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Crédito Agrícola mantém rating ESG de ‘2’ da Sustainable Fitch e melhora score global para 65 pontos

27 October 2026 at 20:03

A agência Sustainable Fitch manteve o rating ESG corporativo do Grupo Crédito Agrícola (GCA) em ‘2’, numa escala de 1 (melhor) a 5 (pior), e reviu em alta o seu score global de 64 para 65 pontos, informou hoje a instituição financeira em comunicado.

Segundo a instituição financeira, esta avaliação reflete os progressos alcançados no reporte de sustentabilidade, nas práticas operacionais, nas políticas de exclusão setorial e no crescimento da atividade de financiamento e investimento sustentáveis, evidenciando a integração dos princípios ESG (ambientais, sociais e de governação) no modelo de negócio do banco.

O relatório da Sustainable Fitch reconhece o modelo de banca cooperativa da instituição, destacando o seu contributo para a inclusão financeira e para o desenvolvimento económico local. Em concreto, a avaliação sublinha que o Crédito Agrícola está presente em 95% dos municípios portugueses de baixa densidade e mantém 257 agências em localidades onde não existe qualquer outra instituição de crédito, o que representa 41,7% da sua rede comercial de 615 balcões.

Na vertente social e de igualdade de género, o documento assinala que as mulheres representam 52% do total de colaboradores do grupo bancário. Já no órgão de governação, composto pelo Conselho de Administração Executivo e pelo Conselho Geral e de Supervisão, a representação feminina fixa-se nos 37,5%, apresentando um nível de independência de 55%.

No plano ambiental, a avaliação destaca a Estratégia de Sustentabilidade 2026-2028 e as metas estabelecidas para 2030 relativas à redução de emissões operacionais e financiadas em oito setores de elevada intensidade carbónica. O grupo comprometeu-se a alcançar a neutralidade carbónica nos âmbitos 1 e 2 e a reduzir em 33% as emissões operacionais do âmbito 3 até 2030.

O Grupo Crédito Agrícola é o sexto maior grupo bancário português em termos de ativo líquido, operando através da Caixa Central e de 67 Caixas Agrícolas associadas, prestando serviços a cerca de 1,6 milhões de clientes.

Santander inaugura WorkCafé em Oeiras e atinge 10 espaços em Portugal

27 October 2026 at 18:44

O Santander abriu o seu décimo WorkCafé em Portugal, em Oeiras, na Quinta das Palmeiras, atingindo a marca de 10 espaços deste conceito no país, anunciou hoje o banco em comunicado.

O novo espaço, segundo a instituição, reúne serviços bancários, áreas de cowork e cafetaria e contará com uma agenda de eventos aberta à comunidade.

Pensado para as novas formas de trabalhar e colaborar, o WorkCafé dispõe de salas de reunião, zona lounge e Wi-Fi gratuito, bem como equipamentos de última geração que permitem realizar operações de caixa de forma autónoma e num horário alargado, estando aberto a clientes e não clientes.

“O WorkCafé transforma a forma como recebemos e nos relacionamos com quem nos procura. É um espaço mais aberto e próximo, sem as barreiras de uma agência tradicional. A tecnologia simplifica as operações correntes, permitindo que as nossas equipas tenham mais tempo para ouvir e acompanhar cada cliente. Em Oeiras, um concelho com uma forte dinâmica empresarial, queremos que este espaço faça parte do quotidiano de quem aqui vive, trabalha ou estuda”, afirma Joaquim Filipe, administrador executivo do Santander Portugal, citado na nota.

Segundo o banco, a escolha de Oeiras reflete o perfil de um concelho reconhecido pelo dinamismo económico e pela aposta na ciência, tecnologia e inovação, que acolhe polos de investigação e parques empresariais como o Taguspark e o Lagoas Park.

O conceito WorkCafé é uma das principais iniciativas de transformação da rede comercial do Santander.

Com a abertura de Oeiras, a rede passa a contar com 10 espaços em Portugal, distribuídos por Aveiro, Coimbra, Espinho, Leiria, Lisboa e Porto.

Até ao final do ano, o banco prevê abrir novos espaços em Cascais, Estoril, Barcelos e Albufeira. Em 2027, o objetivo é acelerar o ritmo de aberturas e chegar aos 30 WorkCafés em todo o país.

