ainda a possibilidade de surgir, à última hora, um candidato-surpresa, à semelhança do que aconteceu em 2019, quando Macron apresentou inesperadamente Lagarde como principal candidata ao cargo de presidente do BCE. O antigo governador do Banco de França François Villeroy de Galhau poderá surgir como um candidato inesperado à presidência do BCE.

O BCE já subiu, este ano, duas vezes as taxas de juro para conter a escalada da inflação. Numa decisão amplamente esperada, o banco central subiu, na reunião de setembro, a taxa de Facilidade Permanente de Depósito para 2,50% e as taxas de refinanciamento e de cedência de liquidez para 2,65% e 2,90%, respetivamente. Já esta quinta-feira, a expectativa dos economistas é que a entidade deixe tudo como está, adiando para dezembro uma nova subida de juros.

“Este timing para o BCE está longe de ser o ideal. A saída de Lagarde ocorre numa altura em que a guerra no Irão mantém a inflação bem acima do pretendido, num nível que parece destinado a permanecer assim durante algum tempo”, destaca o responsável do Ebury, reforçando que “os mercados obrigacionistas europeus estão também sob pressão, com o spread franco-alemão no nível mais elevado desde 2011”.

As últimas semanas têm sido marcadas pela escalada das taxas de juro da dívida soberana, com as yields francesas a baterem máximos de várias décadas devido aos receios dos investidores em torno das contas públicas do país, deixando o BCE em prontidão.

Por outro lado, a guerra no Irão e o impacto nos preços da energia continuam a pressionar os preços na região, forçando o banco central a continuar a mexer nos juros para conter a subida da inflação.

Atualmente, os mercados estão a descontar mais três mexidas nas taxas até ao final do próximo ano, antecipando que o BCE aumente o juro dos depósitos para 3,25%, um nível que poderá restringir o crescimento económico na região.

É oficial. Christine Lagarde abandona presidência do Banco Central Europeu a 7 de fevereiro

29 October 2026 at 10:13

Agora é oficial. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, vai abandonar o cargo no próximo dia 7 de fevereiro. O Conselho do BCE e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, já foram informados da saída da líder da instituição, que acontece antes do banco central anunciar a sua decisão sobre as taxas de juro na região e que surge após meses de especulação que apontavam a francesa para o Fórum Económico Mundial (WEF, na sigla em inglês). Processo de nomeação de um sucessor arranca já esta quinta-feira: “decorrerá sem demora”.

“A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, informou hoje o Conselho do BCE e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, de que deixará o cargo a 7 de fevereiro de 2027“, diz um comunicado publicado no site do BCE.

A ainda presidente do BCE publicou entretanto um vídeo na rede social X, onde deixa uma mensagem de despedida e agradecimento, afirmando que “tem sido um motivo de grande orgulho servir” a instituição. “Deixo esta instituição com a sensação de ter realizado um bom trabalho e de deixar um BCE preparado para o futuro“, realça Lagarde na sua mensagem final no vídeo que acompanha a publicação.

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O presidente do Conselho Europeu já reagiu à saída de Lagarde, numa declaração na qual agradece a dedicação da presidente do BCE desde que assumiu o cargo, em novembro de 2019. “Fui informado por Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, da sua intenção de deixar o cargo a 7 de fevereiro de 2027. Registo, com respeito, a sua decisão”, diz António Costa, citado num comunicado no site do Conselho Europeu.

Gostaria de agradecer a Christine Lagarde pela dedicação demonstrada enquanto presidente do BCE. Ao longo do seu mandato, liderou a instituição com um forte sentido de dever e responsabilidade (…) Perante uma pandemia mundial, uma guerra na Europa, crises energéticas e choques inflacionistas, assegurou uma liderança firme e determinada, contribuindo para salvaguardar a estabilidade e a resiliência da área do euro.

António Costa

Presidente do Conselho Europeu

“Gostaria de agradecer a Christine Lagarde pela dedicação demonstrada enquanto presidente do Banco Central Europeu (BCE), cargo que ocupa desde novembro de 2019. Ao longo do seu mandato, liderou a instituição com um forte sentido de dever e responsabilidade“, refere o presidente do Conselho Europeu, destacando que “a Europa beneficiou da sua liderança em tempos de incerteza e do seu compromisso inabalável com o projeto europeu”.

O antigo primeiro-ministro lembrou ainda que “perante uma pandemia mundial, uma guerra na Europa, crises energéticas e choques inflacionistas, assegurou uma liderança firme e determinada, contribuindo para salvaguardar a estabilidade e a resiliência da área do euro”.

António Costa acrescenta que, “para garantir uma transição tranquila para a próxima liderança do BCE, o processo de nomeação do sucessor será iniciado hoje e decorrerá sem demora, com vista a uma decisão atempada do Conselho Europeu, reunido na sua composição relativa à área do euro”.

A saída de Lagarde era avançada há vários meses. Com eleições em França marcadas para abril, os governos da Zona Euro querem alcançar um acordo para a sucessão no BCE antes do evento eleitoral, com a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, a surgir como favorita para suceder ao Presidente Emmanuel Macron.

Já há cerca de duas semanas foi avançado que o Fórum Económico Mundial poderia indicar já no dia 2 de novembro Lagarde para a instituição, o que poderá ter levado a presidente do BCE a comunicar esta quinta-feira a sua saída do banco central.

A iminente remodelação surge num período de grande volatilidade nos mercados globais de obrigações, com França a enfrentar uma crise que ameaça alastrar-se, isto numa altura em que a guerra no Médio Oriente está a entrar no nono mês e continua a agravar os custos da dívida pública europeia e a intensificar as preocupações com as pressões orçamentais em toda a União Europeia.

