O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia contemplar o PT (Partido dos Trabalhadores) de Minas Gerais com um ministério na Esplanada, segundo interlocutores do mandatário.
O petista elogiou a atuação do diretório mineiro nas eleições, em especial em relação à sua virada ante Flávio Bolsonaro (PL) no estado entre o primeiro e o segundo turno.
Além disso, a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT-MG), foi o único nome do partido a ser eleito para o Senado entre as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
O principal cotado para estar à frente de um ministério, caso o PT mineiro de fato seja contemplado, é o deputado federal Reginaldo Lopes. O parlamentar foi reeleito para seu sétimo mandato na Câmara.
Está prevista para os próximos dias uma reunião no PT mineiro para tratar da possibilidade. Reginaldo Lopes, já cotado em outros momentos para assumir um ministério, tem dito a aliados que atenderia a um chamado de Lula, mas que prioriza neste momento a atuação parlamentar.
O deputado, no Lula 3, esteve à frente de textos da reforma tributária e foi um dos autores da PEC (proposta de emenda à Constituição) do fim da escala 6×1.
Em 2022, durante a transição de governo, o nome do parlamentar foi ventilado para pastas como Planejamento e Desenvolvimento Agrário. À época, Lula escolheu a primeira para Simone Tebet (PSB), então no MDB, e o PT paulista foi contemplado com a segunda.
Interlocutores do PT mineiro afirmam que a sigla não atua para cobrar Lula, mas pontuam que há uma “dívida” do mandato passado e que Reginaldo seria o nome do diretório estadual porque já abriu mão de se candidatar ao Senado por duas vezes e contribuiu muito para a campanha.
Durante o Lula 3, o PT mineiro teve Macaé Evaristo como ministra dos Direitos Humanos em substituição a Silvio Almeida, que saiu após denúncias de assédio sexual.
O outro mineiro da Esplanada do governo Lula 3 foi Alexandre Silveira (PSD), que também manifesta a aliados a expectativa de se manter no governo, ainda que não seja na pasta atual, o Ministério de Minas e Energia. Como é uma figura próxima de Gilberto Kassab, que abraçou o lulismo, se engajou na campanha e abriu mão de disputar eleições em Minas, a aposta é que possa ter alguma pasta. São ventiladas as opções de Defesa, Agricultura e Segurança.
Lula tem dado indicativos de que pretende contemplar mais aliados desta vez, mas tem um xadrez complexo a ser resolvido, que passa por distribuir cargos para partidos do centrão, prestigiar aliados do PT que foram fundamentais na eleição e realocar parlamentares que estão sem mandato e quem abriu mão de disputar as eleições para permanecer ao lado de Lula. Muita gente para agradar, muitas faturas a pagar, mas vagas talvez insuficientes. A escolha tende a ser feita de maneira estratégica e deve levar algumas semanas, segundo aliados.
Na primeira semana após sua vitória nas urnas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conciliou um período de descanso, para recuperação de uma intensa corrida eleitoral, e agendas privadas junto a aliados visando o início da reformulação do governo para seu quarto mandato.
Lula dedicou parte considerável da segunda-feira (26) a conversar por telefone com líderes internacionais, que o parabenizaram por sua reeleição.
Parte das discussões na primeira semana após as eleições miraram estratégias para lidar com um Congresso Nacional de maioria conservadora a fim de garantir algum nível de governabilidade ao quarto mandato de Lula.
Já na terça-feira (27), o presidente teve seu único compromisso público na semana. O mandatário participou de celebração ao seu aniversário de 81 anos na residência oficial da Presidência. Na ocasião, cumprimentou apoiadores e criticou a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos.
Nos bastidores, ao longo deste semana, o presidente também teve as primeiras discussões sobre uma reformulação na Esplanada dos Ministérios. A tendência é de que as primeiras definições aconteçam somente na segunda quinzena de novembro.
Na quinta-feira (29), por exemplo, se reuniu com o deputado federal André Janones (Rede-MG). O parlamentar é considerado por Lula um dos principais responsáveis por sua virada e – com ou sem cargo – estará à frente da reformulação da comunicação do governo federal.
O petista tem a missão de agregar à Esplanada integrantes de sua campanha que tiveram protagonismo na virada no segundo turno, mas também reservar espaços para parte dos aliados que perderam eleições e que permaneceram no governo e não disputaram o pleito a seu pedido.
Até o início da próxima semana, Lula deve tirar dias para descanso, segundo aliados. Depois, a expectativa é que o mandatário retome discussões sobre a montagem do governo e também volte a fazer viagens internacionais. A primeira prevista será para Antália, na Turquia, para a COP31, entre os dias 11 e 12 de novembro.
O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (29) que pretende fazer um pronunciamento à nação na próxima semana. Em áudio compartilhado no canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, o petista disse que aguarda a recuperação da voz e pediu que os apoiadores mantenham a mobilização após as eleições do último domingo (25).
“Na próxima semana, eu pretendo fazer um pronunciamento à nação. Mas também, na próxima semana, eu quero que o meu exército volte a uma atividade plena, porque vocês sabem que eu devo essa eleição ao povo brasileiro”, disse.
Lula também anunciou que pretende participar de uma transmissão ao vivo com o deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pelo canal, que reúne mais de 10 milhões de seguidores.
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“Na semana que vem, eu quero repetir: estarei fazendo um pronunciamento à nação assim que a minha voz sair”, afirmou.
A área internacional do Palácio do Planalto avalia que o governo brasileiro deve aguardar a situação envolvendo a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) “decantar” antes de conceder o agrément ao indicado por Donald Trump à embaixada dos Estados Unidos no Brasil.
A avaliação é de que não faz sentido dar o aval diplomático ao republicano enquanto o presidente americano questionar o processo eleitoral no Brasil.
Além disso, o Planalto aguarda qual será a estratégia da Casa Branca em relação ao Brasil após o resultado das eleições de meio de mandato nos EUA, que vai definir a composição no Congresso local, se de maioria republicana ou democrata.
