"É claro que a Fidelidade vai honrar os seus compromissos". É desta forma que Rogério Campos Henriques, CEO da Fidelidade, responde à polémica à volta das indemnizações às vítimas do Elevador da Glória, nomeadamente em casos em que há contestação dos beneficiários.
Falando na 7ª Conferência Anual do ECOseguros, que decorre esta quinta-feira em Lisboa, o responsável acrescentou que não só a seguradora - que cobria os riscos do equipamento da Carris - continua…
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O Presidente norte-americano quer substituir a expressão "Inteligência Artificial" por "Super Inteligência" nos documentos governamentais. Já a OpenAI quer adquirir chips de IA ao Google.
António José Seguro reúne-se hoje com especialistas para debater o tema da escassez de habitação a preços acessíveis, depois de já ter feito o apelo ao entendimento entre os partidos para que encontrem terreno comum para aprovar soluções.
Ainda antes do encontro desta quarta-feira, deixou “três prioridades". A primeira, apontou, passa por “dinamizar o mercado de arrendamento". “Pode ser feito já, porque há uma série de casas, duas centenas de…
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Sabemos por fin en qué noche Van Gogh se detuvo a contemplar las estrellas. Un estudio científico de la revista Scientific Reports ha estudiado la posición de la Luna y de Venus y ha precisado cuándo se configuró el cielo que acabaría cristalizado en uno de los cuadros más famosos, más caros, más imitados del mundo. Fue durante el 22 de julio de 1889, y no en junio, como se creía hasta ahora, una noche preciosa de verano, reconstruida por la astronomía ciento treinta y siete años más tarde con un detalle que habría exasperado al pintor, el único de todos los hombres que esa noche, cuando miró hacia arriba, no vio solo un cielo, sino un código que latía en las luces que ardían.
Siempre me ha interesado esa frontera entre lo que podemos calcular y lo que, aun remoto, solo imaginamos. Conocemos, o al menos poseemos, las claves para conocer las órbitas de los planetas, la composición química de los pigmentos, el ritmo de las palabras, los intervalos de la música. Me angustia, últimamente, cuando doy con novelas escritas total o parcialmente mediante inteligencia artificial, comprobar cómo la máquina dispone ya las palabras con una cierta corrección; pero una obra literaria no resulta de la suma de los procedimientos que la crean. Aunque cumpla de la primera a la última cada regla narrativa, nada de eso garantiza que la novela contenga una sola página memorable o emocionante. La corrección formal no supone un mérito artístico cuando es el único que una obra ofrece.
Sospecho, y más aún tras los últimos escándalos, que los lenguajes generados de manera automática revelarán desde hace cuánto tiempo y cuántos libros estábamos escribiendo como si los humanos fuéramos ya una inteligencia artificial. Cuántas novelas obedecían a una fórmula reconocible y confortable, cuántos personajes se movían como autómatas por una trama y cuántas frases, cuántos temas seguían la dictadura de la moda, sin alma, ni estilo, ni vida ni trascendencia, historias zombies condenadas a ser decapitadas para que dejaran de golpear en nuestras puertas. Qué horrible pensamiento el saber que la máquina no inventa esa literatura muerta, que solo la ha aprendido de nosotros.
Volvamos a Van Gogh, al cielo que podemos calcular, el que se mostraba sobre su cabeza, no el que llevaba dentro, a la diferencia decisiva entre fabricar una obra y crearla: ni la técnica, ni los errores prueban el arte humano, no garantizan la aparición de algo inesperado, de una estrella fugaz, de un hallazgo imprevisto. Podemos calcular el orbe de las estrellas, porque incluso ellas se doblegan ante las matemáticas. Pero el lenguaje, la siguiente palabra, son y serán libres.
O Interior não precisa de promessas de salvação. Precisa de casas habitáveis, trabalho, serviços, ligações e pessoas com razões para ficar ou regressar.
Mais de 3 milhões de adolescentes que tomaram a primeira dose da vacina contra a dengue ainda precisam voltar aos postos de saúde para completar o esquema vacinal.
Como a vacina é aplicada em duas doses, a proteção completa só é adquirida após a segunda, que deve ser tomada três meses depois da primeira.
Os dados foram apresentados pelo diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, em uma palestra na 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, realizada no Rio de Janeiro, na semana passada.
Gatti mostrou que mais de 11,8 milhões de doses já foram administradas em todo o país, sendo 7,6 milhões como primeira dose, e 4,2 milhões como segunda.
"Vacinar adolescente, sem eles terem percepção de risco, é muito difícil. No caso da dengue, o ideal é vacinar no período intersazonal [em que a incidência da doença é mais baixa], para que a pessoa entre na sazonalidade protegida", complementou.
Apesar de a farmacêutica japonesa Takeda, fabricante da vacina Qdenga, ter uma capacidade de produção que não atende a toda a população brasileira, o fornecimento para o público-alvo está garantido, afirmou Gatti.
Além das vacinas entregues em 2024 e 2025, o Brasil tem um contrato vigente que prevê a entrega de 9 milhões de doses este ano, e outras 9 milhões em 2027.
Disponível em todo o país
A vacinação contra a dengue no Brasil foi iniciada nos municípios mais afetados pela doença, avançando progressivamente, e já é feita em todo o país. O público-alvo são as crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
Eder explicou essa decisão durante a palestra. Quando a vacina foi incorporada pelo Sistema Único de Saúde, os dados que comprovavam sua segurança eram mais robustos para a faixa etária de 4 a 16 anos. Dentro desse universo, as chances de adoecer com gravidade são maiores entre 10 e 14 anos.
"Olhando para o que o mundo e o Brasil produziram de conhecimento nos últimos anos, nós já temos mais dados de segurança e continuamos olhando para isso com muita atenção. A ampliação para faixas etárias mais velhas é uma possibilidade, até um desejo, mas a gente precisa ter cuidado com as questões operacionais, orçamentárias e de segurança".
Vacina do Butantan
O diretor do PNI também esclareceu que a aplicação da vacina produzida pelo Butantan continua suspensa, após a identificação de três casos de dengue grave adquiridos após a vacinação, com dois óbitos, entre mais de 500 mil vacinados.
Ainda não está confirmado que a vacina tenha causado a doença, mas a coincidência temporal foi considerada um sinal de segurança pelo Ministério da Saúde, que decidiu suspender a vacinação em junho.
"Isso não cancela a vacina, mas nós temos a necessidade de avaliar com estudos complementares se, de fato, o sinal de segurança representa algo que compromete", acrescentou Gatti.
O diretor do PNI classificou a vacina do Butantan como "uma grande esperança para o país".
