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Novos dados desafiam avaliação do Fed sobre desempenho da economia

30 October 2026 at 15:34

A percepção do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, de que a economia dos EUA é capaz de suportar uma expansão robusta sem alimentar a inflação foi posta em xeque por dados recentes, com um importante índice de inflação apresentando um salto ​e fortes gastos do consumidor e investimentos empresariais impulsionando o crescimento da atividade para além do nível que a maioria das autoridades ​do banco central considera sustentável.

Warsh, em declarações na quarta-feira após a decisão do Fed de manter as taxas de juros inalteradas, afirmou que não achava que a economia estivesse “superaquecida” e que não queria “colocar areia na engrenagem” de uma expansão que vem ganhando força impulsionada por investimentos em inteligência artificial e pelos gastos do consumidor, que continuam a crescer apesar dos ganhos modestos na renda.

O salto no PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre, anunciado na quinta-feira (29) pelo Departamento de Comércio dos EUA, no entanto, foi ainda maior do que o previsto, com a produção crescendo a uma taxa anualizada de 3,4% no período de julho a setembro, os gastos do consumidor subindo robustos 3,8% e os investimentos em equipamentos empresariais registrando um aumento massivo de 20,9%.

Esse ritmo pode não se manter.

Os gastos do consumidor, por exemplo, cresceram mais rapidamente do que a renda no recente relatório do PIB, uma situação que, segundo alguns economistas, provavelmente não durará, e Warsh afirmou na quarta-feira ⁠que um recente aperto nos mercados de crédito mostrou que os investidores se tornaram “mais criteriosos em suas ​alocações de capital”, um possível indício de um crescimento mais lento dos investimentos.

Mas os dados disponíveis ainda mostram uma economia que, até o momento, não desacelerou, apesar das perspectivas de uma política monetária mais ​restritiva, com a forte demanda coincidindo agora com uma inflação generalizada.

Diferentes medidas da difusão da inflação mostram que entre cerca de 50% e quase 60% dos itens do PCE (Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal) — o indicador que ⁠o Fed utiliza para sua meta de inflação de 2% — registraram aumentos anuais de preços superiores a 3% ⁠em setembro — muito acima das normas pré-COVID-19 para uma medida que Warsh considera um bom indicador das tendências subjacentes da inflação.

Embora o número de itens acima desse nível de 3% tenha ​caído ‌ligeiramente no mês passado, Diane Swonk, economista-chefe da KPMG, afirmou que os detalhes do relatório do PCE mostraram que a inflação se manteve amplamente persistente em toda a economia, particularmente nos setores de serviços, onde os aumentos das taxas de juros ⁠pelo Fed podem ter um impacto menor.

O Índice de Preços do PCE subiu 3,6% em setembro, após um aumento de 3,4% no mês anterior, afastando-se ainda mais da recente mínima de 2,3% registrada em março de 2025, perto do início do segundo mandato do presidente Donald Trump na Casa Branca.

Swonk disse que, embora ache que os formuladores de política monetária do Fed deveriam ter aumentado as taxas nesta semana, ela compreendia a motivação para serem pacientes, pois “eles não querem uma recessão por causa de uma inflação ‌de 3% a ⁠4%” se puderem lidar com o ‌problema mais lentamente e manter a expansão atual em andamento — uma meta que o próprio Warsh expôs durante sua coletiva de imprensa.

“Dito isso, não está claro se é possível simplesmente moderar um pouco a situação, já que a inflação está se tornando muito persistente”, disse Swonk.

“O Fed está ficando para trás”, especialmente porque os mercados financeiros agora antecipam mais dois a três aumentos nas taxas e, com base nisso, estão endurecendo as condições financeiras.

Warsh observou na quarta-feira que o aperto do crédito está em linha ⁠com as expectativas do Fed e que, na sua opinião, isso ajudaria a trazer a inflação de volta à meta.

Mas “isso é areia na ⁠engrenagem”, disse Swonk. “Por que houve aperto? Eles esperam mais aumentos nas taxas… É preciso cumprir essa expectativa.”

“O cenário mais otimista”

A votação de 10 a 2 sobre a política monetária do banco central dos EUA na quarta-feira incluiu votos dissidentes da diretora do Fed Lisa Cook e da presidente do ‌Fed de Cleveland, Beth Hammack, que afirmaram ser a favor de um aumento dos juros naquele momento.

A próxima reunião do Fed está marcada para 8 e 9 de dezembro, com os mercados estimando cerca de 80% de probabilidade de um aumento de 0,25 ponto percentual nessa sessão, além de um aperto monetário adicional previsto para o próximo ano.

Warsh afirmou na quarta-feira que relutava em descrever a economia como “superaquecida”, em parte porque, segundo ele, é difícil estimar sua taxa de crescimento não inflacionária, especialmente em um momento em que os ganhos de produtividade — decorrentes da inteligência artificial ou de outras fontes — podem estar melhorando o lado da oferta da economia.

“Nunca sabemos qual é realmente o crescimento potencial”, disse ‌Warsh aos repórteres. “Não podemos medi-lo com precisão. … O crescimento econômico está mais alto. Mas isso não me diz que o crescimento econômico esteja, de alguma forma, causando inflação e tornando nosso trabalho mais difícil.”

O crescimento anualizado de 3,4% registrado no terceiro trimestre, no entanto, se mantido, superaria em muito até mesmo a percepção mais otimista das autoridades do Fed sobre a tendência de crescimento de longo prazo — um número baseado na premissa de que a inflação se mantenha ⁠na meta de 2% do banco central.

Nas projeções econômicas dos formuladores de política monetária divulgadas em setembro, a estimativa mais alta para o crescimento de longo prazo foi de 2,5%, com a maioria dos formuladores de políticas na faixa de 2% a 2,2% e uma mediana de 2%.

“Ele (Warsh) está claramente tentando pintar o quadro mais otimista tanto para a expansão econômica quanto para a margem de manobra que o Fed possui” para reduzir a inflação — argumentos que, se verdadeiros, significariam que o Fed poderia ​se virar com menos aumentos nas taxas”, disse Vincent Reinhart, economista-chefe da BNY Investments e ex-chefe da divisão de assuntos monetários do banco central dos EUA.

Reinhart acredita que o Fed terá que aumentar as taxas mais duas vezes, mas com riscos “decididamente para ​o lado positivo”, especialmente se o preço de referência do petróleo mundial permanecer em torno do nível atual de quase US$ 115 por barril, forçando uma série contínua de ajustes em outros setores.

