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Unisana investe 40 milhões para triplicar dimensão do Hospital de Almada

30 October 2026 at 11:31

O Grupo Unisana Hospitais vai investir 40 milhões de euros para expandir o Hospital de Almada. O investimento prevê a construção de um novo edifício, que vai permitir triplicar a dimensão da unidade de saúde detida pelo grupo liderado por Eduardo Nuno Moniz. A obra será realizada em duas fases, com a conclusão global prevista para o final de 2029.

De acordo com um comunicado divulgado esta sexta-feira, o projeto prevê a construção de um novo edifício hospitalar, articulado com a reabilitação da unidade atual, formando um complexo hospitalar único e integrado. Com o novo edifício, o hospital vai “triplicar a sua capacidade atual, passando a disponibilizar uma área de cerca de 15 mil metros quadrados”.

Entre as infraestruturas e serviços disponíveis estarão três salas de bloco operatório, cerca de 50 camas, uma clínica de reprodução medicamente assistida, uma Unidade de Medicina Nuclear com PET, atendimento permanente, unidade de cuidados paliativos. Segundo adianta o grupo de saúde, haverá ainda um reforço significativo da capacidade de imagiologia, uma modernização integral das infraestruturas e uma aposta na experiência dos clientes e dos profissionais de saúde da unidade.

“O Unisana Hospital de Almada está a crescer, captando cada vez mais clientes e profissionais graças à competência da equipa clínica e satisfação do acolhimento de seus profissionais. Para dar resposta a esta crescente procura e oferecer ainda melhores condições e a mesma proximidade de sempre, vamos iniciar a construção da expansão do Unisana Hospital de Almada, a qual deverá ser concluída no final de 2029”, explica Eduardo Moniz, CEO da Unisana Hospitais, citado no comunicado.

Com uma equipa de cerca de 100 médicos, o Unisana Hospital de Almada, serve atualmente mais de 30 mil utentes por ano, realizando mais de mil cirurgias, mais de 45 mil consultas e mais de 65 mil exames.

O reforço das infraestruturas é realizado no âmbito da parceria já existente com a Lifento, gestora de fundos de investimento imobiliário pan-europeia independente especializada no setor da saúde e imobiliário médico-social.

O grupo de saúde Unisana, que juntou os investimentos realizados pela Atena Equity Partners e pela 3T Portugal nos últimos três anos, arrancou em 2024 com três hospitais (Almada, Torres Vedras e Porto) e duas clínicas (Santarém). Atualmente o grupo detém unidades de saúde no Porto, Santarém, Torres Vedras, Lisboa e Almada, que incluem o Hospital da Ordem Terceira do Chiado em Lisboa, o Hospital da Lapa no Porto, o Hospital de Almada, o Hospital do Oeste Soread em Torres Vedras ou a Clínica de Santarém.

As unidades sob gestão do grupo realizam mais de 175 mil consultas, 350 mil exames e mais de 11 mil cirurgias por ano, servindo 160 mil utentes de todo o país. A equipa da Unisana Hospitais conta com a colaboração de 560 médicos, além de enfermeiros e outros profissionais de saúde dedicados.

Habitação. Olhão aprova investimento de 40 milhões de euros

29 October 2026 at 20:55
O município de Olhão aprovou um empréstimo de 49 milhões de euros, dos quais 40 milhões para habitação, numa resposta à crise que afeta em particular o Algarve.

© Getty Images

O empréstimo de 49 milhões de euros, aprovado pelo executivo municipal, vai ser submetido à Assembleia Municipal para aprovação final

ETF e análise de mercados: investir com mais informação

29 October 2026 at 17:56
Rui Broega, Diretor Coordenador de Asset Management do Banco BiG, explica como combinar análise fundamental e técnica e compreender o impacto da geopolítica nas decisões de investimento.

Empresas na Bolsa perdem R$ 873 bilhões em valor de mercado após o 2º turno

By: pedroz
29 October 2026 at 14:57

A sangria da bolsa brasileira vem se prolongando desde o resultado do segundo turno, que chancelou a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na segunda-feira (26), a bolsa viu um circuit breaker e um tombo de quase 14% em um único pregão.

As quedas seguiram entre terça-feira (27) e quarta-feira (28) e o balanço, até agora, é de uma perda de R$ 873 bilhões no valor de mercado consolidado de todas as empresas listadas na B3, segundo levantamento realizado pela Elos Ayata.

