Milhares de apoiantes já enchiam hoje ao final da tarde a rua de São Bento, defronte do parlamento, em Lisboa, obrigando a PSP a interromper o trânsito ainda antes da hora marcada da concentração pelo direito à habitação, às 18h30.
Com cartazes e gritando palavras de ordem, muitos cidadãos responderam à mobilização para hoje, que junta o movimento que organizou a Acampada de Lisboa, no Rossio, e a plataforma Casa Para Viver.
“Mais salário, menos porrada”, “todos precisam de um teto, até as tendas. Rua Luís”, “a juventude precisa de uma casa para viver” ou “somos mansos mas não somos tansos”, podia ler-se nas centenas de cartazes empunhados pelos manifestantes anónimos.
Ao contrário do que se tem verificado nas concentrações realizadas na praça do Rossio, organizadas pela Acampada de Lisboa e que juntam maioritariamente jovens, hoje junto à Assembleia da República havia mais diversidade etária e também menos adereços associados a causas como a Palestina
De início, um coro improvisado cantou músicas de intervenção, mobilizando os presentes que também gritavam palavras de ordem, como “25 de Abril sempre” ou “estamos juntos, estamos fortes”.
A cantora Marisa Liz iniciou uma série de concertos improvisados de artistas solidários com a causa agendado para esta noite, cantando uma versão de Zeca Afonso da música “O pintor morreu”.
“Estamos numa luta justa, sem violência”, começou por dizer a cantora, que, quando alguns polícias desceram a escadaria da Assembleia da República, num acerto do forte dispositivo que rodeia o parlamento, disse: “Juntem-se”.
“O nosso país não está à venda”, acrescentou a cantora, que defendeu a intervenção da população nas ruas e não apenas através das eleições.
“Um país não se governa só com o Governo” e também é possível “influenciar as decisões no decorrer de cada mandato”, disse a artista, arrancando aplausos.
A manifestação ocorre no dia em que começou no parlamento a discussão na generalidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).
Durante a madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.
Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.
Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 33 detidos por desobediência. Em comunicado, as organizações das acampadas referiam dezenas de feridos.
A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais que aconteceram na madrugada de domingo em Lisboa e no Porto. Também a provedora de Justiça pediu à PSP, com caráter de urgência, informações sobre a carga policial na madrugada de domingo sobre os manifestantes.
Os partidos de esquerda criticaram a intervenção policial e pediram esclarecimentos ao primeiro-ministro e a intervenção do Presidente da República, António José Seguro.
O chefe de Estado apelou hoje ao diálogo sobre a habitação “e nunca à violência”, afirmando que não gostou das imagens que viu, mas que aguarda o resultado dos inquéritos sobre a atuação policial sobre manifestantes.
Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos “verdadeiramente acessíveis” à renda.
Fora do País após perder as eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta uma nova situação jurídica que pode comprometer seu futuro político. Alvo de investigações criminais no Supremo Tribunal Federal (STF) e de ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o senador está sujeito a desdobramentos que podem resultar em uma eventual condenação penal ou em sua inelegibilidade.
A situação ganha um novo contorno com a proximidade do fim de seu mandato, em janeiro de 2027, quando Flávio ficará sem cargo eletivo pela primeira vez em 24 anos e perderá as prerrogativas parlamentares.
Uma das investigações já levou à imposição de medidas cautelares contra o senador. Nesta segunda-feira (26), um dia após sua derrota nas urnas, Flávio foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, que também proibiu sua saída do País e o impediu de manter contato com o advogado Willer Tomaz, amigo do senador.
Flávio negou irregularidades e classificou a medida como uma tentativa de intimidação. Nesta terça-feira (27), a PF cancelou os passaportes do parlamentar. A medida ocorreu após Flávio ter viajado para os Estados Unidos.
A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O caso foi revelado pelo Estadão em 18 de outubro, uma semana antes do segundo turno.
A investigação teve origem em uma apuração da Polícia Federal sobre plataformas de apostas e pagamentos digitais. Ao analisar dados extraídos da nuvem do advogado, os investigadores identificaram registros de encontros e viagens envolvendo Flávio, além de documentos que mencionavam o senador como "usuário master" de uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holding.
O material foi encaminhado ao STF em 8 de outubro, em razão do foro do parlamentar, e distribuído a Moraes.
Outra investigação no Supremo apura suspeitas de irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Os recursos destinados à produção foram negociados pelo senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O inquérito, relatado pelo ministro André Mendonça, apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas aos repasses para a produção.
Em outubro, a Polícia Federal pediu mais 90 dias para concluir a investigação, incluindo perícias contábeis e diligências nos Estados Unidos para rastrear o destino dos recursos.