"É uma tecnologia nacional, e a nossa ideia era vacinar de 40 a 60 milhões de pessoas por ano, o que significa que, em três anos, nós conseguiríamos chegar a toda a população elegível do país. Mas, antes, precisamos sanar todas as lacunas geradas a partir desse sinal de segurança", explicou o diretor do PNI.
A partida e o prólogo do Dakar de 2027 poderão realizar-se no Algarve, seguindo-se as etapas em Marrocos, adiantou à Lusa uma fonte próxima do processo. A organização confirmou este domingo, 25 de outubro, que a prova deixará provisoriamente a Arábia Saudita, mas ainda não anunciou o novo destino.
Os pormenores do percurso e do programa permanecem por divulgar. O anúncio da localização deverá acontecer no início da próxima semana, tendo Espanha também sido apontada como hipótese.
As equipas já foram informadas da alteração, confirmou a Lusa junto de uma delas.
Organização garante realização da prova em 2027
A mudança surge devido aos “recentes desenvolvimentos na região”, na sequência dos conflitos entre os huthis do Iémen e a Arábia Saudita, país que recebe o rali de todo-o-terreno desde 2020.
“O Dakar 2027 irá realizar-se. A edição de 2027 decorrerá num território diferente e será organizada pela ASO. O local será anunciado separadamente nos próximos dias”, refere o comunicado da organização.
A Amaury Sport Organization (ASO), responsável pelo Dakar e por outras competições, incluindo a Volta a França em bicicleta, acrescentou que mantém contacto direto com concorrentes, equipas e parceiros para os apoiar nesta transição.
Regresso à Arábia Saudita anunciado para 2028
A saída será temporária. A ASO anunciou que o Dakar voltará à Arábia Saudita em 2028, para assinalar a 50.ª edição.
“A Arábia Saudita acolherá o Dakar em 2028, numa edição histórica que assinalará a 50.ª realização do rali”, lê-se na nota publicada pela organização.
Segundo o mesmo comunicado, as duas organizações já estão a trabalhar em conjunto na preparação dessa edição.
Algarve poderá marcar regresso da prova a Portugal
Caso se concretize a partida no Algarve, o Dakar regressará a Portugal 19 anos depois do cancelamento da edição de 2008, que deveria ligar Lisboa à capital do Senegal.
Lisboa recebeu a partida das edições de 2006 e 2007. A terceira saída consecutiva da capital portuguesa foi cancelada em 4 de janeiro de 2008, na véspera do início da competição, devido a ameaças à segurança na Mauritânia.
Essa decisão antecedeu a primeira grande mudança geográfica da prova. Em 2009, o Dakar transferiu-se para a América do Sul, com um percurso pela Argentina e pelo Chile.
Possível mudança para Portugal e Marrocos recupera ligação à Europa e a África
O rali permaneceu na América do Sul durante 11 edições, passando também pelo Peru, pela Bolívia e pelo Paraguai, antes de se instalar na Arábia Saudita em 2020.
A confirmar-se a transferência para Portugal e Marrocos, será a terceira grande mudança de região anfitriã na história da competição e representará o regresso ao espaço europeu e africano onde nasceu.
Criado pelo francês Thierry Sabine, o Dakar teve a primeira edição em 1979, entre Paris e a capital senegalesa. Antes da passagem para a América do Sul, conheceu diferentes percursos, entre os quais Paris–Cidade do Cabo, em 1992, Granada–Dakar, em 1995, e Dakar–Cairo, em 2000.
José Carlos Almeida Rosa, ‘repórter’ de texto e fotografia de Faro, recebeu de António Barros a “Anilha de Ouro da Geral” durante a entrega de prémios da União Columbófila Ouriquense, realizada a 24 de outubro, no restaurante “Pátio de Ourique”.
A distinção desportiva tinha sido conquistada pelo pombo de António Barros com a anilha n.º 3442372/23. O columbófilo ofereceu-a ao ‘repórter’ como reconhecimento pelo seu trabalho na promoção e divulgação da modalidade, de acordo com o relato enviado ao POSTAL pelo próprio José Carlos.
Época de 2026 termina com prémios e convívio
O almoço assinalou o encerramento oficial da época desportiva de 2026 e reuniu participantes e representantes de entidades locais para distinguir os columbófilos e os seus pombos que mais se destacaram ao longo da campanha.
Além da entrega de prémios, o encontro proporcionou um momento de convívio entre os praticantes de uma modalidade ligada às tradições e à vida associativa de Ourique.
Entre os presentes estiveram Jorge Canhestro, presidente da Junta de Freguesia de Ourique, e Nádia Lima, presidente da União de Freguesias de Panóias e Conceição.
Direção destaca apoio das autarquias
Pedro Pinto, presidente da direção da União Columbófila Ouriquense, agradeceu a presença dos participantes e o contributo de quem acompanha a atividade da coletividade.
O dirigente salientou o apoio e o patrocínio do Município de Ourique e das juntas de freguesia do concelho, considerando estas parcerias fundamentais para desenvolver a atividade desportiva, promover a columbofilia e dar continuidade a uma tradição que reúne diferentes gerações.
Os órgãos sociais entregaram também lembranças de agradecimento aos parceiros institucionais: Município de Ourique, Junta de Freguesia de Ourique, União de Freguesias de Panóias e Conceição, Junta de Freguesia de Santa Luzia e Junta de Freguesia de Santana da Serra. O gesto assinalou a colaboração destas entidades com a coletividade.
Crédito: José CarlosCrédito: José CarlosCrédito: José CarlosCrédito: José CarlosCrédito: José CarlosCrédito: José CarlosCrédito: José Carlos
Os eleitores do Rio de Janeiro comparecem aos locais de votação no horário de abertura das urnas, neste domingo (25), mesmo com chuva. Quase 12,9 milhões de pessoas estão aptas a votar no estado, sendo 4,9 milhões na capital, no segundo turno das eleições.
Com um único voto para depositar, o processo está transcorrendo muito mais rápido do que no primeiro turno. Na Universidade Unisuam, em Bonsucesso, na Zona Norte, maior local de votação da capital, com 13 mil eleitores, o fluxo de pessoas foi grande durante a manhã, mas poucas sessões tinham fila.
O casal Tamara Almeida e Eduardo de Andrade preferiu ir logo no começo da votação para garantir que conseguiriam deixar seus votos na urna. Encontraram uma situação bem mais tranquila do que a do primeiro turno.
"No primeiro turno, fiquei mais de duas horas na fila até conseguir votar. Agora foram 10 minutos", disse Tamara. "Antes estava muito cheio, tinha fila do lado de fora da escola. Estava bem caótico, mas hoje está bem diferente", complementou Eduardo.