Os investidores seguem reprecificando as expectativas, principalmente, com relação ao que esperar sobre a política monetária da próxima gestão Lula. Os agentes desmobilizaram posições enquanto grandes bancos revisaram suas recomendações de exposição ao Brasil.

Citigroup e a BCA Research rebaixaram a recomendação dos ativos brasileiros ​argumentando que o perfil de risco-retorno para ações, títulos e moeda se deteriorou, à medida que os investidores reavaliam as perspectivas de disciplina fiscal e reformas estruturais sob o novo governo.

A BCA vê ainda riscos crescentes ​de inadimplência, perspectivas de crescimento mais fracas e pressões inflacionárias decorrentes de ​uma moeda mais fraca.

Outro relatório importante que baliza a atual corrente do mercado financeiro é o da Moody’s. A agência de classificação de risco pontua que a ausência de um perfil mais firme com a consolidação fiscal pode pressionar o perfil de crédito do Brasil ao longo do tempo.

A instituição avalia que a reeleição de Lula deve manter a atual trajetória da política fiscal, com ajustes graduais, prolongando os déficits nominais, os custos elevados de financiamento e o aumento dos encargos da dívida pública.

Outro fator que contribuiu para esse resultado foi a alta dos juros futuros. Na segunda-feira as taxas dispararam mais de 250 pontos-base em alguns vencimentos e têm se estabilizado em patamares mais elevados. Na manhã desta quinta-feira (29), a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,43%.

O forte desmonte de posições dos investidores após a eleição e a perspectiva mais pessimista sobre a trajetória da política monetária brasileira vai além das ações e pressiona também as gestoras.

Um levantamento de rentabilidade de fundos ao qual a analista de Economia do CNN Money, Lucinda Pinto, teve acesso aponta quedas de até 21% entre os multimercados da amostra.

Nas estratégias que combinam posições compradas e vendidas, mas mantêm maior exposição à alta das ações, as perdas chegaram a superar 40% em um único dia.

Diante dessa mudança abrupta de cenário e de projeções, o mercado passa a ver menor espaço para que o Banco Central continue reduzindo a taxa de juros no país. Atualmente, a Selic opera em 13,75% ao ano.

Na próxima semana, o Copom deve se reunir para uma nova decisão sob pressão desse novo cenário que vem se desenhando ao longo dos últimos dias.

Cluster da saúde apresenta plano para a década com investimentos até dois mil milhões

29 October 2026 at 13:14

O cluster da saúde em Portugal, que reúne empresas, hospitais, universidades, instituições de investigação e outras organizações, apresentou esta quinta-feira um plano de desenvolvimento do setor, para a próxima década, que inclui 14 propostas de iniciativas para reforçar a inovação e a competitividade. O programa estratégico do Health Cluster Portugal até 2035, criado com a consultora EY, assenta em cinco eixos estratégicos e estima um investimento de até dois milhões de euros.

O Plano de Desenvolvimento da Saúde 2.0 – Inovação, Conhecimento e Competitividade (PDS) está desenhado para ser implementado até 2035, embora a fase de maior intensidade e operacional e financeira esteja prevista para os próximos quatro anos. Entre as propostas está, por exemplo, a criação de uma Agência Nacional de Saúde Digital público-privada.

Das 14 propostas, oito são identificadas como prioritárias, entre as quais ter um quadro regulatório e operacional que permita a prescrição de ferramentas digitais de saúde. O documento, desenvolvido com stakeholders do setor, já foi partilhado com os ministérios da Saúde e da Economia e da Coesão Territorial, tendo em conta que é inclui ideias de políticas públicas e medidas para os privados.

O cluster considera que o sucesso do PDS depende de “uma estrutura de governação eficaz e de um modelo de monitorização contínua, capazes de assegurar o envolvimento dos principais stakeholders, da promoção da cooperação entre o setor público e o setor privado, de sinergias entre os diferentes atores e do alinhamento das iniciativas com a visão e os objetivos estratégicos definidos para o Ecossistema Nacional da Saúde até 2035”, bem como de uma monitorização frequente.

Na opinião dos mais de 200 membros deste cluster, o PDS permite uma resposta a desafios estruturais, como a fragmentação dos sistemas de informação, a falta de articulação entre as políticas de saúde, ciência e economia e a complexidade dos processos regulatórios e de certificação. Trata-se de uma atualização do primeiro plano de desenvolvimento da saúde, lançado em 2021, que esteve na origem da agenda mobilizadora Health from Portugal, no âmbito do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência, que contou com um investimento total elegível de 91,8 milhões de euros.