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Até o momento, Donald Trump não parabenizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela vitória no domingo (25). Pelo contrário, nos últimos dias, o americano tem sugerido, sem apresentar provas, que a votação para a Presidência do Brasil teria sido fraudada. Mas destaca que gosta de Lula e que se dá bem com o petista.
O governo Lula decidiu não se manifestar oficialmente sobre a declaração do republicano, nem sobre uma suposta participação da Casa Branca na fuga de Flávio Bolsonaro.
Embora a avaliação no Planalto seja de “aguardar” conceder as cartas credenciais ao indicado de Trump, a avaliação sobre a concessão de agrément é de competência do Itamaraty, processo que corre sob sigilo.
Até antes do segundo turno das eleições, ainda sob duvidas de quem sairia o vencedor nas urnas, a equipe diplomática do Palácio do Planalto havia sido informada de que o Itamaraty não havia identificado, até o momento, nenhum indicativo que impeça o nome de Daniel Perez para exercer a função de embaixador no Brasil.
Com expectativa de que a concessão do aval poderia acontecer até o fim do ano, mesmo que o petista não vencesse as eleições para um próximo mandato.
Lula suspendeu a concessão de agréments até depois do segundo turno das eleições, o que acabou paralisando a autorização para países como o próprio Estados Unidos, Ucrânia e Síria.
Daniel Perez
Presidente da Câmara de Representantes do estado da Flórida, e alinhado a Donald Trump, Daniel Perez foi anunciado como indicado embaixador pelos EUA em junho deste ano.
A divulgação pública gerou críticas internas na diplomacia brasileira, já que o processo de análise e aceitação de agrément é sigiloso, com o nome do indicado informado inicialmente ao país que irá receber o embaixador, antes de ser anunciado.
O Brasil não tem embaixador dos Estados Unidos desde janeiro de 2025. Quem representa o governo americano em território brasileiro é Gabriel Escobar, encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA.
EUA rebaixou visto da embaixadora brasileira
A área internacional do Palácio do Planalto sugere que o governo brasileiro deve condicionar a autorização de visto com livre trânsito a Daniel Perez, indicado pelos Estados Unidos a embaixador no Brasil, ao mesmo tratamento dado pela Casa Branca à embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.
Em agosto, Viotti teve o visto de entradas múltiplas em território americano, prerrogativa de um embaixador, revogado. A medida foi tomada pelo Departamento de Estado americano, que equivale ao Ministério de Relações Exteriores no Brasil.
Na época, o secretário de Estado, Marco Rubio, alegou reciprocidade em razão de o governo brasileiro ainda não ter autorizado o novo embaixador americano no país.
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, rebateu nesta quinta-feira (29) falas de que o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria que fazer um ajuste fiscal no próximo mandato com cortes de gastos em políticas sociais.
Em publicação no X (Antigo Twitter), Boulos afirmou que quem defende a ideia “não entendeu nada do que foi essa eleição”.
Na sequência, ele declarou que “o Tesouraço foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular”, em referência à proposta do candidato derrotado Flávio Bolsonaro(PL), que prometia um corte de R$ 200 bilhões se eleito.
“Quem está defendendo que Lula faça ajuste fiscal, cortando gastos em políticas sociais, não entendeu nada do que foi essa eleição. O Tesouraço foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular. O candidato da Faria Lima perdeu e fugiu para os EUA. A agenda econômica do Brasil será a que venceu as eleições, não a que perdeu!”, disse o ministro.
Quem está defendendo que Lula faça ajuste fiscal, cortando gastos em políticas sociais, não entendeu nada do que foi essa eleição. O Tesouraço foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular. O candidato da Faria Lima perdeu e fugiu para os EUA. A agenda econômica do Brasil será a que venceu as eleições, não a que perdeu!
A área fiscal deve ser um dos principais desafios do próximo mandato do petista, que tem início em 5 de janeiro de 2027. O equilíbrio fiscal das contas, assim como o orçamento para previdência social e endividamento das famílias, são alguns dos itens que o governo deverá enfrentar.
Além das políticas sociais já existentes e que são defendidas pelo governo de Lula, como o Bolsa Família e o Gás do Povo, durante a campanha, o político apresentou outras medidas para o quarto mandato, como a extensão do programa Pé-De-Meia para alunos universitários, além da manutenção e expansão do Minha Casa Minha Vida e a criação do Pix MEI.
Assim como Boulos, a ex-ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet (PSB) apoiou a ideia de ajuste fiscal, mas rejeitou a hipótese de que essa medida gere cortes nesses programas. Em entrevista à CNNBrasil na quarta-feira (28), Tebet falou que o país possui muita “gordura” para cortar, como as renúncias fiscais.
“E aí, o que eu acho mais importante é que a janela de oportunidade é agora. Agora precisamos da PEC da contenção de gastos, naquilo que precisa ser cortado sem reduzir benefícios sociais”, declarou.
O jurista Ives Gandra, que votou em Flávio Bolsonaro(PL) para chefiar o Palácio do Planalto, defendeu o resultado das urnas eletrônicas após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva(PT), mas disse à CNN Brasil que o STF (Supremo Tribunal Eleitoral) interferiu nas eleições.
Na avaliação do advogado, a Corte tomou decisões monocráticas que cabiam ao TSE(Tribunal Superior Eleitoral) e, com isso, violou a Constituição de 1988.
Uma das decisões diz respeito ao despacho do ministro Cristiano Zanin, que prorrogou o horário de votação das 17h para as 19h, após relatos de dificuldade no transporte público em capitais como São Paulo e Salvador.
“Houve uma interferência do Supremo Tribunal Federal […] quase sempre de forma monocrática e não colegiada, e, com essa interferência, não se sabe avaliar qual foi o impacto em relação às eleições”, afirmou à CNN Brasil.
Gandra ainda afirmou que Flávio Bolsonaro errou ao se autodeclarar presidente do Brasil após a derrota nas urnas. “Ele [Flávio] fez um erro em dizer que era o presidente eleito. […] O povo votou no presidente Lula, mas de rigor, depois ele corrigiu, o que fez bem”, completou.
Para o jurista, Flávio “acertou no sentido de sair do Brasil“, porque “vai continuar com a liberdade de poder dizer o que pensa sobre o que está acontecendo”.
