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Civis são retirados de cidade no sul da Ucrânia em meio à trégua

30 October 2026 at 15:02

Centenas de pessoas de uma cidade ocupada no sul da Ucrânia, que sobreviveram durante meses sem suprimentos básicos, são retiradas nesta sexta-feira (30), sob um acordo de cessar-fogo negociado pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump.

A cidade de Oleshky, na região de Kherson, no sul da Ucrânia, está sob ocupação russa contínua desde abril de 2022. Segundo autoridades ucranianas, cerca de duas mil pessoas — incluindo 50 crianças — permanecem presas no município, que se encontra severamente destruído.

Todas as vias de acesso foram fortemente minadas ou estão repletas de drones, tornando a fuga impossível.

A situação humanitária deteriorou-se nos últimos meses. Segundo autoridades ucranianas, a cidade ficou sem alimentos e outros suprimentos em setembro, sem acesso à eletricidade, ao gás, a medicamentos e a outros itens essenciais.

Esse cenário crítico gerou preocupação em todo o mundo, levando organizações internacionais, líderes religiosos e outros a pedirem providências urgentes.

Relatos indicam que os moradores têm recorrido à busca por restos de comida e ao consumo de ervas silvestres, enquanto os corpos de pessoas que faleceram permanecem nas ruas.

A trégua temporária entrou em vigor na terça-feira (27) e, desde então, estendeu-se por toda a região de Kherson. O cessar-fogo também trouxe alívio à cidade — capital da região sob controle ucraniano —, que tem sido alvo de ataques quase constantes por drones russos.

O cessar-fogo deve expirar no domingo (1º).

O ombudsman da Ucrânia, Dmytro Lubinets, viajou a Oleshky para acompanhar pessoalmente os retirados até o território sob controle ucraniano — tornando-se a primeira autoridade ucraniana de alto escalão a viajar abertamente para áreas ocupadas sob controle russo desde o início da guerra.

“Estamos em Oleshky”, disse ele em um comunicado. “Pessoas que desejam ir para o território da Federação Russa estão se reunindo aqui, e há pessoas que querem partir para o território da Ucrânia. Todos terão essa oportunidade.”

A homóloga russa de Lubinets, Yana Lantratova, também estava presente em Oleshky; os dois foram vistos em vídeos, lado a lado, conversando com moradores locais.

A retirada estava programada para começar no início da tarde, no horário local. Segundo Lubinets, 25 ônibus, com capacidade para 750 passageiros, fazem parte da operação.

A previsão é que eles passem pela Crimeia, pela Rússia e pela Bielorrússia, chegando à fronteira ucraniana em algum momento do sábado.

Cerca de 40% da população da cidade, que antes da guerra era de aproximadamente 24 mil habitantes, conseguiu fugir para territórios sob controle ucraniano quando isso ainda era possível, no início do conflito — segundo o Instituto para o Estudo da Guerra (Institute for the Study of War), uma organização sediada nos EUA que monitora conflitos. Milhares de outras pessoas escaparam desde então, mas muitas permaneceram no local, seja por não conseguirem sair ou por não desejarem fazê-lo.

A cidade desempenha um papel importante nas operações militares da Rússia na região. Ela está situada perto das margens do rio Dnipro, exatamente em frente às posições ucranianas.

À medida que os dois lados trocam disparos, os moradores de Oleshky acabam ficando no meio do fogo cruzado.

Todas as rotas de fuga em direção à Ucrânia desapareceram gradualmente com a intensificação da ocupação russa.

E, embora antes fosse possível escapar da cidade seguindo mais para dentro do território controlado pela Rússia, isso também se tornou impossível nos últimos meses, com a intensificação dos combates e o fato de todas as rotas de saída terem sido minadas ou estarem repletas de drones.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de minar as vias de acesso à cidade, em uma tentativa de impedir a saída dos moradores.

Christine Lagarde renuncia à presidência do Banco Central Europeu

Logo Agência Brasil

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, renunciou nesta quinta-feira (29), pondo fim a meses de especulações sobre seu futuro. A decisão ocorre no momento em que a Europa entra em período de crescente volatilidade econômica e de política eleitoral polêmica, especialmente em sua terra natal, a França.

Lagarde deixará o cargo em 7 de fevereiro, dando aos atuais líderes da União Europeia (UE) tempo para escolherem seu sucessor antes da eleição presidencial francesa, na qual as pesquisas indicam que a candidata de extrema direita Marine Le Pen é a favorita.