Quais os principais eixos estratégicos do plano de desenvolvimento da saúde?

  • Dados e transformação digital – A integração dos dados em saúde é uma das prioridades do segundo PDS, que defende o reforço da interoperabilidade entre os sistemas públicos e privados, criando condições para acelerar a utilização da inteligência artificial, da medicina personalizada e de modelos de gestão baseados em valor. É aí que surge a Agência Nacional de Saúde Digital, que seria responsável por coordenar a governação dos dados, definir normas de interoperabilidade e estabelecer condições para a sua utilização em investigação, inovação e definição de políticas de saúde.
  • Medicamentos inovadores e tecnologia – O PDS 2026-2035 identifica um potencial de investimento que pode atingir os dois mil milhões de euros em medicamentos inovadores e tecnologias. O objetivo é dinamizar o investimento das farmacêuticas nacionais e atrair multinacionais de referência e ter também enquadramento para prescrever e financiar soluções digitais. Ou seja, ter comparticipação e facilitar a sua integração nos cuidados de saúde.
  • Resiliência do sistema de saúde – Perante o envelhecimento da população, o crescimento das doenças crónicas e das desigualdades no acesso aos cuidados, propõe-se uma evolução para modelos assistenciais mais preventivos e descentralizados. Como? Reforço dos cuidados de proximidade, introdução sistemática da prescrição social, integração das farmácias comunitárias como pontos de acesso aos serviços de saúde, transição para modelos de financiamento baseados em valor (relação entre resultados clínicos e custos associados a cada condição clínica).
  • Valorização do conhecimento – Face à necessidade posicionar Portugal como um hub competitivo para o desenvolvimento de produtos, serviços e soluções de saúde, bem como para a realização de ensaios clínicos e atividades de investigação biomédica de elevada relevância internacional, apela-se à transformação do conhecimento científico aplicado em valor económico e social.
  • Acesso ao mercado – Modernizar os mecanismos de regulação e acesso ao mercado, reforçando o papel dos reguladores como parceiros estratégicos da inovação, promovendo a internacionalização da saúde portuguesa e acelerando a entrada de novas soluções através de instrumentos como sandboxes regulatórias e da criação de condições para acelerar a certificação, fortalecendo a competitividade do ecossistema nacional.

Fundo do Dubai escolhe Lisboa como sede europeia e vai investir em empresas de IA

29 October 2026 at 09:00

A sociedade de capital de risco BY Venture Partners, com sede no Dubai, escolheu Portugal como berço da operação na Europa. O fundo internacional anunciou esta quinta-feira que abriu um escritório em Lisboa, que funcionará com sede europeia, e fechou o seu terceiro veículo de investimento no valor de 53,5 milhões de euros.

A empresa de venture capital emirati prevê investir em projetos globais recentes (early-stage) e entrar em rondas de financiamento para fases iniciais (pré-seed e série A) com até um milhão de dólares (cerca de 899 milhões de euros). O objetivo é apostar em empresas de inteligência artificial (IA) que estejam a reinventar os fluxos de trabalho das empresas e tenham a ambição de crescer à escala mundial.

“Este fundo tem como objetivo apoiar empresas nativas de IA com ambições globais. Estamos particularmente entusiasmados com o reforço de capital na Europa, onde cidades como Madrid, Londres, Paris e Berlim avançam rapidamente no desenvolvimento de software nativo de IA”, afirmou Ghaith Yafi, sócio-cofundador da BY Venture Partners, num comunicado enviado aos meios de comunicação social.

Para a BY Venture Partners, que tem mais de 178,4 milhões de euros em ativos sob gestão, o hub lisboeta “é uma evolução natural”, depois de realizar investimentos em 16 países, quatro dos quais alavancaram a construção de unicórnios com os dois fundos anteriores. Instalado na zona de Alcântara, a equipa inicial do escritório em Portugal é composta pelo sócio Sohrab Jahanbani e Henrique Pereira, manager de Plataforma e Comunidade, que foi contratado para o efeito, mas há “potencial de crescer”, como disse fonte oficial ao ECO.