Mesmo que Warsh esteja certo ao afirmar que os investimentos em IA se mostram suscetíveis aos aumentos das taxas, o Fed ainda pode ter que moderar a demanda para atingir sua meta de inflação, disse Reinhart.

O grande setor de serviços dos EUA, por exemplo, está “apenas seguindo seu ritmo e se ajustará apenas lentamente”, disse ele. “Se você realmente quiser avançar mais rapidamente na questão da inflação, terá que trabalhar mais intensamente na demanda para ‌que os setores que podem se ajustar o façam rapidamente.”

Demanda global por passageiros cai 0,5% em setembro, diz Iata

30 October 2026 at 15:22

A demanda global de passageiros caiu 0,5% em setembro de 2026, na comparação com o mesmo mês de 2025, informou nesta sexta-feira (30), a Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo).

A capacidade total recuou 0,2% no mesmo confronto, e a taxa de ocupação ficou em 83,2%, queda de 0,3 p.p. (ponto porcentual) ante setembro de 2025.

No mercado internacional, a demanda cresceu 0,4% e a capacidade aumentou 0,5% na comparação anual. O fator de ocupação foi de 83,6%, recuo de 0,1 p.p..

Já no mercado doméstico, a demanda caiu 2,2% e a capacidade diminuiu 1,3%, com taxa de ocupação de 82,5%, queda de 0,7 p.p..

Para a vice-presidente sênior de Sustentabilidade e economista-chefe da Iata, Marie Owens Thomsen, o recuo da demanda refletiu a fragilidade no Oriente Médio e na América do Norte.

“Mesmo assim, houve uma melhora em relação a agosto, com um retorno bem-vindo ao crescimento na maioria dos mercados internacionais. Esses padrões se repetiram ao longo de grande parte do ano, e podemos esperar que isso continue em meio à incerteza geopolítica e à volatilidade dos preços dos combustíveis”, destaca.

Para a executiva, a capacidade global de assentos programados deve permanecer acima dos níveis de 2025 em outubro e novembro, mas as taxas de crescimento continuam fracas e bastante desiguais entre as regiões.

Desempenho por região

A Iata informou que a demanda total medida em RPK (passageiros-quilômetro pagos, em inglês) internacional avançou 0,4% em setembro de 2026, com alta de 0,5% na capacidade, com melhora geral em relação a agosto na maioria das principais rotas.

Na Ásia-Pacífico, a demanda subiu 0,7% e a capacidade aumentou 0,4%, com taxa de ocupação de 83,1% (alta de 0,3 p.p.).

Na Europa, a demanda cresceu 1,8% e a capacidade avançou 1,2%, com ocupação de 86,1% (alta de 0,5 p.p.). Na América do Norte, a demanda ficou estável (0,0%) e a capacidade caiu 1,9%, com taxa de ocupação de 84,9% (alta de 1,6 p.p.).

No Oriente Médio, a demanda recuou 7,5% e a capacidade caiu 3,3%, com taxa de ocupação de 78,3% (queda de 3,6 p.p.).

Na América Latina, a demanda aumentou 8,2% e a capacidade cresceu 7,6%, com ocupação de 83,9% (alta de 0,5 p.p.). Na África, a demanda subiu 8,0% e a capacidade avançou 8,8%, com taxa de ocupação de 74,8% (queda de 0,6 p.p.).

Mercado doméstico

No recorte doméstico, a demanda caiu 2,2% em setembro, na comparação anual, e afirmou que a resiliência na Austrália, no Brasil e na China foi superada pela contínua fraqueza nos Estados Unidos (-2,7%).

A entidade também informou que a Índia teve queda de 8,3% e que o tráfego doméstico do Japão diminuiu 0,8%, em parte por interrupções de voos relacionadas ao clima durante o período de viagens da Semana de Prata em setembro.

Indicador de incerteza medido pela FGV cai 1,8 ponto em outubro

30 October 2026 at 14:00

O IIE-Br (Indicador de Incerteza da Economia) da FGV (Fundação Getulio Vargas) recuou 1,8 ponto em outubro, para 109,0 pontos. Na métrica de médias móveis trimestrais, o indicador caiu 0,1 ponto, para 110,5 pontos.

“A relativa estabilidade do IIE-Br em outubro reflete movimentos distintos de seus componentes: o que mede a incidência de termos na imprensa recuou, enquanto o indicador de dispersão das projeções de mercado subiu no mês”, afirma Stefano Pacini, economista do FGV Ibre.

Para ele, o resultado evidencia que, apesar de uma redução na percepção de incerteza no ambiente político, persistem dúvidas relevantes sobre a trajetória da economia brasileira.

“Para os próximos meses, a trajetória do indicador tende a depender das sinalizações sobre a condução da política econômica no próximo mandato.”

O IIE-Br é formado por dois componentes: o IIE-Br Mídia, que mapeia a frequência de notícias com menção à incerteza nas mídias impressa e online; e o IIE-Br Expectativa, construído a partir da dispersão das previsões de analistas para a taxa de câmbio, a taxa Selic 12 meses à frente e o IPCA acumulado para os próximos 12 meses (com base na pesquisa Focus do Banco Central).

O componente de Mídia recuou 2,8 pontos em outubro, para 108,8 pontos, contribuindo negativamente com 2,4 pontos para o resultado agregado. Já o componente de Expectativas subiu 2,9 pontos no mês, para 106,1 pontos, contribuindo positivamente com 0,6 ponto para a variação do IIE-Br.

“O recuo do componente de Mídia pode estar associado à proximidade de conclusão do processo eleitoral, reduzindo parte das indefinições sobre os rumos da política econômica”, afirmou Pacini.

“A alta do componente de Expectativas, por sua vez, foi impulsionada pela maior dispersão das projeções para câmbio e juros, e sinaliza uma menor convergência entre os analistas sobre o cenário macroeconômico.”

A coleta do indicador é realizada do dia 26 do mês anterior ao de referência ao dia 25 do mês de referência. Esta, portanto, ocorreu antes do resultado do segundo turno da eleição presidencial.

Banco do Japão alcança meta de inflação, mas sinaliza aumento de juros

30 October 2026 at 13:41

O Banco do Japão manteve as taxas de juros inalteradas nesta sexta-feira (30), mas declarou vitória em uma batalha de quase 14 anos para atingir sua meta de inflação e sinalizou vigilância contra os riscos de alta nos preços, sugerindo que o próximo aumento dos juros poderia ocorrer já em dezembro.