Gandra, que é um opositor histórico do PT (Partido dos Trabalhadores) e foi um dos principais nomes a elaborar o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, também criticou o gasto das contas públicas de Lula.
“Resta saber se ele vai ou não encontrar um excepcional ministro da Fazenda que consiga corrigir todos os erros praticados durante [os últimos] quatro anos, ou esfrangalhar as contas públicas brasileiras”, concluiu.
Entenda o caso
O ex-candidato Flávio Bolsonaro fugiu do país após perder o segundo turno da eleição presidencial contra Lula. O senador foi para Miami, nos Estados Unidos, com a esposa, Fernanda, e as duas filhas na última terça-feira (27).
O sumiço de Flávio ocorreu depois de a PF (Polícia Federal) solicitar a entrega dos passaportes do senador na segunda-feira (26). O filho de Jair Bolsonaro (PL) teria até as 11h para fornecer os documentos à corporação, segundo determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, o que não ocorreu.
A medida da PF se baseou no receio de fuga de Flávio do Brasil em meio ao inquérito contra o senador por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A abordagem também se baseou na fala do irmão Eduardo Bolsonaro, que disse numa entrevista apoiar a saída de Flávio do Brasil caso ele perdesse as eleições presidenciais, como ocorreu no domingo (25).
Partidos do chamado centrão que apoiaram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno da eleição presidencial começam a se movimentar para negociar espaço no próximo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O movimento ocorre após a derrota de Flávio nas urnas e é marcado pela cautela das legendas, que apoiaram formalmente o adversário de Lula na etapa final da disputa. Apesar da disposição para negociar, os partidos moderam as expectativas de participação na próxima Esplanada e buscam preservar espaço de articulação política no Congresso.
Na terça-feira (27), o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que os integrantes da sigla estão liberados para participar do governo Lula, embora o partido pretenda manter independência política.
“Vamos permitir que nossos companheiros integrem o governo, mas sem submissão. A independência é o melhor caminho”, declarou. O PSD manteve neutralidade no segundo turno, apesar do apoio do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) a Flávio.
A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, apoiou Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas agora espera abrir canais de negociação com o governo reeleito. Segundo apuração da CNN Brasil, dirigentes das duas legendas aguardam conversas com Lula ou representantes do alto escalão do Planalto para discutir a relação com a próxima gestão.
Na quarta-feira (28), o União Brasil reconheceu oficialmente a vitória de Lula. Em nota, a sigla afirmou que a eleição transcorreu com lisura e que o resultado deve ser respeitado. A federação já havia se manifestado pelo reconhecimento do resultado das urnas.
O reconhecimento da vitória, porém, não significa adesão automática à base governista. A negociação de espaços no Executivo dependerá das conversas com o Planalto e dos compromissos políticos que poderão ser assumidos pelos partidos.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), apoiou publicamente Lula desde o primeiro turno. Já o presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, reconheceu a vitória do petista e o parabenizou pelo resultado. Em manifestação após a eleição, defendeu que o novo mandato seja conduzido com diálogo com o Congresso e respeito às diferenças.
Outro nome da legenda que aparece nas articulações é o do ex-ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), considerado um possível nome para assumir a Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação política do governo com o Congresso. A possibilidade ainda não teve nenhum avanço.
Guimarães defende base coesa
Em entrevista à CNN Brasil na terça-feira (27), o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), defendeu que o quarto mandato de Lula seja marcado por uma frente ampla, com participação de partidos além do PT. O ministro, porém, condicionou a presença de legendas no Executivo ao compromisso com a agenda governista.
“Eu sou defensor de uma base menor, se for o caso, mas coesa, e que tenha fidelidade ao governo que está implementando as suas políticas e programas”, afirmou à CNN.
Guimarães também disse que não haverá espaço para uma participação parcial dos partidos que ocuparem ministérios. Segundo ele, quem integrar o governo deverá participar de forma “integral e total” da base governista e acompanhar as votações de interesse do Executivo no Congresso.
A formação da próxima equipe ministerial ainda está em discussão. As negociações deverão conciliar a ampliação da base parlamentar de Lula com a exigência de maior alinhamento entre os partidos que receberem espaço na Esplanada.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) agradeceu nesta quinta-feira (29) ao ex-presidente argentino Mauricio Macri após ser parabenizado pela vitória nas eleições do último domingo (25).
Macri felicitou Lula na segunda-feira (26) e desejou que o novo mandato traga “prosperidade e crescimento” para o país e a região. O atual presidente da Argentina, Javier Milei, ainda não reconheceu o resultado das eleições brasileiras.
Em resposta nesta quinta, Lula afirmou compartilhar com Macri o desejo de que “a região que trabalhe unida pelo desenvolvimento e pela prosperidade de nossos povos” e disse ter saudades dos tempos em que diferenças entre os países eram discutidas de “maneira civilizada e republicana“.
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Veja a mensagem do presidente Lula, nas redes sociais:
Agradeço ao ex-presidente @mauriciomacri pelos cumprimentos e pelos bons votos. Compartilho plenamente o desejo de uma região que trabalhe unida pelo desenvolvimento e pela prosperidade de nossos povos. E lembro com saudades dos tempos em que diferenças circunstanciais entre nossos países se discutiam e se solucionavam de maneira civilizada e republicana.
“Em 2023, quando Milei foi eleito presidente, não houve nenhum gesto do presidente Lula para cumprimentá-lo pessoalmente, nem nada. Pelo menos por enquanto, não vamos publicar nenhum comunicado”, afirmou o porta voz.
Diante da insistência da imprensa argentina acerca da necessidade de um comunicado institucional reconhecendo o resultado do pleito brasileiro, o porta-voz insistiu que “não haverá”.
Ravier se refere à postagem de Lula na rede social X após a vitória de Milei nas eleições presidenciais argentinas, há três anos. Na ocasião, o líder brasileiro não parabenizou diretamente Milei, que o havia insultado durante a campanha eleitoral.