"“A Europa forma alguns dos melhores talentos tecnológicos do mundo, mas os fundadores europeus enfrentam muitas vezes uma barreira quando tentam chegar ao capital internacional e a uma escala comercial global.”

Sohrab Jahanbani

Sócio da BY Venture Partners

“Lisboa e o ecossistema ibérico mais alargado deixaram de ser polos regionais emergentes e passaram a ser verdadeiras rampas de lançamento para a inovação de referência mundial em IA e deep tech. Ao combinar uma presença local com o alcance global da BY Venture Partners no Médio Oriente e na América do Norte, estamos numa posição única para dar aos fundadores ibéricos e europeus o capital, o apoio operacional e o acesso a mercados globais de que precisam para competir”, refere o sócio-cofundador Abdallah Yafi.

O recém-lançado fundo é ancorado pelo Dubai Future District Fund e conta a participação de investidores institucionais da região do Golfo, divisões de empresas de capital de risco e family offices, entre os quais Multi Lane, Transmed Capital e Indriss Family Office da Arábia Saudita. Atualmente, contabiliza 15 investimentos feitos, entre os quais na PQ Shield, Cosyne, Isometric, Huspy e Invisible, mas o portefólio previsto é de 40 empresas.

40 milhões de euros para nova central solar prevista para o Algarve

28 October 2026 at 14:59

Está previsto um investimento de mais de 40 milhões de euros na construção de uma nova central solar no Algarve e respetiva linha elétrica de ligação à Subestação de Tavira. O projeto está em fase de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA), decorrendo a consulta pública até 9 de dezembro.

O conteúdo 40 milhões de euros para nova central solar prevista para o Algarve aparece primeiro em Algarve Marafado.

O papel da sequenciação genética dos tumores na personalização dos cuidados em Oncologia

28 October 2026 at 12:44

A oncologia atravessa uma transformação profunda. Se, durante décadas, o tratamento do cancro dependia essencialmente do órgão de origem e das características histológicas, hoje sabemos que a identificação das alterações genéticas dos tumores é fundamental para compreender a doença e personalizar a sua abordagem.

A sequenciação de nova geração (Next-Generation Sequencing — NGS) permite analisar simultaneamente múltiplos genes, assumindo um papel crescente nas diferentes etapas do percurso oncológico: prevenção, diagnóstico, prognóstico, selecção do tratamento e monitorização.

Na prevenção, a identificação de variantes genéticas hereditárias, como as dos genes BRCA1 e BRCA2, permite reconhecer indivíduos e famílias com maior predisposição para determinados cancros, possibilitando estratégias personalizadas de vigilância e redução do risco. No rastreio e diagnóstico precoce, a caracterização genética pode contribuir para identificar populações de maior risco e, através de novas tecnologias, incluindo a análise de ADN tumoral circulante, abrir perspectivas para detectar a doença em fases mais precoces, embora algumas destas aplicações ainda necessitem de validação clínica.

No prognóstico, as alterações moleculares ajudam a compreender a agressividade dos tumores, estimar o risco de recidiva e orientar a intensidade da vigilância e dos tratamentos.

É, contudo, na selecção terapêutica que a sequenciação genética tem actualmente maior impacto. A identificação de alterações em genes como EGFR, ALK, ROS1, KRAS ou RET, no cancro do pulmão, permite utilizar terapêuticas dirigidas, frequentemente mais eficazes e menos tóxicas. Quando não existem alterações moleculares susceptíveis de tratamento dirigido, a avaliação da carga mutacional tumoral (Tumour Mutational Burden — TMB) pode, em contextos clínicos específicos, fornecer informação adicional para orientar a imunoterapia, embora não constitua um biomarcador universal nem substitua outros critérios de decisão.

O valor desta inovação é também económico e social. Um estudo nacional sobre os testes de diagnóstico in vitro estimou que cada euro investido na utilização alargada de NGS no cancro do pulmão poderá gerar 5,4 euros de retorno social e económico.

Persistem, porém, desigualdades no acesso, atrasos na realização dos testes e dificuldades de financiamento. Portugal necessita de uma estratégia nacional de diagnóstico molecular, que assegure qualidade, rapidez e equidade, integrando estas tecnologias nos cuidados oncológicos.

A medicina de precisão não começa na escolha do medicamento, mas no conhecimento da biologia do tumor. Investir nesse conhecimento significa prevenir melhor, diagnosticar mais cedo, tratar com maior eficácia e oferecer a cada doente a melhor oportunidade de viver mais e melhor.