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O BCE enfrenta riscos de inflação decorrentes de um choque nos preços do petróleo, causado pela guerra no Irã, enquanto um aumento acentuado nos rendimentos dos títulos, especialmente na França, ameaça frear o crescimento.

“Deixo esta instituição com a sensação de um bom trabalho realizado e de um BCE preparado para o futuro”, disse Lagarde, de 70 anos, em breve vídeo compartilhado nas redes sociais.

Uma fonte com conhecimento direto do assunto afirmou que Christine Lagarde, ex-ministra das Finanças da França e ex-diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) renunciou para poder se posicionar sobre questões políticas na França e no mundo. Como presidente do BCE, esperava-se que ela permanecesse neutra para salvaguardar a independência da instituição.

"Sinais errados"

Markus Ferber, deputado alemão do Parlamento Europeu pelo Partido Popular Europeu (centro-direita), afirmou que a renúncia antecipada de Lagarde enviou “o sinal errado”, considerando a inflação elevada, o nervosismo nos mercados de títulos e as eleições iminentes.

“Se surgir a impressão de que essa saída foi programada para coincidir com as eleições nacionais, isso prejudica a confiança em uma instituição que deve estar acima de qualquer cálculo político interno”, disse Ferber, que integra a comissão parlamentar responsável por confirmar o sucessor de Lagarde.

Em contrapartida, Marcel Fratzscher, presidente do centro de estudos alemão DIW, disse que Lagarde estava demonstrando “um forte senso de responsabilidade para com a Europa”.

“Ao deixar o cargo antecipadamente, Christine Lagarde dá aos governos e instituições europeias a oportunidade de nomear um sucessor que salvaguardará os valores europeus e protegerá a independência do BCE”, disse ele à Reuters.

Lagarde não abordou diretamente essas questões. Ela afirmou que não será candidata à Presidência da França, mas que defenderá os valores pró-europeus em seu país natal “na função que considerasse mais eficaz”.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse que o processo para encontrar o sucessor de Lagarde começará imediatamente.

É provável que a nomeação faça parte de um pacote mais amplo de cargos de alta direção do BCE, envolvendo a vaga na diretoria executiva de Isabel Schnabel, que deixará o cargo no início de janeiro, e a do economista-chefe Philip Lane, cuja saída está prevista para maio.

Candidatos competentes

Os ex-presidentes dos bancos centrais da Holanda e da Espanha, Klaas Knot e Pablo Hernández de Cos, são considerados os principais candidatos à sucessão de Lagarde.

“Os sucessores cogitados são ambos banqueiros centrais muito competentes e bem estabelecidos; portanto, para os mercados, isso não fará muita diferença”, afirmou Piet Haines Christiansen, economista do Danske Bank.

Os mercados financeiros reagiram pouco ao anúncio, com alguns analistas observando que o BCE já construiu uma reputação que perdura além de qualquer um de seus líderes.

“O BCE está agora bastante consolidado, e o mercado está familiarizado com sua forma de operar”, disse Simon Dangoor, chefe de Investimentos Macro de Renda Fixa do Goldman Sachs. “Nossa opinião é que o comportamento institucional provavelmente perdurará além de Lagarde e será bastante semelhante, independentemente de quem assumir o cargo.”

O mandato de Lagarde estava previsto para se estender até o final de outubro de 2027, mas as especulações sobre uma saída antecipada vinham se intensificando há meses, com o Fórum Econômico Mundial sendo visto como provável destino. O Fórum Econômico Mundial se recusou a comentar.

Aumento dos juros

A renúncia de Lagarde ocorre justamente quando o BCE está no meio de um ciclo de aumento das taxas de juros, com o objetivo de impedir que um choque nos preços do petróleo, ligado à guerra no Irã, se reflita em outros preços e salários.

O BCE também precisa lidar com um aumento nos rendimentos dos títulos públicos — especialmente na França, que está sobrecarregada com dívidas —, o que elevou os custos de financiamento para famílias e empresas e, segundo Lagarde, irá conter o crescimento e a inflação.

Preso entre a inflação persistente, alimentada por um novo aumento nos custos de energia, e a deterioração das condições de financiamento, espera-se amplamente que o BCE mantenha sua taxa de depósito em 2,5% nesta quinta-feira, ao mesmo tempo em que sinalize que outro aumento, possivelmente já em dezembro, continua provável.