“Meus parabéns às instituições argentinas pela condição do processo eleitoral e ao povo argentino que participou da jornada eleitoral de forma ordeira e pacífica. Desejo boa sorte e êxito ao novo governo. A Argentina é um grande país e merece todo o nosso respeito. O Brasil sempre estará à disposição para trabalhar junto com nossos irmãos argentinos”, escreveu o petista.
Na recente campanha eleitoral brasileira, Milei apoiou abertamente a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), fazendo ataques a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). As falas levaram o Itamaraty a rebaixar o nível da relação diplomática entre os países e não enviar o embaixador brasileiro, Júlio Bitelli, novamente a Buenos Aires.
Na terça-feira (27), Flávio e a família embarcaram em um voo particular no aeroporto da cidade argentina com destino a Miami, nos Estados Unidos. Eles chegaram no destino final na manhã seguinte, depois de uma escala no Equador.
Caputo não possui cargo formal no governo, mas mantém comunicação direta com representantes da Casa Branca ligados ao presidente americano Donald Trump. Ele também representa o grupo digital Las Fuerzas del Cielo.
Segundo fontes da Casa Rosada ouvidas pelo Clarín, o assessor monitorou a operação desde o início, “quando empresas ligadas à Embaixada dos Estados Unidos contrataram um voo com a companhia argentina Baires Fly”.
Caputo saiu de Buenos Aires em direção a Puerto Iguazú em um voo comercial, acompanhado da equipe. “Do terminal, acompanhou cada etapa da operação para garantir o transporte da família Bolsonaro, com uma preocupação central: impedir que fotos ou vídeos do que acontecia no local fossem divulgados”, segundo o jornal argentino.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a dizer que as eleições brasileiras foram uma vergonha nesta quinta-feira (29) depois de duas declarações semelhantes nos últimos dias, e que não tomou partido durante a campanha a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Trump disse que achou a eleição “uma grande vergonha para o povo do Brasil”, mas que conversará com o petista em breve.
“Eu assisti à eleição. Não tomei partido. Deixei como estava. Fui orientado a não tomar partido pelo presidente, o atual presidente [Lula]”, afirmou ele ao ser questionado por jornalistas. “Mas quando vi o que aconteceu no Brasil, foi uma desgraça. Bem, o mercado diz isso. Quer dizer, o mercado deles despencou. Achei que foi uma situação muito vergonhosa para o Brasil.”
“Ele [Donald Trump] já disse para muita gente, para muita gente, sabe, que ele não vai se envolver nas eleições brasileiras. E é bom que seja assim. É bom que seja assim”, destacou Lula. “É esse o papel que eu espero de um presidente da República. Esse é o meu comportamento”, acrescentou.
“As eleições dos Estados Unidos é um problema do povo americano. Quem ganha é ela e quem perde é ela. As eleições do Brasil é um problema do Brasil. Quem ganha é ela e quem perde é ela”, prosseguiu.
O chefe do Planalto relatou ter pedido que Trump não interferisse no pleito de outubro pra não acabar com a relação “sofisticada” entre o Brasil e os EUA.
“Eu já disse ao presidente Trump, é o seguinte, é muito importante que os Estados Unidos não se metam nas eleições do Brasil”, disse Lula.
“É muito importante, porque nós temos uma relação diplomática de 203 anos, é uma relação muito sólida e o Brasil não é um país anti-americanista. O Brasil tem uma relação muito sofisticada com os Estados Unidos. E eu já disse, é importante que vocês não se metam nas eleições do Brasil, como eu não me meto nas eleições de vocês”, continuou.
Em relatório enviado no fim de agosto ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) alertou sobre possibilidade de influência dos Estados Unidos no pleito de outubro. A chance de interferência, segundo a agência, aumentou para um “nível de criticidade”.
O relatório cita documentos do governo norte-americano entre novembro de 2025 e maio de 2026. Conforme a Abin, há uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil” e uma “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA”.
O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva busca uma mulher civil para assumir o Ministério da Defesa, a primeira a comandar as Forças Armadas na história.
A ideia seria fazer um aceno para a diversidade nas Forças Armadas, que permitiu desde o início deste ano o serviço inicial militar feminino.
Nos últimos dias, segundo relatos feitos à CNN, interlocutores do governo petista levaram sugestões de nomes para os comandantes das Forças Armadas. O presidente não pretende fazer uma indicação que enfrente forte resistência.
O atual ministro José Múcio Monteiro já pediu ao presidente para deixar a pasta em um novo mandato. Ele já quis deixar o posto no passado, mas o petista pediu para que ele aguardasse o fim do mandato.
A ideia de uma mulher no Ministério da Defesa, pasta chefiada por homens desde sua criação em 1999, tem como pano de fundo também o desejo de atrair atenção da militância petista para uma área historicamente negligenciada — e até criticada — pela esquerda.
Lula falou diversas vezes, inclusive em discursos na campanha, sobre a importância em investimentos no reaparelhamento militar diante de tensões geopolíticas crescentes.
Em seu terceiro mandato, ele sancionou projeto de lei complementar com uma exceção de R$ 30 bilhões para a compra de equipamentos das Forças Armadas até 2031. O próprio petista, no entanto, tem dito que é preciso investir mais.
A favorita de Múcio é a atual secretária-geral, Cinara Wagner Fredo. O ministro tem dito a interlocutores que ela tem a vantagem de já conhecer a pasta, ter conquistado trânsito na cúpula das Forças Armadas e ser um ativo político para o Palácio do Planalto.
Além de ter sido a primeira mulher a presidir a Corte Militar, Maria Elizabeth teve postura firme em processos penais contra militares e defendeu punições ao ex-presidente Jair Bolsonaro no plano golpista.
O nome da ex-ministra Simone Tebet também tem sido mencionado. Além de ser conhecido por ter um perfil moderado, Tebet dialoga bem com segmentos conservadores. Nos bastidores, ela tem indicado teria preferência a não retornar ao Planejamento.
Antes de fechar um nome, Lula deve se reunir com os Alto Comando das Forças Armadas. A principal defensora de uma mulher na Defesa é a primeira-dama, Rosângela Silva, a Janja.