Da falha Galp-Moeve ao atraso da Indaqua. Grandes negócios na gaveta têm “impacto desproporcionado” no mercado

28 October 2026 at 06:33

Acompanhe-nos nesta história: a decisão de comprar e vender uma empresa está tomada, os assessores foram contratados, os interessados apareceram e um dos candidatos começou a negociar em exclusivo. No entanto, o champanhe nem chega a ser posto no frio, porque o calendário vai-se arrastando e existem cada vez mais discrepâncias entre comprador e vendedor – a maior parte das vezes sobre o preço. O relato podia ser dado por vários empresários em Portugal, mudando apenas o nome de cada um.

O mercado das fusões e aquisições (M&A) tem sido marcado por vários revés que, por vezes, são suficientes para deitar abaixo meses de trabalho conjunto para tentar encontrar a melhor solução para um casamento de negócios. Ainda esta segunda-feira falhou o acordo entre a Galp Energia, o fundo soberano de Abu Dhabi (Mubadala Investment Company) e o grupo Carlyle – acionistas da Moeve – que visava fundir as divisões de refinação e distribuição.

Certo é que não é exemplo único em Portugal, onde só nos últimos meses assistimos ao adiamento da venda da concessionária de águas Indaqua, porque os potenciais compradores pediram informações adicionais antes de apresentarem as suas propostas vinculativas, que estavam previstas para julho, como noticiou a agência Bloomberg. A passo de caracol segue também a venda da Logoplaste, iniciada há mais de um ano, e sem data prevista para a assinatura, embora o candidato favorito (KKR) tenha sido selecionado. Por água abaixo foram igualmente as conversas entre os espanhóis do Cajamar e o Banco CTT.

No caso da Galp, os co-CEO João Diogo Marques da Silva e Maria João Carioca explicaram que a fusão “simplesmente não se concretizou”, porque não conseguiram “chegar a um acordo sobre uma parceria que criasse valor”, embora continuem “abertos a oportunidades”, que só irão concretizar “em condições que criem claramente valor a longo prazo para os nossos acionistas”, tendo em conta que “a disciplina de capital no que diz respeito à valorização é inegociável”.

Como relata o ECO sobre os bastidores, no cerne da divergência entre os donos das petrolíferas ibéricas estiveram diferentes perceções sobre quanto valem os ativos da Galp na refinação e na distribuição de combustíveis. Ou seja, a Galp recebeu este mês de outubro a proposta financeira da Moeve para a fusão dos negócios downstream (refinação) das duas empresas em Portugal e Espanha e rejeitou-a sem margem para dúvidas, porque não terá visto representado o valor justo dos seus ativos de refinação e distribuição.

Cada empresa e setor tem as suas particularidades, mas o fenómeno explica-se por vários fatores de mercado. Há, essencialmente, quatro razões: os compradores estão mais criteriosos devido ao aumento do custo de capital (reflexo da subida das taxas de juros e da inflação) e à forte concorrência; os processos de due diligence (quer legal quer financeira, comercial ou operacional) estão mais complexos e demorados; há maior escrutínio regulatório; e desalinhamento de preço entre as partes.

O Governo admitiu que tinha “receio” de que o acordo entre a Galp e a Moeve, que colapsou nos últimos dias, pusesse em causa o controlo nacional da refinaria de Sines.Leonor Gonçalves

O advogado Manuel Cordeiro Ferreira refere que este problema, além de ser comum a outras geografias, se deve ao facto de o mercado português ter uma dimensão reduzida. “Essas transações têm um enterprise value muito relevante, portanto quando se fazem – ou quando não se fazem – têm um impacto desproporcionado no mercado. São muito chamativas tanto quando se concretizam como quando se atrasam ou caem”, afirma o sócio de Societário/M&A e Mercado de Capitais da Pérez-Llorca.

Há uma tendência global de desaceleração das operações de M&A à qual Portugal não fica imune. Não é exclusivo, porque tanto Espanha como França, Alemanha, Itália ou Reino Unido são mercados onde vemos as operações de M&A a não se concretizarem ao ritmo que se concretizavam e algumas delas a cair.