Os dois principais candidatos a suceder a Lagarde são Pablo Hernández de Cos, que lidera o Banco de Pagamentos Internacionais, e o antigo presidente do banco central neerlandês Klaas Knot. Já o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, poderá surgir como o candidato alemão.

Christine Lagarde estará esta quinta-feira a falar aos jornalistas na habitual conferência de imprensa após o comunicado, no qual deverá manter as taxas de juro inalteradas.

(Notícia atualizada às 10h58)

Confiança dos consumidores e das empresas volta a recuar em outubro

29 October 2026 at 10:05

A confiança dos consumidores voltou a baixar em outubro, tal como já tinha acontecido em setembro, mês em que interrompeu uma trajetória de três subidas mensais, com as famílias a mostrarem-se mais pessimistas em relação à sua situação financeira e à economia. Já do lado das empresas, o indicador de clima económico também diminuiu este mês, com a confiança dos serviços a baixar “de forma acentuada, prolongando a trajetória descendente iniciada em julho”, adianta o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo o INE, a evolução negativa resulta de contributos negativos de todas as componentes: opiniões sobre a evolução passada da situação financeira do agregado familiar e perspetivas sobre a evolução futura da situação económica do país, da realização de compras importantes por parte das famílias, e da situação financeira do agregado familiar.

O instituto acrescenta ainda que os consumidores estão mais pessimistas em relação à evolução passada dos preços, após ter diminuído nos cinco meses anteriores, enquanto o saldo das expectativas sobre a evolução futura dos preços diminuiu em outubro, após os aumentos observados nos dois meses precedentes.

Quanto ao indicador de clima económico, este diminuiu em setembro e outubro, após ter aumentado no mês anterior. Em outubro, o indicador de confiança dos Serviços diminuiu, tendo aumentado os indicadores da Indústria Transformadora, do Comércio e da Construção e Obras Públicas.

“O indicador de confiança dos Serviços diminuiu de forma acentuada, prolongando a trajetória descendente iniciada em julho”, explica o INE, acrescentando que “as três componentes contribuíram negativamente para esta evolução: as perspetivas relativas à evolução da procura, e de forma significativa, as apreciações sobre a atividade da empresa e as opiniões sobre a carteira de encomendas”.

Já a confiança na construção e obras públicas aumentou em outubro, após ter diminuído no mês anterior, devido a melhores perspetivas de emprego e apreciações sobre a carteira de encomendas.

No comércio, o indicador beneficiou de um contributo positivo das apreciações sobre o volume de stocks, enquanto na indústria transformadora o indicador aumentou nos últimos dois meses, após ter diminuído em agosto.

“A evolução do indicador refletiu os contributos positivos de todas as componentes: opiniões sobre a evolução da procura global, apreciações relativas aos stocks de produtos acabados e perspetivas de produção”, refere o instituto.

Quanto às expectativas dos empresários sobre a evolução futura dos preços de venda, estas diminuíram nos setores dos Serviços, do Comércio, e de forma expressiva, da Indústria Transformadora, tendo aumentado na Construção, entre agosto e outubro.

Em termos de perspetivas de investimento para 2027, a maioria das empresas na indústria transformadora (61,9%) e nos serviços (73,3%) prevê uma estabilização face a 2026. Por outro lado, 25,7% das empresas na indústria transformadora e 18,7% das empresas nos serviços antecipam um aumento do investimento em 2027, enquanto 12,4% e 8% preveem uma diminuição do investimento nos respetivos setores.

(Notícia com título corrigido)

Volkswagen reporta maior prejuízo em mais de uma década: 5,9 mil milhões no terceiro trimestre

29 October 2026 at 09:12

A gigante alemã Volkswagen fechou o terceiro trimestre do ano com o pior prejuízo em mais de uma década, num momento em que a segunda maior construtora automóvel do mundo enfrenta a crescente concorrência chinesa e aumentos de custos, o que deverá pressionar a administração a intensificar o programa de reestruturação da empresa.

A empresa reportou um prejuízo de 5,8 mil milhões de euros no terceiro trimestre, um valor mais de cinco vezes superior ao de um ano antes. Já as venda baixaram 6% para 75,3 mil milhões de euros

A pressionar a companhia estiveram fatores excecionais, de 7,8 mil milhões de euros, relacionados com a desvalorização dos ativos ligados à Porsche. A subsidiária de automóveis de luxo, que enfrenta sérias dificuldades, sofreu uma desvalorização que ascende a 6,4 mil milhões de euros.

A dona da Autoeuropa tem sentido o impacto da forte concorrência na China, assim como o efeito das tarifas norte-americanas e os elevados custos associados à expansão da produção de veículos elétricos na Europa, onde os concorrentes chineses também estão a ganhar terreno.

Perante as dificuldades que a empresa tem enfrentado, o presidente executivo, Oliver Blume, tem em curso um plano para eliminar 100 mil postos de trabalho em todo o grupo, que inclui as marcas Audi e Porsche. Ao abrigo deste plano, até quatro fábricas na Alemanha poderão encerrar, uma medida que tem enfrentado forte oposição dos sindicatos e poderá levar à convocação de greves a partir do início do próximo ano.

Gigantes petrolíferas europeias disparam lucros com margens de refinação recorde

29 October 2026 at 08:13

As petrolíferas Shell, Repsol e Total reportaram um forte conjunto de resultados, com as gigantes petrolíferas a apresentarem lucros próximos de recordes, à boleia do forte crescimento registado pelas margens de refinação devido ao impacto da guerra no Irão nos preços e no fornecimento de petróleo.