“É provável que haja poucas barreiras para outro aumento em dezembro, dada a probabilidade de uma nova revisão para cima da previsão de inflação do BCE devido aos preços mais altos da energia”, disse Oliver Rakau, da Oxford Economics.

O BCE deve anunciar sua decisão sobre as taxas de juros às 10h15 (horário de Brasília) desta quinta-feira, seguida pela coletiva de imprensa regular de Lagarde.

Atualmente, os mercados monetários precificam mais três aumentos da taxa de juros pelo BCE até o final do próximo ano, o que elevaria a taxa de depósito para 3,25%, um nível amplamente considerado restritivo ao crescimento econômico.

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BCE: Mercado focado nas decisões após outubro e turbilhão dos juros franceses

29 October 2026 at 07:00

O mercado dá como quase certo que o Banco Central Europeu (BCE) manterá os juros diretores inalterados na reunião que conclui esta quinta-feira, mas mantêm a porta aberta a mais subidas até final do ano e no início de 2027. A atenção estará assim virada para possíveis sinais quanto ao rumo da política monetária a partir daqui, bem como quanto aos riscos de fragmentação dado o disparo nos juros soberanos franceses e ao futuro de Christine Lagarde enquanto presidente da instituição.

As taxas de referência para a zona euro devem assim permanecer entre 2,5% e 2,65% dada a ausência de surpresas negativas do lado da inflação, onde a autoridade monetária europeia continua sem detetar sinais de efeitos de segunda ordem. O indicador de preços tem-se comportado geralmente em linha com as previsões do BCE, pelo que a expectativa dos mercados é de uma reunião sem novidades.

Perante este cenário, o foco da conferência de imprensa que se seguirá ao anúncio deverá ser colocado em três tópicos: quais serão os próximos passos da política monetária europeia, qual o risco associado à subida dos juros franceses e do spread para as bunds alemãs, e se a presidente Lagarde abre o jogo quanto ao seu futuro.

Quanto a forward guidance, Lagarde deverá manter o tom do discurso dos últimos meses, falando em “dependência dos dados” e argumentando que a resposta “moderada” do banco até agora tem sido adequada, sobretudo depois da resposta do mercado à subida de juros em setembro. Ao mesmo tempo, os preços da energia continuam a subir e em níveis compatíveis com o cenário adverso traçado pelo BCE nas projeções mais recentes, o que “deixa uma margem reduzida para uma viragem de ‘pomba’”, argumenta Fabio Balboni, estratega macro da Wellington Management.

Desde a decisão de setembro e a atualização hawkish das projeções do banco, que apontam para uma inflação core de 2,3% em 2028 (ou seja, cada vez mais persistentemente acima do objetivo de 2%), “os decisores do BCE têm tentado retornar ao enquadramento de junho, apontando a uma resposta ‘moderada’ (uma subida por trimestre), sinais limitados de efeitos de segunda ordem, uma necessidade de manter as taxas ‘moderadamente restritivas’ e uma taxa neutra entre 2% e 2,5%”, acrescenta.

No que respeita a França, o atual disparo nos juros soberanos até tem ajudado o BCE, ao tornar as condições mais apertadas, o que reduz a necessidade de mais subidas das taxas diretoras. Por outro lado, o risco de fragmentação da transmissão da política monetária é real e crescente, apontam os analistas, mas não forte o suficiente para despoletar uma intervenção do banco central.

“Por enquanto, há pouca evidência que as tensões no mercado de obrigações, seja em França, seja na zona euro como um todo, se tenham tornado num problema sistémico”, escrevem os economistas da Gavekal, lembrando que, apesar de um spread elevado no caso italiano ao longo de 2023, a transmissão da política monetária foi assegurada.

Mas “se as tensões escalarem a um ponto em que ameaçam a transmissão, o BCE irá sem dúvida intervir para abordar esta questão, seja através do TPI [Ferramenta de Proteção de Transmissão], seja através de outro instrumento recém-criado”, acrescentam.

Finalmente, e depois de oscilar entre o silêncio, as garantias de que fica e as sugestões de que pode mesmo terminar o mandato antes do prazo estabelecido, Lagarde deverá ser novamente questionada quanto ao seu futuro – sobretudo dada a situação em França, de onde é e cujo regresso à vida política ativa tem sido sugerido pela comunicação social. A “capitã” pode mesmo “abandonar o barco” antes do tempo, como ilustrou em julho.