Manuel Cordeiro Ferreira

Sócio da Pérez-Llorca

Ainda assim, Manuel Cordeiro Ferreira explica que esta trajetória não é 100% uniforme entre os países, porque nos Estados Unidos, por exemplo, têm sido assinadas operações – equivalentes a megadeals na Europa – de forma rápida, como se viu com a aquisição da Warner Brothers pela Paramount, numa economia mais pró-promoção do liberalismo económico e da desregulamentação.

Deste lado do Atlântico, há dois ou três anos, com uma due diligence de qualidade encomendada só pelo vendedor, os assessores jurídicos poderiam logo focar-se nos contratos e, atualmente, mesmo com essa diligência prévia, tem sido “impensável” avançar para processos competitivos sem os compradores fazerem a sua auditoria completa, relatam os advisors contactados pelo ECO, alguns dos quais que pediram para não serem identificados.

“No pós-Covid tivemos uma vaga de transações, porque havia uma necessidade de fazer o investimento que ficou parado. O dry powder continua lá, mas os investidores estão mais exigentes, menos dispostos a assumir determinados riscos de médio e longo prazo (reputacionais, por algum tipo de contencioso, ou de capacidade de geração de caixa) e mais preocupados com a resiliência a fatores endógenos, como regulatórios, e exógenos, como guerras e distúrbios nas cadeias de fornecimento”, relata o sócio da Pérez-Llorca.

O investidor Bernardo Marques dos Santos, sócio da Qualitas Funds, corrobora a ideia de que “o problema não é nosso”, mas sim transversal. “Hoje há muita incerteza relativamente aos juros, ao impacto que a inteligência artificial terá em setores como os dos serviços e o capital está mais caro”, começa por dizer, lembrando que Portugal “é um mercado pequeno”, onde há poucas empresas com um enterprise value superior a 500 milhões de euros.

“Compradores querem valorizações mais baixas, o que limita a atratividade”

“Algumas transações falham talvez até mais por restrições que o Governo faça a essas consolidações, porque são setores estratégicos. Em Portugal, as que continuam a existir são muito seletivas, porque as empresas que compram querem valorizações mais baixas, o que limita um pouco a atratividade do mercado”, salienta Bernardo Marques dos Santos, ex-consultor de private equity na Bain & Company e antigo estratega de empresas na Accenture. Não é preciso ir muito longe no calendário para recordar que ainda este verão houve uma transação na banca travada pelo regulador, a do Banco Empresas Montepio e da fintech Rauva, de 35 milhões de euros.

Bernardo Marques dos Santos esclarece que a expectativa de preço dos vendedores é elevada, pois os fundos de private equity têm de entregar retornos ambiciosos, mas neste panorama macroeconómico e geopolítico já não é possível vender aos valores (múltiplos) que antes esperavam, porque o acesso à dívida também não é igual. Veja-se o fresquíssimo caso da Cetelem, a subsidiária de crédito ao consumo do grupo BNP Paribas, cuja venda se está a aproximar da fase final e para a qual os dois bancos na disputa – o neerlandês ING e o espanhol CaixaBank, que detém o BPI —apresentaram propostas iniciais que serão significativamente inferiores aos mil milhões desejados pelo vendedor, segundo os jornais Cinco Días e Expansión.

Até mesmo o unicórnio português Sword Health comprou a norte-americana Headspace Health a preço de saldo, por cerca de 250 milhões de euros, perfazendo um desconto superior a 90% comparativamente à avaliação de cerca de 2,6 mil milhões de euros que a app de saúde mental tinha tido.

As projeções sobre o desempenho dos targets são mais difíceis de sustentar num contexto volátil, o que leva investidores e assessores a reforçar a análise de investimento antes de avançar com uma decisão.

João Antunes Rodrigues

Advogado da Abreu

Por outro lado, o advogado João Antunes Rodrigues considera que “um maior cuidado não significa menor apetite pelo mercado português”. É apenas sinal de que há investidores que preferem esperar por maior clareza sobre a evolução dos fatores geradores de incerteza, sobretudo além-fronteiras. “A tensão geopolítica no Médio Oriente, o aumento do custo da energia, com reflexo no aumento da inflação e relacionados com o aumento das taxas de juro, traduzem-se numa maior ponderação na tomada de decisão, numa gestão de risco mais exigente e em custos de financiamento mais elevados”, recorda o associado sénior da Abreu Advogados.