A Shell registou um resultado líquido de 10,81 mil milhões de dólares no terceiro trimestre, com a empresa a superar as estimativas do mercado. Trata-se do maior lucro desde o arranque de 2022, num período em que o negócio beneficiou com as fortes margens na refinação e com os preços mais elevados do gás natural.

A petrolífera britânica registou uma margem de refinação recorde de 42 dólares por barril, face a 11,6 dólares por barril há um ano e 24 dólares no trimestre anterior. Com a rentabilidade a disparar, a empresa anunciou ainda que vai reforçar o seu programa de recompra de ações de três para cinco mil milhões de dólares e manteve o dividendo.

Já a espanhola Repsol fechou os primeiros nove meses do ano com lucros acima de cinco mil milhões de euros, um número que supera em mais de quatro vezes os 1,18 mil milhões reportados no período homólogo. A margem de refinação atingiu os 20,6 dólares por barril até setembro, face aos 6,7 dólares registados no mesmo período de 2025, o que representa um aumento de 207,5%.

“As guerras no Irão e na Ucrânia provocaram perturbações logísticas e danos nas infraestruturas, que, por sua vez, originaram uma escassez de produtos à escala internacional, em especial de gasóleo e querosene, com um impacto direto nos mercados energéticos mundiais”, justifica a empresa na apresentação de resultados.

Também a petrolífera francesa TotalEnergies registou um aumento de 127% no resultado líquido ajustado do terceiro trimestre, superando as expectativas dos analistas. O resultado líquido ajustado ascendeu a 9,1 mil milhões de dólares entre julho e setembro, mais do dobro dos 4 mil milhões registados no período homólogo e acima dos 8,3 mil milhões de dólares esperados, em média, pelos 12 analistas questionados pela LSEG.

“O aumento de quase 10% do volume de refinação permitiu à empresa aproveitar plenamente as margens de refinação historicamente elevadas na Europa e a nível mundial, enquanto a atividade de comercialização de petróleo registou um desempenho superior, comparável ao dos dois trimestres anteriores», afirmou o presidente executivo, Patrick Pouyanné, citado em comunicado.

A guerra no Médio Oriente, que já dura há nove meses, tem determinado uma escalada dos preços do petróleo, que seguem a negociar atualmente acima dos 114 dólares por barril em Londres, devido aos elevados constrangimentos no fornecimento de petróleo através do Estreito de Ormuz, um dos principais canais mundiais por onde passa a matéria-prima.

Impulsionada igualmente pela subida dos preços do petróleo e da margem de refinação, também a portuguesa Galp bateu um recorde de lucros entre julho e setembro, com um disparo de 68% para 682 milhões de euros, como reportado na segunda-feira pela

Viagens dos portugueses baixam pela primeira vez em dois anos

28 October 2026 at 11:44

Os portugueses viajaram menos no segundo trimestre deste ano, o que já não acontecia há dois anos, segundo os dados divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). A determinar este travão no crescimento do turismo de residentes esteve a quebra das viagens dentro do território nacional.

Os residentes em Portugal realizaram 5,9 milhões de viagens turísticas no segundo trimestre do ano, o que representa uma descida homóloga de 1,5% e que compara com o aumento de 7% que tinha registado nos primeiros três meses do ano. Trata-se da primeira descida desde o terceiro trimestre de 2024.

A justificar a quebra no trimestre esteve a descida das viagens em território nacional, que baixaram 3,8% (+3,4% no trimestre anterior) e totalizaram 4,8 milhões (81,8% do total).

Já as viagens ao estrangeiro aumentaram 10%, depois de terem disparado 30% no arranque do ano, atingindo 1,1 milhões deslocações (18,2% do total) e atenuando a redução global das deslocações.

“As principais motivações para viajar foram o “lazer, recreio ou férias”, responsável por 2,9 milhões de viagens (49,9% do total, +0,1 p.p. face ao 2ºT 2025), e a “visita a familiares ou amigos”, que motivou cerca de 2,1 milhões de viagens dos residentes (36,2%, -0,3 p.p. face ao 2ºT 2025)”, explica o instituto.

Nas viagens ao estrangeiro, 68,2% do total das viagens foram em lazer, 41,4% foram justificadas por visitas a família ou amigos, enquanto o trabalho esteve na origem de 15,5% das deslocações.

Cerca de 45,2% das viagens incluíram marcação prévia de serviços, no segundo trimestre, uma prática que foi bastante mais frequente nas deslocações ao estrangeiro (94,7%; +2,3 p.p.) do que nas viagens em território nacional (34,1%; sem variação face ao período homólogo). A internet foi utilizada na organização de 32,3% das deslocações (+2,2 p.p.), sendo mais frequente nas deslocações ao estrangeiro (69,9% do total; +4,2 p.p.) do que nas realizadas em território nacional (23,9% do total; +0,7 p.p.).

O “alojamento particular gratuito” manteve-se como a principal opção de alojamento, concentrando 53% das dormidas (10,1 milhões). Seguiram-se os “hotéis e similares” com 6,4 milhões de dormidas (34% do total).

(Notícia atualizada)

UBS aumenta lucros para 2,7 mil milhões de dólares e acelera “buyback”

28 October 2026 at 09:51

O banco suíço UBS fechou o terceiro trimestre do ano com um resultado líquido de 2,69 mil milhões de dólares, o que representa um aumento de 8% face aos lucros no período homólogo. O banco adiantou ainda que vai acelerar o programa de recompra de ações.

