❌

Normal view

Europa fecha em baixa pressionada por tecnologia e energia. PSI recua com tombo do BCP

30 October 2026 at 17:12

As ações europeias encerraram em território negativo nesta sexta-feira, 30 de outubro, com os investidores a digerirem uma nova vaga de resultados dececionantes no setor tecnológico e a escalada dos preços do petróleo, num clima de crescente tensão geopolítica.

Em Lisboa, o índice PSI acompanhou a tendência europeia e fechou a cair 0,47%, para 9.276,13 pontos, com 11 dos seus 16 títulos em terreno negativo. A sessão foi marcada por uma correção generalizada, com o BCP a liderar as perdas ao recuar 2,49% para 1,0775 euros, depois de várias casas de investimento terem revisto as suas avaliações.

O Oddo BHF e o UBS subiram o preço-alvo do BCP e veem as ações do banco a valorizar até 24,9%. Já a AlphaValue cortou o preço-alvo para 0,80 euros e manteve a recomendação de “vender”, o que traduz uma descida de 27,6%.

A Mota-Engil também esteve sob pressão, cedendo 1,99% para 4,522 euros, enquanto a EDP Renováveis desvalorizou 1,03% para 12,50 euros. Do lado dos ganhos, a NOS destacou-se com uma subida de 2,36% para 5,21 euros, num movimento contrário ao mercado, e a Jerónimo Martins valorizou 0,93% para 18,46 euros. A Galp conseguiu terminar em alta de 0,63% para 20,78 euros, beneficiando diretamente da subida do crude.

No resto da Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 0,38%, para 646,64 pontos. O EuroStoxx 50, que agrega as maiores empresas da zona euro, foi o mais penalizado, ao cair 1,23% para 6.131,02 pontos.

Entre os principais índices, o alemão DAX perdeu 0,85% para 25.818,75 pontos, arrastado pelo mau desempenho de pesos-pesados como a Siemens Energy e a Infineon. O italiano FTSE MIB encerrou com uma queda de 1% para 49.500 pontos, interrompendo uma série de cinco sessões consecutivas de ganhos. O espanhol IBEX 35 caiu 1,09% para 18.652,90 pontos. Já o FTSE 100 britânico conseguiu escapar à correção e fechou praticamente inalterado, com uma ligeira subida de 0,07% para 10.729,78 pontos, enquanto o francês CAC 40 recuou 0,01% para 7.969,42 pontos.‌

O ambiente de aversão ao risco foi alimentado por uma verdadeira “razia tecnológica” do outro lado do Atlântico. Os investidores procuraram refúgio em setores mais defensivos, como o farmacêutico e o alimentar, depois de resultados fracos da Intel e da Amazon terem gerado um pessimismo generalizado no setor. Este sentimento transbordou para a Europa, penalizando fortemente as cotadas ligadas à tecnologia e semicondutores.‌

No mercado de energia, os preços do petróleo registam fortes subidas, com o Brent do Mar do Norte a negociar acima dos 117 dólares por barril e o WTI a superar os 103 dólares. Esta subida foi impulsionada pela escalada das tensões geopolíticas. A Ucrânia retomou os ataques com drones contra refinarias russas, atingindo três instalações e um complexo químico, no que constitui o maior ataque desde a trégua energética anunciada unilateralmente por Donald Trump.

Entretanto, a Rússia deverá manter a sua proibição de exportação de diesel, prolongando as restrições que já vigoram para os produtores até 31 de outubro, num esforço para estabilizar o mercado interno e que continua a limitar a oferta global.

Esta sexta-feira começa a reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros do G20 em Atlanta, que decorre até 31 de outubro, e onde os conflitos na Ucrânia e as tensões no Médio Oriente dominam as discussões.

No mercado obrigacionista, a procura por ativos de refúgio levou a um alívio nas yields das principais dívidas soberanas. A yield das Bunds alemãs a 10 anos recuou 1,6 pontos base para 3,355%, enquanto a dívida portuguesa a 10 anos se manteve em 3,834%.

Em França, a OAT a 10 anos subiu para 4,95%, pressionada pela subida do petróleo.

