Vitória de Lula, fuga de Bolsonaro e os EUA sem quintal



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A União Europeia vai passar a cobrar, a partir deste domingo, uma nova taxa de dois euros sobre qualquer encomenda proveniente de fora do bloco, para atenuar o impacto do comércio ‘online’, designadamente chinês, no mercado europeu.
Esta taxa vai ser cobrada a qualquer encomenda que vier de fora da União Europeia (UE), independentemente do seu valor, e acresce a outra tarifa, de três euros, que a Comissão Europeia já tinha começado a aplicar em julho para encomendas de menos de 150 euros.
A taxa de dois euros vai ser cobrada por categoria de artigos e não por encomenda, o que significa que, na compra de cinco ‘t-shirts’, apenas se aplica uma única taxa de dois euros (por pertencerem à mesma categoria).
No entanto, se a encomenda incluir artigos de três categorias diferentes, como um relógio, camisolas e joias, será cobrada uma taxa total de seis euros.
A medida vai começar a ser aplicada a poucas semanas de começarem as épocas de saldos do ‘Black Friday’ e do ‘Cyber Monday’, mas a UE defende que o custo da taxa deve ser suportado pelas plataformas e não pelo consumidor final.
Não está, contudo, prevista qualquer medida para impedir que as plataformas repercutam o valor desta taxa no preço dos seus produtos.
A Comissão Europeia salienta que, atualmente, continuam a chegar cerca de cinco milhões de encomendas por dia à Europa, a grande maioria proveniente de plataformas chinesas como a Temu, a AliExpress ou a Shein.
Esse volume de encomendas está a colocar sob pressão as autoridades aduaneiras, numa altura em que o executivo comunitário estima que cerca de 60% das encomendas provenientes de fora da UE não cumprem os requisitos comunitários.
Nos últimos meses, por exemplo, a Comissão Europeia aplicou multas à AliExpress e à Temu por falhas na verificação dos riscos associados a produtos que vendem nas suas plataformas, como brinquedos para bebés, joias ou carregadores com elevados riscos de segurança.
O objetivo da taxa é, assim, cobrir os custos adicionais que as autoridades aduaneiras estão a ter com este volume de encomendas, dando-lhes a capacidade para fiscalizarem melhor as encomendas provenientes de fora do bloco e garantir que respeitam as regras europeias.
Ao contrário da taxa aplicada em julho – que só ficará em vigor até 2028, quando entrar em vigor o novo sistema aduaneiro europeu – esta nova taxa é permanente.

A antiga ministra das Finanças francesa e líder do Fundo Monetário Intercional (FMI) chegou a Frankfurt em 2019 sem grande experiência em política monetária e em bancos centrais – o que rapidamente levou o mercado a desconfiar da sua capacidade. Sabia tão pouco da instituição que mais tarde chegou a confessar que aceitou o cargo pensando que a presidência do Banco Central Europeu (BCE) era de cinco anos, e não de oito.
Se havia dúvidas sobre a sua liderança, pouco meses depois de ter entrado em funções no dia 1 de novembro, substituindo Mario Draghi, Christine Lagarde, agora com 70 anos, teve o primeiro…
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O transporte ferroviário de passageiros na União Europeia (UE) aumentou 2,6% em 2025, face ao ano anterior, para 457 mil milhões de passageiros por quilómetro, o valor mais elevado desde o início da recolha de dados, em 2004.
Os dados foram hoje divulgados pelo gabinete estatístico da UE, o Eurostat, e indicam que, “em 2025, foram realizados 457 mil milhões de passageiros-quilómetro por transporte ferroviário na UE, acima dos 445 mil milhões registados em 2024, o que representa um aumento de 2,6%”.
“Este é o valor mais elevado registado pelas principais empresas ferroviárias desde o início da recolha de dados, em 2004”, destaca o Eurostat.
Segundo os dados hoje divulgados pelo serviço estatístico da UE, o número de passageiros-quilómetro aumentou face aos 445 mil milhões registados em 2024.
A Alemanha registou o maior número de passageiros transportados, com 2.954 milhões, seguida de França (1.312 milhões) e Itália (844 milhões).
No extremo oposto, a Lituânia contabilizou cinco milhões de passageiros, a Estónia oito milhões e a Grécia 14 milhões.
Em relação à população, o Luxemburgo apresentou o maior rácio de passageiros por habitante, com 46,1, seguido da Hungria (35,9) e da Dinamarca (35,6). A Grécia (1,4) e a Lituânia (1,9) registaram os valores mais baixos, seguidas da Bulgária e da Roménia, ambas com 3,3.
Já no indicador de passageiros-quilómetro por habitante, a Hungria liderou, com 1.692, à frente de França (1.606) e da Áustria (1.588). A Grécia (69), a Lituânia (164) e a Bulgária (226) registaram os valores mais baixos.
O indicador de passageiros-quilómetro mede a distância percorrida pelos passageiros e permite avaliar o volume de transporte ferroviário, combinando o número de passageiros com a distância das viagens.