O eleitor Paulo César da Silva, após votar, no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), na zona norte do Rio. Foto - Tomaz Silva/Agência Brasil
Paulo Cesar da Silva também saiu cedinho da cidade de Nova Iguaçu, e mesmo com um ferimento na perna, fez questão de participar da eleição. Com a ajuda de uma muleta e das rampas da universidade, disse que não teve problemas para chegar à sua sessão eleitoral.
"Não demorei nem um minuto pra votar, a sessão estava vazia. Eu vim pelo direito dos trabalhadores. Sou brasileiro. É mais um voto."
Marcus Vinicius de Andrade, que mora no Complexo da Maré disse que o transporte gratuito facilitou muito a sua participação nessa eleição. Ele votava perto de casa, mas seu local de votação foi um dos 72 alterados pelo Tribunal Regional Eleitoral.
O eleitor Marcus Vinicius Andrade, após votar, no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), na zona norte do Rio de Janeiro. Foto - Tomaz Silva/Agência Brasil
"No primeiro turno, falaram que meu local era em outra escola, cheguei lá e enfrentei a maior fila, quando eu entrei, me falaram que era aqui, mas deu tempo de votar. Hoje foi bem tranquilo e muito rápido."
De acordo com mesários, duas participações se destacam neste domingo (25): a dos idosos e a de pessoas que não votaram no primeiro turno, mas compareceram às sessões no segundo.
Maria das Dores de Lima, de 82, se encaixa nas duas situações. Com a ajuda de uma cadeira de rodas por causa de um problema na coluna, ela fez questão de participar: "É muito importante votar. E eu também quero fazer a minha prova de vida do INSS", ela disse.
A neta Alexia de Lima complementa: "No primeiro turno, ficamos receosos de trazer, por causa de toda a movimentação. Mas como hoje está mais tranquilo, decidimos vir."
Maria das Dores de Lima, de 82, fez questão de participar - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Regina Maria Neves, de 79 anos, também quis garantir sua participação. Pegou um ônibus em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, para chegar a Vila Isabel, na capital, onde vota e esperou cerca de 30 minutos, sob chuva, até a abertura do local de votação.
"Todo cidadão brasileiro tem que votar. Perdendo ou ganhando todo mundo tem que vir, porque a nossa opinião importa", disse.
Gilberto Adamati, de 73 anos, chegou antes das 8h ao local. "Eu penso que é uma responsabilidade com o país. Estou bem de saúde, então não há porque deixar de vir. Eu soube de uma senhorinha de 96 anos que foi votar em cadeira de rodas. Um exemplo desses, não tem como a gente não seguir."
O coletivo Algarve em Resistência exigiu este domingo, 25 de outubro, a demissão de Luís Montenegro, na sequência das intervenções policiais nas acampadas pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto. O grupo reclama também o apuramento público e independente de responsabilidades pelas agressões que denuncia.
Num comunicado, o coletivo manifestou solidariedade com as pessoas agredidas e detidas e rejeitou que se trate como uma questão de “ordem pública” aquilo que considera uma emergência social.
“No Algarve conhecemos bem esta realidade. Quando faltam casas, não podem sobrar bastonadas”, afirma o Algarve em Resistência, relacionando a contestação com as dificuldades de quem vive e trabalha na região.
Coletivo algarvio pede arquivamento dos processos e promete continuar nas ruas
Além da demissão e responsabilização do primeiro-ministro, o grupo exige o arquivamento dos processos contra todas as pessoas detidas, o respeito pelo direito de manifestação “a qualquer hora” e medidas imediatas e estruturais que garantam habitação acessível.
“Não foram as tendas que ocuparam o espaço público. Foi a especulação imobiliária que ocupou as nossas cidades e expulsou quem nelas vive e trabalha”, sustenta o comunicado.
O coletivo compromete-se ainda a acompanhar os detidos quando forem presentes a tribunal e a manter os protestos. Segundo a Lusa, as manifestações pelo direito à habitação regressam este domingo às praças de Lisboa, Porto e Faro.
SOS Racismo exige saída do ministro da Administração Interna
O SOS Racismo também condenou as intervenções desta madrugada, exigindo “o fim da violência policial e repressão brutal” e a “imediata responsabilização política e criminal das forças policiais e do Governo”.
Num comunicado citado pela Lusa, o movimento classificou a atuação contra as acampadas do Rossio, em Lisboa, e da Praça D. João I, no Porto, como uma “desproporcionada, violenta e ilegal investida”. Pediu, por isso, a “demissão imediata” do ministro da Administração Interna.
O movimento reclama um inquérito da Inspeção-Geral da Administração Interna à atuação da PSP e exige que o Governo e a direção nacional da polícia esclareçam “quem ordenou a intervenção, com que base legal e com que critérios de proporcionalidade”.
Pede igualmente uma tomada de posição do Presidente da República e o arquivamento dos processos por desobediência instaurados contra os manifestantes.
Ativista relata agressões a pessoas que estavam no chão
O SOS Racismo afirma ter acompanhado as acampadas no terreno, o que lhe permitiu testemunhar a conduta pacífica dos participantes e a posterior atuação policial.
Mariana Carneiro, membro do movimento, descreveu a presença de agentes fortemente equipados: “Parecia que estavam em batalha absoluta, a confrontar um inimigo com poder militar”.
A ativista afirmou ainda ter visto “muita gente no chão a ser espancada, a levar com o cassetete já estando no chão, portanto, não constituindo qualquer tipo de ameaça”.
Segundo os dados reunidos pelo SOS Racismo, mais de 30 pessoas receberam apoio médico no Rossio, prestado pelo grupo de primeiros socorros da acampada.
Balanços de feridos divergem entre polícia e movimentos
De acordo com a Lusa, a PSP dispersou as manifestações durante a madrugada, com bastonadas, balas de borracha e cães, em intervenções simultâneas em Lisboa e no Porto. As ações ocorreram após mais de duas horas de tensão e ordens de dispersão e retirada das tendas, que os participantes não acataram, invocando a proteção constitucional do direito à manifestação.
A PSP indicou sete feridos em Lisboa e oito no Porto, além de 31 detidos por desobediência na capital. O comunicado do Algarve em Resistência apresenta um balanço diferente, de 11 feridos, que também atribui à polícia.
O coletivo algarvio refere ainda a apreensão de mais de 170 tendas, um total de 86 pessoas detidas desde o início dos protestos e a interrupção do trabalho de uma equipa médica que assistia feridos.
Polícias antimotim avançam contra manifestantes durante um protesto pelo direito à moradia em Lisboa. Crédito: Lusa
Por sua vez, a Acampada de Lisboa fala em dezenas de feridos, afirmando que mais de 20 foram para o Hospital de São José e que outros receberam assistência no local. No Porto, o movimento aponta para 37 feridos.
