O Banco do Japão manteve as taxas de juros inalteradas nesta sexta-feira (30), mas declarou vitória em uma batalha de quase 14 anos para atingir sua meta de inflação e sinalizou vigilância contra os riscos de alta nos preços, sugerindo que o próximo aumento dos juros poderia ocorrer já em dezembro.
Com a inflação subjacente tendo atingido aproximadamente a meta de 2% do Banco do Japão, o banco central deve se concentrar em mantê-la em torno desse nível, afirmou, sugerindo que sua política monetária entrou em uma nova fase, mais restritiva, aberta a aumentos nos juros a cada poucos meses.
Embora tenha evitado se comprometer antecipadamente com um ritmo fixo de aumentos dos juros, o presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, disse que a autoridade monetária japonesa debaterá os juros em cada reunião — incluindo a próxima, em dezembro —, ciente de que sua política monetária entrou na nova fase focada nos riscos de inflação.
“É importante ancorar a inflação subjacente em torno de nossa meta. Isso não significa que vamos simplesmente ficar parados esperando. Ajustaremos a política monetária conforme apropriado para que a inflação subjacente fique ancorada em torno de 2%”, afirmou ele em uma coletiva de imprensa.
Essa mudança generalizada nas perspectivas alinha o Banco do Japão com seus homólogos dos Estados Unidos e da Europa, que estão de olho em aumentos dos juros no curto prazo para combater os riscos inflacionários decorrentes da expansão da inteligência artificial e do choque energético causado pela guerra no Irã.
Na reunião de dois dias encerrada nesta sexta-feira, o Banco do Japão manteve sua taxa básica de juros em 1,25%, em uma decisão amplamente esperada, evitando aumentos consecutivos para dedicar mais tempo à análise dos efeitos dos aumentos anteriores nas condições de crédito.
O membro da diretoria de linha dura, Hajime Takata, discordou da decisão de manter os juros, propondo, sem sucesso, um aumento para 1,5%.
Em uma medida surpreendente que marca um afastamento ainda maior da política monetária ultra-flexível, o Banco do Japão anunciou que acelerará suas vendas de fundos negociados em bolsa a partir de janeiro, passando dos atuais 330 bilhões de ienes para 860 bilhões de ienes (US$ 5,5 bilhões) por ano.
“Vimos a necessidade de examinar um pouco mais os riscos econômicos e de preços, bem como as condições financeiras”, disse Ueda, quando questionado sobre por que o Banco do Japão decidiu manter os juros estáveis.
“Mas a inflação subjacente atingiu níveis consistentes com nossa meta de preços. As condições financeiras permanecem acomodativas. Existem vários riscos de alta. Portanto, devemos estar atentos ao risco de a inflação ultrapassar nossa meta”, disse ele, mantendo vivas as expectativas de um aumento em dezembro.
O BoJ (Banco do Japão, em inglês) manteve a taxa básica de juros em 1,25% ao ano, em comunicado publicado nesta sexta-feira (30).
A manutenção era amplamente esperada por analistas consultados pela Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), para que os dirigentes possam avaliar os efeitos do aperto monetário realizado em setembro e os riscos da persistência da inflação.
No mês passado, a CPI (inflação ao consumidor, em inglês) no Japão acelerou para 2,1% na taxa anual, acima da meta pela primeira vez em nove meses.
O banco central japonês informou que a decisão foi tomada pelo placar de 8 a 1, com a dissidência de Hajime Takata, que defendeu acelerar o ritmo de aumento dos juros até atingir um nível neutro – que não restringe ou estimula a economia – para controlar a inflação na meta de 2%.
O dirigente votou por alta da taxa básica de 25 pontos-base, para 1,5% ao ano.
Em nota, a autoridade monetária do Japão ponderou que as condições financeiras seguem acomodatícias e que a economia está se recuperando moderadamente, apesar de alguma fraqueza recente.
O BoJ disse ainda que continuará a monitorar a guerra no Oriente Médio, o iene e a demanda por IA (inteligência artificial), e elevará juros a depender do crescimento econômico, preços e condições financeiras.
O BoJ elevou projeções para a taxa anual do núcleo do CPI em 2027, de 2,4% para 2,6%, embora tenha mantido previsões para este ano (+2,5%) e 2028 (+2%) inalteradas.
Em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) real, o banco central aumentou a projeção para 2026, de 0,6% a 0,7%, mas cortou para o próximo ano, de 0,8% para 0,7%.
“Existe o risco de que as expectativas de inflação de médio a longo prazo aumentem e de que a inflação subjacente se desvie para cima, situando-se acima da meta de estabilidade de preços de 2%, uma vez que o comportamento das empresas tem se voltado mais para o aumento de salários e preços”, alertou.
O banco central japonês também anunciou que aumentará o ritmo de vendas anuais de fundos ETF, de 330 bilhões de ienes para 860 bilhões de ienes (US$ 2,1 bilhões a US$ 5,5 bilhões), a partir de janeiro de 2027.
O PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro cresceu 0,4% no terceiro trimestre ante o segundo, segundo dados preliminares divulgados pela Eurostat, a agência de estatísticas da UE (União Europeia).
O resultado ficou acima da expectativa de analistas consultados pela FactSet, que previam alta de 0,2% no período.
Na comparação anual, o PIB do bloco teve expansão de 1,3% entre julho e setembro, também acima do consenso da FactSet, de 1,0%.
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,2% nos três meses até setembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nesta sexta-feira (30).
O resultado ficou em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters, que projetava 5,2% para o período.
