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Intuitivo capta 1,35 milhões de euros para acelerar expansão internacional e SRS Legal assessorou

28 October 2026 at 22:33

A startup portuguesa de tecnologia educativa Intuitivo angariou 1,35 milhões de euros numa ronda de financiamento seed liderada pela Caixa Capital e pelo Impact Innovation Fund, gerido pela 3xP Global, com participação da Techstars e da COREangels Lisboa e Porto, anunciou a SRS Legal, que aconselhou a empresa na operação.

Os fundos serão aplicados no desenvolvimento da plataforma da Intuitivo e na preparação da expansão da empresa para o mercado brasileiro. A startup desenvolve uma solução digital de avaliação para instituições de ensino que recorre à inteligência artificial para simplificar e automatizar o processo de avaliação.

A Intuitivo participou em 2022 no Startup Lab da SRS Legal, considerado o primeiro programa de aceleração de startups criado em Portugal por uma sociedade de advogados, e venceu em 2024 a competição PITCH da Web Summit, entre 105 startups concorrentes.

A equipa jurídica da SRS Legal que acompanhou a transação foi liderada pelo sócio Paulo Bandeira e pela managing associate Solange Fernandes.

 

Airbnb vai doar parte de receitas de cada reserva para alojamento a pessoas em crise

28 October 2026 at 22:21

A Airbnb vai doar a partir desta quarta-feira uma parte das receitas de cada estadia à Airbnb.org para proporcionar alojamento temporário gratuito a pessoas em situação de crise, com o objetivo de canalizar 500 milhões de dólares nos próximos cinco anos.

Segundo comunicado divulgado hoje, o novo modelo de financiamento vai permitir à Airbnb.org disponibilizar um milhão de noites de alojamento gratuito por ano a nível global.

A Airbnb precisou que vai doar 0,10 dólares (cerca de 0,09 euros) das receitas de cada estadia, sem que isso implique um aumento do montante pago pelos hóspedes ou uma redução dos pagamentos aos anfitriões. Não serão feitos donativos relativos a estadias canceladas antes do check-in nem a reservas de experiências ou serviços.

“Há catorze anos, após o furacão Sandy ter atingido a região, uma anfitriã disponibilizou a sua casa a pessoas que não tinham para onde ir. Esse simples gesto de generosidade deu origem à Airbnb.org. Desde então, ajudámos a proporcionar mais de 1,6 milhões de noites de alojamento gratuito a pessoas em situação de crise. Agora, sempre que alguém reservar um alojamento na Airbnb, estará também a ajudar outra pessoa a encontrar um lugar onde ficar quando mais precisar. É a Airbnb no seu melhor”, afirmou o cofundador e diretor executivo da Airbnb, Brian Chesky.

A Airbnb.org teve origem em 2012, na sequência do furacão Sandy, quando uma anfitriã abriu as portas da sua casa a desalojados. O gesto foi seguido por outros anfitriões e, em 2020, deu origem à fundação da organização independente sem fins lucrativos.

Desde então, a Airbnb.org já proporcionou mais de 1,6 milhões de noites de alojamento gratuito a mais de 250.000 pessoas em todo o mundo.

A organização, que este ano disponibilizou alojamento em resposta a mais de 200 catástrofes – face a apenas oito em 2023 -, está agora a alargar a sua atuação a outras situações.

O financiamento da Airbnb vai permitir apoiar, até ao final de 2026, famílias que se deslocam para receber cuidados médicos em mais de 20 países, vítimas de violência doméstica e exploração, e veteranos de guerra nos Estados Unidos com doenças graves.

A Airbnb.org colabora com organizações locais e entidades governamentais para identificar quem precisa de apoio e disponibiliza créditos para reserva de alojamento. Os hóspedes ficam alojados gratuitamente, enquanto os anfitriões recebem o pagamento pela estadia.

A Airbnb assegura os custos operacionais da organização, garantindo que a totalidade dos donativos do público se destina a alojamento gratuito, refere o comunicado.

Temu reforça controlo de qualidade com laboratórios próprios avaliados pela Bureau Veritas

28 October 2026 at 22:19
Temu

A plataforma de comércio eletrónico Temu está a reforçar os mecanismos de controlo de qualidade dos produtos vendidos no seu marketplace através da integração de laboratórios próprios nas operações logísticas, após uma avaliação independente realizada pela Bureau Veritas.

Segundo a empresa, a auditoria incidiu sobre laboratórios instalados em armazéns operados por parceiros logísticos da Temu e confirmou a capacidade técnica destas instalações para executar testes específicos de produtos de acordo com determinadas normas europeias. O objetivo é detetar potenciais problemas de conformidade antes da expedição dos artigos para os consumidores.

A avaliação da Bureau Veritas analisou equipamentos de teste, instalações e condições ambientais, procedimentos operacionais, sistemas de controlo de qualidade e competências técnicas das equipas. De acordo com a Temu, os laboratórios cumprem os requisitos técnicos necessários para a realização dos ensaios previstos.

Os laboratórios encontram-se já operacionais e efetuam controlos por amostragem em produtos selecionados. Entre os testes realizados estão verificações de segurança elétrica em eletrodomésticos, avaliações de desempenho de produtos têxteis e ensaios destinados a aferir o cumprimento das normas de segurança aplicáveis a brinquedos.

A Temu explica que esta nova camada de verificação complementa os controlos já efetuados antes da colocação dos produtos à venda e a monitorização contínua realizada posteriormente.

“O nosso objetivo é contribuir para elevar os padrões de controlo dos produtos nas plataformas de comércio eletrónico, integrando os testes laboratoriais de forma mais abrangente nas operações logísticas”, afirmou um porta-voz da empresa. O mesmo responsável sublinhou que esta capacidade permite “identificar e resolver potenciais problemas de conformidade antes da expedição”.

A empresa esclarece que os laboratórios internos não substituem os testes realizados por entidades terceiras independentes nem alteram a responsabilidade dos vendedores de garantir o cumprimento da regulamentação aplicável. Além disso, a avaliação da Bureau Veritas refere-se apenas à capacidade técnica dos laboratórios para realizar os ensaios previstos, não constituindo uma certificação dos produtos.

Também a Bureau Veritas destacou o investimento realizado pela plataforma no reforço dos controlos internos. “A Temu está a trabalhar para desenvolver uma plataforma de comércio eletrónico com um forte foco na qualidade e na conformidade”, afirmou um porta-voz da entidade de certificação, acrescentando que acompanhou “o tempo e o esforço significativos” dedicados ao desenvolvimento das capacidades internas de testes.

A colaboração entre as duas organizações decorre desde 2023 e abrange áreas como testes de produtos, controlos aleatórios, serviços de ensaio prestados a vendedores e ações de formação. O trabalho conjunto envolve categorias que incluem têxteis, equipamentos elétricos e eletrónicos, produtos de beleza e cuidados pessoais, materiais em contacto com alimentos, equipamentos de proteção individual e joalharia.

A Temu revelou ainda que está a explorar novas parcerias com organizações especializadas para expandir as capacidades dos seus laboratórios internos.

A iniciativa integra uma estratégia mais ampla de reforço da segurança dos produtos e da conformidade regulamentar. A empresa prevê investir cerca de 200 milhões de dólares em 2026 em programas de conformidade e garantia da qualidade a nível global, valor que representa o dobro do montante aplicado no ano anterior.

Além dos laboratórios instalados nos armazéns, a plataforma trabalha atualmente com mais de 60 instituições independentes de testes em todo o mundo e tem vindo a alargar os programas de formação dirigidos aos vendedores, com o objetivo de reforçar o cumprimento dos requisitos regulamentares e dos processos de certificação.