Apesar de não serem esperadas novidades quanto ao futuro da presidente, Fabio Balboni lembra que, após o anúncio da saída de Isabel Schnabel, uma das vice-presidentes do banco e das vozes mais ouvidas pelo mercado, há uma pequena possibilidade de Lagarde se junte e anuncie também já o fim do seu mandato.

Temido votou contra Irmandade Muçulmana como terroristas?

28 October 2026 at 17:50
Circulam nas redes sociais publicações que acusam a ex-ministra da Saúde socialista de ter votado contra resolução no Parlamento Europeu. Será verdade?

Orçamento da UE: bloco não sabe como acomodar défice da Ucrânia

27 October 2026 at 09:53

O debate sobre o Orçamento da União Europeia para o período 2027-34 está a entrar numa fase crítica – já se tendo percebido que o consenso entre os países frugais do norte do centro da Europa, que querem cortes na despesa, e aqueles que não querem cortes nenhuns (a maioria) será difícil de ultrapassar. Mas Bruxelas tem um condicionalismo adicional: o financiamento do défice de 70 mil milhões de euros que a Ucrânia apresenta no seu próprio orçamento para 2027, e que espera que seja assumido pela bondade externa. Prevê-se que o bloco cubra dois terços do montante pedido, cerca de 46 mil milhões de euros, e que outros aliados (Reino Unido, Canadá, Noruega e Japão, entre outros), assumam o restante.

Os chefes de Estado e de governo da União solicitaram à Comissão Europeia que apresentasse opções para garantir o financiamento, tendo a emissão conjunta de dívida surgido de imediato como a via mais exequível.

Vale a pena lembrar que a Comissão Europeia propôs um plano, no final de 2025, para utilizar os mais de 200 mil milhões de euros em ativos russos (a maior parte retida na infraestrutura financeira Euroclear, na Bélgica) para financiar Kiev. Mas, ao cabo de intensas negociações, países como a Bélgica, Itália, Hungria, República Checa e Eslováquia opuseram-se firmemente, invocando riscos jurídicos e financeiros globais. Como alternativa, a UE acabou por aprovar um empréstimo bilionário à Ucrânia garantido pelo próprio orçamento europeu. Agora que é preciso avançar no processo, o bloco arrisca voltar a perder-se em discussões intermináveis.

A dimensão do défice levou a alterar a ordem de trabalhos da cimeira extraordinária do próximo mês, inicialmente concebida para se concentrar exclusivamente na proposta de orçamento, refere a agência Euronews. A reunião foi prolongada para dois dias, 26 e 27 de novembro, para incluir debates sobre a Ucrânia, onde são esperadas novas propostas para o financiamento do défice.

Défice de Kiev resvala para o Orçamento

Segundo várias fontes, o debate vai ser mais difícil que o esperado, porque o défice ucraniano arrisca ser inscrito na coluna das despesas do Orçamento 2027-34, o que vai dinamitar ainda mais o debate. A presidência rotativa do Conselho propôs um corte de 8% face à intenção original da Comissão, fixando o valor do Orçamento em 1,62 biliões de euros. Os eurodeputados defendem um teto mais alto, na ordem dos 1,78 biliões de euros (a preços de 2025, o que equivale a 2,01 biliões a preços correntes).

Em termos formais, os dois temas continuam a ser processos distintos, mas politicamente, dizem diplomatas e responsáveis citados pela Euronews, estão a tornar-se interdependentes. “São claramente os dossiers mais urgentes até ao fim do ano, definitivamente”, afirmou um diplomata, observando que ainda é demasiado cedo para se falar de um grande pacote único.

O problema é que as primeiras vozes que discordam do pagamento do défice ucraniano ‘no matter what’ estão a começar a ser cada vez mais audíveis.

França prepara-se para recusar

O caso francês parece ser o mais audível de todos. Num contexto em que o governo liderado por Sébastien Lecornu não consegue fazer aprovar o orçamento para 2027 e as ruas das principais cidades gaulesas estão a arder há quase um mês com a população a queixar-se de que não é possível viver com mais cortes orçamentais, pagar o défice da Ucrânia é apresentado como inaceitável.