Uma nova frente de investigação foi determinada nesta terça-feira (27), pelo ministro Flávio Dino. O magistrado requisitou à Polícia Federal a abertura de um inquérito para apurar suspeitas de financiamento estrangeiro em benefício da campanha presidencial de Flávio.
A investigação deverá esclarecer se houve repasses de recursos ou prestação de serviços à candidatura, além de apurar o financiamento de publicações favoráveis ao senador por perfis sediados no exterior e possíveis manipulações de algoritmos pelas plataformas digitais.
Mais recentemente, nesta terça-feira (27), o ministro Flávio Dino determinou a abertura de uma nova frente de investigação sobre possíveis irregularidades na campanha presidencial de Flávio. O magistrado requisitou à Polícia Federal a instauração de um inquérito para apurar suspeitas de financiamento estrangeiro em benefício da candidatura.
Mesmo após o fim do mandato, as investigações poderão continuar sob responsabilidade do Supremo. O chamado foro por prerrogativa de função é uma regra que atribui a determinados tribunais a competência para julgar autoridades em razão dos cargos que ocupam.
No caso de deputados federais e senadores, cabe ao STF analisar crimes relacionados ao exercício de suas funções.
Em 2025, o Supremo mudou seu entendimento e decidiu que essa competência pode ser mantida mesmo depois que a autoridade deixa o cargo, desde que os crimes investigados tenham ocorrido durante o mandato e estejam relacionados às funções exercidas. Assim, o fim do mandato de Flávio não provocará necessariamente a transferência dos inquéritos para a primeira instância.
Para o criminalista e coordenador de Direito da ESPM-SP Marcelo Crespo, será necessário avaliar se as suspeitas investigadas nesses casos "possuem ligação com sua atuação parlamentar". É dessa análise que dependerá a definição sobre a permanência dos procedimentos no Supremo ou seu encaminhamento a outra instância.
Flávio também perderá proteções constitucionais vinculadas ao mandato parlamentar, como as restrições à prisão de congressistas e a possibilidade de o Senado suspender o andamento de determinadas ações penais.
Para Crespo, o fim do mandato tem consequências que ultrapassam a perda dessas prerrogativas. Sem uma cadeira no Senado, Flávio também deixará de contar com o peso institucional do cargo, o que tende a reduzir os custos políticos de eventuais medidas judiciais contra ele.
Nikolas Ferreira e Pablo Marçal são investigados
Na Justiça Eleitoral, Flávio encara outra frente de processos que pode comprometer sua participação em futuras eleições.
Uma das ações, investiga suspeitas de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação, a partir de alegações da coligação de Lula de que plataformas digitais teriam favorecido a candidatura do senador na distribuição de conteúdos eleitorais.
Outra investigação apura a atuação do deputado Nikolas Ferreira e do influenciador Pablo Marçal nas redes sociais, sob suspeita de disseminação coordenada de desinformação em benefício de Flávio.
Para o advogado eleitoral Alberto Rollo, Flávio poderá ficar inelegível por oito anos caso a Justiça Eleitoral comprove sua responsabilidade pelas irregularidades investigadas. As ações ainda dependem de julgamento.
Rollo lembra que as investigações criminais no STF também podem ter consequências eleitorais por meio da Lei da Ficha Limpa, que impede a candidatura de pessoas condenadas por determinados crimes, como corrupção e lavagem de dinheiro, quando a decisão é definitiva ou proferida por um tribunal colegiado.
Eleições 2026
Enquanto enfrenta essas ações, Flávio também anunciou uma ofensiva na Justiça Eleitoral contra a vitória de Lula. Derrotado por 51,79% dos votos válidos a 48,21%, uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos, o senador afirmou inicialmente que não reconheceria o resultado das urnas e pediria a anulação da eleição.
Ele questionou a prorrogação do horário de votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, sob o argumento de que a medida teria comprometido a igualdade da disputa. Como mostrou o Estadão, apenas 34,7 mil votos foram registrados após as 17h.
Nesta segunda-feira (26), porém, Flávio mudou o foco da contestação e anunciou que pretende pedir a cassação da chapa de Lula e Geraldo Alckmin (PSB), sob a acusação de abuso de poder político e econômico durante a campanha. O senador não apresentou, até então, provas que sustentassem as acusações.
Para Rollo, a própria reação de Flávio à derrota poderá abrir uma nova frente judicial contra ele. O advogado alerta que, caso o senador ultrapasse os limites da contestação legítima do resultado e cometa irregularidades previstas na legislação eleitoral, poderá ser alvo de novas ações no TSE, inclusive com risco de inelegibilidade.