Os lucros saíram em linha com as estimativas dos analistas, sendo que foi a primeira vez em mais de dois anos que a instituição não superou as previsões, segundo adiantaram os analistas do Bank Vontobel, citados pela Reuters.

O banco indicou que já investiu 1,8 mil milhões de dólares na recompra de ações no trimestre e que pretende completar o buyback de três mil milhões até fevereiro, quando inicialmente tinha previsto realizar as compras até meados de 2027.

O banco condicionou o montante e o ritmo dos programas de recompra de ações ao resultado da revisão das regras bancárias suíças, na sequência do colapso do Credit Suisse, em 2023, e da sua aquisição de emergência pelo UBS.

“No geral, um conjunto sólido de resultados, embora as atenções continuem centradas nas possíveis implicações para a atividade decorrentes das novas regras suíças em matéria de capital”, afirmou o Citi.

Em termos de perspetivas, o UBS destaca que o sentimento dos investidores continua moderado, devido à volatilidade macroeconómica, às tensões geopolíticas e à incerteza política.

Lucro do Santander em Portugal recua 9% com reformas antecipadas e mudança nas agências

28 October 2026 at 09:24

O Santander Portugal fechou os primeiros nove meses do ano com um resultado líquido consolidado 663,8 milhões de euros, uma queda de 8,8% em relação aos 728,2 milhões reportados no período homólogo de 2025.

Segundo adianta o banco em comunicado enviado à CMVM, o resultado foi pressionado por 29,9 milhões de euros de encargos com a transformação da rede de agências e reformas antecipadas. Além deste custo “extra”, o banco detalha que, nos primeiros nove meses de 2025, contabilizou um “ganho” de 27,6 milhões gerado pelo reembolso adicional de solidariedade.

Sem estes dois efeitos, o resultado, que conta com seis meses de Isabel Guerreiro na liderança da instituição, baixou apenas 1% face aos nove meses concluídos em setembro de 2025, para 693,7 milhões de euros.

Isabel Guerreiro assumiu as funções de liderança do Santander Portugal no dia 1 de março, onde já era vice-presidente, na sequência da saída de Pedro Castro e Almeida para o cargo de administrador do risco do grupo espanhol, tornando-se na primeira mulher à frente de um grande banco em Portugal.

“O banco continua a crescer a base de clientes, ativos e digitais, captando a transacionalidade, e materializando a estratégia do Santander de ser cada vez mais o banco principal dos seus clientes”, realça o comunicado de resultados do banco.

O Santander Totta angariou 23 mil novos clientes em 2026, elevando os clientes ativos para 1,97 milhões no final de setembro, enquanto os clientes digitais cresceram 54 mil, no mesmo período, para 1,38 milhões.

A entidade explica ainda que continua a transformação da sua rede comercial, “orientada para ser um banco digital com agências, com a expansão da rede de WorkCafés para 10 espaços”.

No final de setembro, o banco contava com 258 balcões, menos 20 que no final de 2025. Quanto ao número de trabalhadores, o número de colaboradores situava-se nos 4.509, menos 157 que em dezembro. Na apresentação dos resultados semestrais, Isabel Guerreiro considerou tratar-se de um “processo naturalíssimo” a saída de trabalhadores, que está relacionado com reformas quando chegam à idade limite e também de pré-reformas.

Em termos de atividade, a margem financeira — que resulta da diferença entre os juros cobrados nos empréstimos e os juros pagos nos depósitos — fixou-se em 1.015,7, menos 1,3% que no período homólogo. Já as comissões subiram 4,8% para 382,9 milhões de euros.

No final de setembro de 2026, a carteira de crédito a clientes (bruto) ascendeu a 56,5 mil milhões de euros, mais 8,3%, enquanto os recursos de clientes ascenderam a 51,6 mil milhões de euros (+6,3%), com crescimento diversificado entre depósitos (+6,3%) e recursos fora de balanço (+5,9%).

O rácio de capital CET1 (phase-in) situou-se em 15,3% (+1,3 p.p. face ao período homólogo).

Os resultados em Portugal são conhecidos um dia depois de o Banco Santander ter divulgado que registou um lucro de 12.405 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, mais 20% do que no período homólogo anterior.

(Notícia atualizada)

Eleições em Israel ainda sem um vencedor claro

28 October 2026 at 08:21

Ainda não há um vencedor das eleições em Israel. Com cerca de 85% dos votos contados, o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do Likud, e o antigo general das Forças de Defesa de Israel, Gadi Eisenkot, do partido Yashar!, estão praticamente empatados, com o atual primeiro-ministro a surgir ligeiramente à frente. Apesar de estar tudo em aberto, ambos fizeram declarações, durante a madrugada, em que assumiam a liderança das eleições.

Estão contados cerca de 84% dos votos das eleições desta segunda-feira para eleger o novo primeiro-ministro do país, naquele que é o primeiro ato eleitoral desde os ataques do 7 de outubro de 2023 que mataram mais de 1.000 israelitas.

Os resultados parciais — os definitivos poderão só ser conhecidos quinta-feira — atribuíam 49 lugares ao bloco da oposição liderado por Gadi Eisenkot, antigo chefe militar israelita, contra 54 para a coligação de Netanyahu. Os partidos liderados por palestinianos deverão conquistar os restantes 17 lugares, mas várias localidades importantes ainda não tinham comunicado os resultados da contagem.

Tendo em conta os resultados, nenhum dos dois partidos consegue atingir os 61 assentos parlamentares para governar com maioria absoluta. Netanyahu apelou à formação de um Governo de direita, enquanto Eisenkot afirmou que os eleitores tinham rejeitado o histórico líder israelita, embora a contagem preliminar não apontasse para um vencedor claro.