Eleições intercalares nos EUA: Governo dividido é o cenário mais provável, aponta JP Morgan

28 October 2026 at 22:00

A pouco menos de um mês das intercalares americanas, marcadas para 3 de novembro de 2026, o cenário mais provável é o de um governo dividido em Washington, com pelo menos uma câmara do Congresso a passar para controlo Democrata. É a conclusão de uma análise de Zara Nokes, Global Market Analyst da J.P. Morgan Asset Management, publicada a 8 de outubro.

Atualmente, as duas câmaras são controladas pelo Partido Republicano. Mesmo num cenário de vitória total dos Democratas, a chamada “blue sweep”, a maioria não deverá ser suficiente para ultrapassar o poder presidencial, o que aponta para um período de bloqueio político e poucas mudanças de fundo na política americana no curto prazo.

No Senado, estão em disputa 35 das 100 cadeiras este ano, incluindo eleições especiais na Florida e no Ohio. Destas, 22 são atualmente republicanas. Os Democratas precisariam de um ganho líquido de quatro lugares para assumirem o controlo, segundo o banco norte-americano

Na Câmara dos Representantes, todos os 435 lugares estão em jogo. Os Democratas têm atualmente 214 assentos e há duas vagas, uma delas anteriormente democrata. Se mantiverem esse lugar, precisam apenas de mais três para obter a maioria.

Apesar de o redesenho dos círculos eleitorais pós-2024 ter sido favorável aos Republicanos, as sondagens indicam dificuldades para manter a Câmara. Segundo a análise, pesam a queda acentuada da popularidade do Presidente Trump, o conflito no Médio Oriente que fez subir os preços da gasolina, gasóleo, crédito à habitação e dívida ao consumo, além de preocupações com o acesso à saúde e com a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega, o ICE.

Historicamente, o partido do Presidente quase sempre perde terreno na Câmara em eleições intercalares – aconteceu em 20 das últimas 23. Em média, a perda é de 27 lugares. Com uma maioria já curta e baixa aprovação, os Republicanos enfrentam um desafio acrescido, diz o JP Morgan.

A corrida ao Senado é mais renhida. O resultado dependerá de poucos estados competitivos. Para vencer, os Democratas teriam de segurar Geórgia, Michigan, Minnesota e New Hampshire e conquistar quatro lugares republicanos, com a mira apontada para Carolina do Norte, Maine e Ohio, onde lideram nas sondagens, e ainda Alasca, Texas, Kansas e Iowa.

Os Republicanos enfrentam uma ameaça é que há dois fatores podem ajudar os Democratas: o Canadá é o principal parceiro comercial de 26 estados americanos, incluindo Iowa, Maine, Carolina do Norte e Ohio, e as tensões comerciais entre EUA e Canadá estão a pressionar a inflação, num momento em que o custo de vida é a principal preocupação dos eleitores.

O preço do gasóleo a 6 dólares por galão em plena época de colheitas pode também penalizar os Republicanos nos estados agrícolas do Midwest.

O que significa para a política: três cenários, segundo o JP Morgan

Republicanos perdem a Câmara, mantêm o Senado. Este é o cenário considerado mais provável. A agenda doméstica da Casa Branca ficaria muito mais difícil de avançar. A área orçamental seria o principal ponto de pressão, já que Trump precisa do Congresso para financiar o governo e aumentar o teto da dívida, que deverá ser atingido em meados de 2027.

Os Republicanos ponderam uma “Reconciliation 3.0” para aprovar medidas com voto partidário antes do final do ano, incluindo o aumento do teto da dívida e mais despesa em defesa, habitação e saúde, mas a aprovação antes das intercalares parece improvável. O risco maior é de impasse orçamental e ameaças de shutdown. A pressão do mercado de obrigações deverá funcionar como travão a qualquer expansão orçamental significativa.

Com menos margem na política interna, Trump poderá focar-se em áreas onde tem mais poder discricionário, como política externa e comércio – como já se vê na guerra comercial com o Canadá. Uma Câmara democrata aumentaria também significativamente a fiscalização do executivo, com poder de intimação e controlo das agendas de investigação. O impeachment torna-se processualmente mais plausível, mas a destituição exigiria dois terços no Senado, o que é altamente improvável.

O segundo cenário mais preocupante para os Republicanos é perderem Câmara e Senado. Mas mesmo com controlo total do Congresso, os Democratas teriam dificuldade em aprovar legislação de fundo. Ultrapassar um veto presidencial exige dois terços em ambas as câmaras, e superar um filibuster no Senado exige 60 votos. Concessões limitadas em saúde poderão ser possíveis, mas grandes reformas regulatórias, de saúde ou climáticas são improváveis.

Uma área com apoio bipartidário é a regulação da Inteligência Artificial. Esforços federais para limitar a construção de data centers de IA seriam provavelmente vetados, mas ganhos democratas poderiam dar impulso a restrições a nível estadual, sobretudo em estados democratas.

O controlo do Senado daria ainda aos Democratas poder sobre nomeações – para o Supremo Tribunal, tribunais inferiores e Reserva Federal –, reduzindo o risco de desafios à independência das instituições, em particular da Fed.

O terceiro cenário seria os Republicanos manterem a Câmara e Senado. É considerado o menos provável, embora não seja impossível.

Neste caso, a administração Trump prometeu entregar cheques de 5.000 dólares a cada adulto americano, a um custo estimado entre 1,20 e 1,35 biliões de dólares, medida que dificilmente reunirá apoio dos republicanos mais preocupados com as contas públicas. Poderá também avançar com o SAVE America Act para combater fraude eleitoral, mas também sem votos suficientes.

E 2028?

As intercalares serão um termómetro para as presidenciais de 2028. Para os Democratas, vitórias de candidatos mais progressistas no Midwest, como Abdul El-Sayed no Michigan, podem reforçar a tese de uma nomeação mais à esquerda, como Alexandria Ocasio-Cortez. Para os Republicanos, a questão será se é possível vencer estando totalmente alinhado com Trump ou se é preciso criar uma identidade mais independente.

Para os investidores, a mensagem é de continuidade. “Em geral, num cenário de governo dividido – seja ou não uma vitória total democrata – Washington deverá entrar num período de bloqueio político”, resume a análise.

Zara Nokes, Global Market Analyst da J.P. Morgan Asset Management, diz que, com menor capacidade de moldar a política interna, aumenta o risco de uma presença americana mais imprevisível no palco global e de maior recurso a ordens executivas – uma tendência já visível nos primeiros dois anos do segundo mandato de Trump.

Ainda assim, conclui Nokes, os mercados tendem a ignorar o ruído político: quanto mais caótico o cenário político, maior a probabilidade de governos em todo o mundo recorrerem a estímulo orçamental.

IA Portugal lança loja online de inteligência artificial para PME com soluções prontas a implementar

28 October 2026 at 21:52

A IA Portugal anunciou o lançamento de uma plataforma de comércio eletrónico dedicada à venda de soluções de inteligência artificial para pequenas e médias empresas (PME), num modelo que promete simplificar o acesso a esta tecnologia através de preços fixos, contratação online e implementação em poucos dias.

Segundo a empresa, a nova loja digital disponibiliza serviços nas áreas de diagnóstico e estratégia, formação, desenvolvimento de soluções de inteligência artificial e marketing, com preços a partir de 97 euros por mês. A oferta inclui chatbots, automações, ferramentas de governança de IA e produção de conteúdos, estando todas as soluções sujeitas a validação humana antes da entrega ao cliente.

