Ninguém foi eleito para Belém, para a Assembleia da República e para o poder local para ser complacente com a revolução contra a democracia parlamentar.
Como os próprios agitadores de extrema-esquerda não se cansam de repetir, a (efectiva) crise na habitação é apenas um pretexto oportuno para defender a revolução e abolir o capitalismo.
Era a actuação proporcional certa para retirar as tendas: os polícias seriam só mais campistas que apreciam música e farra. Até os activistas se queixarem ao Alto Comissariado da ONU para o veganismo.
O jornalismo, se quiser vencer a crise de confiança instalada, não pode comportar-se como um simples megafone ao serviço dos manifestantes, ou numa “caixa de ressonância”.
Nasceu, em pleno coração de Lisboa, a República Popular do Rossio, dotada de território, assembleia deliberativa, política de fronteiras e, aparentemente, de uma Constituição própria.
A acampada é a tentativa de recuperar corpos: corpos na praça, corpos nas tendas, corpos a dormir ao relento, a “carne da multidão” de que falava Negri.
O facto de a extrema-esquerda ter perdido a sua vocação histórica só a torna mais perigosa, disposta a atos mais desesperados e mais violentos do que nunca.
A escassez e carestia da habitação sente-se desde a geringonça. Mas com PS, PCP e BE no poder, não era problema: é agora apenas porque já não são eles que lá estão.
No mar dos slogans feitos, da agitação e tentativa de acender um rastilho social a extrema-esquerda pretende ter nas ruas a relevância que a esmagadora maioria dos cidadãos lhe retirou nas urnas.
CM: Unidade Popular pelo Socialismo e Movimento Olga Benário em destaque nos protestos pela habitação. The Guardian: Itália mobiliza 500 soldados para ruas de Milão para responder à revolta popular.
Era tão desejável que a esquerda decente não pactuasse com o activismo que agride, que nauseia, que vai deixar imundas as praças das cidades no dia em que se cansarem e partirem para outra!
Os dados mostram que a extrema-esquerda tem expressão relevante em número de ataques terroristas; o jihadismo é o principal vector letal; a extrema-direita tem expressão operacional mais reduzida.
Que luta é esta dos acampamentos? É, obviamente, a luta pela “revolução”, como resumiu, com involuntária candura, Raquel Varela na CNN. Ou, pelo menos, é a luta por uma encenação da revolução.
O partido de André Ventura diz que existiram infiltrações da extrema esquerda nas manifestações. Ainda, Diretor Nacional da PSP descreve atuação das autoridades como "devidamente proporcional".
Importa na Europa, em França, em Portugal e em Lisboa rapidamente prevenir o contágio do vírus do extremismo e do radicalismo político da extrema-esquerda e do fundamentalismo religioso.