Com a inflação subjacente tendo atingido aproximadamente a meta de 2% do Banco do Japão, o banco central deve se concentrar em mantê-la em torno desse nível, afirmou, sugerindo que sua política monetária entrou em uma nova fase, mais restritiva, aberta a aumentos nos juros a cada poucos meses.

Embora tenha evitado se comprometer antecipadamente com um ritmo fixo de aumentos dos juros, o presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, disse que a autoridade monetária japonesa debaterá os juros em cada reunião — incluindo a próxima, em dezembro —, ciente de que sua política monetária entrou na nova fase focada nos riscos de inflação.

“É importante ancorar a inflação subjacente em torno de nossa meta. Isso não significa que vamos simplesmente ficar parados esperando. Ajustaremos a política monetária conforme apropriado para que a inflação subjacente fique ancorada em torno de 2%”, afirmou ele em uma coletiva de imprensa.

Essa mudança generalizada nas perspectivas alinha o Banco do Japão com seus homólogos dos Estados Unidos e da Europa, que estão de olho em aumentos dos juros no curto prazo para combater os riscos inflacionários decorrentes da expansão da inteligência artificial e do choque energético causado pela guerra no Irã.

Na reunião de dois dias encerrada nesta sexta-feira, o Banco do Japão manteve sua taxa básica de juros em 1,25%, em uma decisão amplamente esperada, evitando aumentos consecutivos para dedicar mais tempo à análise dos efeitos dos aumentos anteriores nas condições de crédito.

O membro da diretoria de linha dura, Hajime Takata, discordou da decisão de manter os juros, propondo, sem sucesso, um aumento para 1,5%.

Em uma medida surpreendente que marca um afastamento ainda maior da política monetária ultra-flexível, o Banco do Japão anunciou que acelerará suas vendas de fundos negociados em bolsa a partir de janeiro, passando dos atuais 330 bilhões de ienes para 860 bilhões de ienes (US$ 5,5 bilhões) por ano.

“Vimos a necessidade de examinar um pouco mais os riscos econômicos e de preços, bem como as condições financeiras”, disse Ueda, quando questionado sobre por que o Banco do Japão decidiu manter os juros estáveis.

“Mas a inflação subjacente atingiu níveis consistentes com nossa meta de preços. As condições financeiras permanecem acomodativas. Existem vários riscos de alta. Portanto, devemos estar atentos ao risco de a inflação ultrapassar nossa meta”, disse ele, mantendo vivas as expectativas de um aumento em dezembro.

Entenda por que os juros caem nos EUA e sobem no Brasil

BC do Japão mantém juros em 1,25% ao ano, mas eleva projeção da inflação

30 October 2026 at 12:26

O BoJ (Banco do Japão, em inglês) manteve a taxa básica de juros em 1,25% ao ano, em comunicado publicado nesta sexta-feira (30).

A manutenção era amplamente esperada por analistas consultados pela Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), para que os dirigentes possam avaliar os efeitos do aperto monetário realizado em setembro e os riscos da persistência da inflação.

No mês passado, a CPI (inflação ao consumidor, em inglês) no Japão acelerou para 2,1% na taxa anual, acima da meta pela primeira vez em nove meses.

O banco central japonês informou que a decisão foi tomada pelo placar de 8 a 1, com a dissidência de Hajime Takata, que defendeu acelerar o ritmo de aumento dos juros até atingir um nível neutro – que não restringe ou estimula a economia – para controlar a inflação na meta de 2%.

O dirigente votou por alta da taxa básica de 25 pontos-base, para 1,5% ao ano.

Em nota, a autoridade monetária do Japão ponderou que as condições financeiras seguem acomodatícias e que a economia está se recuperando moderadamente, apesar de alguma fraqueza recente.

O BoJ disse ainda que continuará a monitorar a guerra no Oriente Médio, o iene e a demanda por IA (inteligência artificial), e elevará juros a depender do crescimento econômico, preços e condições financeiras.

O BoJ elevou projeções para a taxa anual do núcleo do CPI em 2027, de 2,4% para 2,6%, embora tenha mantido previsões para este ano (+2,5%) e 2028 (+2%) inalteradas.

Em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) real, o banco central aumentou a projeção para 2026, de 0,6% a 0,7%, mas cortou para o próximo ano, de 0,8% para 0,7%.

“Existe o risco de que as expectativas de inflação de médio a longo prazo aumentem e de que a inflação subjacente se desvie para cima, situando-se acima da meta de estabilidade de preços de 2%, uma vez que o comportamento das empresas tem se voltado mais para o aumento de salários e preços”, alertou.

O banco central japonês também anunciou que aumentará o ritmo de vendas anuais de fundos ETF, de 330 bilhões de ienes para 860 bilhões de ienes (US$ 2,1 bilhões a US$ 5,5 bilhões), a partir de janeiro de 2027.

PIB da zona do euro cresce 0,4% no 3º trimestre, mais do que o esperado

30 October 2026 at 12:13

O PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro cresceu 0,4% no terceiro trimestre ante o segundo, segundo dados preliminares divulgados pela Eurostat, a agência de estatísticas da UE (União Europeia).

O resultado ficou acima da expectativa de analistas consultados pela FactSet, que previam alta de 0,2% no período.

Na comparação anual, o PIB do bloco teve expansão de 1,3% entre julho e setembro, também acima do consenso da FactSet, de 1,0%.

Desemprego cai para 5,2% no 3º trimestre e atinge menor nível desde 2012

By: pedroz
30 October 2026 at 12:02

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,2% nos três meses até setembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nesta sexta-feira (30).

O resultado ficou em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters, que projetava 5,2% para o período.

No período, o rendimento real habitual ficou estável na comparação com o trimestre imediatamente anterior, em R$ 3.790, com alta de 3,6% na comparação anual.

O Banco Central, que terá sua reunião de política monetária na próxima semana, destacou o aquecimento do mercado de trabalho, mesmo diante da moderação gradual da atividade econômica, mas apontou a desaceleração dos rendimentos médios, enfatizando a importância de avaliar os padrões de transmissão desse processo para os preços.

 O BC já promoveu cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto na taxa básica de juros, atualmente em 13,75%.

Segundo pesquisa Focus do Banco Central, concluída antes do segundo turno da eleição presidencial, a expectativa de economistas era de novo corte de 0,25 ponto na reunião do Comitê de Política Monetária na semana que vem.

Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo, no entanto, o mercado de juros futuros passou a precificar a manutenção da Selic na próxima semana. 