“As PME portuguesas não precisam de mais reuniões sobre IA. Precisam de colocar a inteligência artificial a funcionar o mais depressa possível”, afirma Ricardo Gil, fundador da IA Portugal.

A empresa justifica a iniciativa com os obstáculos que muitas PME continuam a enfrentar na adoção de inteligência artificial, apesar do crescente reconhecimento da importância destas tecnologias para a competitividade empresarial. Entre as principais barreiras identificadas estão a falta de recursos técnicos, limitações orçamentais e a complexidade dos processos habitualmente associados à consultoria tecnológica.

De acordo com a IA Portugal, o objetivo passa por oferecer uma alternativa aos modelos tradicionais de consultoria, frequentemente caracterizados por processos comerciais prolongados, propostas técnicas complexas e custos difíceis de antecipar. Com a nova plataforma, as empresas podem consultar os serviços disponíveis, conhecer previamente os preços e contratar soluções sem necessidade de reuniões iniciais ou contratos de fidelização.

No catálogo constam diagnósticos de maturidade digital a partir de 197 euros, com entrega prevista em 48 horas, além de soluções de automatização, assistentes virtuais e um pacote de governança destinado a apoiar a utilização da inteligência artificial em conformidade com o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD).

Na área do marketing, a empresa disponibiliza serviços de criação de conteúdos para redes sociais, artigos, imagens, vídeos e newsletters. Já na vertente de formação, a oferta inclui workshops online e presenciais com preços a partir de 247 euros por sessão.

A IA Portugal disponibiliza ainda ferramentas destinadas a ajudar as empresas a analisar a forma como as suas marcas são apresentadas por assistentes de inteligência artificial, como o ChatGPT, e a otimizar a sua presença nestes novos canais de descoberta e recomendação.

Segundo a empresa, o processo de contratação e implementação pode ser concluído entre dois e 15 dias úteis, dependendo do serviço escolhido. As subscrições mensais não incluem períodos mínimos de permanência, permitindo aos clientes cancelar o serviço a qualquer momento.

A tecnológica defende que a combinação entre inteligência artificial e supervisão humana permite disponibilizar soluções a custos mais reduzidos do que os modelos tradicionais de consultoria. A empresa estima que os clientes possam alcançar ganhos de produtividade até 50% e reduções de custos operacionais até 40%, sobretudo em áreas como atendimento ao cliente, criação de conteúdos, processamento documental e elaboração de relatórios.

“A nossa missão é colocar a inteligência artificial a trabalhar em todas as PME portuguesas, independentemente da sua dimensão, da existência de uma equipa técnica ou do orçamento disponível”, sublinha Ricardo Gil.

Lucros da XTB disparam quase 300% no terceiro trimestre para 49,3 milhões de euros

28 October 2026 at 21:41
XTB - O sonho da aterragem suave

A XTB encerrou o terceiro trimestre de 2026 um resultado líquido consolidado a disparar 295,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo os 49,3 milhões de euros.

O desempenho trimestral da corretora financeira superou as estimativas dos analistas, mesmo num contexto de menor volatilidade nos mercados financeiros entre julho e setembro. Com este resultado, o lucro acumulado da XTB nos primeiros nove meses do ano ascende aos 289,9 milhões de euros — um salto expressivo face aos 109,4 milhões de euros registados no período homólogo de 2025.

As receitas operacionais da empresa acompanharam a trajetória de forte crescimento, alcançando os 143,8 milhões de euros no terceiro trimestre (+63,3% face ao ano anterior). No total dos primeiros três trimestres de 2026, as receitas operacionais já somam 633,1 milhões de euros, representando um aumento de 74,5%.

“O último trimestre provou que a nossa estratégia é eficaz não apenas em períodos de maior volatilidade nos mercados financeiros. Os últimos meses caracterizaram-se por uma acalmia significativamente maior do que no primeiro semestre de 2026 e, apesar disso, conseguimos alcançar resultados financeiros que superaram as expectativas dos analistas”, destacou Omar Arnaout, CEO da XTB.

Mais de 1 milhão de novos clientes em 2026

O crescimento assenta numa expansão acelerada da base de utilizadores. Só no terceiro trimestre, a plataforma acolheu mais de 335 mil novos utilizadores (+51,4%), fazendo com que o total de novos clientes adicionados desde o início do ano ultrapasse a fasquia do 1 milhão de investidores (1,04 milhões).

A base total de clientes da XTB fixou-se em quase 3,14 milhões (+64,8% em termos homólogos), enquanto os clientes ativos atingiram o recorde de 1,56 milhões (+70,3%).

Os ativos dos clientes sob custódia da XTB atingiram o valor recorde de 12,7 mil milhões de euros no final de setembro. Este crescimento tem sido impulsionado pela mudança no perfil de investimento da plataforma: mais de 84% dos novos clientes começam por negociar ações, ETFs ou Planos de Investimento.

No total, as ações (5,8 mil milhões de euros) e os ETFs (5,3 mil milhões de euros) representam já mais de 86% do total dos ativos detidos na corretora.

BCE decide esta quinta-feira: cada 0,25 pontos na Euribor pode custar 21 euros por mês num crédito de 150 mil euros

28 October 2026 at 21:38
Euribor

O Banco Central Europeu volta a decidir as taxas de juro na quinta-feira, 29 de outubro. A decisão não altera de imediato a prestação do crédito à habitação, mas pode influenciar a Euribor — e, com ela, o valor pago mensalmente por milhares de famílias portuguesas.

Como regra de bolso, cada 0,1 ponto de variação na Euribor equivale a cerca de 0,50 euro a 0,60 euros por mês por cada 10.000 euros em dívida, em prazos entre 15 e 30 anos. Num crédito de 150.000 euros a 30 anos, um aumento de 0,25 pontos representa aproximadamente 21 euros a mais por mês. Uma descida dos juros na mesma dimensão reduz a prestação no mesmo montante. Os números são calculados pela Academia das Finanças.

Por cada 10.000 euros em dívida, um aumento de 0,25 pontos acrescenta 1,29 euros mensais num prazo de 20 anos, 1,35 euros em 25 anos e 1,41 euros em 30 anos.

Por sua vez com uma subida de 0,50 pontos, os valores sobem para 2,60 euros, 2,72 euros e 2,84 euros, respetivamente. Os cálculos assumem uma prestação constante e uma TAN inicial de 3,5%.

Importa sublinhar que a decisão do BCE não chega logo à prestação: na revisão, o banco utiliza a média da Euribor do mês anterior e só atualiza a taxa no prazo do indexante, de três, seis ou doze meses, como determina o Decreto-Lei n.º 74-A/2017, artigo 21.º.

Além disso, a Euribor costuma antecipar as decisões do BCE: a 26 de outubro, a taxa a seis meses situava-se em 2,978%, com a taxa de depósito do BCE em 2,50%.

A Academia das Finanças destaca que a Euribor a seis meses subiu 0,042 pontos numa semana, para 3,012% a 23 de outubro, sinal de que o mercado já estava a precificar um cenário menos favorável para as prestações.

BCP supera expectativas no 3º trimestre e reforça metas estratégicas para 2028, diz Jefferies que mantém price-target

28 October 2026 at 21:28

O Banco Comercial Português (BCP) apresentou um resultado líquido de 308 milhões de euros no terceiro trimestre de 2026, superando em 3% as previsões do consenso de mercado, com a receita financeira em Portugal a destacar-se como o principal motor do desempenho, segundo uma nota de análise do Jefferies.