Criado no Chile, em 2016, o modelo está hoje presente em vários mercados do Grupo Santander, que conta com mais de 260 WorkCafés em todo o mundo.

ING e CaixaBank disputam compra da Cetelem na reta final do processo de venda

27 October 2026 at 18:37

O banco holandês ING e o espanhol CaixaBank são os principais candidatos à aquisição da Cetelem, empresa de crédito ao consumo do grupo francês BNP Paribas em Espanha e Portugal, numa operação cujo desfecho é esperado até ao final deste ano, segundo avançou a imprensa económica espanhola, citando fontes financeiras.

De acordo com o jornal espanhol Cinco Días, o processo de venda entrou na sua fase final, com o BNP Paribas a procurar alienar a Cetelem por mais de mil milhões de euros. No entanto, as propostas preliminares recebidas serão significativamente inferiores à avaliação inicialmente pretendida pelo grupo francês.

Segundo o Expansión, o CaixaBank surge atualmente como o favorito para adquirir a BNP Paribas Personal Finance em Espanha e Portugal. O grupo liderado por Gonzalo Gortázar, que controla o BPI em Portugal, terá contratado a EY para realizar a due diligence ao negócio, num processo de análise que deverá estar concluído até ao final de novembro e que inclui a revisão das áreas financeira, jurídica, fiscal e tecnológica da empresa.

A mesma publicação refere que o Morgan Stanley está a assessorar o CaixaBank na componente financeira da operação.

O BNP Paribas contratou a Goldman Sachs para conduzir o processo de venda da Cetelem, uma decisão revelada pelo Cinco Días em setembro. A alienação insere-se numa estratégia de reorientação do grupo francês na Península Ibérica, privilegiando áreas consideradas mais rentáveis, como a gestão de ativos e a banca de investimento, em detrimento do negócio de crédito ao consumo.

A eventual compra da Cetelem permitiria ao CaixaBank reforçar a sua posição no mercado ibérico do financiamento ao consumo, um segmento em que já detém uma presença relevante através da CaixaBank Payments & Consumer. Por seu lado, o ING procura expandir a sua atividade em Espanha e ganhar escala num mercado onde tem vindo a crescer na banca de particulares.

A operação abrange os negócios da Cetelem em Espanha e Portugal e poderá representar uma das maiores transações recentes no setor financeiro ibérico na área do crédito ao consumo. Até ao momento, não são conhecidos os valores das propostas vinculativas apresentadas pelos potenciais compradores.

BCE reduz requisito de capital do BPI para 2027

27 October 2026 at 18:15

O Banco Central Europeu (BCE) reduziu de 2% para 1,9% o requisito total de Pilar 2 aplicável ao BPI, na sequência da avaliação prudencial da instituição, informou o banco português esta terça-feira. O que é um bom sinal para o banco liderado por João Pedro Oliveira e Costa.

A partir de 1 de janeiro de 2027, o BPI terá de cumprir um rácio mínimo de capital Common Equity Tier 1 (CET1) de 10,1%, um rácio de capital Tier 1 de 11,9% e um rácio de fundos próprios totais de 14,4%, segundo um comunicado enviado pelo banco.

O requisito de Pilar 1 para o rácio de alavancagem mantém-se em 3%.

Em junho de 2026, o BPI apresentava um rácio CET1 de 13,9%, acima do mínimo de 10,1% estabelecido para 2027. O rácio Tier 1 situava-se em 15,2%, face ao requisito de 11,9%, enquanto o rácio total de capital atingia 17,2%, acima do mínimo de 14,4%.

O rácio de alavancagem era de 7,2% no final de junho, mais do dobro do requisito mínimo de 3%.

Os novos requisitos resultam do processo de análise e avaliação para fins de supervisão (Supervisory Review and Evaluation Process, SREP), conduzido pelo BCE, que determina as exigências prudenciais aplicáveis aos bancos sob a sua supervisão.

