A Boa Safra Sementes aprovou um novo programa de recompra de ações que poderá abranger até 2,89 milhões de papéis ordinários da companhia. A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração nesta terça-feira (27), com início das operações previsto para 15 de novembro de 2026.
Segundo comunicado, a quantidade máxima autorizada corresponde a 2,04% das ações totais emitidas pela empresa e a 5% dos papéis em circulação no mercado.
O quinto programa de recompra da companhia terá duração de até 12 meses, com prazo para liquidação das operações até 15 de novembro de 2027. As aquisições serão realizadas na B3, a preços de mercado, com intermediação da XP Investimentos.
Segundo a Boa Safra, a recompra poderá contribuir para aumentar o retorno dos acionistas por meio de dividendos e juros sobre capital próprio por ação, uma vez que os papéis mantidos em tesouraria não têm direito ao recebimento desses proventos.
A empresa também aponta a possibilidade de aumento da participação percentual dos acionistas caso as ações recompradas sejam posteriormente canceladas. O objetivo é maximizar a geração de valor para os acionistas por meio de uma administração eficiente da estrutura de capital.
As ações adquiridas poderão ser mantidas em tesouraria para posterior cancelamento, alienação ou utilização em programas de remuneração baseada em ações destinadas a administradores, entre outras finalidades permitidas pela legislação.
Os viticultores vão poder aceder mais cedo aos apoios destinados à reestruturação e conversão de vinhas, na sequência da portaria aprovada pelo Governo que elimina a exigência de início prévio dos investimentos para efeitos de pedido de adiantamento das ajudas do PEPAC. A medida reduz a carga burocrática associada ao processo, permitindo solicitar o adiantamento […]
Em comunicado, o ministério da Agricultura revela que a medida “reduz a carga burocrática” associada ao processo, permitindo “solicitar o adiantamento da ajuda antes do início dos investimentos e assegurando uma resposta mais rápida às necessidades de tesouraria das explorações, sem comprometer o rigor na gestão dos fundos públicos”.
“Mantêm-se, assim, as exigências de prestação de garantia a favor do IFAP e de execução integral dos investimentos nos prazos definidos”, explica.
De acordo com o comunicado, a portaria procede ainda ao esclarecimento das regras de elegibilidade da intervenção de alteração do perfil do terreno na Região Demarcada do Douro, garantindo uma aplicação mais clara e uniforme do regime em vigor, sem prejuízo das especificidades já previstas para aquela região vitivinícola.
São igualmente introduzidos ajustamentos ao regime excecional de candidaturas da campanha 2026-2027, criado para apoiar os produtores afetados pelos fenómenos meteorológicos adversos registados entre janeiro e fevereiro deste ano.
Para o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, “não faz sentido obrigar um viticultor a iniciar um investimento para só depois poder aceder ao adiantamento do apoio. Com esta alteração, retiramos um obstáculo burocrático e garantimos que os apoios chegam quando são necessários: quando o viticultor decide investir”.
O ministro frisa ainda que “quem quer plantar, reconverter ou modernizar a sua vinha precisa de previsibilidade e liquidez. Estamos a simplificar procedimentos para que os apoios cheguem mais depressa ao terreno, sem abdicar do rigor na gestão dos fundos públicos”.
Esta alteração assume “particular importância” para a campanha em curso, ao permitir uma tramitação “mais célere dos processos e uma execução mais eficaz dos investimentos, contribuindo para uma execução mais rápida e eficaz dos investimentos apoiados e para uma maior capacidade de resposta financeira”, sustenta.
A alteração destas portarias integra uma ação mais ampla do Governo para responder aos desafios imediatos do setor e, em simultâneo, reforçar as suas bases para o futuro. Entre as medidas já adotadas encontram-se, por exemplo, as novas regras de rotulagem, o reforço do controlo e da rastreabilidade, com a criação de um sistema digital de rastreabilidade, o reforço da promoção internacional, a criação do Observatório da Vinha e do Vinho, o Plano de Ação para a Gestão Sustentável e Valorização do Setor Vitivinícola da Região Demarcada do Douro (2026-2032), e a instituição do Dia Nacional da Vinha e do Vinho.