Os analistas mantiveram a recomendação de “buy” para as ações do banco e um preço-alvo de 1,30 euros, o que representa um potencial de valorização de cerca de 19% face à cotação de 1,09 euros.

As ações do BCP subiram 0,046% para 1,09 euros. Mas o impacto das contas só se vai ver na cotação desta quinta-feira.

De acordo com o Jefferies, os resultados ficaram acima do esperado graças a receitas mais fortes, sobretudo na margem financeira e nos resultados de mercados, bem como a custos inferiores ao antecipado. Ao nível do resultado antes de impostos, o banco apresentou um desempenho 5% acima das estimativas.

A margem financeira (NII) excedeu em 2% as previsões dos analistas, registando um crescimento de 6% face ao trimestre anterior e de 11% em termos homólogos. A margem de juros melhorou sete pontos base no trimestre, beneficiando de uma expansão tanto em Portugal como na Polónia.

“A margem financeira portuguesa foi a estrela do trimestre”, sublinha o Jefferies, destacando que esta cresceu 14% nos primeiros nove meses do ano.

O banco revelou ainda uma evolução favorável da atividade comercial. A carteira de crédito aumentou 1,4% em cadeia e 7,8% em termos homólogos, impulsionada pelo segmento de particulares em Portugal, que cresceu 10,2%, e pela atividade empresarial na Polónia, onde o crédito às empresas avançou 23%.

Já os depósitos de clientes recuaram ligeiramente face ao trimestre anterior, refletindo a sazonalidade habitual do terceiro trimestre, mas mantiveram um crescimento de 6% relativamente ao período homólogo.

No capítulo da qualidade dos ativos, o BCP registou imparidades totais de 161 milhões de euros, um valor ligeiramente acima do esperado. Este montante inclui uma provisão adicional de 67 milhões de euros na Polónia, dos quais cerca de 35 milhões estão relacionados com o risco associado aos créditos hipotecários em francos suíços, bem como uma provisão de 21 milhões de euros referente ao risco soberano em Moçambique.

Apesar destes encargos, o custo do risco fixou-se em 38 pontos base no trimestre, com Portugal a apresentar uma evolução melhor do que a indicada nas orientações do banco.

A posição de capital permaneceu robusta. O rácio CET1 atingiu 15,2%, superando em 30 pontos base as expectativas dos analistas e beneficiando de operações de transferência significativa de risco (SRT).

Em paralelo com a divulgação dos resultados, o BCP atualizou em alta as metas estratégicas para 2028.

O banco passa agora a prever lucros acumulados entre 2025 e 2028 de 4,75 mil milhões a 5,25 mil milhões de euros, acima da meta anterior de 4 mil milhões a 4,5 mil milhões de euros.

A instituição passou ainda a apontar para uma rendibilidade dos capitais próprios (RoE) superior a 17,5% em 2028, face ao objetivo anterior de mais de 13,5%, além de um rácio CET1 superior a 14,25%, acima da meta anterior de 13,5%.

O Jefferies nota que as novas metas estão alinhadas com as suas próprias estimativas, que apontam para lucros acumulados de 5,17 mil milhões de euros entre 2025 e 2028 e um RoE de 19,1% no final do período.

O retorno sobre o capital tangível (RoTE) do BCP situou-se em 16,1% no terceiro trimestre.

Contribuições obrigatórias aumentam para 42,2 milhões e BCP aguarda efeitos da decisão do Constitucional

28 October 2026 at 19:21

As contribuições obrigatórias suportadas pelo BCP em Portugal aumentaram para 42,2 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2026, face aos 38,7 milhões de euros registados no mesmo período do ano passado. Segundo Miguel Maya, a evolução reflete sobretudo o aumento da contribuição sobre o setor bancário, que passou de 28,6 milhões para 31,3 milhões de euros, acompanhando o crescimento do banco.

Questionado sobre o impacto da decisão do Tribunal Constitucional (TC), que deu parcialmente razão ao Millennium BCP no processo relativo às contribuições para o Fundo de Resolução, através do Acórdão n.º 666/2026, o presidente executivo afirmou que “não há aqui vitórias ou derrotas”, reiterando que o banco considera que o modelo atual representa “uma carga inusitada”.

O TC declarou inconstitucional a norma que permitia ao Banco de Portugal fixar as taxas das contribuições periódicas adicionais para o Fundo de Resolução relativas ao período entre 2013 e 2017, por entender que a definição desse elemento essencial cabia ao legislador. A decisão não abrange a contribuição inicial e não produz automaticamente efeitos para os restantes bancos.

Em detalhe, o Tribunal Constitucional, através do Acórdão n.º 666/2026, de 13 de julho de 2026, pronunciou-se sobre o recurso de constitucionalidade de uma decisão do Supremo Tribunal Administrativo (STA), de 11 de setembro de 2024, relativa às contribuições periódicas para o Fundo de Resolução pagas entre 2013 e 2017. O TC concedeu provimento parcial ao recurso e determinou a reforma da decisão do STA em conformidade com o juízo de inconstitucionalidade.

Em causa está a norma que permitia ao Banco de Portugal fixar as taxas das contribuições periódicas adicionais para o Fundo de Resolução naquele período, tendo o TC considerado que a definição desse elemento essencial cabia ao legislador.

O processo aguarda agora que o Supremo Tribunal Administrativo reforme o seu acórdão de 11 de setembro de 2024, em conformidade com a decisão do Tribunal Constitucional.

Miguel Maya referiu que o montante das contribuições que poderão ser abrangidas pelos processos judiciais ascende a cerca de 154 milhões de euros, excluindo a contribuição sobre o setor bancário.

O CEO sublinhou que a decisão ainda não permite antecipar um impacto nas contas do BCP. Mas voltou a defender uma alteração do modelo que permita às instituições financeiras concorrer em condições de maior igualdade.

BCP reorienta financiamento imobiliário para construção a custos moderados e está aberto a soluções com municípios

28 October 2026 at 18:58

O BCP está a reorientar a sua capacidade comercial e de análise de operações para apoiar projetos de promoção imobiliária destinados à classe média, com custos mais controlados, e está a estudar modelos de financiamento que envolvem cooperativas e parcerias entre municípios e promotores privados, anunciou o presidente executivo do banco, Miguel Maya.

Na conferência de imprensa de apresentação dos resultados dos primeiros nove meses do ano, o CEO do BCP explicou que o banco reorganizou as suas equipas para acelerar a análise e o financiamento de projetos que respondam às necessidades do mercado habitacional.

“O nosso foco está muito centrado naquilo que é o apoio a projetos que estão dentro da classe média e média, mas são mais custos controlados”, afirmou Miguel Maya, acrescentando que o banco pretende contribuir para aumentar a oferta de habitação.

O  banqueiro sublinhou que o BCP tem uma quota de mercado significativa no financiamento da promoção imobiliária, dispondo de uma unidade de negócio com profissionais especializados nesta área.

O CEO do BCP explicou que o banco está a reforçar a capacidade de analisar projetos imobiliários, incluindo operações que, na sua configuração inicial, não reúnem condições para obter financiamento.

“Conjuntamente com os promotores que nos apresentam um projeto, muitas vezes apresentam-no numa configuração que pode não ser possível de apoiar pelo BCP, e o BCP redesenha, ajuda a redesenhar uma operação, de forma a que essa operação seja melhor”, explicou.