No segundo trimestre do ano o desemprego foi de 5,4% e no terceiro trimestre do ano passado, de 5,6%. Economistas consultados em pesquisa da Reuters esperavam uma taxa de 5,2% para o terceiro trimestre.

Segundo o IBGE, a população aumentou 0,6% no trimestre em relação aos três meses anteriores, para 103,6 milhões, recorde da série, com destaque para um aumento de 2,8% das ocupações no setor de construção. Já o número de desocupados caiu 4%, para 5,6 milhões.

O gerente da pesquisa, William Kratochwill, lembrou que o terceiro trimestre é tradicionalmente favorável para o emprego, diante do aumento da produção para atender à demanda de fim de ano, mas ponderou que este ano o ritmo de alta foi menor, o que pode estar associado às eleições.

“O que pode ter acontecido é que muitos tomadores de decisões podem ter postergado suas decisões de investimentos e contratados a espera do resultado das eleições”, afirmou.

“Temos que esperar para ver se chegamos ao limite da ocupação e o ritmo de contratações pode ser mais lento mesmo daqui para frente.”

 

 

Inflação em França sobe para 3,4% em outubro e PIB cai 0,1% no 3º trimestre

30 October 2026 at 11:58

A inflação homóloga em França subiu três décimas em outubro, para 3,4%, um máximo desde dezembro de 2023, e o produto interno bruto francês contraiu 0,1% no terceiro trimestre, anunciou hoje o instituto nacional de estatística francês (INSEE).

Segundo dados provisórios do INSEE, a aceleração da inflação homóloga em outubro deveu-se principalmente ao aumento dos preços do gás e do petróleo.

Num comunicado, o INSEE sublinha que os preços da energia aceleraram pelo quarto mês consecutivo em outubro, principalmente devido aos produtos petrolíferos e gás, que subiram concretamente 24,1% em relação ao mesmo mês de 2025, contra 21,3% em setembro.

A subida da inflação também foi impulsionada pelos serviços, com um aumento homólogo de 2,7% em outubro, contra 2,4% em setembro, especialmente devido ao aumento dos preços nos serviços de alojamento e transporte.

Já os alimentos progrediram 1,2% em termos homólogos em outubro, menos duas décimas que em setembro, e isso por uma desaceleração do aumento dos produtos frescos, que de qualquer forma se manteve forte (8%, contra 9,5% em setembro).

A inflação harmonizada homóloga de França, que é a que serve para as comparações com outros países europeus, subiu para 3,8% em outubro, com base nos dados provisórios, mais quatro décimas do que em setembro.

Em relação ao produto interno bruto (PIB) francês, que recuou 0,1% no terceiro trimestre, depois de estagnar no segundo e de cair 0,2% no primeiro trimestre, o INSEE refere que se deveu à retração dos investimentos e à deterioração do comércio externo.

A formação bruta de capital fixo, que mede o investimento, voltou a recuar, com uma queda de 0,6%, após diminuir 0,5% no segundo trimestre, segundo o INSEE.

Euribor termina outubro com média inalterada a 3 meses, a subir a 6 e a cair a 12 meses

30 October 2026 at 11:56
euribor a 6 meses

A taxa Euribor subiu hoje a três e seis meses e desceu a 12 meses face a quinta-feira, terminando outubro com a média mensal inalterada no prazo mais curto, a avançar no intermédio e a descer no mais longo.

A média mensal da Euribor em outubro manteve-se em 2,635% a três meses e subiu 0,053 pontos para 2,975% a seis meses. Já a média da Euribor a 12 meses desceu 0,008 pontos para 3,239% em outubro.

A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, avançou hoje ao ser fixada em 2,992%, mais 0,019 pontos percentuais que na quinta-feira.

Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a agosto indicam que a Euribor a seis meses representava 40,3% do ‘stock’ de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.

Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,03% e 24,27%, respetivamente.

No prazo de 12 meses, a taxa Euribor recuou hoje, para 3,306%, menos 0,002 pontos que na véspera.

A Euribor a três meses avançou hoje, ao ser fixada em 2,676%, mais 0,033 pontos.

Como esperado, o Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas diretoras na quinta-feira e, segundo o mercado, adiou a subida das mesmas para a última reunião de política monetária deste ano, que se realiza em Frankfurt em 16 e 17 de dezembro.

Em 10 de setembro, também como esperado pelos mercados, o BCE subiu as taxas diretoras, em 25 pontos base, depois de as ter mantido em julho.

Em junho, pela primeira vez desde setembro de 2023, o BCE tinha subido as taxas diretoras, designadamente 25 pontos base, depois de as manter em abril, pela sétima reunião consecutiva e de oito reduções desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.

As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 21 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.

Crescimento económico da Alemanha desacelera para 0,2% no 3.º trimestre

30 October 2026 at 11:53

A economia alemã cresceu 0,2% no terceiro trimestre em relação aos três meses anteriores, corrigidos os efeitos de preços, sazonais e de calendário, segundo os dados preliminares publicados hoje pela agência federal de Estatística alemã (Destatis).

Este dado aprofunda a desaceleração que a maior economia da Europa vinha a mostrar, já que cresceu 0,4% entre janeiro e março e 0,3% entre abril e junho, depois de fechar 2025 com um avanço de 0,3% e de dois anos de recessão.

Inflação em Espanha mantém-se nos 4,9% em outubro

30 October 2026 at 08:46
Espanha

Os preços em Espanha subiram 4,9% em outubro, comparando com o mesmo mês de 2025, segundo uma estimativa divulgada hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) espanhol.

Se se confirmar a estimativa, a taxa de inflação em Espanha em outubro foi igual à registada no mês anterior (setembro).

Esta é a taxa mais alta de inflação no país desde fevereiro de 2023, mês em que atingiu os 6%, segundo os dados do INE.

Quanto à inflação subjacente (sem a energia e os produtos alimentares frescos, tradicionalmente os mais voláteis do cabaz de compras), o INE estima que foi de 3,1% em outubro, a mesma registada em setembro.

Segundo o INE, a evolução dos preços este mês deveu-se, sobretudo, aos combustíveis, que “diminuíram mais do que em outubro de 2025”.

Espanha tem em vigor descontos de 20 cêntimos por litro no gasóleo e de cinco cêntimos na gasolina desde o início de setembro.

O governo espanhol anunciou no final de agosto um desconto de 20 cêntimos por litro no gasóleo, após este combustível ter aumentado 15,7% em julho.