No período, o rendimento real habitual ficou estável na comparação com o trimestre imediatamente anterior, em R$ 3.790, com alta de 3,6% na comparação anual.
O Banco Central, que terá sua reunião de política monetária na próxima semana, destacou o aquecimento do mercado de trabalho, mesmo diante da moderação gradual da atividade econômica, mas apontou a desaceleração dos rendimentos médios, enfatizando a importância de avaliar os padrões de transmissão desse processo para os preços.
O BC já promoveu cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto na taxa básica de juros, atualmente em 13,75%.
Segundo pesquisa Focus do Banco Central, concluída antes do segundo turno da eleição presidencial, a expectativa de economistas era de novo corte de 0,25 ponto na reunião do Comitê de Política Monetária na semana que vem.
Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo, no entanto, o mercado de juros futuros passou a precificar a manutenção da Selic na próxima semana.
No segundo trimestre do ano o desemprego foi de 5,4% e no terceiro trimestre do ano passado, de 5,6%. Economistas consultados em pesquisa da Reuters esperavam uma taxa de 5,2% para o terceiro trimestre.
Segundo o IBGE, a população aumentou 0,6% no trimestre em relação aos três meses anteriores, para 103,6 milhões, recorde da série, com destaque para um aumento de 2,8% das ocupações no setor de construção. Já o número de desocupados caiu 4%, para 5,6 milhões.
O gerente da pesquisa, William Kratochwill, lembrou que o terceiro trimestre é tradicionalmente favorável para o emprego, diante do aumento da produção para atender à demanda de fim de ano, mas ponderou que este ano o ritmo de alta foi menor, o que pode estar associado às eleições.
“O que pode ter acontecido é que muitos tomadores de decisões podem ter postergado suas decisões de investimentos e contratados a espera do resultado das eleições”, afirmou.
“Temos que esperar para ver se chegamos ao limite da ocupação e o ritmo de contratações pode ser mais lento mesmo daqui para frente.”
A inflação homóloga em França subiu três décimas em outubro, para 3,4%, um máximo desde dezembro de 2023, e o produto interno bruto francês contraiu 0,1% no terceiro trimestre, anunciou hoje o instituto nacional de estatística francês (INSEE).
Segundo dados provisórios do INSEE, a aceleração da inflação homóloga em outubro deveu-se principalmente ao aumento dos preços do gás e do petróleo.
Num comunicado, o INSEE sublinha que os preços da energia aceleraram pelo quarto mês consecutivo em outubro, principalmente devido aos produtos petrolíferos e gás, que subiram concretamente 24,1% em relação ao mesmo mês de 2025, contra 21,3% em setembro.
A subida da inflação também foi impulsionada pelos serviços, com um aumento homólogo de 2,7% em outubro, contra 2,4% em setembro, especialmente devido ao aumento dos preços nos serviços de alojamento e transporte.
Já os alimentos progrediram 1,2% em termos homólogos em outubro, menos duas décimas que em setembro, e isso por uma desaceleração do aumento dos produtos frescos, que de qualquer forma se manteve forte (8%, contra 9,5% em setembro).
A inflação harmonizada homóloga de França, que é a que serve para as comparações com outros países europeus, subiu para 3,8% em outubro, com base nos dados provisórios, mais quatro décimas do que em setembro.
Em relação ao produto interno bruto (PIB) francês, que recuou 0,1% no terceiro trimestre, depois de estagnar no segundo e de cair 0,2% no primeiro trimestre, o INSEE refere que se deveu à retração dos investimentos e à deterioração do comércio externo.
A formação bruta de capital fixo, que mede o investimento, voltou a recuar, com uma queda de 0,6%, após diminuir 0,5% no segundo trimestre, segundo o INSEE.
A taxa Euribor subiu hoje a três e seis meses e desceu a 12 meses face a quinta-feira, terminando outubro com a média mensal inalterada no prazo mais curto, a avançar no intermédio e a descer no mais longo.
A média mensal da Euribor em outubro manteve-se em 2,635% a três meses e subiu 0,053 pontos para 2,975% a seis meses. Já a média da Euribor a 12 meses desceu 0,008 pontos para 3,239% em outubro.
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, avançou hoje ao ser fixada em 2,992%, mais 0,019 pontos percentuais que na quinta-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a agosto indicam que a Euribor a seis meses representava 40,3% do ‘stock’ de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,03% e 24,27%, respetivamente.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor recuou hoje, para 3,306%, menos 0,002 pontos que na véspera.
A Euribor a três meses avançou hoje, ao ser fixada em 2,676%, mais 0,033 pontos.
Como esperado, o Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas diretoras na quinta-feira e, segundo o mercado, adiou a subida das mesmas para a última reunião de política monetária deste ano, que se realiza em Frankfurt em 16 e 17 de dezembro.
Em 10 de setembro, também como esperado pelos mercados, o BCE subiu as taxas diretoras, em 25 pontos base, depois de as ter mantido em julho.
Em junho, pela primeira vez desde setembro de 2023, o BCE tinha subido as taxas diretoras, designadamente 25 pontos base, depois de as manter em abril, pela sétima reunião consecutiva e de oito reduções desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 21 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
A economia alemã cresceu 0,2% no terceiro trimestre em relação aos três meses anteriores, corrigidos os efeitos de preços, sazonais e de calendário, segundo os dados preliminares publicados hoje pela agência federal de Estatística alemã (Destatis).
Este dado aprofunda a desaceleração que a maior economia da Europa vinha a mostrar, já que cresceu 0,4% entre janeiro e março e 0,3% entre abril e junho, depois de fechar 2025 com um avanço de 0,3% e de dois anos de recessão.