A reorganização pretende permitir uma resposta mais rápida à procura e aumentar a capacidade de adaptação das soluções financeiras às características dos projetos.

O CEO não adiantou operações concretas nem revelou a evolução do volume de crédito destinado à promoção imobiliária, mas reiterou que o banco está a concentrar recursos em projetos dirigidos à classe média e a segmentos com custos de construção e venda mais acessíveis.

Cooperativas e parcerias com municípios

Além do financiamento tradicional aos promotores imobiliários, o BCP está a analisar soluções alternativas, nomeadamente através de cooperativas e de parcerias entre autarquias e empresas privadas.

Miguel Maya revelou que o banco já tem operações com cooperativas em análise e que algumas decisões de financiamento foram tomadas.

O BCP está também a trabalhar em modelos nos quais os municípios desenvolvem projetos em parceria com privados, com financiamento partilhado entre as diferentes entidades. Nestes casos, os promotores asseguram a exploração dos empreendimentos, enquanto as autarquias podem arrendar as habitações a preços inferiores aos praticados no mercado.

“Já temos operações aprovadas nesta metodologia”, afirmou, ressalvando que ainda não existe nenhuma operação concretizada neste modelo.

O responsável defendeu que a banca deve procurar acompanhar a transformação da procura habitacional e participar ativamente na resposta à crise, reconhecendo, contudo, que se trata de um problema complexo, sem soluções simples. “O que não podemos fazer é não fazer”, disse o banqueiro.

Garantia pública facilita acesso à habitação

Miguel Maya voltou também a defender a garantia pública no crédito à habitação, considerando que a medida permite a jovens e casais com rendimentos suficientes comprar casa, apesar de não disporem de poupanças para suportar a entrada inicial.

“Há muitos casais que têm capacidade e têm rendimento. O que não têm é entrada inicial”, afirmou, considerando que a medida é relevante para a sociedade portuguesa.

O CEO reconheceu que a garantia pública não resolve o problema da habitação, mas reiterou que permite alargar o acesso à compra de casa a um conjunto de pessoas que, de outra forma, ficaria excluído do mercado.

O BCP já usou 88% da sua quota de garantia do Estado de apoio aos jovens, o que inclui crédito contratado e em contratação.

Sobre a evolução do crédito, Miguel Maya rejeitou que o aumento seja, por si só, motivo de preocupação, defendendo que o financiamento deve acompanhar as necessidades da economia. Com o fim do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), acrescentou, uma parte significativa do investimento terá de continuar a ser suportada pelo financiamento bancário.

Já quando questionado sobre a rede comercial e os recursos humanos, Miguel Maya afirmou que o BCP está a contratar profissionais para reforçar competências nas áreas digital, da inteligência artificial, do controlo interno e das equipas comerciais.

O responsável indicou que o banco tem atualmente mais trabalhadores na área comercial do que em 10 de dezembro do ano passado.

Quanto à rede de balcões, afastou a existência de um plano de redução significativa em Portugal, afirmando que o banco pretende manter a dimensão global atual, embora possa fechar algumas agências e abrir outras, em função da evolução da população e da atividade económica.

Sobre as negociações salariais com os sindicatos, Miguel Maya recusou antecipar uma decisão sobre aumentos para este ano, sublinhando que as conversações decorrem diretamente com as estruturas sindicais e que qualquer entendimento será anunciado quando estiver concluído. “O BCP toma as decisões nos tempos que são corretos”, afirmou.

O CEO manifestou confiança na evolução do negócio, apesar do contexto de incerteza económica e geopolítica, destacando a execução das linhas estratégicas do banco e o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos.

BCP atualiza metas do plano estratégico 2025-2028 e aponta a mais de 200 mil milhões em volume de negócios

28 October 2026 at 17:43

O Millennium BCP reviu em alta as metas do seu plano estratégico para 2025-2028, refletindo uma execução mais forte do previsto e o atual contexto macroeconómico. O banco passa a prever, para 2028, uma rentabilidade sobre capitais próprios (ROE) no consolidado e 17,5% em Portugal, acima dos objetivos iniciais de mais de 13,5%.

Na atividade, o BCP elevou o objetivo de volume de negócios consolidado para mais de 200 mil milhões de euros, face aos mais de 190 mil milhões previstos anteriormente. Em Portugal, a meta passa a ser superior a 130 mil milhões de euros, acima dos anteriores mais de 120 mil milhões.

As novas projeções para o ciclo estratégico 2025-2028 refletem as atuais expectativas macroeconómicas e estabelecem também objetivos mais ambiciosos para a operação em Portugal, onde o banco pretende ultrapassar os 130 mil milhões de euros em volume de negócios, acima dos mais de 120 mil milhões previstos anteriormente.

O banco mantém o objetivo de superar os oito milhões de clientes até 2028, dos quais mais de três milhões em Portugal. Na área digital, pretende que mais de 80% dos clientes utilizem canais móveis, uma meta que já constava do plano inicial.

Ao nível da eficiência operacional, o BCP prevê agora alcançar um rácio de custos sobre receitas (cost-to-income) igual ou inferior a 37%, face ao objetivo anterior de menos de 40%. Para Portugal, a meta passa a ser de 34% ou menos, em comparação com menos de 37% anteriormente.

O banco reviu igualmente em baixa os objetivos para o custo do risco, que deverá ficar em 43 pontos base ou menos no grupo, contra a meta anterior de menos de 50 pontos base. Em Portugal, pretende limitar este indicador a 35 pontos base, face aos menos de 45 pontos base previstos inicialmente.

Em termos de rendibilidade, o Millennium BCP aponta para um retorno sobre os capitais próprios (ROE) de pelo menos 17,5% em 2028, acima do objetivo anterior de mais de 13,5%. No capital, pretende manter um rácio CET1 igual ou superior a 14,25%, face à meta anterior de mais de 13,5%.

O banco mantém ainda o compromisso de permanecer no quartil superior do índice de sustentabilidade S&P Global CSA.

Quanto à remuneração dos acionistas, o plano prevê a distribuição de até 90% dos resultados, sujeita à aprovação do supervisor e às condições de capital e de negócio. Para o período entre 2025 e 2028, o BCP tinha estabelecido como referência um resultado líquido acumulado entre quatro mil milhões e 4,5 mil milhões de euros, associado à concretização dos objetivos definidos para Portugal e para a atividade internacional e ao cumprimento da meta de capital CET1.

No final de setembro de 2026, o banco apresentava um volume de negócios de 182 mil milhões de euros, 7,5 milhões de clientes, dos quais três milhões em Portugal, e um rácio CET1 de 15,2%. O ROE situava-se nos 14,9%, enquanto o rácio cost-to-income era de 36% e o custo do risco de 34 pontos base.

As projeções para 2028 estão sujeitas a riscos e incertezas, nomeadamente relacionados com a evolução do contexto regulamentar, político e macroeconómico, sublinha o banco.

 

Coface revê risco global e diz que tensão no Golfo penaliza Qatar, Arábia e EAU

28 October 2026 at 14:22

A Coface reviu em baixa as avaliações de risco do Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, penalizados pela instabilidade geopolítica e pelas perturbações no Estreito de Ormuz, anunciou hoje a seguradora de crédito.

Na atualização trimestral das avaliações de risco por países e setores, a Coface registou quatro melhorias e três deteriorações no risco-país e oito melhorias e doze deteriorações no risco setorial, refletindo o impacto da instabilidade geopolítica, dos elevados custos energéticos, das disrupções logísticas e das condições financeiras mais restritivas.