Por outro lado, o desconto na gasolina foi reduzido de 10 cêntimos por litro em agosto para 5 cêntimos por litro em setembro.

Estes descontos fazem parte de um plano de resposta ao impacto da guerra no Médio Oriente em vigor desde março e que o Governo de Espanha reformulou no final de junho.

Juros da dívida sobem a dois, a cinco e a 10 anos

30 October 2026 at 08:44

Os juros da dívida portuguesa subiam hoje a dois, a cinco e a 10 anos face a quinta-feira, alinhados com os de Espanha, Grécia e Itália, e em sentido contrário aos da Alemanha no prazo mais longo.

Às 08:30 em Lisboa, os juros a 10 anos avançavam para 3,834%, contra 3,823% na quinta-feira.

Os juros a cinco anos também subiam, para 3,412%, contra 3,400%.

No mesmo sentido, os juros a dois anos avançavam, para 3,130%, contra 3,114% na véspera.

Em sentido contrário, os juros da obrigação a 10 anos da Alemanha, considerada a mais segura da Europa, caíam, para 3,350%, contra 3,354%.

Juros da dívida soberana em Portugal, Espanha, Grécia e Itália às 08:30:

2 anos…5 anos…10 anos

Portugal

30/10…….3,130…3,412…..3,834

29/10…….3,114…3,400…..3,823

Espanha

30/10…….3,194…3,493…..3,981

29/10…….3,179…3,474…..3,966

Grécia

30/10…….3,199…3,746…..4,323

29/10…….3,171…3,707…..4,288

Itália

30/10…….3,550….4,059…..4,529

29/10…….3,507….4,017…..4,497

Fonte: Bloomberg Valores de ‘bid’ (juros exigidos pelos investidores para comprarem dívida) que compara com fecho da última sessão.

Maior desafio de Lula 4 será aprovar reformas no Congresso, diz Moody’s

30 October 2026 at 07:31

A dificuldade de aprovar pautas em um Congresso Nacional mais à direita será um dos principais desafios do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo William Foster, vice-presidente sênior da Moody’s Ratings.

Em entrevista exclusiva ao CNN Money, o executivo apontou que a capacidade de negociar com parlamentares e construir acordos políticos será determinante para a implementação de medidas capazes de conter o avanço da dívida pública brasileira.

“O maior desafio que vejo neste momento não é apenas elaborar boas políticas e conquistar a credibilidade do mercado, mas conseguir aprovar a legislação no Congresso para dar sustentação a essas políticas”, afirmou Foster.

Na avaliação dele, o desafio será ainda maior do que no mandato anterior, diante da mudança na composição do Legislativo. “O Congresso se deslocou para a direita”, ressaltou.

Foster destacou que a aprovação de mudanças fiscais exigirá habilidade política do governo para negociar com o centro e construir maiorias. No Brasil, PECs (Propostas de Emenda à Constituição) precisam de três quintos dos votos de deputados e senadores, o que exige uma articulação ampla para a aprovação de mudanças estruturais.

“Isso vai exigir uma negociação significativa de acordos e uma disposição política que Lula precisará empregar para alcançar esses objetivos”, afirmou.

O executivo ressaltou que a questão fiscal não depende apenas da elaboração de medidas bem desenhadas, mas também de sua implementação. Para a agência, a capacidade do governo de transformar propostas em mudanças efetivas será fundamental para recuperar a confiança dos investidores.

A Moody’s mantém a nota de crédito soberano do Brasil em Ba1, um nível abaixo do grau de investimento, com perspectiva estável. Segundo Foster, a evolução da política fiscal será o principal fator para uma eventual mudança na avaliação do país.

Nesse sentido, apontou a necessidade de rever o crescimento das despesas obrigatórias, muitas delas corrigidas pelo salário mínimo e pela inflação. Para ele, mudanças nos mecanismos de indexação e no nível dos gastos poderiam reduzir os déficits primários e, no futuro, permitir a estabilização da dívida.

Juros elevados dificultam recuperação fiscal

O custo de financiamento da dívida é outro ponto de preocupação para a Moody’s. Segundo Foster, o Brasil apresenta despesas com juros elevadas em comparação com outros países, reflexo de taxas historicamente altas e da estrutura de financiamento do governo.

O executivo afirmou que os pagamentos de juros equivalem a cerca de 20% das receitas públicas e superam 8% do PIB (Produto Interno Bruto).

Na entrevista, ele também destacou que mais de 40% da dívida do governo está vinculada a taxas flutuantes relacionadas à Selic, o que aumenta a exposição das contas públicas a períodos prolongados de juros elevados.

“[O Brasil] é muito mais vulnerável a taxas de juros mais altas por períodos mais longos, particularmente com um prazo médio ponderado da dívida pública em torno de quatro anos. Essa é uma característica estrutural […] e a tendência continuou a piorar nos últimos quatro anos do governo Lula”, ponderou.

Na avaliação de Foster, a política monetária enfrenta o desafio de conter as pressões inflacionárias enquanto a política fiscal mantém estímulos à atividade econômica. O aumento dos gastos públicos pode dificultar o trabalho do Banco Central e reduzir o espaço para cortes mais rápidos da taxa básica de juros.

O executivo, contudo, vê possibilidade de redução gradual dos juros, desde que algumas condições sejam atendidas. Entre elas, está um reequilíbrio da política fiscal, capaz de contribuir para a desaceleração da inflação e diminuir o custo de financiamento do governo e da economia.

“[A consolidação fiscal] permitiria ao Banco Central, potencialmente, ter mais confiança para que eles possam reduzir ainda mais as taxas”, disse.

Foster também alertou para a possibilidade de dominância fiscal, situação em que as pressões das contas públicas dificultam a condução da política monetária.

Para a Moody’s, a recuperação da credibilidade fiscal seria um caminho para melhorar as condições de financiamento e favorecer o crescimento sustentável. A redução do custo da dívida também ajudaria a diminuir os déficits e abrir espaço para investimentos do setor privado.

Dívida pública pode continuar crescendo sem reformas

A relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto é um dos principais fatores de risco para o perfil de crédito brasileiro, segundo Foster. O indicador passou de aproximadamente 72% para 83% do PIB nos últimos anos.

Sem mudanças na política fiscal ao longo dos próximos quatro anos, a Moody’s projeta que a relação poderá alcançar cerca de 87% do PIB no ano seguinte e continuar aumentando. A estimativa da agência é superior à projeção do governo, que prevê um pico próximo de 88% nos próximos anos, antes de uma trajetória de queda.