“O Likud é o maior partido de Israel“, disse Netanyahu , sob aplausos dos seus apoiantes, após as projeções dos canais de televisão israelitas apontarem para um cenário e empate técnico. “A maioria judaica e sionista tem de se recompor e unir-se”, afirmou, opondo-se a qualquer “governo com o apoio dos árabes israelitas”.

Por seu lado, Eisenkot afirmou que os eleitores tinham votado contra a permanência de Netanyahu como primeiro-ministro e instou-o a abandonar a política, alertando simultaneamente contra a instrumentalização da segurança de Israel para fins políticos.

“Netanyahu é um primeiro-ministro em funções, sem mandato nem a confiança do povo”, afirmou Eisenkot, apelando às estruturas de segurança para que “se mantenham firmes” contra qualquer tentativa de colocar interesses políticos acima da segurança de Israel.

Entretanto, o presidente norte-americano, Donald Trump, que apoiou o atual primeiro-ministro, disse na sua rede social Truth Social que “quando o Presidente Trump declarou o seu apoio a Bibi Netanyahu, toda a tendência se inverteu e, agora, em vez de uma derrota decisiva para um Grande Primeiro-Ministro, parece que estamos perante um empate renhido, depois de uma recuperação significativa, ou até uma VITÓRIA de Netanyahu”. “Tudo aconteceu DEPOIS do apoio do Presidente Trump, que só quer o melhor para o Médio Oriente, Israel e os Estados Unidos da América”, acrescentou.

A participação final nas eleições legislativas israelitas de segunda-feira atingiu os 77,7%, quase oito pontos acima da registada nas anteriores (2022) e a taxa mais elevada desde 2001, informou a Comissão Eleitoral Central. Nas primeiras eleições legislativas israelitas desde os ataques do movimento islamita Hamas contra o país em 2023, um total de 5.695.682 israelitas deslocaram-se às mesas de voto, encerradas às 22:00 (hora local; 20:00 em Portugal continental), adiantou a mesma fonte.

“Carência de oferta” e dinamismo imobiliário reforçam peso da construção na economia portuguesa

28 October 2026 at 08:00

A “forte carência de oferta” no setor da habitação em Portugal e o dinamismo imobiliário contribuíram para o forte crescimento do peso da construção na economia, conclui um estudo divulgado pela Iberinform esta quarta-feira. A análise revela ainda que o turismo ganhou peso nas vendas ao exterior, colocando Portugal na 18.ª posição mundial nas exportação de serviços de viagens.

As empresas portuguesas fecharam o último ano com a situação financeira mais sólida dos últimos sete anos. “As empresas não financeiras em Portugal, com volume de negócios em 2025, confirmaram a sua tendência de maior criação e acumulação de valor, e de maior geração e acumulação de caixa, com perceção de risco empresa inferior, com crescente autonomia financeira“, conclui o relatório da Iberinform “Panorama Empresarial Português 2026”, que analisou a evolução económica e financeira de 366.900 empresas não financeiras em Portugal, em 2025.

Segundo a Iberinform, “a procura interna aumentou o seu peso em 2024 e 2025, por via do consumo de bens não duradouros e serviços (37,8% da procura total, com 8,5% respeitantes aos produtos alimentares), bens duradouros (para 3,8%) e do fortalecimento do investimento em construção (de 7,7% para 8,1%, com forte carência de oferta de habitação, face ao forte aumento da procura)”.

Em termos de contributo para o valor acrescentado bruto (VAB) de Portugal, o relatório destaca a continuidade do forte crescimento da construção, cujo peso subiu para 5,5% do total, “favorecida pela dinâmica imobiliária (peso de 11,2%) e turística (6,2%)“.

Já as atividades financeiras e de seguros passaram de 4,8% em 2019, para 7% em 2023 e 6,3% em 2024, “favorecidas pelo aumento das taxas de juro, das comissões e dos níveis de serviço aos clientes mais limitados”.

As atividades agrícolas, da floresta, da pesca, industriais, da energia, água e ambiente, mantiveram o seu nível de 18,4% (18,5% em 2024), enquanto os transportes recuperaram o nível de 2019 (5,1%), a informação e comunicação aumentou para 5% (2024 e 2025) e o comércio aumentou ligeiramente, em 2025 (11,9%), depois de contínua diminuição (13,3% em 2019).

“Imenso potencial” no turismo

No que diz respeito à internacionalização e exportações, o inquérito realça que “as quotas de Portugal nas Exportações mundiais de Serviços de Viagens (Turismo), foram reforçadas para a 18.ª posição, passaram de 1,2% em 2016, para 1,8% em 2024, tendo realizado o 5.º maior aumento (49%), o que revela a forte competitividade e atração turística de Portugal, com um imenso potencial, que estava por realizar”.

Apesar da evolução positiva do turismo, a Iberinform conclui que a procura externa (exportações) diminuiu o seu peso para 30,6%, uma percentagem que compara com 31,8% em 2024, 32,6% em 2022, ao nível dos 30,5% em 2019. Em sentido oposto a procura interna subiu 7% para 69,4%.

As exportações de serviços (com saliência para o turismo) mantiveram o seu nível em 11,8% (valor médio nos últimos três anos, 10,1% em 2019). As exportações de bens baixaram para 18,8% (19,9% em 2024), com o saldo externo de bens e serviços a diminuir de 1,3% para 0,6% da oferta/procura, face a 0,4% em 2019.

A taxa de exportação das empresas baixou para 18,4% do volume de negócios em 2025, em comparação com 20% em 2024, enquanto a taxa de importação diminuiu para 23,3%, de 24,4% dos fornecimentos. O contributo direto para o saldo da Balança Comercial foi de 5.375 milhões de euros (1,2% dos negócios com clientes).