Após divulgação de carta com teor golpista pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), aliados do ex-candidato à Presidência e o próprio TSE (Tribunal Superior Eleitoral) se pronunciaram defendendo o resultado do segundo turno das eleições, que deu vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No texto, Flávio não reconhece a derrota no pleito e alega “fraude”, mas não apresenta provas de irregularidades no processo eleitoral. Na primeira versão, declarava-se “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, apagou a publicação e republicou o documento sem a frase, se dizendo “líder” do país.
Em publicação, a Justiça Eleitoral afirmou que os Boletins de Urna, o Registro Digital do Voto e os logs de cada equipamento estão disponíveis ao público. Os arquivos contêm informações sobre o funcionamento do equipamento, como os horários de início e encerramento da votação e o número de eleitoras e eleitores que votaram.
O ministro destacou o compromisso da Justiça Eleitoral com a “vontade soberana do eleitorado” e disse que o resultado do pleito foi entregue com segurança.
“Mesmo diante da instabilidade na reta final de votação, graças às medidas adotadas e a competência dos técnicos do Tribunal, foi possível avançar com a apuração e entregar um pleito com segurança”, escreveu em comunicado.
Ainda afirmou que todos os “questionamentos feitos dentro do devido processo legal” serão analisados e respondidos.
Em nota, afirmou que a oposição deve respeitar o resultado das eleições e atuar dentro das instituições democráticas. No texto, disse compreender a indignação de Flávio e destacou que o sentimento é compartilhado por parte dos brasileiros.
“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, afirmou.
Para Tarcísio, o momento exige “responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte”. No texto, ainda defendeu que a atuação dos oposicionistas ocorra dentro das instituições para fortalecer o sistema de freios e contrapesos da democracia.
Tarcísio já havia reconhecido o resultado do pleito em vídeo publicado nas redes sociais na terça (27). Na publicação, disse que “reconhecer o resultado não significa calar sobre os excessos”, fazendo críticas à gestão de Lula.
“Agora é evidente que, se você faz alguma afirmação, você precisa trazer provas. Eu não posso fazer essa afirmação, não tenho provas e eu acabei de dizer que é um desabafo de alguém que está se sentindo injustiçado”, disse o senador.
Marinho ainda afirmou não ter sido consultado sobre o documento divulgado pelo ex-candidato à Presidência e que não sabe como Flávio vai atuar dos Estados Unidos para coordenar a direita. Também voltou a dizer que não sabia que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixaria o país.
A Federação União Progressista — formada pelo União e pelo PP — já havia se posicionado pelo reconhecimento do resultado. O presidente do partido, Antônio Rueda, disse que “a soberania popular se manifestou de forma livre” nas urnas.
Outros partidos que declararam apoio a Flávio no segundo turno também reconheceram a vitória de Lula, como o Republicanos, o Podemos e o MDB.
Carta de Flávio
Na tarde desta quarta, Flávio divulgou uma carta em que se apresentava como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, apagou o texto e republicou um novo sem usar a frase.
No documento, o senador confirma que está nos Estados Unidos com a família e diz que vai liderar a oposição no exterior. Ainda acusa “fraude eleitoral” no segundo turno das eleições, mas não apresenta provas de irregularidades no processo eleitoral.
O ex-candidato do PL (Partido Liberal) cita a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), que prorrogou a votação de domingo (25) até as 19h, como um dos argumentos. Ele se refere a Zanin como “ex-advogado de Lula” e afirma que o magistrado permitiu uma “impossibilidade matemática”.
Segundo a Justiça Eleitoral, Lula venceu no segundo turno com 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio — uma diferença de 4,4 milhões de votos.
Como mostrou a CNN, dados oficiais divulgados pelo TSE mostram que34.393 votos foram computados após as 17h do dia do pleito. Dessa forma, mesmo que todos os votos dados no horário extra tivessem ido para o petista, eles representariam menos de 1% da diferença final entre os candidatos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cogita fazer uma “troca geracional” no Ministério das Relações Exteriores e nomear Mauricio Lyrio para a chefia do Itamaraty, segundo interlocutores do mandatário.
O atual chanceler, Mauro Vieira, de 75 anos, esteve à frente da pasta durante os quatro anos do terceiro mandato de Lula , mas também chefiou o Itamaraty entre 2015 e 2016 – no segundo mandato de Dilma Rousseff (PT).
Lyrio, de 59 anos, foi porta-voz e é da confiança do principal conselheiro de Lula para a área internacional, o assessor especial da Presidência, Celso Amorim.
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No governo Lula 3, o diplomata foi primeiro escalado para a Secretaria de Assuntos Econômicos.
No cargo, Lyrio teve protagonismo em dois dos maiores êxitos da gestão no âmbito comercial: a declaração da cúpula do G20 de 2023, que aconteceu no Brasil, e a conclusão do acordo Mercosul-União Europeia.
Ele também foi um dos técnicos a atuar diretamente para abrandar o primeiro tarifaço dos Estados Unidos.
Em 2025, o embaixador passou a ser o secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, para que atuasse diretamente nas negociações da COP30, que aconteceu em Belém (PA).
A “troca geracional” cogitada pelo presidente Lula aconteceria no Ministério das Relações Exteriores, mas também na Defesa, atualmente comandada por José Múcio, segundo fontes.
O União Brasil reconheceu nesta quarta-feira (28) a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições do último domingo (25). Em nota divulgada à imprensa, o partido ressalta que o processo eleitoral “transcorreu com lisura e o seu resultado deve ser respeitado”.
A Federação União Progressista — formada pelo União e pelo PP — já havia se posicionado pelo reconhecimento do resultado das urnas. O presidente do partido, Antônio Rueda, disse que “a soberania popular se manifestou de forma livre” nas urnas.
“Essa é a base da democracia brasileira e o compromisso do nosso partido. Encerrado o processo eleitoral, é hora de unir o país em torno de uma agenda comum”, afirmou. Com o passar o primeiro turno, em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) despontou na frente do presidente Lula, a federação se posicionou pelo “apoio incondicional” ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
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Demais dirigentes de partidos que declararam apoio a Flávio Bolsonaro no 2º turno das eleições presidenciais reconheceram a vitória de Lula e parabenizaram a reeleição do presidente. Foi o caso do Republicanos e do Podemos. Outros partidos que estiveram neutros ou divididos em relação ao apoio na disputa também reconheceram a reeleição de Lula.