A economia portuguesa travou no terceiro trimestre para um crescimento de 2,4% em termos homólogos e 0,2% em cadeia, segundo dados do INE. Em cadeia Portugal evoluiu abaixo da zona euro.
Os preços em Espanha subiram 4,9% em outubro, comparando com o mesmo mês de 2025, segundo uma estimativa divulgada hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) espanhol.
Se se confirmar a estimativa, a taxa de inflação em Espanha em outubro foi igual à registada no mês anterior (setembro).
Esta é a taxa mais alta de inflação no país desde fevereiro de 2023, mês em que atingiu os 6%, segundo os dados do INE.
Quanto à inflação subjacente (sem a energia e os produtos alimentares frescos, tradicionalmente os mais voláteis do cabaz de compras), o INE estima que foi de 3,1% em outubro, a mesma registada em setembro.
Segundo o INE, a evolução dos preços este mês deveu-se, sobretudo, aos combustíveis, que “diminuíram mais do que em outubro de 2025”.
Espanha tem em vigor descontos de 20 cêntimos por litro no gasóleo e de cinco cêntimos na gasolina desde o início de setembro.
O governo espanhol anunciou no final de agosto um desconto de 20 cêntimos por litro no gasóleo, após este combustível ter aumentado 15,7% em julho.
Por outro lado, o desconto na gasolina foi reduzido de 10 cêntimos por litro em agosto para 5 cêntimos por litro em setembro.
Estes descontos fazem parte de um plano de resposta ao impacto da guerra no Médio Oriente em vigor desde março e que o Governo de Espanha reformulou no final de junho.
Os juros da dívida portuguesa subiam hoje a dois, a cinco e a 10 anos face a quinta-feira, alinhados com os de Espanha, Grécia e Itália, e em sentido contrário aos da Alemanha no prazo mais longo.
Às 08:30 em Lisboa, os juros a 10 anos avançavam para 3,834%, contra 3,823% na quinta-feira.
Os juros a cinco anos também subiam, para 3,412%, contra 3,400%.
No mesmo sentido, os juros a dois anos avançavam, para 3,130%, contra 3,114% na véspera.
Em sentido contrário, os juros da obrigação a 10 anos da Alemanha, considerada a mais segura da Europa, caíam, para 3,350%, contra 3,354%.
Juros da dívida soberana em Portugal, Espanha, Grécia e Itália às 08:30:
2 anos…5 anos…10 anos
Portugal
30/10…….3,130…3,412…..3,834
29/10…….3,114…3,400…..3,823
Espanha
30/10…….3,194…3,493…..3,981
29/10…….3,179…3,474…..3,966
Grécia
30/10…….3,199…3,746…..4,323
29/10…….3,171…3,707…..4,288
Itália
30/10…….3,550….4,059…..4,529
29/10…….3,507….4,017…..4,497
Fonte: Bloomberg Valores de ‘bid’ (juros exigidos pelos investidores para comprarem dívida) que compara com fecho da última sessão.
A dificuldade de aprovar pautas em um Congresso Nacional mais à direita será um dos principais desafios do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo William Foster, vice-presidente sênior da Moody’s Ratings.
Em entrevista exclusiva ao CNN Money, o executivo apontou que a capacidade de negociar com parlamentares e construir acordos políticos será determinante para a implementação de medidas capazes de conter o avanço da dívida pública brasileira.
“O maior desafio que vejo neste momento não é apenas elaborar boas políticas e conquistar a credibilidade do mercado, mas conseguir aprovar a legislação no Congresso para dar sustentação a essas políticas”, afirmou Foster.
Na avaliação dele, o desafio será ainda maior do que no mandato anterior, diante da mudança na composição do Legislativo. “O Congresso se deslocou para a direita”, ressaltou.
Foster destacou que a aprovação de mudanças fiscais exigirá habilidade política do governo para negociar com o centro e construir maiorias. No Brasil, PECs (Propostas de Emenda à Constituição) precisam de três quintos dos votos de deputados e senadores, o que exige uma articulação ampla para a aprovação de mudanças estruturais.
“Isso vai exigir uma negociação significativa de acordos e uma disposição política que Lula precisará empregar para alcançar esses objetivos”, afirmou.
O executivo ressaltou que a questão fiscal não depende apenas da elaboração de medidas bem desenhadas, mas também de sua implementação. Para a agência, a capacidade do governo de transformar propostas em mudanças efetivas será fundamental para recuperar a confiança dos investidores.
Nesse sentido, apontou a necessidade de rever o crescimento das despesas obrigatórias, muitas delas corrigidas pelo salário mínimo e pela inflação. Para ele, mudanças nos mecanismos de indexação e no nível dos gastos poderiam reduzir os déficits primários e, no futuro, permitir a estabilização da dívida.
Juros elevados dificultam recuperação fiscal
O custo de financiamento da dívida é outro ponto de preocupação para a Moody’s. Segundo Foster, o Brasil apresenta despesas com juros elevadas em comparação com outros países, reflexo de taxas historicamente altas e da estrutura de financiamento do governo.
O executivo afirmou que os pagamentos de juros equivalem a cerca de 20% das receitas públicas e superam 8% do PIB (Produto Interno Bruto).
Na entrevista, ele também destacou que mais de 40% da dívida do governo está vinculada a taxas flutuantes relacionadas à Selic, o que aumenta a exposição das contas públicas a períodos prolongados de juros elevados.