Protestos começaram no Porto e alargaram-se a Lisboa
A acampada do Porto teve início em 10 de outubro e foi alvo de uma primeira intervenção policial na madrugada de dia 15, que causou perto de 40 feridos. A ação ocorreu após uma manifestação que reuniu cerca de três mil pessoas na Praça D. João I, refere a Lusa.
Em Lisboa, a acampada começou em 17 de outubro, depois da manifestação convocada pela CGTP, que juntou milhares de participantes. As tendas montadas no Rossio foram retiradas numa primeira intervenção policial na terça-feira.
Neste sábado, após uma manifestação com dezenas de milhares de pessoas na Avenida da Liberdade, os participantes voltaram a montar tendas.
Os movimentos exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à compra de habitação por fundos imobiliários e o aumento da oferta pública. Reclamam também a recuperação de imóveis devolutos para habitação e tetos “verdadeiramente acessíveis” às rendas.
A Driveway Transfers, empresa algarvia de transporte de passageiros, recebeu o prémio de segurança rodoviária de 2025 da Horizonte Seguro, numa cerimónia realizada a 20 de outubro de 2026, em Alcobaça, anunciou a empresa em informação enviada ao POSTAL.
De acordo com a operadora de transfers, a distinção reconhece o trabalho desenvolvido na formação e sensibilização dos motoristas, no acompanhamento dos indicadores de condução e na gestão da frota, com atenção à segurança e ao conforto dos passageiros.
Formação e verificações às viaturas entre as práticas destacadas
A empresa identifica as verificações aos veículos, a formação dos profissionais e as iniciativas internas regulares de sensibilização rodoviária como componentes da sua atividade diária. Estas ações procuram incentivar uma condução cuidadosa e responsável.
Na apresentação do trabalho que esteve na origem do reconhecimento, a Driveway Transfers refere uma gestão de frota que procura conciliar a eficiência operacional com a proteção dos passageiros, dos motoristas e dos restantes utilizadores da estrada.
A operadora associa também a distinção ao trabalho da equipa, destacando o profissionalismo e o sentido de responsabilidade dos seus trabalhadores. Na comunicação divulgada, dirige um agradecimento à Cartrack Portugal e à SEGEF pelo prémio.
Empresa pretende manter investimento na prevenção
A Driveway Transfers considera o reconhecimento um incentivo para continuar a investir na formação, na prevenção e na melhoria das suas operações.
A empresa defende ainda a participação de mais operadores de transporte e outras empresas em iniciativas de sensibilização rodoviária. Na sua perspetiva, estes projetos permitem valorizar boas práticas e reforçar a responsabilidade partilhada na prevenção de acidentes e na redução de comportamentos perigosos na estrada.
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) defendeu neste domingo (25), no segundo turno das eleições, que representa a mudança, especialmente contra a violência pública e o endividamento.
Em frente ao seu local de votação, falou brevemente à imprensa sobre a expectativa de vitória no pleito.
"A vida de todo mundo piorou, então não tem porque continuar insistindo no erro. A esperança virou medo, de andar na rua de noite, de ter o celular roubado, de ter a moto roubada. Medo da geladeira vazia, de não conseguir pagar as contas", declarou.
O candidato chegou para votar às 8h20 da manhã, na Escola Municipal Barão Homem de Melo, em Vila Isabel, na zona norte do Rio de Janeiro. Ele estava acompanhado da esposa Fernanda Bolsonaro, da mãe, Rogéria Bolsonaro, e do governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas.
A rua em frente ficou tomada por apoiadores e também por eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, adversário de Flávio neste segundo turno.
Os dois grupos rivalizaram com palavras de ordem, a favor e contra Flávio. De um lado, os eleitores de Lula lembravam do caso Ana Clara, e das suspeitas de que o candidato tenha relações com grupos de milícias.
Os apoiadores do candidato do PL gritavam frases contra o presidente Lula. Logo após a saída de Flávio, o movimento se dispersou e permaneceram apenas os eleitores do local.
A ocupação de Santo António de Arenilha antes da construção da vila pombalina está no centro do novo livro de Fernando Pessanha, apresentado a 24 de outubro, em Vila Real de Santo António. Com base em fontes documentais, o historiador contestou a ideia de que não existiam população nem estruturas organizativas no local onde começou a ser construída a nova vila, em 1774.
A sessão, promovida pela Câmara Municipal para assinalar o Dia do Exército, esgotou a lotação do salão nobre da Capitania do Porto ainda antes do início da cerimónia, levando parte do público a acompanhar a apresentação a partir do átrio. A iniciativa integrou as comemorações dos 250 anos das festividades da fundação de Vila Real de Santo António.
Cartas e mapas sustentam leitura de continuidade histórica
Ao longo de cerca de 45 minutos, Fernando Pessanha percorreu a história do extremo sudeste algarvio entre a Guerra Fantástica de 1762 e a Grande Batalha do Guadiana de 1801, tendo como fio condutor o percurso do oficial de infantaria Francisco de Mendonça Pessanha Mascarenhas.
Governador do termo de Santo António de Arenilha e, posteriormente, primeiro governador da nova vila pombalina, o militar é a figura central da obra O “Inteligente, pratico, activo e zeloso dos interesses de S. Magde” Francisco de Mendonça Pessanha Mascarenhas, 1.º governador da “Nova Vila de Santo António de Arenilha” / Vila Real de Santo António.
Recorrendo a correspondência e documentação cartográfica, o autor defendeu uma continuidade histórica que remonta à fundação da vila original e sede de concelho, em 1513. Nesta leitura, a construção iniciada em 1774, conhecida a partir de 1775 como Vila Real de Santo António, não representa o início da ocupação humana daquele território.
O investigador reconheceu, contudo, uma mudança de modelo político e organizativo, expressa na arquitetura e no urbanismo iluminista do século XVIII.
Obra prefaciada pelo historiador António Ventura
Fernando Pessanha é técnico superior da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António e investigador da Universidade Nova de Lisboa e da Academia de Marinha. O livro conta com prefácio de António Ventura, historiador e catedrático emérito da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Entre os presentes na apresentação estiveram António Fragoso de Almeida, vice-reitor da Universidade do Algarve, e Pedro Albuquerque, docente de arqueologia da Universidade de Sevilha.
Guitarra portuguesa abriu a cerimónia
A sessão começou com um momento de guitarra portuguesa por Filipe Santos. Seguiram-se as boas-vindas do primeiro-tenente Domingos, adjunto do capitão do porto, às instalações da Marinha Portuguesa.
O vereador do Património Material e Imaterial, Fernando Horta, destacou a importância da iniciativa para a identidade histórica, cultural e patrimonial do concelho.
No encerramento, o presidente da Câmara Municipal, Álvaro Palma de Araújo, felicitou Fernando Pessanha pelo trabalho de investigação e salientou a adesão do público a uma sessão dedicada à história do extremo sudeste algarvio.