Nos Estados Unidos, a yield do Treasury a 10 anos caiu 8,5 pontos base para 4,902%, o valor mais baixo em sete semanas.

Num comentário ao fecho do dia, o Millennium investment banking destacou que “a razia tecnológica arrasta as bolsas e os investidores procuram refúgios”, sublinhando a rotação para setores defensivos e a pressão sentida pelos principais índices europeus.

Ativo do dia. Intel afunda 30% e vai a caminho da pior sessão de sempre

30 October 2026 at 15:20

O ativo

Intel. Tem sido uma semana trágica para o setor tecnológico perante a catadupa de resultados desapontantes. Esta quinta-feira foi a vez de a fabricante de chips para computadores desiludir os investidores com previsões que ficaram aquém do esperado.

Todo o setor tecnológico está a ser contagiado por causa dos receios em relação aos pesados investimentos na Inteligência Artificial.

O marco

As ações da Intel derrapam 29% para cerca de 66,3 dólares no arranque da sessão em Wall Street e vão a caminho da pior sessão da história da empresa. O mau desempenho está a contagiar as outros fabricantes de chips como a AMD, Qualcomm, Broadcom, que cedem entre 2% e 10%.

O índice tecnológico Nasdaq cai mais de 2% em novo dia de pressão vendedora, depois do tombo de 500 mil milhões de dólares da Alphabet na véspera.

A causa

Os investidores já estavam escaldados com as contas que a dona da Google tinha apresentado na quarta-feira: pela segunda vez desde que se estreou na bolsa em 2004 registou um fluxo de caixa negativo e as pesquisas em ‘modo IA’ começam a canibalizar o negócio de publicidade do mais popular motor de busca.

Esta quinta-feira foi a vez da Intel. Embora o lucro e as receitas tenham superado as estimativas dos analistas, a empresa apresentou perspetivas de evolução do negócio desapontantes para o quarto trimestre, com a retração no mercado de computadores pessoais a criar dúvidas sobre a capacidade de investimento em IA.

A Intel prevê receitas para o quarto trimestre entre 15 mil milhões e 16 mil milhões de dólares, abaixo da estimativa média dos analistas de 17,07 mil milhões de dólares, segundo dados compilados pela LSEG.

O diretor financeiro, David Zinsner, afirmou ainda que a Intel não espera um cash flow positivo este ano. “Vemos a desaceleração dos PCs continuando pelo menos até o primeiro semestre do próximo ano”, assumiu aos analistas.

Várias casas de investimento já cortaram o preço-alvo do título.

O que esperar a seguir

“O mercado está num clima de ‘vender primeiro, perguntar depois’, e o alerta da Intel deu aos investidores uma desculpa fácil para realizar lucros em ações de empresas de semicondutores”, resume Matt Britzman, analista sénior de ações da Hargreaves Lansdown, citado pela Reuters.

A temporada de resultados tem sido fraca e ainda vai a meio. A próxima semana poderá ajudar a definir o sentimento dos investidores, com Apple e Palantir a apresentarem contas logo na segunda-feira, seguindo-se a AMD na terça e Qualcomm na quarta.

A Nvidia, fabricante-rei dos chips e maior empresa cotada do mundo, só anunciará os resultados no dia 17.

A frase

Acreditamos que o mercado está a punir o problema certo com o horizonte temporal errado. Os PCs vão recuperar. O crescimento de 78% nos centros de dados e de 58% nas fundições são o futuro desta empresa. Uma queda de 20% é a má notícia. Não está a precificar a recuperação.

Nicholas Mugalli

Analista da World Trade Securities

“Non, je ne regrette rien”: sete anos de Lagarde no BCE entre pandemia, guerras e inflação

30 October 2026 at 14:23

A antiga ministra das Finanças francesa e líder do Fundo Monetário Intercional (FMI) chegou a Frankfurt em 2019 sem grande experiência em política monetária e em bancos centrais – o que rapidamente levou o mercado a desconfiar da sua capacidade. Sabia tão pouco da instituição que mais tarde chegou a confessar que aceitou o cargo pensando que a presidência do Banco Central Europeu (BCE) era de cinco anos, e não de oito.