O Qatar desceu de A3 para A4 devido à forte dependência dos hidrocarbonetos, que representam cerca de 80% das receitas fiscais, 90% das exportações e 35% do PIB, num contexto marcado por ataques à infraestrutura energética e quebra do turismo.

A Arábia Saudita foi revista de A3 para A4, refletindo a contração da atividade petrolífera, o abrandamento da economia não petrolífera e os riscos crescentes para as rotas de exportação marítimas e terrestres.

Os Emirados Árabes Unidos registaram igualmente um downgrade, de A2 para A3, devido à vulnerabilidade das exportações energéticas, às perturbações no comércio e transporte internacional e ao aumento dos custos de financiamento.

Em contraciclo, as Bahamas subiram de B para A4, beneficiando da consolidação orçamental, da descida da dívida pública e do dinamismo do turismo. El Salvador evoluiu de D para C, sustentado pela expansão do turismo e da construção, pela melhoria das condições de segurança e pelo progresso no programa acordado com o Fundo Monetário Internacional.

Montenegro passou de C para B, impulsionado pelo crescimento económico, pela redução do desemprego e pelo avanço do processo de adesão à União Europeia. A Zâmbia melhorou de D para C, apoiada na recuperação macroeconómica, na procura robusta de cobre e no reforço da confiança dos investidores.

No plano setorial, o agroalimentar concentrou o maior número de descidas, afetando a Argentina, Áustria, França, Polónia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Na Europa, a deterioração está relacionada com as ondas de calor e os períodos de seca que afetaram severamente a produção agrícola durante o verão de 2026. No caso da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, a forte dependência das importações alimentares aumenta a exposição a perturbações logísticas e a custos de transporte mais elevados.

A Coface agravou ainda as avaliações do setor automóvel na Argentina, da construção no Canadá, da indústria da madeira em França, do setor farmacêutico na Coreia do Sul e do setor dos transportes na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos.

Entre as melhorias setoriais destacam-se a construção na Coreia do Sul, os químicos em Israel, as tecnologias de informação e comunicação na Argentina, Chile e Países Baixos, os metais nos Estados Unidos, o retalho nos Estados Unidos e a energia no Chile.

Segundo a seguradora, o retalho norte-americano demonstrou uma capacidade de adaptação superior ao esperado, sustentada pela robustez do mercado de trabalho, pelos ganhos nos mercados financeiros e pelo aumento do rendimento disponível das famílias, resiliência que deverá prolongar-se ao longo de 2027.

A revisão de outubro confirma que a evolução do conflito no Médio Oriente continua a ser um dos principais fatores de risco para a economia mundial, afetando particularmente as economias dependentes do comércio internacional e os setores com maior exposição logística, enquanto as atividades ligadas à tecnologia, energia e mercados de consumo mais resilientes revelam maior capacidade de adaptação, conclui a Coface.

Crédito Agrícola e Sindicatos acordam aumento salarial de 3% para 2026

28 October 2026 at 14:14

O Grupo Crédito Agrícola e as organizações sindicais chegaram a acordo para uma atualização salarial de 3% no ano de 2026, com efeitos retroativos a janeiro. A medida aplica-se às entidades abrangidas pelo Acordo Coletivo de Trabalho das Instituições de Crédito Agrícola Mútuo e vem substituir o aumento de 2% que já tinha sido antecipado no início do ano.

Além da revisão das grelhas salariais, o entendimento alcançado contempla a atualização do subsídio de alimentação diário para 12,05 euros. Ficou igualmente estabelecido o aumento do montante máximo do Crédito Habitação atribuído aos trabalhadores para os 250.000 euros. Com este pacote de medidas, a instituição financeira pretende reforçar o conjunto de condições remuneratórias e sociais dos seus colaboradores, mantendo a aposta no talento e no investimento contínuo na sua política de Recursos Humanos.

O Grupo Crédito Agrícola é uma instituição de génese cooperativa com capitais exclusivamente nacionais, contando com cerca de 413 mil associados, mais de 1,65 milhões de clientes e uma rede superior a 600 agências em todo o país. Constituído pelas Caixas de Crédito Agrícola Mútuo, pela Caixa Central e por empresas nas áreas seguradora e de gestão de ativos, o grupo tem vindo a consolidar o seu posicionamento no setor financeiro português, tendo sido recentemente distinguido pela revista The Banker como “O Banco com Melhor Desempenho em Portugal” pelo segundo ano consecutivo.

CFP clarifica que não estima que excedente possa ficar acima do previsto e alerta para défice de 0,1%

28 October 2026 at 13:58

O Conselho das Finanças Públicas (CFP) emitiu esta terça-feira, 28 de outubro, um esclarecimento a desmentir que tenha afirmado que o excedente orçamental estimado pelo Governo para 2027 possa ficar acima do previsto.

No documento, o CFP refere que “em parte alguma do Relatório ou da informação dele constante, se refere que o excedente estimado pelo Governo pode ficar acima do previsto”, contrariando a interpretação que tem sido veiculada por alguns Órgãos de Comunicação Social (OCS) a propósito do relatório “Análise da Proposta de Orçamento do Estado para 2027”.

O Conselho reconhece que o excedente de 0,1% projetado pelo Governo para 2027 é considerado plausível, mas sublinha que a previsão orçamental apresentada na Proposta de Orçamento do Estado encerra importantes “riscos descendentes”.

Aliás, a projeção central do próprio CFP aponta em sentido oposto ao do Executivo. Após incorporação das novas medidas de política adotadas ou propostas pelo Governo, o CFP estima um défice de 0,1% do PIB para 2027, e não um excedente.

O esclarecimento vem assim repor a leitura correta do parecer do órgão independente liderado por Nazaré da Costa Cabral, numa altura em que a proposta de Orçamento do Estado para 2027 está em discussão pública.

Ema Leitão vence Prémio BPI Empresária 2026 e torna-se primeira líder da ANTRAM distinguida com o galardão

28 October 2026 at 13:40

A diretora executiva da TN Transportes, Ema Leitão, foi distinguida com o Prémio BPI Empresária 2026, uma iniciativa que reconhece o percurso profissional de mulheres empresárias portuguesas e promove a visibilidade da liderança feminina no mundo empresarial.

O prémio foi entregue numa gala realizada em Madrid, integrada nas comemorações dos 10 anos do CaixaBank Premio Empresaria, distinção homóloga atribuída em Espanha.

Ema Leitão pertence à terceira geração da empresa familiar TN Transportes, fundada em 1968, e assumiu a direção executiva da transportadora em 2023. Este ano tornou-se também a primeira mulher a presidir à ANTRAM, associação representativa do setor do transporte rodoviário de mercadorias, nos seus 50 anos de história.

“Foi com alegria e responsabilidade que recebi este prémio. Vejo-o não como uma distinção individual, mas como o reconhecimento de todos aqueles que me são mais próximos e que me têm acompanhado ao longo deste percurso”, afirmou a gestora.

A responsável acrescentou que partilha a distinção “com a equipa da Transportes Nogueira, que veste a camisola todos os dias, e com a minha família, que me transmitiu os valores essenciais que também procuro passar aos meus filhos”.

Antes da cerimónia, a empresária portuguesa participou num encontro com o presidente executivo do CaixaBank, Gonzalo Gortázar, juntamente com as vencedoras espanholas da edição de 2026 do prémio, para troca de experiências sobre liderança e gestão empresarial.

Licenciada em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, Ema Leitão, de 44 anos, iniciou a carreira na Auto-Sueco e na Galp Energia antes de ingressar, em 2006, na TN – Transportes M. Simões Nogueira. Atualmente é também acionista e administradora de outras empresas do grupo familiar.