“Para que a dívida comece a cair ou se estabilize, é necessário observar mudanças na política fiscal”, afirmou Foster.

Segundo ele, a principal frente de atuação seria a revisão das despesas obrigatórias, que apresentam uma tendência estrutural de crescimento. A redução do ritmo de expansão dos gastos e eventuais cortes poderiam contribuir para diminuir os déficits primários e, posteriormente, permitir a obtenção de superávits.

O executivo também fez ressalvas ao atual arcabouço fiscal brasileiro. Embora considere razoáveis as metas de resultado primário, ele avalia que o modelo não contempla de maneira suficiente o principal fator por trás do déficit total do governo: o pagamento de juros.

“Uma política fiscal crível precisa levar em conta o custo dos empréstimos”, afirmou.

Para o executivo, a adoção de metas de longo prazo para a dívida em relação ao PIB e mudanças na forma de acompanhar o cumprimento dos objetivos fiscais poderiam aumentar a transparência e a previsibilidade da política econômica.

A agência considera que uma melhora duradoura das contas públicas, acompanhada de crescimento econômico mais forte, poderia abrir caminho para uma perspectiva positiva e, eventualmente, para a elevação da nota de crédito brasileira ao grau de investimento. Isso exigiria, porém, uma mudança permanente e significativa na trajetória fiscal.

No sentido contrário, a persistência de déficits elevados e a deterioração da credibilidade da política econômica poderiam pressionar ainda mais os juros, prejudicar o crescimento e ampliar o endividamento.

Porém, Foster destacou que a polarização política dificulta a adoção de medidas fiscais não apenas no Brasil, mas também em outros países. Reformas que envolvem despesas sociais, previdência e saúde são particularmente sensíveis e dependem de consenso político.

“É necessário um reequilíbrio entre esses custos e os objetivos fiscais. Isso exige consenso político, algo que está muito difícil de alcançar no Brasil e em muitos países ao redor do mundo”, afirmou.

Para a Moody’s, a capacidade do governo Lula de construir pontes com a oposição e com os partidos de centro será decisiva para avançar com reformas capazes de estabilizar a dívida e fortalecer o perfil de crédito do país.

 

Agenda fiscal brasileira deve ser tratada como apartidária, diz economista

30 October 2026 at 06:02

A agenda fiscal brasileira deve ser tratada como um movimento apartidário, voltado a trazer a gestão das contas públicas para patamares civilizatórios. A avaliação é do economista Daniel Couri, especialista em contas públicas, ao WW.

Couri destacou que, embora um ajuste fiscal seja necessário, ele não é suficiente para resolver a questão do crescimento econômico no país.

“Isso é só para colocar o endividamento dentro de patamares civilizados”, afirmou o especialista, reforçando que o ajuste representa apenas uma parte de um processo mais amplo, e não a solução definitiva.

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Situação fiscal preocupante em perspectiva global

O economista apresentou dados que ilustram a gravidade da situação fiscal brasileira em comparação internacional.

Segundo Couri, em 2026, apenas 21 países de uma lista de 180 nações terão uma dívida maior do que a do Brasil — e quase todos eles são países avançados.

Em relação aos gastos com juros, a situação é ainda mais alarmante: somente Bahrein e Egito devem gastar mais do que o Brasil nessa rubrica.

Diante desse cenário, Couri manifestou surpresa com o fato de o debate público se concentrar tanto na necessidade do ajuste em si, quando esse movimento sequer é capaz de resolver a questão do crescimento.

“Eu acho que isso deveria ser suficientemente forte para convencer o Congresso de que essa agenda é apartidária”, declarou.

A mudança na composição do Congresso Nacional, mencionada no debate, foi apontada como um fator de incerteza adicional sobre as perspectivas de avanço das reformas necessárias.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.

Dificilmente governo atingirá superávit em 2027, diz IFI do Senado

30 October 2026 at 00:30

A IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado avalia que dificilmente o governo conseguirá alcançar o superávit primário em 2027, diante do atual cenário das contas públicas.

Em entrevista ao CNN Money, o diretor da instituição, Alexandre Andrade, defendeu que a equipe econômica anuncie “o mais rápido possível” um plano de ajuste fiscal para ancorar as expectativas do mercado.

Alexandre Andrade apontou dois fatores centrais para o pessimismo em relação à meta fiscal. “Na análise que nós fizemos do PLOA 2027 em setembro, nós identificamos premissas bastante otimistas, tanto nas receitas quanto nas despesas”, afirmou.

Além disso, segundo ele, o espaço fiscal já está completamente preenchido e ainda será necessário acomodar cerca de 40 a 50 bilhões de reais em novas despesas decorrentes de medidas anunciadas após 31 de agosto.

O diretor também destacou que a IFI prevê uma desaceleração da atividade econômica no próximo ano. “O PIB deve ter um crescimento menor e isso afeta consequentemente as receitas”, explicou Alexandre Andrade.

Com isso, a combinação de gastos crescentes e receitas menores torna ainda mais remota a possibilidade de resultado superavitário.

Gasto obrigatório comprime espaço discricionário

Um dos pontos centrais da análise da IFI é o forte crescimento do gasto obrigatório, que tem reduzido progressivamente o espaço discricionário do orçamento. “Nós temos hoje cerca de 140 bilhões de reais em despesas discricionárias não rígidas, que basicamente são investimentos e custeio da máquina. Esse é basicamente o montante passível de sofrer cortes”, disse Alexandre Andrade. No curto prazo, esses gastos tendem a ser reduzidos para acomodar as novas despesas obrigatórias anunciadas recentemente.

Alexandre Andrade ressaltou que um ajuste focado apenas nas despesas discricionárias não é suficiente.

“Pensar em um ajuste do lado da despesa que apenas afete as despesas discricionárias não faz muito sentido, é preciso que se promova revisão de despesas obrigatórias”, afirmou. Segundo ele, mais do que cortar, o objetivo deveria ser desacelerar o ritmo de crescimento dessas despesas ao longo dos próximos anos.

Arcabouço fiscal perde eficácia em 2028

De acordo com as projeções da IFI, a atual regra do arcabouço fiscal perderá eficácia em 2028, quando as despesas sujeitas ao limite ultrapassarão o próprio limite estabelecido. Alexandre Andrade alertou que simplesmente modificar os parâmetros do arcabouço teria efeito muito limitado, caso não haja uma reforma do gasto obrigatório.

