
A associação das empresas petrolíferas (Epcol) considera que existe alguma margem para aumentar a produção na refinaria de Sines, a única em funcionamento em Portugal, mas ressalva que essa possibilidade depende de fatores técnicos e económicos.
“Julgamos que existe alguma margem para aumentar a produção em Sines, mas a questão não é apenas técnica”, disse à Lusa o porta-voz da associação das Empresas Portuguesas de Combustíveis e Lubrificantes (Epcol), João Reis, questionado sobre o apelo da Comissão Europeia para travar o encerramento de refinarias e aumentar a produção de combustíveis na União Europeia (UE).
Segundo João Reis, um eventual aumento depende da “disponibilidade de crude e matérias-primas, do tipo de crude disponível, da mistura de produtos procurados pelo mercado (gasóleo, gasolina, jet fuel, etc.) e das condições económicas de operação”.
A associação considera que a nova posição da Comissão Europeia poderá valorizar a importância estratégica da refinaria de Sines, embora não antecipe grandes implicações para o setor nacional.
“Relativamente ao aparelho refinador nacional não nos parece que existam grandes implicações, mas evidentemente que ao passar a apoiar ativamente a manutenção da capacidade de refinação europeia, a posição estratégica de Sines poderá ser valorizada”, refere.
A Epcol vê “muito favoravelmente” a iniciativa de Bruxelas, sublinhando que tem defendido a importância estratégica da indústria de refinação para a segurança energética, o abastecimento de combustíveis, a defesa e a competitividade industrial europeia.
“Seria muito gravoso para a Europa perder capacidade de refinação antes de existirem alternativas plenamente capazes de assegurar o abastecimento energético”, comentou.
As declarações surgem depois de a Comissão Europeia ter defendido, na quarta-feira, a necessidade de travar o encerramento de refinarias e aumentar a produção de combustíveis na União Europeia (UE), numa altura em que os preços continuam pressionados e existem preocupações com a segurança do abastecimento.
Após uma reunião com representantes da indústria, em Bruxelas, o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, defendeu que a UE precisa de aumentar a produção das refinarias existentes, com o objetivo de contribuir para a redução dos preços dos combustíveis.
O executivo comunitário anunciou ainda a intenção de trabalhar com o setor na elaboração de um roteiro conjunto para a transformação da indústria de refinação, procurando conciliar a manutenção da capacidade de produção com os objetivos de descarbonização.
Por sua vez, a associação europeia FuelsEurope, que representa a indústria de produção de combustíveis, congratulou-se com o lançamento do diálogo estratégico e com o reconhecimento da refinação como um setor essencial para a segurança energética, a economia e a defesa europeias.
Em comunicado divulgado na quarta-feira, a organização afirmou que as refinarias europeias estão disponíveis para trabalhar com a Comissão Europeia e os Estados-membros na identificação de soluções tecnicamente viáveis e seguras para maximizar a capacidade de produção disponível a curto prazo.
Segundo a FuelsEurope, as refinarias europeias aumentaram a produção de combustível para aviação em 30% em maio de 2026, face ao mesmo mês do ano anterior, de acordo com dados da Agência Internacional de Energia (AIE). A associação admite que poderão ser possíveis novos aumentos, embora ressalve a existência de limitações técnicas e operacionais e a necessidade de criar condições adequadas para o efeito.
A FuelsEurope alertou ainda que a Europa perdeu 20% da sua capacidade de refinação desde 2009, com o encerramento de 35 refinarias, defendendo que devem ser evitados novos encerramentos para impedir o aumento da dependência de combustíveis importados.
Em Portugal, a atividade de refinação está concentrada em Sines, depois do encerramento da refinaria de Matosinhos, em 2021, pela Galp. Segundo os dados da Galp, a refinaria de Sines tem uma capacidade de destilação de 226 mil barris de petróleo por dia, sendo uma das maiores da Península Ibérica.
A empresa tem vindo a investir na transformação do complexo industrial de Sines, incluindo projetos ligados à produção de biocombustíveis avançados e hidrogénio verde, no âmbito da sua estratégia de descarbonização.