“[O Brasil] é muito mais vulnerável a taxas de juros mais altas por períodos mais longos, particularmente com um prazo médio ponderado da dívida pública em torno de quatro anos. Essa é uma característica estrutural […] e a tendência continuou a piorar nos últimos quatro anos do governo Lula”, ponderou.
Na avaliação de Foster, a política monetária enfrenta o desafio de conter as pressões inflacionárias enquanto a política fiscal mantém estímulos à atividade econômica. O aumento dos gastos públicos pode dificultar o trabalho do Banco Central e reduzir o espaço para cortes mais rápidos da taxa básica de juros.
O executivo, contudo, vê possibilidade de redução gradual dos juros, desde que algumas condições sejam atendidas. Entre elas, está um reequilíbrio da política fiscal, capaz de contribuir para a desaceleração da inflação e diminuir o custo de financiamento do governo e da economia.
“[A consolidação fiscal] permitiria ao Banco Central, potencialmente, ter mais confiança para que eles possam reduzir ainda mais as taxas”, disse.
Foster também alertou para a possibilidade de dominância fiscal, situação em que as pressões das contas públicas dificultam a condução da política monetária.
Para a Moody’s, a recuperação da credibilidade fiscal seria um caminho para melhorar as condições de financiamento e favorecer o crescimento sustentável. A redução do custo da dívida também ajudaria a diminuir os déficits e abrir espaço para investimentos do setor privado.
Dívida pública pode continuar crescendo sem reformas
Sem mudanças na política fiscal ao longo dos próximos quatro anos, a Moody’s projeta que a relação poderá alcançar cerca de 87% do PIB no ano seguinte e continuar aumentando. A estimativa da agência é superior à projeção do governo, que prevê um pico próximo de 88% nos próximos anos, antes de uma trajetória de queda.
“Para que a dívida comece a cair ou se estabilize, é necessário observar mudanças na política fiscal”, afirmou Foster.
Segundo ele, a principal frente de atuação seria a revisão das despesas obrigatórias, que apresentam uma tendência estrutural de crescimento. A redução do ritmo de expansão dos gastos e eventuais cortes poderiam contribuir para diminuir os déficits primários e, posteriormente, permitir a obtenção de superávits.
O executivo também fez ressalvas ao atual arcabouço fiscal brasileiro. Embora considere razoáveis as metas de resultado primário, ele avalia que o modelo não contempla de maneira suficiente o principal fator por trás do déficit total do governo: o pagamento de juros.
“Uma política fiscal crível precisa levar em conta o custo dos empréstimos”, afirmou.
Para o executivo, a adoção de metas de longo prazo para a dívida em relação ao PIB e mudanças na forma de acompanhar o cumprimento dos objetivos fiscais poderiam aumentar a transparência e a previsibilidade da política econômica.
A agência considera que uma melhora duradoura das contas públicas, acompanhada de crescimento econômico mais forte, poderia abrir caminho para uma perspectiva positiva e, eventualmente, para a elevação da nota de crédito brasileira ao grau de investimento. Isso exigiria, porém, uma mudança permanente e significativa na trajetória fiscal.
No sentido contrário, a persistência de déficits elevados e a deterioração da credibilidade da política econômica poderiam pressionar ainda mais os juros, prejudicar o crescimento e ampliar o endividamento.
Porém, Foster destacou que a polarização política dificulta a adoção de medidas fiscais não apenas no Brasil, mas também em outros países. Reformas que envolvem despesas sociais, previdência e saúde são particularmente sensíveis e dependem de consenso político.
“É necessário um reequilíbrio entre esses custos e os objetivos fiscais. Isso exige consenso político, algo que está muito difícil de alcançar no Brasil e em muitos países ao redor do mundo”, afirmou.
Para a Moody’s, a capacidade do governo Lula de construir pontes com a oposição e com os partidos de centro será decisiva para avançar com reformas capazes de estabilizar a dívida e fortalecer o perfil de crédito do país.
A agenda fiscal brasileira deve ser tratada como um movimento apartidário, voltado a trazer a gestão das contas públicas para patamares civilizatórios. A avaliação é do economista Daniel Couri, especialista em contas públicas, ao WW.
Couri destacou que, embora um ajuste fiscal seja necessário, ele não é suficiente para resolver a questão do crescimento econômico no país.
“Isso é só para colocar o endividamento dentro de patamares civilizados”, afirmou o especialista, reforçando que o ajuste representa apenas uma parte de um processo mais amplo, e não a solução definitiva.
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Situação fiscal preocupante em perspectiva global
O economista apresentou dados que ilustram a gravidade da situação fiscal brasileira em comparação internacional.
Segundo Couri, em 2026, apenas 21 países de uma lista de 180 nações terão uma dívida maior do que a do Brasil — e quase todos eles são países avançados.
Em relação aos gastos com juros, a situação é ainda mais alarmante: somente Bahrein e Egito devem gastar mais do que o Brasil nessa rubrica.
Diante desse cenário, Couri manifestou surpresa com o fato de o debate público se concentrar tanto na necessidade do ajuste em si, quando esse movimento sequer é capaz de resolver a questão do crescimento.
“Eu acho que isso deveria ser suficientemente forte para convencer o Congresso de que essa agenda é apartidária”, declarou.
A mudança na composição do Congresso Nacional, mencionada no debate, foi apontada como um fator de incerteza adicional sobre as perspectivas de avanço das reformas necessárias.
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A IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado avalia que dificilmente o governo conseguirá alcançar o superávit primário em 2027, diante do atual cenário das contas públicas.