Se havia dúvidas sobre a sua liderança, pouco meses depois de ter entrado em funções no dia 1 de novembro, substituindo Mario Draghi, Christine Lagarde, agora com 70 anos, teve o primeiro…

Este artigo é exclusivo para assinantes

Assine o ECO Premium e continue a ler esta e todas as notícias exclusivas, sem limites.

Assinar ECO Premium e continuar a ler

Já é assinante? Iniciar sessão

Ver todos os planos

PSI segue no ‘vermelho’, penalizado pelo BCP

30 October 2026 at 12:20

A bolsa de Lisboa segue no ‘vermelho’ a meio da sessão, com uma descida de 0,42% para 9.280,40 pontos.

O BCP perde 2,04% para 1,0825 euros, seguido da Navigator que desce 1,56% para 3,030 euros. A Mota-Engil derrapa 1,39% para 4,550 euros, a EDP Renováveis desliza 1,11% para 12,49 euros e a Semapa recua 0,10% para 19,84 euros.

Em contraciclo, a Jerónimo Martins sobe 1,37% para 18,54 euros, a NOS ganha 1,08% para 5,145 euros, a Sonae aumenta 0,48% para 2,1150 euros, a REN soma 0,42% para 3,605 euros e a Galp avança 0,29% para 20,71 euros.

As principais praças europeias negoceiam em terreno negativo, com o DAX a perder 0,84% para 25.939,00 pontos, o CAC40 recua 0,02% para 7.968,28 pontos e o Ibex35 desce 0,78% para 18.710,06 pontos.

O analista de mercados do Millennium Investment Banking, Ramiro Loureiro, afirma que “a maioria das bolsas europeias segue em baixa, contagiada pelo ambiente muito negativo do setor tecnológico em Wall Street. Isto porque ontem após o fecho de mercado a Intel desiludiu no Outlook e revelou um trimestre impactado pelo fraco mercado de PCs, gerando um tombo superior a 20% das suas ações no after hours. A Amazon também reagiu em queda expressiva às contas, perante indicação de gastos de capital maiores do que o previsto e o crescimento mais lento em três anos no seu principal negócio de comércio eletrónico”.

“As criptomoedas são afetadas pelo ataque de um hacker à Binance, o maior da história do setor, que afetou $6,3 mil milhões em fundos e levou ao congelamento $3 mil milhões em criptos como forma de proteção contra o ataque. A subida dos preços do petróleo são outra condicionante, no dia em que se aguarda pela indicação de inflação na Alemanha. No seio empresarial de destacar as respostas positivas às contas de UMG, Puma, Sanofi e Scor”, refere.

No mercado do petróleo o texano WTI ganha 1,85%, fixando o preço do barril nos 103,91 dólares e o Brent sobe 2,08% para 113,09 dólares. O gás natural perde 1,63% para 2,904 dólares.

No mercado cambial o euro valoriza 0,10% face ao dólar, fixando-se nos 1,1192 dólares.

Da falida Mt. Gox até à Binance. Os maiores ciberataques de sempre nas criptomoedas

30 October 2026 at 12:29

A bolsa de criptomoedas Binance sofreu esta quinta-feira um ciberataque que está a ser descrito como o maior de sempre nas moedas virtuais, que resultou num prejuízo estimado em 6,3 mil milhões de dólares (cerca de 5,6 mil milhões de euros) e levou ao congelamento de mais de 2,5 mil milhões de dólares (cerca de 2,25 mil milhões de euros) de forma a evitar a retirada de fundos pelos hackers.

A maior plataforma digital de criptomoedas do mundo vai-se chegar à frente para cobrir “todas as perdas decorrentes do ataque”, que teve uma magnitude quatro vezes superior ao da Bybit, em fevereiro de 2025. Nos últimos 15 anos, este setor sofreu uma série de furtos, continuando a levantar questões sobre a segurança do dinheiro dos clientes.

Segundo a agência Reuters, os ciberataques evidenciam as vulnerabilidades da blockchain e das finanças descentralizadas, na qual os utilizadores emprestam, pedem e depositam tokens digitais e contornam os intermediários tradicionais do sistema financeiro, como bancos e empresas de trading.