Universitários desafiados a criar soluções para finanças pessoais em Open Day em Lisboa

27 October 2026 at 14:47

A Cofidis e a consultora de talento Magma Studio realizam no dia 3 de novembro, nas Natura Towers, em Lisboa, uma nova edição do Open Day de Finanças Pessoais, dirigida a estudantes universitários, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Poupança.

A iniciativa, que marca também o Dia Mundial da Poupança a 31 de outubro, inclui pela primeira vez um mini hackathon, no qual os participantes trabalham em equipa para desenvolver “Soluções para os desafios financeiros dos jovens” e apresentam as propostas a um júri composto por responsáveis das duas entidades.

O programa é antecedido pela sessão de orientação prática “Dá voz às tuas finanças e carreira”, conduzida pelo especialista em finanças pessoais Diogo Marques. O evento decorre em duas sessões autónomas (manhã e tarde), com limite de 30 participantes cada, e inclui momentos de ‘networking’ e o “Safari pela Cofidis”, uma visita imersiva às instalações da instituição financeira. As sessões serão transmitidas em direto no TikTok.

“Mais do que abordar a poupança numa perspetiva estritamente teórica, é essencial envolver os jovens na construção de respostas para os seus próprios desafios. A entrada na vida ativa e a conquista da independência exigem informação credível, sentido crítico e autonomia”, afirmou Catarina Peleja, diretora Financeira, de Risco e Qualidade da Cofidis Portugal.

O Open Day dá continuidade à Escola das Finanças, projeto conjunto que desde outubro de 2023 já capacitou 111 mil jovens. O número de participantes passou de 26 mil no primeiro ano para 35 mil em 2025 e atingiu 50 mil inscrições em 2026. A formação com maior adesão este ano, sobre “Apoios e benefícios do Estado que a maioria dos jovens nunca pede”, registou mais de 6.500 inscrições.

“Os números alcançados pela Escola das Finanças demonstram que os estudantes e também profissionais com experiência têm uma enorme vontade de dominar a sua gestão financeira quando os conteúdos são acessíveis e ligados ao seu quotidiano”, sublinhou Miguel Gonçalves, CEO da Magma Studio.

DBRS espera forte desempenho operacional do Abanca em 2026 com receitas resilientes e custos controlados

27 October 2026 at 14:10

A Morningstar DBRS espera que o Abanca mantenha um forte desempenho operacional em 2026, sustentado pela resiliência das receitas recorrentes, pelo controlo dos custos operacionais e das imparidades de crédito e por receitas adicionais provenientes da venda de ativos recebidos em dação.

Numa análise aos resultados do terceiro trimestre e dos primeiros nove meses do ano, Maria Parra, vice-presidente para as instituições financeiras europeias da Morningstar DBRS, considera que o banco espanhol apresenta uma evolução operacional sólida, apesar da descida do resultado líquido acumulado até setembro.

A agência de notação financeira destaca a recuperação da margem financeira pelo segundo trimestre consecutivo, bem como o contributo dos seguros e das comissões para o crescimento das receitas nos primeiros nove meses de 2026.

A eficiência operacional também se manteve sólida, beneficiando da concretização de sinergias associadas às aquisições mais recentes e da disciplina na gestão dos custos. Em paralelo, o custo do risco permaneceu baixo e a qualidade dos ativos continuou a melhorar.

A descida do resultado líquido acumulado até setembro é atribuída pela DBRS à normalização da taxa efetiva de imposto, em resultado de uma menor utilização de créditos fiscais, e não a um enfraquecimento do desempenho operacional.

A agência salienta ainda que a capitalização do Abanca permanece sólida, com margens confortáveis face aos requisitos regulamentares.

Para o conjunto de 2026, a DBRS antecipa, assim, a manutenção de uma evolução operacional favorável, apoiada na capacidade de gerar receitas recorrentes, no controlo dos custos e das perdas de crédito e na contribuição adicional da alienação de ativos não estratégicos recebidos em dação.

Factoring cresce 20,6% e leasing imobiliário recupera no primeiro semestre

27 October 2026 at 13:42

A produção de factoring em Portugal atingiu 28,8 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2026, mais 20,6% do que no período homólogo, impulsionada sobretudo pelo confirming, enquanto o leasing imobiliário cresceu 15,1% e inverteu a quebra registada no ano anterior, segundo dados hoje divulgados pela Associação Portuguesa de Leasing, Factoring e Renting (ALF).