Marine Le Pen, candidata da extrema-direita do Rassemblement National que lidera confortavelmente as sondagens para as presidenciais de abril, prometeu limitar a contribuição francesa para o orçamento da União a cinco mil milhões de euros por ano e advertiu que se Macron, ainda presidente, concluir um acordo diferente antes das eleições seria um “escândalo democrático”. Ciente disso, o presidente em funções disse aos restantes líderes que um acordo orçamental entre janeiro e abril seria “complicado”. Ou seja, não vai haver. Mas Le Pen disse mais: para a candidata, a mesma lógica aplica-se à Ucrânia, o que a leva a prometer pôr fim a todo o apoio francês ao país em guerra. “Este financiamento vai acabar, e é uma questão de honestidade dizer a Zelensky a verdade”, declarou há dias.

Tudo isto colide frontalmente com os objetivos da Ucrânia, mas também com os da União, que quer ver todas estas questões resolvidas antes do final do ano. António Costa, presidente do Conselho Europeu, disse isso mesmo, mas já ninguém acredita que seja possível.

“A nossa coesão interna é frágil. Se isso começar a desfazer-se, as consequências para a Ucrânia podem ser ainda maiores do que tudo o que Trump diga ou faça”, afirmou um analista citado pela Euronews. “Precisamos de uma solução estrutural para o financiamento da Ucrânia. Não podemos continuar todos os anos a improvisar sob pressão. O apoio a Kiev tem de ficar devidamente integrado no próximo orçamento”.

Convém ter em conta que entre os Frugais encontram-se alguns dos maiores doadores bilaterais da Ucrânia – Dinamarca, Finlândia, Países Baixos, Suécia e Alemanha – que têm interesse direto em garantir o novo financiamento. Isto é, por via deste poderoso grupo, o défice da Ucrânia deverá, em princípio, ser inscrito no Orçamento no lado da despesa, sendo depois necessário ‘inventar’ uma forma de o financiar através de nova receita que não mexa no equilíbrio estrutural do documento. Uma decisão coletiva sólida sobre a Ucrânia poderia tornar politicamente mais tolerável para estes países aceitarem um orçamento mais elevado do que desejariam.

Mas há também quem considere que a insistência dos Frugais em cortar verbas para a agricultura e as políticas de coesão pode impossibilitar que alguns ‘Amigos da Coesão’ – o grupo ‘rival’ onde está Portugal – apoiem um acordo sobre a Ucrânia sem provocar uma reação negativa interna. Chéquia, Hungria e Eslováquia já sinalizam que se vão excluir de qualquer emissão conjunta de dívida para apoiar Kiev. A Bulgária, crítica assumida das entregas de armas, deverá seguir o mesmo caminho. E todos pertencem ao grupo da coesão onde está Portugal. “Seria muito perigoso, e quero deixar isto absolutamente claro, se alguém tentasse ligar o financiamento da Ucrânia ao orçamento”, afirmou o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico. “Seria um milagre se chegássemos a um acordo em dezembro” – que é o mesmo que dizer que não vai acontecer.

UE a caminho de falhar metas de proteção dos mares

26 October 2026 at 19:20
Áreas marinhas protegidas são muitas vezes "protegidas" só no nome. Faltam medidas concretas, financiamento e cooperação entre países, conclui auditoria do TCE.

© ullstein bild via Getty Images

O TCE sublinha que "traçar uma área marinha protegida no mapa não cria automaticamente um escudo à sua volta"

Olhão foi palco de Encontro Transfronteiriço dedicado à inovação e à economia social

26 October 2026 at 06:00

Olhão foi palco do 3.º Encontro Transfronteiriço do projeto INNOVASOCIAL AAA, uma iniciativa que reuniu entidades de Portugal e Espanha e que promoveu a partilha de experiências, a cooperação e a inovação na economia social, nos dias 19 e 20 de outubro. Projeto europeu

Promovido pela Tertúlia Algarvia e pela Associação In Loco, com a colaboração do Município de Olhão, o encontro decorreu no âmbito do projeto europeu INNOVASOCIAL AAA, que procura fortalecer a economia social e promover a inclusão, a igualdade de oportunidades e o desenvolvimento sustentável nos territórios do Alentejo, Algarve e Andaluzia.

O presidente da Câmara Municipal de Olhão, Ricardo Veia Calé, deu as boas-vindas aos participantes, antecedendo aquele que foi um dos pontos altos do encontro: a valorização do movimento associativo e das instituições sociais de Olhão. 

