Bancos estão a encerrar contas sem justificação. Saiba o que fazer em caso de debanking
A ausência de um perfil mais firme com a consolidação fiscal pode pressionar o perfil de crédito do Brasil ao longo do tempo, segundo relatório da agência de classificação de risco Moody’s divulgado nesta terça-feira (27).
A instituição avalia que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve manter a atual trajetória da política fiscal, com ajustes graduais, prolongando os déficits nominais, os custos elevados de financiamento e o aumento dos encargos da dívida pública.
A Moody’s avalia que, embora a eleição não altere a atual classificação do perfil de crédito soberano brasileiro, a estabilização das contas públicas dependerá da capacidade do governo de avançar em reformas fiscais.
“Na ausência de um compromisso com a consolidação fiscal mais firme do que o esperado atualmente, a persistente baixa capacidade de pagamento da dívida pressionaria o perfil de crédito do Brasil ao longo do tempo”, destacou a agência em relatório.
Apesar dos desafios, a Moody’s considera que um compromisso mais sólido com o ajuste fiscal pode surgir à medida que o presidente Lula formar sua nova equipe econômica.
Para a agência, a adoção de medidas fiscais mais profundas e antecipadas ajudaria o Brasil a recuperar parte da credibilidade fiscal perdida, reduzir os prêmios de risco e as pressões inflacionárias, além de contribuir para a diminuição dos custos de financiamento.
O relatório ainda destaca que o principal desafio do novo mandato será estabilizar a trajetória da dívida pública e recuperar a credibilidade da política fiscal brasileira.
“A dívida do governo geral está em cerca de 83% do PIB (Produto Interno Bruto) atualmente, em comparação com aproximadamente 72% na época da eleição presidencial de 2022″, argumentou o documento.
A Moody’s também ressalta o peso das despesas com juros, equivalentes a cerca de 20% da receita do governo geral, e a rigidez do orçamento brasileiro: mais de 90% dos gastos são determinados por lei.
Apesar de o país ter registrado pequenos déficits primários recentemente, de cerca de 0,5% do PIB, os elevados custos de financiamento contribuem para déficits fiscais nominais entre 8% e 9% do PIB, segundo a agência.
Para estabilizar a relação entre dívida e PIB, a Moody’s estima que o Brasil precisaria alcançar um superávit primário de 2% a 3% do PIB.
A instituição ressalta, porém, que um ajuste dessa magnitude exigiria reformas, especialmente diante das limitações políticas para reduzir despesas obrigatórias e alterar vinculações orçamentárias.
O Banco Central estuda adotar medidas macroprudenciais voltadas a segmentos de crédito de maior risco, afirmou a autoridade monetária em relatório divulgado nesta terça-feira (27), acrescentando que o objetivo é reduzir o superendividamento e fortalecer a sustentabilidade do crédito e a resiliência do sistema financeiro nacional.
Em seu Relatório de Estabilidade Financeira, uma publicação semestral, o BC apontou que pesquisa da autarquia indica que a crescente digitalização dos serviços financeiros tem ampliado significativamente a exposição de consumidores de menor renda a ofertas, contribuindo para intensificar o endividamento.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, tem destacado a preocupação com os níveis de endividamento no país, ressaltando a importância da promoção do uso responsável dos instrumentos de crédito e do devido provisionamento por parte dos bancos.
Na semana passada, o BC aprovou três resoluções sobre as responsabilidades de instituições financeiras na oferta e concessão de crédito, com novas salvaguardas contra ofertas inadequadas ou abusivas e maior transparência antes da contratação.

Os bancos a operar em Portugal esperam uma ligeira diminuição da procura de empréstimos por parte dos particulares no quarto trimestre, tanto na habitação como no consumo e outros fins, segundo o Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito divulgado hoje pelo Banco de Portugal. O Banco de Portugal ressalva que “o questionário referente ao presente exercício foi enviado aos bancos no dia 21 de setembro de
2026 e o envio de respostas ocorreu até ao dia 6 de outubro. A avaliação da oferta e da procura refere-se ao terceiro trimestre de 2026 por comparação com o trimestre anterior. As expetativas referem-se ao quarto trimestre de 2026”.
No terceiro trimestre, a procura de crédito por parte dos particulares ficou praticamente inalterada. Na habitação, o nível geral das taxas de juro contribuiu ligeiramente para reduzir a procura, mas sem impacto no agregado.
Nas empresas, os bancos registaram uma diminuição da procura por parte das grandes empresas entre julho e setembro, justificada pelas menores necessidades de financiamento do investimento. Para o quarto trimestre, a avaliação das instituições é heterogénea, resultando, em média, numa ligeira descida da procura por parte das pequenas e médias empresas (PME) e dos empréstimos de longo prazo.