O especialista em cibersegurança Georgy Kucherin, investigador sénior na Kaspersky, diz que ainda não se pode excluir a hipótese de terem sido exploradas vulnerabilidades. “Estes incidentes mostram que as plataformas de negociação de criptomoedas não estão imunes a ciberataques. Podem ser comprometidas através de diversos vetores, e tanto os sistemas internos como as dependências externas podem servir de superfícies de ataque”, afirma o analista, lembrando que ainda na quarta-feira os utilizadores da Polymarket foram afetados por um ataque.

O portátil de um engenheiro informático terá sido o ponto de entrada dos cibercriminosos na Binance. A maioria dos fundos foi transferida em cerca de 20 minutos.

O investigador da Kaspersky explica que o portátil comprometido de um engenheiro de desenvolvimento e operações (DevOps) da Binance poderá ter permitido a um atacante aceder a um sistema de serviço e submeter transações de levantamento não autorizadas.

Para a empresa de cibersegurança Check Point Software, o “incidente evidencia a necessidade de proteger toda a cadeia de autorização de operações”, desde os equipamentos dos trabalhadores com acessos privilegiados até aos serviços que validam e executam as suas instruções. “O ataque à Binance terá permitido desviar entre 6,3 e 6,36 mil milhões de dólares em criptoativos através de dez redes blockchain. Segundo a TRM Labs, a maioria dos fundos foi transferida em cerca de 20 minutos”, revela a tecnológica norte-americana.

Quais os maiores ciberataques a plataformas de criptomoedas?

  • Fevereiro de 2025 – A bolsa de criptomoedas Bybit, corretora de criptomoedas, registou 1,5 mil milhões de dólares (cerca de 1,3 mil milhões de euros à cotação atual) em tokens digitais furtados. As criptomoedas foram retiradas de uma “carteira fria” (wallet geralmente armazenada offline e, portanto, supostamente mais segura) que era utilizada para tokens Ether.
  • Março de 2022 – A rede Ronin Network, que permite a transferência de criptomoedas entre diferentes blockchains, sofreu um furto de aproximadamente 540 milhões de dólares (na ordem dos 482 milhões de euros) de um projeto blockchain ligado ao jogo online Axie Infinity. Os hackers roubaram cerca de 173.600 tokens Ether e 25,5 milhões de tokens USD Coin (USDC).
  • Fevereiro de 2022 – A Wormhole, uma plataforma de finanças descentralizadas que movimenta ativos, dados e aplicações através de mais de 45 blockchains, teve um assalto de 320 milhões de dólares (286 milhões de euros) em que os hackers roubaram 120 mil tokens digitais ligados à segunda maior criptomoeda do mundo, a Ether. A norte-americana Jump Trading, que no ano anterior havia comprado a empresa por detrás da Wormhole, depois repôs os fundos.
  • Agosto de 2021 – A rede Poly Network, que agiliza transações de tokens, sofreu um ataque a 610 milhões de dólares (545 milhões de euros), embora os cibercriminosos depois tivessem devolvido quase todos os fundos.
  • Janeiro de 2018 – A corretora Coincheck, com sede em Tóquio, sofreu um assalto a uma das “carteiras quentes” (carteira armazenada online) com o objetivo de drenar os fundos, culminando em 530 milhões de dólares (473 milhões de euros) impactados. À data, a Coreia do Sul culpou um grupo de hackers norte-coreanos.
  • 2011-2014 – Também de Tóquio, a bolsa de criptomoedas Mt. Gox foi alvo de um dos primeiros e mais mediáticos ataques informáticos neste mundo das moedas digitais. Ao longo de três anos, foram furtadas bitcoins no valor de quase 500 milhões de dólares (447 milhões de euros). A Mt. Gox, que chegou a processar cerca de 80% das transações globais de bitcoin, declarou insolvência no início de 2014, após o ciberataque no qual aproximadamente 24 mil clientes perderam acesso ao seu dinheiro.