Na sua opinião, estes atrasos e colapsos a que se tem assistido não devem ser interpretados per se como um sinal sobre o momento do mercado transacional, porque a negociação e ponderação, por vezes, até se “traduz em mais tempo para que as partes alinhem expectativas sobre o valor dos ativos, sobretudo nos negócios alavancados, onde o maior custo do financiamento adquire relevância na ponderação da operação”.

Itaú BBA: AgTechs brasileiras atraem R$ 94,7 milhões no 1º semestre

27 October 2026 at 23:03

As AgTechs brasileiras receberam R$ 94,7 milhões em investimentos no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento do Itaú BBA. O resultado mostra um mercado mais cauteloso, com investidores concentrando recursos em startups capazes de comprovar ganhos de eficiência, produtividade e retorno financeiro para o agronegócio.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o número de transações caiu de 17 para 8, acompanhado por uma redução no volume total investido.

Em um ambiente de menor liquidez, o capital passou a ser direcionado de forma mais criteriosa, com preferência por modelos de negócio que combinem eficiência operacional, geração de valor e potencial de escala.

De acordo com Matheus Borella, da área de Estratégia e Inovação Agro do Itaú BBA, o movimento não significa falta de interesse pelo setor, mas uma mudança na forma como os investidores avaliam as oportunidades.

O foco está menos no crescimento acelerado e mais na capacidade das empresas de apresentar resultados concretos para o produtor e para o próprio negócio.

Segundo Borella, o capital continua disponível para empresas capazes de comprovar ganhos de eficiência e geração de valor para o produtor, porém os investidores estão priorizando tecnologias que entreguem resultado mensurável e contribuam para aumentar a produtividade e a competitividade do agronegócio brasileiro.

O levantamento mostra ainda que 92% das operações se concentraram em startups ligadas aos segmentos “Antes da Porteira” e “Dentro da Porteira”.

Entre as empresas posicionadas antes da produção, as AgFintechs lideraram as movimentações, reforçando a demanda por soluções voltadas ao crédito, à gestão financeira e à redução de riscos no campo.

Já no segmento “Dentro da Porteira”, os investimentos ficaram concentrados em tecnologias para gestão da propriedade rural, telemetria e automação.

São áreas que ganham espaço justamente por oferecerem ganhos mais imediatos de eficiência e produtividade.

O cenário reforça uma mudança no perfil dos investimentos em AgTechs no Brasil. Em vez de apostar apenas em empresas com forte ritmo de expansão, os investidores passaram a exigir maior capacidade de geração de receita, eficiência e retorno.

Locação e seminovos podem crescer no mercado de máquinas

 

Boa Safra aprova programa para recomprar até 2,9 milhões de ações

27 October 2026 at 22:10

A Boa Safra Sementes aprovou um novo programa de recompra de ações que poderá abranger até 2,89 milhões de papéis ordinários da companhia. A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração nesta terça-feira (27), com início das operações previsto para 15 de novembro de 2026.

Segundo comunicado, a quantidade máxima autorizada corresponde a 2,04% das ações totais emitidas pela empresa e a 5% dos papéis em circulação no mercado.

O quinto programa de recompra da companhia terá duração de até 12 meses, com prazo para liquidação das operações até 15 de novembro de 2027. As aquisições serão realizadas na B3, a preços de mercado, com intermediação da XP Investimentos.

Segundo a Boa Safra, a recompra poderá contribuir para aumentar o retorno dos acionistas por meio de dividendos e juros sobre capital próprio por ação, uma vez que os papéis mantidos em tesouraria não têm direito ao recebimento desses proventos.

A empresa também aponta a possibilidade de aumento da participação percentual dos acionistas caso as ações recompradas sejam posteriormente canceladas. O objetivo é maximizar a geração de valor para os acionistas por meio de uma administração eficiente da estrutura de capital.

As ações adquiridas poderão ser mantidas em tesouraria para posterior cancelamento, alienação ou utilização em programas de remuneração baseada em ações destinadas a administradores, entre outras finalidades permitidas pela legislação.

El Niño pode mudar cenário da produção de leite e pressionar preços

Governo simplifica acesso aos apoios e reforça capacidade de investimento dos viticultores 

27 October 2026 at 20:46

Os viticultores vão poder aceder mais cedo aos apoios destinados à reestruturação e conversão de vinhas, na sequência da portaria aprovada pelo Governo que elimina a exigência de início prévio dos investimentos para efeitos de pedido de adiantamento das ajudas do PEPAC. A medida reduz a carga burocrática associada ao processo, permitindo solicitar o adiantamento […]

BEI vai reforçar apoio à habitação privada em Portugal

27 October 2026 at 19:56
Novo empréstimo eleva para 3 mil milhões o investimento do Banco Europeu de Investimento em habitação em Portugal em dois anos.