Critérios mais restritivos na habitação e no crédito a empresas
Do lado da oferta, os critérios de concessão de crédito às empresas não se alteraram no terceiro trimestre, mas ficaram ligeiramente mais restritivos nos empréstimos à habitação e, em menor grau, no crédito ao consumo e outros fins.
No segmento da habitação, os bancos apontam como fatores a alteração da Recomendação Macroprudencial do Banco de Portugal, a situação e as perspetivas do mercado imobiliário (incluindo a expectativa de evolução dos preços), a qualidade creditícia do mutuário e a tolerância ao risco. Quanto aos termos e condições, a maturidade tornou-se ligeiramente menos restritiva no crédito à habitação, mas a Recomendação Macroprudencial contribuiu para condições globalmente mais exigentes.
Nas empresas, a concorrência entre bancos levou a critérios ligeiramente menos restritivos, enquanto a perceção de risco associada a empresas ou setores específicos, em particular nas PME, pesou no sentido contrário. Os bancos reportaram ainda uma ligeira redução da restritividade nas taxas de juro, nos spreads dos empréstimos de risco médio e nas comissões. A proporção de pedidos de empréstimo rejeitados manteve-se inalterada.
Para o último trimestre do ano, os bancos antecipam critérios ligeiramente mais restritivos nos empréstimos a PME e de longo prazo, e nenhuma alteração nos particulares.
Acesso a financiamento deverá deteriorar-se
Nas questões ad hoc, as instituições indicam que o acesso às principais fontes de financiamento a retalho e por grosso não se alterou nos últimos três meses, mas preveem uma deterioração nos próximos três. O agravamento deverá incidir no financiamento através de dívida de médio e longo prazo, na titularização de empréstimos a empresas e à habitação e na capacidade de transferência de risco para fora do balanço.
Sobre as alterações à carteira de ativos de política monetária do BCE, os bancos reportam, nos últimos 12 meses, uma deterioração da posição de liquidez, com impacto no custo de financiamento e nas restrições de balanço, e uma ligeira melhoria da rendibilidade por via da margem financeira. Para os próximos 12 meses, preveem uma ligeira diminuição do total de ativos, devido à detenção de obrigações soberanas da área do euro, e nova deterioração do custo de financiamento. Não esperam impacto na política e no volume de crédito.
Ativos digitais sem impacto na banca portuguesa
O inquérito incluiu ainda uma questão sobre ativos digitais. Os bancos portugueses afirmam que os criptoativos, as stablecoins e os ativos tokenizados não tiveram impacto na sua situação financeira, na estratégia de negócio nem nos critérios de concessão de crédito nos últimos 12 meses, e não antecipam impacto nos próximos 12 meses.
Na área do euro, o cenário é diferente: os bancos, no conjunto, reportam um impacto positivo na estratégia de negócio, que esperam que seja bastante mais forte no próximo ano. Preveem ainda efeitos negativos no financiamento a retalho e critérios de concessão menos restritivos na habitação e, em menor grau, no consumo.
Segundo o Banco de Portugal, os dados prudenciais do segundo trimestre de 2026 indicam que a exposição a criptoativos é muito reduzida na generalidade dos bancos da área do euro, não ultrapassando 0,01% do total de ativos e 0,25% do capital Common Equity Tier 1 nos casos em que existe exposição.
O questionário foi enviado aos bancos a 21 de setembro e as respostas foram recebidas até 6 de outubro. A avaliação refere-se ao terceiro trimestre de 2026, por comparação com o trimestre anterior, e as expectativas ao quarto trimestre.

Os bancos estão a prever uma “ligeira redução” da procura das famílias por crédito à habitação e também para o consumo na reta final do ano, de acordo com os resultados do inquérito ao setor sobre o mercado de crédito divulgados esta terça-feira.
Os dados do Banco de Portugal revelam que o agravamento das taxas de juro contribuiu já para uma diminuição da procura ao longo do terceiro trimestre, “mas sem impacto no agregado”.
O Banco Central Europeu (BCE) já subiu as taxas de juro por duas ocasiões este ano para travar a escalada da inflação por causa da guerra no Irão. Na reunião desta semana deverá ser mantido o nível de juros na Zona Euro, mas os mercados antecipam novo agravamento das taxas no encontro de dezembro.
Os resultados do inquérito mostram ainda que os bancos não esperam alterações nas condições dos empréstimos no quarto trimestre.
Em relação ao trimestre passado, o setor salienta que o aperto do Banco de Portugal em relação à chamada Recomendação Macroprudencial no início de agosto contribuiu “ligeiramente para termos e condições mais restritivos” nos empréstimos à habitação. O supervisor tornou mais exigente a taxa de esforço ao baixá-la para 45%.
Quanto ao segmento das empresas, os bancos também esperam uma ligeira diminuição na procura por parte das PME e nos empréstimos de longo prazo, mantendo-se a tendência do trimestre anterior.