Em entrevista ao CNN Money, o diretor da instituição, Alexandre Andrade, defendeu que a equipe econômica anuncie “o mais rápido possível” um plano de ajuste fiscal para ancorar as expectativas do mercado.
Alexandre Andrade apontou dois fatores centrais para o pessimismo em relação à meta fiscal. “Na análise que nós fizemos do PLOA 2027 em setembro, nós identificamos premissas bastante otimistas, tanto nas receitas quanto nas despesas”, afirmou.
Além disso, segundo ele, o espaço fiscal já está completamente preenchido e ainda será necessário acomodar cerca de 40 a 50 bilhões de reais em novas despesas decorrentes de medidas anunciadas após 31 de agosto.
O diretor também destacou que a IFI prevê uma desaceleração da atividade econômica no próximo ano. “O PIB deve ter um crescimento menor e isso afeta consequentemente as receitas”, explicou Alexandre Andrade.
Com isso, a combinação de gastos crescentes e receitas menores torna ainda mais remota a possibilidade de resultado superavitário.
Gasto obrigatório comprime espaço discricionário
Um dos pontos centrais da análise da IFI é o forte crescimento do gasto obrigatório, que tem reduzido progressivamente o espaço discricionário do orçamento. “Nós temos hoje cerca de 140 bilhões de reais em despesas discricionárias não rígidas, que basicamente são investimentos e custeio da máquina. Esse é basicamente o montante passível de sofrer cortes”, disse Alexandre Andrade. No curto prazo, esses gastos tendem a ser reduzidos para acomodar as novas despesas obrigatórias anunciadas recentemente.
Alexandre Andrade ressaltou que um ajuste focado apenas nas despesas discricionárias não é suficiente.
“Pensar em um ajuste do lado da despesa que apenas afete as despesas discricionárias não faz muito sentido, é preciso que se promova revisão de despesas obrigatórias”, afirmou. Segundo ele, mais do que cortar, o objetivo deveria ser desacelerar o ritmo de crescimento dessas despesas ao longo dos próximos anos.
Arcabouço fiscal perde eficácia em 2028
De acordo com as projeções da IFI, a atual regra do arcabouço fiscal perderá eficácia em 2028, quando as despesas sujeitas ao limite ultrapassarão o próprio limite estabelecido. Alexandre Andrade alertou que simplesmente modificar os parâmetros do arcabouço teria efeito muito limitado, caso não haja uma reforma do gasto obrigatório.
“Na ausência de reforma do gasto obrigatório, de nada vai adiantar simplesmente modificar os parâmetros do arcabouço, porque, num contexto como esse, apenas a regra perderia eficácia mais cedo”, afirmou.
O diretor da IFI também comentou sobre a probabilidade, apontada em relatório da instituição, de 81,6% de a dívida pública superar 90% do PIB até 2030. Segundo Alexandre Andrade, essa trajetória poderia ser alterada caso um plano de ajuste fiscal crível seja apresentado.
“Haveria uma descompressão dos prêmios de risco, uma redução das taxas longas de juros e, por sua vez, uma redução do custo de financiamento da dívida pública”, explicou, acrescentando que, nesse cenário, a dívida seria “um pouco mais baixa do que está projetada nos nossos relatórios”.
Questionado sobre promessas de campanha que ainda não foram contabilizadas, como a gratuidade do transporte público nos fins de semana, Alexandre Andrade afirmou que ainda não há previsão de valores para essa medida.
No entanto, classificou a proposta como “mais um componente de pressão sobre a elaboração do orçamento do ano que vem, em um contexto em que o quadro fiscal já está bastante apertado”. Segundo ele, dependendo do alcance da medida, a necessidade de ajuste no PLOA poderia superar os 40 a 50 bilhões de reais já estimados.
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O presidente dos EUA, Donald Trump, alegou que os dirigentes do Fed (Federal Reserve) não decidem por um corte nas taxas de juros porque “isso seria positivo” para o mandatário, ao discursar em um comício na Carolina do Sul, às vésperas da eleição americana de meio mandato.
“Hoje vimos dados que mostram que a economia está em expansão”, defendeu, em referência à leitura de aceleração do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA no 3º trimestre.
Na ocasião, Trump disse que o número veio “muito acima” das expectativas. A primeira leitura do PIB mostrou expansão a 3,4%. Analistas consultados pela Broadcast (Sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) esperavam alta de 3,2%.
Já sobre geopolítica, o presidente americano voltou a dizer que a guerra contra o Irã acabará “muito, muito em breve”.
O custo de vida é o tema número 1 para os eleitores que se dirigem às urnas, mas o Fed (Federal Reserve) observou o persistente problema de inflação dos Estados Unidos na quarta-feira (28) e optou por não fazer nada a respeito. Pelo menos nas próximas seis semanas, de qualquer forma.
Apesar de os preços ao consumidor terem subido 3,7% no último ano e de o indicador de inflação preferido do Fed permanecer teimosamente 50% acima da meta do banco central, a decisão de manter as taxas de juros estáveis era amplamente esperada.
Isso porque alterar as taxas é um instrumento contundente que pode causar sérios danos à economia quando mal utilizado ou aplicado no momento errado.
“As taxas de juros penetram em todas as brechas”, disse o presidente do Fed, Kevin Warsh, em uma coletiva de imprensa na quarta-feira. “Elas afetam tudo.”
Os banqueiros centrais elevaram as taxas pela primeira vez em mais de três anos no mês passado, e querem aguardar um pouco para ver como a economia responde antes de golpeá-la novamente com outro aumento de juros.