“Na ausência de reforma do gasto obrigatório, de nada vai adiantar simplesmente modificar os parâmetros do arcabouço, porque, num contexto como esse, apenas a regra perderia eficácia mais cedo”, afirmou.

O diretor da IFI também comentou sobre a probabilidade, apontada em relatório da instituição, de 81,6% de a dívida pública superar 90% do PIB até 2030. Segundo Alexandre Andrade, essa trajetória poderia ser alterada caso um plano de ajuste fiscal crível seja apresentado.

“Haveria uma descompressão dos prêmios de risco, uma redução das taxas longas de juros e, por sua vez, uma redução do custo de financiamento da dívida pública”, explicou, acrescentando que, nesse cenário, a dívida seria “um pouco mais baixa do que está projetada nos nossos relatórios”.

Questionado sobre promessas de campanha que ainda não foram contabilizadas, como a gratuidade do transporte público nos fins de semana, Alexandre Andrade afirmou que ainda não há previsão de valores para essa medida.

No entanto, classificou a proposta como “mais um componente de pressão sobre a elaboração do orçamento do ano que vem, em um contexto em que o quadro fiscal já está bastante apertado”. Segundo ele, dependendo do alcance da medida, a necessidade de ajuste no PLOA poderia superar os 40 a 50 bilhões de reais já estimados.

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Ensaio sobre a cegueira

30 October 2026 at 00:14
As actividades económicas precisam de terra, capital e trabalho. Na habitação precisamos de atrair o capital, libertar a terra e formar as tropas.

Trump critica Fed por manter juros e comemora PIB dos EUA

29 October 2026 at 20:25

O presidente dos EUA, Donald Trump, alegou que os dirigentes do Fed (Federal Reserve) não decidem por um corte nas taxas de juros porque “isso seria positivo” para o mandatário, ao discursar em um comício na Carolina do Sul, às vésperas da eleição americana de meio mandato.

“Hoje vimos dados que mostram que a economia está em expansão”, defendeu, em referência à leitura de aceleração do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA no 3º trimestre.

Na ocasião, Trump disse que o número veio “muito acima” das expectativas. A primeira leitura do PIB mostrou expansão a 3,4%. Analistas consultados pela Broadcast (Sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) esperavam alta de 3,2%.

Já sobre geopolítica, o presidente americano voltou a dizer que a guerra contra o Irã acabará “muito, muito em breve”.

Fed mantém taxa de juros e decisão pode representar erro crasso

29 October 2026 at 20:09

O custo de vida é o tema número 1 para os eleitores que se dirigem às urnas, mas o Fed (Federal Reserve) observou o persistente problema de inflação dos Estados Unidos na quarta-feira (28) e optou por não fazer nada a respeito. Pelo menos nas próximas seis semanas, de qualquer forma.

Apesar de os preços ao consumidor terem subido 3,7% no último ano e de o indicador de inflação preferido do Fed permanecer teimosamente 50% acima da meta do banco central, a decisão de manter as taxas de juros estáveis era amplamente esperada.

Isso porque alterar as taxas é um instrumento contundente que pode causar sérios danos à economia quando mal utilizado ou aplicado no momento errado.

“As taxas de juros penetram em todas as brechas”, disse o presidente do Fed, Kevin Warsh, em uma coletiva de imprensa na quarta-feira. “Elas afetam tudo.”

Os banqueiros centrais elevaram as taxas pela primeira vez em mais de três anos no mês passado, e querem aguardar um pouco para ver como a economia responde antes de golpeá-la novamente com outro aumento de juros.

“Garantir a estabilidade de preços e monitorar a inflação não é sobre uma data fixa no calendário ou um dado isolado”, disse Warsh. “É sobre garantir que tenhamos objetivos claros e a política monetária correta.”

Warsh afirmou estar encorajado com a redução nas expectativas de inflação desde que o Fed elevou as taxas em setembro.

Ao esperar, porém, o Fed também está assumindo um risco significativo. O banco central arrisca repetir um erro semelhante ao de 2021, quando presumiu que o monstro da inflação encarando diretamente a economia poderia ser derrotado simplesmente sendo ignorado. (O Fed estava desastrosamente errado).

Desta vez pode ser realmente diferente, e não agir com pressa pode se mostrar uma decisão acertada.

Ou pode forçar o banco central a aplicar à economia uma espécie de terapia de choque em dezembro, que poderia ter sido evitada com um aumento de juros em outubro.

Por que o Fed não elevou os juros?

Empregos. Elevar as taxas aumenta os custos de empréstimo das empresas, deixando-as com menos dinheiro para contratar.

Este pode ser um momento perigoso para mexer no mercado de trabalho: a economia dos EUA criou apenas 29.000 empregos em setembro, bem abaixo das expectativas. E o relatório de setembro mostrou que a economia criou 60.000 empregos a menos nos dois meses anteriores do que se acreditava anteriormente.

O mercado de trabalho não está de forma alguma em mau estado, mas tem se mostrado instável. A economia dos EUA perdeu 10.000 empregos em julho e em sete dos últimos 16 meses. Embora o desemprego permaneça em um saudável 4,2%, os economistas descrevem a economia como “baixa contratação, baixa demissão”.

Em outras palavras, sua posição pode não estar em risco, mas se você deixar seu emprego, pode ter dificuldade em encontrar um novo.

Mercados. Os rendimentos dos títulos do Tesouro subiram desde o último aumento de juros do Fed, com os rendimentos dos títulos atingindo em determinado momento as máximas de várias décadas.

Os rendimentos recuaram um pouco desde então, retornando ao patamar em que estavam em meados de setembro, mas os rendimentos dos títulos ainda relativamente altos podem ajudar a dar cobertura ao Fed, pois têm um efeito semelhante ao da taxa dos fundos federais, desacelerando a economia e a inflação.

O Fed também não gosta de surpreender os investidores – mesmo na nova era de “mantê-los adivinhando” de Warsh. O mercado havia precificado uma chance de 91% de que o Fed manteria as taxas, de acordo com a ferramenta FedWatch da CME, e um aumento poderia ter levado os mercados a um reequilíbrio doloroso.

Timing. A decisão do Fed também pode ter sido influenciada, pelo menos em parte, pela eleição que se aproxima. Narayana Kocherlakota, ex-presidente do Fed de Minneapolis, disse ao meu colega Matt Egan que o Fed hesitou em aumentar as taxas na quarta-feira porque queria se isolar das críticas do presidente Donald Trump. Mas o Fed, ao longo de sua história, mudou as taxas muitas vezes justamente quando os eleitores se dirigiam às urnas, observou também minha colega Elisabeth Buchwald.