Neste âmbito, o Auditório Municipal Maria Barroso acolheu as apresentações da Associação MOJU e do projeto Moinho – Incubadora de Inovação Social do Sotavento Algarvio, seguindo-se visitas à Associação Cultural e de Apoio Social de Olhão (ACASO), ao Movimento de Apoio à Problemática da SIDA (MAPS), à Santa Casa da Misericórdia de Olhão e ao Coletivo Aurora. 

Estas visitas permitiram aos participantes conhecer de perto o trabalho desenvolvido por estas entidades, os seus projetos e as respostas que disponibilizam à comunidade, evidenciando exemplos de boas práticas na inclusão social e o importante contributo destas instituições para o concelho.

A iniciativa proporcionou também momentos de convívio e de valorização da identidade local, com destaque para o passeio pelo “Caminho das Lendas” de Olhão e para o jantar promovido pela Tertúlia Algarvia, nos emblemáticos Mercados Municipais de Olhão, eleitos uma das Novas 7 Maravilhas de Portugal, na categoria Século XX. A noite terminou com um espetáculo de fado. 

O programa incluiu ainda um coffee break dinamizado pela ACASO, através do seu projeto “Food4All: Sabores da Inclusão”, e um almoço no Centro Infantil Maria Rufino, da Santa Casa da Misericórdia de Olhão.

A gastronomia local também esteve em evidência, com os participantes a serem presenteados com o tradicional Folar de Olhão, eleito uma das 7 Maravilhas Doces de Portugal, em 2019.

Ao acolher este encontro, Olhão reforçou a sua ligação às redes de cooperação internacional, dando simultaneamente visibilidade ao trabalho desenvolvido pelas instituições locais, cujo contributo é fundamental para a construção de uma comunidade mais inclusiva, solidária e participativa.

O projeto INNOVASOCIAL AAA é cofinanciado pela União Europeia, através do Programa Interreg VI-A Espanha–Portugal (POCTEP) 2021–2027.

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Cotrim falha reeleição como vice da bancada dos liberais

24 October 2026 at 13:54
Portugal tinha vice-presidências nos três maiores grupos do Parlamento Europeu e passa a ter apenas uma. Manobra de macronistas trama Cotrim, que passa de segundo mais votado a ficar fora do top 8.

© DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Tribunal Penal Internacional vence prémio Sakharov

22 October 2026 at 11:04
A atribuição do prémio ao Tribunal Penal Internacional será formalmente anunciada pela presidente do Parlamento Europeu (PE) em Estrasburgo.

© LINA SELG/EPA

Ana Catarina Mendes reeleita vice-presidente do S&D

21 October 2026 at 19:09
A eurodeputada socialista renova o cargo que ocupa desde 2024. O PS mantém presença ininterrupta numa vice-presidência do grupo parlamentar europeu desde 2014.

© DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

"Defender a democracia, proteger o Estado de direito e combater todas as ameaças aos nossos valores fundamentais são prioridades que exigem determinação e trabalho diário"

Atletas de Albufeira conquistaram ouro, prata e bronze no 19.º Campeonato Europeu Aberto de Capoeira

20 October 2026 at 20:32

Sete atletas de Albufeira conquistaram duas medalhas de ouro, três de prata e três de bronze no 19.º Campeonato Europeu Aberto de Capoeira, disputado no concelho nos dias 16 a 17 de outubro, cuja competição reuniu participantes de diferentes países e gerações, dos escalões infantis aos profissionais.

Portugal, Espanha, França, Itália, Irlanda, Reino Unido, Alemanha, Noruega, Dinamarca, Israel, Brasil e Canadá estiveram entre os países representados na competição.

Esta edição contou também com Timor-Leste e o Brasil como países convidados, num encontro que associou a prática desportiva ao intercâmbio cultural.

Entre os representantes de Albufeira, Carlos Pinto venceu a categoria de Alunos Adultos Intermédios masculinos, na qual Arthur Mariano Ferreira da Silva assegurou o segundo lugar.

Na competição feminina de Profissionais 1, destinada a monitoras e instrutoras, Miriam Romaneiro conquistou o ouro e Lia Varela terminou na terceira posição. Miriam somou ainda a medalha de bronze na prova de Absoluto feminino, com dois pódios ao longo do campeonato.