Cerca de uma hora após a confirmação da vitória de Lula, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, que apoiou Flávio, comentou o resultado.
“O novo mandato traz a responsabilidade de governar para todos os brasileiros, inclusive os que votaram em Flávio Bolsonaro, com respeito às diferenças e diálogo com o Congresso Nacional. É o que esperamos em favor do Brasil”, escreveu no X, antigo Twitter.
Dividido no segundo turno, o MDB parabenizou Lula pelo novo mandato e ressaltou a reeleição democrática “conforme a Constituição de 1988”.
O posicionamento foi divulgado no X (antigo Twitter) ainda na noite de domingo. “É um momento em que a vontade popular se fez soberana. Desejamos que ele tenha serenidade para governar o país em favor de todos, sem exceção.”
O PSD também se manifestou hoje e desejou um “bom governo” a Lula e ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). O partido disse, em nota assinada por Gilberto Kassab, presidente da sigla, reafirmar o compromisso com a democracia brasileira e afirmou que “vai procurar corresponder às expectativas dos eleitores brasileiros”.
No segundo turno, a sigla havia anunciado neutralidade apesar de Flávio ter recebido o apoio de Ronaldo Caiado (PSD), que disputou o comando do Planalto no primeiro turno.
O presidente Lula (PT) foi orientado por sua equipe a ignorar politicamente as declarações de Donald Trump sobre a entrada de Flávio Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos e sobre o não reconhecimento da vitória eleitoral brasileira. A apuração é da âncora da CNN Débora Bergamasco, no CNN 360°.
Segundo auxiliares de Lula ouvidos pela reportagem, a postura recomendada ao petista é de silêncio e cautela, ao menos por enquanto. A avaliação interna é de que toda a situação desgasta mais a família Bolsonaro e o poder do bolsonarismo do que o próprio governo.
Análise dos auxiliares de Lula
Três pontos norteiam a avaliação da equipe do presidente. O primeiro é que não é novidade que bolsonaristas sejam protegidos nos Estados Unidos — Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem são citados como exemplos.
O segundo é que as declarações de Trump são consideradas, nas palavras dos auxiliares, “chororô de perdedor”, embora sejam vistas como ambíguas, já que Trump afirmou gostar de Lula, deixando uma porta aberta para o relacionamento bilateral. O terceiro ponto é que Lula não deve “entrar nessa agenda de perdedores”.
A orientação passada a Lula é a de aguardar os desdobramentos da situação da família Bolsonaro nos Estados Unidos e também o resultado das eleições de meio de mandato americanas, momento em que Trump “deve passar por um momento de aflição, para dizer o mínimo”, segundo as fontes.
Caso o governo decida agir, a “caixa de ferramentas” disponível inclui uma nota do Itamaraty, uma nota da Presidência ou falas do próprio Lula. Por ora, contudo, a recomendação é que Lula se mantenha “magnânimo, soberano, como o vencedor”, sem dar palco à crise.
Entrada de Flávio Bolsonaro nos EUA
Segundo a correspondente da CNN Priscila Yazbek, no CNN 360°, Flávio Bolsonaro entrou no território dos Estados Unidos usando seu passaporte diplomático — documento ao qual tem direito como senador, mas que havia sido cancelado pela Polícia Federal por determinação de Alexandre de Moraes, em meio a investigações sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Registros públicos disponíveis no site da US Customs and Border Protection indicam a entrada de Flávio nos Estados Unidos, e o número do documento apontado pelas autoridades americanas é o mesmo atribuído ao senador na lista oficial de controles de passaportes diplomáticos do Senado Federal.
O passaporte diplomático de Flávio foi emitido em fevereiro de 2023 e teria validade até 31 de julho de 2027, mas o STF determinou o cancelamento após o descumprimento de decisão judicial de entrega dos documentos.
Trump se envolve diretamente no caso
Trump se manifestou publicamente sobre o caso, afirmando que aprovaria a entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. Na mesma fala, questionou as eleições brasileiras pela pelo menos quarta vez desde o domingo (25), descrevendo-as como “terríveis” e “muito estranhas”.
Fontes do Departamento de Estado americano disseram à agência Reuters que os Estados Unidos garantiram vistos a Flávio Bolsonaro, à sua esposa e às suas filhas.
O envolvimento direto de Trump no caso chamou a atenção de analistas políticos americanos, que apontam similaridades entre a narrativa de questionamento eleitoral adotada pela família Bolsonaro no Brasil e a do próprio Trump nos Estados Unidos. Segundo esses analistas, ao defender a família Bolsonaro, Trump também legitima sua própria narrativa de contestação dos resultados eleitorais americanos de 2020.
Congressistas democratas reagiram ao caso, acusando Trump de agir com “dois pesos e duas medidas”: enquanto nega asilo a refugiados que fogem de conflitos no Sudão e no Haiti, estaria abrindo as portas do país a um candidato derrotado em eleições no Brasil que descumpriu ordens judiciais.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assegurou aos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), que a base do governo irá apoiar suas reeleições no Congresso Nacional no ano que vem.
O aceno aconteceu, de acordo com fontes na articulação política do Palácio do Planalto, no encontro de Lula com Hugo e Davi na última segunda-feira (26).
A decisão já era esperada após a aliança entre o presidente e os parlamentares para as eleições. Lula acenou a Hugo e Alcolumbre nas disputas locais na Paraíba e Amapá; em troca, os chefes do Poder Legislativo aceleraram a tramitação de pautas de interesse do petista e de sua reeleição, como o fim da jornada 6×1.
O avanço da direita no Congresso Nacional após o primeiro turno tratou de aproximar ainda mais Lula e os presidentes das casas legislativas.
A reeleição dos presidentes na Câmara e no Senado é uma das principais apostas do governo federal para fazer frente ao avanço da oposição no Legislativo. A avaliação é de que Hugo e Alcolumbre garantiriam moderação à pauta de um Congresso de maioria conservadora.