As empresas em 2025, manifestaram um Risco Estratégico, Risco Económico, Risco Financeiro e Risco de Tesouraria menores do que os percecionados em 2024, com uma resultante favorável na relação na valor e rendibilidade versus risco, com um nível de resiliência significativo, com ameaças e oportunidades no aumento dos riscos macroeconómicos, de aumento dos preços, estrangulamentos nas cadeias de fornecimentos, aumento das taxas de juro, a poderem ser superados ao longo do corrente ano.

Relatório da Iberinform

O relatório realça ainda que, a par do reforço das exportações, “a internacionalização com participações no exterior (Europa, América, África e Ásia), tem sido uma resposta estratégica fundamental às limitações da procura interna, da disponibilidade de matérias, ou de condições de relação com os mercados, seja por condições de produção, custo, proximidade ou outros fatores estratégicos determinantes”.

No que diz respeito à evolução das vendas, o volume de negócios em 2025 aumentou 7,4% em relação a 2024, acompanhado do aumento da taxa de margem bruta negocial para 50,7%, do grau de valorização para 27,6%, do valor dos empregados médio (para quase 26 mil euros, +4,9%), com manutenção dos níveis de emprego em I&D e de formação, e do investimento em meios estratégicos.

“As empresas em 2025, manifestaram um Risco Estratégico, Risco Económico, Risco Financeiro e Risco de Tesouraria menores do que os percecionados em 2024, com uma resultante favorável na relação valor e rendibilidade versus risco, com um nível de resiliência significativo, com ameaças e oportunidades no aumento dos riscos macroeconómicos, de aumento dos preços, estrangulamentos nas cadeias de fornecimentos, aumento das taxas de juro, a poderem ser superados ao longo do corrente ano”, conclui o relatório.

Mota-Engil escolhida para dois troços ferroviários de 830 quilómetros no Lobito

27 October 2026 at 12:36

A Africa Finance Corporation (AFC), principal promotora do Corredor do Lobito, selecionou dois consórcios integrados pela Mota-Engil para a construção da nova linha ferroviária, com 830 quilómetros de extensão. A construtora portuguesa ganha assim mais dois contratos neste importante corredor, que envolvem a construção dos troços zambiano e angolano.

O consórcio constituído pela Webuild S.p.A., Mota-Engil e IC İçtaş Construction foi selecionado como concorrente preferencial para o troço zambiano, enquanto o consórcio formado pela Mota-Engil e pela Odebrecht Engenharia e Construção foi escolhido para o troço angolano do projeto, informa a AFC no seu site.

“As negociações contratuais terão início em novembro de 2026, com o objetivo de concluir os acordos EPC no prazo de oito a 12 semanas, dependendo de negociações técnicas, comerciais e jurídicas satisfatórias”, detalha a promotora.

Segundo a AFC, o projeto ferroviário Zambia Lobito Railway deverá permitir gerar milhares de milhões de dólares em valor económico, criando novas oportunidades de comércio e industrialização ao longo do corredor que liga a Zâmbia à costa atlântica de Angola.

“A infraestrutura facilitará a transformação e valorização dos minerais estratégicos da região, incluindo cobre e cobalto, bem como dos produtos agrícolas. Ao reduzir os custos logísticos e melhorar o acesso aos mercados mundiais, a linha ferroviária reforçará a integração regional e permitirá às economias africanas transformar os seus recursos localmente”, descreve.

O projeto está a ser desenvolvido pela AFC através da Trans African Rail Company FZCO (TARC), a sociedade holding do projeto, e das sociedades responsáveis pela sua execução: a Zambia Lobito Railway Limited e a Zambia Lobito Railway S.A.

Foi há três anos que foi assinado um memorando de entendimento, que envolveu os governos de Angola e da Zâmbia, a União Europeia, o Governo dos Estados Unidos, o Governo italiano e o Banco Africano de Desenvolvimento, para a realização deste corredor ferroviário estratégico que ligará a Zâmbia à costa atlântica de Angola, através do Porto do Lobito.

O projeto deverá transformar as ligações regionais, reduzir os custos logísticos, facilitar as exportações de minerais e produtos agrícolas e abrir novas oportunidades de industrialização e comércio regional.

Avaliação bancária das casas continua a abrandar. Metro quadrado atinge 2.278 euros

27 October 2026 at 11:14

À semelhança do que tem acontecido nos últimos meses, o valor da avaliação das casas realizada pelos bancos para efeitos de concessão de crédito à habitação voltou a abrandar em setembro. O preço mediano atingiu os 2.278 euros por metro quadrado, o que representa um aumento homólogo de 14,2%, inferior aos 14,7% registados em agosto.

Apesar do abrandamento do crescimento, o valor da avaliação bancária continua a aumentar mês após mês, com o preço por metro quadrado a subir 24 euros em setembro, face ao mês anterior, mostram os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

O instituto refere ainda que o número de avaliações bancárias considerado foi cerca de 32,6 mil, o que representa uma descida de 0,2% face ao mês anterior e de 1,2% face ao período homólogo.

Por tipologia, a avaliação bancária dos apartamentos atingiu 2.662 euros por metro quadrado, o que representa um crescimento homólogo de 15,4%. Os valores mais elevados foram observados na Grande Lisboa (3.525 euros/m2) e no Algarve (3.010 euros/m2), com o Alentejo e o Centro a apresentarem os valores mais baixos (1.739 euros/m2 e 1.748 euros/m2, respetivamente).