© OLIVIER MATTHYS/EPA

Financiamento elevará para três mil milhões de euros o investimento do banco europeu no setor da habitação em Portugal, num período de dois anos

19h. BEI empresta 300 milhões a Portugal para habitação

27 October 2026 at 19:18
Anúncio surgiu na Sessão dos 50 anos do Grupo Banco Europeu de Investimento em Portugal. Ainda, Sporting recebe o Marítimo para Taça da Liga

Governo simplifica acesso aos apoios e reforça capacidade de investimento dos viticultores

27 October 2026 at 18:04

VTM

Em comunicado, o ministério da Agricultura revela que a medida “reduz a carga burocrática” associada ao processo, permitindo “solicitar o adiantamento da ajuda antes do início dos investimentos e assegurando uma resposta mais rápida às necessidades de tesouraria das explorações, sem comprometer o rigor na gestão dos fundos públicos”.

“Mantêm-se, assim, as exigências de prestação de garantia a favor do IFAP e de execução integral dos investimentos nos prazos definidos”, explica.

De acordo com o comunicado, a portaria procede ainda ao esclarecimento das regras de elegibilidade da intervenção de alteração do perfil do terreno na Região Demarcada do Douro, garantindo uma aplicação mais clara e uniforme do regime em vigor, sem prejuízo das especificidades já previstas para aquela região vitivinícola.

São igualmente introduzidos ajustamentos ao regime excecional de candidaturas da campanha 2026-2027, criado para apoiar os produtores afetados pelos fenómenos meteorológicos adversos registados entre janeiro e fevereiro deste ano.

Para o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, “não faz sentido obrigar um viticultor a iniciar um investimento para só depois poder aceder ao adiantamento do apoio. Com esta alteração, retiramos um obstáculo burocrático e garantimos que os apoios chegam quando são necessários: quando o viticultor decide investir”.

O ministro frisa ainda que “quem quer plantar, reconverter ou modernizar a sua vinha precisa de previsibilidade e liquidez. Estamos a simplificar procedimentos para que os apoios cheguem mais depressa ao terreno, sem abdicar do rigor na gestão dos fundos públicos”.

Esta alteração assume “particular importância” para a campanha em curso, ao permitir uma tramitação “mais célere dos processos e uma execução mais eficaz dos investimentos, contribuindo para uma execução mais rápida e eficaz dos investimentos apoiados e para uma maior capacidade de resposta financeira”, sustenta.

A alteração destas portarias integra uma ação mais ampla do Governo para responder aos desafios imediatos do setor e, em simultâneo, reforçar as suas bases para o futuro. Entre as medidas já adotadas encontram-se, por exemplo, as novas regras de rotulagem, o reforço do controlo e da rastreabilidade, com a criação de um sistema digital de rastreabilidade, o reforço da promoção internacional, a criação do Observatório da Vinha e do Vinho, o Plano de Ação para a Gestão Sustentável e Valorização do Setor Vitivinícola da Região Demarcada do Douro (2026-2032), e a instituição do Dia Nacional da Vinha e do Vinho.

The post Governo simplifica acesso aos apoios e reforça capacidade de investimento dos viticultores appeared first on A Voz de Trás-os-Montes.

IA em destaque na BiG Investor Week

27 October 2026 at 17:56
Será a IA uma aliada para os investidores? Rui Broega, Diretor Coordenador de Asset Management do Banco BiG, ajuda-nos a descobrir sobre do que se irá falar no segundo dia de BiG Investor Week. 

Mais de metade não poupa para a reforma

27 October 2026 at 16:31
Estudo da ASF revela forte dependência do sistema público de pensões. Entre os reformados, 53% admite que teria sido importante ter poupado mais.

© JOSÉ COELHO/LUSA

Os depósitos a prazo são o principal instrumento contratado entre os inquiridos

Um em cada cinco está a poupar para reforma comprando casas

27 October 2026 at 12:23
Estudo do regulador dos seguros e fundos revela que "parte considerável" da população está a poupar para a reforma, mas metade não vai além dos depósitos bancários. E 17% investem em imobiliário.

© ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

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