Alcolumbre e Hugo devem enfrentar parlamentares da direita na tentativa de reeleição. No Senado, Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) acenam com candidatura; na Câmara, cogita-se na oposição o nome de Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ).
Articuladores apontam que Hugo e Alcolumbre podem congregar o apoio do governo ao Centrão e bater a direta na disputa pelas mesas diretoras.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi às redes sociais nesta quarta-feira (28) agradecer ao presidente nacional do PT (Partido dos Trabalhadores), Edinho Silva, pelo trabalho dedicado à campanha durante o período eleitoral, que se encerrou no último domingo (25) com a reeleição do petista.
“Quero aqui fazer um reconhecimento ao trabalho realizado pelo companheiro Edinho Silva, presidente do meu partido e coordenador da minha campanha. Sua dedicação foi fundamental para a pavimentação desse caminho que conduziu à vitória“, escreveu o presidente no X (antigo Twitter).
Na publicação, Lula disse que a disputa presidencial foi “histórica” e que sua vitória foi importante não só para o Brasil, mas “para o mundo”.
“Minha gratidão a todas as companheiras e companheiros que compuseram a coordenação da minha campanha, que estiveram comigo nessa jornada“, concluiu.
Enfrentamos uma eleição histórica. A nossa vitória foi importante para o Brasil e para o mundo. Minha gratidão a todas as companheiras e companheiros que compuseram a coordenação da minha campanha, que estiveram comigo nessa jornada. Quero aqui fazer um reconhecimento ao trabalho realizado pelo companheiro Edinho Silva, presidente do meu partido e coordenador da minha campanha. Sua dedicação foi fundamental para a pavimentação desse caminho que nos conduziu à vitória.
Entidades de Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, repudiaram, na terça-feira (27), uma campanha de boicote a comércios e estabelecimentos da cidade que supostamente teriam como donos apoiadores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Após a vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro(PL-RJ), no domingo (25), passou a circular em grupos de mensagens do município uma lista com alguns estabelecimentos que não teriam apoiado Flávio. A medida também incentiva a polarização política ao pedir que a população pare de consumir nestes locais.
A CNN Brasil teve acesso à lista e a um vídeo, gravado pelo advogado Klauss Fins. Na gravação, ele aparece com uma camisa amarela em que está escrito “Meu partido é o Brasil” e incentiva uma perseguição política ao pedir que se coloque uma “estrela vermelha” na porta de negócios em que os donos “são petistas”.
“Já que aqueles petistas acreditam que o PT é o melhor para o país, votaram no Lula e elegeram teoricamente esse presidente, eles é que toquem o negócio deles com o Lula na Presidência. Mete uma estrela do PT na portinha da sua loja e vê o que vai acontecer. Já existe um movimento para que não se compre, não se prestigie e não se negocie com petistas porque eles acabaram com a economia do país”, diz ele. “Negocie somente com patriotas”, ressalta na gravação.
A reportagem pediu um posicionamento de Klauss, mas ainda não teve resposta. Já em outro vídeo, homens vestidos com a camisa da Seleção Brasileira ateiam fogo à uma bandeira de Lula e jogam o material incendiado no meio da rua.
Após a repercussão do caso, a Prefeitura de Teresópolis afirmou que divergência política não justifica perseguição e disse repudiar as práticas de intimidação, constrangimento e incentivo ao boicote ao comércio por posicionamentos partidários.
“Empreendedores e trabalhadores são fundamentais para o desenvolvimento da cidade, a geração de empregos e o fortalecimento da economia. Nenhuma disputa partidária deve ser usada para prejudicar atividades comerciais e profissionais”, afirma a administração municipal.
O diretor do PL (Partido Liberal) na cidade também divulgou uma nota dizendo que os trabalhadores não podem ser discriminados por opiniões políticas. “A liberdade de escolha é um direito constitucional, e respeitá-la é um dever de todos”, escreveu Alex Castellar.
O diretório do PT (Partido dos Trabalhadores) de Teresópolis disse, para a imprensa, repudiar os atos e ressaltou que a ação remete à Alemanha Nazista, quando campanhas de boicote foram organizadas contra judeus. No comunicado, o partido chama a lista de “inadmissível”, “grave” e uma forma de “intimidação”.
“Em uma cidade onde tantas famílias dependem do comércio local, dos pequenos empreendimentos e da circulação de recursos para garantir sua sobrevivência, incentivar o boicote a estabelecimentos comerciais significa atacar diretamente a economia do município, ameaçar postos de trabalho e prejudicar o sustento de inúmeras famílias. Não existe patriotismo em prejudicar a economia da própria cidade, perseguir comerciantes ou colocar em risco o emprego de trabalhadores por divergências políticas.”
O Sindicato do Comércio Varejista de Teresópolis também alegou repudiar o incentivo à hostilidade e pontuou que “o fortalecimento do comércio depende de um ambiente de confiança, respeito e valorização dos empreendedores e trabalhadores”.
A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) na cidade emitiu uma nota afirmando que a liberdade de expressão e o respeito às divergências são pilares de uma sociedade democrática.
“Intimidação, perseguição política, assédio e constrangimento com motivação política não serão aceitos e são repudiados”, destacou a entidade.
No quarto mandato do presidente Lula (PT), os aliados do Brasil na América Latina parecem exigir uma postura diferente por parte do petista.
Lula tem um histórico, vindo desde 2002 quando, ao tomar o poder, teve de enfrentar uma agenda nova: a da integração regional das Américas, a partir de uma relação aprofundada com os Estados Unidos e com as 34 democracias do continente; além da cristalização da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas).
Mas o governo petista, na época, escolheu a política externa como um lugar para uma pauta ideológica. Com isso, o bloco comercial não foi para frente, o Brasil passou a antagonizar posturas com os americanos e dificultou-se a possibilidade de maior dinamismo das economias do hemisfério.
Ainda há pouca clareza sobre como será conduzida a política externa de um Lula 4. Contudo, o mais interessante foi a reação dos países vizinhos, especialmente sul-americanos, que têm governos de direita e guardavam até mesmo uma expectativa de uma mudança no Brasil.
