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Geração Z lidera protestos na Europa e pressiona governos; entenda

26 October 2026 at 21:46

Os jovens não estão bem. Em toda a Europa, eles protestam contra diversos problemas, desde a falta de financiamento para a educação até o custo da habitação, representando um enorme desafio para governos já pressionados e demonstrando visivelmente a frustração intergeracional sentida pela Geração Z.

A configuração precisa dessas queixas varia de país para país. Na Espanha, o despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, de sua casa serviu como catalisador para essa onda de protestos. 

Na França, foram os estudantes que se manifestaram em apoio aos professores em greve; os protestos estudantis têm abalado a Albânia intermitentemente há meses, inicialmente desencadeados por planos para um empreendimento de luxo apoiado por Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Apesar de seus diferentes catalisadores, todos esses movimentos atuaram como uma espécie de buraco negro, atraindo qualquer descontentamento antes de explodir em um desabafo generalizado de frustração para uma geração de jovens que temem não ter as mesmas oportunidades que seus pais.

Em parte, eles também se inspiraram mutuamente. Manifestantes na Itália e na Grécia fizeram referência aos vizinhos franceses por meio dos slogans. Os protestos por moradia na Espanha se espalharam para Portugal.

E as uniões estudantis em toda a Europa estão compartilhando conselhos e experiências entre si, disse Alice de Brito, vice-presidente da principal união estudantil da França, a UNEF, à CNN.

“Vejo muito mais semelhanças do que diferenças”, disse ela. “Todos estamos falando sobre a necessidade de investimentos em educação, nas universidades, na juventude em geral. Mas também estamos falando sobre o custo de vida, sobre moradia.”

Isso ecoa as reivindicações da líder estudantil italiana Sabrina Brizzola, que disse em um comício no último fim de semana: “Vamos fazer com que nossas vozes sejam ouvidas por escolas que não desabem sobre nossas cabeças, por trabalho seguro e digno, por saúde pública, por justiça social.”

Para Julius Fintelmann, cofundador e editor-chefe do boletim diário European Correspondent, os protestos “refletem uma espécie de frustração, a sensação de que a política europeia não está conseguindo atender às necessidades da próxima geração”.

Além da educação e da habitação, ele aponta para um mercado de trabalho cada vez mais incerto, em que a inteligência artificial afeta desproporcionalmente os empregos de nível inicial, e para a crise climática como fatores que preparam o terreno para essa explosão de raiva da Geração Z.

“Acho que, fundamentalmente, o que vemos é que essa promessa da democracia liberal, de que a próxima geração desfrutaria de uma vida melhor do que a atual, simplesmente não se sustenta mais”, disse ele à CNN.

E os países da União Europeia mais afetados pelos protestos – Grécia, Itália, França, Bélgica, Espanha e Portugal – compartilham um cenário econômico sombrio e altos níveis de dívida pública, o que dificulta o aumento dos gastos públicos.

Os rendimentos dos títulos na França, por exemplo, subiram para os níveis mais altos desde 2002 na última semana, exercendo mais pressão sobre os orçamentos governamentais.

“Aguardando uma resposta”

Protestos estudantis como este têm ocorrido no início do ano letivo francês, em setembro e outubro, nos últimos nove anos, à medida que os jovens que retornam à educação percebem que não têm professores suficientes nem equipamentos adequados, observou de Brito.

Este ano, porém, as reivindicações se intensificaram, com os estudantes exigindo turmas menores, aumento do investimento em professores, infraestrutura para enfrentar a crise climática e o fim da violência policial contra jovens. “As pessoas estão simplesmente cansadas de esperar por uma resposta”, disse de Brito.

A educação é um tema que transcende as fronteiras da Europa. Milhares de estudantes e professores marcharam pela Grécia, incluindo um grupo que se reuniu em frente ao parlamento em Atenas, entoando o cântico:

“Da Grécia à França, queremos educação pública e gratuita”, segundo a agência Reuters. Quando os estudantes ocuparam pela primeira vez uma escola secundária em Roma, em 7 de outubro, escreveram “como na França” na primeira linha da declaração que defendia suas ações.

O governo italiano procurou minimizar quaisquer semelhanças com o movimento de protesto na França.

“A situação na Itália é muito diferente da França”, disse o ministro da Educação, Giuseppe Valditara, no início deste mês, repetindo uma alegação da ultradireita de que os protestos franceses são alimentados pela dificuldade, inexistente na Itália, de integrar imigrantes de segunda geração ao sistema escolar.