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A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Tâmega e Barroso está a investir cerca de 116.500 euros na melhoria das condições de acesso e utilização do transporte público de passageiros, através da instalação de painéis digitais de informação e do reforço da sinalética nos seis municípios da região.
Do investimento previsto, cerca de 45 mil euros destinam-se à instalação de painéis digitais de informação ao público, enquanto os restantes 71.500 euros serão aplicados em sinalética. A intervenção pretende tornar a informação sobre os transportes mais clara e acessível, facilitando a utilização do serviço por parte da população.
O investimento surge numa altura em que a procura pelo transporte público está a aumentar, de acordo com os dados da CIM. Em 2025, a rede do Alto Tâmega e Barroso transportou 711.298 passageiros, mais 15% do que em 2024.
A iniciativa complementa a instalação de 251 sinais de identificação de paragens de autocarro em vias nacionais e municipais da região, bem como a substituição de infraestruturas existentes que já não apresentam condições adequadas.
As duas intervenções são financiadas pelo Programa de Incentivo ao Transporte Público Coletivo de Passageiros, Incentiva+TP, que apoia medidas de promoção do transporte coletivo. Entre as áreas abrangidas pelo programa estão a modernização dos sistemas de informação ao público, a gestão e monitorização da oferta e a qualificação das paragens e interfaces.
Especializada nas áreas da iluminação natural, ventilação, desenfumagem, eficiência energética e sustentabilidade dos edifícios, com aplicações sobretudo no setor industrial, a Chatron está a avançar com um investimento de cinco milhões de euros para a construção de uma nova fábrica em Oliveira de Azeméis, para reforçar a capacidade produtiva e industrializar as três novas soluções desenvolvidas num projeto de investigação e desenvolvimento (I&D).
O fundador e CEO Carlos Brandão adianta ao ECO que a operação nesta nova unidade com 1.350 metros quadrados (m2) vai arrancar até ao início do próximo ano e criar 15 postos de trabalho qualificados para “transformar o I&D em capacidade industrial”. Prevê que a inaugural será “suficiente durante dois anos”, mas, a projetar uma futura expansão, já reservou ao lado um lote de 3.000 m2.
Este investimento industrial é o “resultado direto” de projetos de I&D iniciados há dois anos em colaboração com o instituto de investigação Itecons, pertencente à Universidade de Coimbra. Os primeiros dois produtos (AirLight e LightVent) saídos desse projeto vão ser fabricados na unidade oliveirense, onde prevê juntar o “topo de gama” Ecotunnel — “com requisitos muito mais apertados em termos de desempenho técnico, acústico, de inteligência” — no outono de 2027.
“Temos uma expectativa muito grande de que são produtos que vamos também exportar, usando a mesma rede de parceiros do tubo solar”, sublinha o empresário nortenho, licenciado em Engenharia Eletrotécnica pela FEUP (Universidade do Porto), em referência ao principal produto da empresa. Desenvolvidos em 2009 e fabricados em Vale de Cambra, onde atualmente produz mais de 2.500 unidades por ano com 18 trabalhadores, os tubos solares da Chatron são vendidos para mais de 15 países.
Carlos Brandão, CEO da Chatron
Embora também os comercialize para casas, é para as empresas que mais vende estes tubos solares, já instalados em mais de uma centena de indústrias, como as da Nestlé, Corticeira Amorim ou Delta, em supermercados do Continente ou no novo Pavilhão Multiusos de Vila Nova de Gaia. Na Polónia tem vários instalados em lojas da Ikea ou nas fábricas do grupo alimentar Intersnack. Nos Países Baixos, só no ano passado colocou-os em mais de 15 instalações de criação de porcos, ao passo que na Grécia tem um distribuidor mais dedicados a materiais de construção.