Os preços do gás natural na União Europeia (UE) recuaram 3,5% em termos homólogos no primeiro semestre de 2026, atingindo o valor mais baixo desde 2022, estando Portugal entre os países mais caros.
“Os preços recuaram 10,2% face ao segundo semestre de 2025 e 3,5% em comparação com o primeiro semestre do mesmo ano. Este é o preço médio mais baixo do gás natural na UE desde o primeiro semestre de 2022”, aquando da invasão russa da Ucrânia, indica o gabinete estatístico comunitário, o Eurostat, em dados hoje divulgados.
De acordo com este serviço europeu, o preço médio do gás natural para os consumidores domésticos na UE fixou-se, nos primeiros seis meses deste ano, em 0,11 euros por quilowatt-hora (kWh), uma descida de 10,2% face ao segundo semestre de 2025.
Portugal registou um preço médio de 0,13 euros por kWh, um dos mais elevados entre os Estados-membros, a par de França e apenas abaixo da Suécia (0,22 euros) e dos Países Baixos (0,16 euros).
Quando ajustados às diferenças no poder de compra, os preços do gás natural em Portugal foram os segundos mais elevados da UE, com 15,0 por cada 100 kWh, apenas atrás da Suécia (17,7) e acima dos Países Baixos (13,8).
Os preços mais elevados em termos nominais foram registados na Suécia (0,22 euros por kWh), nos Países Baixos (0,16 euros) e em França e Portugal (ambos com 0,13 euros).
Em sentido contrário, os valores mais baixos foram observados na Hungria (0,03 euros por kWh), na Croácia (0,05 euros) e na Roménia e Eslováquia (ambas com 0,06 euros).
Face ao primeiro semestre de 2025, os preços do gás natural diminuíram em 12 países da UE com dados disponíveis, aumentaram em sete e mantiveram-se globalmente estáveis em quatro.
As maiores descidas registaram-se na Bulgária (-14,5%), na Grécia (-11,3%) e em Espanha (-10,0%), enquanto os maiores aumentos foram registados na Roménia (+9,3%), na Croácia (+8,9%) e na Eslováquia (+6,6%).
Também hoje, o Eurostat divulgou que os preços médios da eletricidade para os consumidores domésticos na UE recuaram em termos homólogos no primeiro semestre de 2026, mantendo-se, contudo, “significativamente acima” dos níveis anteriores à crise energética de 2022.
Nos primeiros seis meses deste ano em comparação com o primeiro semestre de 2025, os preços aumentaram, sobretudo, na Roménia (51,6%), na Irlanda (19,8%) e na Finlândia (18,4%), enquanto as maiores descidas ocorreram na Dinamarca (-31,7%) e no Luxemburgo (-24,1%).
Face ao segundo semestre de 2025, os preços médios da eletricidade diminuíram 2,2% para 0,28 euros por quilowatt-hora (kWh), abaixo dos 0,29 euros registados no período anterior.
A Irlanda apresentou os preços mais elevados, com 0,39 euros por kWh, seguida da Alemanha e da Bélgica (ambas com 0,36 euros), enquanto os valores mais baixos foram observados na Hungria (0,11 euros), em Malta e na Bulgária (ambas com 0,13 euros).
O peso dos impostos e taxas na fatura da eletricidade também diminuiu ligeiramente, representando 28,4% do preço final no primeiro semestre de 2026, menos 0,5 pontos percentuais do que no segundo semestre de 2025.