"Precisamos aguardar os próximos passos do senador", afirma.
Quatro bares do Recife estão entre os participantes do Heineken Masters 2026, competição nacional que avalia o serviço de chope em estabelecimentos de diferentes cidades brasileiras. Na capital pernambucana, disputam o reconhecimento o Alphaiate, o Bar do Neno, o Seu Tito Boteco e a Xerém Marisqueira.
A iniciativa reúne 100 estabelecimentos e inclui treinamento das equipes para aprimorar o preparo e a apresentação da bebida. O público também pode participar da avaliação, por meio de um QR Code disponível nas mesas dos bares inscritos.
A votação segue até 30 de novembro. Cada consumidor pode avaliar o mesmo estabelecimento uma vez por semana. Os dez bares com melhor desempenho serão reconhecidos em dezembro.
Entre os critérios da competição está o cumprimento de cinco etapas para servir o chope, desde a preparação do copo limpo e gelado até a apresentação da bebida ao cliente.
O reconhecimento rápido dos sintomas do Acidente Vascular Cerebral (AVC) é fundamental para reduzir o risco de sequelas graves e salvar vidas. A condição está entre as principais causas de morte e incapacidade no mundo. Em alusão ao Dia Mundial de Combate ao AVC, celebrado nesta quinta-feira (29), profissionais do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP) alertam para a importância de identificar os sinais e buscar atendimento médico imediatamente.
Entre os sintomas estão dificuldade para falar, confusão mental, perda de força em um dos lados do corpo, alterações na visão, perda de equilíbrio e dor de cabeça súbita. O tempo de resposta é decisivo para preservar as funções motoras e cognitivas dos pacientes.
Após o atendimento de emergência, a reabilitação é uma etapa importante para recuperar capacidades comprometidas pelo AVC.
“A reabilitação especializada é o pilar que devolve a autonomia, a funcionalidade e a qualidade de vida a quem sofreu a lesão cerebral”, destaca Marcela Santos, coordenadora do Centro de Reabilitação Motora do IMIP.
IMIP pesquisa telerreabilitação para pacientes com AVC
Por meio do Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência (PRONAS), o IMIP desenvolve um estudo científico que compara os resultados da reabilitação presencial, realizada na instituição, com os da telerreabilitação. Na modalidade remota, os pacientes recebem atendimento especializado em casa, por videochamadas em tempo real conduzidas por terapeutas.
O programa reúne três áreas de atendimento: fisioterapia, voltada ao desempenho físico e funcional; terapia ocupacional, com foco na independência nas atividades diárias; e fonoaudiologia, direcionada à recuperação da alimentação, da deglutição e da comunicação oral. O acompanhamento é personalizado, com o objetivo de contribuir para a recuperação e a reintegração social dos pacientes.
Adultos que sofreram um ou mais episódios de AVC e buscam reabilitação especializada podem se inscrever para participar do estudo. O contato pode ser feito pelo telefone (81) 3049-7649 ou pelo formulário disponível no site https://imip-sistemas.org.br/sistemas/aplic/coletor_pronas/
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Aliados do candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que o governo de Donald Trumpapoiou a decisão de deixar o Brasil e sinalizou a possibilidade de conceder asilo político ao parlamentar nos Estados Unidos, de acordo com a apuração da CNN Brasil.
A informação foi divulgada nesta terça-feira (27), em meio a relatos de que Flávio viajou aos Estados Unidos. Em publicação na rede social X, o ex-subsecretário de Turismo do México Simón Levy, aliado do Governo Trump, também afirmou que o senador já havia deixado o território brasileiro e seguia para o país norte-americano.
“Posso confirmar que @FlavioBolsonaro não está mais no Brasil e está a caminho dos Estados Unidos. Uma operação de proteção dos EUA está em andamento para garantir sua segurança”, escreveu o empresário em post.
Segundo a coluna Grande Angular, do portal Metrópoles, o destino final do voo do senador seria a Flórida. A informação foi atribuída a pessoas próximas à família do parlamentar.
A movimentação ocorre após a derrota de Flávio para Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25).
Flávio estava sem dar notícias públicas desde a manhã desta terça-feira. De acordo com informações divulgadas sobre o caso, a última mensagem enviada pelo senador foi às 8h, ao senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou sua campanha presidencial. Na ocasião, Flávio teria dito que estava “esfriando a cabeça”, sem esclarecer se havia deixado o Brasil.
Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a apreensão dos passaportes do senador. Flávio deveria entregar os documentos nesta terça, mas, conforme as informações disponíveis, não o fez. O senador também é investigado, ao lado do advogado Willer Tomaz, por suspeita de lavagem de dinheiro.