Com mais de 60% da produção destinada à exportação, estes são os três mercados externos mais importantes para a empresa detida por Carlos Brandão e pela mulher, que este ano vai ultrapassar os dois milhões de euros de volume de negócios. Com a fábrica em Oliveira de Azeméis e os três novos produtos, o também presidente da Associação Empresarial de Vale de Cambra e Arouca aponta ao objetivo de atingir os cinco milhões de euros de faturação daqui a três anos.
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O “grande salto” no negócio, mas que pode tardar cinco anos, será a entrada nos EUA, para que diz estar a ser “muito desafiado”. “Estamos aqui na corda bamba, mas não está ainda a decorrer por causa do Trump. Os produtos têm de ser todos certificados e homologados – temos isso para a Europa e muitos dão para o resto do mundo, mas os EUA são uma realidade à parte. Precisamos de tempo porque é preciso repetir lá alguns ensaios”, explica. Só para isso, o investimento pode ascender a 200 mil euros, além de obrigar a ter uma equipa local “bem preparada”.
Brandão chateia-se com “incómodos” fundos
O “primeiro patrão” de Carlos Brandão foi o histórico empresário Ludgero Marques, que presidiu à Associação Empresarial de Portugal (AEP) durante 23 anos e que morreu no final de agosto aos 88 anos. Trabalhou na fabricante de torneiras e de cerâmica Cifial durante três anos até passar para uma empresa de climatização para ganhar experiência nessa área. Foi nesse ramo que montou a empresa em 1998 e depois lhe mudou “um bocado o rumo, porque andava a instalar produtos de outros e queria trilhar um caminho próprio”.
Volvidas quase três décadas, mantendo a sede em Arouca de onde é originário e “onde tudo começou”, mas desde há pouco mais um ano ‘arrumada’ no chamado Grupo MercuryVision, a Chatron está a ser “muito assediados por fundos”. “A pressão é muito grande, mas não estamos muito interessados nesta fase porque temos um potencial grande para crescer e podem querer entrar por verem que a empresa é lucrativa e quererem tirar retorno a curto prazo — e não queremos isso”, indica.
Cheguei a um ponto em que me chateei mesmo. São incómodos. Acho que o dinheiro está fora dos bancos e anda para aí nos fundos, que andam a ver onde é que há potencial de lucro e fazem demasiada pressão. Para já, vou resistir.
“Já tive várias reuniões, mas cheguei a um ponto em que me chateei mesmo. São incómodos. Já disse ‘não’ e eles insistem, mandam cartas… Não sei o que está a acontecer. Acho que o dinheiro está fora dos bancos e anda para aí nos fundos, que andam a ver onde é que há potencial de lucro e fazem demasiada pressão”, desabafa. “Para já, vou resistir. Se não tivesse os filhos, se calhar metia muito dinheiro ao saco e partia para outra [risos]. Mas também tenho o bichinho de fazer coisas novas. Dá-me gozo. Se não desse, também já não estava aqui”, completa.
Dos quatro filhos, dois trabalham no grupo familiar: um engenheiro eletrotécnico há três anos; e uma economista que entrou agora para ajudar a desenvolver precisamente esta unidade de Oliveira de Azeméis, após trabalhar numa multinacional. Em agosto, numa publicação feita no LinkedIn com o título “Nem todas as empresas estão à venda”, já tinha expressado o incómodo pela “frequência e, por vezes, agressividade com que empresários são abordados por investidores, intermediários ou representantes de fundos interessados em entrar no capital das suas empresas”.
“O problema começa quando uma abordagem deixa de ser uma proposta e passa a ser pressão. Emails sucessivos, telefonemas insistentes, pedidos de reunião repetidos, tentativas de obter uma resposta como se o empresário tivesse obrigação de explicar porque não está interessado. E não tem. Uma empresa não está à venda apenas porque alguém decidiu que gostaria de a comprar”, escreveu Carlos Brandão nesta rede social.