No entanto, a habitação é outra questão que transcende as fronteiras nacionais. Os manifestantes italianos afirmam ter acompanhado de perto os protestos por melhores condições de moradia na Espanha, que ganharam força em setembro e acabaram por forçar o governo a convocar eleições antecipadas.

Estudantes em um acampamento de protesto em Roma disseram à CNN que moradia acessível é inseparável de uma boa educação. Uma delas, Elisa Pastore, disse que ela e seu irmão “mal conseguem” pagar o aluguel do quarto que dividem na capital italiana, onde estudam na universidade.

Durante o primeiro semestre do curso, antes de seu irmão também começar a universidade, ela precisava se deslocar diariamente 120 quilômetros de fora de Roma para economizar dinheiro.

Outros grupos também estão protestando. Um bloqueio feito por caminhoneiros na Itália, indignados com o aumento do preço do combustível após a guerra com o Irã, paralisou a produção de mussarela de búfala e de alguns tipos de massa.

E questões como a habitação transcendem as divisões geracionais, atraindo também as gerações mais velhas para os protestos.

Em Portugal, milhares de pessoas têm se reunido na Praça do Rossio, uma das praças mais movimentadas de Lisboa, todas as noites desta semana. Algumas chegaram a montar barracas e 55 pessoas foram presas na madrugada de terça-feira, o que provocou novos protestos.

Os manifestantes, agitando bandeiras com slogans como “Casas para morar”, exigem limites para o aumento dos aluguéis e a revogação de uma nova lei que facilitaria os despejos.

Em outros lugares, as manifestações de longa duração na Albânia e na Sérvia têm se concentrado mais no combate à corrupção, transformando-se em movimentos que buscam derrubar o governo de cada país.

Após os protestos na Albânia se tornarem violentos na semana passada, o primeiro-ministro Edi Rama resistiu aos apelos para renunciar, acusando os manifestantes de ameaçarem os planos de adesão do país à União Europeia e culpando seus oponentes políticos pela agitação.

“Queremos uma mudança, por isso estamos aqui”, disse um manifestante na Albânia à Reuters. “Queremos uma revolução, queremos um novo governo, não estamos à procura de negociações, precisamos de um novo governo o mais rápido possível.”

Enquanto isso, na Sérvia, os protestos liderados por estudantes, que moldaram a política do país nos últimos dois anos, agora representam a oposição mais formidável ao líder de longa data Aleksandar Vucic nas eleições parlamentares.

Uma nova onda de protestos varreu a França no sábado (24), com milhares de manifestantes marchando em cidades como Paris, Marselha, Lyon, Lille, Orléans e Bordéus.

Organizada pela UNEF, principal central estudantil da França, a marcha em Paris também contou com a presença da CGT, uma das maiores centrais sindicais do país, agricultores, ativistas climáticos e os Coletes Amarelos, movimento que surgiu em 2018 durante os protestos contra o aumento do preço dos combustíveis.

As autoridades passaram grande parte da semana tentando evitar os distúrbios públicos vistos no último fim de semana.

Os principais sindicatos da França e da Espanha convocaram uma greve geral para os dias 5 e 11 de novembro, respectivamente. Na Alemanha, um grupo autodenominado “Gen Z regelt” (“A Geração Z manda”) convocou protestos em todo o país para o dia 31 de outubro.

E os sindicatos estudantis da Grã-Bretanha e da Itália estão planejando um dia de ação em 20 de novembro para protestar contra o aumento do custo da educação.

Entenda os protestos estudantis que se espalharam por toda a França

 

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Dois dos cinco arguidos encontram-se em prisão preventiva, enquanto os restantes estão sujeitos a medidas de coação não privativas da liberdade

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Ucrânia pressiona parceiros europeus para avançar com sistema antimíssil Freyja

26 October 2026 at 17:56

A Ucrânia diz ter concluído a sua parte no desenvolvimento do Freyja, um sistema europeu de defesa antimíssil balístico, e pressiona agora os parceiros internacionais para acelerarem os trabalhos. O projeto pretende criar uma alternativa europeia aos sistemas norte-americanos Patriot, numa altura em que a escassez de intercetores está a aumentar a pressão sobre as capacidades de defesa aérea da Ucrânia e de outros países europeus.

“Relativamente ao projeto do míssil antibalístico Freyja, a Ucrânia fez o que tinha a fazer”, afirmou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, aos jornalistas. O responsável acrescentou que o contributo dos parceiros continua em desenvolvimento e que dez países estão envolvidos na iniciativa, segundo a agência ucraniana Ukrinform, citada pelo Rapporteur.