Por que manter as taxas pode ser um erro?

O erro “transitório”: O Fed normalmente não intervém quando choques de oferta, como a crise energética induzida pela guerra com o Irã, causam inflação. Eles são notoriamente temporários, difíceis de prever e insensíveis a mudanças nas taxas.

Mas os choques de oferta às vezes levam a problemas maiores que o Fed pode ajudar a resolver. O Fed deveria saber disso: acabou de passar por isso.

Quando a economia emergiu da pandemia, o Fed cometeu um erro em relação à inflação, declarando-a resultado de um choque de oferta “transitório” relacionado à guerra Rússia-Ucrânia e aos enormes gargalos nas cadeias de suprimentos.

O problema acabou se tornando o mais significativo de uma geração em termos inflacionários. O Fed, pego de surpresa, foi forçado a elevar as taxas em um ritmo histórico – três altas consecutivas de três quartos de ponto percentual.

No fim, o Fed conseguiu reduzir a inflação descontrolada a níveis mais administráveis, mas não antes de os preços ao consumidor atingirem o pico de uma taxa anual de 9,1%, a mais alta em quatro décadas.

Desta vez pode não ser diferente: a inflação já está se espalhando para outras partes da economia.

Particularmente preocupante no relatório de inflação ao consumidor de setembro foi a surpreendente recuperação nos custos de moradia e aluguel, um contribuidor significativo para a inflação que havia arrefecido na primavera e no verão.

E o custo de outros serviços também subiu mais do que o esperado – preços que tendem a aumentar (e permanecer altos) à medida que estúdios de yoga, serviços de jardinagem e similares cobram mais de seus clientes para compensar seus custos crescentes.

Também impulsionando a inflação: os investimentos em data centers e em tecnologia que alimenta a IA empurraram a economia para o limite – e talvez tenham contribuído para seu superaquecimento.

Os preços de eletricidade, materiais de construção, mão de obra e tecnologia pessoal, como smartphones e laptops, todos subiram como resultado.

Mais guerra? Essa alta nos preços de energia pode piorar antes de melhorar. Trump sinalizou fortemente (e a CNN noticiou) que os Estados Unidos e Israel poderiam escalar a guerra com o Irã após as eleições de meio de mandato, potencialmente elevando ainda mais os preços do petróleo.

Seria imprudente para o Fed tomar uma decisão com base em um rumor. E os preços de energia podem cair rapidamente.

Por exemplo, o anúncio do governo Trump de um cessar-fogo energético com a Rússia se manteve surpreendentemente bem, aumentando dramaticamente a quantidade de diesel produzida pela Rússia nas últimas semanas, o que poderia reduzir significativamente os preços globais do diesel – caso a Ucrânia continue a se abster de seus ataques de drones às refinarias russas.

Mas a prolongada alta nos preços de energia já está elevando os preços em toda a economia, e esperar para voltar a aumentar as taxas pode colocar o Fed em desvantagem.

Sapos em água fervente. As altas de juros funcionam com efeito retardado, e mudanças mais bruscas nas taxas podem ter efeitos deletérios sobre o sistema financeiro, os mercados e a economia. Esse sapo econômico tende a permanecer na panela quando o calor é aumentado gradualmente.

Se as escaladas na guerra do Irã e na guerra Rússia-Ucrânia forem retomadas, isso poderia colocar o Fed em uma posição difícil, obrigando-o a elevar as taxas ainda mais do que o esperado em sua próxima reunião em dezembro – potencialmente em meio ponto, em uma espécie de ajuste compensatório.

As massivas e sucessivas altas de juros ao longo de 2022 levaram o mercado de ações à sua maior queda anual desde a crise financeira e paralisaram o mercado imobiliário. Mas a economia não entrou em recessão – um feito que o Fed raramente conseguiu quando eleva as taxas de juros.

Não é uma aposta que muitos economistas estejam ansiosos para fazer novamente.

Entenda por que Trump acusa diretora do Fed de “fraude hipotecária”

 

Fim da 6×1: Indústria pode ter que aumentar vagas em até 20%, diz Fiemg

29 October 2026 at 19:56

O presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), Flávio Roscoe, alertou nesta quinta-feira (29) para o risco de aumento dos custos de produção diante de possíveis mudanças na jornada de trabalho e da implementação da reforma tributária.

Segundo ele, alguns segmentos industriais poderão precisar ampliar em até 20% o número de funcionários para manter o mesmo volume de produção caso a jornada seja reduzida.

A declaração foi feita durante entrevista coletiva na abertura da nona edição do Imersão Indústria, realizado no BH Shopping, em Belo Horizonte.

O evento reúne empresários, especialistas e lideranças para discutir os obstáculos à competitividade do setor produtivo. Neste ano, o tema central é “Custo Brasil — O Brasil precisa. A indústria faz”.

De acordo com Roscoe, o impacto de uma eventual redução da jornada tende a ser maior em atividades que operam continuamente, com máquinas e equipamentos em funcionamento durante 24 horas por dia. Nesses casos, a reorganização dos turnos pode exigir novas contratações para que o ritmo de produção seja mantido.

“Na hora que você simula escala e jornada, no setor industrial, a maioria vai cair já para uma escala de 38 ou 40 horas”, afirmou.

Roscoe também chamou a atenção para as dificuldades de contratação e treinamento de profissionais em um prazo curto.

Na avaliação dele, o aumento das despesas pode comprometer a viabilidade de algumas operações, especialmente quando as empresas não conseguem repassar os custos adicionais aos preços dos produtos por causa da concorrência internacional.

Além das mudanças na jornada de trabalho, Roscoe defendeu mais tempo para que as empresas se adaptem à reforma tributária.

Segundo o presidente da entidade, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) decidiu solicitar a prorrogação dos prazos de implementação das mudanças ou, alternativamente, a suspensão de penalidades para empresas que não conseguirem cumprir as exigências dentro do período previsto.

O dirigente afirmou que a adequação exige alterações nos sistemas das empresas, revisão de procedimentos e preparação para as novas regras. A preocupação é que a transição, somada a outros fatores que já encarecem a produção, aumente a pressão sobre os custos industriais.

Para a Fiemg, a combinação de despesas tributárias, custos trabalhistas e dificuldades operacionais pode afetar a capacidade das empresas brasileiras de competir com produtos importados.

Fim da escala 6×1: texto aprovado limita jornada em 36 horas; entenda

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