No factoring, os créditos tomados subiram de 23,9 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2025 para 28,8 mil milhões de euros, com o confirming a registar 14,4 mil milhões de euros, um aumento de 30,6% e mais de metade da atividade do setor. O factoring doméstico avançou 11,9%, para 11,1 mil milhões de euros, e o internacional 12,0%, para 3,3 mil milhões de euros.

No segmento internacional, a exportação cresceu 9,4%, para três mil milhões de euros, e as importações 45,1%, para 317 milhões de euros. A carteira de crédito concedido atingiu 11,1 mil milhões de euros, mais 8,1%, e o total sob gestão 12,3 mil milhões de euros, mais 8,5%.

O setor da Saúde Pública registou créditos tomados de 3,3 mil milhões de euros, um acréscimo de 6,5% face ao primeiro semestre de 2025.

Em contraste, a produção de leasing mobiliário recuou 6,2%, para 1,1 mil milhões de euros, e a de renting caiu 6,3%, para 499 milhões de euros, correspondente a 18.014 viaturas novas contratadas, menos 7,3% do que um ano antes.

No leasing mobiliário, os veículos pesados cresceram 9,4%, para 294 milhões de euros, enquanto os ligeiros recuaram 4,5%, para 456 milhões de euros. Os elétricos e híbridos plug-in representaram 43,9% dos veículos ligeiros financiados, contra 35,4% no período homólogo, com aumentos de 27% e 10%, respetivamente.

O leasing imobiliário atingiu 412 milhões de euros, face a 358 milhões de euros no primeiro semestre de 2025, revertendo a quebra de 19% registada no ano anterior. Empresas e entidades públicas concentraram 98,5% do valor, com destaque para os imóveis habitacionais, que somaram 126 milhões de euros, mais 14,3%, e para os industriais, que cresceram 63,4%, para 68 milhões de euros. Os imóveis comerciais recuaram 23,2%, para 118 milhões de euros.

Somando leasing mobiliário e imobiliário, o setor financiou investimentos de 1,5 mil milhões de euros, menos 1,1% do que no período homólogo.

Apesar da quebra na produção, a frota gerida pelas empresas de renting cresceu 6,8%, para 149.788 viaturas em circulação, avaliada em 3,3 mil milhões de euros, mais 9,9%. As viaturas elétricas de zero emissões representaram 28,4% das aquisições no renting, mais 3,3 pontos percentuais, e 21,6% da frota gerida.

“O primeiro semestre de 2026 mostra um setor com dinâmicas distintas. O Factoring e o Confirming reforçam o seu papel na gestão de tesouraria das empresas e o Leasing Imobiliário recupera, enquanto o Leasing Mobiliário e o Renting, apesar de um contexto de mercado mais exigente, continuam a desempenhar um papel relevante no financiamento da economia e na aceleração da transição para uma mobilidade de menores emissões”, afirmou o presidente da direção da ALF, Luís Augusto, citado em comunicado.

De acordo com o relatório estatístico anual de 2025 da Leaseurope, o mercado europeu de leasing e renting registou uma produção de 464 mil milhões de euros no ano passado, mais 3,2%, enquanto o cluster Mediterrâneo, que inclui Portugal, cresceu 7,0%. Em Portugal, o leasing e o renting financiaram 20% do investimento em equipamento e 4% do investimento imobiliário, a taxa mais elevada entre os países com dados reportados neste último segmento.

Bancos preveem apertar crédito a PME e de longo prazo e ligeira redução da procura por crédito à habitação até final do ano

27 October 2026 at 13:21
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Os bancos a operar em Portugal esperam uma ligeira diminuição da procura de empréstimos por parte dos particulares no quarto trimestre, tanto na habitação como no consumo e outros fins, segundo o Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito divulgado hoje pelo Banco de Portugal. O Banco de Portugal ressalva que “o questionário referente ao presente exercício foi enviado aos bancos no dia 21 de setembro de
2026 e o envio de respostas ocorreu até ao dia 6 de outubro. A avaliação da oferta e da procura refere-se ao terceiro trimestre de 2026 por comparação com o trimestre anterior. As expetativas referem-se ao quarto trimestre de 2026”.