Desde a década de 1980, o Brasil registra surtos comprovados de dengue, mas só em 2007 o Rio Grande do Sul teve um caso que não tenha sido importado de outra parte do país. A explicação é simples: como o mosquito Aedes aegypti, que transmite a doença, vive melhor em regiões quentes e úmidas, o clima funcionava como uma barreira de proteção.
Essa defesa natural ficou no passado. Em 2024, ano em que o Brasil registrou um número recorde de casos da doença, o Rio Grande do Sul teve quase 210 mil infecções confirmadas e 281 mortes.
Na Bahia, estado acostumado a temperaturas mais elevadas e com 3 milhões de habitantes a mais, os casos confirmados foram cerca de 163 mil, com 188 óbitos.
Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que isso não ocorre apenas no Rio Grande do Sul. De 2006 a 2024, o número de microrregiões brasileiras com níveis epidêmicos de dengue mais do que dobrou, de 110 para 292, extensão que representa metade do país (54%).
As outras microrregiões (46%) apresentaram incidência de média a baixa, com risco esporádico ou incerto.
A principal explicação para essa mudança está no clima. A pesquisa identificou que a maior frequência de anomalias térmicas é o indicador climático que explica melhor o aumento das taxas de incidência de dengue no longo prazo. O conceito se refere ao registro de temperaturas muito diferentes das habituais em um local por determinado período de tempo.
"O que se observa é que o processo de expansão da área de transmissão da dengue parece ser irreversível. Uma vez introduzidos, o vírus e o vetor, é improvável que se retorne a um cenário de transmissão zero", alertam os autores.
De acordo com o infectologista Celso Granato, membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, o espalhamento da dengue é uma das maiores provas de como as mudanças climáticas podem incidir sobre as doenças infecciosas.
A doença tropical tem chegado não somente a regiões mais frias do Brasil, como a países do Hemisfério Norte. Neste momento, a região continental dos Estados Unidos vive o maior surto de dengue da sua história. Casos autóctones também foram registrados neste ano na França e na Itália.
Granato explica que todas as etapas da vida do mosquito transmissor da dengue são afetadas pelo clima.
"Eles colocam ovos com uma casca muito resistente, que podem permanecer por anos na natureza e se romper quando tem umidade e temperatura alta. E esses mosquitos já podem nascer infectados, porque há a transmissão da fêmea para os ovos".
O infectologista Celso Granato . Foto: Divulgação SBPC/ML
A temperatura também altera o comportamento dos mosquitos já adultos.
"Quando está muito calor, eles têm que bater a asinha mais rapidamente para conseguir voar. Então, eles gastam mais energia e precisam picar mais para se alimentar e acabam transmitindo mais a doença também".
Febre do Oropouche
Mas a dengue não é a única doença afetada pelas mudanças climáticas. A febre do Oropouche, que circulava quase exclusivamente na Região Amazônica até 2023, causou mais de 12 mil infecções no ano passado, em 23 estados e no Distrito Federal.
A relação com o clima ainda está sendo investigada, mas especialistas acreditam que mudanças nos padrões de temperatura e chuvas, em conjunto com a degradação ambiental, tenham contribuído para a expansão da doença.
Mosquito causador da febre do Oropouche Foto: Sociedade Brasileira de medicina tropical/Divulgação
"No Rio Grande do Sul, após o desastre das chuvas, aumentou muitas vezes a frequência de leptospirose", exemplifica.
A doença é causada por uma bactéria transmitida principalmente pela urina de ratos, que é espalhada durante enchentes.
"A água da enxurrada também se mistura com o esgoto e pode contaminar a que as pessoas vão beber ou lavar seus alimentos. Há um grande risco de se contaminar com bactérias que causam problemas gastrointestinais e com vírus, como o da hepatite A", complementa o infectologista.
Já as secas representam um perigo diferente e pouco conhecido: "Quando a gente tem incêndio, os animais que dependem da floresta migram para as casas das pessoas que moram perto, principalmente pequenos mamíferos, que têm uma série de doenças que podem passar para o ser humano".
O exemplo mais preocupante é o hantavírus. A cepa que circula no Brasil causa uma síndrome cardiopulmonar bastante grave. Desde 2016, 530 infecções foram confirmadas no país, com 212 mortes, uma taxa de letalidade de 40%.
"A gente tem vários exemplos anteriores, na Bolívia e no Paraguai, por exemplo. Quando ocorrem queimadas, os roedores infectados entram na casa das pessoas e causam essa doença", alerta Granado.
Fungos
Outra ameaça pouco conhecida é a das doenças fúngicas. Na última edição do Congresso Brasileiro de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, a professora da Universidade Federal do Espírito Santo Sarah Gonçalves Tavares alertou que as mudanças climáticas estão levando os fungos a se adaptarem e, com isso, alguns passam ser nocivos aos humanos.
"A gente tem uma temperatura corporal média de 37 graus Celsius, e 95% dos fungos que estão no ambiente não conseguem crescer nessa temperatura. Mas a temperatura do meio-ambiente tem aumentado, e os fungos estão se adaptando a isso. Então, essa barreira que a gente tem acaba sendo rompida".
A professora explica que a mudança de temperatura é uma das "engrenagens" desse processo, assim como o aumento de raios ultravioleta e outras alterações ecológicas, que se somam e propiciam a emergência de determinados fungos como patológicos.
"A gente tem micro-organismos que estavam no meio-ambiente e não eram causadores de doenças em seres humanos, mas eles foram se adaptando a vários tipos de estresse ao longo do tempo e começaram a surgir, principalmente, em pacientes em tratamento intensivo".
A professora da UFES Sarah Gonçalves Tavares. Foto: Sarah Tavares/ Arquivo Pessoal
O maior exemplo é a Candida auris, identificada pela primeira vez na década de 1990 em áreas alagadas de países asiáticos, depois em regiões rurais e, por fim, em cidades. Ele apresenta duas características muito perigosas: consegue sobreviver em altas temperaturas e resistir por muito tempo no meio ambiente.
"Uma pessoa sadia dificilmente vai desenvolver uma infecção por esse tipo de fungo, mas os pacientes imunodeprimidos são vulneráveis", complementa Sarah. Por isso, os surtos de Candida auris têm acontecido em unidades hospitalares, com letalidade entre 40 e 60%".
Fungo do tipo Aspergilus . Foto: Sarah Tavares/ Arquivo Pessoal
O primeiro registro de infecção pelo fungo no Brasil foi em 2020, na Bahia. De lá para cá, foram 24 ocorrências em 15 estados, todas em unidades de saúde. Dos 146 pacientes colonizados, 56 morreram. Quando o fungo chegou a corrente sanguínea, provocando infecção generalizada, a letalidade chegou a 82%.