Alexandre de Moraes
O ministro Alexandre de Moraes, o relator no STF de inquéritos sob sigilo que miram o senador Flávio Bolsonaro (PL), vive também a condição de investigado na Operação Compliance Zero. O nome dele consta de relatório da Polícia Federal anexado ao inquérito relatado pelo ministro André Mendonça.
A extração de dados do celular de Vorcaro, apreendido em novembro de 2025, expôs mensagens, contatos diretos e minutas de contratos entre o ex-banqueiro, o ministro e a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado.
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A vacinação contra a gripe será ampliada para pessoas de todas as idades em Olinda, a partir desta quarta-feira (28). Até então, a campanha era direcionada aos grupos prioritários.
As doses estarão disponíveis de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h, nas unidades de saúde e policlínicas do município. A imunização também será oferecida no posto de vacinação do Shopping Patteo, em Casa Caiada, das 9h às 16h, nos mesmos dias.
Não é necessário agendamento para receber a vacina. Os interessados devem comparecer a um dos locais de atendimento com o CPF e/ou o Cartão Nacional de Saúde (Cartão do SUS).
Iniciada em março de 2026, a campanha nacional de vacinação contra a influenza busca reduzir os casos graves da doença e prevenir complicações, como pneumonia e insuficiência respiratória, especialmente entre pessoas mais vulneráveis.
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Na preparação para a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), conhecer conectivos pode ajudar os estudantes a organizar os argumentos e estabelecer relações entre as ideias. Expressões como “além disso”, “ademais” e “portanto” são frequentes em textos dissertativo-argumentativos, mas seu uso exige atenção ao sentido que se deseja transmitir.
Apesar de serem tratados por estudantes como palavras “coringas”, os conectivos não funcionam de maneira indiscriminada. Segundo Fernanda Nascimento, professora de Linguagens e Redação do Colégio Saber Viver, a escolha desses elementos deve considerar a relação que o autor pretende estabelecer entre as informações.
“Os conectivos sempre dependerão do sentido que se pretende expor. Eles não têm relação com o tema, mas com a superfície linguística”, explica a professora.
Cinco conectivos e quando utilizá-los
Os conectivos são palavras ou expressões que ajudam a estabelecer relações entre orações, períodos e parágrafos. Para utilizá-los adequadamente, o estudante precisa compreender a função de cada termo no desenvolvimento da argumentação.
Confira cinco exemplos que podem ser empregados na redação, desde que estejam de acordo com o sentido pretendido:
1. Além disso — adição
A expressão é utilizada para acrescentar uma informação ou um argumento ao que já foi apresentado. É útil, por exemplo, quando o estudante deseja desenvolver um segundo aspecto de um problema.
Exemplo: “A falta de acesso à internet dificulta o acompanhamento das atividades escolares. Além disso, a ausência de equipamentos adequados compromete a realização de pesquisas.”
2. Ademais — adição
Assim como “além disso”, o termo introduz uma informação adicional. Tem um registro mais formal e pode ser utilizado para ampliar uma argumentação, desde que soe natural no contexto.
Exemplo: “A leitura contribui para o desenvolvimento do vocabulário dos estudantes. Ademais, amplia o contato com diferentes perspectivas sociais e culturais.”
3. Outrossim — adição
Também empregado para acrescentar informações, “outrossim” pode funcionar como alternativa a outros conectivos de adição. Entretanto, por ser uma palavra menos comum na linguagem cotidiana, deve ser utilizada apenas quando o estudante tiver segurança sobre seu significado e sua adequação ao texto.
Exemplo: “A escola desempenha um papel importante na formação cidadã. Outrossim, pode contribuir para a conscientização dos jovens sobre seus direitos.”
4. Portanto — conclusão ou consequência
O conectivo indica uma conclusão ou uma consequência decorrente de informações apresentadas anteriormente. É especialmente útil quando o estudante deseja sintetizar um raciocínio ou explicitar o resultado de uma argumentação.
Exemplo: “A evasão escolar limita as oportunidades profissionais de muitos jovens e amplia desigualdades sociais. Portanto, combater esse problema deve ser uma prioridade.”
5. Desse modo — conclusão ou resultado
A expressão estabelece uma relação de consequência ou apresenta uma conclusão construída a partir do raciocínio anterior. Também pode ser utilizada para introduzir uma proposta que decorra dos problemas discutidos.
Exemplo: “O investimento na formação de professores e na infraestrutura escolar favorece o processo de aprendizagem. Desse modo, ampliar esses investimentos pode contribuir para reduzir desigualdades educacionais.”
Embora os cinco exemplos sejam úteis em diferentes situações, eles não devem ser utilizados apenas para tornar o texto aparentemente mais sofisticado. A escolha precisa refletir a relação lógica entre as ideias.