“Garantir a estabilidade de preços e monitorar a inflação não é sobre uma data fixa no calendário ou um dado isolado”, disse Warsh. “É sobre garantir que tenhamos objetivos claros e a política monetária correta.”
Warsh afirmou estar encorajado com a redução nas expectativas de inflação desde que o Fed elevou as taxas em setembro.
Ao esperar, porém, o Fed também está assumindo um risco significativo. O banco central arrisca repetir um erro semelhante ao de 2021, quando presumiu que o monstro da inflação encarando diretamente a economia poderia ser derrotado simplesmente sendo ignorado. (O Fed estava desastrosamente errado).
Desta vez pode ser realmente diferente, e não agir com pressa pode se mostrar uma decisão acertada.
Ou pode forçar o banco central a aplicar à economia uma espécie de terapia de choque em dezembro, que poderia ter sido evitada com um aumento de juros em outubro.
Por que o Fed não elevou os juros?
Empregos. Elevar as taxas aumenta os custos de empréstimo das empresas, deixando-as com menos dinheiro para contratar.
Este pode ser um momento perigoso para mexer no mercado de trabalho: a economia dos EUA criou apenas 29.000 empregos em setembro, bem abaixo das expectativas. E o relatório de setembro mostrou que a economia criou 60.000 empregos a menos nos dois meses anteriores do que se acreditava anteriormente.
O mercado de trabalho não está de forma alguma em mau estado, mas tem se mostrado instável. A economia dos EUA perdeu 10.000 empregos em julho e em sete dos últimos 16 meses. Embora o desemprego permaneça em um saudável 4,2%, os economistas descrevem a economia como “baixa contratação, baixa demissão”.
Em outras palavras, sua posição pode não estar em risco, mas se você deixar seu emprego, pode ter dificuldade em encontrar um novo.
Mercados. Os rendimentos dos títulos do Tesouro subiram desde o último aumento de juros do Fed, com os rendimentos dos títulos atingindo em determinado momento as máximas de várias décadas.
Os rendimentos recuaram um pouco desde então, retornando ao patamar em que estavam em meados de setembro, mas os rendimentos dos títulos ainda relativamente altos podem ajudar a dar cobertura ao Fed, pois têm um efeito semelhante ao da taxa dos fundos federais, desacelerando a economia e a inflação.
O Fed também não gosta de surpreender os investidores – mesmo na nova era de “mantê-los adivinhando” de Warsh. O mercado havia precificado uma chance de 91% de que o Fed manteria as taxas, de acordo com a ferramenta FedWatch da CME, e um aumento poderia ter levado os mercados a um reequilíbrio doloroso.
Timing. A decisão do Fed também pode ter sido influenciada, pelo menos em parte, pela eleição que se aproxima. Narayana Kocherlakota, ex-presidente do Fed de Minneapolis, disse ao meu colega Matt Egan que o Fed hesitou em aumentar as taxas na quarta-feira porque queria se isolar das críticas do presidente Donald Trump. Mas o Fed, ao longo de sua história, mudou as taxas muitas vezes justamente quando os eleitores se dirigiam às urnas, observou também minha colega Elisabeth Buchwald.
Por que manter as taxas pode ser um erro?
O erro “transitório”: O Fed normalmente não intervém quando choques de oferta, como a crise energética induzida pela guerra com o Irã, causam inflação. Eles são notoriamente temporários, difíceis de prever e insensíveis a mudanças nas taxas.
Mas os choques de oferta às vezes levam a problemas maiores que o Fed pode ajudar a resolver. O Fed deveria saber disso: acabou de passar por isso.
Quando a economia emergiu da pandemia, o Fed cometeu um erro em relação à inflação, declarando-a resultado de um choque de oferta “transitório” relacionado à guerra Rússia-Ucrânia e aos enormes gargalos nas cadeias de suprimentos.
O problema acabou se tornando o mais significativo de uma geração em termos inflacionários. O Fed, pego de surpresa, foi forçado a elevar as taxas em um ritmo histórico – três altas consecutivas de três quartos de ponto percentual.
No fim, o Fed conseguiu reduzir a inflação descontrolada a níveis mais administráveis, mas não antes de os preços ao consumidor atingirem o pico de uma taxa anual de 9,1%, a mais alta em quatro décadas.
Desta vez pode não ser diferente: a inflação já está se espalhando para outras partes da economia.
Particularmente preocupante no relatório de inflação ao consumidor de setembro foi a surpreendente recuperação nos custos de moradia e aluguel, um contribuidor significativo para a inflação que havia arrefecido na primavera e no verão.
E o custo de outros serviços também subiu mais do que o esperado – preços que tendem a aumentar (e permanecer altos) à medida que estúdios de yoga, serviços de jardinagem e similares cobram mais de seus clientes para compensar seus custos crescentes.
Também impulsionando a inflação: os investimentos em data centers e em tecnologia que alimenta a IA empurraram a economia para o limite – e talvez tenham contribuído para seu superaquecimento.
Os preços de eletricidade, materiais de construção, mão de obra e tecnologia pessoal, como smartphones e laptops, todos subiram como resultado.
Mais guerra? Essa alta nos preços de energia pode piorar antes de melhorar. Trump sinalizou fortemente (e a CNN noticiou) que os Estados Unidos e Israel poderiam escalar a guerra com o Irã após as eleições de meio de mandato, potencialmente elevando ainda mais os preços do petróleo.
Seria imprudente para o Fed tomar uma decisão com base em um rumor. E os preços de energia podem cair rapidamente.