No terceiro trimestre, a procura de crédito por parte dos particulares ficou praticamente inalterada. Na habitação, o nível geral das taxas de juro contribuiu ligeiramente para reduzir a procura, mas sem impacto no agregado.

Nas empresas, os bancos registaram uma diminuição da procura por parte das grandes empresas entre julho e setembro, justificada pelas menores necessidades de financiamento do investimento. Para o quarto trimestre, a avaliação das instituições é heterogénea, resultando, em média, numa ligeira descida da procura por parte das pequenas e médias empresas (PME) e dos empréstimos de longo prazo.

Critérios mais restritivos na habitação e no crédito a empresas

Do lado da oferta, os critérios de concessão de crédito às empresas não se alteraram no terceiro trimestre, mas ficaram ligeiramente mais restritivos nos empréstimos à habitação e, em menor grau, no crédito ao consumo e outros fins.

No segmento da habitação, os bancos apontam como fatores a alteração da Recomendação Macroprudencial do Banco de Portugal, a situação e as perspetivas do mercado imobiliário (incluindo a expectativa de evolução dos preços), a qualidade creditícia do mutuário e a tolerância ao risco. Quanto aos termos e condições, a maturidade tornou-se ligeiramente menos restritiva no crédito à habitação, mas a Recomendação Macroprudencial contribuiu para condições globalmente mais exigentes.

Nas empresas, a concorrência entre bancos levou a critérios ligeiramente menos restritivos, enquanto a perceção de risco associada a empresas ou setores específicos, em particular nas PME, pesou no sentido contrário. Os bancos reportaram ainda uma ligeira redução da restritividade nas taxas de juro, nos spreads dos empréstimos de risco médio e nas comissões. A proporção de pedidos de empréstimo rejeitados manteve-se inalterada.

Para o último trimestre do ano, os bancos antecipam critérios ligeiramente mais restritivos nos empréstimos a PME e de longo prazo, e nenhuma alteração nos particulares.

Acesso a financiamento deverá deteriorar-se

Nas questões ad hoc, as instituições indicam que o acesso às principais fontes de financiamento a retalho e por grosso não se alterou nos últimos três meses, mas preveem uma deterioração nos próximos três. O agravamento deverá incidir no financiamento através de dívida de médio e longo prazo, na titularização de empréstimos a empresas e à habitação e na capacidade de transferência de risco para fora do balanço.

Sobre as alterações à carteira de ativos de política monetária do BCE, os bancos reportam, nos últimos 12 meses, uma deterioração da posição de liquidez, com impacto no custo de financiamento e nas restrições de balanço, e uma ligeira melhoria da rendibilidade por via da margem financeira. Para os próximos 12 meses, preveem uma ligeira diminuição do total de ativos, devido à detenção de obrigações soberanas da área do euro, e nova deterioração do custo de financiamento. Não esperam impacto na política e no volume de crédito.

Ativos digitais sem impacto na banca portuguesa

O inquérito incluiu ainda uma questão sobre ativos digitais. Os bancos portugueses afirmam que os criptoativos, as stablecoins e os ativos tokenizados não tiveram impacto na sua situação financeira, na estratégia de negócio nem nos critérios de concessão de crédito nos últimos 12 meses, e não antecipam impacto nos próximos 12 meses.

Na área do euro, o cenário é diferente: os bancos, no conjunto, reportam um impacto positivo na estratégia de negócio, que esperam que seja bastante mais forte no próximo ano. Preveem ainda efeitos negativos no financiamento a retalho e critérios de concessão menos restritivos na habitação e, em menor grau, no consumo.

Segundo o Banco de Portugal, os dados prudenciais do segundo trimestre de 2026 indicam que a exposição a criptoativos é muito reduzida na generalidade dos bancos da área do euro, não ultrapassando 0,01% do total de ativos e 0,25% do capital Common Equity Tier 1 nos casos em que existe exposição.

O questionário foi enviado aos bancos a 21 de setembro e as respostas foram recebidas até 6 de outubro. A avaliação refere-se ao terceiro trimestre de 2026, por comparação com o trimestre anterior, e as expectativas ao quarto trimestre.