Repetição e uso inadequado podem prejudicar a redação
Um dos erros mais comuns é repetir excessivamente o mesmo conectivo ao longo do texto. Outro problema é empregar uma expressão sem considerar o sentido que ela estabelece, criando relações inadequadas entre os argumentos.
“Os erros mais comuns estão centrados na repetição excessiva e no uso com sentido inadequado”, afirma Fernanda Nascimento.
A professora também alerta que utilizar palavras consideradas rebuscadas não garante uma nota maior. Pelo contrário, quando o estudante não domina o significado ou a aplicação de determinado termo, a escolha pode prejudicar a coerência textual.
Por isso, variar os conectivos não significa simplesmente substituir uma palavra por outra mais formal. É necessário observar se as expressões utilizadas cumprem a mesma função e se fazem sentido naquele trecho.
Como os conectivos influenciam a nota do Enem?
O emprego adequado dos elementos de coesão é avaliado na competência 4 da redação do Enem, que verifica a capacidade do participante de demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários à construção da argumentação.
A competência considera o uso dos recursos responsáveis por articular as partes do texto, incluindo os chamados operadores argumentativos, que ajudam a estabelecer relações como adição, oposição, explicação e conclusão.
De acordo com Fernanda Nascimento, essa competência representa 20% da nota total da redação. Por isso, compreender a função dos conectivos é importante para construir um texto articulado, em vez de apenas reunir informações e argumentos.
A professora ressalta que o domínio desses recursos deve ser demonstrado de maneira produtiva, com escolhas adequadas ao sentido pretendido e sem repetições excessivas.
Como aprender a usar conectivos com naturalidade?
Para desenvolver essa habilidade, a recomendação é ler redações que alcançaram a nota máxima no Enem e observar como os conectivos são empregados ao longo dos textos. Mais do que memorizar listas, o estudante deve identificar as relações estabelecidas entre os argumentos e os motivos pelos quais determinadas expressões aparecem em partes específicas da redação.
“Ler textos nota 1000 e observar os sentidos expressos pelos conectivos presentes nesses textos e a recorrência deles”, recomenda Fernanda.
A professora cita o termo “portanto” como exemplo de conectivo tradicionalmente utilizado na conclusão. A observação mostra a importância de analisar não apenas o significado isolado de cada expressão, mas também sua função na estrutura argumentativa.
Na prática, o estudante pode revisar os próprios textos e verificar se cada conectivo corresponde à relação que deseja estabelecer. Se a intenção for acrescentar um argumento, deve escolher uma expressão de adição; se quiser apresentar uma conclusão, precisa recorrer a um elemento que expresse esse sentido.
Assim, o objetivo não é decorar palavras para encaixá-las em qualquer tema, mas aprender a utilizá-las com precisão para tornar a argumentação mais clara, coesa e bem organizada.
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O ministro Alexandre de Moraes, o relator no STF de inquéritos sob sigilo que miram o senador Flávio Bolsonaro (PL), vive também a condição de investigado na Operação Compliance Zero. O nome dele consta de relatório da Polícia Federal anexado ao inquérito relatado pelo ministro André Mendonça.
A extração de dados do celular de Vorcaro, apreendido em novembro de 2025, expôs mensagens, contatos diretos e minutas de contratos entre o ex-banqueiro, o ministro e a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado.
O processo para seguir com as investigações em torno das relações de Alexandre de Moraes com Vorcaro está sob pedido de vista do ministro Flávio Dino, no plenário do STF. O ministro tem até dezembro para devolver à análise do plenário do STF.
Derrotado no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, Flávio sofre medidas cautelares como a cancelamento de passaportes do parlamentar por suspeitas de lavagem de dinheiro e conexões com o próprio Vorcaro. As medidas foram solicitadas por Moraes a pedido da PF.
Mensagens de Moraes e esposa
Os relatórios policiais encaminhados ao STF com base na perícia do telefone de Vorcaro detalham a relação financeira e pessoal do ex-banqueiro com a família do ministro:
Contratos advocatícios: A PF mapeou repasses do Banco Master ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados. Os registros e mensagens indicam que o próprio ministro teria atuado na revisão de minutas e ajustes de termos contratuais para a banca de sua esposa. A defesa e o escritório informam que os valores referem-se a honorários por serviços jurídicos efetivamente prestados e sem atuação perante causas do banco no STF.
Prioridade de repasses: Diálogos gravados mostram Vorcaro instruindo auxiliares a priorizar os pagamentos ao escritório familiar em relação a outros compromissos do banco.