Um exemplo mais recente é o Trichophyton indotineae, uma espécie de fungo que causa problemas de pele, identificada pela primeira vez em 2022.
"Ele já emergiu com resistência a antifúngicos, porque provavelmente estava exposto a isso no meio ambiente, e o remédio acaba selecionando cepas isoladas que são resistentes", conta a professora da Ufes.
Fungos resistentes não respondem aos tratamentos tradicionais, logo, são muito mais difíceis de serem combatidos. As mudanças climáticas também interferem indiretamente nesse processo: eventos extremos aumentam a vulnerabilidade das plantações, o que leva os agricultores a aplicarem mais fungicidas, acelerando a seleção de cepas resistentes.
Alterações ambientais causadas pelo clima também podem contribuir para a dispersão de fungos que normalmente existem em áreas delimitadas. Um exemplo é o Aspergillus, que se desenvolve melhor em regiões quentes e úmidas, e tem avançado para outros lugares, após mudanças nos padrões de temperatura e umidade, inclusive no Brasil.
Cerca de uma centena de pessoas percorreu este sábado, 24 de outubro, a avenida 5 de Outubro, em Faro, para exigir respostas à crise da habitação. A marcha terminou na Praça da Liberdade, onde um microfone aberto deu lugar a testemunhos sobre as dificuldades em pagar renda ou casa própria.
Promovido pelos coletivos que têm organizado a acampada de Faro, o protesto juntou reivindicações pelo fim dos despejos, pela reversão da lei de arrendamento e pela expropriação do património devoluto.
Organizador relata obrigação de sair de casa durante o verão
Sebastião Florêncio, membro da organização da acampada, disse à Lusa que considera esta a pior crise “desde o 25 de Abril”, apontando a situação de pessoas que “trabalham e nem conseguem ter dinheiro para comer”.
“Isto é um caso de calamidade, isto é uma emergência que temos no nosso país e que ainda mais grave se torna quando nos tentam descredibilizar”, afirmou.
O próprio declarou ter “sorte” por conseguir “ter uma casa”, mas explicou que vive sem contrato e é obrigado a “sair três meses durante o verão, o que no Algarve é habitual”.
Na sua avaliação, a crise algarvia “é um problema ao quadrado”, agravado pela “exorbitância do mercado imobiliário e da especulação imobiliária”.
Marcha percorreu 900 metros ao som de José Afonso
O desfile arrancou pelas 15:30, meia hora depois do previsto, ao som de “Os Vampiros”, de José Afonso. O percurso de 900 metros, acompanhado pela polícia, demorou cerca de meia hora, com outras pessoas a juntarem-se ao longo do caminho.
“Teto, chão, direito a habitação” e “Queremos casas para morar, e não para especular” foram algumas das palavras de ordem. Ouviu-se também um cântico dirigido ao primeiro-ministro: “Montenegro, presta atenção, as tuas casas vão virar ocupação”.
Nas faixas exibidas pelos participantes liam-se mensagens como “Eles compram tudo e não deixam nada”, “Não faltam direitos, falta cumpri-los” e “Mais habitação, menos especulação”.
Microfone aberto reúne testemunhos e críticas ao Governo
Na Praça da Liberdade, depois da leitura de um manifesto preparado pelas várias acampadas, mais de uma dezena de pessoas tomou a palavra durante cerca de uma hora.
Os discursos combinaram críticas ao Governo com relatos pessoais sobre as dificuldades em suportar os custos da habitação. Houve também quem se afirmasse “privilegiado por ter casa”, defendendo que isso não contradiz a participação no protesto, porque “todos têm direito a casa própria”.
Para este sábado está ainda prevista uma assembleia popular na praça, destinada a recolher contributos para propostas a apresentar ao Governo e a preparar novas ações de luta.
Protestos alargaram-se a outras cidades
A atual mobilização começou no Porto em 10 de outubro e estendeu-se a Lisboa e a outras cidades, através de manifestações e acampadas. Os protestos surgiram dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade, refere a Lusa.
Promovidas por movimentos cívicos e divulgadas nas redes sociais, as iniciativas exigem respostas à crise habitacional. Reclamam também o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.
Em 15 de outubro, o movimento que acampava no Porto denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada. Segundo a denúncia relatada pela Lusa, ficaram feridos 39 participantes, dois dos quais em estado grave, e um polícia.
Em Lisboa, as autoridades retiraram dezenas de tendas do Rossio na manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz em 27 de outubro.
O funcionamento das esplanadas de Huelva voltou ao debate municipal, com os horários de fecho, o ruído e a acessibilidade no centro de uma reunião da comissão que acompanha o regulamento. O objetivo é conciliar a atividade dos estabelecimentos com o descanso dos moradores e a circulação sem obstáculos nas ruas e praças.
De acordo com o Diario de Huelva, o encontro juntou representantes da autarquia, da Polícia Local, do setor da restauração e das associações de moradores para analisar a aplicação das regras e as dificuldades detetadas desde a sua entrada em vigor.
O regulamento foi aprovado em junho de 2025 e contou com um período de adaptação de seis meses, antes da aplicação definitiva a 13 de dezembro.
Até à uma da madrugada entre junho e setembro
Os horários são um dos aspetos regulados. As esplanadas sem elementos musicais ou audiovisuais podem permanecer abertas até à uma da madrugada entre junho e setembro. Nos restantes meses, o limite geral é a meia-noite.
As regras incluem também medidas para prevenir incómodos provocados pelo ruído e estabelecem condições para a retirada do mobiliário após o fim do horário autorizado.
A análise da comissão incide sobre a aplicação destas disposições, num esforço para compatibilizar o funcionamento dos negócios com os direitos de quem reside nas zonas envolventes.
Passagem livre e acessos garantidos
Na acessibilidade, o regulamento exige uma faixa de circulação pedonal com 1,80 metros de largura livre de obstáculos.
Além dessa passagem, têm de ficar garantidos os acessos a garagens, paragens de transportes públicos, ciclovias e vias destinadas à circulação de veículos de emergência.
A área ocupada por cada esplanada deve corresponder à autorização municipal. Como regra geral, as instalações têm de ficar em frente à fachada do respetivo estabelecimento, embora o regulamento contemple exceções.
Autarquia defende diálogo entre empresários e moradores
Pilar Miranda, presidente da Câmara de Huelva, destacou a importância de manter o diálogo entre os setores envolvidos para acompanhar a aplicação das medidas.
“Esta norma nasceu para compatibilizar o direito ao descanso dos moradores, a atividade económica dos estabelecimentos de restauração e o uso ordenado do espaço público”, afirmou.
A autarca acrescentou que a comissão permite “continuar esse diálogo já iniciado e perceber em que ponto nos encontramos”.
