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Quem não crê em Deus, será que se salva?

29 October 2026 at 11:31

VTM

Foi ateu assumido desde a juventude, momento em que deixou para trás a “quinquilharia da crença”. Disse-lhe que Deus tem muitos caminhos para nos salvar, ou seja, para nos chamar a uma plenitude de vida para além da morte.

Jesus Cristo é o caminho para essa salvação, que já se começa a viver aqui desde o batismo. E quem não acredita em Jesus Cristo, ou por outras palavras, quem não chega à fé não se salva? Noutros tempos, quem não acreditava ou era contumaz na descrença estava condenado e excomungado. Fora da Igreja não existia salvação, nem mesmo para as outras fações cristãs. Mas o Concílio Vaticano II reformulou esta doutrina dogmática e rígida: salientou a consciência. Já em tempos lembrava o Papa Francisco: “para quem não crê em Deus a questão está em obedecer à própria consciência: acontece o pecado, mesmo para aqueles que não têm fé, quando se vai contra a consciência. De facto, ouvir e obedecer a esta significa decidir-se diante do que é percebido como bem ou como mal; e é sobre esta decisão que se joga a bondade ou a maldade das nossas ações”.

Um não crente, que não tenha encontrado a razoabilidade para acreditar em Deus, se for fiel à sua consciência ao longo da vida, salva-se. Esta mesma doutrina já está patente no que a Igreja chama de “cristãos anónimos”, homens e mulheres de boa vontade, que não assumem a fé cristã e não fazem parte da Igreja, mas que comungam e agem na vida de acordo com muitos princípios e valores do Evangelho, na fidelidade à sua consciência. Convinha vincar que é preciso ouvir mesmo a consciência, sendo necessária a devida formação. “O homem tem no coração uma lei escrita pelo próprio Deus; a sua dignidade está em obedecer-lhe, e por ela é que será julgado” (Gaudium et Spes, nº 16).

Hoje, a consciência anda num mar de confusões, confundida, muitas vezes, com arbitrariedade individualista ou sendo máscara de puro subjetivismo. Convinha também salientar que todo o homem é “capaz” da fé e está feito para a relação com Deus. Entende-se que determinadas pessoas tenham mais exigências intelectuais do que outras para acreditar em Deus e até podem mesmo, com verdade, não conseguir chegar lá. Mas não se deve confundir isto com a teimosia ou o comodismo de não querer acreditar. Estes casos ficam entregues à misericórdia de Deus.

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A Pena de Morte

15 October 2026 at 18:11

VTM

A segunda tentativa falhada para executar esta mulher do Estado americano do Tennessee deu novo fôlego ao debate sobre a pena de morte. Este caso começa por colocar muitas dúvidas até sobre a metodologia usada, que alguns asseguram que é eficaz e indolor, mas na verdade não resultou assim. Não foi eficaz e poderá ter causado sofrimento extremo à vítima. E depois de uma primeira tentativa falhada, voltou-se a sujeitar a condenada ao mesmo suplício com o mesmo resultado. É altamente questionável tudo o que se passou.

Os bispos católicos do Estado do Tennessee, juntamente com os bispos da Comunhão Anglicana, apressaram-se a pedir uma comutação da pena e que não se procedesse a uma nova tentativa de execução, não desvalorizando a gravidade do crime que foi cometido e o sofrimento da família da vítima, que ela foi acusada de matar. Os bispos sublinham, sobretudo, que a necessária atribuição de responsabilidade por um crime muito grave não deveria exigir outra morte. Na base deste entendimento está a dignidade que pertence a cada pessoa, criada à imagem de Deus. A vida humana é sagrada. Nem mesmo os crimes mais graves podem anular essa dignidade ou excluir definitivamente a possibilidade de arrependimento e redenção. A justiça não é vingança. Como é que se compreende que uma sociedade condene alguém por ter tirado a vida a uma pessoa e depois essa mesma sociedade pratica o que condena?

Para a Igreja Católica a pena de morte é inadmissível e defende a sua abolição em todo o mundo, porque é um ataque à dignidade da pessoa humana e não é protetora da sociedade. A dignidade da pessoa não se perde após a prática de crimes muito graves. Além do mais, os Estados atuais já têm formas de detenção eficazes, sem necessidade de tirar a vida e que não anulam a possibilidade de redenção aos culpados. O Estado deve defender a vida sempre e em todos os casos. Os países que a defendem e praticam alegam que a pena de morte é dissuasora, mas, na verdade, não há provas claras de que assim seja e apesar de praticarem a pena de morte, continuam a registar altos índices de criminalidade.

O Papa Francisco apelou a “todos os cristãos e homens de boa vontade” que lutem, “não só pela abolição da pena de morte, legal ou ilegal, em todas as suas formas, mas também para melhorar as condições carcerárias, no respeito pela dignidade humana das pessoas privadas da liberdade”.

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