Alertas e contatos diretos: A perícia identificou mensagens diretas entre o ex-banqueiro e Alexandre de Moraes, nas quais o empresário consultava o magistrado sobre andamentos de operações da PF, prazos processuais e viagens internacionais.
Benefícios e cartões corporativos: Constam no processo minutas para cessão de cotas de aeronaves executivas administradas por empresas ligadas a Vorcaro para uso da família do ministro, além de cartões de crédito corporativos com limite de R$ 300 mil emitidos em nome de parentes do magistrado.
Andamento sob relatoria de André Mendonça
O inquérito decorrente da Operação Compliance Zero tramita sob a supervisão do ministro André Mendonça no STF.
Diligências da PF: Mendonça ordenou que a equipe policial mapeasse a rede de interlocutores mantida por Vorcaro. A PF juntou aos autos o relatório contendo as trocas de mensagens e minutas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Pedido de anulação da PGR: O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou petição solicitando a anulação do relatório policial. A PGR sustenta que a PF violou as regras de foro privilegiado ao analisar indícios contra um ministro do STF sem autorização prévia e formal da Corte.
Expediente da Presidência do STF: O presidente do tribunal, Edson Fachin, autuou o procedimento Pet 16.704 e solicitou manifestações formais a André Mendonça, Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e à Direção-Geral da PF.
Ações dos magistrados envolvidos
André Mendonça: Defendeu a legalidade da apuração, argumentando que a ordem à PF buscou rastrear a rede do empresário e que o nome de autoridades emergiu da análise pericial. Mendonça retirou o sigilo dos despachos.
Alexandre de Moraes: Declarou-se impedido para atuar em ações do Banco Master no STF, pediu a anulação dos relatórios e solicitou o arquivamento das citações ao seu nome, alegando usurpação de competência e ilegalidade nas investigações.
O prefeito de Ivinhema (MS), Juliano Ferro (PL), manifestou indignação após a filha, simpatizante do Partido dos Trabalhadores (PT), sofrer hostilização em via pública por parte de um homem identificado como apoiador do bolsonarismo.
A atitude contra a jovem provocou uma reação do chefe do Executivo municipal, que saiu em defesa da filha diante do episódio marcado por divergências partidárias. O caso expôs o impacto dos confrontos ideológicos nas relações pessoais e familiares.
A ocorrência voltou a colocar em evidência os efeitos da polarização política no Brasil e a necessidade de respeito entre cidadãos com posições ideológicas distintas. O episódio ressalta a importância da convivência democrática, mesmo diante de diferenças partidárias.
O Presidente da República, António José Seguro, manifestou esta terça-feira preocupação com as imagens da intervenção policial nas manifestações pelo direito à habitação, realizadas no Porto e em Lisboa. O chefe de Estado afirmou estar a acompanhar a situação desde as 7h de domingo e garantiu ter solicitado informações às entidades competentes. Seguro revelou que abordou o assunto numa reunião com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, realizada esta segunda-feira. O presidente disse ainda que vai reunir-se com especialistas em habitação esta quarta-feira e que convocou os partidos políticos para quinta-feira. O Conselho de Estado foi igualmente convocado para segunda-feira, 2 de
O Comando Territorial de Setúbal da Guarda nacional Republicana (GNR), através do Posto Territorial de Sines e do Núcleo de Proteção Ambiental (NPA) de Santiago do Cacém, em colaboração com a Autoridade Tributária, realizou, esta segunda-feira, 26 de outubro, uma ação conjunta de fiscalização a oficinas, resíduos automóveis e veículos em fim de vida, no concelho de Sines.
No decorrer da ação, foram elaborados 50 autos de contraordenação e 15 relativos a infrações de natureza ambiental relacionadas com resíduos automóveis. A GNR adianta que esta ação teve como objetivo reforçar a fiscalização e promover o cumprimento da legislação aplicável, contribuindo para a proteção ambiental, a segurança de pessoas e bens e a preservação dos recursos naturais.
O Banco Europeu de Investimento (BEI) anunciou mais 300 milhões de euros para investir na reabilitação imobiliária e construção em Portugal, isto numa altura em que a crise da habitação toma o destaque do discurso político. O Banco fala em 70 mil fogos para construção ou renovação, além de verbas para a expansão do Metro em Lisboa.
Além da celebração de 50 anos de atividade do BEI em Portugal, o evento realizado esta terça-feira no Ministério das Finanças, em Lisboa, serviu para anunciar cinco medidas, uma por cada década, onde se inclui novo empréstimo para revitalizar o parque habitacional. O anúncio coube à presidente da instituição, Nadia Calviño, que reconheceu quão adequada esta será nesta altura.