O acompanhamento pretende manter abertos os canais de comunicação entre a autarquia, os empresários e os moradores, permitindo abordar os problemas que surjam na utilização partilhada das ruas e praças.
O jornalista Sergio Ovejero foi arrastado por uma onda enquanto fazia uma reportagem em direto sobre o temporal marítimo em Ondarroa, no País Basco. O incidente ocorreu esta quinta-feira, 22 de outubro, durante a emissão do programa “Euskadi Quédate”, da estação de televisão basca ETB.
O repórter e o operador de câmara encontram-se bem, de acordo com o jornal El País, que cita órgãos de comunicação social locais.
Ligação interrompida perante a preocupação no estúdio
Ovejero estava a informar sobre as condições meteorológicas quando uma onda ultrapassou as estruturas de proteção costeira e atingiu a equipa de televisão.
O momento ficou registado na emissão, que sofreu uma interrupção de alguns instantes. No estúdio, o apresentador que acompanhava o direto não escondeu a expressão de preocupação e espanto perante o sucedido.
Autoridades tinham alertado para ondas superiores a cinco metros
O incidente aconteceu durante um alerta de temporal marítimo na costa basca. As autoridades tinham advertido para ondas superiores a cinco metros, ventos fortes e risco de projeção de água e de impacto da ondulação sobre passeios marítimos e estruturas de proteção junto ao mar.
Ondarroa é uma vila piscatória na costa de Bizkaia, particularmente exposta aos temporais do mar Cantábrico.
Os quebra-mares e passeios marítimos da zona são procurados como pontos de observação durante episódios de forte ondulação. Contudo, quando o vento provoca grande agitação marítima, as ondas podem ultrapassar as barreiras de proteção, como aconteceu durante a reportagem da ETB.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou este sábado, 24 de outubro, em Vilamoura, que o Governo encara os protestos pela habitação “com toda a tranquilidade”. O governante sublinhou que a maioria dos manifestantes é pacífica e rejeitou a existência de um confronto com o movimento.
“Não há de modo nenhum um braço de ferro”, declarou à CNN, à margem da cerimónia de aniversário da Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras da GNR no Algarve, em declarações citadas pela Lusa.
Ministro reconhece legitimidade dos protestos
Luís Neves frisou que “a maior parte dos manifestantes são pessoas absolutamente pacíficas” e que “o direito à manifestação é absolutamente legítimo”.
“O que leva as pessoas a manifestarem-se é um motivo absolutamente legítimo, muito humano. Estamos a falar de habitação”, afirmou.
O ministro assegurou que o Governo está “muito focado em encontrar todos os instrumentos” e “soluções que possam mitigar” o problema. Acrescentou que os promotores dos protestos estão “em articulação com a Polícia de Segurança Pública”.
Sobre as manifestações previstas para a tarde deste sábado, manifestou a expectativa de que sejam “ordeiras e pacíficas”, como “regularmente acontece” em Portugal.
Declarações surgem após aviso sobre o fim das acampadas
A posição foi expressa numa altura em que continuam a ser convocadas manifestações e assembleias populares em várias cidades, por movimentos cívicos que exigem respostas à crise da habitação.
Durante a semana, depois da polícia ter removido as tendas do Rossio, em Lisboa, e da Praça D. João I, no Porto, Luís Neves afirmou que a PSP passaria a atuar “por antecipação” nos protestos e avisou que as “acampadas e acampamentos terminaram”.
Em 15 de outubro, o movimento que acampava no Porto denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada. Segundo a denúncia, ficaram feridos 39 participantes, dois dos quais em estado grave, e um polícia.
Em Lisboa, as autoridades retiraram dezenas de tendas do Rossio na manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz em 27 de outubro.
Movimentos exigem mudanças nas rendas e alternativas aos despejos
Duas semanas depois do início dos protestos no Porto, os participantes mantêm a promessa de continuar nas ruas até que o Governo deixe cair a nova lei das rendas e adote outras medidas para responder à crise habitacional.
Entre as reivindicações estão o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, a proibição da compra de habitação por fundos imobiliários e o aumento da oferta pública de casas.
Os movimentos defendem também a aplicação de tetos às rendas e a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais.
Deixar de fumar, reduzir o álcool e recuperar rotinas de alimentação, sono e exercício são mudanças que podem ajudar a ter uma vida mais saudável depois dos 50 anos. Especialistas ouvidos pelo jornal britânico The i Paper explicam que os benefícios continuam a ser possíveis, mesmo após décadas de excessos, mas não equivalem a eliminar todas as consequências do passado.
Numa reportagem publicada esta quarta-feira, o jornal cita uma investigação da Universidade de Ciências Aplicadas Laurea, na Finlândia, publicada em 2025, que identificou repercussões de hábitos como fumar e beber em excesso já aos 36 anos entre os participantes. Os efeitos persistiram nas décadas seguintes.
A mensagem dos especialistas, porém, não é de resignação. “O corpo não é um disco rígido que guarda permanentemente cada má decisão, nem um quadro branco que se possa limpar com um detox”, explica a imunologista Jenna Macciochi.
“Não precisamos de apagar todas as consequências do nosso passado para melhorar significativamente a nossa saúde futura”, acrescenta.
Deixar de fumar é a primeira prioridade
Entre as mudanças apontadas na reportagem, abandonar o tabaco surge como uma das mais importantes. O jornal recorda que fumar reduz a esperança de vida, em média, em dez anos e está associado a doenças cardiovasculares, vários tipos de cancro e problemas que afetam, entre outros, a visão, a audição e o sistema imunitário.
O envelhecimento da pele é outra consequência. “O fumo do cigarro gera stress oxidativo, interfere com a produção de novo colagénio e afeta as fibras elásticas que sustentam a pele”, explica a dermatologista Anjali Mahto.
Na prática, isso pode traduzir-se em rugas mais pronunciadas, sobretudo em redor da boca, sulcos mais profundos na parte inferior do rosto e perda de elasticidade.
Os benefícios de deixar de fumar começam rapidamente. De acordo com as informações do serviço nacional de saúde britânico, o NHS, citadas na reportagem, a pulsação regressa aos valores normais ao fim de 20 minutos e a quantidade de monóxido de carbono no sangue reduz-se para cerca de metade após oito horas. Dez anos depois, o risco de morrer de cancro do pulmão é aproximadamente metade do de quem continua a fumar.
Mahto refere também que existe um conjunto ainda pequeno, embora crescente, de evidências sobre o envelhecimento da pele associado aos cigarros eletrónicos. Faltam, contudo, estudos de longa duração que permitam quantificar os efeitos nas rugas.
Menos álcool também pode significar noites melhores
A reportagem sublinha que não existe um nível de consumo de álcool isento de risco. Para algumas pessoas, deixar de beber será a melhor opção; para quem mantém um consumo regular, reduzir a quantidade é uma das mudanças centrais propostas.