As declarações de Zelensky sugerem que a indústria ucraniana, através da empresa de defesa Fire Point, terá concluído a componente do míssil intercetor. Os restantes participantes têm agora de avançar com elementos essenciais do sistema, incluindo os radares e a arquitetura de comando e controlo, necessários para detetar as ameaças, acompanhar a trajetória dos mísseis e orientar a interceção.

“Estão a trabalhar em sistemas deste tipo há décadas. Queremos fazê-lo muito rapidamente, porque não há tempo”, vincou Zelensky, defendendo uma aceleração do projeto.

O projeto surge num contexto de elevada procura de munições antimíssil. A guerra no Médio Oriente tem pressionado os stocks de intercetores norte-americanos, enquanto a Ucrânia continua a depender dos sistemas Patriot para enfrentar ataques russos com mísseis balísticos.

O líder ucraniano alertou esta segunda-feira que o país está “há quase um mês à espera” de aprovação do secretário norte-americano da Defesa, Pete Hegseth, para o fornecimento dos sistemas intercetores. “Estamos há quase um mês à espera que o Sr. Hegseth assine a autorização para os mísseis dos sistemas Patriot e NASAMS. Instruí a nossa equipa a levantar esta questão junto da parte americana mais uma vez. Conversações com outros países também estão em curso”, escreveu Zelensky na rede social X.

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Alternativa europeia aos Patriot

O Freyja foi lançado em julho, numa cimeira que juntou líderes de dez países europeus, incluindo o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e cerca de uma dúzia de fabricantes de defesa, com objetivo de construir, em tempo útil, um sistema que já consiga demonstrar resultados práticos até ao primeiro semestre de 2027.

A ucraniana Fire Point tem trabalhado para desenvolver o intercetor a partir do qual deverá ser construída a capacidade antimíssil do sistema. Em junho, a empresa anunciou ter realizado um voo de teste controlado com manobras do míssil, apresentado como a base do futuro intercetor.

Do lado dos aliados, a expectativa é que os parceiros europeus contribuam com tecnologia, radares modernos, sensores e conhecimento especializados em controlo de mísseis. Entre as empresas já associadas ao esforço estão a Eurosam, que produz o sistema intercetor SAMP-T, a italiana Leonardo, a francesa Thales e a sueca Saab.

A presidente da Comissão Europeia, Ursusla von der Leyen, durante o seu discurso do Estado da União, em setembro, salientou a necessidade de reduzir a dependência de um único fornecedor de defesa e, para tal, pretende contar com a ajuda da Ucrânia.

“O elemento central desta cooperação é o Freyja. Aqui, reunimos a experiência de combate e a capacidade de inovação da Ucrânia com a liderança tecnológica da Europa. E, claro, a nossa considerável capacidade de produção”, afirmou a líder do executivo comunitário.

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Cerca de 500 jovens responderam a este apelo e 130 foram detidos na sequência dos distúrbios, destruição de mobiliário urbano, confronto com a polícia e da pilhagem de perto de 30 lojas

Vídeo mostra vala comum na Ucrânia com "corpos de soldados"?

26 October 2026 at 17:44
Vala comum que se vê em vídeo partilhado nas redes sociais teria sido escavada pela Ucrânia para enterrar milhares de soldados a quem a Europa teria dado ordens para combater. História é verdadeira?

Pilotos na Europa: 1/4 admitiu ter microssonos no cockpit

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© CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH/EPA

Um inquérito a mais de 7.000 pilotos revela que o medo de perder remuneração ou enfrentar reações negativas das chefias faz com que a fadiga fique por reportar

Rússia mantém operações militares apesar de negociações

26 October 2026 at 15:32
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© SERGEY BOBYLEV/KREMLIN / POOL/EPA

O cessar-fogo em Olechky visa prestar ajuda humanitária aos residentes, isolados pelos combates, e retirar aqueles que desejarem sair

UE aceita plano da Temu para combater produtos ilegais

26 October 2026 at 15:21
Bruxelas deu quatro meses à plataforma chinesa para uma avaliação intercalar. O plano inclui cinco medidas para combater produtos ilegais, após coima de 200 milhões aplicada em maio.

© HANNIBAL HANSCHKE/EPA

De acordo com Bruxelas, o plano prevê cinco medidas destinadas a corrigir as falhas identificadas

Canadá recebe Costa e Von der Leyen em cimeira em Montreal

26 October 2026 at 15:17
Cimeira pretende traduzir a aproximação entre Otava e Bruxelas em benefícios económicos concretos, nomeadamente novos mercados de exportação, maior concorrência e oportunidades de mobilidade.

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Canadá tornou-se o primeiro país não europeu a aderir à iniciativa SAFE (Security Action for Europe)
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