“Não poderia ser uma altura mais apropriada para anunciar que vamos aumentar o apoio à habitação em Portugal”, afirmou, lembrando que, com este novo empréstimo, o montante global dos últimos dois anos neste sector chega a 3 mil milhões de euros.
Antes, e num painel que juntou Nadia Calviño com o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, o dirigente autárquico havia defendido que “sem o dinheiro europeu, incluindo do BEI, não haveria habitação social em Portugal”.
Também o Presidente da República visitou o tópico no encerramento do evento, pedindo ajuda da instituição para “dar maior escala e rapidez à resposta” a esta crise.
Além da verba para a habitação, houve lugar a mais quatro medidas anunciadas – “uma por cada década”, como ilustrou a presidente.
O BEI irá desbloquear 750 milhões de euros para as áreas afetadas pelas intempéries e tempestades do início do ano, montante que se dividirá entre autarquias, “para reabilitar infraestruturas e equipamento”, e pequenas e médias empresas (PME) afetadas na região. Além disso, o banco também irá financiar a expansão do Metro de Lisboa, isto no âmbito do “compromisso com finanças verdes”.
Finalmente, Calviño fez ainda saber que o BEI continuará a dar garantias à CGD para que o banco público conceda financiamento a PME e mid-caps, além de lançar a iniciativa ‘European Tech Champions’, para a qual o Estado português contribuiu 50 milhões de euros.
Além do diálogo entre Governo e partidos, o Presidente da República pede que seja dada “escala e rapidez” à resposta necessária à crise da habitação em Portugal, dada a urgência da questão. E para isso Portugal precisa do apoio do Banco Europeu de Investimento (BEI), continuou, lembrando o impacto que a instituição teve no desenvolvimento do país nos últimos 50 anos.
No evento realizado esta terça-feira em Lisboa para celebrar os 50 anos do BEI em Portugal, António José Seguro voltou a apelar ao diálogo entre partidos e o Governo para que sejam tomadas medidas concretas que ajudem a mitigar o problema da habitação no país, em linha com os comentários que já havia feito no mesmo dia.
O Presidente começou por argumentar que o critério principal para avaliar o investimento deve ser “a capacidade de melhorar a vida dos portugueses”, algo em que o BEI foi rico nos últimos 50 anos e, perante as necessidades de investimento em habitação no território nacional, poderá voltar a sê-lo.
“Precisamos de dar maior escala e rapidez à resposta, para que mais pessoas possam ter uma casa compatível com os seus rendimentos”, afirmou, acrescentando de seguida que “o apoio do BEI à habitação acessível pode ajudar a responder a estas dificuldades”.
A figura máxima do Estado defendeu ainda que “uma casa é condição de dignidade, segurança e a base para desenvolver projetos”, sublinhando a importância da questão. De resto, garante que continuará a ter neste tópico uma das prioridades da sua governação.
Por outro lado, “os cidadãos têm o direito de pedir contas e transparência” aos poderes públicos, algo que, argumenta, confere robustez às suas decisões.
Foi a segunda vez que o Presidente se pronunciou sobre a questão da habitação esta terça-feira, isto depois de uma semana de pedidos de vários quadrantes para que viesse a público tomar uma posição face à violência policial de que foram alvo os protestos do fim-de-semana em Lisboa.
Antes, Seguro havia já elogiado o trabalho do BEI ao longo destas cinco décadas em Portugal, lembrando que foram mais de 70 mil milhões de euros investidos no desenvolvimento do país. Estes investimentos refletem-se na coesão territorial, empresas, energias renováveis e até na Ponte Vasco da Gama – ou seja, projetos com impacto e que estão “presentes no dia-a-dia” do país.
A startup Element3, sediada no Texas, está a desenvolver uma tecnologia para extrair lítio da água produzida durante a exploração de petróleo e gás, procurando transformar um subproduto da indústria petrolífera numa nova fonte de abastecimento deste mineral essencial ao fabrico de baterias. Fundada em 2021, a Element3 está a comercializar tecnologia que beneficia da investigação do Departamento de Energia dos EUA (DOE), nomeadamente do Laboratório Nacional de Oak Ridge, e procura formas de ampliar a produção na região da Bacia do Permiano, no Texas. Segundo a Fast Company, a água produzida durante a exploração de petróleo e gás na
A réplica da Cruz da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) iniciou, no passado sábado, 24 de outubro, uma peregrinação pela Diocese de Vila Real, com o objetivo de passar por todas as paróquias, aldeias e lugares do território e divulgar a próxima edição do encontro mundial de jovens, que se realiza em Seul, na Coreia do Sul, em agosto de 2027. As inscrições para o encontro mundial de jovens já se encontram abertas.