Com mais de 300 colaboradores, a TN Transportes opera no transporte rodoviário de mercadorias, em Portugal e no estrangeiro, e tem vindo a apostar em políticas de responsabilidade social e sustentabilidade ambiental como parte da sua estratégia empresarial.

O Prémio BPI Empresária distinguiu, nas anteriores edições, Sandra Tavares Silva (Wine & Soul), Paula Roque (Revigrés), Cláudia Azevedo (Grupo Sonae), Isabel Azevedo (Grupo FRICON), Sandra Santos (BA Glass), Isabel Furtado (TMG), Manuela Medeiros (Parfois) e Leonor Freitas (Casa Ermelinda Freitas).

Segundo o BPI, a iniciativa pretende valorizar o mérito e o contributo das mulheres para o desenvolvimento económico, considerando a diversidade um fator de inovação, competitividade e crescimento sustentável nas empresas.

Antas da Cunha Ecija expande atividade ao setor da Segurança e da Defesa

28 October 2026 at 12:48

A sociedade de advogados Antas da Cunha Ecija anunciou hoje 28 de outubro a expansão da sua atividade ao setor da Segurança e da Defesa, numa estrutura que será coordenada pelo sócio Paulo Sande e que contará com a consultoria do coronel Luís Manuel Brás Bernardino.

Em comunicado, a sociedade explica que a nova área agrega uma equipa multidisciplinar com competências em Direito Público nacional e internacional, Direito da União Europeia, Contratação Pública, Propriedade Industrial, Cibersegurança e Fusões & Aquisições (M&A).

“Num contexto marcado pelo reforço da autonomia estratégica europeia, pelo crescimento do investimento em Defesa e Segurança, pela crescente relevância das tecnologias de dupla utilização e pelo aumento das exigências regulamentares e regulatórias que estão a transformar profundamente o setor, achámos que fazia todo o sentido investirmos neste projeto”, justifica o ‘managing partner’ da Antas da Cunha Ecija, Fernando Antas da Cunha, citado na nota de imprensa.

O novo consultor internacional de segurança do projeto, o coronel do Exército na reserva Luís Manuel Brás Bernardino, conta com mais de 37 anos de serviço e experiência em missões internacionais das Nações Unidas, União Europeia e NATO. É doutorado em Relações Internacionais, mestre em Estratégia, docente universitário e preside, desde junho de 2024, ao Observatório dos Ecossistemas e Infraestruturas Digitais em Portugal.

Os serviços do novo departamento destinam-se a fabricantes e integradores de sistemas, fornecedores de tecnologia e equipamento militar, operadores de infraestruturas críticas e prestadores de serviços de segurança.

A intervenção da equipa incidirá em áreas como contratação pública, controlo de importações e exportações, conformidade regulatória, proteção de informação classificada, propriedade intelectual e gestão de risco.

Para assinalar o lançamento do setor, a sociedade promove no próximo dia 3 de novembro, a partir das 17:30, uma sessão de reflexão na Sociedade de Geografia de Lisboa. O encontro contará com intervenções de Fernando Antas da Cunha, do coronel Luís Bernardino e do CEO da Tekever, Ricardo Mendes, terminando com um debate sobre regulação, responsabilidade e ‘compliance’ na indústria da defesa.

Dower lança ferramenta com inteligência artificial para diagnosticar desigualdades salariais em três dias

28 October 2026 at 12:47

A sociedade de advogados Dower anunciou o lançamento do IGUALA, uma ferramenta baseada em inteligência artificial que permite às empresas obter, em três dias úteis, um diagnóstico preliminar da sua estrutura remuneratória, com o objetivo de identificar eventuais disparidades salariais entre mulheres e homens e apoiar a adaptação às novas regras europeias de transparência salarial.

Desenvolvida pela área tecnológica da sociedade, a Dower Tech, a solução surge numa altura em que as empresas portuguesas se preparam para a implementação da Diretiva Europeia da Transparência Salarial, cujo prazo de transposição terminou em 7 de junho de 2026. Em agosto, o Governo colocou em consulta pública a proposta de lei destinada a transpor a diretiva para o ordenamento jurídico nacional.

Segundo a Dower, o IGUALA pretende responder à crescente procura das empresas por mecanismos que lhes permitam avaliar rapidamente a sua situação face às futuras exigências legais em matéria de igualdade remuneratória.

“A transparência salarial deixou de ser uma questão de futuro. É uma exigência que as empresas têm de enfrentar e para a qual não devem adiar a sua preparação. No contacto com o mercado, temos identificado uma necessidade crescente de respostas concretas e imediatas sobre por onde começar. Foi precisamente para responder a essa necessidade que desenvolvemos o IGUALA”, afirma Eduardo Castro Marques, managing partner da Dower.

A ferramenta opera em três etapas. Numa primeira fase, procede à análise da estrutura salarial da organização, avaliando diferenças remuneratórias entre homens e mulheres de acordo com critérios como função, antiguidade e qualificações, bem como a distribuição por cargos de liderança.

Segue-se a produção de um relatório de diagnóstico, elaborado com recurso a inteligência artificial e posteriormente validado pela equipa de Direito Laboral da Dower. O documento identifica diferenças salariais detetadas, áreas que justificam análise mais aprofundada e potenciais pontos de atenção para a empresa.

A terceira etapa consiste numa reunião de consultoria com especialistas da sociedade para discutir os resultados e definir eventuais medidas de atuação.

De acordo com a Dower, o processo foi concebido para empresas de qualquer dimensão. Os dados são enviados através de ficheiro Excel e tratados de forma encriptada, em conformidade com o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD).

O serviço tem um custo único de 250 euros, acrescido de IVA, valor que inclui o diagnóstico, a elaboração do relatório e a sessão de consultoria.

O lançamento do IGUALA assinala igualmente a estreia comercial da Dower Tech, unidade dedicada ao desenvolvimento de soluções digitais e de inteligência artificial aplicadas ao Direito e à gestão empresarial. A Dower, liderada por Eduardo Castro Marques, conta atualmente com escritórios em Lisboa, Porto, Aveiro e Funchal e complementa a atividade jurídica com serviços nas áreas de contabilidade, fiscalidade, recursos humanos, reporte financeiro, corporate finance e compliance.

CMVM e ESMA reúnem supervisores de 28 países em Lisboa para debater supervisão baseada no risco

28 October 2026 at 12:43

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e a Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA) realizaram na terça-feira 27 de outubro, em Lisboa, um seminário dedicado à supervisão baseada no risco (“Risk-Based Supervision”), que reuniu representantes de autoridades de supervisão de 28 países europeus.

Segundo a CMVM, a iniciativa permitiu discutir o desenvolvimento e a aplicação prática de modelos de supervisão orientados para o risco, numa altura em que os supervisores enfrentam novos desafios associados aos avanços tecnológicos e aos objetivos de simplificação regulatória definidos a nível europeu.

A sessão de abertura contou com intervenções de Luís Laginha de Sousa, presidente do conselho de administração da CMVM, que destacou a importância da cooperação entre autoridades de supervisão, e de Ângela Dias, da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), que apresentou a experiência daquele setor na utilização de abordagens baseadas no risco.

Durante o painel da manhã foram debatidas questões relacionadas com a eficácia da supervisão baseada no risco. A discussão contou com a participação de Inês Drumond, vice-presidente da CMVM, Jos Heuvelman, presidente do Senior Supervisors Forum da ESMA, e Cristina Brízido, presidente executiva da Caixa Gestão de Ativos, tendo sido moderada por Manuel Monteiro, diretor-geral da CMVM.