Por exemplo, o anúncio do governo Trump de um cessar-fogo energético com a Rússia se manteve surpreendentemente bem, aumentando dramaticamente a quantidade de diesel produzida pela Rússia nas últimas semanas, o que poderia reduzir significativamente os preços globais do diesel – caso a Ucrânia continue a se abster de seus ataques de drones às refinarias russas.
Mas a prolongada alta nos preços de energia já está elevando os preços em toda a economia, e esperar para voltar a aumentar as taxas pode colocar o Fed em desvantagem.
Sapos em água fervente. As altas de juros funcionam com efeito retardado, e mudanças mais bruscas nas taxas podem ter efeitos deletérios sobre o sistema financeiro, os mercados e a economia. Esse sapo econômico tende a permanecer na panela quando o calor é aumentado gradualmente.
Se as escaladas na guerra do Irã e na guerra Rússia-Ucrânia forem retomadas, isso poderia colocar o Fed em uma posição difícil, obrigando-o a elevar as taxas ainda mais do que o esperado em sua próxima reunião em dezembro – potencialmente em meio ponto, em uma espécie de ajuste compensatório.
As massivas e sucessivas altas de juros ao longo de 2022 levaram o mercado de ações à sua maior queda anual desde a crise financeira e paralisaram o mercado imobiliário. Mas a economia não entrou em recessão – um feito que o Fed raramente conseguiu quando eleva as taxas de juros.
Não é uma aposta que muitos economistas estejam ansiosos para fazer novamente.
O presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), Flávio Roscoe, alertou nesta quinta-feira (29) para o risco de aumento dos custos de produção diante de possíveis mudanças na jornada de trabalho e da implementação da reforma tributária.
Segundo ele, alguns segmentos industriais poderão precisar ampliar em até 20% o número de funcionários para manter o mesmo volume de produção caso a jornada seja reduzida.
A declaração foi feita durante entrevista coletiva na abertura da nona edição do Imersão Indústria, realizado no BH Shopping, em Belo Horizonte.
O evento reúne empresários, especialistas e lideranças para discutir os obstáculos à competitividade do setor produtivo. Neste ano, o tema central é “Custo Brasil — O Brasil precisa. A indústria faz”.
De acordo com Roscoe, o impacto de uma eventual redução da jornada tende a ser maior em atividades que operam continuamente, com máquinas e equipamentos em funcionamento durante 24 horas por dia. Nesses casos, a reorganização dos turnos pode exigir novas contratações para que o ritmo de produção seja mantido.
“Na hora que você simula escala e jornada, no setor industrial, a maioria vai cair já para uma escala de 38 ou 40 horas”, afirmou.
Roscoe também chamou a atenção para as dificuldades de contratação e treinamento de profissionais em um prazo curto.
Na avaliação dele, o aumento das despesas pode comprometer a viabilidade de algumas operações, especialmente quando as empresas não conseguem repassar os custos adicionais aos preços dos produtos por causa da concorrência internacional.
Além das mudanças na jornada de trabalho, Roscoe defendeu mais tempo para que as empresas se adaptem à reforma tributária.
Segundo o presidente da entidade, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) decidiu solicitar a prorrogação dos prazos de implementação das mudanças ou, alternativamente, a suspensão de penalidades para empresas que não conseguirem cumprir as exigências dentro do período previsto.
O dirigente afirmou que a adequação exige alterações nos sistemas das empresas, revisão de procedimentos e preparação para as novas regras. A preocupação é que a transição, somada a outros fatores que já encarecem a produção, aumente a pressão sobre os custos industriais.
Para a Fiemg, a combinação de despesas tributárias, custos trabalhistas e dificuldades operacionais pode afetar a capacidade das empresas brasileiras de competir com produtos importados.
A DPF (Dívida Pública Federal) chegou a R$ 9,38 trilhões em setembro de 2026, alta de 0,97% em relação a agosto, quando o estoque estava em R$ 9,29 trilhões. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Tesouro Nacional, por meio do Relatório Mensal da Dívida.
Em valores nominais, o endividamento federal aumentou R$ 90,22 bilhões no mês. Segundo o Tesouro, o crescimento foi provocado principalmente pela apropriação de R$ 89,46 bilhões em juros, além de uma emissão líquida de R$ 0,76 bilhão.
Em setembro, as emissões de títulos públicos somaram R$ 189,44 bilhões, enquanto os resgates atingiram R$ 188,67 bilhões.
A DPMFi (Dívida Pública Mobiliária Federal interna), que representa a maior parcela do endividamento federal, subiu 1,04%, passando de R$ 8,94 trilhões em agosto para R$ 9,04 trilhões em setembro.
O resultado foi influenciado pela incorporação de R$ 89,29 bilhões em juros e pela emissão líquida de R$ 3,78 bilhões.
Já a DPFe (Dívida Pública Federal externa) apresentou queda de 0,82% em relação a agosto, encerrando setembro em R$ 345,41 bilhões, ante R$ 348,26 bilhões no mês anterior.
Prazo e custo da dívida
O prazo médio da DPF permaneceu estável em 4,10 anos entre agosto e setembro. Já o custo médio do estoque da dívida, acumulado nos últimos 12 meses, aumentou de 12,59% ao ano em agosto para 12,63% ao ano em setembro.
A parcela da dívida pública federal com vencimento nos próximos 12 meses também cresceu, passando de 16,39% para 19,95% do estoque total. O indicador representa a proporção da dívida que precisará ser paga ou refinanciada pelo Tesouro Nacional no período.