O governo dos Países Baixos (Holanda) anunciou nesta segunda-feira (26) que pretende investir US$500 milhões no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). O mecanismo internacional de financiamento foi idealizado pelo Brasil e lançado durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém, em 2025.
O aporte não será feito todo de uma vez, mas dividido ao longo de um período de 10 anos. Segundo o anúncio do governo, o investimento reforça a ambição do país em relação às metas climáticas internacionais e à biodiversidade.
O ministro do Comércio Exterior e Cooperação para o Desenvolvimento, Sjoerd Sjoerdsma, disse que preservar as florestas é fundamental para enfrentar as mudanças climáticas, que ameaçam segurança, prosperidade e liberdades.
“Isso reduz as emissões e é essencial para a resiliência dos ecossistemas, da biodiversidade e do abastecimento alimentar global. Por meio deste compromisso, oferecemos aos países um incentivo sólido e previsível para proteger e conservar suas florestas tropicais”, disse Sjoerdsma.
Com o anúncio, os Países Baixos passam a integrar uma coalizão internacional que já anunciou intenção de contribuir com o investimento. Entre os países estão Brasil, Noruega, Luxemburgo, Indonésia, Alemanha, França, Portugal e Reino Unido.
Os investidores que comprarem os títulos emitidos pelo TFFF receberão juros fixos e estáveis. Já os países que conseguirem recuperar e manter suas florestas de pé serão recompensados financeiramente por esse esforço. Eles só receberão os valores após verificação por imagens de satélite que confirmem níveis de desmatamento abaixo de limites pré-definidos.
O fundo também prevê um protagonismo das populações indígenas e povos e comunidades tradicionais, que desempenham papel direto na proteção das florestas. O mecanismo propõe destinar pelo menos 20% dos pagamentos nacionais a essas populações.
Os idealizadores do TFFF estimam que ele poderá proteger mais de 1 bilhão de hectares de florestas em mais de 70 países. O objetivo é arrecadar, pelo menos, US$ 125 bilhões. Desse montante, US$ 100 bilhões deverão vir do setor privado, enquanto os outros US$ 25 bilhões são esperados de governos pelo mundo.
O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), anunciou investimentos superiores a US$ 325 milhões em 42 projetos voltados ao fortalecimento da produção agrícola e à conservação de recursos naturais no país. Os recursos serão destinados a agricultores, pecuaristas e proprietários de terras florestais por meio do Programa de Parcerias Regionais para a Conservação.
O anúncio foi feito pela secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins, que destacou a importância da iniciativa para ampliar a produtividade das propriedades rurais e preservar as áreas agrícolas no longo prazo.
Os recursos fazem parte de uma série de anúncios de direcionamentos ao setor agropecuário americano às vésperas das eleições de meio de mandato, previstas para 3 de novembro. Agricultores têm sofrido com custos elevados devido ao endividamento e à insegurança energética causada pela guerra no Oriente Médio.
Segundo o USDA, o programa combina recursos federais com investimentos privados para desenvolver soluções voltadas aos desafios ambientais enfrentados pelo setor agropecuário. A iniciativa também busca reduzir a burocracia e ampliar a flexibilidade das parcerias locais.
As ações incluem o cultivo de plantas de cobertura, o plantio de forrageiras e espécies destinadas à produção de biomassa, além da instalação de sistemas de abastecimento de água para os animais. A expectativa é fortalecer os sistemas de pastagem, melhorar a qualidade da água e aumentar a rentabilidade dos produtores.
Segundo o departamento, os investimentos buscam fortalecer a resiliência das propriedades rurais, enfrentar desafios ambientais regionais e manter as terras produtivas para as próximas gerações.
O programa utiliza parcerias entre o governo, produtores rurais, organizações e outras entidades para financiar medidas de conservação adaptadas às necessidades de cada região.