Ao perceberem a vitória do presidente Lula, se apressaram em parabenizar o petista, em estabelecer diálogo e estimular os brasileiros a assumirem um papel mais ativo localmente.
Isso ocorreria por duas razões: uma é a decorrência natural do Brasil ser o maior país, a maior economia regional – logo, o maior influenciador do que se faça regionalmente. A segunda vem pela necessidade de um espécie de contrapeso, um balanceamento, frente a agenda de Donald Trump.
O novo governo Lula vai abraçar essa oportunidade? Ela está pronta, fácil. Basta ter alguma pauta que diga respeito a todos os nossos vizinhos, mirando um caminho promissor para as relações internacionais e ao novo Planalto.
*Alberto Pfeifer é coordenador-geral do grupo de Defesa, Segurança e Inteligência da USP (Universidade de São Paulo) e pesquisador de Geopolítica do Insper Agro Global. Foi diretor de Projetos Especiais e de Assuntos Internacionais Estratégicos da Presidência da República. Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve considerar aliados que ficaram sem mandato após as eleições de 2026 e integrantes do governo que abriram mão de candidaturas na montagem da Esplanada dos Ministérios para o quarto mandato, que começa em janeiro de 2027.
Entre eles está o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), que abriu mão de disputar uma vaga no Senado pelo Ceará para assumir a articulação política do governo, em abril deste ano.
Em entrevista à CNN nesta terça-feira (27), Guimarães disse que os integrantes do governo que não disputaram as eleições para permanecer no Executivo estão à disposição do presidente para continuar a “servir o país”.
Outros integrantes do primeiro escalão, como Alexandre Padilha (PT), da Saúde, e Alexandre Silveira (PSD), de Minas e Energia, também permaneceram no governo e não concorreram no pleito deste ano.
O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT), chegou a ser cotado para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por Pernambuco, mas decidiu continuar à frente da pasta, após pedido de Lula.
A permanência desses auxiliares na nova gestão, entretanto, dependerá das escolhas do presidente e das negociações com os partidos aliados.
Em entrevista à CNN, Guimarães afirmou que a composição do próximo governo deve refletir o resultado eleitoral e as alianças políticas que contribuíram para a reeleição de Lula.
O ministro também defendeu a formação de um governo de frente ampla, com a participação de legendas além do PT, mas ressaltou que os partidos devem assumir compromissos de fidelidade à agenda governista.
“Eu sou defensor de uma base menor, se for o caso, mas coesa, e que tenha fidelidade ao governo que está implementando as suas políticas e programas”, declarou.
Aliados derrotados nas urnas
A composição da nova equipe também deve levar em conta a acomodação de aliados derrotados nas urnas, a preservação de auxiliares que permaneceram no Executivo durante a disputa eleitoral e a ampliação da participação de partidos de centro, considerados importantes para o diálogo com o Congresso Nacional.
Entre os nomes que circulam nos bastidores está o de João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife que foi derrotado na disputa pelo governo de Pernambuco.
Segundo apuração da CNN, ele é cogitado para assumir o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, pasta anteriormente comandada por seu pai, Eduardo Campos, durante o primeiro mandato de Lula.
Outro partido que pode ganhar espaço é o MDB. A expectativa entre interlocutores do governo é que a ala nordestina da legenda tenha ao menos um ministério.
Os senadores Renan Calheiros e Renan Filho, derrotados nas eleições em Alagoas, aparecem entre os nomes cotados para integrar a próxima gestão.
A acomodação de aliados sem mandato ocorre paralelamente às negociações para ampliar a sustentação do governo no Congresso Nacional.
Além dos nomes ligados ao PT e ao PSB, interlocutores do presidente avaliam a participação de representantes do Centrão em postos estratégicos.
Um dos cargos mencionados nas articulações é o Ministério das Relações Institucionais, responsável pela interlocução com deputados e senadores e atualmente comandado por Guimarães.
A possibilidade de mudanças na articulação política evidencia a disputa por espaço na Esplanada e o desafio de conciliar a permanência de auxiliares próximos ao presidente com a entrada de novos aliados.
O humorista AntonioTabet, um dos fundadores do Porta dos Fundos, afirmou nesta terçater ajudado a preparar respostas do presidente reeleito LuizInácio LuladaSilva (PT) para um debate eleitoral.
“Me vi varando a noite escrevendo respostas para que fossem usadas no debate sobre aposentadoria, escala 6 por 1 e até nove dedos (aquela)“, disse em publicação no X (antigo Twitter), nesta segunda-feira (26).
Tabet relatou que ele e o filho comemoraram quando o presidente utilizou as respostas e afirmou que, inicialmente, pretendia ficar afastado das eleições deste ano por considerar que o posicionamento político pode trazer prejuízos profissionais. Três fatores, segundo ele, o fizeram mudar de ideia: “O ímpeto cidadão; a sede por justiça; e meu filho, Pedro“.
O publicitário relacionou sua decisão ao medo de que o filho, que se identifica comoLGBTQIAPN+, fosse alvo de violência por sua identidade. Também citou o processo movido pelo senador FlávioBolsonaro (PL) no TSE(Tribunal Superior Eleitoral), motivado por uma publicação em que Tabet criticava a “famíliamiliciana”.
Depois da disputa judicial, Tabet disse ter ampliado sua participação na campanha. Ele relatou que cancelou uma peça, adiou trabalhos e passou a conversar frequentemente com o deputado federal André Janones (Rede), dono do canal “ExércitodeLula” no WhatsApp, com quem teria conversado mais do que com seus próprios filhos.
“Acordei o publicitário adormecido aqui pra virar marketeiro voluntário. E ainda levo jeito”, escreveu.
Tabet disse sentir alívio, alegria e senso de justiça com o resultado das eleições e sinalizou que pretende continuar atuando politicamente.
“Quero enfrentar inimigos melhores em 2030. Não só mais qualificados. Menos escroques e escrotos mesmo. Quem sabe não me filio a algum partido para a próxima? De repente, com gente que gosto ao lado.”