Reserva de liquidez
A reserva de liquidez da dívida pública, conhecida como colchão da dívida, encerrou setembro em R$ 1,273 trilhão, ante R$ 1,208 trilhão em agosto. Segundo o Tesouro, o volume apresentou alta nominal de 5,33% na comparação mensal.
Em relação a setembro de 2025, quando a reserva somava aproximadamente R$ 1,032 trilhão, houve crescimento nominal de 23,30%. O colchão da dívida compreende os recursos disponíveis em caixa para o pagamento da dívida pública e funciona como uma reserva para enfrentar períodos de maior concentração de vencimentos ou dificuldades de financiamento.
O Tesouro informou que o volume registrado em setembro é suficiente para cobrir os próximos 7,71 meses de vencimentos da dívida pública, ante 7,18 meses em agosto.
A DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral) chegou a 82,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em setembro de 2026, o equivalente a R$ 11,1 trilhões. O indicador acumula alta de 4,3 pontos percentuais do PIB desde o início do ano, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (29) pelo BC (Banco Central).
Apesar do avanço no acumulado de 2026, o percentual permaneceu estável em relação a agosto, quando a dívida bruta também representava 82,9% do PIB.
Segundo o BC, a elevação do endividamento ao longo do ano foi impulsionada principalmente pela incorporação dos juros nominais, que contribuíram para um aumento de 7,2 pontos percentuais na relação entre dívida e PIB.
As emissões líquidas de dívida acrescentaram outros 1,1 ponto percentual ao indicador.
Na comparação mensal, os juros nominais contribuíram para elevar a dívida em 0,8 ponto percentual do PIB. O impacto foi compensado pelos resgates líquidos de dívida e pela variação do PIB nominal, que reduziram o indicador em 0,4 ponto percentual cada.
A dívida bruta compreende as obrigações do governo federal, do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e dos governos estaduais e municipais.
Juros somam R$ 1,2 trilhão em 12 meses
O relatório do BC também mostra que os juros nominais do setor público consolidado somaram R$ 107,5 bilhões em setembro, ante R$ 84,7 bilhões no mesmo mês de 2025.
No acumulado de 12 meses, as despesas com juros chegaram a R$ 1,205 trilhão, equivalente a 8,99% do PIB. No mesmo período encerrado em setembro do ano passado, o valor era de R$ 984,8 bilhões, ou 7,86% do PIB.
Considerando também os gastos com juros, o déficit nominal alcançou R$ 113 bilhões no mês e R$ 1,275 trilhão no acumulado de 12 meses, equivalente a 9,51% do PIB.
O Banco Central Europeu manteve as taxas de juros inalteradas nesta quinta-feira (29), em uma decisão amplamente antecipada, mas alertou que os riscos de inflação estão aumentando devido ao aumento dos custos da energia, o que pode reforçar as expectativas do mercado de um aumento das taxas em dezembro.
O BCE elevou as taxas duas vezes este ano para evitar que um salto nos preços da energia, induzido pela guerra no Irã, se tornasse permanente, e sinalizou que mais aumentos podem ser necessários, mesmo que não haja pressa, na ausência de evidências de efeitos perigosos de inflação de segunda ordem.
Em uma decisão publicada poucas horas depois que a presidente do BCE, Christine Lagarde, anunciou que deixará o cargo antecipadamente, o BCE alertou que os riscos para a inflação estão inclinados para cima, devido ao recente aumento nos preços do petróleo e do gás.
“Os preços da energia continuaram a subir, representando riscos de alta para as perspectivas de inflação e riscos de baixa para as perspectivas de crescimento”, afirmou o BCE em comunicado.
Acrescentou que a inflação subjacente permaneceu “amplamente estável” e que os salários não demonstraram “uma resposta significativa” aos preços mais altos, embora “o aumento da magnitude e da duração do choque energético” provavelmente impulsione a inflação e prejudique o crescimento.
A deterioração das condições de financiamento, particularmente na França, pode complicar a próxima decisão do banco.
Os custos dos empréstimos aumentaram acentuadamente nos últimos meses e espera-se que o fluxo de crédito desacelere, freando o crescimento econômico.
Isso produz o tipo de aperto monetário que um aumento das taxas pelo BCE alcançaria, mas também acarreta o risco de turbulência financeira, já que a França agora precisa pagar um prêmio de 155 pontos-base — o maior em décadas — em relação à Alemanha para se endividar por 10 anos.
“As condições de financiamento se tornaram mais restritivas desde a última reunião do Conselho do BCE, o que provavelmente pesará sobre a inflação e o crescimento”, afirmou o BCE.
Isso sugere que o BCE precisará trilhar um caminho delicado nos próximos meses.
Ele deve impedir que a inflação elevada se torne estrutural — o aumento dos preços já é o dobro de sua meta de 2%. No entanto, o BCE quer evitar provocar turbulências nos mercados que possam induzir uma recessão ou uma instabilidade financeira mais ampla.
É por isso que a grande maioria dos economistas consultados pela Reuters prevê apenas mais um ou dois aumentos antes que o BCE encerre o atual ciclo de aperto monetário.
A atenção agora se volta para a coletiva de imprensa da presidente do BCE, Christine Lagarde, às 10h45, durante a qual ela provavelmente enfrentará perguntas sobre o que o BCE fará caso os custos de financiamento da França subam ainda mais.
A Reuters informou este mês que o Fórum Econômico Mundial poderá nomear Lagarde como sua próxima presidente já em novembro, acelerando uma ampla reorganização na alta cúpula do BCE.