Euribor termina outubro com média inalterada a 3 meses, a subir a 6 e a cair a 12 meses

30 October 2026 at 11:56
euribor a 6 meses

A taxa Euribor subiu hoje a três e seis meses e desceu a 12 meses face a quinta-feira, terminando outubro com a média mensal inalterada no prazo mais curto, a avançar no intermédio e a descer no mais longo.

A média mensal da Euribor em outubro manteve-se em 2,635% a três meses e subiu 0,053 pontos para 2,975% a seis meses. Já a média da Euribor a 12 meses desceu 0,008 pontos para 3,239% em outubro.

A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, avançou hoje ao ser fixada em 2,992%, mais 0,019 pontos percentuais que na quinta-feira.

Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a agosto indicam que a Euribor a seis meses representava 40,3% do ‘stock’ de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.

Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,03% e 24,27%, respetivamente.

No prazo de 12 meses, a taxa Euribor recuou hoje, para 3,306%, menos 0,002 pontos que na véspera.

A Euribor a três meses avançou hoje, ao ser fixada em 2,676%, mais 0,033 pontos.

Como esperado, o Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas diretoras na quinta-feira e, segundo o mercado, adiou a subida das mesmas para a última reunião de política monetária deste ano, que se realiza em Frankfurt em 16 e 17 de dezembro.

Em 10 de setembro, também como esperado pelos mercados, o BCE subiu as taxas diretoras, em 25 pontos base, depois de as ter mantido em julho.

Em junho, pela primeira vez desde setembro de 2023, o BCE tinha subido as taxas diretoras, designadamente 25 pontos base, depois de as manter em abril, pela sétima reunião consecutiva e de oito reduções desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.

As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 21 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.

Inscrição automática em fundos de pensões “é o mais desafiante”, diz secretário de Estado do Orçamento

O Governo está a olhar para a recomendação vinda de Bruxelas sobre a poupança para a reforma enquanto aguarda a proposta que o supervisor dos fundos de pensões está a preparar, assinala o secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, José Maria Brandão de Brito. Mas admite que é preciso que haja incentivos fiscais e participação das empresas.

Juros da dívida sobem a dois, a cinco e a 10 anos

30 October 2026 at 08:44

Os juros da dívida portuguesa subiam hoje a dois, a cinco e a 10 anos face a quinta-feira, alinhados com os de Espanha, Grécia e Itália, e em sentido contrário aos da Alemanha no prazo mais longo.

Às 08:30 em Lisboa, os juros a 10 anos avançavam para 3,834%, contra 3,823% na quinta-feira.

Os juros a cinco anos também subiam, para 3,412%, contra 3,400%.

No mesmo sentido, os juros a dois anos avançavam, para 3,130%, contra 3,114% na véspera.

Em sentido contrário, os juros da obrigação a 10 anos da Alemanha, considerada a mais segura da Europa, caíam, para 3,350%, contra 3,354%.

Juros da dívida soberana em Portugal, Espanha, Grécia e Itália às 08:30:

2 anos…5 anos…10 anos

Portugal

30/10…….3,130…3,412…..3,834

29/10…….3,114…3,400…..3,823

Espanha

30/10…….3,194…3,493…..3,981

29/10…….3,179…3,474…..3,966

Grécia

30/10…….3,199…3,746…..4,323

29/10…….3,171…3,707…..4,288

Itália

30/10…….3,550….4,059…..4,529

29/10…….3,507….4,017…..4,497

Fonte: Bloomberg Valores de ‘bid’ (juros exigidos pelos investidores para comprarem dívida) que compara com fecho da última sessão.

Banco do Japão decide manter taxa de juro em 1,25%

30 October 2026 at 08:00
Japão

O Banco do Japão (BoJ) decidiu hoje manter a taxa de juro de referência de curto prazo em 1,25%, o nível mais elevado em quase 31 anos no país asiático.

Na reunião de dois dias dedicada à política monetária, o BoJ optou por não alterar a taxa, depois de a ter aumentado de 1% para 1,25% em setembro, num contexto de insistência dos Estados Unidos para que o Japão demonstre aos mercados o seu compromisso com a sustentabilidade orçamental e com a subida das taxas de juro.

Por uma maioria de oito votos contra um, o banco central nipónico manteve as taxas inalteradas, considerando que a inflação subjacente se encontra, de forma geral, num nível compatível com o objetivo de estabilidade de preços de 2%.