Os resultados dos atletas do concelho estenderam-se a diferentes faixas etárias. Gabriel Breitenbach alcançou a medalha de prata em Infantil B masculino, dos 7 aos 9 anos, enquanto Afonso Pereira obteve a mesma classificação em Juvenil C masculino, dos 16 aos 17 anos. No escalão Master 1 feminino, dos 40 aos 46 anos, Belenda Silva conquistou o terceiro lugar.

Nas provas absolutas, Rafael Deus e Susana Ventura, ambos representantes de Portugal, venceram as competições masculina e feminina, respetivamente.

O vice-presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Jorge Carmo, e a vereadora da Câmara Municipal, Maria Cristina Corado, marcaram presença no campeonato.

Na sua intervenção, o vice-presidente destacou o papel do desporto na aproximação entre culturas “o desporto em Albufeira tem portas abertas para o mundo, e a capoeira encarna na perfeição o espírito de partilha, respeito e cidadania global que defendemos.”

Com o apoio da Câmara Municipal de Albufeira e integrada na programação oficial de Albufeira Cidade Europeia do Desporto 2026, a competição foi organizada pela Superliga Brasileira de Capoeira, pelo Grupo Muzenza de Capoeira e pela Associação de Capoeiragem Malta do Sul.

Weber vence guerra e Bugalho falha eleição como vice do PPE

20 October 2026 at 19:15
Bugalho falhou a eleição para vice-presidente do PPE. Pela primeira vez em 22 anos, Portugal não tem um vice-presidente da bancada. Eurodeputado assume responsabilidade "pessoal".

© DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Título de Bicampeão Europeu de Ultimate de Praia conquistado pelo Clube de Portimão

20 October 2026 at 08:45

O Clube de Praticantes Ultimate Portimão sagrou-se, pela segunda vez consecutiva, campeão Europeu de Utimate de Praia, na divisão Mista.

Foi nas areias da Figueira da Foz, no centro do país, que o conjunto portimonense enfrentou a elite europeia, tendo contado por vitórias todos os encontros que disputou.

Vale a pena descrever que, depois de uma meia-final bastante sofrida contra os checos de FUJ, em que os algarvios enfrentaram uma ampla desvantagem de 5-2 no início do encontro, o Clube de Portimão acabou por conseguido dar a volta e vencer por 11-8, a muito antecipada final contra os vice-campeões mundiais, a equipa francesa Freezgo, que ainda assim, tinha todos os condimentos favoráveis para prender os cerca de 1000 espectadores presentes aos seus assentos.

Contudo, nunca dispostos a dar quaisquer veleidades à equipa gaulesa, os elementos de Pedro Vargas, apresentaram uma sufocante intensidade defensiva desde o primeiro momento, conseguindo rapidamente a criar uma vantagem de três pontos.

E com um ataque bastante fluído e consistente, os portimonenses nunca se mostraram incomodados pela qualidade exbida pelo jovem conjunto francês. E foi com um lançamento longo de Inês Bringel a encontrar Afonso Coelho, livre na endzone, que selaram aquele que é o segundo título europeu para os elementos da formação de Portimão.

Importa referir ainda que o clube algarvio já havia conquistado o seu primeiro título europeu em 2025, em Gdańsk, na Polónia.
Este novo triunfo reforça a hegemonia da equipa, que em maio também celebrou o sexto título nacional consecutivo da modalidade Ultimate.

Parlamento Europeu quer UE a defender TPI dos EUA

19 October 2026 at 22:08
Comissão de Assuntos Externos aprovou relatório com 50 votos a favor. Eurodeputados exigem resposta diplomática, política e jurídica às sanções de Washington ao tribunal de Haia.

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"A UE deve mobilizar urgentemente todos os instrumentos disponíveis para proteger o TPI, as Nações Unidas e os defensores dos direitos humanos contra estas pressões", defende o eurodeputado francês Mounir Satouri

UE recomenda medidas contra despejos e apoio a rendas

19 October 2026 at 13:52
Conselho da UE refere em comunicado que os estados se comprometeram a "prevenir e combater situações de sem-abrigo e a exclusão habitacional", apesar de as propostas serem não vinculativas.

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A recomendação exorta ainda os Estados-membros a "adotarem quadros estratégicos destinados a combater a exclusão habitacional e a situação de sem-abrigo ou a reforçarem os quadros já existentes"
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