Da parte da tarde realizaram-se quatro workshops conduzidos por oito autoridades de supervisão de vários países europeus, incluindo a CMVM. As sessões centraram-se na evolução dos modelos de supervisão baseada no risco aplicados aos emitentes, na calibração da intensidade da supervisão em função do risco, na utilização de modelos assentes em dados para identificar situações de abuso de mercado e em técnicas para detetar riscos na proteção dos investidores em produtos financeiros.

A CMVM sublinhou que a realização do seminário reforça o compromisso da instituição com uma supervisão “mais eficaz, proporcional e orientada para o risco”, promovendo simultaneamente a convergência de práticas a nível europeu e a partilha de experiências entre autoridades de supervisão de diferentes países.

Grupo Santander dispara lucros para 12.405 milhões até Setembro. DBRS destaca papel da integração de aquisições

28 October 2026 at 10:25

Ao contrário do que aconteceu em Portugal, em Espanha o Banco Santander apresentou um desempenho financeiro histórico nos primeiros nove meses de 2026, com o lucro líquido atribuível a atingir os 12.405 milhões de euros. O resultado representa um salto de 20% em termos nominais (18% em euros constantes) em relação ao mesmo período do ano anterior, ficando muito próximo das estimativas mais otimistas do mercado e consolidando um novo recorde para a instituição espanhola.

O forte dinamismo das receitas e a execução rigorosa do plano estratégico ONE Transformation figuram no centro desta evolução positiva.

As receitas totais do grupo cresceram a um ritmo de 8% (7% em euros constantes), alavancadas pela resiliência da margem financeira e pela rápida expansão da base de clientes.

A DBRS destaca que os resultados continuaram a beneficiar do crescimento das receitas (com uma subida de 7% em euros constantes), suportado pela resiliência da margem financeira e por melhorias operacionais. Adicionalmente, a incorporação de novos ativos, como o britânico TSB e o norte-americano Webster Bank, contribuiu para o alargamento da base de clientes e para o dinamismo do negócio de crédito e recursos de clientes.

Mario de Ciccio, vice-presidente para as Instituições Financeiras Europeias da Morningstar DBRS, refere que: “O Banco Santander apresentou mais um conjunto sólido de resultados nos primeiros nove meses de 2026, continuando a registar progressos consistentes rumo aos objetivos estratégicos do seu plano de transformação ONE. O resultado líquido atribuível atingiu 12.405 milhões de euros, representando um aumento de 18% em termos homólogos, a taxas de câmbio constantes. Excluindo os elementos não recorrentes, relacionados sobretudo com a alienação das operações na Polónia, o resultado líquido atribuível subjacente aumentou 14% face ao período homólogo, para 11.176 milhões de euros. Os resultados continuaram a beneficiar do crescimento das receitas, que aumentaram 7% a taxas de câmbio constantes, apoiadas pela evolução robusta da margem financeira e por novos ganhos de eficiência”.

Nos últimos doze meses, o Santander somou 17 milhões de novos clientes — impulsionado tanto pela atividade comercial orgânica como pelas aquisições estratégicas do britânico TSB e do norte-americano Webster Bank —, alcançando uma carteira global de 189 milhões de clientes. Esta expansão refletiu-se diretamente no volume de negócio, com o crédito concedido e os recursos de clientes a registarem um crescimento homólogo expressivo de 16%.

Mesmo excluindo os impactos extraordinários, a atividade ordinária do grupo demonstrou uma solidez assinalável. O lucro subjacente subiu 16% (14% em euros constantes) para 11.176 milhões de euros. O desempenho incluiu a mais-valia líquida de 1.895 milhões de euros gerada pela alienação da operação polaca ao Erste Group, verba que permitiu ao banco constituir uma almofada financeira para absorver 666 milhões de euros em custos extraordinários de restruturação e integração das novas entidades adquiridas no Reino Unido e nos Estados Unidos. Apenas no terceiro trimestre de 2026, o lucro ordinário ascendeu a 3.848 milhões de euros, o que representa um crescimento de 19% face ao período homólogo.

A par da expansão das receitas, a contenção operacional revelou-se um vetor determinante para a rendibilidade. O ganho por ação (EPS) disparou 25%, beneficiando de um rigoroso controlo de custos cuja expansão se ficou pelos 2,9%. Esta eficiência foi potenciada pela uniformização de plataformas tecnológicas e pela aplicação de inteligência artificial, iniciativa que gerou mais de 194 milhões de euros em valor adicionado.

Sob a perspetiva de risco e solvência, os indicadores do Santander mantêm-se controlados e alinhados com os objetivos do grupo.

Numa análise divulgada sobre os resultados, a agência Morningstar DBRS destacou a resiliência da qualidade dos ativos, notando que o custo do risco se manteve praticamente estável em 1,16% e o rácio de crédito malparado (NPL) contido nos 2,9%.

Apesar da pressão temporária exercida sobre os rácios de capital devido à consolidação do Webster Bank (concluída em agosto de 2026), o rácio CET1 fixou-se nos 12,7% no final de setembro, colocando o banco no caminho certo para cumprir a sua meta anual de 12,8% a 13,0% e confirmar a sustentabilidade do seu perfil de crédito no curto e médio prazo.

“Perspetivando o futuro, o Santander continua bem posicionado para manter níveis elevados de rentabilidade, beneficiando da dinâmica da sua atividade globalmente diversificada. Os indicadores de qualidade dos ativos e o custo do risco permaneceram estáveis ao longo dos primeiros nove meses de 2026, apesar do impacto das aquisições recentes. Na ausência de obstáculos significativos no contexto operacional, estas tendências deverão continuar a sustentar o perfil de crédito do banco no curto prazo”, diz  Mario de Ciccio.

Bancários chegam a acordo para atualização salarial de 3% em 2026

28 October 2026 at 10:19

Os sindicatos do setor bancário (Mais, SBC, SBN, UGT e SNQTB) chegaram a um acordo com a Associação Portuguesa de Bancos (APB) e com a Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo (CCAM) para uma atualização salarial e das pensões de 3% em 2026, anunciou hoje a estrutura sindical.

Num comunicado conjunto divulgado pelas direções dos vários sindicatos, o acordo abrange a atualização das tabelas salariais, as pensões de reforma e as restantes cláusulas de expressão pecuniária do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) do setor bancário e do ACT das CCAM.

“União deu resultado: conquistámos os 3%!”, sublinham os sindicatos no documento, referindo que o processo negocial com a APB e as CCAM chegou ao fim após “semanas de negociações exigentes e de posições difíceis de aproximar”.

Com a formalização deste entendimento, ficam sem efeito as manifestações e a greve nacional que estavam previstas para o dia 30 de novembro de 2026. As estruturas sindicais agradecem a disponibilidade dos bancários e dos reformados que se juntaram às iniciativas, sublinhando que “a firmeza sindical e a união dos bancários” foram determinantes para o desfecho das negociações.

Apesar do acordo alcançado, as organizações sindicais garantem que a conclusão deste processo “não altera o nosso compromisso de continuar a lutar pela melhoria das condições salariais e de vida dos bancários, no ativo e reformados”.

O comunicado adianta ainda que permanecem na agenda as iniciativas reivindicativas relativas às instituições que não estão abrangidas por estes entendimentos, mantendo-se como prioridade a defesa de “pensões dignas” e a valorização do trabalho e dos salários no setor.

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