Europa fecha em baixa pressionada por tecnologia e energia. PSI recua com tombo do BCP
As ações europeias encerraram em território negativo nesta sexta-feira, 30 de outubro, com os investidores a digerirem uma nova vaga de resultados dececionantes no setor tecnológico e a escalada dos preços do petróleo, num clima de crescente tensão geopolítica.
Em Lisboa, o índice PSI acompanhou a tendência europeia e fechou a cair 0,47%, para 9.276,13 pontos, com 11 dos seus 16 títulos em terreno negativo. A sessão foi marcada por uma correção generalizada, com o BCP a liderar as perdas ao recuar 2,49% para 1,0775 euros, depois de várias casas de investimento terem revisto as suas avaliações.
O Oddo BHF e o UBS subiram o preço-alvo do BCP e veem as ações do banco a valorizar até 24,9%. Já a AlphaValue cortou o preço-alvo para 0,80 euros e manteve a recomendação de “vender”, o que traduz uma descida de 27,6%.
A Mota-Engil também esteve sob pressão, cedendo 1,99% para 4,522 euros, enquanto a EDP Renováveis desvalorizou 1,03% para 12,50 euros. Do lado dos ganhos, a NOS destacou-se com uma subida de 2,36% para 5,21 euros, num movimento contrário ao mercado, e a Jerónimo Martins valorizou 0,93% para 18,46 euros. A Galp conseguiu terminar em alta de 0,63% para 20,78 euros, beneficiando diretamente da subida do crude.
No resto da Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 0,38%, para 646,64 pontos. O EuroStoxx 50, que agrega as maiores empresas da zona euro, foi o mais penalizado, ao cair 1,23% para 6.131,02 pontos.
Entre os principais índices, o alemão DAX perdeu 0,85% para 25.818,75 pontos, arrastado pelo mau desempenho de pesos-pesados como a Siemens Energy e a Infineon. O italiano FTSE MIB encerrou com uma queda de 1% para 49.500 pontos, interrompendo uma série de cinco sessões consecutivas de ganhos. O espanhol IBEX 35 caiu 1,09% para 18.652,90 pontos. Já o FTSE 100 britânico conseguiu escapar à correção e fechou praticamente inalterado, com uma ligeira subida de 0,07% para 10.729,78 pontos, enquanto o francês CAC 40 recuou 0,01% para 7.969,42 pontos.
O ambiente de aversão ao risco foi alimentado por uma verdadeira “razia tecnológica” do outro lado do Atlântico. Os investidores procuraram refúgio em setores mais defensivos, como o farmacêutico e o alimentar, depois de resultados fracos da Intel e da Amazon terem gerado um pessimismo generalizado no setor. Este sentimento transbordou para a Europa, penalizando fortemente as cotadas ligadas à tecnologia e semicondutores.
No mercado de energia, os preços do petróleo registam fortes subidas, com o Brent do Mar do Norte a negociar acima dos 117 dólares por barril e o WTI a superar os 103 dólares. Esta subida foi impulsionada pela escalada das tensões geopolíticas. A Ucrânia retomou os ataques com drones contra refinarias russas, atingindo três instalações e um complexo químico, no que constitui o maior ataque desde a trégua energética anunciada unilateralmente por Donald Trump.
Entretanto, a Rússia deverá manter a sua proibição de exportação de diesel, prolongando as restrições que já vigoram para os produtores até 31 de outubro, num esforço para estabilizar o mercado interno e que continua a limitar a oferta global.
Esta sexta-feira começa a reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros do G20 em Atlanta, que decorre até 31 de outubro, e onde os conflitos na Ucrânia e as tensões no Médio Oriente dominam as discussões.
No mercado obrigacionista, a procura por ativos de refúgio levou a um alívio nas yields das principais dívidas soberanas. A yield das Bunds alemãs a 10 anos recuou 1,6 pontos base para 3,355%, enquanto a dívida portuguesa a 10 anos se manteve em 3,834%.
Em França, a OAT a 10 anos subiu para 4,95%, pressionada pela subida do petróleo.
Nos Estados Unidos, a yield do Treasury a 10 anos caiu 8,5 pontos base para 4,902%, o valor mais baixo em sete semanas.
Num comentário ao fecho do dia, o Millennium investment banking destacou que “a razia tecnológica arrasta as bolsas e os investidores procuram refúgios”, sublinhando a rotação para setores defensivos e a pressão sentida pelos principais índices europeus.