A iniciativa teve início na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Real, numa tarde dedicada à partilha de experiências e à memória das jornadas.
De acordo com nota da diocese, o programa começou com uma tertúlia orientada pelo Grupo de Jovens Jeochua, da comunidade paroquial, que reuniu participantes para recordar diferentes momentos ligados às JMJ, desde Roma, em 2000, até ao Jubileu dos Jovens, em 2025.
Os jovens da paróquia entregaram depois a cruz aos representantes das comunidades da zona oeste do Arciprestado do Centro I, dando início à passagem do símbolo pelas diferentes localidades da diocese.
A tarde terminou com a celebração da Eucaristia, presidida pelo pároco, monsenhor Fernando Miranda, e animada pelo Grupo Coral Juvenil Estrela Polar.
Símbolo
A Cruz da Jornada Mundial da Juventude foi confiada aos jovens pelo Papa São João Paulo II, em 1984, tornando-se um dos símbolos associados a este encontro internacional. Em setembro de 2022, a cruz original passou pela Diocese de Vila Real, durante a preparação da JMJ Lisboa 2023.
Após essa edição, a organização da JMJ Lisboa 2023 ofereceu a cada diocese uma réplica da cruz, com o propósito de preservar a memória da iniciativa e manter vivo o espírito das Jornadas.
A peregrinação agora iniciada pretende prolongar esse legado, envolvendo as comunidades locais na preparação para a JMJ Seul 2027 e aproximando os jovens de um encontro que voltará a reunir participantes de diferentes países.
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A Justiça da Itália adiou para 24 de novembro o julgamento sobre a extradição para o Brasil da deputada cassada Carla Zambelli, no caso em que ela foi condenada por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Em 2022, ela sacou um revólver e perseguiu um jornalista pelas ruas de São Paulo.
A Corte de Apelação de Roma atendeu a um pedido da defesa, que solicitou o adiamento do julgamento alegando não ter tido acesso à documentação enviada pelo Brasil sobre as condições da Colmeia, como é conhecida a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, para onde Zambelli deve ser levada caso seja extraditada.
A extradição da deputada cassada chegou a ser autorizada pela primeira instância da Justiça italiana, mas a defesa conseguiu que a Corte de Cassação realizasse novo julgamento, diante da falta de informações sobre as condições carcerárias no Brasil. Este é o julgamento que estava marcado para esta quarta e foi adiado para o próximo mês.
Essa é a segunda vez que a extradição de Zambelli está sendo julgada pela Justiça italiana. Em uma situação anterior, relacionado ao caso no qual ela foi condenada por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o pedido chegou a ser autorizado pela primeira instância, mas a defesa conseguiu reverter a decisão na Corte de Cassação, última instância recursão italiana.
Na ocasião, para negar a extradição, os magistrados italianos mencionaram o que seria uma falta de imparcialidade no julgamento do caso por parte do relator no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Alexandre de Moraes.
Em nota, o advogado Eduardo Maurício, que representa Zambelli, disse que o julgamento desta terça (27) não poderia ocorrer, pois sem acesso à documentação enviada pelo Brasil, não seria “possível exercer a ampla defesa e contraditório sobre as questões que envolve a garantia à saúde da ex-deputada”.
O defensor acrescentou que “extraditar Carla ao Brasil seria o mesmo que entregá-la à morte, já que o sistema prisional brasileiro é desumano e degradante”.
Entenda
A ex-deputada Carla Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão pela Primeira Turma do Supremo, em 2025, pelos crimes de invasão de sistema informático e falsidade ideológica.
Ela foi considerada culpada por encabeçar uma invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) realizada em 2022, com o objetivo de inserir neles um mandado de prisão falso contra o próprio Moraes. A motivação, segundo a condenação, foi desmoralizar o Poder Judiciário diante das eleições presidenciais iminentes.
Ainda em 2025, ela foi condenada de novo pelo STF, dessa vez a 5 anos e 3 meses de prisão, com regime inicial semiaberto, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
O caso está relacionado à perseguição do jornalista Luan Araújo pelas ruas de São Paulo, dias antes do segundo das eleições presidenciais de 2022.
Fuga
Após a primeira condenação, antes que fosse expedida a ordem para o cumprimento da pena, Zambelli se valeu do passaporte europeu para embarcar rumo aos Estados Unidos e depois para a Itália, onde pediu refúgio por perseguição política.
Ela chegou a ser presa em Roma a pedido do STF, por intermédio do governo brasileiro, que pediu sua extradição imediata. Após o primeiro pedido de extradição ser negado em definitivo, ela foi solta. Atualmente ela aguarda em Roma o julgamento do segundo pedido de extradição.