Banca da zona euro restringe condições para conceder crédito no 3.º trimestre, refere BCE

27 October 2026 at 13:00

Os bancos da zona euro restringiram ainda mais no terceiro trimestre os critérios de concessão de empréstimos às empresas e de créditos ao consumo devido ao aumento dos riscos e das taxas de juro, foi hoje anunciado.

O Banco Central Europeu (BCE) divulgou hoje a pesquisa sobre empréstimos bancários de outubro de 2026, que mostra que 9% dos bancos restringiram no terceiro trimestre os padrões de concessão de crédito às empresas, que são as diretrizes internas ou os critérios de aprovação de empréstimos, contra 7% no segundo trimestre.

Os bancos mantiveram neste período os critérios de concessão de empréstimos às famílias para a aquisição de habitação.

Além disto, 14% dos bancos disseram que restringiram os critérios de concessão de crédito ao consumo e outros empréstimos às famílias (contra 12% no segundo trimestre).

O BCE realizou a pesquisa com 159 bancos da zona euro entre 21 de setembro e 6 de outubro de 2026.

Alguns bancos também apontaram as pressões derivadas da incerteza geopolítica e da evolução do setor energético como motivo para restringir os critérios para conceder créditos.

Os critérios de concessão de crédito às empresas foram restringidos por 27% dos bancos em França e 6% das instituições bancárias na Alemanha, enquanto 11% dos bancos em Itália os flexibilizaram.

Na Alemanha, 4% dos bancos flexibilizaram os critérios de concessão de empréstimos para a habitação, enquanto estes foram mantidos em Espanha, França e Itália.

Além disso, os bancos na Alemanha mantiveram os critérios de concessão de crédito ao consumo, enquanto 38% dos bancos em França, 27% em Itália e 8% em Espanha os restringiram.

O BCE fez uma pergunta específica sobre os novos empréstimos para financiar a implementação ou o desenvolvimento da inteligência artificial (IA).

A maioria dos bancos ainda não incorporou critérios específicos para avaliar os empréstimos relacionados com a IA.

Um número reduzido de bancos disse que tem cada vez mais em conta a IA e os riscos associados e que submetem a um escrutínio mais rigoroso as empresas do setor tecnológico.

No quarto trimestre, os bancos preveem restringir ainda mais os critérios de concessão de crédito às empresas, dos empréstimos destinados à habitação e ao consumo para os níveis mais elevados desde o terceiro trimestre de 2023.

Além disso, os bancos rejeitaram mais pedidos de empréstimos em todos os grupos, mas principalmente no do crédito ao consumo.

No terceiro trimestre, a procura de crédito das empresas e das famílias caiu, tanto para comprar uma casa como para consumo, devido ao aumento das taxas de juro.

Da mesma forma, as empresas investem menos em ativos fixos e recorrem a fontes de financiamento alternativas.

A incerteza geopolítica e energética também trava a procura de empréstimos corporativos.

Vários bancos disseram que preveem um aumento gradual, mas sustentado, da procura de crédito destinada a financiar infraestruturas digitais, em concreto centros de dados.

Os bancos assinalaram que os seus empréstimos vinculados à IA se direcionarão mais provavelmente a fornecedores de infraestruturas do que para desenvolvimentos de ‘software’ ou a empresas que adotem aquela tecnologia, acrescenta o BCE.

Juros da dívida sobem a dois, a cinco e a 10 anos

27 October 2026 at 09:40

Os juros da dívida portuguesa subiam hoje a dois, a cinco e a 10 anos face a segunda-feira, alinhados com os de Itália, enquanto os da Alemanha desciam no prazo mais longo.

Às 08:45 em Lisboa, os juros a 10 anos avançavam para 3,876%, contra 3,865% na segunda-feira.

Os juros a cinco anos também subiam, para 3,455%, contra 3,446%.

No mesmo sentido, os juros a dois anos avançavam, para 3,172%, contra 3,166% na véspera.

Os juros de Espanha recuavam a dois anos e avançavam a cinco e a 10 anos, enquanto os da Grécia desciam a dois e cinco anos e subiam a 10 anos.