O valor mediano dos apartamentos T1 e T2 subiu 32 e 20 euros, para 3.401 euros/m2 e 2.758 euros/m2, respetivamente, tendo a tipologia T3 apresentado um travão, ao baixar sete euros, para 2.266 euros/m2. No seu conjunto, estas tipologias representaram 93,3% das avaliações de apartamentos realizadas no período analisado.

Já o valor mediano da avaliação bancária das moradias foi de 1.621 euros/m2 em setembro, o que representa um acréscimo de 11,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Tal como nos apartamentos, os valores mais elevados observaram-se na Grande Lisboa (2.942 euros/m2) e no Algarve (2.835 euros/m2), registando o Centro e o Alentejo os valores mais baixos (1.172 euros/m2 e 1.284 euros/m2, respetivamente).

O valor mediano das moradias T2 subiu nove euros, para 1.634 euros/m2, o das T3 subiu cinco euros (para 1.581 euros/m2) e o das T4 subiu 12 euros, para 1.647 euros/m2. No seu conjunto, estas tipologias representaram 87,6% das avaliações de moradias realizadas no período em análise.

Por regiões, a Península de Setúbal (18,4%) registou o maior crescimento, não se tendo observado qualquer redução.

(Notícia atualizada às 11h29)

Lucro do Abanca Portugal sobe 19,5% para 99 milhões até setembro

27 October 2026 at 09:38

O Abanca Portugal fechou os primeiros nove meses do ano com um resultado antes de impostos de 99 milhões de euros, o que representa um crescimento de 19,5% face ao período homólogo, adiantou a empresa em comunicado divulgado esta terça-feira.

O banco espanhol destaca que “a evolução dos resultados foi acompanhada pela melhoria da eficiência, com os custos operacionais a diminuírem 8,3% em termos homólogos”, num período em que a instituição captou 19 mil novos clientes no país.

O volume de negócio atingiu 21.260 milhões de euros no final de setembro, mais 4,0% face a 30 de setembro de 2025. Já o crédito líquido a clientes aumentou 4,3%, para 9.022 milhões de euros, enquanto os recursos fora de balanço mantiveram um forte dinamismo, com um crescimento de 24,2%, para 3.211 milhões de euros.

A instituição destaca ainda a evolução dos fundos de investimento, que atingiram 2.422 milhões de euros.

No que diz respeito aos indicadores de qualidade do crédito, o rácio de crédito em incumprimento reduziu-se para 2,1%, menos 29 pontos base face a setembro de 2025, enquanto o rácio de cobertura de crédito em incumprimento se situou nos 86,6%.

Imposto corta lucros do grupo até setembro

O banco espanhol fechou os primeiros nove meses do ano com um resultado líquido de 579,1 milhões de euros, menos 13,6% do que no mesmo período do ano anterior, devido ao aumento da taxa efetiva de imposto provocado pela menor utilização de créditos fiscais. Sem contabilizar o efeito dos impostos, o lucro teria aumentado 2,4% em termos homólogos, para 764,5 milhões de euros.

A entidade liderada por Juan Carlos Escotet destaca ainda que a rentabilidade ROTE situou-se nos 12,2% e a rentabilidade sobre CET1 nos 14,8%, com uma elevada margem face ao custo do capital.

Desde o início do ano, o banco galego captou mais de 116.000 novos clientes em Espanha e Portugal, a maioria (sete em cada dez) fora do seu mercado de origem. A entrada de novos clientes e a evolução do negócio permitiu à entidade aumentar o volume de negócios em 6,4% para 142.859 milhões de euros.

O banco financiou cerca de 14 mil milhões de euros para famílias e empresas, com crescimentos das novas operações de 8,3% e 5,6%, respetivamente. Os recursos de clientes aumentaram 5,5% no período, com crescimento tanto nos depósitos como nos recursos fora de balanço. A domiciliação de salários cresceu 11,3%.

“A solidez dos seus fundamentos permite ao Banco enfrentar o atual contexto de incerteza a partir de uma base robusta. A combinação de uma ampla solvência (1.900 milhões de euros de reserva de capital), elevada qualidade dos ativos (taxa de incumprimento de 1,8% e cobertura de 88%) e uma confortável posição de liquidez coloca o ABANCA entre as entidades mais sólidas do setor”, adianta o banco em comunicado.

Durante o terceiro trimestre, o banco revela que continuou a avançar na sua transformação tecnológica através de uma adoção intensiva da IA, com uma estratégia digital orientada para o cliente, a cibersegurança e a excelência operacional. “Os 250 casos de utilização de IA implementados para a transformação dos processos permitem uma maior personalização da oferta e uma importante poupança de tempo, que se traduz numa melhor atenção ao cliente”, conclui.

(Notícia atualizada às 10:00)

Lucros da Porsche aceleram com 911 e reestruturação a mostrar resultados

27 October 2026 at 09:21

A Porsche, a fabricante de carros desportivos detida pela gigante alemã Volkswagen, fechou os primeiros nove meses do ano com uma recuperação dos resultados. Uma evolução positiva que reflete os primeiros sinais do plano de corte de custos implementado pelo CEO Michael Leiters para recuperar a empresa.

Os lucros operacionais da empresa atingiram os 1,74 mil milhões de euros até ao final de setembro, um resultado que compara com os 40 milhões reportados no período homólogo, quando a empresa enfrentou um aumento dos custos, em grande medida devido à suspensão da sua estratégia de eletrificação, indicou a empresa.