Portugal voltou a captar investimento direto estrangeiro no primeiro semestre de 2026, após ter registado uma saída líquida de capitais um ano antes. Mas a recuperação não chegou para acompanhar o peso que o país tinha no investimento recebido pela União Europeia.
Segundo o relatório “FDI in Figures”, publicado esta sexta-feira pela OCDE, as entradas líquidas de investimento estrangeiro na economia portuguesa atingiram 7.718 milhões de dólares entre janeiro e junho, contra um saldo negativo de 300 milhões no mesmo período de 2025.
Esta subida coloca Portugal entre as economias que recuperaram a captação de capital externo em 2026, embora o montante tenha ficado 44,3% abaixo dos 13.862 milhões recebidos no segundo semestre do ano passado – os valores são preliminares e excluem as entidades com finalidade especial, veículos usados pelos grupos empresariais para canalizar operações financeiras.
Por cada 100 dólares recebidos pelos Estados-membros no primeiro semestre de 2026, 2,6 dólares tiveram como destino a economia portuguesa, contra 11,2 dólares nos seis meses anteriores.
A dinâmica de Portugal em captar capital estrangeiro também fica aquém da média dos países da OCDE e da União Europeia. Segundo os dados do relatório, o investimento estrangeiro recebido pelos países da OCDE passou de 278,9 mil milhões para 684,4 mil milhões de dólares, um aumento de 145,4%, enquanto na União Europeia avançou de 59,7 mil milhões para 296,8 mil milhões, quase cinco vezes mais.
Estes dois movimentos contribuíram para que Portugal perdesse peso na captação de investimento direto estrangeiro na União Europeia: por cada 100 dólares recebidos pelos Estados-membros no primeiro semestre de 2026, 2,60 dólares tiveram como destino a economia portuguesa, contra 11,20 dólares nos seis meses anteriores. A quota nacional caiu, assim, 8,6 pontos percentuais, para menos de um quarto da registada no segundo semestre de 2025.
Apesar desta perda de peso no contexto europeu, Portugal recuperou num período em que algumas das maiores economias europeias receberam menos investimento do que um ano antes. É o caso de Espanha, que captou 9.505 milhões de dólares, menos 28,4% em termos homólogos; da Alemanha, que recebeu 31.956 milhões, menos 20,5%; e de França, que atraiu 17.920 milhões, menos 39,8% em termos homólogos.
O montante português ficou próximo dos 7.985 milhões recebidos pela Grécia e dos 8.511 milhões da Suécia, mas abaixo dos 15.915 milhões da Polónia.
A comparação exige, contudo, cautela, dado que a OCDE explica que algumas economias europeias apresentam “grandes flutuações do investimento direto estrangeiro”, associadas a operações de capital e empréstimos entre empresas de grupos multinacionais. Nos Países Baixos, por exemplo, o saldo passou de uma saída de 51.758 milhões no primeiro semestre de 2025 para entradas de 48.033 milhões em 2026, contribuindo para a recuperação europeia.
Os dados da OCDE revelam também um recuou de 86,9% do investimento das empresas portuguesas no estrangeiro em termos homólogos, com esse investimento a passar de 2.820 milhões de dólares no primeiro semestre de 2025 para 369 milhões no mesmo período de 2026.


As economias da Zona Euro cresceram 1,3% no terceiro trimestre em termos homólogos e 0,4% na comparação em cadeia, num período que se têm feito sentir os impactos da guerra no Médio Oriente nos preços. Portugal apresentou a terceira maior taxa entre os países para os quais há dados disponíveis, revela a estimativa do Eurostat divulgada esta sexta-feira.
A estimativa preliminar do gabinete de estatísticas europeu reflete uma ligeira aceleração na evolução homóloga face aos 1,2% registados no trimestre precedente, mas uma desaceleração na ótica da comparação em cadeia face aos 0,6% verificados entre abril e junho. Os números do segundo trimestre foram revistos em alta pelo gabinete de estatísticas europeu face aos valores avançados nas duas primeiras estimativas, que foram, na mesma ordem, de 1% e 0,4%.
Para a União Europeia os valores são ligeiramente superiores. As economias dos 27 Estados-membros terão expandido, em termos homólogos, 1,5% e 0,5%, em cadeia. À semelhança da Zona Euro, na comparação anual representa uma aceleração face aos 1,4% do trimestre anterior e um abrandamento mensal face aos 0,7% desse período.
Agora, entre os países da Zona Euro para os quais há dados disponíveis, Portugal apresenta a terceira maior taxa de crescimento homóloga (2,4%), apenas ultrapassado pela Irlanda (3,6%) e por Espanha (2,7%). No entanto, na variação mensal, Portugal está abaixo da média de 0,4% dos países da moeda única, com uma aceleração de 0,2%.

A maior variação em cadeia foi registada pela Irlanda, de 5,5%, seguida pela Estónia, Espanha e Países Baixos, cujas economias aceleraram 0,6%. Lituânia (-1%) e França (-0,1%) registaram uma contração. O Eurostat detalha ainda que o crescimento anual das economias foi positivo em 14 países e negativo em apenas um: França.