Perante este cenário, o banco central reiterou que manterá a orientação de aumento gradual das taxas de juro e ajustará a política monetária em função da evolução da atividade económica, dos preços e das condições financeiras.

No entanto, no relatório de perspetivas económicas divulgado hoje, o BoJ alertou para o risco da inflação subjacente ultrapassar a meta de 2%, devido à crescente disponibilidade das empresas para aumentarem salários e preços, bem como a outros fatores suscetíveis de impulsionar a inflação.

Segundo dados divulgados na semana passada pelo Governo japonês, a inflação homóloga, excluindo os produtos alimentares frescos, aumentou para 2,1% em setembro, face aos 1,7% registados em agosto, situando-se ligeiramente acima do objetivo de 2% definido pelo banco central.

O BoJ considerou que a economia japonesa continuará a crescer moderadamente, embora a um ritmo mais lento, apoiada pelas medidas governamentais para responder ao aumento dos custos da energia provocado pelo conflito no Médio Oriente e pelo crescimento da procura mundial associada à inteligência artificial (IA).

Além disso, o banco central do país anunciou que irá acelerar a partir de janeiro de 2027 o ritmo de venda dos fundos negociados em bolsa, acumulados durante os programas de estímulo monetário como parte dos esforços para reduzir gradualmente a carteira destes ativos. A medida foi aprovada por unanimidade pelos membros da comissão de política monetária.

A decisão do BoJ surge depois de na quarta-feira a Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos ter optado igualmente por manter as taxas de juro inalteradas, no intervalo entre 3,75% e 4%. O Banco Central Europeu (BCE) também manteve esta quinta-feira as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de depósito, às operações principais de refinanciamento e à facilidade permanente de cedência de liquidez em, respetivamente, 2,5%, 2,65% e 2,9%.

Binance sofre maior ciberataque de sempre nas criptomoedas

By: Lusa
30 October 2026 at 07:56

A plataforma de negociação de criptomoedas Binance informou esta quinta-feira que foi alvo de um ciberataque massivo, que está a ser descrito como o maior de sempre nas moedas virtuais, e que congelou mais de 2,5 mil milhões de dólares (cerca de 2,25 mil milhões de euros) para evitar a retirada indevida de fundos.

A empresa garantiu que os fundos depositados pelos clientes na sua plataforma estão “totalmente seguros”, embora vários especialistas tenham reportado desvios de montantes colossais. A Binance informou ainda que suspendeu as transações de determinados produtos.

As negociações na bolsa de cripto foram suspensas, depois de hackers alegadamente ligados à Coreia do Norte terem roubado mais de 6 mil milhões de dólares, segundo o Axios. O portal de notícias contextualiza que este ataque ocorre após uma vaga de invasões cibernéticas e violações de dados de alto nível durante o “Outubro Negro”, quando uma série de incidentes de segurança e falhas descobertas pela inteligência artificial desencadearam receios de uma crise global.

“Isto parece ser um ciberataque à Binance”, comentou na rede social X Changpeng Zhao, antigo chefe executivo da plataforma, que, embora já não ocupe cargos operacionais, se mantém como acionista maioritário do grupo.

Tweet from @cz_binance

O presidente executivo da Tether, empresa emissora da criptomoeda USDT, a terceira maior moeda digital em volume em circulação (cerca de 180 mil milhões de dólares), anunciou o congelamento de aproximadamente 1,6 mil milhões de dólares em ativos, “em ligação com um possível ataque” à Binance.

Já o diretor-geral da Circle, responsável pela criptomoeda USDC, indicou o bloqueio de cerca de 800 milhões de dólares. Jeremy Allaire, chefe executivo da Circle, esclareceu que a medida foi tomada em coordenação com as autoridades.

Tanto o USDT como o USDC são stablecoins, moedas digitais cujo valor está ligado a uma moeda tradicional, neste caso, o dólar.

Durante várias horas, antes de a Binance confirmar o ataque por volta das 23:30 de quinta-feira, vários especialistas já tinham afirmado que hackers tinham invadido a plataforma.