Estes resultados positivos surgem num momento em que a empresa tem em curso um plano de reestruturação liderado pelo novo CEO, que foi nomeado após a estratégia de eletrificação da fabricante de carros desportivos ter falhado, o que resultou em custos de reestruturação de 2,7 mil milhões de euros.

Segundo a apresentação realizada a investidores, a estratégia de Leiters passa por oferecer mais opções de personalização e modelos exclusivos com margens mais elevadas, o que deverá reduzir a dimensão do grupo, mas aumentar os lucros.

“Estamos a implementar a nossa reorientação estratégica de forma consistente e a um ritmo acelerado. O nosso foco está na atividade principal, numa estrutura de custos competitiva e num aumento sustentável da rentabilidade”, afirmou Leiters. “Com as medidas já implementadas, estamos a criar as condições para posicionar a Porsche, a longo prazo, como uma empresa mais forte, mais focada e mais rentável”, afiançou o líder da empresa.

A sustentar os resultados esteve o aumento de 12% nas vendas do 911, o modelo emblemático da Porsche e um dos que apresenta margens mais elevadas. Foi mesmo o único modelo do portefólio da marca cujas vendas cresceram nos primeiros nove meses do ano.

A rendibilidade operacional das vendas da Porsche recuperou para 6,9% nos primeiros nove meses deste ano, depois de ter caído para um mínimo histórico de 1,1% em 2025. A empresa tem como objetivo uma margem de 5,5% a 7,5% no acumulado do ano.

Acórdão do Constitucional ameaça travar IMI das barragens e eólicas de 135 câmaras do interior

27 October 2026 at 09:09

Um acórdão do Tribunal Constitucional num caso que opõe a Finerge, a gestora do Parque Eólico de Portal da Freita (Amarante) à autarquia considerou que o método de avaliação do valor patrimonial das eólicas ou das barragens viola o texto fundamental. A decisão sumária, que ainda não foi submetida a votação no plenário do TC, poderá ter impacto nos 135 concelhos onde há produção renovável e colocar em causa as 266 ações judiciais a decorrerem, nas quais as câmaras reclamam às empresas que exploram barragens ou torres eólicas o pagamento do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), avança o Público. Só no Norte está em causa o pagamento de 33,8 milhões de euros de impostos entre 2008 e 2025.

Caso seja aprovado o acórdão relatado pelo conselheiro Afonso Patrão, com data de 24 de Setembro, pode vir a constituir jurisprudência e arrasar a estratégia das câmaras nas disputas judiciais, na qual exigem o pagamento de IMI às barragens e parques nos seus municípios. Para as autarquias, a cobrança de IMI é um “princípio básico de justiça territorial”, diz Ana Rita Dias, presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar e da Secção de Municípios com Energias Renováveis da Associação Nacional de Municípios Portugueses. Uma interpretação que tem sido contestada pelas empresas da energia, onde se incluem a Iberdrola, a EDP, a Movhera ou a Finerge, que reúne o fundo Igneo Infrastructure Partners e o BNP Paribas Asset Management Alts.

O jornal avança ainda que as câmaras reuniram-se a 19 de Outubro e acordaram uma campanha de sensibilização sobre o que está em causa. Vão solicitar reuniões com os grupos parlamentares, com o Governo e com a Presidência da República. Ao mesmo tempo, preparam uma estratégia de combate ao acórdão, que consideram estar ferido de vários vícios.

Banco do BCP na Polónia aumenta lucros em 30% até setembro

27 October 2026 at 07:27

O Bank Millennium, detido em 50,1% pelo BCP, fechou os primeiros nove meses do ano com lucros de 1.109 milhões de zlótis (259,7 milhões de euros), o que representa um aumento de 30% face aos 855 milhões de zlótis reportados no período homólogo.

O banco realça que “a evolução positiva dos resultados reflete a resiliência da margem financeira após a redução significativa das taxas de mercado, o crescimento das comissões, a manutenção de uma rigorosa disciplina dos custos e a significativa redução dos encargos relacionados com créditos hipotecários denominados em moeda estrangeira, não obstante o aumento significativo da taxa efetiva de imposto”.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a instituição refere ainda que, apesar dos custos associados aos créditos hipotecários em moeda estrangeira, antes de impostos terem 63% nos primeiros nove meses do ano, em termos homólogos, continuam a condicionar os resultados.

A margem financeira caiu 1%, face ao período homólogo, com a taxa de margem financeira (NIM) a baixar de 4,1%, nos primeiros nove meses de 2025, para 3,54%, no final de setembro. Por sua vez, as comissões líquidas aumentaram 9% face ao período homólogo.

O rácio de crédito com imparidade (Stage 3) baixou nos primeiros nove meses do ano, ao fixar-se em 3,6%, abaixo dos 4,2% no mesmo período do ano passado.

O rácio de capital CET1 fixou-se, em setembro de 2026, em 13,7%, o rácio de capital T1 fixou-se em 16,1% e o rácio de capital total em 20,6%, “suportados pela inclusão da emissão de AT1 no montante de 1,5 mil milhões de zlótis realizada em janeiros de 2026 e de uma emissão subordinada (Tier 2) de 500 milhões de euros realizada em maio de 2026 e ainda pela continuação da geração orgânica de capital (inclusão de 65% do resultado líquido do Banco
no 1.º semestre de 2026 nos fundos próprios regulamentares)”, detalha a instituição.

A carteira de crédito aumentou 11% até setembro, com o número de clientes particulares ativos a ultrapassar os 3,39 milhões, após um crescimento de 160 mil face ao período homólogo.

O banco BCP apresenta as contas dos primeiros nove meses esta quarta-feira, dia 28 de outubro, após fecho do mercado.

(Notícia atualizada)

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