Os juros da obrigação a 10 anos da Alemanha, considerada a mais segura da Europa, desciam, para 3,358%, contra 3,366%, enquanto os de França se moderavam, para 4,942%, contra 4,900%.

O prémio de risco de França, o diferencial dos juros a 10 anos em relação aos da Alemanha, também descia, para cerca de 160 pontos base, depois de ter atingido máximos dos últimos 15 anos na semana passada, e mantinha-se acima dos de Itália, Espanha, Grécia e Portugal.

Os juros da dívida dos EUA subiam, para 4,992%, contra 4,989% na véspera.

Juros da dívida soberana em Portugal, Espanha, Grécia e Itália às 08:45:

2 anos…5 anos…10 anos

Portugal

27/10…….3,172…3,455…..3,876

26/10…….3,166…3,446…..3,865

Espanha

27/10…….3,235…3,520…..4,005

26/10…….3,236…3,518…..3,998

Grécia

27/10…….3,228…3,753…..4,326

26/10…….3,242…3,756…..4,311

Itália

27/10…….3,511….3,984…..4,511

26/10…….3,507….3,970…..4,487

Fonte: Bloomberg Valores de ‘bid’ (juros exigidos pelos investidores para comprarem dívida) que compara com fecho da última sessão.

BCP: lucro do Bank Millennium sobe 30% nos primeiros nove meses

27 October 2026 at 08:07

O Banco Comercial Português (BCP) informou esta terça-feira 27 de outubro que o Bank Millennium, unidade polaca em que detém 50,1% do capital e que consolida integralmente, registou um lucro líquido de 1.109 milhões de zlótis (259,7 milhões de euros) nos primeiros nove meses de 2026, um aumento de 30% face aos 855 milhões de zlótis (cerca de 200 milhões de euros) do período homólogo.

O BCP atribuiu a evolução positiva à resiliência da margem financeira após a redução significativa das taxas de mercado, ao crescimento das comissões, à manutenção de disciplina de custos e à redução dos encargos com créditos hipotecários denominados em moeda estrangeira, apesar do aumento significativo da taxa efetiva de imposto.

Os custos antes de impostos associados aos créditos hipotecários em moeda estrangeira (francos suíços) caíram 63% nos primeiros nove meses de 2026 face ao período homólogo, mas continuaram a condicionar os resultados do Bank Millennium.

A margem financeira caiu 1% em termos homólogos, embora tenha subido 7% face ao segundo trimestre de 2026. A margem financeira líquida (NIM) fixou-se em 3,54%, contra 4,10% nos primeiros nove meses de 2025. As comissões líquidas aumentaram 9%, os custos operacionais subiram 7%, os proveitos core mantiveram-se estáveis e o resultado operacional recuou 3%.

O rácio de crédito com imparidade (Stage 3) situou-se em 3,6%, contra 4,2% no período homólogo, enquanto o custo do risco foi de 37 pontos base. O rácio de loans-to-deposits estava em 58% em setembro de 2026.

Em termos de capital, o rácio CET1 fixou-se em 13,7% em setembro, o Tier 1 em 16,1% e o rácio de capital total em 20,6%, apoiados pela emissão de AT1 de 1,5 mil milhões de zlótis (cerca de 351 milhões de euros) realizada em janeiro de 2026, por uma emissão subordinada Tier 2 de 500 milhões de euros em maio e pela continuação da geração orgânica de capital.

A carteira de crédito aumentou 11% face ao período homólogo e os depósitos totais de clientes também cresceram 11%, com os recursos fora de balanço a subirem 21%. A nova produção de crédito registou aumentos de 26% no crédito pessoal, 224% no crédito hipotecário, 25% no crédito a empresas e 22% tanto no leasing como no factoring.

No retalho, o número de clientes particulares ativos ultrapassou 3,39 milhões, mais 160 mil do que no período homólogo, com mais de 3,2 milhões de clientes digitais ativos e 95% dos clientes ativos a utilizarem canais digitais. Os depósitos de particulares aumentaram 14% e o crédito a particulares 5%. Nos clientes empresariais, os depósitos de empresas e setor público subiram 3%, o crédito aumentou 25%, os outros créditos e factoring cresceram 33% e o negócio de leasing avançou 11%.

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