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China condena restrições dos EUA a empresas de genética por alegado trabalho forçado

29 October 2026 at 08:21
China

A China condenou hoje as restrições impostas pelos Estados Unidos a três empresas chinesas de biotecnologia, acusadas de ligações ao trabalho forçado na região de Xinjiang, e ameaçou adotar medidas para defender os seus interesses.

O Ministério do Comércio chinês manifestou, em comunicado, a “firme oposição” à decisão de Washington, que acusou de utilizar os direitos humanos como pretexto para aplicar medidas protecionistas contra empresas chinesas.

“Estas inclusões na lista contrariam os consensos alcançados pelos chefes de Estado dos dois países e prejudicam gravemente a estabilidade das relações económicas e comerciais entre a China e os Estados Unidos”, afirmou o ministério.

As autoridades chinesas rejeitaram as acusações de trabalho forçado em Xinjiang e advertiram que vão adotar as “medidas necessárias” para proteger os interesses nacionais.

A reação surge depois de o Departamento de Segurança Interna norte-americano ter anunciado esta quarta-feira a inclusão da BGI Group, BGI Genomics e MGI Tech numa lista de entidades sujeitas a restrições de importação por alegadas ligações ao trabalho forçado.

A decisão, que entra hoje em vigor, impede a entrada dos produtos das três empresas nos Estados Unidos, salvo se os importadores demonstrarem que não foram produzidos com recurso a trabalho forçado.

Segundo Washington, as empresas participaram em atividades de recolha e análise de material genético em Xinjiang, que facilitaram a vigilância e repressão de minorias étnicas, incluindo os uigures.

O grupo BGI, sediado em Shenzhen e especializado em sequenciação genética, rejeitou as acusações e garantiu que nunca recorreu a trabalho forçado. A empresa afirmou ainda que as restrições não terão um impacto significativo nas suas operações.

A MGI Tech também contestou a decisão e anunciou que vai recorrer da inclusão na lista norte-americana, que passa a abranger 190 entidades.

As restrições foram adotadas ao abrigo da Lei de Prevenção do Trabalho Forçado Uigur, aprovada em 2021, na sequência de denúncias internacionais sobre detenções em larga escala, vigilância e trabalho forçado de minorias muçulmanas em Xinjiang, que Pequim rejeita.

A decisão surge num contexto de persistentes tensões comerciais e tecnológicas entre as duas maiores economias mundiais, apesar dos esforços de Pequim e Washington para estabilizar as relações bilaterais.

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