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Para Portugal, “é problemático” aplicar uma taxa uniforme ao peso dos resíduos eletrónicos não recolhidos. Uma das sugestões em cima da mesa para criar um novo recurso próprio da União Europeia. O ministro dos Negócios Estrangeiros disse ainda que aplicar um imposto especial sobre o consumo de tabaco, baseado na taxa mínima do imposto especial de consumo aplicada por cada Estado-Membro aos produtos do tabaco, Portugal apenas concorda com esta esta solução se for houver acordo sobre a diretiva do tabaco.
Paulo Rangel, numa audição conjunta com as comissões parlamentares de Orçamento, Finanças e Administração Pública, dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e dos Assuntos Europeus, no âmbito da apreciação na especialidade da proposta do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), explicou que “Portugal não está fechado a nenhum recurso próprio, por posição de princípio, o que não significa que ao fim não esteja fechado relativamente a algum recurso, mas caso haja acordo para discutir um pacote global Portugal está disponível para analisar o impacto de cada um dos recursos propostos”.
Apesar desta posição de abertura, o recurso com base numa taxa sobre os resíduos eletrónicos não recolhidos, como computadores, telemóveis inteligentes, tabletes, televisores, impressoras, suscita “maiores reticências a Portugal”.
Quanto ao “imposto sobre o tabaco, que tem a ver com o tabaco não tradicional”, a posição de Portugal é “favorável desde que haja um acordo sobre a diretiva do tabaco”, explicou o MNE. “A versão atual da revisão da diretiva tem o nosso apoio. Se for esta a versão que fica estaremos disponíveis para aceitar este recursos próprio, se não for esta temos de rever esta posição”, explicou.
O ministro disse que Portugal é favorável ao imposto sobre as plataformas digitais, mas quanto à proposta de impostos sobre os jogos online tem de ser vista por Portugal “com grande cuidado, porque pode ter impacto no caso português”. Uma proposta que conta desde logo com a oposição de Malta onde o jogo tem um peso importante na economia.
Já no caso da proposta de taxar os criptoativos, como sugere o Parlamento Europeu, Paulo Rangel disse que ainda não está claro qual será o desenho e Portugal aguardará até que seja elaborada.
Portugal veria com bons olhos que ao nível das receitas tradicionais houvesse uma diminuição de 25% para 10% da taxa que os Estados-membros retém dos direitos aduaneiros cobrados, “aumentando assim os recursos aduaneiros da União”. Uma posição que certamente terá a oposição dos Países Baixos onde os portos têm um enorme peso na sua economia e que desta forma se veriam privados de uma importante receita orçamental.
Outra das formas de garantir mais recursos ao orçamento comunitário seria fazer um roll over da dívida emitida para pagar o Next GenerationEU, mas também emitir nova dívida comum consignada à defesa, opções às quais Portugal é favorável, sublinhou Paulo Rangel.
Esta opção não só geraria mais recursos como permitiria fixar em solo europeu as poupanças europeias que agora acabam por ser canalizadas para os mercados financeiros de outros países. “Dívida comum pode ajudar a fixar recursos e capitais europeus”, concluiu.
O ministro dos Negócios Estrangeiros disse que Portugal já conseguiu duas vitórias em Bruxelas nas negociações do próximo quadro financeiro 2028/2034. Garantir que existe uma verba “garantida” para a Agricultura e que portanto não poderá ser disputada pela Coesão, apesar de as duas políticas estarem concentradas no mesmo fundo. E que Portugal vai conseguir mais do que os atuais 9,3 mil milhões de euros para a Política Agrícola Comum.
Paulo Rangel recusou-se a dar números, porque as negociações ainda estão a decorrer, mas deixou a garantia: “Estamos acima em termos de PAC do envelope que recebemos no quadro anterior.
O ministro da Agricultura, a semana passada, no Parlamento, reiterou que Portugal já tem garantidos 7,4 mil milhões de euros para apoiar o rendimento dos agricultores e mais 2,5 mil milhões para o desenvolvimento rural. Mas José Manuel Fernandes admitiu a tentação no Governo de colocar projetos de abastecimento público de água nesta gaveta de 2,5 mil milhões. Algo a que se irá opor porque esse é um projeto de coesão.
A estes montantes poderão acrescer ainda os 1,6 mil milhões de euros que a proposta cipriota ‘angariou’ para Portugal, mas esse é um valor que ainda não está “certo”, como explicou o ministro da Agricultura. Fechada está também a possibilidade de cada Estado-membro antecipar 45 mil milhões de euros destinados à agricultura, o que para Portugal significa poder usar 2,41 mil milhões logo de início.
De acordo com o último trabalho feito pela presidência irlandesa, Portugal tem no primeiro pilar (agricultura e coesão) uma dotação que ronda os 35,2 mil milhões de euros, e que se “traduz um ganho nominal de 7,6% e uma perda de 5,7% quando comparado em termos reais”. Em termos de dotação geral há uma evolução nominal de 3,6% e uma quebra real de 9,2%. Esta quebra real é agora inferior à inicialmente prevista, porque em virtude das negociações a presidência do Chipre alocou uma parcela que ao nosso país deu mais de 1.500 milhões de euros para os países da coesão.