Alguns descreveram o episódio como o ataque mais grave alguma vez perpetrado no mundo das criptomoedas, com um montante superior aos 1,5 mil milhões de dólares subtraídos em fevereiro de 2025 à plataforma Bybit, uma ação atribuída a hackers ligados à Coreia do Norte.

Neste contexto, a cotação da bitcoin recuou de forma acentuada. Por volta das 23:35 de quinta-feira, a criptomoeda registava uma queda de 3,41%, sendo transacionada a 78.492 dólares. Esta sexta-feira, pelas 7h45 (hora de Lisboa), a a moeda virtual mais famosa do mundo desvalorizava 2,08% para 78,114.10 dólares cada.

PIB e inflação de Portugal, da Zona Euro e 3 outras coisas que precisa de saber para começar o dia

O INE vai divulgar esta sexta-feira os dados do crescimento do PIB e a evolução da inflação. O mesmo acontece na Zona Euro e em vários países da Europa. Os investidores vão ainda reagir aos resultados da Amazon e às contas da Exxon, da Chevron e da BP.

Euribor cede mas prestação da casa volta a subir em novembro

30 October 2026 at 06:37

As taxas Euribor cederam ligeiramente em outubro. Ainda assim, não será o suficiente para fazer a prestação da casa cair. Os encargos com o crédito à habitação vão voltar a subir no próximo mês. Os aumentos devem chegar aos 90 euros para um empréstimo de 150 mil euros a 30 anos.

As famílias estão a ser pressionadas com o aumento do custo de vida praticamente desde o início do ano. A taxa de inflação avançou para os 3,6% em setembro, com os preços a serem fortemente impulsionados pela energia e pela guerra sem fim à vista no Irão. Mas, além da subida dos preços dos bens que consumimos no dia-a-dia, outro fator tem condicionado cada vez mais o orçamento familiar: a casa.

Outubro trouxe uma relativa estabilização das Euribor, depois da forte subida registada em setembro. A média mensal destas taxas interbancárias desceu mesmo a três e 12 meses – no prazo mais curto marcou-se inclusivamente primeira descida desde janeiro, antes do conflito no Médio Oriente.

Boas notícias para quem tem crédito da casa? Sim. Mas os contratos cujas condições forem revistas em novembro ainda vão sofrer agravamentos nas prestações por conta da evolução das Euribor nos últimos meses e, essas sim, acumulam subidas face à última vez que os contratos foram atualizados.

Vamos às contas. Para um crédito de 150 mil euros a 30 anos e com um spread de 1%:

  • Euribor a três meses: a prestação a pagar nos próximos três meses subirá 17,39 euros (2,6%) para mais de 684,7 euros;
  • Euribor a seis meses: a prestação que vai pagar nos próximos seis meses deverá superar os 713,9 euros, uma subida de 44,17 euros em relação à prestação que pagava desde maio;
  • Euribor a 12 meses: a prestação que vai pagar nos próximos 12 meses ascenderá a 736,6 euros, mais 89 euros face à prestação que pagou no último ano.

Para o ajudar a calcular a prestação do seu crédito à habitação, o ECO preparou um simulador. Faça as contas para o seu caso.

Tenho um crédito à habitação no valor de euros, contratualizado por um prazo de anos, indexado à Euribor a 12 meses (que há um ano estava nos % ), com um spread de %. A prestação da casa que pago atualmente é de 308 euros, mas caso a Euribor a 12 meses passe para %, a prestação passa para 432 euros. (Mude os campos sublinhados para descobrir os números mais próximos da sua previsão.)

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para ver o simulador.

As Euribor acompanham as expectativas dos mercados relativamente às taxas oficiais do Banco Central Europeu (BCE) que, esta quinta-feira decidiu, sem surpresas, fez uma pausa. Os investidores estão a antecipar que o final do ano traga mais uma subida, com a taxa de depósito a chegar a 31 de dezembro nos 2,75%.

E já há apostas para a evolução da política monetária do BCE no arranque do próximo ano: a reunião de março, que já não contará com Christine Lagarde no comando do “navio”, deverá voltar a agravar os juros em 25 pontos base.

❌