Reservar três dias da semana sem álcool é outra das recomendações apresentadas. O objetivo não se limita a evitar episódios de consumo excessivo, mas também a interromper o hábito de beber todos os dias.
“O fígado tem propriedades regenerativas extraordinárias, pelo que deixar de beber, temporária ou permanentemente, pode ajudá-lo a recuperar”, explica Tamara Gall, cirurgiã geral e hepatopancreatobiliar do Cromwell Hospital, numa declaração ao The i Paper recuperada na reportagem.
Os benefícios dependem dos danos existentes. Segundo a especialista, podem ser observados ao fim de uma semana, enquanto lesões mais graves exigem períodos de abstinência muito mais prolongados.
O sono também é afetado pelo álcool, mesmo quando a sensação inicial parece ser de relaxamento. Heather Darwall-Smith, psicoterapeuta especializada em sono e neurodiversidade, explica que beber pode facilitar o adormecer, mas prejudica a segunda metade da noite.
“O sono torna-se mais leve, acordamos mais vezes e o sono REM é perturbado”, afirma, acrescentando que o álcool também agrava o ressonar e os problemas respiratórios durante o sono.
Alimentar o intestino antes de procurar suplementos
O consumo excessivo de álcool, o tabaco e as noites mal dormidas podem afetar o apetite, a alimentação e o microbioma intestinal. Uma dieta pobre em fibra e dominada por alimentos ultraprocessados deixa as bactérias intestinais sem parte dos nutrientes de que necessitam.
Para a investigadora e dietista Megan Rossi, a resposta não deve começar automaticamente por um suplemento.
“Quando recebo pessoas na consulta, pensam que, para recuperar a saúde intestinal, precisam de tomar um probiótico, mas essa não é a solução. É preciso cuidar primeiro dos fundamentos”, explica.
A especialista propõe diversificar seis grupos de alimentos de origem vegetal: fruta, hortícolas, cereais integrais, ervas aromáticas e especiarias, leguminosas, e frutos de casca rija e sementes. Cada grupo fornece diferentes fibras e compostos que alimentam diferentes bactérias intestinais.
“Uma maior diversidade de bactérias intestinais significa que serão mais resistentes às coisas a que as sujeitamos”, afirma.
Rossi cita uma investigação da Universidade de Bergen que aponta benefícios potenciais da passagem para uma alimentação de estilo mediterrânico mesmo quando a mudança começa aos 80 anos.
Para quem procura um primeiro passo simples, sugere introduzir leguminosas, como o feijão. O seu impacto, explica, não resulta de serem um alimento milagroso, mas de estarem frequentemente ausentes da alimentação.
A especialista destaca ainda alimentos fermentados, como iogurte, queijo e kimchi, associados à redução de marcadores inflamatórios no sangue. Refere também um estudo em que uma alimentação rica em fibras prebióticas, que alimentam bactérias intestinais benéficas, melhorou a qualidade do sono relatada pelos participantes.
Acordar à mesma hora ajuda a recuperar o ritmo
Na meia-idade, o descanso pode ser perturbado não apenas pelos hábitos anteriores, mas também pela menopausa, pelas pressões profissionais, pelas responsabilidades familiares e pelo cansaço acumulado.
Nem todos estes fatores são controláveis. Ainda assim, Darwall-Smith destaca uma medida que recomenda aos seus clientes: acordar aproximadamente à mesma hora todos os dias.
“Levantar-se à mesma hora todos os dias é quase como traçar uma linha na areia”, afirma. “Não é preciso ser rígido, apenas bastante consistente.”
A regularidade ajuda a estabilizar o ritmo circadiano, o relógio biológico que organiza o sono e outras funções do organismo. A exposição à luz natural de manhã reforça esse sinal.
Anjali Mahto acrescenta que a sincronização destes ritmos pode beneficiar a digestão e, potencialmente, o funcionamento e a reparação da pele.
Exercício com espaço para o treino de força
Passar de uma vida sedentária para uma vida ativa é outra das mudanças com maior potencial. Macciochi descreve o exercício como “provavelmente uma das nossas intervenções mais poderosas”, com benefícios para o risco cardiovascular e a forma como o organismo responde à insulina.
Correr, pedalar e nadar são exemplos de atividade aeróbica referidos na reportagem. Mas o treino de força também merece atenção.
O álcool interfere com o crescimento muscular e a densidade óssea. A estes efeitos juntam-se as perdas de músculo e de massa óssea associadas ao envelhecimento, que podem deixar o corpo mais vulnerável a quedas e dores.
O treino de força ajuda a contrariar essas perdas, a melhorar a sensibilidade à insulina e a manter um peso saudável. A reportagem salienta também a importância de uma alimentação com proteína suficiente para apoiar o desenvolvimento muscular, sem descurar a fibra necessária ao microbioma intestinal.
Cuidar da pele sem tentar compensar tudo de uma vez
Perante sinais visíveis de envelhecimento, a tentação pode ser recorrer a muitos produtos ou tratamentos intensivos. Mahto considera que essa abordagem pode ser contraproducente.
“Uma limpeza suave e um hidratante adequado são suficientes para muitas pessoas, sobretudo quando a barreira cutânea está irritada”, afirma. Ingredientes como a glicerina e as ceramidas podem ajudar a proteger essa barreira.
Pelo contrário, uma esfoliação agressiva ou a introdução simultânea de vários ingredientes ativos fortes depois de um fim de semana de excessos tende a provocar irritação, em vez de acelerar a recuperação.
A dermatologista recomenda ainda proteção solar diária de largo espectro, idealmente com fator de proteção entre 30 e 50 e boa proteção contra os raios UVA. Menciona também os retinoides tópicos, incluindo a tretinoína sujeita a prescrição, que têm evidência de benefício em algumas alterações da pele, mas não são adequados para todas as pessoas.
“Se alguém deixa de fumar aos 50 anos ou começa a fazer exercício regularmente aos 55, considero isso uma excelente decisão”, afirma. “Não é necessário recuperar o rosto que tinha aos 25 anos para que essas mudanças valham a pena.”
Começar pelo que tem maior impacto
Adotar novos hábitos na meia-idade pode ser difícil num período marcado por responsabilidades familiares, pressão profissional e alterações hormonais. A proposta dos especialistas não é transformar tudo de uma só vez, mas começar pelo comportamento com maior impacto na saúde.
“Deixar de fumar estará provavelmente em primeiro lugar, seguido do álcool”, resume Macciochi.
Darwall-Smith deixa uma orientação para evitar que a procura de uma vida melhor se transforme noutra fonte de ansiedade: “Fazer mudanças que se consigam realmente manter e dar-lhes tempo para se consolidarem.”